{"id":8105,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/futebol-ao-rubro\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"futebol-ao-rubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/futebol-ao-rubro\/","title":{"rendered":"Futebol ao rubro"},"content":{"rendered":"<p>Tornou-se praticamente causa perdida separar o desporto profissional \u2013 mormente o futebol \u2013 de uma grande empresa com \u201caccionistas\u201d que todas as semanas realizam, em pleno est\u00e1dio, a sua \u201cassembleia geral\u201d, com votos expressos de apoio e protesto. Os clubes s\u00e3o Sades que ningu\u00e9m se atreve a contestar por falta de imagina\u00e7\u00e3o para criar outros meios de sobreviv\u00eancia, com nomes mais po\u00e9ticos ou desportivos. O desporto converte-se, assim, em empresa de espect\u00e1culo, com os seus atletas que, de arena em arena, v\u00e3o tentando imolar outras v\u00edtimas at\u00e9 que, cumprido o calend\u00e1rio, um \u00e9 aclamado rei pelo somat\u00f3rio de vit\u00f3rias conquistadas.  Nada tem de ir\u00f3nico esta breve cr\u00f3nica. O desporto inscreve-se na lista dos temas n\u00e3o racionais mas nobres, da vida, desenvolvidos pelos povos ao longo dos tempos. E \u00e9 t\u00e3o leg\u00edtimo como a arte e as representa\u00e7\u00f5es que preenchem o l\u00fadico, o imagin\u00e1rio, o est\u00e9tico e o competitivo do ser humano. Do nosso lado nem temos muito a queixar-nos. Governantes e governados, oper\u00e1rios e camponeses, soldados e marinheiros, intelectuais e iletrados, ricos e pobres, vestem a mesma camisola e defendem as suas cores com semelhante paix\u00e3o e muito poucas variantes de vocabul\u00e1rio. E assim os jornais, r\u00e1dios e televis\u00f5es d\u00e3o todo o tempo, meios e aten\u00e7\u00e3o aos eventos desportivos. Possivelmente apenas as mulheres \u2013 cada vez menos \u2013 olham este todo com um sorriso complacente, cientes de que muitos dos berros que escutam contra os \u00e1rbitros e advers\u00e1rios desportivos s\u00e3o pedras atiradas janela fora que nem partem vidros do vizinho nem voltam para tr\u00e1s. Com tudo isso, o futebol \u00e9 uma grande festa. Sentimo-lo particularmente no \u00faltimo Euro. Todos do mesmo lado, no fracasso como no \u00eaxito, do desporto extra\u00edmos o melhor que ele pode dar como espect\u00e1culo, festa ou catarse exorci-zante das nossas rotinas. Os nossos dirigentes desportivos t\u00eam responsabilidades \u00e9ticas e sociais na gest\u00e3o da complexidade dos mecanismos humanos que o futebol envolve. N\u00e3o lhes compete esmorecer o entusiasmo dos adeptos. Mas n\u00e3o o podem alimentar \u00e0 custa de quez\u00edlias prim\u00e1rias que podem gerar graves explos\u00f5es, de consequ\u00eancias imprevis\u00ed-veis. Mesmo com os descontos que se d\u00e1 aos acervos de linguagem, h\u00e1 riscos que se n\u00e3o devem correr. A li\u00e7\u00e3o principal veio mais uma vez do povo. Mesmo sob os violentos fogos cruzados dos dirigentes, soube viver o futebol como festa, sobrevoando a agressividade das palavras e amea\u00e7as.  Ant\u00f3nio Rego<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tornou-se praticamente causa perdida separar o desporto profissional \u2013 mormente o futebol \u2013 de uma grande empresa com \u201caccionistas\u201d que todas as semanas realizam, em pleno est\u00e1dio, a sua \u201cassembleia geral\u201d, com votos expressos de apoio e protesto. Os clubes s\u00e3o Sades que ningu\u00e9m se atreve a contestar por falta de imagina\u00e7\u00e3o para criar outros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[187],"class_list":["post-8105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}