{"id":823,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/elogio-das-virtudes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"elogio-das-virtudes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/elogio-das-virtudes\/","title":{"rendered":"Elogio das Virtudes"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o &#8211; JUNHO <!--more--> Que os crist\u00e3os que exercem cargos de responsabilidade na vida p\u00fablica, seguindo os ensinamentos do Evangelho e os princ\u00edpios da doutrina social da Igreja, defendam e promovam o respeito pelos valores humanos em todas as situa\u00e7\u00f5es.  1. J\u00e1 n\u00e3o faz parte do h\u00e1bito social falar de \u00abvirtudes\u00bb. Quando muito, alude-se a valores, \u00abrepublicanos\u00bb de prefer\u00eancia, ainda que ningu\u00e9m saiba muito bem o que sejam. Virtudes, por\u00e9m, parecem coisa bafienta, de um passado sem nome, pouco adequadas a estes tempos de costumes \u00abf\u00e1ceis\u00bb e \u00abrelativismos\u00bb p\u00f3s-modernos, quando os comportamentos se medem sem refer\u00eancia a outra inst\u00e2ncia que n\u00e3o o pr\u00f3prio desejo, interesse ou prazer. S\u00f3 assim se entende este ar do tempo, em que se respira deliquesc\u00eancia e, apesar dos discursos repletos de nobres palavras, se vive \u00e0 superf\u00edcie, receando ir ao fundo das coisas, onde jazem, tudo menos adormecidas, as causas de uma sociedade decadente, viciosa, comprazendo-se no escuro da n\u00e1usea que a alimenta. Basta considerar a voragem de que se fazem os nossos dias: jovens que se autodestroem na droga; fam\u00edlias que se autodestroem na infidelidade, no div\u00f3rcio, no consumismo, na loucura do cart\u00e3o de cr\u00e9dito e das d\u00edvidas sem limite; empres\u00e1rios sem escr\u00fapulos que n\u00e3o pagam sal\u00e1rios e fecham f\u00e1bricas apenas para iludir responsabilidades sociais; pol\u00edticos que vivem em conluio com poderosos, defraudando a causa p\u00fablica em nome da qual foram eleitos; eleitores que, em nome da \u00abobra feita\u00bb, se mostram incapazes de \u00abcastigar\u00bb a desonestidade, recorrendo, pelo contr\u00e1rio, \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de desagravo, \u00e0s vig\u00edlias, \u00e0 arrua\u00e7a, ao insulto e \u00e0 agress\u00e3o, s\u00f3 porque algu\u00e9m p\u00f5e em causa o \u00abnosso presidente\u00bb (seja da c\u00e2mara, do clube de futebol ou de outra coisa qualquer); ricos, poderosos e famosos nas malhas de esc\u00e2ndalos financeiros, sexuais\u2026 E todos parecem alimentar-se disto, revendo-se no coment\u00e1rio astuto, na tirada brejeira, na anedota \u00abpicante\u00bb, no encolher de ombros, como quem diz que \u00ab\u00e9 tudo normal\u00bb!  2. Tudo isto, por\u00e9m, \u2013 e isto n\u00e3o \u00e9 tudo! \u2013 torna mais necess\u00e1rio do que nunca o elogio das virtudes. Dir\u00e3o, talvez, que tal n\u00e3o passa de conservadorismo sem futuro ou moralismo sem emenda. Rotular \u00e9 f\u00e1cil e de pouco serve. Importa, antes, perguntar-se se o caminho andado longe das virtudes deu frutos: de justi\u00e7a (pessoas e sociedades que vivem servindo os outros e colocam nos mais pobres o seu cuidado preferencial \u2013 ou amarradas no seu ego\u00edsmo, para as quais apenas os ricos e poderosos t\u00eam voz e lugar?); de sabedoria (pessoas e sociedades exigentes, que procuram distinguir o bem do mal e buscam o bem comum \u2013 ou que fazem equivaler o bem e o mal, promovendo de igual modo todos os comportamentos?); de fortaleza (pessoas e sociedades melhor preparadas para suportar as adversidades que sempre aparecem \u2013 ou feitas para desistir \u00e0 primeira contrariedade, culpando sempre os outros por todas as desgra\u00e7as); de temperan\u00e7a (pessoas e sociedades equilibradas, fruindo prazenteiramente aquilo que podem e devem e capazes de se privarem daquilo que nem podem nem devem \u2013 ou gente que cede permanentemente ao desejo, mesmo quando este pede sempre mais, numa f\u00faria inconsciente de autodestrui\u00e7\u00e3o?). Da resposta a estas quest\u00f5es depende muito mais do que a manuten\u00e7\u00e3o de um determinado regime pol\u00edtico, ali\u00e1s, sempre perfect\u00edvel \u2013 depende, sobretudo, a realiza\u00e7\u00e3o humana de cada pessoa e a edifica\u00e7\u00e3o de sociedades cada vez mais humanas e humanizantes.  3. A Inten\u00e7\u00e3o do Santo Padre para este m\u00eas de Junho n\u00e3o deixa passar em claro aquilo que se espera dos crist\u00e3os que assumem responsabilidades na vida p\u00fablica: defender e promover o respeito pelos valores humanos em todas as situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o porque os n\u00e3o crist\u00e3os estejam dispensados desta tarefa \u2013 mas porque os crist\u00e3os t\u00eam uma particular ajuda no facto de serem disc\u00edpulos de Cristo e terem sido fortalecidos com o seu Esp\u00edrito Santo, fonte de todo o dom e fortaleza dos que O invocam. Al\u00e9m disso, os crist\u00e3os empenhados na vida p\u00fablica \u2013 empres\u00e1rios, pol\u00edticos, professores\u2026 \u2013 t\u00eam a ajuda preciosa da doutrina social da Igreja, por meio da qual esta, como M\u00e3e e Mestra, os ensina a viver e a agir, transformando o mundo segundo os des\u00edgnios do Evangelho. Espera-se deles, portanto, mais do que de outros, que a sua actua\u00e7\u00e3o seja um verdadeiro \u00abelogio das virtudes\u00bb, sem as quais nenhuma sociedade pode progredir e realizar os fins que lhe s\u00e3o pr\u00f3prios. Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Santo Padre para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o &#8211; JUNHO<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[206],"class_list":["post-823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=823"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/823\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}