{"id":8223,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-morada-de-deus-entre-os-homens\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-morada-de-deus-entre-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-morada-de-deus-entre-os-homens\/","title":{"rendered":"\u00abA morada de Deus entre os Homens\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 de Lisboa &#8211; 25 de Outubro de 2004 <!--more--> 1. Celebramos hoje o anivers\u00e1rio da dedica\u00e7\u00e3o da Catedral de Lisboa, logo a seguir \u00e0 reconquista crist\u00e3 da cidade e da investidura do seu primeiro Bispo, nessa nova fase da hist\u00f3ria de Lisboa, que se prolongou at\u00e9 aos nossos dias. N\u00e3o h\u00e1 Catedral sem Bispo, como n\u00e3o h\u00e1 Bispo sem Catedral. Ambos os gestos, dedica\u00e7\u00e3o da catedral e entroniza\u00e7\u00e3o do Bispo, significam a implanta\u00e7\u00e3o de uma Igreja particular, na qual vive e se exprime toda a Igreja de Jesus Cristo, Una, Santa, Cat\u00f3lica e Apost\u00f3lica. N\u00e3o foi a primeira vez que existiu em Lisboa uma Igreja particular organizada. Desde Pot\u00e2mio de Lisboa que conhecemos os nomes de alguns Bispos desta Igreja e se durante o per\u00edodo de dom\u00ednio mu\u00e7ulmano as not\u00edcias s\u00e3o escassas, a cr\u00f3nica da conquista de Lisboa refere-nos a presen\u00e7a do Bispo, que ali\u00e1s perdeu a vida na confus\u00e3o da batalha. Somos, assim, uma Igreja com longa hist\u00f3ria, provada pelas vicissitudes das mudan\u00e7as e dos acontecimentos, que soube resistir em situa\u00e7\u00f5es adversas e que adaptou a sua miss\u00e3o e a sua forma de ser Igreja a cada tempo novo. As grandes mudan\u00e7as hist\u00f3ricas d\u00e3o \u00e1 Igreja essa dupla sensa\u00e7\u00e3o: a da fidelidade a uma longa tradi\u00e7\u00e3o e a de come\u00e7ar de novo, num tempo novo. \u00c9 essa dupla atitude que \u00e9, hoje, pedida, \u00e0 Igreja de Lisboa: fidelidade a uma longa hist\u00f3ria, que enra\u00edza na era apost\u00f3lica, o que lhe d\u00e1 a firmeza e a seguran\u00e7a necess\u00e1rias para pensar a sua miss\u00e3o na exig\u00eancia e na complexidade do tempo que vivemos.  2. A Catedral \u00e9, na Igreja particular, o s\u00edmbolo vivo da sua apostolicidade e, consequentemente, da sua catolicidade. A Igreja de Cristo \u00e9 um edif\u00edcio espiritual, constru\u00eddo de pedras vivas, assentes \u201csobre o alicerce dos Ap\u00f3stolos e dos Profetas, que tem Cristo Jesus como pedra angular\u201d. S\u00f3 existe uma Igreja particular quando a ela preside o Bispo, sucessor dos Ap\u00f3stolos, garantindo-lhe a plenitude dos meios da gra\u00e7a da salva\u00e7\u00e3o, a Palavra e os sacramentos. Na Catedral o Bispo tem a sua c\u00e1tedra, de onde proclama o Evangelho e guia todo o Povo pela Palavra; a\u00ed o Bispo congrega o Povo para a Eucaristia, momento decisivo da constru\u00e7\u00e3o da Igreja como Povo do Senhor, aquele que se re\u00fane para adorar a Deus em esp\u00edrito e verdade. O Bispo conduz a Igreja pelos caminhos da salva\u00e7\u00e3o com a ajuda dos presb\u00edteros, a quem fez participantes do sacerd\u00f3cio apost\u00f3lico. Eles ficam com poder e autoridade para congregarem o Povo em nome do Bispo, proclamarem a Palavra e celebrarem a Eucaristia. Em todos os templos e lugares onde, nesta Igreja, o Povo se re\u00fane convocado por um presb\u00edtero em comunh\u00e3o com o seu Bispo, est\u00e1 simbolicamente presente a Catedral, pois se esta \u00e9, na sua verdade profunda, o lugar da reuni\u00e3o, ela est\u00e1 presente onde o Povo se re\u00fane, em nome do Senhor. A Catedral torna-se, assim, o sinal vis\u00edvel dessa uni\u00e3o misteriosa e invis\u00edvel de uma Igreja unida em comunh\u00e3o. Precisamos de valorizar pastoralmente esta uni\u00e3o profunda entre a Catedral e a Igreja paroquial.  3. Mas a Catedral \u00e9 tamb\u00e9m o mais significativo sinal vis\u00edvel da presen\u00e7a da Igreja na Cidade. A Igreja viva, alimentada pela Palavra e pela Eucaristia, torna-se sacramento de salva\u00e7\u00e3o para toda a Cidade. O Senhor atrai todos os homens e deseja ardentemente que eles O encontrem na Sua casa. Era j\u00e1 esse o sentido do templo de Jerusal\u00e9m, na mensagem do Profeta Isa\u00edas: \u201cQuanto aos estrangeiros que desejam unir-se ao Senhor\u2026 hei-de conduzi-los ao Meu Santo monte, hei-de enche-los de alegria na minha casa de ora\u00e7\u00e3o\u2026 porque a Minha casa ser\u00e1 chamada casa de ora\u00e7\u00e3o para todos os povos\u201d (Is. 56,6-7). Paulo v\u00ea esta profecia realizada na Igreja de \u00c9feso. Eles que eram estrangeiros, est\u00e3o hoje congregados no \u00fanico Povo do Senhor. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o sois estrangeiros nem h\u00f3spedes, mas concidad\u00e3os dos santos e membros da fam\u00edlia de Deus\u201d. A Catedral \u00e9 a express\u00e3o viva do dinamismo evangelizador da Igreja particular, pois toda a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 palavra amorosa de Deus, dirigida a todos os habitantes da Cidade, convidando-os a sentirem a Igreja como sua casa. Todo o dinamismo evangelizador, porque parte do Bispo, s\u00f3 pode partir da catedral. A miss\u00e3o na cidade, integrada no Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, que estamos a preparar, tem de partir da catedral, pois \u00e9 a\u00ed que o Bispo envia todos aqueles e aquelas que querem anunciar o Evangelho de Cristo, em toda a Cidade. A Catedral, enquanto s\u00edmbolo vis\u00edvel, deve, durante este ano, encarnar as atitudes fundamentais com que a nossa Igreja diocesana deseja ser enviada \u00e0 cidade, com a boa-nova da paz e da fraternidade. * Monumento hist\u00f3rico, express\u00e3o viva de uma longa tradi\u00e7\u00e3o, ela proclama a todos que a Igreja que queremos ser n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o de ocasi\u00e3o, ao sabor dos ventos e das modas. Ela concilia, harmonicamente, no seu seio, a fidelidade ao Evangelho e a adapta\u00e7\u00e3o aos novos tempos. Vis\u00f5es de Igreja inspiradas no ef\u00e9mero do tempo, ser\u00e3o t\u00e3o ef\u00e9meras como o tempo.  * Monumento belo, ela comunica silenciosamente a beleza do mist\u00e9rio. Os nossos contempor\u00e2neos, na complexidade da vida moderna, precisam mais de ser atra\u00eddos do que convencidos. E s\u00f3 a beleza atrai verdadeiramente. O nosso testemunho na cidade tem de ser atraente, porque transmite a beleza de Deus.  * Monumento visitado, ele tem de ser acolhedor. Al\u00e9m dos fi\u00e9is que a ela convergem para celebrar a f\u00e9, esta catedral \u00e9 visitada por muitos milhares de pessoas. Que elas possam receber aqui aquele raio de luz que atrai e se torna semente da busca de Deus.  Mas para al\u00e9m disso tudo, esta Catedral tem de ser amada, por todos os diocesanos de Lisboa que reconhecem nela a Casa M\u00e3e, a fonte viva donde brota toda a riqueza sacramental de que vive a Igreja. No Antigo Testamento todo o judeu fiel devia visitar o templo de Jerusal\u00e9m, pelo menos uma vez por ano. Seria pedir demais a todos os fi\u00e9is praticantes desta Diocese de Lisboa, que, pelo menos uma vez por ano, viessem \u00e0 Igreja Catedral celebrar a sua f\u00e9? O Ano Jubilar Vicentino, que estamos a celebrar, tem sido uma motiva\u00e7\u00e3o a mais para esse dinamismo. Mas bastaria o sentido profundo de perten\u00e7a a uma Igreja para fundamentar essa peregrina\u00e7\u00e3o. Ela ser\u00e1, ent\u00e3o, n\u00e3o apenas uma peregrina\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, mas tamb\u00e9m no tempo e na profundidade do mist\u00e9rio. Celebrar a dedica\u00e7\u00e3o da Catedral \u00e9, necessariamente, ocasi\u00e3o para redescobrir a catedral. Que Santa Maria Maior e S\u00e3o Vicente guiem os nossos passos para a Casa de Deus, a Jerusal\u00e9m do alto, a cidade definitiva que s\u00f3 lobrigamos atrav\u00e9s de s\u00edmbolos e desse raio de luz, vindo da profundidade do mist\u00e9rio, que inundar\u00e1 de beleza os nossos cora\u00e7\u00f5es peregrinos.  S\u00e9 Patriarcal, 25 de Outubro de 2004   \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca na Dedica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 de Lisboa &#8211; 25 de Outubro de 2004<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[206,223,268,294],"class_list":["post-8223","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-familia","tag-igreja-na-cidade","tag-nova-evangelizacao","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8223"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8223\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}