{"id":81176,"date":"2017-03-13T12:37:00","date_gmt":"2017-03-13T12:37:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/03\/13\/mensagem-de-fatima-e-seus-protagonistas\/"},"modified":"2017-03-13T12:37:00","modified_gmt":"2017-03-13T12:37:00","slug":"mensagem-de-fatima-e-seus-protagonistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-de-fatima-e-seus-protagonistas\/","title":{"rendered":"Mensagem de F\u00e1tima e seus protagonistas"},"content":{"rendered":"<p>A postuladora da causa de canoniza\u00e7\u00e3o dos Beatos Francisco e Jacinta Marto admitiu \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que o Papa traga &#8220;novidades&#8221; sobre a canoniza\u00e7\u00e3o dos dois pastorinhos, durante a sua visita a F\u00e1tima. A irm\u00e3 \u00c2ngela Coelho fala ainda da import\u00e2ncia da figura dos tr\u00eas pastorinhos e da atualidade da mensagem de F\u00e1tima, 100 anos depois das Apari\u00e7\u00f5es na Cova da Iria. <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; est&aacute; a comemorar o seu centen&aacute;rio. Como se fala, nos dias de hoje, sobre este tema?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>&Acirc;ngela Coelho (AC) &ndash;<\/em> Falar 100 anos depois de F&aacute;tima &eacute;&hellip; um tentar de novo. Repetir com linguagens e formas novas aquilo que Nossa Senhora e o Anjo vieram trazer &agrave; Cova da Iria. N&atilde;o apenas para Portugal, mas para o mundo inteiro. Tenho sentido nos &uacute;ltimos anos um interesse maior por todas estas tem&aacute;ticas e assuntos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Como falar ao homem contempor&acirc;neo sobre este acontecimento que mudou vidas de crian&ccedil;as e adultos. &Eacute; necess&aacute;rio uma linguagem que diga algo de novo?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> As necessidades do ser humano s&atilde;o muito constantes ao longo da vida e das &eacute;pocas hist&oacute;ricas. Falo no exemplo de sermos aceites e compreendidos&hellip; A necessidade de sermos felizes e realizados. De termos paz e estarmos bem connosco pr&oacute;prios, com os outros e com Deus. Apesar do ser humano ter mudado em termos de linguagem, na forma de comunicar e na compreens&atilde;o do pr&oacute;prio mist&eacute;rio, as necessidades s&atilde;o as mesmas. Portanto, falar de F&aacute;tima cem anos depois, apesar de tudo, n&atilde;o &eacute; assim t&atilde;o dif&iacute;cil porque o que F&aacute;tima traz &eacute; uma resposta &agrave;s necessidades comuns ao ser humano.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; No entanto, essas respostas necessitam de novas ferramentas&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Os agentes da pastoral da Mensagem de F&aacute;tima t&ecirc;m aproveitado todas as ferramentas que a ci&ecirc;ncia teol&oacute;gica nos d&aacute;. Temos aproveitado tamb&eacute;m os conhecimentos da Psicologia, Sociologia e da forma das pessoas se relacionarem entre si. A grande dificuldade est&aacute;, provavelmente e aparentemente, nalgumas coisas faladas h&aacute; cem anos atr&aacute;s e que, hoje, est&atilde;o fora de moda. Esse tem sido o nosso maior desafio. Todavia, n&atilde;o sinto que seja desfasado daquilo que hoje seja necessidade do ser humano.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O contexto hist&oacute;rico era diferente&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash; <\/em>Os fatos que nos rodeavam e faziam not&iacute;cia eram diferentes. Mas se repararmos, h&aacute; cem anos viv&iacute;amos numa guerra mundial e, hoje, n&atilde;o sei se esse medo n&atilde;o est&aacute; tamb&eacute;m presente. Talvez ainda mais&hellip; A globaliza&ccedil;&atilde;o traz-nos not&iacute;cias ao minuto e isso gera mais medo e ansiedade. Embora n&atilde;o estejamos a viver a I Guerra Mundial, os eventos de terrorismo e as persegui&ccedil;&otilde;es sentidas tamb&eacute;m nos causam esse medo e inseguran&ccedil;a. Parece que se sente uma falta de confian&ccedil;a no futuro e uma grande inseguran&ccedil;a face ao terrorismo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; d&aacute; resposta a esses problemas?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Aponta caminhos&hellip; N&atilde;o gosto de absolutizar respostas porque a &uacute;nica resposta &eacute; Jesus Cristo. Ele e o seu Evangelho s&atilde;o a resposta e o caminho para os problemas de qualquer ser humano em todas as &eacute;pocas. Obviamente, a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; porque sublinha aspetos fundamentais do Evangelho &ndash; adaptados &agrave; nossa mentalidade e ao nosso contexto &ndash; tem implica&ccedil;&otilde;es muito concretas. O apelo &agrave; ora&ccedil;&atilde;o &eacute; um apelo que Jesus lan&ccedil;a, mas F&aacute;tima tamb&eacute;m aponta esse apelo &agrave; ora&ccedil;&atilde;o. Uma forma de ora&ccedil;&atilde;o simples, mas adaptada ao nosso tempo de vida e ao nosso ritmo: A ora&ccedil;&atilde;o do Ros&aacute;rio.<\/p>\n<p> \tNa &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;, a dimens&atilde;o de compaix&atilde;o e solidariedade &eacute; muito forte tal como no Evangelho. &Eacute; fundamental ter a consci&ecirc;ncia que perten&ccedil;o &agrave; fam&iacute;lia humana e sou respons&aacute;vel pelo meu &lsquo;irm&atilde;o&rsquo; e &lsquo;irm&atilde;&rsquo;. Cristo e o seu Evangelho s&atilde;o o centro, todavia na &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; estes valores tamb&eacute;m aparecem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Ent&atilde;o a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; um ap&ecirc;ndice do Evangelho. Uma p&aacute;gina branca que se vai construindo&hellip; <\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Eu diria que a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; uma tela que se vai tecendo com diversos fios que do Evangelho recolhemos. Esta tela bel&iacute;ssima com cem anos de constru&ccedil;&atilde;o est&aacute; a ficar cada vez mais lind&iacute;ssima. Precisamente porque &eacute; tecida com os fios das p&aacute;ginas do Evangelho.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Quem teceu essa tela foi a Irm&atilde; L&uacute;cia?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Foi a Irm&atilde; L&uacute;cia, Francisco e Jacinta e cada um de n&oacute;s.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Mas a Irm&atilde; L&uacute;cia &eacute; a protagonista visto que era ela que falava com Nossa Senhora? <\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> A Irm&atilde; L&uacute;cia tem um protagonismo especial em toda esta hist&oacute;ria da &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; porque &eacute; a interlocutora de Nossa Senhora. Mas tamb&eacute;m porque fica c&aacute; mais algum tempo, at&eacute; 2005, para difundir e espalhar ao mundo a devo&ccedil;&atilde;o ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria. Obviamente que n&atilde;o tiro, de forma alguma, o protagonismo &agrave; Jacinta e ao Francisco porque foram os primeiros a viver em plenitude aquilo que Nossa Senhora veio dizer. Digo em plenitude porque a Igreja beatificou-os no ano 2000.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Podemos confundir as mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia com a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> N&atilde;o podemos confundir&hellip; Mas, obviamente que as mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia s&atilde;o o registo do ser humano mais cred&iacute;vel e fiel relativamente &agrave;quilo que foi acontecendo em 1917. Todavia, considero que a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; muito para al&eacute;m disso que a L&uacute;cia regista, escreve e recorda. A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; tamb&eacute;m o peregrino que a atualiza em cada tempo.<\/p>\n<p> \tSe a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; fosse s&oacute; as mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia pod&iacute;amos concluir que ela estava terminada no dia da sua morte. O fen&oacute;meno de F&aacute;tima ultrapassa, enormemente, a vida e as mem&oacute;rias da Irm&atilde; L&uacute;cia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Sem esquecer tamb&eacute;m o papel desempenhado pelo c&oacute;nego Formig&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> O c&oacute;nego Formig&atilde;o teve um papel important&iacute;ssimo. Como os tr&ecirc;s videntes eram crian&ccedil;as, &agrave; partida a credibilidade das apari&ccedil;&otilde;es, no primeiro olhar, era muito pequena. O c&oacute;nego Formig&atilde;o foi extraordin&aacute;rio. Ele aproxima-se do fen&oacute;meno, primeiro com alguma prud&ecirc;ncia. Chega a F&aacute;tima em setembro de 1917. De longe, observava o fluxo de peregrinos&hellip; Posteriormente, interroga os videntes. A partir deste momento ele acredita naquilo que est&aacute; a acontecer. Ele acredita que &eacute; algo que vem de Deus e n&atilde;o produ&ccedil;&atilde;o fabricada ou mentira das crian&ccedil;as.<\/p>\n<p> \tQuando interroga as crian&ccedil;as, regista tudo. Ele interroga como quem acredita&hellip; Isto faz toda a diferen&ccedil;a. &Eacute; muito diferente sermos interrogados por algu&eacute;m que acredita e por quem n&atilde;o acredita. Os pastorinhos tiveram interrogat&oacute;rios destes dois tipos. Perante esta situa&ccedil;&atilde;o, a atitude de quem est&aacute; a ser questionado &eacute; completamente diferente. Os &ldquo;pequeninos&rdquo; intu&iacute;ram isso e abriram o seu cora&ccedil;&atilde;o a este homem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Interrogat&oacute;rios essenciais para compreender o fen&oacute;meno.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ele d&aacute;-nos uma fonte de primeira grandeza. Como era um sacerdote respeitado do Patriarcado de Lisboa, com uma forma&ccedil;&atilde;o profunda feita em Roma, vai ajudar &agrave; credibilidade destes videntes diante da autoridade eclesi&aacute;stica. A partir do momento que a Igreja autentica estes acontecimentos diz: &ldquo;Aqui Deus teve uma interven&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Mas demorou algum tempo at&eacute; se chegar a esse patamar<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> &Eacute; normal. Foi necess&aacute;rio interrogar muitas pessoas. Esta comiss&atilde;o teve como um dos membros mais importantes, o c&oacute;nego Formig&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Ele sonhou um novo Santu&aacute;rio de Lourdes (Fran&ccedil;a) na Cova da Iria?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ele percebe que um fen&oacute;meno semelhante se estava a passar. D. Jos&eacute; Alves Correia at&eacute; come&ccedil;a a comprar terrenos circundantes porque sabia da experi&ecirc;ncia de Lourdes. Em F&aacute;tima, os intervenientes quiseram evitar esse fen&oacute;meno dos terrenos junto ao Santu&aacute;rio de Lourdes.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Podemos, quando se fala na &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;, correr o risco de nos fecharmos numa nomenclatura em que s&oacute; a Igreja e os crist&atilde;os percebam? Esquecendo aqueles que n&atilde;o conhecem as propostas da mensagem?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Estamos num contexto de f&eacute;. No entanto, a nomenclatura que &eacute; falada em F&aacute;tima toca nas necessidades mais profundas do ser humano. E isso &eacute; universal. Mas se olhamos para F&aacute;tima de forma superficial, corremos o risco de o vermos como fen&oacute;meno sociol&oacute;gico. No fundo h&aacute; diversos olhares que podemos ter sobre o evento F&aacute;tima. Todavia, somos todos desafiados a aprofundar este acontecimento.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Aprofundar o acontecimento e os valores inerentes.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &#8211;<\/em> Os valores aqui propostos s&atilde;o universais. Como a compaix&atilde;o pelo meu irm&atilde;o que sofre, o sentir-me respons&aacute;vel pela hist&oacute;ria&hellip; Isto &eacute; uma linguagem para crentes e n&atilde;o crentes. O Papa Francisco tem falado muito disso. Mesmo a dimens&atilde;o ecol&oacute;gica. Todos n&oacute;s habitamos este planeta e somos respons&aacute;veis por ele. A paz &eacute; um bem universal.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Os peregrinos falam muito na dimens&atilde;o do sil&ecirc;ncio e da paz.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Completamente verdade. O mundo est&aacute; cheio de ru&iacute;do e o ritmo da nossa vida &eacute; fren&eacute;tico. Somos assolados por sons vindos de todo o lado. Outrora s&oacute; t&iacute;nhamos a r&aacute;dio e a televis&atilde;o. Agora, com a internet estamos a ficar dependentes. Estamos, constantemente, a ser bombardeados por atrativos exteriores a n&oacute;s. Isto impede-nos a concentra&ccedil;&atilde;o e prejudica a reflex&atilde;o, concentra&ccedil;&atilde;o e sil&ecirc;ncio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; F&aacute;tima &eacute; um bom s&iacute;tio para come&ccedil;ar um caminho de f&eacute;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Sim. Para algumas pessoas &eacute; um s&iacute;tio maravilhoso. Algumas pessoas chegam aqui apenas para acompanhar e depois s&atilde;o surpreendidas. Muitos chegam distra&iacute;dos&hellip; Depois olham para aquela imagem pequenina, na Capelinha das Apari&ccedil;&otilde;es, e alguma coisa acontece. F&aacute;tima pode ser um excelente ponto de partida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; poss&iacute;vel viver o sil&ecirc;ncio nas grandes celebra&ccedil;&otilde;es, especialmente as de maio e outubro?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> No Santu&aacute;rio de F&aacute;tima vivem-se momentos diferentes. Aqui h&aacute; tempo para tudo. Os peregrinos sabem isso e buscam o santu&aacute;rio conforme as suas necessidades. Todavia, nas grandes celebra&ccedil;&otilde;es eu percebo a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria da f&eacute;. Rezar em conjunto tem tamb&eacute;m import&acirc;ncia, na minha forma de viver a f&eacute;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; est&aacute; tatuada no rosto dos peregrinos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Est&aacute; refletida uma dimens&atilde;o da &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; que &eacute; a confian&ccedil;a em Nossa Senhora. O olhar de certos peregrinos a contemplar Nossa Senhora de F&aacute;tima mostra a certeza e a confian&ccedil;a naquela pessoa. O que traz a F&aacute;tima a maior parte dos peregrinos &eacute; esta confian&ccedil;a em Nossa Senhora. &Eacute; o espec&iacute;fico do Santu&aacute;rio.<\/p>\n<p> \tPosso referir tamb&eacute;m que muitos peregrinos buscam o Santu&aacute;rio de F&aacute;tima para o Sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; tamb&eacute;m &eacute; emotiva, basta visualizarmos o momento do adeus e os len&ccedil;os que acenam, juntamente com as l&aacute;grimas, a Nossa Senhora.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> A &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; emotiva&hellip; N&oacute;s somos afeto e a Psicologia tem vindo a demonstrar isso. A afetividade &eacute; uma porta excecional para a vida. Enquanto n&atilde;o formos tocados no cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existe convers&atilde;o e mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A mensagem est&aacute; centrada ou baseada em tr&ecirc;s segredos. Esse lado enigm&aacute;tico d&aacute;-lhe outra caracter&iacute;stica?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> A Irm&atilde; L&uacute;cia dizia: &ldquo;&Agrave;s vezes damos mais aten&ccedil;&atilde;o ao pouco que n&atilde;o conhecemos e n&atilde;o tomamos em devida considera&ccedil;&atilde;o o tanto que j&aacute; sabemos&rdquo;. O fato de existirem tr&ecirc;s partes do segredo suscita curiosidade. Em Agosto, os pastorinhos foram presos por causa do segredo. As crian&ccedil;as se n&atilde;o estivessem convencidas da verdade&hellip; n&atilde;o aguentariam a press&atilde;o psicol&oacute;gica. O segredo &eacute; um dos grandes crit&eacute;rios de autenticidade das apari&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Se a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; fosse um livro, pod&iacute;amos dizer que esse livro foi conclu&iacute;do em 2000?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ainda se est&aacute; a escrever. Se pensarmos no conhecimento sobre os acontecimentos, sem d&uacute;vida, foi encerrado em 2000. Mas considero que a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; &eacute; muito para al&eacute;m do que os pastorinhos viram e ouviram, penso que &eacute; um livro que est&aacute; a ser escrito. Com cap&iacute;tulos interessantes. Um deles foi, sem d&uacute;vida, o ano 2000, data da publica&ccedil;&atilde;o do segredo e da beatifica&ccedil;&atilde;o da Jacinta e do Francisco. Outro cap&iacute;tulo importante foi a morte da L&uacute;cia de Jesus, em 2005, data da morte da &uacute;ltima vidente. Outro cap&iacute;tulo foi o encerramento do processo diocesano da Irm&atilde; L&uacute;cia, a 13 de fevereiro &uacute;ltimo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Voltemos ao ano 2000, data da beatifica&ccedil;&atilde;o de Jacinta e Francisco. Dezassete anos depois, n&atilde;o haver&aacute; novidades?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Espero que haja, neste ano, alguma novidade acerca dos pastorinhos Jacinta e Francisco.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Refere-se &agrave; canoniza&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Sim, que &eacute; o que mais desejamos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E sobre a L&uacute;cia?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &#8211;<\/em> Penso que a novidade, em 2017, j&aacute; aconteceu e foi a 13 de fevereiro. Este ano, n&atilde;o estou &agrave; espera de mais nada sobre a L&uacute;cia de Jesus, relativamente ao seu processo. Em Roma, segue-se a abertura do processo diocesano por parte da Congrega&ccedil;&atilde;o da Causa dos Santos. O primeiro momento vai ser um decreto de validade jur&iacute;dica, ou seja, um ou dois oficiais na Congrega&ccedil;&atilde;o v&atilde;o olhar para os documentos com o &uacute;nico objetivo de ver se as formalidades e as normas da <em>Sanctorum Mater<\/em>, a instru&ccedil;&atilde;o que rege estes processos, foram cumpridas. Observar 15483 p&aacute;ginas vai demorar algumas semanas e o decreto da validade jur&iacute;dica demora meses.<\/p>\n<p> \tPosteriormente, o postulador romano tem acesso &agrave; c&oacute;pia p&uacute;blica e pode redigir a <em>Positio<\/em>, um documento que sintetiza entre 500 a mil p&aacute;ginas o que foi entregue na Congrega&ccedil;&atilde;o. Tem de ser um documento muito bem feito porque nos d&aacute; as virtudes principais de L&uacute;cia de Jesus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; H&aacute; dois dados importantes. Um sobre a Irm&atilde; L&uacute;cia que se encontra em fase prim&aacute;ria. O outro &eacute; a canoniza&ccedil;&atilde;o de Jacinta e Francisco. Nesta maratona, a canoniza&ccedil;&atilde;o dos dois pastorinhos est&aacute; mesmo na reta final. O papa vai trazer novidades no pr&oacute;ximo m&ecirc;s de maio?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> O Papa pode trazer novidades. Eu n&atilde;o sei. De facto, o estudo do milagre prossegue, mas ainda n&atilde;o est&aacute; conclu&iacute;do. Falta a an&aacute;lise de uma comiss&atilde;o. Caber&aacute; ao Papa decidir onde e quando quer anunciar e fazer a canoniza&ccedil;&atilde;o. A ocorr&ecirc;ncia deste presum&iacute;vel milagre &ndash; &eacute; assim que me tenho de referir a ele, pois ainda n&atilde;o est&aacute; dito que &eacute; um milagre.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Milagre que, no seu entender, tem todas as condi&ccedil;&otilde;es para ser validado?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Sim, tem todas as condi&ccedil;&otilde;es. Por isso &eacute; que eu decidi come&ccedil;ar a estud&aacute;-lo. Acredito nele desde o in&iacute;cio. Quando chegaram &agrave; postula&ccedil;&atilde;o, h&aacute; quatro anos, os primeiros documentos, fui investigar e pareceu-me que tinha condi&ccedil;&otilde;es para ser estudado e aprofundado.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Estamos a falar de uma crian&ccedil;a brasileira?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Sim, uma crian&ccedil;a do Brasil. Se for este o milagre aprovado que nos conduz &agrave; canoniza&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; um milagre muito bonito. Duas crian&ccedil;as cuidam de uma crian&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E o Papa Francisco pode anunciar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Pode. Da parte da postula&ccedil;&atilde;o fizemos e prepar&aacute;mos tudo para que fosse poss&iacute;vel este ano. As comiss&otilde;es, em Roma, est&atilde;o a estudar e, de facto, est&aacute; a correr bem. Falta concluir o estudo. Tenho fortes expetativas e esperan&ccedil;a que v&aacute; acontecer este ano, em 2017, a canoniza&ccedil;&atilde;o do Francisco e da Jacinta. Ser&aacute; o papa Francisco a escolher quando anunciar e onde fazer.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A festa de maio tem a garantia da presen&ccedil;a do Papa Francisco. O santu&aacute;rio de F&aacute;tima poder&aacute; viver outra festa em outubro, a 12 e 13?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Poder&aacute; viver ao longo deste ano. De facto, depende mesmo do santo Padre. As condi&ccedil;&otilde;es est&atilde;o criadas e se a pr&oacute;xima comiss&atilde;o der o seu parecer positivo, as condi&ccedil;&otilde;es est&atilde;o criadas para que o santo Padre tome a decis&atilde;o quando entender.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Estamos a conversar no Dia Internacional da Mulher. Podemos dizer que a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; tem um lado feminino?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Atrav&eacute;s de Nossa Senhora e pela L&uacute;cia. S&atilde;o as duas grandes figuras femininas que atravessam a mensagem. A figura materna da Virgem Maria, m&atilde;e de Jesus, da Igreja e de cada um de n&oacute;s, por um lado, e a forma feminina de a Virgem se exprimir com palavras t&atilde;o bonitas como as que dirige &agrave; L&uacute;cia &laquo;N&atilde;o tenhas medo, eu nunca te deixarei&raquo;; &laquo;O meu cora&ccedil;&atilde;o ser&aacute; o teu ref&uacute;gio&raquo; &#8211; esta forma t&atilde;o bonita de exprimir a verdade do Evangelho. Por outro lado a Irm&atilde; L&uacute;cia, mulher que fica mais tempo com uma dimens&atilde;o importante e um protagonismo especial em toda a Mensagem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Destaca tamb&eacute;m o lugar da mulher na Igreja?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> &Eacute; uma dimens&atilde;o que podemos concluir. A irm&atilde; L&uacute;cia vibra, nos seus escritos, quando o Papa Paulo VI atribuiu o t&iacute;tulo de Doutora da Igreja a Santa Teresa de &Aacute;vila. Ela j&aacute; era carmelita e vibra com isso. Percebe que a mulher tem este espa&ccedil;o dentro da Igreja, na participa&ccedil;&atilde;o pelo batismo no sacerd&oacute;cio, tem esta miss&atilde;o de anunciar o Evangelho e a Boa Nova. A Igreja estava a reconhecer isso, n&atilde;o apenas no II Conc&iacute;lio Vaticano, mas atribuindo o t&iacute;tulo de Doutora da Igreja a Teresa de &Aacute;vila. L&uacute;cia sente-se mais confort&aacute;vel com o seu minist&eacute;rio de espalhar a mensagem de F&aacute;tima, ainda que com os seus limites pr&oacute;prios da clausura.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E os Papas? Que pap&eacute;is desempenham na &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;? Paulo VI, Jo&atilde;o Paulo II, Bento XVI? O papa Francisco vir&aacute; em maio&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Na minha opini&atilde;o, come&ccedil;a mais cedo e com um fen&oacute;meno interessante com Pio XI. Sublinho este facto porque autenticou, ainda que indiretamente, o fen&oacute;meno que estava a acontecer.<\/p>\n<p> \tEm 1929, estamos a falar do ano anterior &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o por parte de D. Jos&eacute; Alves Correia, o papa Pio XI benze uma imagem de Nossa Senhora de F&aacute;tima, que estava no Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s, em Roma feita pelo escultor Jos&eacute; Ferreira Thedim que fez a escultura de Nossa Senhora da capelinha. Este sinal &eacute; uma aprova&ccedil;&atilde;o impl&iacute;cita daquele acontecimento.<\/p>\n<p> \tPio XII tem uma grande rela&ccedil;&atilde;o com F&aacute;tima. &Eacute; o primeiro a considerar-se o Papa de F&aacute;tima, n&atilde;o s&oacute; porque Eugenio Pacelli foi ordenado bispo a 13 de maio de 1917, ele fica com uma liga&ccedil;&atilde;o forte afetiva ao acontecimento F&aacute;tima, mas &eacute; o primeiro Papa a tentar cumprir o pedido de L&uacute;cia sobre a consagra&ccedil;&atilde;o do mundo ao Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria. H&aacute; uma c&eacute;lebre fotografia em que, acompanhado pelo seu secret&aacute;rio Montini, Pio XII ao microfone da r&aacute;dio, fala aos portugueses sobre isto.<\/p>\n<p> \tA partir de Paulo VI, a grande liga&ccedil;&atilde;o dos Papas a F&aacute;tima &eacute; a sua presen&ccedil;a. A sua presen&ccedil;a &eacute; uma aprova&ccedil;&atilde;o e um exprimir a aten&ccedil;&atilde;o da Igreja ao que aqui foi sucedendo.<\/p>\n<p> \tJo&atilde;o Paulo II tem uma hist&oacute;ria &uacute;nica &ndash; seria mais um cap&iacute;tulo que fal&aacute;vamos no livro sobre a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>AE<\/strong> &ndash; Jo&atilde;o Paulo II tinha uma grande devo&ccedil;&atilde;o mariana&hellip;<\/p>\n<p> \t<strong>AC<\/strong> &ndash; Verdade e o seu lema &eacute; <em>Totus Tuus,<\/em> mas o seu plano pastoral para a Igreja universal n&atilde;o inclu&iacute;a F&aacute;tima, at&eacute; &agrave;quele dia 13 de maio de 1981&hellip; Depois de despertar na cl&iacute;nica Gemelli e percebendo a gravidade do sucedido, atribuiu imediatamente &agrave; prote&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora de F&aacute;tima o desfecho diferente do previsto que era a sua morte. Ele diz: &laquo;o Papa parou no limiar da morte devido &agrave;quela m&atilde;o materna que desviou a bala&raquo;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Aos olhos da raz&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil de entender. A m&atilde;o de Nossa Senhora desviar uma bala&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> &Eacute; uma linguagem simb&oacute;lica. O Papa quando fala na m&atilde;o, fala em todo o ser da Virgem Maria que o protege. &Eacute; bonito perceber que, atribuindo a ela uma prote&ccedil;&atilde;o especial, estende a intercess&atilde;o a milh&otilde;es de peregrinos que ao longo dos anos passam pelo santu&aacute;rio e rezam pelo Papa porque desde o in&iacute;cio a figura do sucessor de Pedro foi importante na Mensagem de F&aacute;tima. Mas muito antes de se conhecer a terceira parte do Segredo j&aacute; aqui se rezava pelo Papa e o amor da Jacinta pelo Papa &eacute; conhecido desde o in&iacute;cio, ainda que n&atilde;o se soubesse o segredo.<\/p>\n<p> \tQuando o Papa fala na m&atilde;o &eacute; numa linguagem metaf&oacute;rica que representa a prote&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora. &Eacute; interessante que ele fala na m&atilde;o e &eacute; na m&atilde;o que ela traz o ros&aacute;rio. A ora&ccedil;&atilde;o que mais se reza em F&aacute;tima &eacute; o ros&aacute;rio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E o cardeal Ratzinger, Bento XVI, que escreveu o coment&aacute;rio teol&oacute;gico &agrave; terceira parte do segredo.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;F<\/em>oi fundamental. Eu costumava pensar que Jo&atilde;o Paulo II entra em F&aacute;tima pelo cora&ccedil;&atilde;o e depois vai intelectualizar F&aacute;tima. O cardeal Ratzinger foi diferente: entra intelectualmente e, em 2010 quando vem &agrave; Cova da Iria, &eacute; o cora&ccedil;&atilde;o que &eacute; apanhado pela express&atilde;o de carinho da multid&atilde;o a 13 de maio. Penso que naquela altura, ele precisava dessa manifesta&ccedil;&atilde;o carinhosa.<\/p>\n<p> \tDevemos muito ao cardeal Ratzinger. &Eacute; curioso que a L&uacute;cia escreve no seu di&aacute;rio os encontros com cardeais, bispos, chefes de estado ou pessoas da cultura, n&atilde;o o nome, mas os encontros e sinto que o faz para proteger a pessoa. Exceto com o cardeal Ratzinger&hellip;. Regista a conversa em outubro de 1996, no contexto da sua vinda &agrave; Cova da Iria. Ela regista que as pessoas presentes lhe perguntaram qual a ess&ecirc;ncia da mensagem, para onde apontava. E ela responde &laquo;Creio, na minha opini&atilde;o, que tudo na mensagem &eacute; para conduzir para a f&eacute;, para a esperan&ccedil;a e para a caridade&raquo;. Com simplicidade ela pergunta ao cardeal Ratzinger &laquo;Parece-lhe bem, sua emin&ecirc;ncia?&raquo; Ele, muito atentamente, diz-lhe &laquo;Sim, a irm&atilde; respondeu muito bem. &Eacute; isso mesmo&raquo;.<\/p>\n<p> \t&Eacute; interessante que esta mesma frase, no coment&aacute;rio ao segredo, no ano 2000, preparada pelo cardeal Ratzinger, ele regista o mesmo. &Eacute; bonito ver que depois ser&atilde;o estes os temas das enc&iacute;clicas de Bento XVI &ndash; a f&eacute;, a esperan&ccedil;a e a caridade. Vejo nisto, o fio condutor do acontecimento F&aacute;tima.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A irm&atilde; &Acirc;ngela vibra com isto&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ai, vibro (risos). &Eacute; a minha vida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Quando foi a primeira vez que teve contacto com a mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> No colo da minha m&atilde;e e nos bra&ccedil;os do meu pai. Eu cresci a ver os meus pais de joelhos diante da imagem de Nossa Senhora de F&aacute;tima a rezar o ter&ccedil;o. Para uma crian&ccedil;a de nove anos a figura do pai &eacute; sempre importante. O meu era dono de uma empresa, com funcion&aacute;rios a seu cargo. Para mim o meu pai era mesmo muito importante porque mandava naquelas pessoas. Ver aquele homem de joelhos diante daquela imagem fazia-me pensar que ela &eacute; que devia ser mesmo importante. Lembro-me destes racioc&iacute;nios&hellip;<\/p>\n<p> \tNossa Senhora era membro da casa, assim como Jesus. Havia um crucifixo lind&iacute;ssimo. Foi com os meus pais que eu aprendi quem era Nossa senhora de F&aacute;tima. Era uma devo&ccedil;&atilde;o muito s&eacute;ria porque os meus pais gostavam de estudar, informar-se e conhecer. Tinham uma viv&ecirc;ncia muito coerente da vida crist&atilde;. Rez&aacute;vamos todos os dias o ter&ccedil;o em fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que &eacute; que os seus pacientes lhe ensinam sobre a Mensagem de F&aacute;tima?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> A confian&ccedil;a, a serenidade, alguns deles que o sofrimento n&atilde;o &eacute; in&uacute;til e em v&atilde;o, ainda que conduza &agrave; morte.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Mesmo alguns n&atilde;o crentes?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Alguns n&atilde;o crentes n&atilde;o mo ensinam explicitamente relativamente a F&aacute;tima. Para alguns n&atilde;o crentes a vida est&aacute; resolvida. Est&atilde;o a caminho do nada, da morte que &eacute; o fim.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Ou de uma pergunta&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ou de uma pergunta. Alguns n&atilde;o crentes naquele momento colocam a pergunta. A vulnerabilidade dos doentes ensina-me a ser atenta, presente, a tentar dar respostas, respeitar o percurso que cada um faz. Estimulam-me muito &agrave; compaix&atilde;o.<\/p>\n<p> \tQuando vejo um doente penso muito na Jacinta. &Eacute; quem mais me ensina a cuidar dos meus pacientes, porque esteve muito sozinha no hospital. O contacto com a morte sempre me coloca quest&otilde;es interessantes e faz-me pensar o quanto posso ser express&atilde;o da ternura que sinto na &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;, esta companhia que sinto que Nossa Senhora &eacute; na minha vida, o quanto posso ser para estes doentes a presen&ccedil;a terna e esta companhia serena.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Como consegue dialogar entre a face da ci&ecirc;ncia e a f&eacute;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> No meu interior? N&atilde;o s&atilde;o incompat&iacute;veis nem est&atilde;o sempre em contradi&ccedil;&atilde;o. Houve momentos em que era mais dif&iacute;cil. O meio acad&eacute;mico m&eacute;dico n&atilde;o &eacute; o mais crente entre os meios universit&aacute;rios. Nessa altura eu colocava quest&otilde;es. Hoje convivo muito pacificamente. O mist&eacute;rio est&aacute; sempre presente quer na ci&ecirc;ncia como na f&eacute;. Eu sou a mesma pessoa, a crente e a m&eacute;dica. N&atilde;o s&atilde;o duas pessoas. Eu gosto muito da express&atilde;o de Jo&atilde;o Paulo II na Carta enc&iacute;clica <em>Fides et Ratio<\/em> porque me ajuda a perceber isto: &laquo;a raz&atilde;o e a f&eacute; s&atilde;o duas asas pelos quais se eleva o pensamento humano&raquo;. Uma sem outra n&atilde;o sobrevive. Mais do que o conflito entre a f&eacute; e a ci&ecirc;ncia eu vejo a sinergia entre ambas.<\/p>\n<p> \tGra&ccedil;as a Deus vivo numa &eacute;poca em que a Igreja j&aacute; admitiu que n&atilde;o tem resposta para tudo. A ci&ecirc;ncia tem o seu lugar para dar respostas que competem &agrave; ci&ecirc;ncia e n&atilde;o &agrave; f&eacute;.<\/p>\n<p> \tAs quest&otilde;es essenciais s&atilde;o comuns: de onde venho, quem sou eu, para onde vou, qual o sentido da minha exist&ecirc;ncia. Isto &eacute; comum ao crente e ao n&atilde;o crente. As respostas s&atilde;o diferentes mas n&atilde;o t&ecirc;m de ser incompat&iacute;veis, n&atilde;o podem ser incompat&iacute;veis.<\/p>\n<p> \tA f&eacute; d&aacute;-me um sentido e isso, sim, a ci&ecirc;ncia n&atilde;o me d&aacute;. A f&eacute; faz-me levantar o olhar sabendo que habito o mist&eacute;rio. Mas tamb&eacute;m a ci&ecirc;ncia sabe isso e os cientistas t&ecirc;m um grande sentido de humildade e, muito menos, a resposta &uacute;ltima para tudo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Para isso existem os milagres&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Tamb&eacute;m existem os milagres. Mas, s&oacute; para concluir a quest&atilde;o da ci&ecirc;ncia e da f&eacute;&hellip;. No mist&eacute;rio pode-se habitar, nas contradi&ccedil;&otilde;es &eacute; que n&atilde;o. O mist&eacute;rio que a f&eacute; me d&aacute; &eacute; habitado por mim, acompanhada por Cristo. Pode ser confort&aacute;vel mas &eacute; tamb&eacute;m desinstalador porque este Cristo n&atilde;o me deixa em paz no que em mim &eacute; ego&iacute;smo e busca pr&oacute;pria. Nem sempre Cristo facilita e conforta. Cristo exige, empurra e incomoda c&aacute; dentro, em especial dentro das minhas for&ccedil;as de idolatria e ego&iacute;smo. Esta sensa&ccedil;&atilde;o de que a f&eacute; &eacute; uma capinha que tudo protege e conforta n&atilde;o &eacute; verdade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Os milagres podem ajudar a explicar as d&uacute;vidas que os m&eacute;dicos possam ter&hellip; Se &eacute; milagre nem a ci&ecirc;ncia sabe explicar&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Nunca uma comiss&atilde;o de m&eacute;dicos me diz que &eacute; milagre. Uma comiss&atilde;o de m&eacute;dicos diz que de acordo com a arte m&eacute;dica atual a ci&ecirc;ncia n&atilde;o explica esta cura ou a forma como esta cura ocorreu, a velocidade ou a aus&ecirc;ncia de sintomas e sequelas.<\/p>\n<p> \tA ci&ecirc;ncia nunca me dir&aacute; que &eacute; milagre. A ci&ecirc;ncia diz-me se tem explica&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o. Quem me diz que &eacute; milagre &eacute; a Teologia. S&atilde;o duas &aacute;reas diferentes. N&atilde;o &eacute; correto dizer que a ci&ecirc;ncia reconhece o milagre. Provavelmente pela minha forma&ccedil;&atilde;o, estes dois campos estiveram muito claros, desde o in&iacute;cio. Eu como m&eacute;dica, procurava um evento, fosse de cura ou n&atilde;o, em que a arte m&eacute;dica atual n&atilde;o tivesse explica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Nessa altura quem fala mais alto? A m&eacute;dica ou a religiosa?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Talvez a religiosa. A m&eacute;dica tamb&eacute;m teve o seu percurso a fazer. A quest&atilde;o dos milagres, para a minha parte crente, n&atilde;o oferece quest&atilde;o. Para a parte cient&iacute;fica sim. Quando estudamos medicina fazemo-lo para explicar, tratar, para a vida, para o conforto e, se n&atilde;o conseguirmos dar mais vida, para aliviar o sofrimento da pessoa. A morte n&atilde;o se tira. Como m&eacute;dica, tive de fazer o meu caminho. Confesso que fui ajudada por Jesus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A Igreja ainda n&atilde;o percebeu todas as vertentes que a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; pode trazer &agrave; pastoral?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Tem sido um crescente&hellip;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; H&aacute; sectores da pastoral que podem crescer mais &agrave; luz da mensagem?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Acho que sim. Foi claro, quando decorreu a viagem da Virgem peregrina pelas dioceses portuguesas, em 2015\/2016, o poder atrativo desta imagem e a mensagem.<\/p>\n<p> \tObviamente, que conhecer a mensagem implica estudo, dedica&ccedil;&atilde;o e aprofundar, em particular pelos agentes da pastoral. Os bispos ficaram mais sensibilizados, os sacerdotes, os catequistas, pessoas respons&aacute;veis pela liturgia. Se nos dedicarmos e aprofundarmos percebemos um grande potencial evangelizador, porque quase todas as tem&aacute;ticas est&atilde;o concretizadas na &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo;. Servindo-se do poder atrativo de Nossa senhora podemos chegar ao essencial do evangelho.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Em que &aacute;reas?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> A pastoral infantil parece-me um campo com muito potencial, em especial na vida sacramental. O Francisco e a Jacinta, nesta faixa et&aacute;ria, s&atilde;o modelos para a vida. A vida eucar&iacute;stica, mas tamb&eacute;m a dimens&atilde;o caritativa. A entrega ao outro atrav&eacute;s de gestos simples de partilha. Os pastorinhos s&atilde;o modelos para o desenvolvimento da caridade, da partilha e da vida de intimidade com Deus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E Na pastoral familiar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &#8211;<\/em> &Eacute; algo em que podemos crescer e aprender mais. Foi na vida familiar que os pastorinhos aprenderam os grandes valores crist&atilde;os, n&atilde;o foram trazidos por Nossa Senhora. Viveram-nos, sim, agora com outra profundidade e sentido. Sabemos, por exemplo, que antes das Apari&ccedil;&otilde;es, rezavam o ter&ccedil;o a correr&hellip;mas sabiam o que era o ter&ccedil;o e rezavam-no. O contexto, os la&ccedil;os e estrutura familiar &eacute; o primeiro solo em que a f&eacute; se desenvolve.<\/p>\n<p> \tNos jovens, eu entraria em dimens&otilde;es da mensagem, por exemplo, na radicalidade e seguimento de Cristo. Encontrar est&iacute;mulos para o compromisso &eacute; algo que se encontra na mensagem.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A mensagem de F&aacute;tima apela tamb&eacute;m a valores ecol&oacute;gicos. Podemos dizer que a azinheira na esplanada no santu&aacute;rio &eacute; um sinal disso. Se a azinheira falasse, o que diria ao longo destes 100 anos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Ela n&atilde;o foi s&oacute; testemunha de um acontecimento, h&aacute; que a preservar, que &eacute; express&atilde;o de uma vida que Deus nos d&aacute; para guardarmos. Aquela azinheira est&aacute; protegida. Se n&atilde;o estivesse, j&aacute; ali n&atilde;o estava. &Eacute; um apelo &agrave; prote&ccedil;&atilde;o que temos de cuidar do planeta que foi dado por Deus e se n&atilde;o cuidarmos n&atilde;o sobrevive.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Aquela azinheira j&aacute; assistiu a muito sofrimento e alegria&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> J&aacute; absorveu, como met&aacute;fora, do Deus que nos acolhe. Se falasse contaria muitos dos segredos dos cora&ccedil;&otilde;es que por ali passam.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que &eacute; que a azinheira vai dizer em 2117?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Penso que F&aacute;tima vai continuar a ser um local onde peregrinam as dores e as alegrias do cora&ccedil;&atilde;o humano dos que aqui v&ecirc;m em busca de Nossa Senhora e da dimens&atilde;o comunit&aacute;ria da f&eacute;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Em 2117, a azinheira pode n&atilde;o estar ali, mas a &laquo;Mensagem de F&aacute;tima&raquo; continua cada vez mais na vida dos peregrinos<\/em><\/p>\n<p> \t<em>AC &ndash;<\/em> Acho que sim. Tal como o Evangelho que 2000 anos depois parece ainda mais vivo do que quando foi escrito nos primeiros s&eacute;culos. A Mensagem de F&aacute;tima fala ao ser humano, que busca respostas para se entender, para entender a sua exist&ecirc;ncia na Terra.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em style=\"text-align: -webkit-right;\">Entrevista conduzida por L&iacute;gia Silveira e Luis Filipe Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A postuladora da causa de canoniza\u00e7\u00e3o dos Beatos Francisco e Jacinta Marto admitiu \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que o Papa traga &#8220;novidades&#8221; sobre a canoniza\u00e7\u00e3o dos dois pastorinhos, durante a sua visita a F\u00e1tima. 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