{"id":8199,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/primeiro-catecismo-social-da-igreja-apresentado-no-vaticano\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"primeiro-catecismo-social-da-igreja-apresentado-no-vaticano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/primeiro-catecismo-social-da-igreja-apresentado-no-vaticano\/","title":{"rendered":"Primeiro Catecismo Social da Igreja apresentado no Vaticano"},"content":{"rendered":"<p>O documento re\u00fane todos os documentos e as enc\u00edclicas dos Papas que abordam temas sociais, como os direitos humanos, a fam\u00edlia, democracia, o trabalho, a vida econ\u00f3mica, a comunidade internacional, a ecologia ou a guerra <!--more--> O \u201cCatecismo Social\u201d da Igreja Cat\u00f3lica, um documento sem precedentes na hist\u00f3ria da Igreja, foi hoje apresentado no Vaticano. A obra mostra uma explica\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e oficial dos princ\u00edpios cat\u00f3licos sobre quest\u00f5es como os direitos humanos, a guerra, a democracia, a vida econ\u00f3mica, a comunidade internacional, o terrorismo ou a ecologia. Este foi um pedido expl\u00edcito do Papa ao Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz, em 1998, a quem encomendou um &#8220;comp\u00eandio ou s\u00edntese autorizada da Doutrina Social cat\u00f3lica&#8221; que mostrasse a conex\u00e3o entre esta e a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o. A s\u00edntese da Doutrina Social da Igreja (DSI) destina-se a Bispos, sacerdotes, leigos \u2013 sobretudo aos pol\u00edticos, empres\u00e1rios e sindicalistas -, mas tamb\u00e9m a fi\u00e9is de outras religi\u00f5es e a todos os \u201chomens de boa vontade que desejam servir o bem comum\u201d, como refere o pref\u00e1cio do documento. A apresenta\u00e7\u00e3o do <i>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/i>, t\u00edtulo oficial do documento, esteve a cargo do Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontif\u00edcio Justi\u00e7a e Paz, o qual explicou que \u201co Comp\u00eandio tem uma estrutura simples e linear\u201d. Ap\u00f3s uma Introdu\u00e7\u00e3o, a obra est\u00e1 dividida em tr\u00eas partes, que abordam os fundamentos, os conte\u00fados e as perspectivas pastorais dos ensinamento da Igreja nos dom\u00ednios sociais, pol\u00edticos, econ\u00f3micos e morais. A primeira parte tem quatros cap\u00edtulos, onde se tratam os pressupostos fundamentais da Doutrina Social: o projecto de Deus para o homem e a sociedade; a Miss\u00e3o da igreja e a Natureza da DSI; a pessoa humana e os seus direitos; os princ\u00edpios e os valores da DSI. A segunda parte, composta por sete cap\u00edtulos, apresenta os conte\u00fados e os temas cl\u00e1ssicos da DSI: a fam\u00edlia, o trabalho, a economia, a pol\u00edtica, a paz e o ambiente. A \u00faltima parte, mais breve, apresenta um \u00fanico cap\u00edtulo com uma s\u00e9rie de indica\u00e7\u00f5es para a utiliza\u00e7\u00e3o da DSI na ac\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja e na vida dos crist\u00e3os. A Conclus\u00e3o, intitulada \u201cPor uma civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d, exprime o entendimento de fundo de todo o documento.  <b>Desafios<\/b> O Cardeal Martino explicou que o Comp\u00eandio pretende estar na base de um discernimento capaz de fazer face a alguns desafios que considerou \u201cdecisivos e de grande relevo\u201d. Em primeiro lugar, est\u00e1 um desafio cultural, que apela \u00e0 dimens\u00e3o inter-disciplinar da DSI, por forma a estimular \u201cum novo projecto social, econ\u00f3mica e pol\u00edtica, capaz de colocar no centro a pessoa humana, em todas as suas dimens\u00f5es\u201d. D. Renato Martino frisou, em segundo lugar, os problemas levantados pela situa\u00e7\u00e3o de indiferen\u00e7a \u00e9tica e religiosa na sociedade actual. \u201cA n\u00edvel social, os aspectos mais importantes desta indiferen\u00e7a s\u00e3o a separa\u00e7\u00e3o entre \u00e9tica e pol\u00edtica, bem como a convic\u00e7\u00e3o de que as quest\u00f5es \u00e9ticas n\u00e3o podem aspirar a um estatuto p\u00fablico nem constituir objecto de debate racional e pol\u00edtico, por serem express\u00f5es de decis\u00f5es individuais, privadas\u201d. O \u00faltimo desafio para a DSI nos dias de hoje \u00e9 de um \u00e2mbito propriamente pastoral. De acordo com o presidente do Justi\u00e7a e Paz, \u201co futuro da DSI no mundo de hoje depender\u00e1 da cont\u00ednua recompreens\u00e3o do enraizamento da Doutrina Social na miss\u00e3o espec\u00edfica da Igreja\u201d.  <b>Di\u00e1logo<\/b> Um dado que est\u00e1 presente em v\u00e1rias partes do documento \u00e9 o facto de este Comp\u00eandio ser apresentado como um instrumento para alimentar o di\u00e1logo ecum\u00e9nico e inter-religioso. Segundo o Cardeal Martino, \u201ca Doutrina Social implica responsabilidades relativas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento da sociedade (&#8230;) e este compromisso ser\u00e1 mais facilmente exequ\u00edvel se for empreendido em di\u00e1logo com as confiss\u00f5es crist\u00e3s e mesmos as n\u00e3o-crist\u00e3s\u201d. Neste \u00e2mbito, ganha especial relevo o tema da paz e dos direitos humanos. \u201cA colabora\u00e7\u00e3o inter-religiosa ser\u00e1 um dos recurso de valor estrat\u00e9gico para o bem da humanidade, decisivo no futuro da Doutrina Social\u201d, assegura D. Renato Martino. \u201cO terreno dos direitos humanos, da paz, da justi\u00e7a social e econ\u00f3mica, do desenvolvimento, do futuro, estar\u00e1 cada vez mais no centro do di\u00e1logo entre religi\u00f5es, no qual os cat\u00f3licos participam com a sua Doutrina Social\u201d, apontou.  <b>Terrorismo<\/b> O Comp\u00eandio \u00e9 muito duro na condena\u00e7\u00e3o do terrorismo, afirmando que \u201cos que se declaram terroristas em nome de Deus blasfemam\u201d. \u201cQualificar como m\u00e1rtires os que morrem por cometer actos terroristas significa desnaturar completamente o conceito de m\u00e1rtir\u201d, acrescenta o documento. No \u201cCatecismo Social\u201d defende-se que \u201cnenhuma religi\u00e3o pode tolerar o terrorismo e, muito menos, preg\u00e1-lo\u201d. Neste sentido, o recurso ao terror \u00e9 considerado como \u201cuma das formas mais brutais que perturba hoje a comunidade internacional: semeia o \u00f3dio, a morte, a vingan\u00e7a e as repres\u00e1lias\u201d. A an\u00e1lise que o Vaticano oferece deste fen\u00f3meno destaca-se pela sua profundidade e actualidade. O <i>Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja<\/i> lembra que o terrorismo come\u00e7ou por ser uma estrat\u00e9gia de organiza\u00e7\u00f5es extremistas para se transformar, nos nossos dias, \u201cnuma obscura rede de cumplicidades pol\u00edticas, que utiliza mesmo meios tecnol\u00f3gicos sofisticados, recursos financeiros importantes, elaborando estrat\u00e9gias de larga escala\u201d. A posi\u00e7\u00e3o oficial da Igreja na luta contra o terrorismo continua a ser a de que esta \u201cdeve conduzir-se no respeito pelos direitos humanos e pelos princ\u00edpios de um Estado de Direito\u201d. \u201cA luta contra o terrorismo implica o dever moral de contribuir na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es para que este n\u00e3o nas\u00e7a nem se possa desenvolver\u201d, diz o documento. Na mesma linha, exige-se que \u201ca identifica\u00e7\u00e3o dos culpados seja provada devidamente, porque a responsabilidade penal \u00e9 sempre pessoal e n\u00e3o pode ser atribu\u00edda a religi\u00f5es, pa\u00edses ou etnias de que os terroristas fa\u00e7am parte\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O documento re\u00fane todos os documentos e as enc\u00edclicas dos Papas que abordam temas sociais, como os direitos humanos, a fam\u00edlia, democracia, o trabalho, a vida econ\u00f3mica, a comunidade internacional, a ecologia ou a guerra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[189,191,206,221,268],"class_list":["post-8199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-direitos-humanos","tag-economia","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-nova-evangelizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}