{"id":8103,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-accao-missionaria-dialogo-e-testemunho\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-accao-missionaria-dialogo-e-testemunho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-accao-missionaria-dialogo-e-testemunho\/","title":{"rendered":"A ac\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria: di\u00e1logo e testemunho"},"content":{"rendered":"<p>O Pe. Ant\u00f3nio Couto \u00e9 membro da Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos. \u00c0 Ag\u00eancia ECCLESIA fala dos novos caminhos para o an\u00fancio do Evangelho junto dos que n\u00e3o o conhecem ou n\u00e3o o vivem <!--more--> <i>Ag\u00eancia ECCLESIA \u2013 Primeiro an\u00fancio, nova evangeliza\u00e7\u00e3o, reevangeli-za\u00e7\u00e3o, primeira evangeliza\u00e7\u00e3o. A terminologia utilizada para definir a ac\u00e7\u00e3o da Igreja pode parecer confusa nesta mat\u00e9ria, ou n\u00e3o?<\/i> Pe. Ant\u00f3nio Couto &#8211; Acho que n\u00e3o. Desde a enc\u00edclica Redemptoris Missio, de 1990, Jo\u00e3o Paulo II clarifica claramente a linguagem em tr\u00eas pontos (cf. n\u00ba 33, ndr): o primeiro tem a ver com os contextos socio-culturais onde Cristo e o Evangelho n\u00e3o s\u00e3o conhecidos, a t\u00edpica miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d; o segundo tem a ver com as comunidades crist\u00e3s s\u00f3lidas e estabe-lecidas, uma esp\u00e9cie de \u201cservi\u00e7o de manuten\u00e7\u00e3o\u201d; por \u00faltimo, h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o mista, referente a locais onde o Cristianismo existiu e hoje se est\u00e1 a diluir, onde h\u00e1 lugar para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, como na Europa. A terminologia de \u201cprimeiro an\u00fancio\u201d foi criada no S\u00ednodo dos Bispos de 1974, e tinha a ver com os povos que n\u00e3o conhecem a figura de Jesus. Hoje o que n\u00f3s podemos dizer \u00e9 que \u00e9 preciso insistir nos tr\u00eas pontos.  <i>AE \u2013 H\u00e1 a consci\u00eancia, dentro da Igreja, da especificidade destes trabalhos?<\/i> AC &#8211; Bem, estes compartimentos n\u00e3o s\u00e3o estanque. N\u00e3o h\u00e1 zonas do mapa pintadas de cores diferentes, com fronteiras cavadas: \u00e9 preciso que estes tr\u00eas campos de ac\u00e7\u00e3o sejam interligados. O que parece cada vez mais necess\u00e1rio, e \u00e9 isso que choca muita gente, \u00e9 estar sempre atentos ao que se chama primeiro an\u00fancio, mesmo nos territ\u00f3rios da antiga Cristandade, onde h\u00e1 gente que nunca ouviu falar de Cristo. Depois, \u00e9 preciso notar que no final do Conc\u00edlio Vaticano II havia 2 mil milh\u00f5es de pessoas que n\u00e3o conheciam Jesus. Hoje, com o crescimento populacional, esse n\u00famero j\u00e1 vai nos 4 mil milh\u00f5es e com tend\u00eancia a aumentar: praticamente 2\/3 da popula\u00e7\u00e3o mundial t\u00eam pouco ou nada a ver com o Cristianismo. Penso que, nos tempos que correm, podemos constatar que o mundo n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o e imp\u00f5e-se, cada vez mais, a miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d.  <i>AE \u2013 Continua a ser a miss\u00e3o \u201cad gentes\u201d a cativar mais pessoas dentro da Igreja?<\/i> AC &#8211; Essa \u00e9 uma voca\u00e7\u00e3o fundamental e creio que nunca desaparecer\u00e1 porque a\u00ed est\u00e1 a pr\u00f3pria natureza da Igreja, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de mais ou menos verniz. A actividade mission\u00e1ria atinge o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da vida da Igreja e a Miss\u00e3o compete a todos os crist\u00e3os. Os leigos s\u00e3o enviados em Miss\u00e3o, n\u00e3o por nada de exterior, mas apenas pelo facto de serem baptizados. Ningu\u00e9m se pode demitir de testemunhar a sua f\u00e9, essa \u00e9 a palavra m\u00e1gica. Se isto algum dia morrer, \u00e9 a pr\u00f3pria Igreja que morre.  <i>AE \u2013 Os novos caminhos da Miss\u00e3o podem definir-se como uma ac\u00e7\u00e3o mais aberta ao di\u00e1logo e menos centrada nos n\u00fameros das convers\u00f5es?<\/i> AC &#8211; H\u00e1 uma nova fase da Miss\u00e3o que est\u00e1 a caminho, prefigurados em dois documentos: \u201cDi\u00e1logo e Miss\u00e3o\u201d, do antigo Secretariado para os N\u00e3o-Crentes e \u201cDi\u00e1logo e An\u00fancio\u201d, do Conselho Pontif\u00edcio para o Di\u00e1logo Inter-Religioso em conjunto com a Congrega\u00e7\u00e3o para a Evangeliza\u00e7\u00e3o dos Povos. Repare que nos dois documentos est\u00e1 presente a palavra di\u00e1logo e, de certo modo, estamos a mudar o regime da Miss\u00e3o. Antigamente, o mission\u00e1rio chegava, plantava no terreno uma cruz e obrigava as pessoas, quase, a baptizar-se.  <i>AE \u2013 A op\u00e7\u00e3o pelo di\u00e1logo veio mudar muita coisa?<\/i> AC &#8211; Isto quer dizer que o primeiro passo n\u00e3o ser\u00e1 nunca impor uma cultura ou uma Religi\u00e3o, nem sequer Cristo ou o Evangelho. O come\u00e7o \u00e9 falar, sabendo \u00e0 partida que j\u00e1 h\u00e1 nessa cultura as tais sementes do Evangelho de que a Igreja fala. A nova metodologia da Miss\u00e3o, que se aplica n\u00e3o s\u00f3 a campos mission\u00e1rios enquanto tal, mas em qualquer regi\u00e3o, implica que eu tenha de estar dispon\u00edvel para ir ter com uma pessoa e gastar com ela muito tempo. Esse \u00e9 um problema de fundo dos tempos que correm, mas \u00e9 por a\u00ed que hoje passa o Evangelho. Como sabe, o di\u00e1logo leva tempo: n\u00e3o h\u00e1 mais Miss\u00e3o apresada, com metodo-logia de implantar uma cruz e baptizar daqui a um m\u00eas. Eu diria, dando um passo em frente, que \u00e9 preciso come\u00e7ar por relatar e testemunhar. Relatar \u00e9 relacionar, criar la\u00e7os, o que era, no fundo, a t\u00e9cnica de S\u00e3o Paulo: quando ele relatava Cristo, relatava a sua vida de crist\u00e3o convertido, testemunhando com a sua vida que era verdade o que estava a dizer.  <i>AE \u2013 N\u00e3o bastaria anunciar?<\/i> AC &#8211; Eu penso que n\u00e3o basta anunciar, \u00e9 preciso relatar, com muito tempo, at\u00e9 que a minha vida seja exposta ao outro como testemunho de que eu aderi a Cristo e o outro compreenda. O relato \u00e9 fr\u00e1gil, o relato nunca se imp\u00f5e: quem ouve a minha hist\u00f3ria pode ou n\u00e3o ficar convencido. Esta \u00e9 a nova metodologia da Miss\u00e3o, contar a hist\u00f3ria de Cristo com a minha vida. Ou come\u00e7amos a arranjar tempo para ela, ou ent\u00e3o n\u00e3o teremos grandes hip\u00f3teses.  <i>AE \u2013 Esta metodologia j\u00e1 foi assumida no terreno, atrav\u00e9s da ac\u00e7\u00e3o dos mission\u00e1rios. Acredita que ser\u00e1 bem acolhida na Congrega\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 de que \u00e9 membro?<\/i> AC &#8211; Os documentos da Santa S\u00e9 j\u00e1 come\u00e7aram a falar desta tem\u00e1tica, nomeadamente os que citei. Penso que o pr\u00f3ximo passo ir\u00e1 falar do relato, necessariamente. O di\u00e1logo leva-me ao encontro da pessoa, mas esse encontro n\u00e3o \u00e9 um serm\u00e3o que fa\u00e7o para que as pessoas ou\u00e7am. O que vou expor \u00e9 a maneira de ver Jesus na minha vida e depois ouvir as pessoas, indo ao encontro de cada uma. A Igreja tem de inventar maneiras de encontrar pessoas dispon\u00edveis para irem ter com as pessoas e fazerem este grande relato de testemunho sobre Jesus Cristo. Desde o Conc\u00edlio Vaticano II que estas ideias t\u00eam sido lan\u00e7adas, mas onde falhamos \u00e9 na pr\u00e1tica. Sem isso, a Miss\u00e3o pode diluir-se cada vez mais e, em termos de n\u00fameros, estaremos sempre em grande desvantagem, a perder o mundo. Temos de come\u00e7ar j\u00e1! <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pe. 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