{"id":8101,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/da-missao-a-nova-evangelizacao\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"da-missao-a-nova-evangelizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/da-missao-a-nova-evangelizacao\/","title":{"rendered":"Da miss\u00e3o \u00e0 nova evangeliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Que Outubro seja o m\u00eas em que tradicionalmente se aprofunda o sentido da Miss\u00e3o da Igreja, resulta apenas de uma pr\u00e1tica convencional lan\u00e7ada por Pio XI, o \u201cPapa das Miss\u00f5es\u201d (t\u00edtulo que caberia tamb\u00e9m a Bento XV). Nesse tempo falava-se de \u201cMiss\u00f5es\u201d no plural, para designar a diversidade de tarefas ou \u201cObras\u201d que integravam o servi\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, mediante \u201cobreiros\u201d mission\u00e1rios que partiam da sua cultura para espa\u00e7os humanos de pouca presen\u00e7a crist\u00e3. Hoje afirmamos que poder\u00e1 dar-se o caso de irem sobretudo como sinais da inter-comunh\u00e3o eclesial, tornando-se dom da sua Igreja de origem a outras comunidades em que v\u00e3o servir. Falamos por isso de \u201cMiss\u00e3o ad extra\u201d e de interculturalidade mis-sion\u00e1ria. Por\u00e9m, ad extra ou ad intra, a Miss\u00e3o da Igreja \u00e9 sempre a mesma. Pode variar a terminologia e a acentua\u00e7\u00e3o circunstancial de um ou mais dos elementos que a comp\u00f5em. \u00c9 hoje ponto assente que n\u00e3o basta fundamentar a Miss\u00e3o no mandato mission\u00e1rio de Mat.28; por a\u00ed, ficar\u00edamos numa fundamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da Miss\u00e3o. O Conc\u00edlio colocou a fonte da Miss\u00e3o no amor auto-comunicante de Deus tri-uno. O seu conte\u00fado central identifica-se com Jesus Cristo, enviado, humanizado, profeta e Filho de Deus, morto e ressuscitado para levar a humanidade \u00e0 comunh\u00e3o de uns e outros e de todos com Deus. Al\u00e9m disso, a no\u00e7\u00e3o de Igreja como sacramento de Cristo leva-nos a entend\u00ea-la como continuadora da incarna\u00e7\u00e3o divina e da ressurrei\u00e7\u00e3o que o Filho de Deus lan\u00e7ou na hist\u00f3ria dos homens. Quer isso dizer que a Miss\u00e3o n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja em termos de caracter\u00edstica circunstancial, mas de propriedade da sua pr\u00f3pria ess\u00eancia. O Conc\u00edlio lembrou-nos que a Igreja se define, se quisermos uma descri\u00e7\u00e3o sint\u00e9tica, pelas din\u00e2micas de Comunh\u00e3o e de Miss\u00e3o. O Papa Paulo VI, na Exorta\u00e7\u00e3o Evangelii Nuntiandi de 1975, afirma que a evangeliza\u00e7\u00e3o define a mais funda natureza da Igreja. Evan-geliza\u00e7\u00e3o que \u00e9 an\u00fancio e proclama\u00e7\u00e3o de Cristo, que \u00e9 convers\u00e3o e resposta \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es existenciais do homem, que \u00e9 di\u00e1logo inter-religioso e fecunda\u00e7\u00e3o das culturas, que \u00e9 constitui\u00e7\u00e3o de comunidades humanas que sejam sacramento de Cristo. Enfim, Evangeliza\u00e7\u00e3o e Miss\u00e3o s\u00e3o tarefas nunca terminadas, pois que os tempos mudam, as gera\u00e7\u00f5es sucedem-se, a cultura vai-se diversificando. Por\u00e9m, se varia o objecto da Miss\u00e3o que s\u00e3o os homens, a sociedade e as culturas, a acentua\u00e7\u00e3o dos diferentes aspectos da Miss\u00e3o tem de ter em conta as caracter\u00edsticas de cada \u00e9poca ou fase da hist\u00f3ria. Com uma condi\u00e7\u00e3o: que no centro esteja sempre a pessoa e o mist\u00e9rio pascal de Jesus Cristo. Por aqui chegamos \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que o nosso tempo requer uma reada-pta\u00e7\u00e3o no modo de evangelizar, na linguagem e nos conte\u00fados a p\u00f4r em evid\u00eancia. O afrouxamento actual das barreiras culturais, facto que como que globaliza as express\u00f5es religiosas e cren\u00e7as da humanidade; o resvalar de algumas pr\u00e1ticas religiosas para uma no\u00e7\u00e3o vaga de Deus, permitindo a cada um fabricar a sua religi\u00e3o \u00e0 medida de si pr\u00f3prio; a ideia de que as antigas religi\u00f5es da natureza s\u00e3o mais humanizantes que as religi\u00f5es de revela\u00e7\u00e3o divina; a perda da sensibilidade religiosa, n\u00e3o obstante ela ter raiz, na opini\u00e3o de muitos, na pr\u00f3pria profundidade do ser humano; a teoria de que a pr\u00e1tica religiosa n\u00e3o deve sair do dom\u00ednio do privado; o distanciamento de tantos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 \u2013tudo isso s\u00e3o desafios que postulam o que Jo\u00e3o Paulo II tem chamado uma \u201cnova evan-geliza\u00e7\u00e3o\u201d. Pragmaticamente e sem receio de reducionismos, poder\u00edamos identificar, nas presentes circunst\u00e2ncias e no que toca ao hemisf\u00e9rio norte, Miss\u00e3o da Igreja e Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o (nova nos m\u00e9todos, no ardor mission\u00e1rio e nos conte\u00fados a destacar, explica Jo\u00e3o Paulo II). E a enc\u00edclica Redemptoris Missio acrescentava: \u00e9 importante marcar presen\u00e7a nos \u201cnovos are\u00f3pagos\u201d culturais do nosso tempo, l\u00e1 onde se definem os tra\u00e7os da cultura-ambiente, se forja a opini\u00e3o p\u00fablica, ou est\u00e3o em jogo a dignidade da pessoa e a salvaguarda dos seus direitos. V\u00e1rios riscos pode fazer correr, este desafio urgente da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o: no di\u00e1logo inter-religioso, o risco de calar o Evangelho por um mal entendido respeito pelo pluralismo religioso (risco que penso ser um facto na \u201cteologia do pluralismo religiosos\u201d de alguns meios teol\u00f3gicos anglo-americanos); no plano da visibilidade social, a tenta\u00e7\u00e3o de ceder \u00e0 ideia secularista de privatizar a religi\u00e3o; no plano do di\u00e1logo com a cultura, persist\u00eancia no velho triunfalismo de quem pensa saber tudo e n\u00e3o cuida de abrir os olhos aos caminhos novos do pensamento e do avan\u00e7o cient\u00edfico. Os novos desafios requerem respostas da Igreja como um todo \u2013 \u00e9 tarefa global: os Pastores, assegurando a comunh\u00e3o e a unidade eclesial, mas tamb\u00e9m promovendo o empenho mission\u00e1rio de todos; os te\u00f3logos, pensando a f\u00e9 e a sua formula\u00e7\u00e3o em linguagem compreens\u00edvel ao homem de hoje; todo o povo crist\u00e3o, testemunhando a vida nova em Cristo l\u00e1 onde cada um vive, trabalha e serve a comunidade. Mons. Jean Vernette, por longos anos Director da Comiss\u00e3o Episcopal francesa para a nova religiosidade, insistia no \u00faltimo artigo que escreveu antes do falecimento, uns dois anos atr\u00e1s: hoje \u00e9 tempo de falar de Deus, de anunciar Cristo (sem exclusi-vismo mas tamb\u00e9m sem receio); de cuidar que a f\u00e9 dos crist\u00e3os n\u00e3o fique bloqueada pelas objec\u00e7\u00f5es provenientes do crescente relativismo religioso e moral; tempo de n\u00e3o se deixar cantonar no espa\u00e7o privado de uma Igreja fechada sobre si pr\u00f3pria. E que a transmiss\u00e3o da f\u00e9 \u00e0queles que v\u00eam depois, pod\u00edamos acrescentar, os torne aptos a garantir a perenidade da Miss\u00e3o da Igreja, no tempo e circunst\u00e2ncias que ser\u00e3o os seus.  Pe. Manuel Gon\u00e7alves, C.S.Sp. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que Outubro seja o m\u00eas em que tradicionalmente se aprofunda o sentido da Miss\u00e3o da Igreja, resulta apenas de uma pr\u00e1tica convencional lan\u00e7ada por Pio XI, o \u201cPapa das Miss\u00f5es\u201d (t\u00edtulo que caberia tamb\u00e9m a Bento XV). 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