{"id":822,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-segunda-volta-do-evangelho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-segunda-volta-do-evangelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-segunda-volta-do-evangelho\/","title":{"rendered":"A segunda volta do Evangelho"},"content":{"rendered":"<p>Em muitas terras de miss\u00e3o por onde tenho andado me tem surgido invariavelmente a pergunta: como seria, h\u00e1 quinhentos anos atr\u00e1s, a chegada dos mission\u00e1rios sem nada saberem da terra, da cultura, da l\u00edngua ou da religi\u00e3o, com uma comunica\u00e7\u00e3o quase prim\u00e1ria com as popula\u00e7\u00f5es? E como ter\u00e1 sido pronunciado o nome de Jesus Cristo? Tudo novo, surpreendente, inacess\u00edvel. Nem uma cruz, uma igreja, um traje, uma palavra em comum. Nem um conhecido, iniciado, nem um terreno vis\u00edvel para lan\u00e7amento de sementeira. Vejo as tribos dos massai, Kikuyos ou os kikongos em \u00c1frica; ou os macuxi ou yanomami no Brasil ou Venezuela; os Asi\u00e1ticos das \u00cdndias, de Cant\u00e3o, Xangai, Mal\u00e1sia ou Nagasaki. Todos num arremesso de gestos impercept\u00edveis. De comum aos que chegavam e recebiam, talvez apenas o espanto. Vale tamb\u00e9m a pena perguntar pelos que, muito antes, vieram de Jerusal\u00e9m ou Roma e sentiram a mesma surpresa ao entrarem nas nossas terras. Houve mission\u00e1rios que vieram at\u00e9 n\u00f3s, muito antes de n\u00f3s partirmos em direc\u00e7\u00e3o a outros desconhecidos. O Evangelho foi assim levado em palavra, testemunho e celebra\u00e7\u00e3o, de desconhecido em desconhecido, at\u00e9 que se fez comunidade, doutrina, f\u00e9, cultura, civiliza\u00e7\u00e3o, componente integrante n\u00e3o de um povo apenas, mas de muitos povos que, na pessoa de Jesus, encontraram elo comum de vida e de morte, de esperan\u00e7a e luta, de sofrimento e ressurrei\u00e7\u00e3o. Houve e h\u00e1 um cortejo de her\u00f3is, santos e s\u00e1bios, silenciosos e an\u00f3nimos na sua grande maioria. Hoje, estamos numa esp\u00e9cie de segunda volta do Evangelho. Quando se fala em nova evangeliza\u00e7\u00e3o ou em \u201creevangelizar\u201d a Europa estamos perante um audaz desafio de quem parte, fazendo a travessia entre uma igreja e uma avenida, uma comunidade que vive e celebra a f\u00e9 crist\u00e3 intensamente e quem, no outro lado da rua, nem a combate ou discute. Apenas a ignora e afirma que nunca lhe sentiu a falta e at\u00e9 passa muito bem sem Deus.  Talvez n\u00e3o seja bem assim. Talvez o laico e o religioso apenas se desconhe\u00e7am ou evitem. Talvez estejam separados apenas pelo fio dum c\u00famplice mutismo. E por isso o desafio da nova evangeliza\u00e7\u00e3o consiste mais num abra\u00e7o que numa condena\u00e7\u00e3o, numa escuta que numa declara\u00e7\u00e3o de guerra, num sopro de cinzas sobre aquilo que os tempos e os sobressaltos da hist\u00f3ria dilu\u00edram do rosto de Jesus. A iniciativa de quatro cidades europeias para a miss\u00e3o nos tempos de hoje reveste-se de m\u00faltiplas formas de an\u00fancio da f\u00e9 crist\u00e3. Nem inibe o sonho de partir para longe nem encerra numa \u00fanica f\u00f3rmula o an\u00fancio de Jesus Cristo no meio de n\u00f3s. Mas constitui uma nova coragem de, em todos os tons, dizer Deus ao nosso tempo. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em muitas terras de miss\u00e3o por onde tenho andado me tem surgido invariavelmente a pergunta: como seria, h\u00e1 quinhentos anos atr\u00e1s, a chegada dos mission\u00e1rios sem nada saberem da terra, da cultura, da l\u00edngua ou da religi\u00e3o, com uma comunica\u00e7\u00e3o quase prim\u00e1ria com as popula\u00e7\u00f5es? E como ter\u00e1 sido pronunciado o nome de Jesus Cristo? 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