{"id":827,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/festas-religiosas-populares-o-cristianismo-em-jubilo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"festas-religiosas-populares-o-cristianismo-em-jubilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/festas-religiosas-populares-o-cristianismo-em-jubilo\/","title":{"rendered":"Festas religiosas populares: o cristianismo em j\u00fabilo"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj, Professor UCP <!--more--> Que mais pode dizer-se que ainda n\u00e3o tenha sido dito sobre este tema? Uma quest\u00e3o ainda em aberto prende-se com o entendimento da clara defini\u00e7\u00e3o do que sejam as festas populares e a sua rela\u00e7\u00e3o com o cristianismo. Apesar disso, julgo que esta \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria, pois as festas religiosas populares constituem uma dimens\u00e3o essencial do nosso modo de viver o catolicismo.  Gostaria de exemplificar com dois casos, que s\u00e3o, na sua morfologia religiosa, muito semelhantes. As grandes peregrina\u00e7\u00f5es a F\u00e1tima e a Festa do Senhor Santo Cristo em Ponta Delgada. Este ano, por uma feliz coincid\u00eancia, participei em ambas neste m\u00eas de Maio que passou. Quando, quer em F\u00e1tima quer em Ponta Delgada, est\u00e1 presente uma imensa multid\u00e3o seduzida pela evoca\u00e7\u00e3o que a imagem representa, de Nossa Senhora, em F\u00e1tima, do Ecce Homo, em Ponta Delgada; quando est\u00e3o presentes os bispos, o clero, os di\u00e1conos, e o povo de Deus em grande multid\u00e3o; quando, no caso de Ponta Delgada, est\u00e3o presentes todas as grandes institui\u00e7\u00f5es nas quais se organiza a sociedade, as autoridades civis, militares, acad\u00e9micas; representadas todas as associa\u00e7\u00f5es culturais, j\u00e1 na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, presidida por um bispo ou mesmo um Cardeal, ou at\u00e9 o Papa, o que \u00e9 que h\u00e1-de dizer-se disto, sen\u00e3o que h\u00e1 aqui um excesso de sentido que faz pensar? Pode, nestes dois casos, falar-se de religiosidade popular ou de festas populares, e em que sentido, dado que, sobretudo no caso de Ponta Delgada, \u00e9 toda a sociedade, na sua componente civil e na sua componente eclesial que a\u00ed est\u00e1 congregada, unida pelo fasc\u00ednio de um olhar que aquela imagem de um modo t\u00e3o tocante e \u00fanico provoca e contagia? Estou convencido que estamos aqui em presen\u00e7a n\u00e3o de simples festa popular, mas sim da Igreja em festa. Mas o que \u00e9, afinal, a festa? A festa diz essencialmente a conflu\u00eancia do Povo de Deus, para celebrar a alegria de estar junto, numa rela\u00e7\u00e3o de proximidade e de comunh\u00e3o. Os rituais, j\u00e1 os que decorrem da celebra\u00e7\u00e3o dos sacramentos, sobretudo a Missa, j\u00e1 os outros, &#8211; que s\u00e3o como que a irradia\u00e7\u00e3o para a vida que se celebra e que se traduz nos banquetes -, s\u00e3o uma pedagogia ou um m\u00e9todo para conseguir que as pessoas estejam juntas, e \u00e9 por este estar juntas que passa a alegria, n\u00e3o apenas humana, mas tamb\u00e9m crist\u00e3.  As Festas Cat\u00f3licas Populares n\u00e3o representam, portanto, nenhum problema teol\u00f3gico em si. E por isso distancio-me das teorias que v\u00eaem nestas manifesta\u00e7\u00f5es formas residuais de paganismo, que seria necess\u00e1rio, portanto, combater e superar, quer do ponto de vista teol\u00f3gico, quer do ponto de vista sobretudo pastoral, em nome da pureza da f\u00e9. Evidentemente que n\u00e3o ignoro os problemas pastorais que a realiza\u00e7\u00e3o das Festas actualmente levanta. No entanto, persisto na convic\u00e7\u00e3o de que as Festas religiosas cat\u00f3licas s\u00e3o fundamentais na nossa sociedade, entre outras raz\u00f5es, porque permitem uma certa respira\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a, s\u00e3o momentos epif\u00e2nicos de abertura para o transcendente, num universo sempre mais fechado em si mesmo, como se o mundo se reduzisse \u00e0quilo de que o homem pode dispor, ter \u00e0 m\u00e3o.  Foi-me perguntado h\u00e1 dias por um jornalista, em Ponta Delgada, se eu tinha visto nas Festas do Senhor Santo Cristo algum excesso, algum desequil\u00edbrio! Talvez os tenha havido, n\u00e3o sei. \u00c9 que eu fui como peregrino, como vou a F\u00e1tima ou a outros lugares, como Roma ou Assis, e n\u00e3o como observador, e o que vi foi o fasc\u00ednio daquele olhar, do Ecce Homo, e a troca de olhares daquele rio de gente, como se fosse um rio de lava, que passava diante da imagem, a sublime evoca\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do homem, esse espelho no qual o homem se contempla e se reconhece.  As festas religiosas cat\u00f3licas s\u00e3o momentos de excesso de sentido, de j\u00fabilo, que se diz na celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio e na sua irradia\u00e7\u00e3o para a vida. J\u00e1 S. Tom\u00e1s de Aquino ensinava que Deus n\u00e3o liga a salva\u00e7\u00e3o aos sacramentos. Eles s\u00e3o momentos fundamentais na celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio da Igreja, mas n\u00e3o s\u00e3o tudo; as festas s\u00e3o sacramentais, ou seja, vivem deste irradiar de vida que se expande e que se transforma em cultura: pelas festas religiosas cat\u00f3licas passa a viv\u00eancia da nossa pr\u00f3pria identidade, mesmo como sociedade, mesmo como na\u00e7\u00e3o. Neste tempo crepuscular no qual n\u00f3s assistimos a esta cultura envergonhada das suas ra\u00edzes crist\u00e3s, alegadamente indiferente e laica, as festas religiosas cat\u00f3licas s\u00e3o um o\u00e1sis de frescura, janelas abertas para a transcend\u00eancia e para o mist\u00e9rio.  Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj, Professor UCP <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Jacinto Ferreira de Farias, scj, Professor UCP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[207,292,294,321],"class_list":["post-827","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-fatima","tag-religiosidade-popular","tag-sacramentos","tag-ucp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=827"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/827\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}