{"id":80811,"date":"2017-02-17T15:45:00","date_gmt":"2017-02-17T15:45:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2017\/02\/17\/ii-concilio-do-vaticano-quando-acabou-o-clima-de-asfixia-intelectual\/"},"modified":"2017-02-17T15:45:00","modified_gmt":"2017-02-17T15:45:00","slug":"ii-concilio-do-vaticano-quando-acabou-o-clima-de-asfixia-intelectual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ii-concilio-do-vaticano-quando-acabou-o-clima-de-asfixia-intelectual\/","title":{"rendered":"II Conc\u00edlio do Vaticano: Quando acabou o clima de asfixia intelectual"},"content":{"rendered":"<p>Dos livros mais censurados figuram os relativos \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja e \u00e0 exegese b\u00edblica. O Santo Of\u00edcio e a Comiss\u00e3o B\u00edblica (criada pelo Papa Le\u00e3o XIII para promover os estudos nesta \u00e1rea) encarregaram-se de excluir da leitura importantes obras publicadas na \u00faltima parte do s\u00e9culo XIX e in\u00edcios do s\u00e9culo passado. Quest\u00f5es vitais para a interpreta\u00e7\u00e3o de determinados livros b\u00edblicos (Pentateuco, Salmos, Isa\u00edas, Sin\u00f3pticos e S\u00e3o Jo\u00e3o) eram sempre objeto de grande vigil\u00e2ncia por parte dos respons\u00e1veis da Igreja. <!--more--> <\/p>\n<p> \tO II Conc&iacute;lio do Vaticano encerrou no m&ecirc;s de dezembro de 1965, mas s&oacute; no ano seguinte (14 de junho), se abria para muitos cat&oacute;licos uma nova fase com a aboli&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice dos livros proibidos.<\/p>\n<p> \tNa passada semana fiz refer&ecirc;ncia a livros de intelectuais e fil&oacute;sofos que foram apanhados na rede das proibi&ccedil;&otilde;es. Desta vez, irei entrar no campo da hist&oacute;ria da igreja, exegese e teologia. Os cat&aacute;logos dos livros proibidos come&ccedil;aram a surgir em Paris (1544); Veneza (1549); Lovaina (1550); Floren&ccedil;a (1552) e Mil&atilde;o (1554). Mas &ldquo;o primeiro &iacute;ndice de livros proibidos de origem papal s&oacute; aparece em 1559 quando presidia aos destinos da Igreja o Papa Paulo IV&rdquo; revela Manuel Augusto Rodrigues num artigo publicado no jornal &laquo;Correio de Coimbra&raquo; (22-08-96).<\/p>\n<p> \tDepois surgiram mais de 40 &iacute;ndices atualizados. A inquisi&ccedil;&atilde;o e os tribunais diocesanos representaram outro meio de controlar o livro e aquele que lia a obra. Em Portugal, o primeiro rol de livros defesos apareceu em 1547; em 1561, 1581 e 1642 foram promulgados outros &iacute;ndices expurgat&oacute;rios. Com o Papa Le&atilde;o XIII, dado o cada vez maior n&uacute;mero de livros proibidos, determinou-se (1896) que deixavam de o ser os que foram editados antes de 1600.<\/p>\n<p> \tNo caso de um livro ser proibido, os cat&oacute;licos n&atilde;o podiam l&ecirc;-lo nem edit&aacute;-lo, nem vend&ecirc;-lo ou guard&aacute;-lo. Semelhantes atitudes eram consideradas pecado e, por vezes, os seus promotores eram excomungados. Mas sucedia que uma pessoa podia pedir uma autoriza&ccedil;&atilde;o especial para ler determinado livro condenado por motivos especiais e ent&atilde;o o ordin&aacute;rio diocesano podia conceder a dispensa requerida. &ldquo;Os te&oacute;logos e fil&oacute;sofos eram os mais interessados em obter tal concess&atilde;o&rdquo;, escreveu Manuel Augusto Rodrigues.<\/p>\n<p> \tDos livros mais censurados figuram os relativos &agrave; hist&oacute;ria da Igreja e &agrave; exegese b&iacute;blica. O Santo Of&iacute;cio e a Comiss&atilde;o B&iacute;blica (criada pelo Papa Le&atilde;o XIII para promover os estudos nesta &aacute;rea) encarregaram-se de excluir da leitura importantes obras publicadas na &uacute;ltima parte do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cios do s&eacute;culo passado. Quest&otilde;es vitais para a interpreta&ccedil;&atilde;o de determinados livros b&iacute;blicos (Pentateuco, Salmos, Isa&iacute;as, Sin&oacute;pticos e S&atilde;o Jo&atilde;o) eram sempre objeto de grande vigil&acirc;ncia por parte dos respons&aacute;veis da Igreja.<\/p>\n<p> \tNo fundo era a busca da autenticidade da verdade revelada que se procurava por meio do contributo da raz&atilde;o e da ci&ecirc;ncia. Te&oacute;logos como Congar, Chenu, Rahner, Schillebeeckx e Kung merecem ser evocados neste contexto pelo corajoso trabalho desenvolvido tantas vezes sob o &ldquo;olhar c&eacute;ptico e at&eacute; mesmo condenat&oacute;rio de Roma&rdquo;, l&ecirc;-se no artigo citado. Com o desaparecimento do &iacute;ndice de livros proibidos em 1966 encerrou-se uma p&aacute;gina da hist&oacute;ria da Igreja que teve implica&ccedil;&otilde;es de v&aacute;ria ordem na vida das institui&ccedil;&otilde;es e das pessoas.<\/p>\n<p> \tDe notar que, em geral, os seus autores n&atilde;o tinham oportunidade de pessoalmente se poderem defender em Roma, esclarecendo, por exemplo equ&iacute;vocos de interpreta&ccedil;&atilde;o. A condena&ccedil;&atilde;o assentava apenas na obra escrita pelo seu autor. Um clima de asfixia intelectual pairava sobre os esp&iacute;ritos.<\/p>\n<p> \t<em>LFS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos livros mais censurados figuram os relativos \u00e0 hist\u00f3ria da Igreja e \u00e0 exegese b\u00edblica. 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