{"id":79429,"date":"2016-11-21T12:13:00","date_gmt":"2016-11-21T12:13:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2016\/11\/21\/carta-apostolica-misericordia-et-misera-do-papa-francisco\/"},"modified":"2020-01-17T13:21:52","modified_gmt":"2020-01-17T13:21:52","slug":"carta-apostolica-misericordia-et-misera-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-apostolica-misericordia-et-misera-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Carta apost\u00f3lica Misericordia et misera do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p> \tNO TERMO DO JUBILEU EXTRAORDIN&Aacute;RIO DA MISERIC&Oacute;RDIA<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<p> \ta quantos lerem esta Carta Apost&oacute;lica miseric&oacute;rdia e paz!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Misericordia<\/em> e<em> misera<\/em> s&atilde;o as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a ad&uacute;ltera (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;8, 1-11). N&atilde;o podia encontrar express&atilde;o mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mist&eacute;rio do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: &laquo;Ficaram apenas os dois: a mis&eacute;ria e a miseric&oacute;rdia&raquo;.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\" title=\"\">[1]<\/a> Quanta piedade e justi&ccedil;a divina nesta narra&ccedil;&atilde;o! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclus&atilde;o do Jubileu Extraordin&aacute;rio da Miseric&oacute;rdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t1. Esta p&aacute;gina do Evangelho pode, com justa raz&atilde;o, ser considerada como &iacute;cone de tudo o que celebr&aacute;mos no Ano Santo, um tempo rico em miseric&oacute;rdia, a qual pede para continuar a ser&nbsp;<em>celebrada e vivida<\/em>&nbsp;nas nossas comunidades. Com efeito, a miseric&oacute;rdia n&atilde;o se pode reduzir a um par&ecirc;ntese na vida da Igreja, mas constitui a sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, que torna vis&iacute;vel e palp&aacute;vel a verdade profunda do Evangelho. Tudo se revela na miseric&oacute;rdia; tudo se compendia no amor misericordioso do Pai.<\/p>\n<p> \tEncontraram-se uma mulher e Jesus: ela, ad&uacute;ltera e &ndash; segundo a Lei &ndash; julgada pass&iacute;vel de lapida&ccedil;&atilde;o; Ele que, com a sua prega&ccedil;&atilde;o e o dom total de Si mesmo que O levar&aacute; at&eacute; &agrave; cruz, reconduziu a Lei mosaica &agrave; sua genu&iacute;na inten&ccedil;&atilde;o origin&aacute;ria. No centro, n&atilde;o temos a lei e a justi&ccedil;a legal, mas o amor de Deus, que sabe ler no cora&ccedil;&atilde;o de cada pessoa incluindo o seu desejo mais oculto e que deve ter a primazia sobre tudo. Entretanto, nesta narra&ccedil;&atilde;o evang&eacute;lica, n&atilde;o se encontram o pecado e o ju&iacute;zo em abstrato, mas uma pecadora e o Salvador. Jesus fixou aquela mulher nos olhos e leu no seu cora&ccedil;&atilde;o: a&iacute; encontrou o desejo de ser compreendida, perdoada e libertada. A mis&eacute;ria do pecado foi revestida pela miseric&oacute;rdia do amor. Da parte de Jesus, nenhum ju&iacute;zo que n&atilde;o estivesse repassado de piedade e compaix&atilde;o pela condi&ccedil;&atilde;o da pecadora. A quem pretendia julg&aacute;-la e conden&aacute;-la &agrave; morte, Jesus responde com um longo sil&ecirc;ncio, cujo intuito &eacute; deixar emergir a voz de Deus, tanto na consci&ecirc;ncia da mulher como nas dos seus acusadores. Estes deixam cair as pedras das m&atilde;os e v&atilde;o-se embora um a um (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;8, 9). E, depois daquele sil&ecirc;ncio, Jesus diz: &laquo;Mulher, onde est&atilde;o eles? Ningu&eacute;m te condenou? (&#8230;) Tamb&eacute;m Eu n&atilde;o te condeno. Vai e de agora em diante n&atilde;o tornes a pecar&raquo; (8, 10.11). Desta forma, ajuda-a a olhar para o futuro com esperan&ccedil;a, pronta a recome&ccedil;ar a sua vida; a partir de agora, se quiser, poder&aacute; &laquo;proceder com amor&raquo; (<em>Ef<\/em>&nbsp;5, 2). Depois que se revestiu da miseric&oacute;rdia, embora permane&ccedil;a a condi&ccedil;&atilde;o de fraqueza por causa do pecado, tal condi&ccedil;&atilde;o &eacute; dominada pelo amor que permite olhar mais al&eacute;m e viver de maneira diferente.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t2. Ali&aacute;s Jesus ensinara-o claramente quando, em casa dum fariseu que O convidara para almo&ccedil;ar, se aproximou d&rsquo;Ele uma mulher conhecida por todos como pecadora (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;7, 36-50). Esta ungira com perfume os p&eacute;s de Jesus, banhara-os com as suas l&aacute;grimas e enxugara-os com os seus cabelos (cf. 7, 37-38). &Agrave; rea&ccedil;&atilde;o escandalizada do fariseu, Jesus retorquiu: &laquo;S&atilde;o perdoados os seus muitos pecados, porque muito amou; mas &agrave;quele a quem pouco se perdoa, pouco ama&raquo; (7, 47).<\/p>\n<p> \tO&nbsp;<em>perd&atilde;o<\/em>&nbsp;&eacute; o sinal mais vis&iacute;vel do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. N&atilde;o h&aacute; p&aacute;gina do Evangelho que possa ser subtra&iacute;da a este imperativo do amor que chega at&eacute; ao perd&atilde;o. At&eacute; nos &uacute;ltimos momentos da sua exist&ecirc;ncia terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perd&atilde;o: &laquo;Perdoa-lhes, Pai, porque n&atilde;o sabem o que fazem&raquo; (<em>Lc<\/em>&nbsp;23, 34).<\/p>\n<p> \tNada que um pecador arrependido coloque diante da miseric&oacute;rdia de Deus pode ficar sem o abra&ccedil;o do seu perd&atilde;o. &Eacute; por este motivo que nenhum de n&oacute;s pode p&ocirc;r condi&ccedil;&otilde;es &agrave; miseric&oacute;rdia; esta permanece sempre como um ato de gratuidade do Pai celeste, um amor incondicional e n&atilde;o merecido. Por isso, n&atilde;o podemos correr o risco de nos opor &agrave; plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa.<\/p>\n<p> \tA miseric&oacute;rdia &eacute; esta a&ccedil;&atilde;o concreta do amor que, perdoando, transforma e muda a vida. &Eacute; assim que se manifesta o seu mist&eacute;rio divino. Deus &eacute; misericordioso (cf.&nbsp;<em>Ex<\/em>&nbsp;34, 6), a sua miseric&oacute;rdia &eacute; eterna (cf.&nbsp;<em>Sal<\/em>&nbsp;136\/135), de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o abra&ccedil;a cada pessoa que confia n&rsquo;Ele e transforma-a, dando-lhe a sua pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t3. Quanta alegria brotou no cora&ccedil;&atilde;o destas duas mulheres: a ad&uacute;ltera e a pecadora! O perd&atilde;o f&ecirc;-las sentirem-se, finalmente, livres e felizes como nunca antes. As l&aacute;grimas da vergonha e do sofrimento transformaram-se no sorriso de quem sabe que &eacute; amado. A miseric&oacute;rdia suscita&nbsp;<em>alegria<\/em>, porque o cora&ccedil;&atilde;o se abre &agrave; esperan&ccedil;a duma vida nova. A alegria do perd&atilde;o &eacute; indescrit&iacute;vel, mas transparece em n&oacute;s sempre que a experimentamos. Na sua origem, est&aacute; o amor com que Deus vem ao nosso encontro, rompendo o c&iacute;rculo de ego&iacute;smo que nos envolve, para fazer tamb&eacute;m de n&oacute;s instrumentos de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \tComo s&atilde;o significativas, tamb&eacute;m para n&oacute;s, estas palavras antigas que guiavam os primeiros crist&atilde;os: &laquo;Reveste-te de alegria, que &eacute; sempre agrad&aacute;vel a Deus e por Ele bem acolhida. Todo o homem alegre trabalha bem, pensa bem e despreza a tristeza. (&#8230;) Viver&atilde;o em Deus todas as pessoas que afastam a tristeza e se revestem de toda a alegria&raquo;.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\" title=\"\">[2]<\/a>&nbsp;Experimentar a miseric&oacute;rdia d&aacute; alegria; n&atilde;o no-la deixemos roubar pelas v&aacute;rias afli&ccedil;&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es. Que ela permane&ccedil;a bem enraizada no nosso cora&ccedil;&atilde;o e sempre nos fa&ccedil;a olhar com serenidade a vida do dia-a-dia.<\/p>\n<p> \tNuma cultura frequentemente dominada pela tecnologia, parecem multiplicar-se as formas de tristeza e solid&atilde;o em que caem as pessoas, incluindo muitos jovens. Com efeito, o futuro parece estar ref&eacute;m da incerteza, que n&atilde;o permite ter estabilidade. &Eacute; assim que muitas vezes surgem sentimentos de melancolia, tristeza e t&eacute;dio, que podem, pouco a pouco, levar ao desespero. H&aacute; necessidade de testemunhas de esperan&ccedil;a e de alegria verdadeira, para expulsar as quimeras que prometem uma felicidade f&aacute;cil com para&iacute;sos artificiais. O vazio profundo de tanta gente pode ser preenchido pela esperan&ccedil;a que trazemos no cora&ccedil;&atilde;o e pela alegria que brota dela. H&aacute; tanta necessidade de reconhecer a alegria que se revela no cora&ccedil;&atilde;o tocado pela miseric&oacute;rdia! Por isso guardemos como um tesouro estas palavras do Ap&oacute;stolo: &laquo;Alegrai-vos sempre no Senhor!&raquo; (<em>Flp<\/em>&nbsp;4, 4; cf.&nbsp;<em>1 Ts<\/em>&nbsp;5, 16).<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t4. Celebr&aacute;mos um Ano intenso, durante o qual nos foi concedida, em abund&acirc;ncia, a gra&ccedil;a da miseric&oacute;rdia. Como um vento impetuoso e salutar, a bondade e a miseric&oacute;rdia do Senhor derramaram-se sobre o mundo inteiro. E perante este olhar amoroso de Deus, que se fixou de maneira t&atilde;o prolongada sobre cada um de n&oacute;s, n&atilde;o se pode ficar indiferente, porque muda a vida.<\/p>\n<p> \tAntes de mais nada, sentimos necessidade de agradecer ao Senhor, dizendo-Lhe: &laquo;V&oacute;s aben&ccedil;oastes a vossa terra (&hellip;). Perdoastes as culpas do vosso povo&raquo; (<em>Sal<\/em>&nbsp;85\/84, 2.3). Foi mesmo assim: Deus esmagou as nossas culpas e lan&ccedil;ou ao fundo do mar os nossos pecados (cf.&nbsp;<em>Miq<\/em>&nbsp;7, 19); j&aacute; n&atilde;o Se lembra deles, lan&ccedil;ou-os para tr&aacute;s de Si (cf.&nbsp;<em>Is<\/em>&nbsp;38, 17); como o Oriente est&aacute; afastado do Ocidente, assim os nossos pecados est&atilde;o longe d&rsquo;Ele (cf.&nbsp;<em>Sal<\/em>&nbsp;103\/102, 12).<\/p>\n<p> \tNeste Ano Santo, a Igreja p&ocirc;de colocar-se &agrave; escuta e experimentou com grande intensidade a presen&ccedil;a e proximidade do Pai, que, por obra do Esp&iacute;rito Santo, lhe tornou mais evidente o dom e o mandato de Jesus Cristo relativo ao perd&atilde;o. Foi realmente uma nova visita do Senhor ao meio de n&oacute;s. Sentimos o seu sopro vital efundir-se sobre a Igreja, enquanto, mais uma vez, as suas palavras indicavam a miss&atilde;o: &laquo;Recebei o Esp&iacute;rito Santo. &Agrave;queles a quem perdoardes os pecados, ficar&atilde;o perdoados; &agrave;queles a quem os retiverdes, ficar&atilde;o retidos&raquo; (<em>Jo<\/em>&nbsp;20, 22-23).<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t5. Agora, conclu&iacute;do este Jubileu, &eacute; tempo de olhar para diante e compreender como se pode continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da miseric&oacute;rdia divina. As nossas comunidades ser&atilde;o capazes de permanecer vivas e din&acirc;micas na obra da nova evangeliza&ccedil;&atilde;o na medida em que a &laquo;convers&atilde;o pastoral&raquo;, que estamos chamados a viver,<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\" title=\"\">[3]<\/a>&nbsp;for plasmada dia ap&oacute;s dia pela for&ccedil;a renovadora da miseric&oacute;rdia. N&atilde;o limitemos a sua a&ccedil;&atilde;o; n&atilde;o entriste&ccedil;amos o Esp&iacute;rito que indica sempre novos caminhos a percorrer para levar a todos o Evangelho da salva&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tEm primeiro lugar, somos chamados a&nbsp;<em>celebrar<\/em>&nbsp;a miseric&oacute;rdia. Quanta riqueza est&aacute; presente na ora&ccedil;&atilde;o da Igreja, quando invoca a Deus como Pai misericordioso! Na liturgia, n&atilde;o s&oacute; se evoca repetidamente a miseric&oacute;rdia, mas &eacute; realmente recebida e vivida. Desde o in&iacute;cio at&eacute; ao fim da&nbsp;<em>Celebra&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica<\/em>, a miseric&oacute;rdia reaparece v&aacute;rias vezes no di&aacute;logo entre a assembleia orante e o cora&ccedil;&atilde;o do Pai, que rejubila quando pode derramar o seu amor misericordioso. Logo na altura do pedido inicial de perd&atilde;o com a invoca&ccedil;&atilde;o &laquo;Senhor, tende piedade de n&oacute;s&raquo;, somos tranquilizados: &laquo;Deus todo-poderoso tenha compaix&atilde;o de n&oacute;s, perdoe os nossos pecados e nos conduza &agrave; vida eterna&raquo;. &Eacute; com esta confian&ccedil;a que a comunidade se re&uacute;ne na presen&ccedil;a do Senhor, especialmente no dia semanal que recorda a ressurrei&ccedil;&atilde;o. Muitas ora&ccedil;&otilde;es ditas &laquo;coletas&raquo; procuram recordar-nos o grande dom da miseric&oacute;rdia. No tempo da Quaresma, por exemplo, rezamos com estas palavras: &laquo;Deus, Pai de miseric&oacute;rdia e fonte de toda a bondade, que nos fizestes encontrar no jejum, na ora&ccedil;&atilde;o e no amor fraterno os rem&eacute;dios do pecado, olhai benigno para a confiss&atilde;o da nossa humildade, de modo que, abatidos pela consci&ecirc;ncia da culpa, sejamos confortados pela vossa miseric&oacute;rdia&raquo;.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\" title=\"\">[4]<\/a> Mais adiante, somos introduzidos na Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica pelo Pref&aacute;cio que proclama: &laquo;Na vossa infinita miseric&oacute;rdia, de tal modo amastes o mundo que nos enviastes Jesus Cristo, nosso Salvador, em tudo semelhante ao homem, menos no pecado&raquo;.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\" title=\"\">[5]<\/a>&nbsp;Ali&aacute;s a pr&oacute;pria Ora&ccedil;&atilde;o IV &eacute; um hino &agrave; miseric&oacute;rdia de Deus: &laquo;Na vossa miseric&oacute;rdia, a todos socorrestes, para que todos aqueles que Vos procuram Vos encontrem&raquo;.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\" title=\"\">[6]<\/a>&nbsp;&laquo;Tende miseric&oacute;rdia de n&oacute;s, Senhor&raquo;:<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\" title=\"\">[7]<\/a>&nbsp;&eacute; a s&uacute;plica premente que o sacerdote faz na Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica para implorar a participa&ccedil;&atilde;o na vida eterna. Depois do Pai-Nosso, o sacerdote prolonga a ora&ccedil;&atilde;o invocando a paz e a liberta&ccedil;&atilde;o do pecado, &laquo;ajudados pela vossa miseric&oacute;rdia&raquo; e, antes da sauda&ccedil;&atilde;o da paz que os participantes trocam entre si como express&atilde;o de fraternidade e amor m&uacute;tuo &agrave; luz do perd&atilde;o recebido, o celebrante reza de novo: &laquo;N&atilde;o olheis aos nossos pecados, mas &agrave; f&eacute; da vossa Igreja&raquo;.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\" title=\"\">[8]<\/a>&nbsp;Atrav&eacute;s destas palavras, pedimos com humilde confian&ccedil;a o dom da unidade e da paz para a Santa M&atilde;e Igreja. Assim, a celebra&ccedil;&atilde;o da miseric&oacute;rdia divina culmina no Sacrif&iacute;cio Eucar&iacute;stico, memorial do mist&eacute;rio pascal de Cristo, do qual brota a salva&ccedil;&atilde;o para todo o ser humano, a hist&oacute;ria e o mundo inteiro. Em suma, cada momento da Celebra&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica faz refer&ecirc;ncia &agrave; miseric&oacute;rdia de Deus.<\/p>\n<p> \tMas, em toda a vida sacramental, &eacute;-nos dada com abund&acirc;ncia a miseric&oacute;rdia. Realmente &eacute; significativo que a Igreja tenha querido fazer explicitamente apelo &agrave; miseric&oacute;rdia na f&oacute;rmula dos dois sacramentos chamados &laquo;de cura&raquo;: a&nbsp;<em>Reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em>&nbsp;e a&nbsp;<em>Un&ccedil;&atilde;o dos Enfermos<\/em>. Assim reza a f&oacute;rmula da absolvi&ccedil;&atilde;o: &laquo;Deus, Pai de miseric&oacute;rdia, que, pela morte e ressurrei&ccedil;&atilde;o de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e infundiu o Esp&iacute;rito para a remiss&atilde;o dos pecados, te conceda, pelo minist&eacute;rio da Igreja, o perd&atilde;o e a paz&raquo;;<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\" title=\"\">[9]<\/a>&nbsp;e ao ungir a pessoa doente: &laquo;Por esta santa Un&ccedil;&atilde;o e pela sua pi&iacute;ssima miseric&oacute;rdia, o Senhor venha em teu aux&iacute;lio com a gra&ccedil;a do Esp&iacute;rito Santo&raquo;.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\" title=\"\">[10]<\/a>&nbsp;Deste modo, a refer&ecirc;ncia &agrave; miseric&oacute;rdia na ora&ccedil;&atilde;o da Igreja, longe de ser apenas paren&eacute;tica, &eacute; altamente&nbsp;<em>realizadora<\/em>, ou seja, enquanto a invocamos com f&eacute;, &eacute;-nos concedida; enquanto a confessamos viva e real, efetivamente transforma-nos. Este &eacute; um conte&uacute;do fundamental da nossa f&eacute;, que devemos conservar em toda a sua originalidade: ainda antes e acima da revela&ccedil;&atilde;o do pecado, temos a revela&ccedil;&atilde;o do amor com que Deus criou o mundo e os seres humanos. O amor &eacute; o primeiro ato com que Deus Se deu a conhecer e vem ao nosso encontro. Por isso, mantenhamos o cora&ccedil;&atilde;o aberto &agrave; confian&ccedil;a de ser amados por Deus. O seu amor sempre nos precede, acompanha e permanece connosco, n&atilde;o obstante o nosso pecado.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t6. Neste contexto, assume significado particular tamb&eacute;m a&nbsp;<em>escuta da Palavra de Deus<\/em>. Cada domingo, a Palavra de Deus &eacute; proclamada na comunidade crist&atilde;, para que o Dia do Senhor seja iluminado pela luz que dimana do mist&eacute;rio pascal.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\" title=\"\">[11]<\/a>&nbsp;Na Celebra&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica, &eacute; como se assist&iacute;ssemos a um verdadeiro di&aacute;logo entre Deus e o seu povo. Com efeito, na proclama&ccedil;&atilde;o das Leituras b&iacute;blicas, repassa-se a hist&oacute;ria da nossa salva&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da obra incessante de miseric&oacute;rdia que &eacute; anunciada. Deus fala-nos ainda hoje como a amigos, &laquo;convive&raquo; connosco<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\" title=\"\">[12]<\/a>&nbsp;oferecendo-nos a sua companhia e mostrando-nos <strike>a senda<\/strike> o caminho da vida. A sua Palavra faz-se int&eacute;rprete dos nossos pedidos e preocupa&ccedil;&otilde;es e, simultaneamente, resposta fecunda para podermos experimentar concretamente a sua proximidade. Qu&atilde;o grande import&acirc;ncia adquire a&nbsp;<em>homilia<\/em>, onde &laquo;a verdade anda de m&atilde;os dadas com a beleza e o bem&raquo;,<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\" title=\"\">[13]<\/a>&nbsp;para fazer vibrar o cora&ccedil;&atilde;o dos crentes perante a grandeza da miseric&oacute;rdia! Recomendo vivamente a prepara&ccedil;&atilde;o da homilia e o cuidado na sua proclama&ccedil;&atilde;o. Ser&aacute; tanto mais frutuosa quanto mais o sacerdote tiver experimentado em si mesmo a bondade misericordiosa do Senhor. Comunicar a certeza de que Deus nos ama n&atilde;o &eacute; um exerc&iacute;cio de ret&oacute;rica, mas condi&ccedil;&atilde;o de credibilidade do pr&oacute;prio sacerd&oacute;cio. Por conseguinte, viver a miseric&oacute;rdia &eacute; a via mestra para faz&ecirc;-la tornar-se um verdadeiro an&uacute;ncio de consola&ccedil;&atilde;o e convers&atilde;o na vida pastoral. A homilia, como tamb&eacute;m a catequese, precisam de ser sempre sustentadas por este cora&ccedil;&atilde;o pulsante da vida crist&atilde;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t7. A&nbsp;<em>B&iacute;blia<\/em>&nbsp;&eacute; a grande narra&ccedil;&atilde;o que relata as maravilhas da miseric&oacute;rdia de Deus. Nela, cada p&aacute;gina est&aacute; imbu&iacute;da do amor do Pai, que, desde a cria&ccedil;&atilde;o, quis imprimir no universo os sinais de seu amor. O Esp&iacute;rito Santo, atrav&eacute;s das palavras dos profetas e dos escritos sapienciais, moldou a hist&oacute;ria de Israel no reconhecimento da ternura e proximidade de Deus, n&atilde;o obstante a infidelidade do povo. A vida de Jesus e a sua prega&ccedil;&atilde;o marcam, de forma determinante, a hist&oacute;ria da comunidade crist&atilde;, que compreendeu a sua miss&atilde;o com base no mandato que Cristo lhe confiou de ser instrumento permanente da sua miseric&oacute;rdia e do seu perd&atilde;o (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;20, 23). Atrav&eacute;s da Sagrada Escritura, mantida viva pela f&eacute; da Igreja, o Senhor continua a falar &agrave; sua Esposa, indicando-lhe os caminhos a percorrer para que o Evangelho da salva&ccedil;&atilde;o chegue a todos. &Eacute; meu vivo desejo que a Palavra de Deus seja cada vez mais celebrada, conhecida e difundida, para que se possa, atrav&eacute;s dela, compreender melhor o mist&eacute;rio de amor que dimana daquela fonte de miseric&oacute;rdia. Claramente no-lo recorda o Ap&oacute;stolo: &laquo;Toda a Escritura &eacute; inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justi&ccedil;a&raquo; (<em>2 Tm<\/em>&nbsp;3, 16).<\/p>\n<p> \tSeria conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do Ano Lit&uacute;rgico, renovar o compromisso em prol da difus&atilde;o, conhecimento e aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente &agrave; Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgot&aacute;vel que prov&eacute;m daquele di&aacute;logo constante de Deus com o seu povo. N&atilde;o h&aacute; de faltar a criatividade para enriquecer o momento com iniciativas que estimulem os crentes a ser instrumentos vivos de transmiss&atilde;o da Palavra. Entre tais iniciativas, conta-se certamente uma difus&atilde;o mais ampla da<em>&nbsp;lectio divina<\/em>, para que, atrav&eacute;s da leitura orante do texto sagrado, a vida espiritual encontre apoio e crescimento. A&nbsp;<em>lectio divina<\/em>&nbsp;sobre os temas da miseric&oacute;rdia permitir&aacute; tocar a grande fecundidade que dimana do texto sagrado, lido &agrave; luz de toda a tradi&ccedil;&atilde;o espiritual da Igreja, que leva necessariamente a gestos e obras concretas de caridade.<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\" title=\"\">[14]<\/a><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t8. A celebra&ccedil;&atilde;o da miseric&oacute;rdia tem lugar, duma forma muito particular, no&nbsp;<em>sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o<\/em>. Este &eacute; o momento em que sentimos o abra&ccedil;o do Pai, que vem ao nosso encontro para nos restituir a gra&ccedil;a de voltarmos a ser seus filhos. N&oacute;s somos pecadores e carregamos connosco o peso da contradi&ccedil;&atilde;o entre o que querer&iacute;amos fazer e aquilo que, ao inv&eacute;s, acabamos concretamente por fazer (cf.&nbsp;<em>Rm<\/em>&nbsp;7, 14-21); mas a gra&ccedil;a sempre nos precede e assume o rosto da miseric&oacute;rdia que se torna eficaz na reconcilia&ccedil;&atilde;o e no perd&atilde;o. Deus faz-nos compreender o seu amor imenso precisamente &agrave; vista da nossa realidade de pecadores. A gra&ccedil;a &eacute; mais forte e supera qualquer poss&iacute;vel resist&ecirc;ncia, porque o amor tudo vence (cf.&nbsp;<em>1 Cor<\/em>&nbsp;13, 7).<\/p>\n<p> \tNo sacramento do Perd&atilde;o, Deus mostra o caminho da convers&atilde;o a Ele e convida a experienciar de novo a sua proximidade. &Eacute; um perd&atilde;o que pode ser obtido, come&ccedil;ando antes de mais nada a&nbsp;<em>viver a caridade<\/em>. Assim no-lo recorda o ap&oacute;stolo Pedro, quando escreve que &laquo;o amor cobre a multid&atilde;o dos pecados&raquo; (<em>1 Ped<\/em>&nbsp;4, 8). S&oacute; Deus perdoa os pecados, mas tamb&eacute;m nos pede que estejamos prontos a perdoar aos outros, como Ele nos perdoa: &laquo;Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como n&oacute;s perdoamos a quem nos tem ofendido&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;6, 12). Como &eacute; triste quando ficamos fechados em n&oacute;s mesmos, incapazes de perdoar! Prevalecem o ressentimento, a ira, a vingan&ccedil;a, tornando a vida infeliz e frustrando o jubiloso compromisso a favor da miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t9. Uma experi&ecirc;ncia de gra&ccedil;a que a Igreja viveu, com tanta efic&aacute;cia, no Ano Jubilar foi, certamente, o servi&ccedil;o dos&nbsp;<em>Mission&aacute;rios da Miseric&oacute;rdia<\/em>. A sua a&ccedil;&atilde;o pastoral pretendeu tornar evidente que Deus n&atilde;o p&otilde;e qualquer barreira a quantos O procuram de cora&ccedil;&atilde;o arrependido, mas vai ao encontro de todos como um Pai. Recebi muitos testemunhos de alegria pelo renovado encontro com o Senhor no sacramento da Confiss&atilde;o. N&atilde;o percamos a oportunidade de viver a f&eacute;, inclusive como experi&ecirc;ncia da reconcilia&ccedil;&atilde;o. &laquo;Reconciliai-vos com Deus&raquo; (<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 20): &eacute; o convite que ainda hoje dirige o Ap&oacute;stolo a cada crente para o fazer descobrir a for&ccedil;a do amor que o torna uma &laquo;nova cria&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 17).<\/p>\n<p> \tQuero expressar a minha gratid&atilde;o a todos os Mission&aacute;rios da Miseric&oacute;rdia pelo valioso servi&ccedil;o oferecido para tornar eficaz a gra&ccedil;a do perd&atilde;o. Mas este minist&eacute;rio extraordin&aacute;rio n&atilde;o termina com o encerramento da Porta Santa. De facto desejo que permane&ccedil;a ainda, at&eacute; novas ordens, como sinal concreto de que a gra&ccedil;a do Jubileu continua a ser viva e eficaz nas v&aacute;rias partes do mundo. Ser&aacute; responsabilidade do Conselho Pontif&iacute;cio para a Promo&ccedil;&atilde;o da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o seguir, neste per&iacute;odo, os Mission&aacute;rios da Miseric&oacute;rdia, como express&atilde;o direta da minha solicitude e proximidade e encontrar as formas mais coerentes para o exerc&iacute;cio deste precioso minist&eacute;rio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t10. Aos sacerdotes, renovo o convite para se prepararem com grande cuidado para o minist&eacute;rio da Confiss&atilde;o, que &eacute; uma verdadeira miss&atilde;o sacerdotal. Agrade&ccedil;o-vos vivamente pelo vosso servi&ccedil;o e pe&ccedil;o-vos para serdes&nbsp;<em>acolhedores<\/em>&nbsp;com todos,&nbsp;<em>testemunhas<\/em>&nbsp;da ternura paterna n&atilde;o obstante a gravidade do pecado,&nbsp;<em>sol&iacute;citos<\/em>&nbsp;em ajudar a refletir sobre o mal cometido,&nbsp;<em>claros <\/em>ao apresentar os princ&iacute;pios morais,&nbsp;<em>dispon&iacute;veis<\/em>&nbsp;para acompanhar os fi&eacute;is no caminho penitencial respeitando com paci&ecirc;ncia o seu passo,&nbsp;<em>clarividentes<\/em>&nbsp;no discernimento de cada um dos casos,&nbsp;<em>generosos<\/em>&nbsp;na concess&atilde;o do perd&atilde;o de Deus. Como Jesus, perante a ad&uacute;ltera, optou por permanecer em sil&ecirc;ncio para a salvar da condena&ccedil;&atilde;o &agrave; morte, assim tamb&eacute;m o sacerdote no confession&aacute;rio seja magn&acirc;nimo de cora&ccedil;&atilde;o, ciente de que cada penitente lhe recorda a sua pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o pessoal: pecador mas ministro da miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t11. Gostaria que todos n&oacute;s medit&aacute;ssemos as palavras do Ap&oacute;stolo, escritas no final da sua vida, quando confessa a Tim&oacute;teo ser o primeiro dos pecadores, mas &laquo;justamente por isso alcancei miseric&oacute;rdia&raquo; (<em>1 Tm<\/em>&nbsp;1, 16). As suas palavras t&ecirc;m uma for&ccedil;a que irrompe tamb&eacute;m em n&oacute;s levando-nos a refletir sobre a nossa exist&ecirc;ncia vendo em a&ccedil;&atilde;o a miseric&oacute;rdia de Deus na mudan&ccedil;a, convers&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o do nosso cora&ccedil;&atilde;o: &laquo;Dou gra&ccedil;as &Agrave;quele que me conforta, Cristo Jesus Nosso Senhor, por me ter considerado digno de confian&ccedil;a, pondo-me ao seu servi&ccedil;o, a mim que antes fora blasfemo, perseguidor e violento. Mas alcancei miseric&oacute;rdia&raquo; (<em>1 Tm<\/em>&nbsp;1, 12-13).<\/p>\n<p> \tPor isso lembremos, com paix&atilde;o pastoral sempre renovada, as palavras do Ap&oacute;stolo: &laquo;Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o minist&eacute;rio da reconcilia&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 18). N&oacute;s, primeiro, fomos perdoados, tendo em vista este minist&eacute;rio; tornamo-nos testemunhas em primeira m&atilde;o da universalidade do perd&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; lei nem preceito que possa impedir a Deus de reabra&ccedil;ar o filho que regressa a Ele reconhecendo que errou, mas decidido a come&ccedil;ar de novo. Deter-se apenas na lei equivale a invalidar a f&eacute; e a miseric&oacute;rdia divina. H&aacute; um valor proped&ecirc;utico da lei (cf.&nbsp;<em>Gal<\/em>&nbsp;3, 24), cujo fim &eacute; o amor (cf.&nbsp;<em>1 Tm<\/em>&nbsp;1, 5). Mas o crist&atilde;o &eacute; chamado a viver a novidade do Evangelho, &laquo;a lei do Esp&iacute;rito que d&aacute; vida em Cristo Jesus&raquo; (<em>Rm<\/em>&nbsp;8, 2). Mesmo nos casos mais complexos, onde se &eacute; tentado a fazer prevalecer uma justi&ccedil;a que deriva apenas das normas, deve-se crer na for&ccedil;a que brota da gra&ccedil;a divina.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s, confessores, temos experi&ecirc;ncia de muitas convers&otilde;es que ocorrem diante dos nossos olhos. Sintamos, portanto, a responsabilidade de gestos e palavras que possam chegar ao fundo do cora&ccedil;&atilde;o do penitente, para que descubra a proximidade e a ternura do Pai que perdoa. N&atilde;o invalidemos estes momentos com comportamentos que possam contradizer a experi&ecirc;ncia da miseric&oacute;rdia que se procura; mas, ao inv&eacute;s, ajudemos a iluminar o espa&ccedil;o da consci&ecirc;ncia pessoal com o amor infinito de Deus (cf.&nbsp;<em>1 Jo<\/em>&nbsp;3, 20).<\/p>\n<p> \tO sacramento da Reconcilia&ccedil;&atilde;o precisa de voltar a ter o seu lugar central na vida crist&atilde;; para isso requerem-se sacerdotes que ponham a sua vida ao servi&ccedil;o do &laquo;minist&eacute;rio da reconcilia&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 18), de tal modo que a ningu&eacute;m sinceramente arrependido seja impedido de aceder ao amor do Pai que espera o seu regresso e, ao mesmo tempo, a todos seja oferecida a possibilidade de experimentar a for&ccedil;a libertadora do perd&atilde;o.<\/p>\n<p> \tUma ocasi&atilde;o prop&iacute;cia pode ser a celebra&ccedil;&atilde;o da iniciativa&nbsp;<em>24 horas para o Senhor<\/em>&nbsp;por altura do IV domingo da Quaresma, que goza j&aacute; de amplo consenso nas dioceses e continua a ser um forte apelo pastoral para viver intensamente o sacramento da Confiss&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t12. Em virtude desta exig&ecirc;ncia, para que nenhum obst&aacute;culo exista entre o pedido de reconcilia&ccedil;&atilde;o e o perd&atilde;o de Deus, concedo a partir de agora a todos os sacerdotes, em virtude do seu minist&eacute;rio, a faculdade de absolver a todas as pessoas que incorreram no pecado do aborto. Aquilo que eu concedera de forma limitada ao per&iacute;odo jubilar<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\" title=\"\">[15]<\/a>&nbsp;fica agora alargado no tempo, n&atilde;o obstante qualquer disposi&ccedil;&atilde;o em contr&aacute;rio. Quero reiterar com todas as minhas for&ccedil;as que o aborto &eacute; um grave pecado, porque p&otilde;e fim a uma vida inocente; mas, com igual for&ccedil;a, posso e devo afirmar que n&atilde;o existe algum pecado que a miseric&oacute;rdia de Deus n&atilde;o possa alcan&ccedil;ar e destruir, quando encontra um cora&ccedil;&atilde;o arrependido que pede para se reconciliar com o Pai. Portanto, cada sacerdote fa&ccedil;a-se guia, apoio e conforto no acompanhamento dos penitentes neste caminho de especial reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tNo Ano do Jubileu, aos fi&eacute;is que por variados motivos frequentam as igrejas servidas pelos sacerdotes da Fraternidade de S&atilde;o Pio X, tinha-lhes concedido receber v&aacute;lida e licitamente a absolvi&ccedil;&atilde;o sacramental dos seus pecados.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\" title=\"\">[16]<\/a>&nbsp;Para o bem pastoral destes fi&eacute;is e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunh&atilde;o na Igreja Cat&oacute;lica, estabele&ccedil;o por minha pr&oacute;pria decis&atilde;o de estender esta faculdade para al&eacute;m do per&iacute;odo jubilar, at&eacute; novas disposi&ccedil;&otilde;es sobre o assunto, a fim de que a ningu&eacute;m falte jamais o sinal sacramental da reconcilia&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do perd&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t13. A miseric&oacute;rdia possui tamb&eacute;m o rosto da&nbsp;<em>consola&ccedil;&atilde;o<\/em>. &laquo;Consolai, consolai o meu povo&raquo; (<em>Is<\/em>&nbsp;40, 1): s&atilde;o as palavras sinceras que o profeta faz ouvir ainda hoje, para que possa chegar uma palavra de esperan&ccedil;a a quantos est&atilde;o no sofrimento e na afli&ccedil;&atilde;o. Nunca deixemos que nos roubem a esperan&ccedil;a que prov&eacute;m da f&eacute; no Senhor ressuscitado. &Eacute; verdade que muitas vezes somos sujeitos a dura prova, mas n&atilde;o deve jamais esmorecer a certeza de que o Senhor nos ama. A sua miseric&oacute;rdia expressa-se tamb&eacute;m na proximidade, no carinho e no apoio que muitos irm&atilde;os e irm&atilde;s podem oferecer quando sobrev&ecirc;m os dias da tristeza e da afli&ccedil;&atilde;o. Enxugar as l&aacute;grimas &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o concreta que rompe o c&iacute;rculo de solid&atilde;o onde muitas vezes se fica encerrado.<\/p>\n<p> \tTodos precisamos de consola&ccedil;&atilde;o, porque ningu&eacute;m est&aacute; imune do sofrimento, da tribula&ccedil;&atilde;o e da incompreens&atilde;o. Quanta dor pode causar uma palavra maldosa, fruto da inveja, do ci&uacute;me e da ira! Quanto sofrimento provoca a experi&ecirc;ncia da trai&ccedil;&atilde;o, da viol&ecirc;ncia e do abandono! Quanta amargura perante a morte das pessoas queridas! E, todavia, Deus nunca est&aacute; longe quando se vivem estes dramas. Uma palavra que anima, um abra&ccedil;o que te faz sentir compreendido, uma car&iacute;cia que deixa perceber o amor, uma ora&ccedil;&atilde;o que permite ser mais forte&#8230; s&atilde;o todas express&otilde;es da proximidade de Deus atrav&eacute;s da consola&ccedil;&atilde;o oferecida pelos irm&atilde;os.<\/p>\n<p> \t&Agrave;s vezes, poder&aacute; ser de grande ajuda tamb&eacute;m o&nbsp;<em>sil&ecirc;ncio<\/em>; porque em certas ocasi&otilde;es n&atilde;o h&aacute; palavras para responder &agrave;s perguntas de quem sofre. Mas, &agrave; falta da palavra, pode suprir a compaix&atilde;o de quem est&aacute; presente, pr&oacute;ximo, ama e estende a m&atilde;o. N&atilde;o &eacute; verdade que o sil&ecirc;ncio seja um ato de rendi&ccedil;&atilde;o; pelo contr&aacute;rio, &eacute; um momento de for&ccedil;a e de amor. O pr&oacute;prio sil&ecirc;ncio pertence &agrave; nossa linguagem de consola&ccedil;&atilde;o, porque se transforma num gesto concreto de partilha e participa&ccedil;&atilde;o no sofrimento do irm&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t14. Num momento particular como o nosso, marcado por tantas crises, entre as quais a da fam&iacute;lia, &eacute; importante fazer chegar uma palavra de for&ccedil;a consoladora &agrave;s nossas fam&iacute;lias. O dom do matrim&oacute;nio &eacute; uma grande voca&ccedil;&atilde;o, que se h&aacute; de viver, com a gra&ccedil;a de Cristo, no amor generoso, fiel e paciente. A beleza da fam&iacute;lia permanece inalterada, apesar de tantas sombras e propostas alternativas: &laquo;a alegria do amor que se vive nas fam&iacute;lias &eacute; tamb&eacute;m o j&uacute;bilo da Igreja&raquo;.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\" title=\"\">[17]<\/a>&nbsp;O caminho de vida que leva um homem e uma mulher a encontrarem-se, amarem-se e prometerem reciprocamente, diante de Deus, uma fidelidade para sempre, &eacute; muitas vezes interrompido pelo sofrimento, a trai&ccedil;&atilde;o e a solid&atilde;o. A alegria pelo dom dos filhos n&atilde;o est&aacute; imune das preocupa&ccedil;&otilde;es sentidas pelos pais com o seu crescimento e forma&ccedil;&atilde;o, com um futuro digno de ser vivido intensamente.<\/p>\n<p> \tA gra&ccedil;a do sacramento do Matrim&oacute;nio n&atilde;o s&oacute; fortalece a fam&iacute;lia, para que seja o lugar privilegiado onde se vive a miseric&oacute;rdia, mas tamb&eacute;m compromete a comunidade crist&atilde; e toda a atividade pastoral para p&ocirc;r em realce o grande valor propositivo da fam&iacute;lia. Por isso, este Ano Jubilar n&atilde;o pode perder de vista a complexidade da realidade familiar atual. A experi&ecirc;ncia da miseric&oacute;rdia torna-nos capazes de encarar todas as dificuldades humanas com a atitude do amor de Deus, que n&atilde;o Se cansa de acolher e acompanhar.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\" title=\"\">[18]<\/a><\/p>\n<p> \tN&atilde;o podemos esquecer que cada um traz consigo a riqueza e o peso da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, que nos distingue de qualquer outra pessoa. A nossa vida, com as suas alegrias e os seus sofrimentos, &eacute; algo &uacute;nico e irrepet&iacute;vel que se desenrola sob o olhar misericordioso de Deus. Isto requer, sobretudo por parte do sacerdote, um discernimento espiritual atento, profundo e clarividente, para que toda a pessoa sem exce&ccedil;&atilde;o, em qualquer situa&ccedil;&atilde;o que viva, possa sentir-se concretamente acolhida por Deus, participar ativamente na vida da comunidade e estar inserida naquele Povo de Deus que incansavelmente caminha para a plenitude do reino de Deus, reino de justi&ccedil;a, de amor, de perd&atilde;o e de miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t15. Reveste-se de particular import&acirc;ncia&nbsp;<em>o momento da morte<\/em>. A Igreja viveu sempre esta dram&aacute;tica passagem &agrave; luz da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus Cristo, que abriu a estrada para a certeza da vida futura. Temos aqui um grande desafio a abra&ccedil;ar, sobretudo na cultura contempor&acirc;nea que, muitas vezes, tende a banalizar a morte at&eacute; reduzi-la a simples fic&ccedil;&atilde;o ou a ocult&aacute;-la. Ao contr&aacute;rio, a morte h&aacute; de ser enfrentada e preparada como uma passagem que, embora dolorosa e inevit&aacute;vel, est&aacute; cheia de sentido: o ato extremo de amor para com as pessoas que se deixam e para com Deus a cujo encontro se vai. Em todas as religi&otilde;es, o momento da morte &ndash; como ali&aacute;s o do nascimento &ndash; &eacute; acompanhado por uma presen&ccedil;a religiosa. N&oacute;s vivemos a experi&ecirc;ncia das&nbsp;<em>ex&eacute;quias<\/em>&nbsp;como uma ora&ccedil;&atilde;o cheia de esperan&ccedil;a para a alma da pessoa falecida e para consolar aqueles que sofrem a separa&ccedil;&atilde;o da pessoa amada.<\/p>\n<p> \tEstou convencido de que h&aacute; necessidade, na pastoral animada por uma f&eacute; viva, de tornar palp&aacute;vel como os sinais lit&uacute;rgicos e as nossas ora&ccedil;&otilde;es s&atilde;o express&atilde;o da miseric&oacute;rdia do Senhor. &Eacute; Ele pr&oacute;prio que oferece palavras de esperan&ccedil;a, porque nada nem ningu&eacute;m poder&aacute; separar-nos jamais do seu amor (cf.&nbsp;<em>Rm<\/em>&nbsp;8, 35.38-39). A partilha deste momento pelo sacerdote &eacute; um acompanhamento importante, porque lhe permite viver a proximidade &agrave; comunidade crist&atilde; no momento de fraqueza, solid&atilde;o, incerteza e pranto.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t16. Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da miseric&oacute;rdia do nosso cora&ccedil;&atilde;o permanece sempre aberta de par em par. Aprendemos que Deus Se inclina sobre n&oacute;s (cf.&nbsp;<em>Os<\/em>&nbsp;11, 4), para que tamb&eacute;m n&oacute;s possamos imit&aacute;-Lo inclinando-nos sobre os irm&atilde;os. A saudade que muitos sentem de regressar &agrave; casa do Pai, que aguarda a sua chegada, &eacute; suscitada tamb&eacute;m por testemunhas sinceras e generosas da ternura divina. A Porta Santa, que cruz&aacute;mos neste Ano Jubilar, introduziu-nos no&nbsp;<em>caminho da caridade<\/em>, que somos chamados a percorrer todos os dias com fidelidade e alegria. &Eacute; a estrada da miseric&oacute;rdia que torna poss&iacute;vel encontrar tantos irm&atilde;os e irm&atilde;s que estendem a m&atilde;o para que algu&eacute;m a possa agarrar a fim de caminharem juntos.<\/p>\n<p> \tQuerer estar perto de Cristo exige fazer-se pr&oacute;ximo dos irm&atilde;os, porque nada &eacute; mais agrad&aacute;vel ao Pai do que um sinal concreto de miseric&oacute;rdia. Por sua pr&oacute;pria natureza, a miseric&oacute;rdia torna-se vis&iacute;vel e palp&aacute;vel numa a&ccedil;&atilde;o concreta e din&acirc;mica. Uma vez que se experimentou a miseric&oacute;rdia em toda a sua verdade, nunca mais se volta atr&aacute;s: cresce continuamente e transforma a vida. &Eacute;, na verdade, uma nova cria&ccedil;&atilde;o que faz um cora&ccedil;&atilde;o novo, capaz de amar plenamente, e purifica os olhos para reconhecerem as necessidades mais ocultas. Como s&atilde;o verdadeiras as palavras com que a Igreja reza na Vig&iacute;lia Pascal, depois da leitura da narra&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o: &laquo;Senhor nosso Deus, que de modo admir&aacute;vel criastes o homem e de modo mais admir&aacute;vel o redimistes&hellip;&raquo;!<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\" title=\"\">[19]<\/a><\/p>\n<p> \tA miseric&oacute;rdia&nbsp;<em>renova<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>redime<\/em>, porque &eacute; o encontro de dois cora&ccedil;&otilde;es: o de Deus que vem ao encontro do cora&ccedil;&atilde;o do homem. Este inflama-se e o primeiro cura-o: o cora&ccedil;&atilde;o de pedra fica transformado em cora&ccedil;&atilde;o de carne (cf.&nbsp;<em>Ez<\/em>&nbsp;36, 26), capaz de amar, n&atilde;o obstante o seu pecado. Nisto se nota que somos verdadeiramente uma &laquo;nova cria&ccedil;&atilde;o&raquo; (<em>Gal<\/em>&nbsp;6, 15): sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renas&ccedil;o para uma vida nova; fui &laquo;misericordiado&raquo; e, consequentemente, feito instrumento da miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t17. Durante o Ano Santo, especialmente nas &laquo;<em>sextas-feiras da miseric&oacute;rdia<\/em>&raquo;, pude verificar concretamente a grande quantidade de bem que existe no mundo. Com frequ&ecirc;ncia, n&atilde;o &eacute; conhecido porque se realiza diariamente de forma discreta e silenciosa. Embora n&atilde;o sejam not&iacute;cia, existem muitos sinais concretos de bondade e ternura para com os mais humildes e indefesos, os que vivem mais s&oacute;s e abandonados. H&aacute; verdadeiros protagonistas da caridade, que n&atilde;o deixam faltar a solidariedade aos mais pobres e infelizes. Agradecemos ao Senhor por estes dons preciosos, que convidam a descobrir a alegria de aproximar-se da humanidade ferida. Com gratid&atilde;o, penso nos in&uacute;meros volunt&aacute;rios que diariamente dedicam o seu tempo a manifestar a presen&ccedil;a e proximidade de Deus com a sua entrega. O seu servi&ccedil;o &eacute; uma genu&iacute;na obra de miseric&oacute;rdia, que ajuda muitas pessoas a aproximarem-se da Igreja.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t18. &Eacute; a hora de dar espa&ccedil;o &agrave; imagina&ccedil;&atilde;o a prop&oacute;sito da miseric&oacute;rdia para dar vida a muitas obras novas, fruto da gra&ccedil;a. A Igreja precisa de narrar, hoje, aqueles &laquo;muitos outros sinais&raquo; que Jesus realizou e que &laquo;n&atilde;o est&atilde;o escritos&raquo; (<em>Jo<\/em>&nbsp;20, 30), de modo que sejam express&atilde;o eloquente da fecundidade do amor de Cristo e da comunidade que vive d&rsquo;Ele. J&aacute; se passaram mais de dois mil anos, e todavia as obras de miseric&oacute;rdia continuam a tornar vis&iacute;vel a bondade de Deus.<\/p>\n<p> \tAinda hoje popula&ccedil;&otilde;es inteiras padecem a fome e a sede, sendo grande a preocupa&ccedil;&atilde;o suscitada pelas imagens de crian&ccedil;as que n&atilde;o t&ecirc;m nada para se alimentar. Multid&otilde;es de pessoas continuam a emigrar dum pa&iacute;s para outro &agrave; procura de alimento, trabalho, casa e paz. A doen&ccedil;a, nas suas v&aacute;rias formas, &eacute; um motivo permanente de afli&ccedil;&atilde;o que requer ajuda, consola&ccedil;&atilde;o e apoio. Os estabelecimentos prisionais s&atilde;o lugares onde muitas vezes, &agrave; pena restritiva da liberdade, se juntam transtornos, por vezes graves, devido &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es desumanas de vida. O analfabetismo est&aacute; ainda muito difundido, impedindo aos meninos e meninas de se formarem, expondo-os a novas formas de escravid&atilde;o. A cultura do individualismo exacerbado, sobretudo no Ocidente, leva a perder o sentido de solidariedade e responsabilidade para com os outros. O pr&oacute;prio Deus continua a ser hoje um desconhecido para muitos; isto constitui a maior pobreza e o maior obst&aacute;culo para o reconhecimento da dignidade inviol&aacute;vel da vida humana.<\/p>\n<p> \tEm suma, as obras de miseric&oacute;rdia corporais e espirituais constituem at&eacute; aos nossos dias a verifica&ccedil;&atilde;o da grande e positiva incid&ecirc;ncia da miseric&oacute;rdia como&nbsp;<em>valor social<\/em>. Com efeito, esta impele a arrega&ccedil;ar as mangas para restituir dignidade a milh&otilde;es de pessoas que s&atilde;o nossos irm&atilde;os e irm&atilde;s, chamados connosco a construir uma &laquo;cidade fi&aacute;vel&raquo;.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\" title=\"\">[20]<\/a><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t19. Muitos sinais concretos de miseric&oacute;rdia foram realizados durante este Ano Santo. Comunidades, fam&iacute;lias e indiv&iacute;duos crentes redescobriram a alegria da partilha e a beleza da solidariedade. Mas n&atilde;o basta. O mundo continua a gerar novas formas de pobreza espiritual e material, que comprometem a dignidade das pessoas. &Eacute; por isso que a Igreja deve permanecer vigilante e pronta para individuar novas obras de miseric&oacute;rdia e p&ocirc;-las em pr&aacute;tica com generosidade e entusiasmo.<\/p>\n<p> \tPor isso, esforcemo-nos em dar formas concretas &agrave; caridade e, ao mesmo tempo, entender melhor as obras de miseric&oacute;rdia. Com efeito, esta possui um efeito inclusivo pelo que tende a difundir-se como uma mancha de azeite e n&atilde;o conhece limites. E, neste sentido, somos chamados a dar um novo rosto &agrave;s obras de miseric&oacute;rdia que conhecemos desde sempre. De facto a miseric&oacute;rdia extravasa; vai sempre mais al&eacute;m, &eacute; fecunda. &Eacute; como o fermento que faz levedar a massa (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;13, 33) e como o gr&atilde;o de mostarda que se transforma numa &aacute;rvore (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;13, 19).<\/p>\n<p> \tA t&iacute;tulo de exemplo, basta pensar na obra de miseric&oacute;rdia corporal&nbsp;<em>vestir quem est&aacute; nu<\/em>&nbsp;(cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 36.38.43.44). A mesma nos reconduz aos prim&oacute;rdios, ao jardim do &Eacute;den, quando Ad&atilde;o e Eva descobriram que estavam nus e, ouvindo aproximar-Se o Senhor, tiveram vergonha e esconderam-se (cf.&nbsp;<em>Gn<\/em>&nbsp;3, 7-8). Sabemos que o Senhor castigou-os; no entanto, Ele &laquo;fez a Ad&atilde;o e &agrave; sua mulher t&uacute;nicas de peles e vestiu-os&raquo; (<em>Gn<\/em>&nbsp;3, 21). A vergonha &eacute; superada e a dignidade restitu&iacute;da.<\/p>\n<p> \tFixemos o olhar tamb&eacute;m em Jesus no G&oacute;lgota. Na cruz, o Filho de Deus est&aacute; nu; a sua t&uacute;nica foi sorteada e levada pelos soldados (cf.&nbsp;<em>Jo<\/em>&nbsp;19, 23-24); Ele n&atilde;o tem mais nada. Na cruz, manifesta-se ao m&aacute;ximo a partilha de Jesus com as pessoas que perderam a dignidade, por terem sido privadas do necess&aacute;rio. Assim como a Igreja &eacute; chamada a ser a &laquo;t&uacute;nica de Cristo&raquo;<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\" title=\"\">[21]<\/a>&nbsp;para revestir o seu Senhor, assim tamb&eacute;m ela se comprometeu a tornar-se solid&aacute;ria com os nus da terra a fim de recuperarem a dignidade de que foram despojados. Assim as palavras de Jesus &ndash; &laquo;estava nu e destes-me que vestir&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 36) &ndash; obrigam-nos a n&atilde;o desviar o olhar das novas formas de pobreza e marginaliza&ccedil;&atilde;o que impedem <strike>&agrave;s<\/strike> as pessoas de viverem com dignidade.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o ter trabalho nem receber um sal&aacute;rio justo, n&atilde;o poder ter uma casa ou uma terra onde habitar, ser discriminados pela f&eacute;, a ra&ccedil;a, a posi&ccedil;&atilde;o social&#8230; estas e muitas outras s&atilde;o condi&ccedil;&otilde;es que atentam contra a dignidade da pessoa; frente a elas, a a&ccedil;&atilde;o misericordiosa dos crist&atilde;os responde, antes de mais nada, com a vigil&acirc;ncia e a solidariedade. Hoje s&atilde;o tantas as situa&ccedil;&otilde;es em que podemos restituir dignidade &agrave;s pessoas, consentindo-lhes uma vida humana. Basta pensar em tantos meninos e meninas que sofrem viol&ecirc;ncias de v&aacute;rios tipos, que lhes roubam a alegria da vida. Os seus rostos tristes e desorientados permanecem impressos na minha mente; pedem a nossa ajuda para serem libertados da escravid&atilde;o do mundo contempor&acirc;neo. Estas crian&ccedil;as s&atilde;o os jovens de amanh&atilde;; como estamos a prepar&aacute;-las para viverem com dignidade e responsabilidade? Com que esperan&ccedil;a podem elas enfrentar o seu presente e o seu futuro?<\/p>\n<p> \tO&nbsp;<em>car&aacute;ter social<\/em>&nbsp;da miseric&oacute;rdia exige que n&atilde;o permane&ccedil;amos inertes mas afugentemos a indiferen&ccedil;a e a hipocrisia para que os planos e os projetos n&atilde;o fiquem letra morta. Que o Esp&iacute;rito Santo nos ajude a estar sempre prontos a prestar de forma efetiva e desinteressada a nossa contribui&ccedil;&atilde;o, para que a justi&ccedil;a e uma vida digna n&atilde;o permane&ccedil;am meras palavras de circunst&acirc;ncia, mas sejam o compromisso concreto de quem pretende testemunhar a presen&ccedil;a do Reino de Deus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t20. Somos chamados a fazer crescer uma&nbsp;<em>cultura de miseric&oacute;rdia<\/em>, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ningu&eacute;m olhe para o outro com indiferen&ccedil;a, nem vire a cara quando v&ecirc; o sofrimento dos irm&atilde;os.&nbsp;<em>As obras de miseric&oacute;rdia s&atilde;o &laquo;artesanais&raquo;<\/em>: nenhuma delas &eacute; c&oacute;pia da outra; as nossas m&atilde;os podem mold&aacute;-las de mil modos e, embora seja &uacute;nico o Deus que as inspira e &uacute;nica a &laquo;mat&eacute;ria&raquo; de que s&atilde;o feitas, ou seja, a pr&oacute;pria miseric&oacute;rdia, cada uma adquire uma forma distinta.<\/p>\n<p> \tCom efeito, as obras de miseric&oacute;rdia tocam toda a vida duma pessoa. Por isso, temos possibilidade de criar uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o cultural precisamente a partir da simplicidade de gestos que podem alcan&ccedil;ar o corpo e o esp&iacute;rito, isto &eacute;, a vida das pessoas. &Eacute; um compromisso que a comunidade crist&atilde; pode assumir, na certeza de que a Palavra do Senhor n&atilde;o cessa de a chamar para sair da indiferen&ccedil;a e do individualismo em que somos tentados a fechar-nos levando uma exist&ecirc;ncia c&oacute;moda e sem problemas. &laquo;Os pobres, sempre os tendes convosco&raquo; (<em>Jo<\/em>&nbsp;12, 8): disse Jesus aos seus disc&iacute;pulos. N&atilde;o h&aacute; desculpa que possa justificar a inc&uacute;ria, quando sabemos que Ele Se identificou com cada um deles.<\/p>\n<p> \tA cultura da miseric&oacute;rdia forma-se na ora&ccedil;&atilde;o ass&iacute;dua, na abertura d&oacute;cil &agrave; a&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito, na familiaridade com a vida dos Santos e na solidariedade concreta para com os pobres. &Eacute; um convite premente para n&atilde;o se equivocar onde &eacute; determinante comprometer-se. A tenta&ccedil;&atilde;o de se limitar a fazer a &laquo;teoria da miseric&oacute;rdia&raquo; &eacute; superada na medida em que esta se faz vida di&aacute;ria de participa&ccedil;&atilde;o e partilha. Ali&aacute;s, nunca devemos esquecer as palavras com que o ap&oacute;stolo Paulo &ndash; ao contar o encontro depois da sua convers&atilde;o com Pedro, Tiago e Jo&atilde;o &ndash; p&otilde;e em realce um aspeto essencial da sua miss&atilde;o e de toda a vida crist&atilde;: &laquo;S&oacute; nos disseram que nos dev&iacute;amos lembrar dos pobres &ndash; o que procurei fazer com o maior empenho&raquo; (<em>Gal<\/em>&nbsp;2, 10). N&atilde;o podemos esquecer-nos dos pobres: trata-se dum convite hoje mais atual do que nunca, que se imp&otilde;e pela sua evid&ecirc;ncia evang&eacute;lica.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t21. Que a experi&ecirc;ncia do Jubileu imprima em n&oacute;s estas palavras do ap&oacute;stolo Pedro: outrora &laquo;n&atilde;o t&iacute;nheis alcan&ccedil;ado miseric&oacute;rdia e agora alcan&ccedil;astes miseric&oacute;rdia&raquo; (<em>1 Ped<\/em>&nbsp;2, 10). N&atilde;o guardemos ciosamente s&oacute; para n&oacute;s tudo o que recebemos; saibamos partilh&aacute;-lo com os irm&atilde;os atribulados, para que sejam sustentados pela for&ccedil;a da miseric&oacute;rdia do Pai. As nossas comunidades abram-se para alcan&ccedil;ar a todas as pessoas que vivem no seu territ&oacute;rio, para que chegue a todas a car&iacute;cia de Deus atrav&eacute;s do testemunho dos crentes.<\/p>\n<p> \t<em>Este &eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia<\/em>. Cada dia da nossa caminhada &eacute; marcado pela presen&ccedil;a de Deus, que guia os nossos passos com a for&ccedil;a da gra&ccedil;a que o Esp&iacute;rito infunde no cora&ccedil;&atilde;o para o plasmar e torn&aacute;-lo capaz de amar.&nbsp;<em>&Eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia<\/em>&nbsp;para todos e cada um, para que ningu&eacute;m possa pensar que &eacute; alheio &agrave; proximidade de Deus e &agrave; for&ccedil;a da sua ternura.&nbsp;<em>&Eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia<\/em>&nbsp;para que quantos se sentem fracos e indefesos, afastados e sozinhos possam individuar a presen&ccedil;a de irm&atilde;os e irm&atilde;s que os sustentam nas suas necessidades.&nbsp;<em>&Eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia<\/em>&nbsp;para que os pobres sintam pousado sobre si o olhar respeitoso mas atento daqueles que, vencida a indiferen&ccedil;a, descobrem o essencial da vida.&nbsp;<em>&Eacute; o tempo da miseric&oacute;rdia<\/em>&nbsp;para que cada pecador n&atilde;o se canse de pedir perd&atilde;o e sentir a m&atilde;o do Pai, que sempre acolhe e abra&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&Agrave; luz do &laquo;Jubileu das Pessoas Exclu&iacute;das Socialmente&raquo;, celebrado quando j&aacute; se iam fechando as Portas da Miseric&oacute;rdia em todas as catedrais e santu&aacute;rios do mundo, intu&iacute; que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordin&aacute;rio, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorr&ecirc;ncia do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o&nbsp;<em>Dia Mundial dos Pobres<\/em>. Ser&aacute; a mais digna prepara&ccedil;&atilde;o para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que Se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos h&aacute; de julgar sobre as obras de miseric&oacute;rdia (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 31-46). Ser&aacute; um Dia que vai ajudar as comunidades, e cada batizado, a refletir como a pobreza est&aacute; no &acirc;mago do Evangelho, e a tomar consci&ecirc;ncia de que n&atilde;o poder&aacute; haver justi&ccedil;a nem paz social enquanto L&aacute;zaro jazer &agrave; porta da nossa casa (cf.&nbsp;<em>Lc<\/em>&nbsp;16, 19-21). Al&eacute;m disso, este Dia constituir&aacute; uma forma genu&iacute;na de nova evangeliza&ccedil;&atilde;o (cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;11, 5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene a&ccedil;&atilde;o de convers&atilde;o pastoral para ser testemunha da miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t22. Sobre n&oacute;s permanecem pousados os olhos misericordiosos da Santa M&atilde;e de Deus. Ela &eacute; a primeira que abre a prociss&atilde;o e nos acompanha no testemunho do amor. A M&atilde;e da Miseric&oacute;rdia re&uacute;ne a todos sob a prote&ccedil;&atilde;o do seu manto, como A quis frequentemente representar a arte. Confiemos na sua ajuda materna e sigamos a indica&ccedil;&atilde;o perene que nos d&aacute; de olhar para Jesus, rosto radiante da miseric&oacute;rdia de Deus.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>Dado em Roma, junto de S&atilde;o Pedro, em 20 de novembro &ndash; Solenidade de Cristo Rei &ndash; do Ano do Senhor de 2016, quarto do meu pontificado.<\/em><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<div> \t<br clear=\"all\" \/> \t<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<div id=\"ftn1\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\" title=\"\">[1]<\/a> Santo Agostinho, <em>In Johannis <\/em>33, 5.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn2\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\" title=\"\">[2]<\/a> Hermas,&nbsp;<em>O Pastor<\/em>, 42, 1-4.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn3\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\" title=\"\">[3]<\/a> Cf. Francisco, Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <em>Evangelii gaudium<\/em>, n. 27.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn4\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\" title=\"\">[4]<\/a> <em>Missal Romano<\/em>, III Domingo da Quaresma.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn5\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\" title=\"\">[5]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, Pref&aacute;cio VII dos Domingos do Tempo Comum.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn6\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\" title=\"\">[6]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica IV.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn7\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\" title=\"\">[7]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, Ora&ccedil;&atilde;o Eucar&iacute;stica II.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn8\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\" title=\"\">[8]<\/a> <em>Ibid.<\/em>, Ritos da Comunh&atilde;o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn9\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\" title=\"\">[9]<\/a> <em>Ritual da Penit&ecirc;ncia<\/em>, n. 46.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn10\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\" title=\"\">[10]<\/a> <em>Ritual da Un&ccedil;&atilde;o dos Enfermos<\/em>, n. 76.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn11\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\" title=\"\">[11]<\/a> Cf. Conc&iacute;lio Ecum&eacute;nico Vaticano II, Constitui&ccedil;&atilde;o <em>Sacrosanctum Concilium<\/em>, n. 106.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn12\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\" title=\"\">[12]<\/a> Idem, Constitui&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica <em>Dei Verbum<\/em>, n. 2.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn13\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\" title=\"\">[13]<\/a> Francisco, Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <em>Evangelii gaudium<\/em>, n. 142.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn14\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\" title=\"\">[14]<\/a> Cf. Bento XVI, Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal <em>Verbum Domini<\/em>, nn. 86-87.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn15\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\" title=\"\">[15]<\/a> Cf. <em>Carta pela qual se concede a indulg&ecirc;ncia por ocasi&atilde;o do Jubileu da Miseric&oacute;rdia<\/em>, 1 de setembro de 2015.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn16\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\" title=\"\">[16]<\/a> Cf. <em>ibidem<\/em>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn17\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\" title=\"\">[17]<\/a> Francisco, Exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica p&oacute;s-sinodal <em>Amoris laetitia<\/em>, n. 1.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn18\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\" title=\"\">[18]<\/a> Cf.&nbsp;<em>ibid.<\/em>, nn. 291-300.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn19\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\" title=\"\">[19]<\/a> <em>Missal Romano<\/em>, Vig&iacute;lia Pascal, Ora&ccedil;&atilde;o depois da Primeira Leitura.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn20\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\" title=\"\">[20]<\/a> Bento XVI, Carta enc&iacute;clica <em>Lumen fidei<\/em>, n. 50.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<div id=\"ftn21\">\n<p> \t\t\t<a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\" title=\"\">[21]<\/a> Cipriano,&nbsp;<em>A unidade da Igreja Cat&oacute;lica<\/em>, 7.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NO TERMO DO JUBILEU EXTRAORDIN&Aacute;RIO DA MISERIC&Oacute;RDIA &nbsp; FRANCISCO a quantos lerem esta Carta Apost&oacute;lica miseric&oacute;rdia e paz! &nbsp; Misericordia e misera s&atilde;o as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a ad&uacute;ltera (cf.&nbsp;Jo&nbsp;8, 1-11). N&atilde;o podia encontrar express&atilde;o mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,334,120,295,127,168,246,274,91,294,314],"class_list":["post-79429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-amoris-laetitia","tag-bento-xvi","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-da-guarda","tag-liturgia","tag-papa-francisco","tag-quaresma","tag-sacramentos","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79429"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79429\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}