{"id":7930,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/braga-em-dinamica-vocacional\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"braga-em-dinamica-vocacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/braga-em-dinamica-vocacional\/","title":{"rendered":"Braga em din\u00e2mica vocacional"},"content":{"rendered":"<p>Abertura do Ano Vocacional <!--more--> Sem nos deixarmos invadir por um pessimismo desmotivador, queremos, como Igreja Diocesana, permitir que um Ano Vocacional comprometa todas as comunidades \u2013 paroquiais, religiosas, de movimentos &#8211; numa viv\u00eancia geradora de voca\u00e7\u00f5es de especial consagra\u00e7\u00e3o. Uma Diocese que n\u00e3o preste aten\u00e7\u00e3o a todas as voca\u00e7\u00f5es \u2013 sacerdotais, religiosas, di\u00e1conos, Institutos Seculares &#8211; est\u00e1 a negar o seu dinamismo e a impedir a Ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Interessa, como objectivo fundamental, a consciencializa\u00e7\u00e3o da voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade e, sobre este terreno, lan\u00e7ar a inquieta\u00e7\u00e3o serena da descoberta dum caminho pessoal de entrega incondicional ao Reino de Deus no mundo. N\u00e3o caio na tenta\u00e7\u00e3o \u2013 nem gostaria que ningu\u00e9m ca\u00edsse \u2013 de sublinhar um reducionismo vocacional, no sentido de olhar exclusivamente para os sacerdotes diocesanos. Penso, por\u00e9m, que todos compreender\u00e3o que me confronte com a \u201cdemografia presbiteral\u201d da Arquidiocese. Somos os que somos mas corremos para uma redu\u00e7\u00e3o significativa e para um envelhecimento progressivo. Trata-se dum exemplo que poder\u00edamos aplicar a todas as Congrega\u00e7\u00f5es e Institutos, masculinos e femininos. Olhando para as revela\u00e7\u00f5es estat\u00edsticas \u00e9 de prever que, retirando diversos sacerdotes do servi\u00e7o directo \u00e0s comunidades e faltando a substitui\u00e7\u00e3o de continuadores, um n\u00famero significativo de par\u00f3quias ficar\u00e1 sem p\u00e1roco no sentido tradicional da palavra. Hoje muitos sacerdotes acumulam o governo de variadas comunidades e o fen\u00f3meno vai crescer, aumentando, consequentemente, o seu j\u00e1 pesado, encargo pastoral. Pareceu-me oportuno sintetizar o empenho diocesano \u2013 confiado a todas as comunidades e movimentos \u2013 na maravilhosa express\u00e3o de Cristo proferida num momento dif\u00edcil que prenunciava, em conceitos e l\u00f3gica humana, o fim trazido pela morte do Mestre, o terminar duma aventura de encontro feliz que os Ap\u00f3stolos viveram: \u201cLevantai-vos. Vamos\u201d. Convido-vos a meditar o conte\u00fado destas palavras, colocando-as no seu contexto. \u201cLevantai-vos\u201d. A sonol\u00eancia, caracter\u00edstica duma resigna\u00e7\u00e3o passiva, n\u00e3o a poderemos admitir. Muitas vezes me encontro a meditar nos crist\u00e3os tranquilos e instalados. Para eles est\u00e1 tudo bem e o mal est\u00e1 sempre nos outros. Basta conservar e continuar vivendo ao mesmo ritmo e com a apatia habitual. Gosto, por outro lado, de me sentir interpelado a partir e ir para o mundo novo que me espera n\u00e3o contando com os privil\u00e9gios ou ambientes favor\u00e1veis. Basta-me o estatuto de saber que sou e seremos diferentes, numa anormalidade que s\u00f3 a alegria de ser fiel \u00e0s exig\u00eancias evang\u00e9licas consola e d\u00e1 tranquilidade. N\u00e3o \u00e9 o mundo que me julga. Fixo-me nos crit\u00e9rios evang\u00e9licos e estes asseguram a verdadeira identidade. Da\u00ed que \u201clevantar\u201d significa entrar no entusiasmo crist\u00e3o como algu\u00e9m que encontrou Aquele que venceu o mundo (cf. Jo 13, 33) e, por isso, transmite a plenitude da alegria (cf. Jo. 15, 11). N\u00e3o cruzamos os bra\u00e7os mas deixamo-nos possuir por um perseverante e sereno entusiasmo no sentido etimol\u00f3gico da palavra (\u201cen-theos\u201d, ou seja, cheio de Deus) de tal maneira que possamos dizer \u201ctudo posso naquele que me d\u00e1 a for\u00e7a\u201d (cf. Fil. 4.13). O \u201clevantar-se\u201d, a n\u00edvel pessoal de f\u00e9 ou comunit\u00e1rio de ac\u00e7\u00e3o, \u00e9 para partir. \u201cVamos\u201d. Partir de Cristo mas partir. As actividades n\u00e3o podem ter outra fonte ou raiz. Mas tem de se multiplicar. Reconhecendo a originalidade e o espec\u00edfico de cada movimento ou congrega\u00e7\u00e3o religiosa, n\u00e3o gostaria de ouvir outras mensagens ou de presenciar outras iniciativas. Tudo parte ou se orienta para este chamamento coral que envolve a todos. O mal da Igreja continua a ser o aventureirismo e o desacreditar da for\u00e7a que s\u00f3 a comunh\u00e3o encerra. O \u201cvamos\u201d tem de ter muita for\u00e7a e n\u00e3o desanimemos se disserem que estamos a ser repetitivos. As melodias quando encerram qualidade n\u00e3o cansam e interpretadas por pessoas diferentes encantam ainda mais. H\u00e1 retiros, semanas, festas religiosas, prociss\u00f5es, encontros, caminhadas\u2026 tudo s\u00e3o notas desta melodia que cantamos num \u201cvamos\u201d de m\u00e3os dadas. Espero esta colabora\u00e7\u00e3o concorde.  Este \u201cvamos\u201d sugere-me algumas pistas como refer\u00eancias de variad\u00edssimas iniciativas:  1. Exerc\u00edcio e testemunho duma fraternidade humana-espiritual e pastoral \u2013 entre todos os consagrados. Quando a fraternidade se viv\u00eancia dum modo sereno e capaz de n\u00e3o s\u00f3 ultrapassar disc\u00f3rdias mas numa atitude positiva de verdadeira entre-ajuda, a alegria resplandece e com ela o apelo para seguir. Por outro lado, e urge convencer-se desta realidade, o mundo moderno s\u00f3 se deixa arrastar por este sinal. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Santo Padre aponta, como caminho obrigat\u00f3rio, a espiritualidade de comunh\u00e3o de maneira que a Igreja se apresente como \u201ccasa\u201d e \u201cescola\u201d da mesma comunh\u00e3o. 2. Realiza\u00e7\u00e3o duma s\u00e9ria e capilar anima\u00e7\u00e3o vocacional a perpassar todas as iniciativas e numa articula\u00e7\u00e3o convicta com a pastoral juvenil e familiar. O Departamento para a Pastoral Vocacional ser\u00e1, s\u00f3 e apenas, um instrumento catalizador e galvanizador propondo iniciativas conjuntas e dando subs\u00eddios para alguns momentos. A circularidade de ideias e sugest\u00f5es ser\u00e1 um meio de enriquecimento m\u00fatuo que poder\u00e1 facilitar os trabalhos pastorais de todos. Dispendem-se muitas energias que, partilhando os esfor\u00e7os, se multiplicariam em sinergias novas. 3. Com este apelo quereria assumir um compromisso de refor\u00e7ar, a n\u00edvel diocesano, uma \u201cboa centralidade\u201d que ningu\u00e9m pode confundir com centralismo. Este convida \u00e0 pregui\u00e7a e espera pelos trabalhos, que outros preparam e concretizam; aquela d\u00e1 vida a uma coordena\u00e7\u00e3o de actividades, permuta de energias e for\u00e7as apost\u00f3licas, disponibilidade de agentes, integra\u00e7\u00e3o efectiva de todas as estruturas diocesanas. Vivemos num terreno comum que se torna parcela do Reino onde a conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os permite chegar a todos os ambientes e meios. Corre-se o risco de \u201cgirar\u201d a volta das mesmas pessoas perdendo a universalidade dos espe\u00e7os e das pessoas que os preenchem. Em terrenos que parecem infecundos resplandecem ou podem resplandecer as flores mais maravilhosas. 4. Aterrando no concreto teremos de reconhecer que se imp\u00f5em duas maneiras de ac\u00e7\u00e3o pastoral como sinal inequ\u00edvoco de chamamento. 4.1. Sem uma coopera\u00e7\u00e3o pastoral \u2013 a n\u00edvel inter-paroquial, zonal ou arciprestal \u2013 perdemos a incid\u00eancia e conhecimento da realidade. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil chegar a um acordo e um assumir as mesmas prioridades. No agir, como no pensar, \u00e9 fundamental saber perder diante duma vontade colegial ou duma necessidade reconhecida pelo maior n\u00famero. A unidade vai de encontro \u00e0 mobilidade hodierna e ir\u00e1 permear as conversas dos nossos crist\u00e3os que oriundos de comunidades diferentes trabalham e encontram-se nos mesmos ambientes. Ningu\u00e9m nega a for\u00e7a da unidade. S\u00f3 que, muitas vezes, optamos pela fragilidade que o individualismo manifesta.  4.2. O crescimento da corresponsabilidade laical na vida e miss\u00e3o da Igreja testemunha a ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito a fazer entender um novo Pentecostes no inicio do terceiro mil\u00e9nio, qual concretiza\u00e7\u00e3o e resultado do Concilio Vaticano II. Se os Movimentos proliferam e encontram voca\u00e7\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio que deles apare\u00e7am voca\u00e7\u00f5es para a Igreja local nas variadas formas de consagra\u00e7\u00e3o. O movimento, por isso, n\u00e3o pode olhar s\u00f3 para si mas, como dom do Esp\u00edrito, ter\u00e1 de ser dom para a Igreja.  Esta consequ\u00eancia acontecer\u00e1 se a integra\u00e7\u00e3o se tornar mais efectiva na constru\u00e7\u00e3o da Igreja \u2013 comunh\u00e3o como verdadeiros protagonistas da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 suficiente sublinhar que a hora dos leigos chegou. Ter\u00e1 de tornar-se vis\u00edvel o que, para muitos, exigir\u00e1 muita convers\u00e3o. Enquanto continuarmos a pensar em termos do \u201cmeu\u201d movimento ou da \u201cminha\u201d par\u00f3quia o h\u00famus vocacional n\u00e3o se verificar\u00e1.  Conclus\u00e3o  Nestas pistas \u2013 e percorrendo-as \u2013 a Igreja Diocesana deve deixar de lamentar-se e viver das den\u00fancias, verdadeiras ou falsas. Todo o positivo que Deus semeou nesta vinha de Braga tem de ser cultivado e colocado a circular. Fazendo-o, multiplica-se e vem promover um clima \u2013 em pensamentos e palavras \u2013 de gratid\u00e3o, de consola\u00e7\u00e3o, de encorajamento. H\u00e1 coisas maravilhosas que devem ser colocadas ao servi\u00e7o de todos (cf. Rom. 14, 17) tornando-se, assim, for\u00e7a para a edifica\u00e7\u00e3o de todo o corpo na verdadeira caridade (Ef. 4, 16). S\u00e3o muitos os frutos do Esp\u00edrito (cf. Gal. 5, 22) que ningu\u00e9m os pode saborear egoisticamente mas permitir que entrem na permuta, tornando-se alimento para o crescimento da comunidade (cf. 1 Cor. 14.12). Se h\u00e1 realidades negativas, come\u00e7a a visibilizar-se uma nova aurora que teremos de acolher e real\u00e7ar.  Maria, a Senhora do Sameiro, permita que sejamos capazes de vivenciar alegremente os dons de Deus.  D. Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga Igreja do Semin\u00e1rio de Santiago, 07.10.04  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abertura do Ano Vocacional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[172,199,268,280],"class_list":["post-7930","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-braga","tag-espiritualidade","tag-nova-evangelizacao","tag-pastoral-juvenil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7930\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}