{"id":826,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-pluralismo-religioso-portugues\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-pluralismo-religioso-portugues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-pluralismo-religioso-portugues\/","title":{"rendered":"O pluralismo religioso portugu\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>A religiosidade popular \u00e9 um facto que acompanha a vida da Igreja e que a acompanhou durante todos os s\u00e9culos. Trata-se de express\u00f5es, gestos, atitudes, que expressam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrina\u00e7\u00e3o, ajoelha-se diante do t\u00famulo de um m\u00e1rtir ou um santo, conservam-se restos do seu corpo ou dos seus vestidos. No caso portugu\u00eas \u00e9 esta religiosidade que, sob uma aparente unidade enraizada no catolicismo, manifesta mais fielmente a pluralidade da sociedade portuguesa na viv\u00eancia do sagrado Habitualmente a religiosidade popular afirma-se em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 oficial, sendo entendida como uma forma h\u00edbrida, isto \u00e9 formas inadequadas de entender e praticar a religi\u00e3o oficial. Em Portugal, por exemplo, as cren\u00e7as populares incluem, ainda hoje, um conjunto de supersti\u00e7\u00f5es e gestos m\u00e1gicos oriundos do paganismo celta. \u00c9 dif\u00edcil precisar onde foram os portugueses encontrar este \u201cimagin\u00e1rio\u201d, este \u201cfant\u00e1stico\u201d, este culto do sagrado, com uma estrutura\u00e7\u00e3o rigorosa de espa\u00e7o e do tempo e onde avultavam as grandes festas da Primavera e do Outono. S\u00e3o Martinho de Dume e S\u00e3o Frutuoso, ambos Bispos de Dume e de Braga (518\/525 &#8211; 579\/665) no De Correctione Rusticorum e no Regula Monachorum, s\u00e3o os primeiros a insurgir-se contra esta tradi\u00e7\u00e3o celta e a compulsar os cl\u00e9rigos a n\u00e3o exercitar esses cultos.  S\u00e3o Martinho de Dume faz uma descri\u00e7\u00e3o muito clara das pr\u00e1ticas celtas druidas dos galegos no seu livro De Correctione Rusticorum (Corrigir as pr\u00e1ticas dos camponeses), onde condena as supersti\u00e7\u00f5es, as cantigas m\u00e1gicas e diab\u00f3licas dos Celtas galegos. \u201cN\u00e3o fazer o culto as pedras, n\u00e3o alumiar as candeas aos petoutos, n\u00e3o rezar as fontes\u201d, pedia o Santo. \u00c9 neste contexto de assimila\u00e7\u00e3o das cren\u00e7as e antigos ritos pag\u00e3os, que se perpetuaram ao longo dos s\u00e9culos na tradi\u00e7\u00e3o oral, que se deve buscar a origem da maior parte dos ritos e cren\u00e7as que definem a religiosidade popular. Fica assim claro que muitas festividades pag\u00e3s foram cristianizadas, fazendo-as coincidir com as celebra\u00e7\u00f5es praticadas em \u00e9pocas remotas. As festas populares, manifesta\u00e7\u00f5es colectivas, as cren\u00e7as e ritos de devo\u00e7\u00e3o particular s\u00e3o as grandes marcas da religiosidade popular no nosso pa\u00eds. Nas festividades populares, com ou sem rela\u00e7\u00e3o com o ritual oficial e, muitas vezes, com origem em cultos natural\u00edsticos, \u00e9 poss\u00edvel encontrar manifesta\u00e7\u00f5es particulares, por vezes, com car\u00e1cter m\u00e1gico.  A aten\u00e7\u00e3o especial aos sinais da natureza como a \u00e1gua, a terra, a luz, o c\u00e9u fascinou desde sempre as pessoas. A religiosidade popular, c\u00f3smica e natural, pode servir, no caso da Igreja Cat\u00f3lica, para compreender melhor a utiliza\u00e7\u00e3o de sinais e gestos simb\u00f3licos que expressam uma componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre chamada a aten\u00e7\u00e3o para uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o entre a liturgia e a piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros s\u00e9culos, com algumas celebra\u00e7\u00f5es, e na liturgia romana da Idade M\u00e9dia, com as prociss\u00f5es, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de culto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A religiosidade popular \u00e9 um facto que acompanha a vida da Igreja e que a acompanhou durante todos os s\u00e9culos. Trata-se de express\u00f5es, gestos, atitudes, que expressam uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus: beija-se a cruz, percorre-se a Via Sacra, participa-se numa peregrina\u00e7\u00e3o, ajoelha-se diante do t\u00famulo de um m\u00e1rtir ou um santo, conservam-se restos do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[172,246,292],"class_list":["post-826","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-diocese-de-braga","tag-liturgia","tag-religiosidade-popular"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=826"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/826\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=826"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}