{"id":8151,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/pioneiros-do-70x7-abrem-o-bau-das-recordacoes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"pioneiros-do-70x7-abrem-o-bau-das-recordacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/pioneiros-do-70x7-abrem-o-bau-das-recordacoes\/","title":{"rendered":"Pioneiros do \u00ab70&#215;7\u00bb abrem o ba\u00fa das recorda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Ant\u00f3nio Rego e Manuel Vilas-Boas. realizadores dos primeiros 10 anos do 70&#215;7, foram as primeiras caras de um programa que hoje cumpre 25 anos de vida <!--more--> <i>Programa ECCLESIA \u2013 Tudo come\u00e7ou a 21 de Outubro de 1979, no Dia Mundial das Miss\u00f5es, \u00e0s 12:30 horas. Foram dias de apuro? Pe. Ant\u00f3nio Rego &#8211;<\/i> Sim, forma momentos de muita afli\u00e7\u00e3o, de muita desilus\u00e3o, mas de muito entusiasmo, porque quando a gente sonha, pensa em muitas coisas, mas no terreno tudo se altera. Isso aconteceu e para quem estava a come\u00e7ar, com a expectativa de um programa, criou um estado de alt\u00edssima tens\u00e3o. <i> Manuel Vilas-Boas<\/i>&#8211; Recordo-me da surpresa de ter entrado \u00e0s 9 da noite em est\u00fadio, para fazer a montagem, e de sair \u00e0s 9 da manh\u00e3. Foram 12 horas, com uma moviola na frente, com o N\u00e9lson \u2013 que era o montador \u2013 \u00e0 procura do sincronismo, n\u00f3s em busca das imagens.  Foi uma corrida contra o tempo: o programa tinha de ser gravado, para ser enviado para a Madeira e os A\u00e7ores, os prazos tinham de ser cumpridos. Foi um parto dif\u00edcil.  <i>E \u2013 O facto de ser um programa muito diferente causou alguma apreens\u00e3o? AR &#8211;<\/i> Isso causou muita luta, mas tamb\u00e9m muita alegria. Ainda hoje, a hist\u00f3ria do programa \u00e9 de tens\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o, de qualidade e rigor, para n\u00e3o deixar que a rotina entre. Tudo se faz com um misto de inquieta\u00e7\u00e3o e cansa\u00e7o, com entusiasmo, porque a nossa proposta era evangelizadora, levando a Igreja que n\u00f3s somos ao rosto das pessoas, observando as coisas interessantes que fazem e discutem os crist\u00e3os. <i>MVB<\/i>&#8211; Foi tudo muito apaixonante, at\u00e9 porque havia j\u00e1 algum caminho andado pelo Pe. Ant\u00f3nio Rego, nos A\u00e7ores, e uma experi\u00eancia de r\u00e1dio e televis\u00e3o, com um carisma raro para a comunica\u00e7\u00e3o.  <i>E \u2013 Como \u00e9 que se chegou ao nome 70&#215;7? MVB &#8211;<\/i> Eu j\u00e1 n\u00e3o me lembro com exactid\u00e3o, mas sei que um dia o Pe. Rego trouxe esta conta matem\u00e1tica e eu disse \u201cFant\u00e1stico, est\u00e1 encontrado!\u201d. <i>AR<\/i>&#8211; Penso que foi tudo decidido de repente. Tivemos conversas com muitas pessoas, os nomes eram atirados, fizemos experi\u00eancias e de repente ficou o 70&#215;7 e nunca mais houve d\u00favidas. O nome tem algo de enigma, algo de simb\u00f3lico, de b\u00edblico. <i>MVB<\/i>&#8211; Eu lembro que sa\u00ed para a rua, para perguntar \u00e0s pessoas o que achavam de um programa chamado 70&#215;7. As respostas foram das mais variadas, mas nunca nenhum dos entrevistados foi capaz de fazer a refer\u00eancia ao n\u00famero b\u00edblico que significava o perd\u00e3o.  <i>E \u2013 A linguagem simb\u00f3lica \u00e9 quase uma f\u00f3rmula m\u00e1gica do programa. Donde vem essa escola? MVB &#8211;<\/i> Era uma escola que vinha de Lyon. Foi a descoberta que Portugal teve nos anos 70\/80 do Pe. Pierre Babin, que abriu uma escola internacional de evangeliza\u00e7\u00e3o. Dessa escola do simb\u00f3lico bem elaborado, bem procurado, bem criado por um grande pedagogo, se haveria de marcar um sinal positivo quando avan\u00e7\u00e1mos por uma linha que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, mas que \u00e9 profundamente criativa e nos levou mais longe, mesmo dentro da arte da imagem.  <i>E \u2013 Chegavam, por isso, a outros p\u00fablicos que n\u00e3o os cat\u00f3licos? AR &#8211;<\/i> Sim, claramente. Hoje proclamar e informar n\u00e3o \u00e9 dizer como num sistema, numa aula, onde nos dirigimos \u00e0 raz\u00e3o e se fazem sequ\u00eancias l\u00f3gicas. O homem  \u00e9 um todo e \u00e9 emo\u00e7\u00e3o. Isso traduzido em Televis\u00e3o tem uma gram\u00e1tica nova, que \u00e9 a da imagem, do ritmo, do som, n\u00e3o s\u00f3 da palavra. A nossa tentativa era dizer quase os imposs\u00edveis, apresentar a pr\u00f3pria doutrina sistem\u00e1tica nesta linguagem televisiva. Foi nesse aspecto que o grupo de Pesquisa Audiovisual fez dezenas de encontros por este pa\u00eds, tentando que se percebesse esta nova maneira de comunicar. Alegro-me por isso ter passado \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es: n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dizer abstractamente que o simb\u00f3lico voltou, \u00e9 a gram\u00e1tica do todo que recebe, da pessoa que recebe a comunica\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 a ser reelaborada de uma forma muito interessante. <i>MVB<\/i>&#8211; Essa foi a novidade do programa. O 70&#215;7 foi ganhar gente que n\u00e3o estava habituada a ouvir \u201cp\u00falpitos\u201d, de outras ideologias ou sensibilidades religiosas. Elas come\u00e7aram a escutar, a estar sentados diante do ecr\u00e3, porque cada Domingo haveria alguma novidade, com a linguagem da Televis\u00e3o. <i>AR<\/i>&#8211; H\u00e1 um aspecto que gostaria de destacar, que \u00e9 o facto de se tocar o real, o que as pessoas experimentavam: percorremos as barracas de Lisboa, estivemos no Intendente, fomos ter com os sem-abrigo, pass\u00e1mos por situa\u00e7\u00f5es humanamente dolorosas, retrat\u00e1mos o mundo dos artistas, visit\u00e1mos os Mosteiros do sil\u00eancio. N\u00e3o se fazia espect\u00e1culo com a mis\u00e9ria, era antes extrair toda a densidade humana que tinha essa condi\u00e7\u00e3o retratada. <i>MVB<\/i>&#8211; A preocupa\u00e7\u00e3o era a de encher o ecr\u00e3 com o entrevistado e esconder o entrevistador. Essa era a nossa filosofia.  <i>E \u2013 A pessoa humana \u00e9 o ponto central deste programa? AR &#8211;<\/i> Sempre, mas sempre interligada com a vis\u00e3o crist\u00e3 da pessoa, porque nunca fomos um programa sindicalista nem de uma ONG nem assistencialista. Fomos acusados disso, mas nessa altura n\u00e3o havia a suficiente aten\u00e7\u00e3o para determinadas situa\u00e7\u00f5es. <i>MVB<\/i>&#8211; Se n\u00f3s \u00edamos a esses lugares \u00e9 porque entend\u00edamos que era obriga\u00e7\u00e3o nossa ir aos lugares malditos, denunciar essas situa\u00e7\u00f5es, sem a explora\u00e7\u00e3o que hoje tantas vez acontece em telejornais miser\u00e1veis que mais n\u00e3o fazem do que contar a hist\u00f3ria, a desgra\u00e7a pela desgra\u00e7a.  <i>E \u2013 Foi poss\u00edvel falar do Evangelho sem o enunciar directamente? AR &#8211;<\/i> A ideia era um bocadinho essa, o Evangelho passar pelo rosto das pessoas, as causas que defendiam.  Muitas vezes, contudo, o Evangelho passava expressamente pelo programa, que falava sobre a B\u00edblia, sobre a contempla\u00e7\u00e3o, sobre a ora\u00e7\u00e3o, havia tempo para tudo. N\u00e3o era uma esp\u00e9cie de truque para enxertar palavras, havia coordena\u00e7\u00e3o entre o que se fazia e as exig\u00eancias do Evangelho e da Igreja. <i>MVB<\/i>&#8211; Uma das melhores colheitas do 70&#215;7 foi o inquietar, intranquilizar, mexer com gente que n\u00e3o era do nosso rebanho.  <i>E \u2013 De que forma foi tratado o programa pela cr\u00edtica televisiva da altura? MVB &#8211;<\/i> Havia alguns jornais que nos escutavam. H\u00e1 um homem que j\u00e1 se foi embora, um not\u00e1vel cr\u00edtico de televis\u00e3o, o M\u00e1rio Castrim, que toda a gente conhece e que tinha um carinho especial pelo 70&#215;7, ao qual v\u00e1rias vezes se referiu. Tamb\u00e9m houve uma ou outra cr\u00edtica de sectores mais conservadores, que n\u00e3o gostavam do tipo de abordagem, mas isso \u00e9 natural numa sociedade plural, a crescer. <i>AR<\/i>&#8211; Neste sentido, foi profundamente enriquecedor percorrer o pa\u00eds todo, indo  mesmo at\u00e9 fora do pa\u00eds. Guardo muito carinhosamente essa experi\u00eancia em s\u00edtios que nunca tinham visto uma c\u00e2mara de televis\u00e3o passar por l\u00e1.  <i>E \u2013 Que lugar dever\u00e1 estar reservado na mem\u00f3ria da RTP para este programa? AR &#8211;<\/i> \u00c9 evidente que estamos muito gratos \u00e0 RTP, a todos os directores de programas que nos acarinharam muito, mesmo. Tamb\u00e9m tenho a certeza de que este nunca foi um programa indigno da Televis\u00e3o ou da Igreja. <i>MVB<\/i>&#8211; \u00c9 obrigat\u00f3rio que a RTP no seu canal Mem\u00f3ria n\u00e3o esque\u00e7a estas mem\u00f3rias, que s\u00e3o do povo, que s\u00e3o de Portugal. Ser\u00e1 um acto de justi\u00e7a que a Mem\u00f3ria da RTP n\u00e3o apague este programa por ser confessional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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