{"id":82023,"date":"2017-05-05T12:17:00","date_gmt":"2017-05-05T12:17:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/05\/05\/peregrinacao-do-papa-francisco-da-mais-credibilidade-mediatica-e-existencial-a-fatima\/"},"modified":"2017-05-05T12:17:00","modified_gmt":"2017-05-05T12:17:00","slug":"peregrinacao-do-papa-francisco-da-mais-credibilidade-mediatica-e-existencial-a-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinacao-do-papa-francisco-da-mais-credibilidade-mediatica-e-existencial-a-fatima\/","title":{"rendered":"Peregrina\u00e7\u00e3o do Papa Francisco d\u00e1 \u00abmais credibilidade medi\u00e1tica e existencial\u00bb a F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marto analisa a rela\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios pontificados com F\u00e1tima e o momento atual de rece\u00e7\u00e3o de uma mensagem que tem na miseric\u00f3rdia a &#8220;s\u00edntese&#8221; interpretativa. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o bispo de Leira-F\u00e1tima diz que tem &#8220;muito respeito&#8221; por cada peregrino e, no contexto da canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos, afirma que &#8220;\u00e9 hora de escutar as crian\u00e7as <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &ndash; A celebra&ccedil;&atilde;o do Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima e a presen&ccedil;a do Papa Francisco para o assinalar marca o in&iacute;cio de uma nova era na hist&oacute;ria do Santu&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>D. Ant&oacute;nio Marto &#8211;<\/em> F&aacute;tima est&aacute; muito ligada &agrave; presen&ccedil;a dos Papas. &Eacute; uma mensagem que se dirige &agrave; Hist&oacute;ria, acompanha a Hist&oacute;ria da Humanidade e Hist&oacute;ria da Igreja. E cada Papa tem vindo aqui com uma intencionalidade particular: para o Papa Paulo VI, em 1967, o grande tema da sua homilia foi a paz, na altura em perigo por causa da guerra fria.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Tamb&eacute;m a paz na Igreja?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> E a paz na Igreja, sobretudo logo a seguir ao Conc&iacute;lio Vaticano II, que o Papa Paulo VI conduziu com mestria, evitando os cismas (o que pode ter sido uma gra&ccedil;a de Nossa Senhora, porque normalmente depois de cada conc&iacute;lio h&aacute; sempre um cisma, h&aacute; sempre que gente que n&atilde;o aceita o Conc&iacute;lio).<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; F&aacute;tima pode estar ligada, dessa forma, ao Conc&iacute;lio Vaticano II, quando se assinalavam 50 anos das Apari&ccedil;&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Foi l&aacute; que o Papa Paulo VI anunciou o t&iacute;tulo de &lsquo;M&atilde;e da Igreja&rsquo; atribu&iacute;do a Nossa Senhora. E, ap&oacute;s o Conc&iacute;lio, decidiu sozinho, contra a opini&atilde;o de toda a C&uacute;ria Romana, vir a F&aacute;tima.<\/p>\n<p> \tDepois veio o Papa Jo&atilde;o Paulo II, tendo por tema central a defesa da dignidade da pessoa humana em ordem &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o dos povos que estavam subjugados por regimes totalit&aacute;rios e ate&iacute;stas, ligando-se de uma forma particular e &iacute;ntima a F&aacute;tima, que visitou por tr&ecirc;s vezes.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E aqui continua&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Continua! E uma grande notoriedade de F&aacute;tima deve-se a ele, depois disso!<\/p>\n<p> \tVeio o Papa Bento XVI, num momento dif&iacute;cil da Igreja, a necessitar de purifica&ccedil;&atilde;o. Ele mesmo atualizou esse aspeto da mensagem, porque a mensagem &eacute; dirigida tamb&eacute;m &agrave; Igreja, tanto &agrave; Igreja que Sofre como a que passa pela crise e precisa de purifica&ccedil;&atilde;o. O Papa Bento XVI nesse aspeto foi formid&aacute;vel e excecional quando, no avi&atilde;o que o trazia para Portugal, aplicou a Mensagem de F&aacute;tima &agrave; purifica&ccedil;&atilde;o da Igreja, da sujidade que tinha entrado c&aacute; dentro e era necess&aacute;rio limp&aacute;-la.<\/p>\n<p> \tAgora vem este Papa, cujo pontificado &eacute; marcado desde o in&iacute;cio pela miseric&oacute;rdia, o que j&aacute; contribuiu para tomarmos mais consci&ecirc;ncia desse aspeto, porque a Mensagem de F&aacute;tima &eacute; essencialmente uma mensagem de miseric&oacute;rdia!<\/p>\n<p> \tA &uacute;ltima apari&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora a L&uacute;cia, em Tui, termina com duas palavras: &ldquo;Gra&ccedil;a e Miseric&oacute;rdia&rdquo;. Na minha opini&atilde;o essa &eacute; a s&iacute;ntese de toda a mensagem, a c&uacute;pula.<\/p>\n<p> \tA visita do Papa Francisco relan&ccedil;a a mensagem no aspeto da miseric&oacute;rdia, de uma Igreja casa materna da miseric&oacute;rdia. F&aacute;tima deve ser um lugar materno da miseric&oacute;rdia, onde todos e cada um se sinta acolhido, escutado, compreendido, amado, perdoado e encorajado a viver a boa nova do Evangelho, de um Deus pr&oacute;ximo, que oferece a todos um caminho de salva&ccedil;&atilde;o, sem limites &agrave; miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \tPor outro lado, o tema das periferias, no contexto da devo&ccedil;&atilde;o mariana do Papa que est&aacute; muito ligada &agrave; ternura, levada &agrave;s periferias geogr&aacute;ficas, dos povos que est&atilde;o mais &agrave; margem na mis&eacute;ria ou em guerra, e existenciais, de todas as pessoas que sofrem e precisam da proximidade e do apoio da Igreja.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Prev&ecirc; que esses ser&atilde;o os temas de elei&ccedil;&atilde;o do Papa Francisco, em F&aacute;tima?<\/p>\n<p> \tDAM &ndash; Creio que sim! Mas Francisco &eacute; um Papa das surpresas. Era mais f&aacute;cil prever o que viria dizer Bento XVI, a quem j&aacute; conhec&iacute;amos o pensamento. Este &eacute; um Papa das surpresas, quer nos temas que traz quer na maneira de os abordar, de uma maneira muito pr&aacute;tica, acess&iacute;vel, tocante, mordente at&eacute;. Mas penso que n&atilde;o deixar&aacute; de tocar esse tema da miseric&oacute;rdia e das periferias.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O Papa Francisco tem credibilidade junto de p&uacute;blicos menos pr&oacute;ximos da Igreja Cat&oacute;lica. A sua presen&ccedil;a em F&aacute;tima ser&aacute; tamb&eacute;m um fator de credibiliza&ccedil;&atilde;o da mensagem junto de quem se distancia deste ambiente?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash; <\/em>Todos os Papas que aqui vieram deram notoriedade e credibilidade a F&aacute;tima. Quando o Papa peregrina, o Pastor Universal da Igreja, &eacute; toda a Igreja que peregrina com ele! Naturalmente que este Papa entra no cora&ccedil;&atilde;o das pessoas pela sua proximidade, pela sua humanidade, pela miseric&oacute;rdia, que coloca a Igreja no mundo n&atilde;o para condenar, mas para transmitir o amor misericordioso de Deus que &eacute; oferecido a todos incondicionalmente. O que <strong>d&aacute; mais credibilidade do ponto de vista medi&aacute;tico e existencial<\/strong>, porque do ponto de vista objetivo j&aacute; a tem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong><em>Maturidade na rece&ccedil;&atilde;o mensagem <\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A celebra&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio &eacute; uma ocasi&atilde;o para que a rece&ccedil;&atilde;o da Mensagem de F&aacute;tima aconte&ccedil;a de forma nova?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM<\/em> &ndash; Este centen&aacute;rio foi uma motiva&ccedil;&atilde;o muito grande para a redescoberta da beleza e da riqueza da Mensagem de F&aacute;tima. Muitas vezes foi compreendida de forma redutora e fragmentada: umas vezes porque reduzida a devo&ccedil;&otilde;es avulsas, desconexas da pr&oacute;pria mensagem, sem saber a rela&ccedil;&atilde;o entre a devo&ccedil;&atilde;o e a mensagem e, por isso, a raz&atilde;o de ser da devo&ccedil;&atilde;o; outras vezes porque reduzida aos apelos de Nossa Senhora, sem colocar em relev&acirc;ncia os dons que ela trazia &agrave; humanidade, que vivia horas dram&aacute;ticas e a quem Deus vinha trazer dons para superar os dramas daquela &eacute;poca.<\/p>\n<p> \tO centen&aacute;rio foi o motivo e o momento &ndash; mesmo para mim mesmo &ndash; em ordem a uma vis&atilde;o global, harm&oacute;nica da Mensagem de F&aacute;tima, pondo em relevo em primeiro lugar os dons: &eacute; uma mensagem de gra&ccedil;a, de miseric&oacute;rdia e de paz, que depois requer o acolhimento e a viv&ecirc;ncia e o testemunho dessa mensagem, ou seja, a resposta aos apelos de Nossa Senhora, &agrave; convers&atilde;o dos cora&ccedil;&otilde;es &#8211; porque o mundo muda na medida em que mudar o interior das pessoas -, &agrave; ora&ccedil;&atilde;o, sobretudo a ora&ccedil;&atilde;o pela paz, &agrave; adora&ccedil;&atilde;o, reconhecendo Deus e a sua presen&ccedil;a na vida das pessoas e do mundo, e &agrave; repara&ccedil;&atilde;o, hoje a revalorizar porque se trata de reparar o que foi estragado pelo pecado dos homens, de reconstruir o que foi destru&iacute;do, de refazer o que foi desfeito no mundo e na rela&ccedil;&atilde;o entre os povos. Ligado com estes aspetos est&atilde;o as devo&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas de F&aacute;tima, por exemplo a adora&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, a devo&ccedil;&atilde;o ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria (a M&atilde;e que fala ao cora&ccedil;&atilde;o dos filhos) e ao Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; No livro &lsquo;F&aacute;tima, Mensagem de Miseric&oacute;rdia e de esperan&ccedil;a para o mundo&rdquo;, o D. Ant&oacute;nio Marto escreve que F&aacute;tima &eacute; a voz das v&iacute;timas deste mundo&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> &Eacute; verdade. A Mensagem de F&aacute;tima convida-nos a ler a Hist&oacute;ria a partir das v&iacute;timas, a partir dos pobres, dos exclu&iacute;dos, dos marginalizados, dos que n&atilde;o contam, em contraste com os poderosos que t&ecirc;m j&aacute; a sua geografia do poder.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A&iacute; a mensagem n&atilde;o consegue chegar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> E muito mais dif&iacute;cil, porque normalmente o cora&ccedil;&atilde;o dos poderosos est&aacute; possu&iacute;do pelo &iacute;dolo do poder.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E contra isso reage a Mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Reage contra isso e, por isso, procura criar um movimento popular, acess&iacute;vel e abrangente de todo o povo, em ordem a uma renova&ccedil;&atilde;o espiritual e moral dos povos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Incluir o tema da miseric&oacute;rdia, a partir da apari&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora em Tui, traz novidade &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o da mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Para mim, a miseric&oacute;rdia &eacute; a s&iacute;ntese final da Mensagem de F&aacute;tima. Come&ccedil;ou com as apari&ccedil;&otilde;es do anjo (como diz a Irm&atilde; L&uacute;cia: &lsquo;quis-nos introduzir no mist&eacute;rio de Deus, do amor de Deus e na sua miserid&oacute;rdia&rsquo;), os di&aacute;logos com Nossa Senhora, que temos de ver no seu conjunto, e depois essa &uacute;ltima, que &eacute; uma vis&atilde;o deslumbrante, que cada pessoa recebe de acordo com as imagens e conceitos que tem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E n&atilde;o encontra contradi&ccedil;&otilde;es entre elas?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> N&atilde;o. Para mim, as &uacute;ltimas apari&ccedil;&otilde;es com L&uacute;cia adulta, em Pontevedra e Tui, s&atilde;o de car&aacute;ter complementar e interpretativo. N&atilde;o vejo contradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>A convers&atilde;o &eacute; de todos os tempos<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; F&aacute;tima determina-se pela rece&ccedil;&atilde;o da mensagem, em diferentes &eacute;pocas como as duas Grandes Guerras ou ocasi&otilde;es marcadas mais pela dimens&atilde;o da penit&ecirc;ncia. Na atualidade, o que define a rece&ccedil;&atilde;o da mensagem? H&aacute; uma predomin&acirc;ncia cultural em torno da mensagem?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> A convers&atilde;o marca a Mensagem de F&aacute;tima.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Em todos os tempos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Em todos os tempos! Naturalmente que a convers&atilde;o n&atilde;o &eacute; algo de abstrato, mas de um momento hist&oacute;rico, na situa&ccedil;&atilde;o de cada peregrino, de cada fam&iacute;lia ou sociedade.<\/p>\n<p> \tF&aacute;tima cruza-se depois com cada &eacute;poca: a primeira e segunda Grande Guerra, com milh&otilde;es de v&iacute;timas inocentes, tendo F&aacute;tima interpretado o clamor das v&iacute;timas quando Nossa Senhora foi porta-voz do clamor das v&iacute;timas. Segue tamb&eacute;m a hist&oacute;ria do pa&iacute;s, com reflexos na renova&ccedil;&atilde;o espiritual da Igreja nas v&aacute;rias &eacute;pocas, mas &eacute; universal.<\/p>\n<p> \tNeste centen&aacute;rio, demos um relevo especial a uma abordagem cultural porque, para muita gente, F&aacute;tima &eacute; uma esp&eacute;cie de subcultura, para os simples, para os pobres, os ignorantes e incultos, o que j&aacute; significa um desprezo pelo que o povo &eacute;, com muitos valores. Procuramos, por isso e porque os desafios dos tempos o exige, transmitir a mensagem em diferentes registos de linguagem, para as crian&ccedil;as, os jovens e os adultos. Tanto atrav&eacute;s da literatura, como da arte, da m&uacute;sica, o teatro e at&eacute; do cinema, para que F&aacute;tima seja express&atilde;o e promotora de cultura de valores, que fale &agrave;s pessoas de hoje.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; essa a forma de atualmente F&aacute;tima se impor &agrave; Igreja e ao mundo (recuperando uma express&atilde;o do cardeal Cerejeira)?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> &Eacute; um aspeto, mesmo n&atilde;o sendo o &uacute;nico! A forma de comunica&ccedil;&atilde;o e evangeliza&ccedil;&atilde;o tem de assumir estas novas linguagens.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que acrescenta ao que se vive em F&aacute;tima a canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash; <\/em>A canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos &eacute; como a cereja em cima do bolo. O centen&aacute;rio n&atilde;o ficaria completo sem este aspeto da canoniza&ccedil;&atilde;o dos pastorinhos.<\/p>\n<p> \tA santidade dos pastorinhos &eacute; o fruto mais belo da Mensagem de F&aacute;tima. E tem um significado muito relevante: primeiro porque s&atilde;o as primeiras crian&ccedil;as n&atilde;o m&aacute;rtires a serem canonizadas, a serem reconhecidas como santos. A santidade &eacute; para todas as idades.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A carater&iacute;stica principal dos pastorinhos &eacute; a disponibilidade para receber Deus?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> H&aacute; uma pergunta chave que Deus faz aos pastorinhos donde parte todo o caminho que eles fizeram: &ldquo;Quereis oferecer-vos a Deus para reparar os pecados do mundo?&rdquo;<\/p>\n<p> \tQuer dizer: Nossa Senhora vem buscar colaboradores no des&iacute;gnio da miseric&oacute;rdia de Deus. Come&ccedil;ou por estas crian&ccedil;as dispon&iacute;veis, que depois fizeram o seu caminho na companhia de Maria.<\/p>\n<p> \tTrata-se de uma santidade do quotidiano, cada um com a sua caracter&iacute;stica pr&oacute;pria: o Francisco &eacute; mais meditativo, contemplativo, porque viveu fascinado pela beleza da bondade e do amor do mist&eacute;rio de Deus, de que ele fala. O que corresponde &agrave; dimens&atilde;o m&iacute;stica da f&eacute;, muito importante no mundo em que vivemos: sem o suporte cultural, familiar e social da f&eacute;, ela n&atilde;o se aguenta sem a experi&ecirc;ncia amorosa de Deus. O que constitui uma grande interpela&ccedil;&atilde;o! Depois, como ele gostava de meditar na vida &agrave; luz de Deus, &eacute; um convite para n&oacute;s, que vivemos t&atilde;o distra&iacute;dos e dispersos, a meditar no essencial da vida.<\/p>\n<p> \tAs crian&ccedil;as tamb&eacute;m ensinam os adultos! Digo-o porque tenho aprendido muito com as crian&ccedil;as! &Eacute; a hora de escutar as crian&ccedil;as.<\/p>\n<p> \tA Jacinta tinha a carater&iacute;stica da compaix&atilde;o, que sofria com os que sofrem e era capaz de rezar por eles e at&eacute; de partilhar a merenda com os que n&atilde;o tinham. Numa sociedade marcada pelo individualismo, cada um no seu mundo, pela indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o ao outro, chegando mesmo a virar-se o olhar para n&atilde;o ver o outro, a compaix&atilde;o &eacute; a virtude que nos leva a sofrer com os outros, a partilhar o sofrimento dos outros e a sofrer pelos outros. Isso &eacute; belo e necess&aacute;rio hoje!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Renova&ccedil;&atilde;o da Igreja no &lsquo;altar do mundo&rsquo;<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O Papa Francisco, em F&aacute;tima, traz as preocupa&ccedil;&otilde;es da renova&ccedil;&atilde;o da Igreja que quer concretizar, colocando-as junto a Maria? <\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> H&aacute; aspetos interessantes da rela&ccedil;&atilde;o do Papa com F&aacute;tima. A primeira coisa &eacute; que, antes de ir para o conclave, foi de prop&oacute;sito celebrar a &uacute;ltima Missa a uma Igreja de Nossa Senhora de F&aacute;tima; no primeiro &Acirc;ngelus, refere Nossa Senhora de F&aacute;tima; no Ano da F&eacute;, fez o ato de consagra&ccedil;&atilde;o do mundo a Nossa Senhora de F&aacute;tima, tocando-a afetivamente; na mensagem para o Dia Mundial da Juventude, recorda os 300 anos de Aparecida e os 100 anos das Apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima; depois de ser eleito, dos cumprimentos que recebeu do ent&atilde;o cardeal-patriarca de Lisboa D. Jos&eacute; Policarpo, pediu para rezar por ele em F&aacute;tima, consagrando o seu pontificado a Nossa Senhora.<\/p>\n<p> \tPenso que o Papa Francisco vem colocar o seu pontificado diante de Nossa Senhora com todas as preocupa&ccedil;&otilde;es que tem!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Um outro aspeto que o D. Ant&oacute;nio Marto valoriza na Mensagem de F&aacute;tima diz respeito &agrave; infidelidade e a apostasia na Igreja. &Eacute; um problema tamb&eacute;m dos dias de hoje?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> O risco da apostasia era muito grande quando a Igreja era perseguida e muitos crist&atilde;os tinham as suas fraquezas e abandonavam a f&eacute; ou renegavam-na publicamente, mesmo que no &iacute;ntimo permanecesse.<\/p>\n<p> \tHoje o maior risco n&atilde;o &eacute; a apostasia declarada, mas a indiferen&ccedil;a religiosa de quem prescinde de Deus e o p&otilde;e de parte, mesmo que o n&atilde;o negue. Hoje prescinde-se, p&otilde;e-se de parte, voltam-se as costas e vive-se como se Ele n&atilde;o existisse ou n&atilde;o estivesse presente. Esta indiferen&ccedil;a religiosa contagia bastante os ambientes religiosos. As pessoas dizem &lsquo;sou cat&oacute;lico&rsquo;, mas depois vivem sem o sentido da presen&ccedil;a de Deus, sem a experi&ecirc;ncia amorosa de Deus de que os pastorinhos deram testemunho.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; N&atilde;o &eacute; antes uma indiferen&ccedil;a &agrave; institui&ccedil;&atilde;o, &agrave; Igreja Cat&oacute;lica?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> N&atilde;o &eacute; s&oacute;! Tamb&eacute;m existe: h&aacute; uma desafei&ccedil;&atilde;o por tudo o que s&atilde;o institui&ccedil;&otilde;es&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E uma afei&ccedil;&atilde;o crescente por l&iacute;deres, por exemplo pelo Papa e por ambientes como o do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> &Eacute; o que chamamos p&oacute;s-modernidade, onde as pessoas se determinam pela emo&ccedil;&atilde;o, pelo afeto, pelo que os toca e interessa mais e interpela. Mas o grande problema, hoje, &eacute; o da indiferen&ccedil;a religiosa em rela&ccedil;&atilde;o ao pr&oacute;prio Deus. H&aacute; espiritualidade, nas uma espiritualidade &lsquo;new age&rsquo;, sem Deus, que parece inc&oacute;modo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash;Alfredo Teixeira, professor da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, olha para F&aacute;tima como um local onde acontecesse uma reconfigura&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia crente, n&atilde;o em torno de comunidades, mas do indiv&iacute;duo. Identifica-se esse processo aqui em F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> &Eacute; verdade, mas n&atilde;o acontece s&oacute; agora, j&aacute; vem de longe! At&eacute; h&aacute; gente que n&atilde;o frequenta a missa dominical, mas vem aqui de vez em quando&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que &eacute; que isso revela?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> A individualiza&ccedil;&atilde;o da religi&atilde;o. Falta a abertura do cora&ccedil;&atilde;o &agrave; dimens&atilde;o comunit&aacute;ria e universal da f&eacute;. O que requer comunidades vivas, que n&atilde;o sejam an&oacute;nimas, onde cada um vive para seu lado.<\/p>\n<p> \tAqui, em F&aacute;tima, h&aacute; tamb&eacute;m uma educa&ccedil;&atilde;o da f&eacute; a fazer, porque um dos perigos &eacute; as pessoas pensarem que se convertem ao vir a F&aacute;tima<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Mas ajuda&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Ajuda, sensibiliza, toca, mas n&atilde;o dispensa todo o trabalho que se faz nas comunidades crist&atilde;s pelo mundo fora<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Cada peregrino<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que diz ao bispo de Leiria-F&aacute;tima o rosto de cada peregrino que est&aacute; no recinto do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Cada peregrino traz uma hist&oacute;ria consigo, uma hist&oacute;ria de f&eacute; que me deixa maravilhado e me interpela, muitas vezes com os dramas da vida, as esperan&ccedil;as e alegrias, que se notam no canto, na prociss&atilde;o de velas, no adeus, nas l&aacute;grimas, que s&atilde;o muitas vezes l&aacute;grimas de dor, mas tamb&eacute;m s&atilde;o l&aacute;grimas de alegria&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O D. Ant&oacute;nio disse que se converteu a F&aacute;tima: pelos estudos intelectuais ou ao ver o seu pai a rezar o ter&ccedil;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Pelas duas coisas simultaneamente. O meu pai deu-me uma li&ccedil;&atilde;o de f&eacute; como ningu&eacute;m, pela simplicidade da f&eacute; que vivia, na simplicidade da express&atilde;o da piedade popular, mas com uma transfer&ecirc;ncia e uma riqueza de alma que eu n&atilde;o tinha, o que fez com que as escamas com que olhava para a piedade ca&iacute;ssem e me abrisse aos valores da piedade popular que aqui se expressam. Tenho muito respeito pelos peregrinos, mesmo que possa discordar de uma ou outra manifesta&ccedil;&atilde;o mais chocante, mas sempre com muito respeito pela hist&oacute;ria de cada um. Depois foi o estudo das &lsquo;Mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia&rsquo;. Sem esse estudo aprofundado nunca teria captado a originalidade e riqueza desta mensagem.<\/p>\n<p> \tPor vezes as pessoas pensam que a Mensagem de F&aacute;tima se possa substituir aos Evangelhos ou seja uma esp&eacute;cie de Evangelho. N&atilde;o &eacute;. &Eacute; um eco do Evangelho para um determinado momento da hist&oacute;ria e que continua sempre a ser atualizado no tempo, nos acontecimentos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>O centen&aacute;rio em sete anos<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Em 2010, quando o Papa Em&eacute;rito Bento XVI lan&ccedil;ou o centen&aacute;rio e, desde a&iacute;, come&ccedil;ou a sua prepara&ccedil;&atilde;o. Est&aacute; a corresponder &agrave;s expectativas criadas na altura pelo bispo da Diocese de Leiria-F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>DAM &ndash;<\/em> Est&aacute;. Eu apanhei a interpela&ccedil;&atilde;o do Papa Bento XVI quando ele terminou a homilia dizendo &lsquo;daqui a sete anos voltareis aqui para celebrar o centen&aacute;rio&rsquo;. Nessa altura disse ao reitor do Santu&aacute;rio de F&aacute;tima &lsquo;vamos fazer um programa j&aacute;, de sete anos, para comemorar o centen&aacute;rio n&atilde;o apenas num ano, que ser&aacute; muito pouco e muito pobre&rsquo;. Uma equipa trabalhou os programas para cada ano, o que correspondeu &agrave;s minhas expectativas e superou-as! Foi muito al&eacute;m do que eu previa.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Ant\u00f3nio Marto analisa a rela\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios pontificados com F\u00e1tima e o momento atual de rece\u00e7\u00e3o de uma mensagem que tem na miseric\u00f3rdia a &#8220;s\u00edntese&#8221; interpretativa. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA, o bispo de Leira-F\u00e1tima diz que tem &#8220;muito respeito&#8221; por cada peregrino e, no contexto da canoniza\u00e7\u00e3o dos pastorinhos, afirma que &#8220;\u00e9 hora [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,145,154,164,199,207,274],"class_list":["post-82023","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-conclave","tag-crianca","tag-dia-mundial-da-juventude","tag-espiritualidade","tag-fatima","tag-papa-francisco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82023","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=82023"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/82023\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=82023"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=82023"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=82023"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}