{"id":8139,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/carta-apostolica-mane-nobiscum-domine\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"carta-apostolica-mane-nobiscum-domine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-apostolica-mane-nobiscum-domine\/","title":{"rendered":"Carta Apost\u00f3lica \u00abMane Nobiscum Domine\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Ano da Eucaristia <!--more--> CARTA APOST\u00d3LICA <i>MANE NOBISCUM DOMINE<\/i> DO SUMO PONT\u00cdFICE  JO\u00c3O PAULO II AO EPISCOPADO, CLERO E FI\u00c9IS PARA O ANO DA EUCARISTIA OUTUBRO 2004\u2013OUTUBRO 2005  INTRODU\u00c7\u00c3O 1. \u00abFica connosco, Senhor, pois a noite vai caindo\u00bb (cf. Lc 24,29). Foi este o instante convite que os dois disc\u00edpulos, directos a Ema\u00fas na tarde do pr\u00f3prio dia da ressurrei\u00e7\u00e3o, dirigiram ao Viajante que se lhes tinha juntado no caminho. Carregados de tristes pensamentos, n\u00e3o imaginavam que aquele desconhecido fosse precisamente o seu Mestre, j\u00e1 ressuscitado. Mas sentiam \u00abarder\u00bb o seu \u00edntimo (cf. Lc 24,32), quando Ele lhes falava, \u00abexplicando\u00bb as Escrituras. A luz da Palavra ia dissipando a dureza do seu cora\u00e7\u00e3o e \u00ababria-lhes os olhos\u00bb (cf. Lc 24, 31). Por entre as sombras do dia que findava e a obscuridade que pairava na alma, aquele Viajante era um raio de luz que fazia despertar a esperan\u00e7a e abria os seus \u00e2nimos ao desejo da luz plena. \u00abFica connosco\u00bb \u2014 suplicaram. E Ele aceitou. Pouco depois o rosto de Jesus teria desaparecido, mas o Mestre \u00abpermaneceria\u00bb sob o v\u00e9u do \u00abp\u00e3o partido\u00bb, \u00e0 vista do qual se abriram os olhos deles.  2. O \u00edcone dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas presta-se bem para nortear um ano que ver\u00e1 a Igreja particularmente empenhada na viv\u00eancia do mist\u00e9rio da sagrada Eucaristia. Ao longo do caminho das nossas d\u00favidas, inquieta\u00e7\u00f5es e \u00e0s vezes amargas desilus\u00f5es, o divino Viajante continua a fazer-se nosso companheiro para nos introduzir, com a interpreta\u00e7\u00e3o das Escrituras, na compreens\u00e3o dos mist\u00e9rios de Deus. Quando o encontro se torna pleno, \u00e0 luz da Palavra segue-se a luz que brota do \u00abP\u00e3o da vida\u00bb, pelo qual Cristo cumpre de modo supremo a sua promessa de \u00abestar connosco todos os dias at\u00e9 ao fim do mundo\u00bb (cf.Mt 28,20).  3. A \u00abfrac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u00bb \u2014 tal era ao in\u00edcio a designa\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u2014 sempre esteve no centro da vida da Igreja. Por ela Cristo torna presente, no curso do tempo, o seu mist\u00e9rio de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. Nela, Cristo em pessoa \u00e9 recebido como \u00abo p\u00e3o vivo que desceu do c\u00e9u\u00bb (Jo 6,51) e, com ele, \u00e9-nos dado o penhor da vida eterna, em virtude do qual se saboreia antecipadamente o banquete eterno da Jerusal\u00e9m celeste. Prosseguindo no sulco do ensinamento dos Padres, dos Conc\u00edlios Ecum\u00e9nicos e dos meus pr\u00f3prios Predecessores, convidei v\u00e1rias vezes \u2014 ainda recentemente na enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia \u2014 a Igreja a reflectir sobre a Eucaristia. Por isso n\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o, neste documento, expor de novo a doutrina j\u00e1 apresentada e \u00e0 qual recomendo voltar para que seja aprofundada e assimilada. Mas considerei que poderia ser de grande ajuda, precisamente para tal fim, um ano inteiramente dedicado a este admir\u00e1vel Sacramento.  4. Como \u00e9 sabido, o Ano da Eucaristia prolonga-se deste Outubro de 2004 at\u00e9 ao mesmo m\u00eas de 2005. A ocasi\u00e3o prop\u00edcia para tal iniciativa foi- me dada por dois acontecimentos que marcar\u00e3o significativamente o in\u00edcio e o fim: o Congresso Eucar\u00edstico Internacional programado de 10 a 17 de Outubro em Guadalajara (M\u00e9xico), e a Assembleia Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, que ter\u00e1 lugar no Vaticano de 2 a 29 de Outubro sobre o tema: \u00abA Eucaristia fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja\u00bb. E houve ainda outra raz\u00e3o que me levou a esta decis\u00e3o: ter\u00e1 lugar neste ano a Jornada Mundial da Juventude, que se realizar\u00e1 em Col\u00f3nia (Alemanha) de 16 a 21 de Agosto de 2005. A Eucaristia \u00e9 o centro vital ao redor do qual desejo que se congreguem os jovens para alimentar a sua f\u00e9 e o seu entusiasmo. Mas a ideia de semelhante iniciativa eucar\u00edstica j\u00e1 a trazia h\u00e1 tempo dentro de mim: de facto constitui o desenvolvimento natural da orienta\u00e7\u00e3o pastoral que quis imprimir \u00e0 Igreja, especialmente a partir dos anos de prepara\u00e7\u00e3o do Jubileu, e que retomei depois nos anos que o seguiram.  5. Nesta carta apost\u00f3lica, \u00e9 meu prop\u00f3sito sublinhar tal continuidade de orienta\u00e7\u00e3o, para que seja mais f\u00e1cil a todos individuar o seu alcance espiritual. Quanto \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o concreta do Ano da Eucaristia, conto com a solicitude pessoal dos Pastores das Igrejas particulares, aos quais a devo\u00e7\u00e3o por t\u00e3o grande Mist\u00e9rio n\u00e3o deixar\u00e1 de sugerir as oportunas iniciativas. Aos meus Irm\u00e3os Bispos, ali\u00e1s, n\u00e3o ser\u00e1 dif\u00edcil ver como esta iniciativa, que surge a breve dist\u00e2ncia da conclus\u00e3o do Ano do Ros\u00e1rio, se situe a um n\u00edvel espiritual t\u00e3o profundo que n\u00e3o vem dificultar de modo algum os programas pastorais das diversas Igrejas. Pelo contr\u00e1rio, pode ilumin\u00e1-los mais eficazmente, ancorando-os por assim dizer ao Mist\u00e9rio que constitui a raiz e o segredo da vida espiritual dos fi\u00e9is, como tamb\u00e9m de cada iniciativa da Igreja local. N\u00e3o pe\u00e7o, pois, para se interromperem os \u00abcaminhos\u00bb pastorais que as diversas Igrejas est\u00e3o a fazer, mas para neles dar relevo \u00e0 dimens\u00e3o eucar\u00edstica pr\u00f3pria de toda a vida crist\u00e3. Da minha parte, com esta carta, quero oferecer algumas orienta\u00e7\u00f5es de fundo, com a esperan\u00e7a de que o povo de Deus, nas suas diversas componentes, queira acolher a minha proposta com pronta docilidade e vivo amor.  I  NO SULCO DO CONC\u00cdLIO E DO JUBILEU  Com o olhar voltado para Cristo  6. H\u00e1 dez anos, com a Tertio millennio adveniente (10 de Novembro de 1994), tive a alegria de indicar \u00e0 Igreja o caminho de prepara\u00e7\u00e3o para o Grande Jubileu do ano 2000. Sentia que esta circunst\u00e2ncia hist\u00f3rica se delineava no horizonte como uma grande gra\u00e7a. N\u00e3o tinha ilus\u00f5es, por certo, de que uma simples data cronol\u00f3gica, apesar de sugestiva, pudesse por si mesma comportar grandes mudan\u00e7as. Os factos encarregaram-se, infelizmente, de p\u00f4r em evid\u00eancia, ap\u00f3s o in\u00edcio do mil\u00e9nio, uma esp\u00e9cie de crua continuidade com os acontecimentos anteriores e frequentemente com os piores dentre eles. Foi-se delineando assim um cen\u00e1rio que, a par de reconfortantes perspectivas, deixa entrever opacas sombras de viol\u00eancia e de sangue que n\u00e3o cessam de nos entristecer. Mas, ao convidar a Igreja para celebrar o Jubileu dos dois mil anos da Encarna\u00e7\u00e3o, eu estava perfeitamente convencido \u2014 e ainda o estou mais agora! \u2014 de trabalhar para os \u00abtempos longos\u00bb da humanidade.  De facto, Cristo est\u00e1 no centro n\u00e3o s\u00f3 da hist\u00f3ria da Igreja, mas tamb\u00e9m da hist\u00f3ria da humanidade. Tudo \u00e9 recapitulado n&#8217;Ele (cf. Ef 1,10; Col 1,15-20). Como n\u00e3o recordar o ardor com que o Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II, citando o Papa Paulo VI, confessou que Cristo \u00ab\u00e9 o fim da hist\u00f3ria humana, o ponto para onde tendem os desejos da hist\u00f3ria e da civiliza\u00e7\u00e3o, o centro do g\u00e9nero humano, a alegria de todos os cora\u00e7\u00f5es e a plenitude das suas aspira\u00e7\u00f5es\u00bb?(1) A doutrina do Conc\u00edlio trouxe novos aprofundamentos ao conhecimento da natureza da Igreja, abrindo os cora\u00e7\u00f5es dos crentes a uma compreens\u00e3o mais atenta dos mist\u00e9rios da f\u00e9 e das pr\u00f3prias realidades terrestres na luz de Cristo. N&#8217;Ele, Verbo feito carne, revelou-se realmente n\u00e3o s\u00f3 o mist\u00e9rio de Deus, mas tamb\u00e9m o pr\u00f3prio mist\u00e9rio do homem.(2) N&#8217;Ele, o homem encontra reden\u00e7\u00e3o e plenitude.  7. Nos princ\u00edpios do meu pontificado, com a enc\u00edclica Redemptor hominis, desenvolvi amplamente este tema, que retomei depois em v\u00e1rias circunst\u00e2ncias. O Jubileu foi o momento prop\u00edcio para fazer convergir a aten\u00e7\u00e3o dos crentes sobre esta verdade fundamental. A prepara\u00e7\u00e3o do grande acontecimento foi toda trinit\u00e1ria e cristoc\u00eantrica. Neste enquadramento, n\u00e3o podia certamente ficar esquecida a Eucaristia. Se hoje estamos para celebrar um Ano da Eucaristia, apraz-me recordar que j\u00e1 na Tertio millennio adveniente escrevia: \u00abO ano 2000 ser\u00e1 intensamente eucar\u00edstico; no sacramento da Eucaristia o Salvador, que encarnou no seio de Maria vinte s\u00e9culos atr\u00e1s, continua a oferecer-Se \u00e0 humanidade como fonte de vida divina\u00bb.(3) O Congresso Eucar\u00edstico Internacional celebrado em Roma tornou concreta esta tonalidade do Grande Jubileu. Vale a pena recordar tamb\u00e9m que, em plena prepara\u00e7\u00e3o do Jubileu, propus \u00e0 medita\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, com a carta apost\u00f3lica Dies Domini, o tema do \u00abDomingo\u00bb como dia do Senhor ressuscitado e dia especial da Igreja. A todos convidei ent\u00e3o a redescobrir a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica como o cora\u00e7\u00e3o do Domingo.(4)  Contemplar com Maria o rosto de Cristo  8. O legado do Grande Jubileu foi de algum modo recolhido na carta apost\u00f3lica Novo millennio ineunte. Neste documento de car\u00e1cter program\u00e1tico, eu sugeria a perspectiva de um empenho pastoral fundado na contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo, no \u00e2mbito duma pedagogia eclesial capaz de tender para a \u00abmedida alta\u00bb da santidade, procurada especialmente atrav\u00e9s da arte da ora\u00e7\u00e3o.(5) Como poderia faltar, numa tal perspectiva, o empenho lit\u00fargico e, de modo particular, a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vida eucar\u00edstica? Escrevi ent\u00e3o: \u00abNo s\u00e9culo XX, sobretudo depois do Conc\u00edlio, a comunidade crist\u00e3 cresceu muito no modo de celebrar os sacramentos, sobretudo a Eucaristia. \u00c9 preciso prosseguir nesta direc\u00e7\u00e3o, dando particular relevo \u00e0 Eucaristia dominical e ao pr\u00f3prio domingo, considerado um dia especial da f\u00e9, dia do Senhor ressuscitado e do dom do Esp\u00edrito, verdadeira P\u00e1scoa da semana\u00bb.(6) No contexto da educa\u00e7\u00e3o para a ora\u00e7\u00e3o, convidava a cultivar tamb\u00e9m a Liturgia das Horas, atrav\u00e9s da qual a Igreja santifica as diversas horas do dia e o ritmo do tempo na articula\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do ano lit\u00fargico.  9. Sucessivamente, com a proclama\u00e7\u00e3o do Ano do Ros\u00e1rio e a publica\u00e7\u00e3o da carta apost\u00f3lica Rosarium Virginis Mari\u00e6, retomei o discurso da contempla\u00e7\u00e3o do rosto de Cristo a partir da perspectiva mariana, repropondo o Ros\u00e1rio. Com efeito, esta ora\u00e7\u00e3o tradicional, t\u00e3o recomendada pelo Magist\u00e9rio e muito amada pelo povo de Deus, possui uma fisionomia marcadamente b\u00edblica e evang\u00e9lica, centrada prevalentemente sobre o nome e o rosto de Jesus, fixado na contempla\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios e na repeti\u00e7\u00e3o da Ave Maria. O seu ritmo repetitivo constitui uma esp\u00e9cie de pedagogia de amor, feita para inflamar o cora\u00e7\u00e3o com o mesmo amor que Maria nutre pelo seu Filho. Por isso, conduzindo a nova matura\u00e7\u00e3o um itiner\u00e1rio plurissecular, quis que esta forma privilegiada de contempla\u00e7\u00e3o completasse seus tra\u00e7os de verdadeiro \u00abcomp\u00eandio do Evangelho\u00bb, com a introdu\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios da luz.(7) E como n\u00e3o colocar, no v\u00e9rtice dos mist\u00e9rios da luz, a sagrada Eucaristia?  Do Ano do Ros\u00e1rio ao Ano da Eucaristia  10. Foi precisamente no cora\u00e7\u00e3o do Ano do Ros\u00e1rio que promulguei a carta enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, querendo com ela ilustrar o mist\u00e9rio da Eucaristia na sua liga\u00e7\u00e3o indivis\u00edvel e vital com a Igreja. Convidei a todos a celebrarem o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico com o empenho que merece, prestando a Jesus presente na Eucaristia, mesmo fora da Missa, um culto de adora\u00e7\u00e3o digno de t\u00e3o grande Mist\u00e9rio. Sobretudo propus novamente a exig\u00eancia duma espiritualidade eucar\u00edstica, indicando por modelo Maria como \u00abmulher eucar\u00edstica\u00bb.(8)  Assim, o Ano da Eucaristia coloca-se num horizonte que se foi enriquecendo de ano para ano, embora permanecendo sempre bem assente sobre o tema de Cristo e da contempla\u00e7\u00e3o do seu Rosto. De certo modo, aquele apresenta-se como um ano de s\u00edntese, uma esp\u00e9cie de apogeu de todo o caminho percorrido. Muitas coisas se poderiam dizer para viver bem este ano; limitar-me-ei a indicar algumas perspectivas que possam ajudar a todos a convergir para atitudes elucidativas e fecundas.  II  A EUCARISTIA MIST\u00c9RIO DE LUZ  \u00abExplicou-lhes, em todas as Escrituras, tudo o que Lhe dizia respeito\u00bb (Lc 24,27)  11. A narra\u00e7\u00e3o da apari\u00e7\u00e3o de Jesus ressuscitado aos dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas ajuda-nos a p\u00f4r em destaque um primeiro aspecto do mist\u00e9rio eucar\u00edstico, que deve estar sempre presente na devo\u00e7\u00e3o do povo de Deus: a Eucaristia, mist\u00e9rio de luz! Em que sentido tal se pode afirmar, e quais s\u00e3o as implica\u00e7\u00f5es que da\u00ed derivam para a espiritualidade e para a vida crist\u00e3?  Jesus designou-Se a Si mesmo como \u00abluz do mundo\u00bb (Jo 8,12), e esta sua propriedade aparece bem evidenciada em momentos da sua vida como a Transfigura\u00e7\u00e3o e a Ressurrei\u00e7\u00e3o, onde refulge claramente a sua gl\u00f3ria divina. Diversamente, na Eucaristia a gl\u00f3ria de Cristo est\u00e1 velada. O sacramento eucar\u00edstico \u00e9 o \u00abmysterium fidei\u00bb por excel\u00eancia. E, todavia, precisamente atrav\u00e9s deste sacramento da sua total oculta\u00e7\u00e3o, Cristo torna-Se mist\u00e9rio de luz, mediante o qual o fiel \u00e9 introduzido nas profundezas da vida divina. Com uma feliz intui\u00e7\u00e3o, o c\u00e9lebre \u00edcone da Trindade de Rubl\u00ebv coloca significativamente a Eucaristia no centro da vida trinit\u00e1ria.  12. A Eucaristia \u00e9 luz antes de mais nada porque, em cada Missa, a liturgia da Palavra de Deus precede a liturgia Eucar\u00edstica, na unidade das duas \u00abmesas\u00bb \u2014 a da Palavra e a do P\u00e3o. Esta continuidade transparece j\u00e1 no discurso eucar\u00edstico do Evangelho de Jo\u00e3o, quando o an\u00fancio de Jesus passa da apresenta\u00e7\u00e3o fundamental do seu mist\u00e9rio \u00e0 ilustra\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o eucar\u00edstica propriamente dita: \u00abA minha carne \u00e9, em verdade, uma comida e o meu sangue \u00e9, em verdade, uma bebida\u00bb (Jo 6,55). Sabemos que foi esta dimens\u00e3o que fez entrar em crise grande parte dos ouvintes, induzindo Pedro a fazer-se porta-voz da f\u00e9 dos outros Ap\u00f3stolos e da Igreja de todos os tempos: \u00abSenhor, para quem havemos n\u00f3s de ir? Tu tens palavras de vida eterna\u00bb (Jo 6,68). Na narra\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas, o pr\u00f3prio Cristo interv\u00e9m para mostrar, \u00abcome\u00e7ando por Mois\u00e9s e seguindo por todos os profetas\u00bb, como \u00abtodas as Escrituras\u00bb conduzem ao mist\u00e9rio da sua pessoa (cf. Lc 24,27). As suas palavras fazem \u00abarder\u00bb os cora\u00e7\u00f5es dos disc\u00edpulos, tiram-nos da obscuridade da tristeza e do des\u00e2nimo, suscitam neles o desejo de permanecer com Ele: \u00abFica connosco, Senhor\u00bb (cf. Lc 24,29).  13. Os Padres do Conc\u00edlio Vaticano II, na constitui\u00e7\u00e3o Sacrosanctum Concilium, quiseram que a \u00abmesa da Palavra\u00bb abrisse com maior abund\u00e2ncia os tesouros da Sagrada Escritura aos fi\u00e9is.(9) Por isso consentiram que, na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente as leituras b\u00edblicas fossem apresentadas na l\u00edngua compreens\u00edvel a todos. \u00c9 o pr\u00f3prio Cristo que fala, quando na Igreja se l\u00ea a Sagrada Escritura.(10) Ao mesmo tempo recomendaram ao celebrante a homilia como parte da pr\u00f3pria liturgia, destinada a ilustrar a Palavra de Deus e actualiz\u00e1-la na vida crist\u00e3.(11) Passados quarenta anos do Conc\u00edlio, o Ano da Eucaristia pode constituir uma importante ocasi\u00e3o para as comunidades crist\u00e3s fazerem um exame sobre este ponto. De facto, n\u00e3o basta que os textos b\u00edblicos sejam proclamados numa l\u00edngua compreens\u00edvel, se tal proclama\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita com o cuidado, prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, escuta devota, sil\u00eancio meditativo que s\u00e3o necess\u00e1rios para que a Palavra de Deus toque a vida e a ilumine.  \u00abReconheceram-n&#8217;O ao partir do p\u00e3o\u00bb (Lc 24,35)  14. \u00c9 significativo que os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam \u00e0 mesa, atrav\u00e9s do gesto simples da \u00abfrac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o\u00bb. Uma vez iluminadas as intelig\u00eancias e rescaldados os cora\u00e7\u00f5es, os sinais \u00abfalam\u00bb. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto din\u00e2mico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; \u00e9 atrav\u00e9s deles que o mist\u00e9rio, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente.  Como sublinhei na enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, \u00e9 importante que nenhuma dimens\u00e3o deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tenta\u00e7\u00e3o de reduzir \u00e0s suas pr\u00f3prias dimens\u00f5es a Eucaristia, quando na realidade \u00e9 ele que se deve abrir \u00e0s dimens\u00f5es do Mist\u00e9rio. \u00abA Eucaristia \u00e9 um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e redu\u00e7\u00f5es\u00bb.(12)  15. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a dimens\u00e3o mais saliente da Eucaristia \u00e9 a de banquete. A Eucaristia nasceu, na noite de Quinta-feira Santa, no contexto da ceia pascal. Traz por conseguinte inscrito na sua estrutura o sentido da comensalidade: \u00abTomai, comei&#8230; Tomou, em seguida, um c\u00e1lice e&#8230; entregou-lho dizendo: Bebei dele todos&#8230;\u00bb (Mt 26,26.27). Este aspecto exprime bem a rela\u00e7\u00e3o de comunh\u00e3o que Deus quer estabelecer connosco e que n\u00f3s mesmos devemos fazer crescer uns com os outros.  Todavia n\u00e3o se pode esquecer que o banquete eucar\u00edstico tem tamb\u00e9m um sentido prim\u00e1ria e profundamente sacrifical.(13) Nele, Cristo torna presente para n\u00f3s o sacrif\u00edcio actuado uma vez por todas no G\u00f3lgota. Embora a\u00ed presente como ressuscitado, Ele traz os sinais da sua paix\u00e3o, da qual cada Santa Missa \u00e9 \u00abmemorial\u00bb, como a liturgia nos recorda com a aclama\u00e7\u00e3o depois da consagra\u00e7\u00e3o: \u00abAnunciamos, Senhor, a vossa morte, proclamamos a vossa ressurrei\u00e7\u00e3o&#8230;\u00bb. Ao mesmo tempo que actualiza o passado, a Eucaristia projecta-nos para o futuro da \u00faltima vinda de Cristo, no final da hist\u00f3ria. Este aspecto escatol\u00f3gico d\u00e1 ao sacramento eucar\u00edstico um dinamismo cativante, que imprime ao caminho crist\u00e3o o passo da esperan\u00e7a.  \u00abEu estou convosco todos os dias\u00bb (Mt 28,20)  16. Todas estas dimens\u00f5es da Eucaristia se encontram num aspecto que, mais do que qualquer outro, p\u00f5e \u00e0 prova a nossa f\u00e9: \u00e9 o mist\u00e9rio da presen\u00e7a \u00abreal\u00bb. Com toda a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, acreditamos que, sob as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas, est\u00e1 realmente presente Jesus. Uma presen\u00e7a \u2014 como eficazmente explicou o Papa Paulo VI \u2014 que se diz \u00abreal\u00bb, n\u00e3o por exclus\u00e3o como se as outras formas de presen\u00e7a n\u00e3o fossem reais, mas por antonom\u00e1sia enquanto, por ela, Se torna substancialmente presente Cristo completo na realidade do seu corpo e do seu sangue.(14) Por isso a f\u00e9 pede-nos para estarmos diante da Eucaristia com a consci\u00eancia de que estamos na presen\u00e7a do pr\u00f3prio Cristo. \u00c9 precisamente a sua presen\u00e7a que d\u00e1 \u00e0s outras dimens\u00f5es \u2014 de banquete, memorial da P\u00e1scoa, antecipa\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica \u2014 um significado que ultrapassa, e muito, o de puro simbolismo. A Eucaristia \u00e9 mist\u00e9rio de presen\u00e7a, mediante o qual se realiza de modo excelso a promessa que Jesus fez de ficar connosco at\u00e9 ao fim do mundo.  Celebrar, adorar, contemplar  17. Grande mist\u00e9rio, a Eucaristia! Mist\u00e9rio que deve ser, antes de mais nada, bem celebrado. \u00c9 preciso que a Santa Missa seja colocada no centro da vida crist\u00e3 e que, em cada comunidade, tudo se fa\u00e7a para celebr\u00e1-la decorosamente, segundo as normas estabelecidas, com a participa\u00e7\u00e3o do povo, valendo-se dos diversos ministros no desempenho das atribui\u00e7\u00f5es que lhes est\u00e3o previstas, e com uma s\u00e9ria aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ao aspecto de sacralidade que deve caracterizar o canto e a m\u00fasica lit\u00fargica. Um compromisso concreto deste Ano da Eucaristia poderia ser estudar a fundo, em cada comunidade paroquial, os \u00abpr\u00e6notanda\u00bb da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano. O caminho privilegiado para ser introduzido no mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o, actuada nos \u00absinais\u00bb sagrados, continua a ser o de seguir com fidelidade o desenrolar do ano lit\u00fargico. Os Pastores empenhem-se na catequese \u00abmistag\u00f3gica\u00bb, muito apreciada pelos Padres da Igreja, que ajuda a descobrir as val\u00eancias dos gestos e das palavras da liturgia, ajudando os fi\u00e9is a passar dos sinais ao mist\u00e9rio e a implicar no mesmo toda a sua exist\u00eancia.  18. De modo particular torna-se necess\u00e1rio cultivar, tanto na celebra\u00e7\u00e3o da Missa como no culto eucar\u00edstico fora dela, uma consci\u00eancia viva da presen\u00e7a real de Cristo, tendo o cuidado de testemunh\u00e1-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. A tal respeito, as normas recordam \u2014 como ainda recentemente tive ocasi\u00e3o de o reafirmar (15) \u2014 o relevo que deve ser dado aos momentos de sil\u00eancio quer na celebra\u00e7\u00e3o quer na adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Numa palavra, \u00e9 necess\u00e1rio que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fi\u00e9is seja caracterizado por um respeito extremo.(16) A presen\u00e7a de Jesus no sacr\u00e1rio deve constituir como que um p\u00f3lo de atrac\u00e7\u00e3o para um n\u00famero cada vez maior de almas enamoradas d&#8217;Ele, capazes de permanecerem longamente a escutar a sua voz e, de certo modo, a sentir o palpitar do seu cora\u00e7\u00e3o: \u00abSaboreai e vede como \u00e9 bom o Senhor!\u00bb (Sal 34\/33, 9).  Que a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica fora da Missa se torne, durante este ano, um compromisso especial para as diversas comunidades religiosas e paroquiais. Permane\u00e7amos longamente prostrados diante de Jesus presente na Eucaristia, reparando com a nossa f\u00e9 e o nosso amor as neglig\u00eancias, esquecimentos e at\u00e9 ultrajes que o nosso Salvador Se v\u00ea obrigado a suportar em tantas partes do mundo. Aprofundemos na adora\u00e7\u00e3o a nossa contempla\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, servindo-nos tamb\u00e9m de subs\u00eddios de ora\u00e7\u00e3o baseados sempre na Palavra de Deus e na experi\u00eancia de tantos m\u00edsticos antigos e recentes. O pr\u00f3prio Ros\u00e1rio, visto no seu sentido profundo, b\u00edblico e cristoc\u00eantrico, que recomendei na carta apost\u00f3lica Rosarium Virginis Mari\u00e6, poder\u00e1 ser um caminho particularmente adaptado para a contempla\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, actuada em companhia e na escola de Maria.(17)  Neste ano, seja vivida com particular fervor a solenidade do Corpus Domini com a tradicional prociss\u00e3o. A f\u00e9 neste Deus que, tendo encarnado, Se fez nosso companheiro de viagem, seja proclamada por toda a parte particularmente pelas nossas estradas e no meio das nossas casas, como express\u00e3o do nosso amor agradecido e fonte inexaur\u00edvel de b\u00ean\u00e7\u00e3o.  III  A EUCARISTIA FONTE E EPIFANIA DE COMUNH\u00c3O  \u00abPermanecei em Mim e Eu permanecerei em v\u00f3s\u00bb (Jo 15,4)  19. Ao pedido dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas para que ficasse \u00abcom\u00bb eles, Jesus responde com um dom muito maior: atrav\u00e9s do sacramento da Eucaristia encontrou o modo de permanecer \u00abdentro\u00bb deles. Receber a Eucaristia \u00e9 entrar em comunh\u00e3o profunda com Jesus. \u00abPermanecei em Mim e Eu permanecerei em v\u00f3s\u00bb (Jo 15,4). Esta rela\u00e7\u00e3o de \u00edntima e rec\u00edproca \u00abperman\u00eancia\u00bb permite-nos antecipar de algum modo o c\u00e9u na terra. N\u00e3o \u00e9 porventura este o maior anseio do homem? N\u00e3o foi isso mesmo o que Deus Se prop\u00f4s, ao realizar na hist\u00f3ria o seu des\u00edgnio de salva\u00e7\u00e3o? Ele colocou no cora\u00e7\u00e3o do homem a \u00abfome\u00bb da sua Palavra (cf. Am 8,11), uma fome que ficar\u00e1 saciada apenas na plena uni\u00e3o com Ele. A comunh\u00e3o eucar\u00edstica foi-nos dada para \u00abnos saciarmos\u00bb de Deus sobre esta terra, \u00e0 espera da saciedade plena no c\u00e9u.  Um s\u00f3 p\u00e3o, um s\u00f3 corpo  20. Mas esta intimidade especial, que se realiza na \u00abcomunh\u00e3o\u00bb eucar\u00edstica, n\u00e3o pode ser adequadamente compreendida nem plenamente vivida fora da comunh\u00e3o eclesial. Isto mesmo o sublinhei v\u00e1rias vezes na enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia. A Igreja \u00e9 o corpo de Cristo: caminha-se \u00abcom Cristo\u00bb na medida em que se est\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00abcom o seu corpo\u00bb. Cristo providencia a gera\u00e7\u00e3o e fomento desta unidade com a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. E Ele mesmo n\u00e3o cessa de promov\u00ea-la atrav\u00e9s da sua presen\u00e7a eucar\u00edstica. Com efeito, \u00e9 precisamente o \u00fanico P\u00e3o eucar\u00edstico que nos torna um s\u00f3 corpo. Afirma-o o ap\u00f3stolo Paulo: \u00abUma vez que h\u00e1 um s\u00f3 p\u00e3o, n\u00f3s, embora sendo muitos, formamos um s\u00f3 corpo, porque todos participamos do mesmo p\u00e3o\u00bb (1Cor 10,17). No mist\u00e9rio eucar\u00edstico, Jesus edifica a Igreja como comunh\u00e3o, segundo o modelo supremo evocado na ora\u00e7\u00e3o sacerdotal: \u00abPara que todos sejam um s\u00f3; como Tu, \u00f3 Pai, est\u00e1s em Mim e Eu em ti, que tamb\u00e9m eles estejam em N\u00f3s, para que o mundo creia que Tu Me enviaste\u00bb (Jo 17,21).  21.Fonte da unidade eclesial, a Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m a sua m\u00e1xima manifesta\u00e7\u00e3o. A Eucaristia \u00e9 epifania de comunh\u00e3o. Por isso, \u00e9 que a Igreja p\u00f5e condi\u00e7\u00f5es para se poder tomar parte de modo pleno na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.(18) As v\u00e1rias limita\u00e7\u00f5es devem levar-nos a tomar uma consci\u00eancia cada vez maior de qu\u00e3o exigente seja a comunh\u00e3o que Jesus nos pede. \u00c9 comunh\u00e3o hier\u00e1rquica, fundada na consci\u00eancia das diversas fun\u00e7\u00f5es e minist\u00e9rios, continuamente reafirmada inclusive na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica atrav\u00e9s da men\u00e7\u00e3o do Papa e do Bispo diocesano. \u00c9 comunh\u00e3o fraterna, cultivada com uma \u00abespiritualidade de comunh\u00e3o\u00bb que nos leva a sentimentos de rec\u00edproca abertura, estima, compreens\u00e3o e perd\u00e3o.(19)  \u00abUm s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma\u00bb (Act 4,32)  22. Em cada Santa Missa, somos chamados a confrontar-nos com o ideal de comunh\u00e3o que o livro dos Actos dos Ap\u00f3stolos esbo\u00e7a como modelo para a Igreja de sempre. \u00c9 a Igreja congregada ao redor dos Ap\u00f3stolos, convocada pela Palavra de Deus, capaz de uma partilha que inclui n\u00e3o s\u00f3 os bens espirituais, mas tamb\u00e9m os materiais (cf. Act 2,42-47; 4,32-35). Neste Ano da Eucaristia, o Senhor convida a aproximarmo-nos o mais poss\u00edvel deste ideal. Sejam vividos com particular empenho os momentos j\u00e1 sugeridos pela liturgia para a \u00abMissa estacional\u00bb, quando o Bispo celebra na catedral com os seus presb\u00edteros e di\u00e1conos e com a participa\u00e7\u00e3o do povo de Deus em todas as suas componentes. Tal \u00e9 a \u00abmanifesta\u00e7\u00e3o\u00bb principal da Igreja.(20) Mas \u00e9 louv\u00e1vel individuar outras ocasi\u00f5es significativas, mesmo a n\u00edvel das par\u00f3quias, para que o sentido da comunh\u00e3o cres\u00e7a, haurindo da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica um renovado fervor.  O Dia do Senhor  23. Desejo em particular que, neste ano, se ponha um empenho especial em descobrir e viver plenamente o Domingo como dia do Senhor e dia da Igreja. Ficaria feliz se se voltasse a meditar tudo o que deixei escrito na carta apost\u00f3lica Dies Domini. De facto, \u00ab\u00e9 precisamente na Missa dominical que os crist\u00e3os revivem, com particular intensidade, a experi\u00eancia feita pelos Ap\u00f3stolos na tarde de P\u00e1scoa, quando, estando eles reunidos, o Ressuscitado lhes apareceu (cf. Jo 20,19). Naquele pequeno n\u00facleo de disc\u00edpulos, prim\u00edcias da Igreja, estava de algum modo presente o povo de Deus de todos os tempos\u00bb.(21) No seu empenho pastoral, os sacerdotes prestem, durante este ano de gra\u00e7a, uma aten\u00e7\u00e3o ainda maior \u00e0 Missa dominical, como celebra\u00e7\u00e3o onde a comunidade paroquial se encontra em conjunto, contando ordinariamente com a participa\u00e7\u00e3o dos v\u00e1rios grupos, movimentos e associa\u00e7\u00f5es nela presentes.  IV  A EUCARISTIA PRINC\u00cdPIO E PROJECTO DE \u00abMISS\u00c3O\u00bb  \u00abPartiram imediatamente\u00bb (Lc 24,33)  24. Os dois disc\u00edpulos de Ema\u00fas, depois de terem reconhecido o Senhor, \u00abpartiram imediatamente\u00bb (Lc 24,33) para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experi\u00eancia do Ressuscitado, alimentando-se do seu corpo e do seu sangue, n\u00e3o se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucar\u00edstica, suscita na Igreja e em cada crist\u00e3o a urg\u00eancia de testemunhar e evangelizar. Quis sublinh\u00e1-lo precisamente na homilia em que fiz o an\u00fancio do Ano da Eucaristia, referindo-me \u00e0s palavras de Paulo: \u00abSempre que comerdes este p\u00e3o e beberdes este c\u00e1lice, anunciais a morte do Senhor at\u00e9 que Ele venha\u00bb (1Cor 11,26). O Ap\u00f3stolo coloca em estreita inter-rela\u00e7\u00e3o o banquete e o an\u00fancio: entrar em comunh\u00e3o com Cristo no memorial da P\u00e1scoa significa ao mesmo tempo experimentar o dever de fazer-se mission\u00e1rio do acontecimento que esse rito actualiza.(22) A despedida no final de cada Missa constitui um mandato, que impele o crist\u00e3o para o dever de propaga\u00e7\u00e3o do Evangelho e de anima\u00e7\u00e3o crist\u00e3 da sociedade.  25. Para tal miss\u00e3o, a Eucaristia oferece n\u00e3o apenas a for\u00e7a interior, mas tamb\u00e9m em determinado sentido o projecto. Na realidade, aquela \u00e9 um modo de ser que passa de Jesus para o crist\u00e3o e, atrav\u00e9s do seu testemunho, tende a irradiar-se na sociedade e na cultura. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que cada fiel assimile, na medita\u00e7\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria, os valores que a Eucaristia exprime, as atitudes que ela inspira, os prop\u00f3sitos de vida que suscita. Como n\u00e3o ver nisto o mandato especial que poderia brotar do Ano da Eucaristia?     Dar gra\u00e7as  26. Um elemento fundamental deste projecto emerge do pr\u00f3prio significado da palavra \u00abeucaristia\u00bb: ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. Em Jesus, no seu sacrif\u00edcio, no seu \u00absim\u00bb incondicional \u00e0 vontade do Pai, est\u00e1 o \u00absim\u00bb, o \u00abobrigado\u00bb e o \u00abamen\u00bb da humanidade inteira. A Igreja \u00e9 chamada a recordar aos homens esta grande verdade. \u00c9 urgente que tal se fa\u00e7a sobretudo na nossa cultura secularizada, que respira o olvido de Deus e cultiva uma v\u00e3 auto-sufici\u00eancia do homem. Encarnar o projecto eucar\u00edstico na vida quotidiana, nos lugares onde se trabalha e vive \u2014 na fam\u00edlia, na escola, na f\u00e1brica, nas mais diversas condi\u00e7\u00f5es de vida \u2014 significa, para al\u00e9m do mais, testemunhar que a realidade humana n\u00e3o se justifica sem a refer\u00eancia ao Criador: \u00abSem o Criador, a criatura n\u00e3o subsiste\u00bb.(23) Esta abertura transcendente, que nos induz a um \u00abobrigado\u00bb perene \u2014 nisto consiste a atitude eucar\u00edstica \u2014 por tudo o que temos e somos, n\u00e3o prejudica a leg\u00edtima autonomia das realidades terrenas,(24) mas fundamenta-a da forma mais verdadeira ao coloc\u00e1-la simultaneamente dentro dos seus justos limites.  Neste Ano da Eucaristia, haja um empenho, por parte dos crist\u00e3os, de testemunhar com mais vigor a presen\u00e7a de Deus no mundo. N\u00e3o tenhamos medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da f\u00e9. A \u00abcultura da Eucaristia\u00bb promove uma cultura do di\u00e1logo, que nela encontra for\u00e7a e alimento. \u00c9 errado considerar que a refer\u00eancia p\u00fablica \u00e0 f\u00e9 possa ofender a justa autonomia do Estado e das institui\u00e7\u00f5es civis, ou ent\u00e3o encorajar atitudes de intoler\u00e2ncia. Se historicamente n\u00e3o faltaram erros nesta mat\u00e9ria mesmo em crentes, como fiz quest\u00e3o de reconhecer por ocasi\u00e3o do Jubileu, h\u00e1 que atribu\u00ed-los, n\u00e3o \u00e0s \u00abra\u00edzes crist\u00e3s\u00bb, mas \u00e0 incoer\u00eancia dos crist\u00e3os face \u00e0s suas ra\u00edzes. Quem aprende a dizer \u00abobrigado\u00bb \u00e0 maneira de Cristo crucificado, poder\u00e1 ser um m\u00e1rtir, mas nunca um algoz.  O caminho da solidariedade  27. A Eucaristia n\u00e3o \u00e9 express\u00e3o de comunh\u00e3o apenas na vida da Igreja; \u00e9 tamb\u00e9m projecto de solidariedade em prol da humanidade inteira. A Igreja renova continuamente na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica a sua consci\u00eancia de ser \u00absinal e instrumento\u00bb n\u00e3o s\u00f3 da \u00edntima uni\u00e3o com Deus mas tamb\u00e9m da unidade de todo o g\u00e9nero humano.(25) Cada Missa, mesmo quando \u00e9 celebrada sem assist\u00eancia ou numa remota regi\u00e3o da terra, possui sempre o sinal da universalidade. O crist\u00e3o, que participa na Eucaristia, dela aprende a tornar-se promotor de comunh\u00e3o, de paz, de solidariedade, em todas as circunst\u00e2ncias da vida. A imagem lacerada do nosso mundo, que come\u00e7ou o novo mil\u00e9nio com o espectro do terrorismo e a trag\u00e9dia da guerra, desafia ainda mais fortemente os crist\u00e3os a viverem a Eucaristia como uma grande escola de paz, onde se formem homens e mulheres que, a v\u00e1rios n\u00edveis de responsabilidade na vida social, cultural, pol\u00edtica, se fazem tecedores de di\u00e1logo e de comunh\u00e3o.  Ao servi\u00e7o dos \u00faltimos  28. H\u00e1 ainda um ponto para o qual queria chamar a aten\u00e7\u00e3o, porque sobre ele se joga em medida not\u00e1vel a autenticidade da participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia, celebrada na comunidade: \u00e9 o impulso que esta a\u00ed recebe para um compromisso real na edifica\u00e7\u00e3o duma sociedade mais equitativa e fraterna. Na Eucaristia, o nosso Deus manifestou a forma extrema do amor, invertendo todos os crit\u00e9rios de dom\u00ednio que muitas vezes regem as rela\u00e7\u00f5es humanas e afirmando de modo radical o crit\u00e9rio do servi\u00e7o: \u00abSe algu\u00e9m quiser ser o primeiro, h\u00e1-de ser o \u00faltimo de todos e o servo de todos\u00bb (Mc9,35). N\u00e3o \u00e9 por acaso que, no Evangelho de Jo\u00e3o, se encontra, n\u00e3o a narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, mas a do \u00ablava-p\u00e9s\u00bb (cf. Jo 13,1-20): inclinando-Se a lavar os p\u00e9s dos seus disc\u00edpulos, Jesus explica de forma inequivoc\u00e1vel o sentido da Eucaristia. S. Paulo, por sua vez, reafirma vigorosamente que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita uma celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica onde n\u00e3o resplande\u00e7a a caridade testemunhada pela partilha concreta com os mais pobres (cf. 1Cor 11,17-22.27-34).  Por que n\u00e3o fazer ent\u00e3o deste Ano da Eucaristia um per\u00edodo em que as comunidades diocesanas e paroquiais se comprometam de modo especial a ir, com operosidade fraterna, ao encontro de alguma das muitas pobrezas do nosso mundo? Penso no drama da fome que atormenta centenas de milh\u00f5es de seres humanos, penso nas doen\u00e7as que flagelam os pa\u00edses em vias de desenvolvimento, na solid\u00e3o dos idosos, nas dificuldades dos desempregados, nas desgra\u00e7as dos imigrantes. Trata-se de males que afligem, embora em medida diversa, tamb\u00e9m as regi\u00f5es mais opulentas. N\u00e3o podemos iludir-nos: do amor m\u00fatuo e, em particular, da solicitude por quem passa necessidade, seremos reconhecidos como verdadeiros disc\u00edpulos de Cristo (cf. Jo 13,35; Mt25,31-46). Com base neste crit\u00e9rio, ser\u00e1 comprovada a autenticidade das nossas celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas.     CONCLUS\u00c3O  29.O Sacrum Convivium, in quo Cristus sumitur! O Ano da Eucaristia nasce do assombro que a Igreja sente diante deste grande Mist\u00e9rio. \u00c9 um assombro que n\u00e3o cessa de permear o meu esp\u00edrito. Dele brotou a enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia. Sinto como sendo uma grande gra\u00e7a do vig\u00e9simo s\u00e9timo ano de minist\u00e9rio petrino, que estou para iniciar, poder chamar agora toda a Igreja a contemplar, louvar, adorar de modo muito especial este inef\u00e1vel Sacramento. O Ano da Eucaristia seja para todos ocasi\u00e3o preciosa para uma renovada consci\u00eancia do tesouro incompar\u00e1vel que Cristo entregou \u00e0 sua Igreja. Seja est\u00edmulo para a sua celebra\u00e7\u00e3o mais viva e sentida, da qual brote uma exist\u00eancia crist\u00e3 transformada pelo amor.  Muitas iniciativas se poder\u00e3o realizar nesta linha, ao crit\u00e9rio dos Pastores das Igrejas particulares. A Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos n\u00e3o deixar\u00e1 de oferecer, para o efeito, sugest\u00f5es e propostas \u00fateis. Todavia n\u00e3o pe\u00e7o que se fa\u00e7am coisas extraordin\u00e1rias, mas que todas as iniciativas sejam marcadas por profunda interioridade. Mesmo que o seu fruto fosse apenas reavivar em todas as comunidades crist\u00e3s a celebra\u00e7\u00e3o da Missa dominical e incrementar a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica fora da Missa, este ano de gra\u00e7a teria conseguido um significativo resultado. Mas \u00e9 bom apostar alto, n\u00e3o se contentando com medidas med\u00edocres, porque sabemos poder contar sempre com a ajuda de Deus.  30. A v\u00f3s, amados Irm\u00e3os no Episcopado, confio este ano, seguro de que acolhereis o meu convite com todo o vosso ardor apost\u00f3lico.  V\u00f3s, sacerdotes, que repetis cada dia as palavras da consagra\u00e7\u00e3o e sois testemunhas e arautos do grande milagre de amor que acontece entre as vossas m\u00e3os, deixai-vos interpelar pela gra\u00e7a deste ano especial, celebrando cada dia a Santa Missa com a alegria e o fervor da primeira vez e detendo-se de boa vontade em ora\u00e7\u00e3o diante do Sacr\u00e1rio.  Seja um ano de gra\u00e7a para v\u00f3s, di\u00e1conos, que estais envolvidos de perto no minist\u00e9rio da Palavra e no servi\u00e7o do Altar. Tamb\u00e9m v\u00f3s, leitores, ac\u00f3litos, ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o, tende viva consci\u00eancia do dom a v\u00f3s concedido atrav\u00e9s das mans\u00f5es que vos s\u00e3o confiadas em ordem a uma digna celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia.  De forma particular dirijo-me a v\u00f3s, futuros sacerdotes: na vida de Semin\u00e1rio, procurai fazer experi\u00eancia de qu\u00e3o am\u00e1vel \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 participar diariamente na Santa Missa, mas tamb\u00e9m demorar-se longamente em di\u00e1logo com Jesus Eucaristia.  V\u00f3s, consagrados e consagradas, chamados pela pr\u00f3pria consagra\u00e7\u00e3o a uma contempla\u00e7\u00e3o mais prolongada, recordai que Jesus no Sacr\u00e1rio espera por v\u00f3s junto d&#8217;Ele, para derramar nos vossos cora\u00e7\u00f5es aquela experi\u00eancia \u00edntima da sua amizade que \u00e9 a \u00fanica que pode dar sentido e plenitude \u00e0 vossa vida.  V\u00f3s, fi\u00e9is todos, descobri novamente o dom da Eucaristia como luz e for\u00e7a para a vossa vida quotidiana no mundo, no exerc\u00edcio das respectivas profiss\u00f5es e em contacto com as mais diversas situa\u00e7\u00f5es. Descobri-o sobretudo para viverdes plenamente a beleza e a miss\u00e3o da fam\u00edlia.  Enfim, muito espero de v\u00f3s, jovens, ao fixar-vos o nosso encontro para a Jornada Mundial da Juventude, em Col\u00f3nia. O tema escolhido \u2014 \u00abViemos ador\u00e1-Lo (Mt 2, 2)\u00bb \u2014 presta-se a sugerir-vos de modo particular a justa disposi\u00e7\u00e3o para viver este ano eucar\u00edstico. Ponde, no encontro com Jesus escondido sob o v\u00e9u eucar\u00edstico, todo o entusiasmo da vossa idade, da vossa esperan\u00e7a, da vossa capacidade de amar.  31. Diante dos nossos olhos temos o exemplo dos Santos, que encontraram na Eucaristia o alimento para o seu caminho de perfei\u00e7\u00e3o. Quantas vezes se comoveram at\u00e9 \u00e0s l\u00e1grimas na experi\u00eancia de t\u00e3o grande mist\u00e9rio e viveram horas indescrit\u00edveis de alegria \u00abesponsal\u00bb diante do Sacramento do Altar. Ajude-nos sobretudo a Virgem Santa, que encarnou a l\u00f3gica da Eucaristia na sua exist\u00eancia inteira. \u00abA Igreja, vendo em Maria o seu modelo, \u00e9 chamada a imit\u00e1-La tamb\u00e9m na sua rela\u00e7\u00e3o com este mist\u00e9rio sant\u00edssimo\u00bb.(26) O P\u00e3o eucar\u00edstico que recebemos \u00e9 a carne imaculada do Filho: \u00abAve verum corpus natum de Maria Virgine\u00bb. Neste ano de gra\u00e7a, a Igreja, sustentada por Maria, encontre novo impulso para a sua miss\u00e3o e reconhe\u00e7a cada vez mais na Eucaristia a fonte e o apogeu de toda a sua vida.  A todos chegue, portadora de gra\u00e7a e de alegria, a minha B\u00ean\u00e7\u00e3o.  Vaticano, 7 de Outubro, mem\u00f3ria de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, de 2004, vig\u00e9simo sexto ano de Pontificado.  IOANNES PAULUS PP.II    &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;  Notas  (1)Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo Gaudium et spes, 45.  (2)Cf. ibid., 22.  (3)N. 55: AAS 87 (1995), 38.  (4)Cf. nn.32-34: AAS 90 (1998), 732-734.  (5)Cf. nn.30-32: AAS 93 (2001), 287-289.  (6)Ibid., 35: o.c., 290-291.  (7)Cf. Carta ap. Rosarium Virginis Mari\u00e6 (16 de Outubro de 2002), 19.21: AAS 95 (2003), 18-20.  (8)Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 53: AAS 95 (2003), 469.  (9)Cf. n.51.  (10)Cf. ibid., 7.  (11)Cf. ibid., 52.  (12)Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 10: AAS 95 (2003), 439.  (13)Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 10: AAS 95 (2003), 439; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum sobre algumas coisas que se devem observar e evitar relativamente \u00e0 Sant\u00edssima Eucaristia (25 de Mar\u00e7o de 2004), 38: Suplemento de L&#8217;Osservatore Romano (24 de Abril de 2004), 3.  (14)Cf. Carta enc. Mysterium fidei (3 de Setembro de 1965), 39: AAS 57 (1965), 764; S. Congr. dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium sobre o culto do Mist\u00e9rio Eucar\u00edstico (25 de Maio de 1967), 9: AAS 59 (1967), 547.  (15)Cf. Mensagem Spiritus et Sponsa, no XL anivers\u00e1rio da Constitui\u00e7\u00e3o sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium (4de Dezembro de 2003), 13: AAS 96 (2004), 425.  (16)Cf. Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum sobre algumas coisas que se devem observar e evitar relativamente \u00e0 Sant\u00edssima Eucaristia (25 de Mar\u00e7o de 2004): Suplemento de L&#8217;Osservatore Romano (24 de Abril de 2004).  (17)Cf. ibid., 137: o.c., 7.  (18)Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 44: AAS 95 (2003), 462; C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 908; C\u00f3digo dos C\u00e2nones das Igrejas Orientais, c\u00e2n. 702; Pont. Cons. para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os, Direct\u00f3rio Ecum\u00e9nico (25 de Mar\u00e7o de 1993), 122-125, 129-131: AAS 85 (1993), 1086-1089; Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta Ad exsequendam (18 de Maio de 2001): AAS 93 (2001), 786.  (19)Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte (6de Janeiro de 2001), 43: AAS 93 (2001), 297.  (20)Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum Concilium, 41.  (21)N. 33: AAS 90 (1998), 733.  (22)Cf. Homilia na solenidade do \u00abCorpus Domini\u00bb (10 de Junho de 2004), 1: L&#8217;Osservatore Romano (ed. portuguesa de 12\/VI\/2004), 301.  (23)Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo Gaudium et spes, 36.  (24)Cf. ibid., 36.  (25)Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 1.  (26)Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 53: AAS 95 (2003), 469.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ano da Eucaristia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[98,108,110,295,127,144,148,188,193,199,206,221,237,246,275,294,311,314],"class_list":["post-8139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-acolitos","tag-ano-da-eucaristia","tag-ano-do-rosario","tag-biblia","tag-catequese","tag-concilio-vaticano-ii","tag-congresso-eucaristico-internacional","tag-direito-canonico","tag-educacao","tag-espiritualidade","tag-familia","tag-historia-da-igreja","tag-joao-paulo-ii","tag-liturgia","tag-pascoa","tag-sacramentos","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8139"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8139\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}