{"id":79254,"date":"2016-11-10T14:30:00","date_gmt":"2016-11-10T14:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2016\/11\/10\/missao-sem-fronteiras\/"},"modified":"2016-11-10T14:30:00","modified_gmt":"2016-11-10T14:30:00","slug":"missao-sem-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/missao-sem-fronteiras\/","title":{"rendered":"\u00abMiss\u00e3o sem fronteiras\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Nota Pastoral sobre os Mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo nos 150 anos da sua presen\u00e7a em Portugal <!--more--> <\/p>\n<p> \tCom esta Nota Pastoral, queremos reconhecer e agradecer os 150 anos de presen&ccedil;a mission&aacute;ria dos Espiritanos em Portugal, recordando o precioso contributo para a miss&atilde;o da Igreja, especialmente no nosso pa&iacute;s e a partir dele.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>As origens<\/strong><\/p>\n<p> \t1. A Congrega&ccedil;&atilde;o dos Mission&aacute;rios do Esp&iacute;rito Santo tem a sua origem no contexto social de Paris dos in&iacute;cios do s&eacute;culo XVIII. Paris estava a abarrotar de povo pobre que vinha do interior para agarrar alguma oportunidade de trabalho. Tamb&eacute;m ali morava a gente mais rica do pa&iacute;s, como capital que era. As grandes Universidades atra&iacute;am os mais jovens. Ali chegara Cl&aacute;udio Poullart des Places, jovem bret&atilde;o, para estudar direito. Ele percebeu o drama dos &laquo;limpa-chamin&eacute;s&raquo; e outros pobres e, no contacto com eles, concluiu que alguns gostariam de ser padres, mas n&atilde;o tinham dinheiro para os estudos. Cl&aacute;udio juntou alguns jovens, fez com eles a caminhada de discernimento e, no Pentecostes de 1703, deu origem &agrave; Congrega&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo. De in&iacute;cio dedicava-se &agrave; evangeliza&ccedil;&atilde;o do imenso mundo rural, completamente abandonado, at&eacute; pela Igreja, sem oper&aacute;rios para t&atilde;o pobre messe.<\/p>\n<p> \tUm s&eacute;culo depois, nasceu na Als&aacute;cia Francisco Libermann. Filho do rabino de Saverne, recebeu educa&ccedil;&atilde;o esmerada para suceder ao pai, mas acabaria por se converter ao cristianismo e rumar em dire&ccedil;&atilde;o do sacerd&oacute;cio. A epilepsia que entretanto o atingiu quase o afastou desse objetivo, mas seria ordenado em 1841. Com dois jovens de origem africana, lan&ccedil;ou a Obra dos Negros, projeto de evangeliza&ccedil;&atilde;o que est&aacute; na origem da Congrega&ccedil;&atilde;o do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria. A miss&atilde;o principal era a liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos e a evangeliza&ccedil;&atilde;o dos povos africanos, vitimados pelo flagelo da escravatura. Em 1848, deu-se a fus&atilde;o das duas Congrega&ccedil;&otilde;es: a do Esp&iacute;rito Santo e a do Imaculado Cora&ccedil;&atilde;o de Maria. O P. Francisco Libermann foi o primeiro Superior Geral e orientou-a definitivamente para a miss&atilde;o <em>ad gentes<\/em>.<\/p>\n<p> \tImporta recordar grandes mission&aacute;rios como o P. Tiago Laval, pai espiritual da Ilha Maur&iacute;cia, e o P. Daniel Brottier, re-fundador da Obra dos &Oacute;rf&atilde;os Aprendizes de Auteuil em Paris, ambos beatificados por Jo&atilde;o Paulo II. Entre estadistas e homens de cultura, sobretudo em &Aacute;frica, que foram formados pelos Mission&aacute;rios do Esp&iacute;rito Santo, importa referir Leopold Senghor, primeiro presidente do Senegal e um dos pais da negritude, que confessou que Libermann e os Espiritanos marcaram de forma indel&eacute;vel a sua vida de crist&atilde;o, intelectual e escritor negro-africano.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>De Angola a Portugal<\/strong><\/p>\n<p> \t2. Os Espiritanos, presentes na &Aacute;frica e Cara&iacute;bas, entraram em Angola em 1866, entraram em Angola, idos do Congo Brazaville. Perante a recusa das autoridades portuguesas em aceitar mission&aacute;rios que n&atilde;o fossem portugueses, chegaram a Lisboa os primeiros Espiritanos, um ano depois a 2 de novembro, para preparar futuros padres e irm&atilde;os no Semin&aacute;rio Patriarcal de Santar&eacute;m.<\/p>\n<p> \tAqui come&ccedil;a a hist&oacute;ria do Espiritanos em Portugal. Ap&oacute;s anos dif&iacute;ceis, foi Braga a acolher as primeiras grandes estruturas de forma&ccedil;&atilde;o dos Mission&aacute;rios do Esp&iacute;rito Santo. At&eacute; 1910, muitos foram os Mission&aacute;rios que partiram para Angola, onde o clima era adverso, a pobreza generalizada e as doen&ccedil;as desconhecidas e incur&aacute;veis. Muitos ali morreram, ainda jovens, como bem narra Miguel Torga no seu Di&aacute;rio XII, ap&oacute;s visita ao Cemit&eacute;rio da Hu&iacute;la, no Lubango: &laquo;depois do a&eacute;reo deslumbramento do maci&ccedil;o da Chela e do abissal fasc&iacute;nio da Tundavala, a rasa emo&ccedil;&atilde;o do cemit&eacute;rio da miss&atilde;o cat&oacute;lica da Hu&iacute;la. Aqui jaz&hellip; aqui jaz&hellip; aqui jaz&hellip; E s&atilde;o nomes de todas as nacionalidades, portugueses, belgas, franceses, alem&atilde;es, inscritos lado a lado em humildes lousas iguais, seguidos de uma inscri&ccedil;&atilde;o tr&aacute;gica: falecido com 24 anos, com 45, com 51, com 32&hellip; Nomes de homens que vinham ao encontro da morte certa e prematura por conta de Deus e do semelhante. Por conta da f&eacute;, da esperan&ccedil;a e da caridade&raquo;.<\/p>\n<p> \tA expuls&atilde;o das Ordens Religiosas de Portugal em 1910 afetou tamb&eacute;m a Miss&atilde;o Espiritana. Os mission&aacute;rios foram presos ou dispersos. Regressaram em 1919 para uma refunda&ccedil;&atilde;o que seria coordenada pelo P. Mois&eacute;s Alves de Pinho, mais tarde Bispo de Angola e Congo e seguidamente Arcebispo de Luanda; entretanto, foram construindo Semin&aacute;rios em v&aacute;rios pontos do nosso pa&iacute;s, para a forma&ccedil;&atilde;o de numerosos padres e irm&atilde;os que partiram para Angola e outros pa&iacute;ses, e de milhares de jovens, que muito os t&ecirc;m apoiado na sua atividade mission&aacute;ria.<\/p>\n<p> \tOs Espiritanos contribu&iacute;ram para a cultura na sociedade portuguesa, sobretudo com obras publicadas nos &acirc;mbitos da hist&oacute;ria, da etnologia, da lingu&iacute;stica, da antropologia,&nbsp; da teologia e da pastoral mission&aacute;ria. Disso s&atilde;o exemplos os padres Ant&oacute;nio Br&aacute;sio e Ad&eacute;lio Torres Neiva, ambos da Academia Portuguesa da Hist&oacute;ria, e Joaquim Alves Correia, considerado um dos pais da democracia portuguesa, que foi homem de cultura, liberdade e op&ccedil;&atilde;o pelos mais pobres, tendo morrido exilado nos Estados Unidos. A Igreja em Portugal p&ocirc;de ainda beneficiar do fogo mission&aacute;rio de homens como D. Agostinho de Moura que, ap&oacute;s a funda&ccedil;&atilde;o da Liga Intensificadora da A&ccedil;&atilde;o Mission&aacute;ria (LIAM), seria Bispo de Portalegre-Castelo Branco.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Atualidade da miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p> \t3. Inseridos na Igreja local, sobretudo pela anima&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria e vocacional, os Espiritanos t&ecirc;m passado pela maioria das par&oacute;quias do pa&iacute;s, mesmo nos lugares mais interiores e insulares. Hoje, os asseguram a anima&ccedil;&atilde;o em diversas dioceses, colaboram em diversos eclesiais, formam grupos de jovens no esp&iacute;rito mission&aacute;rio, investem na comunica&ccedil;&atilde;o, colaboram em capelanias hospitalares e prisionais, apoiam imigrantes e refugiados.<\/p>\n<p> \tPara isso lan&ccedil;aram diversos movimentos laicais de cariz mission&aacute;rio: LIAM; Movimento Mission&aacute;rio de Professores (MOMIP); Jovens Sem Fronteiras (JSF); Associa&ccedil;&atilde;o dos Antigos Alunos (ASES); Leigos Associados Espiritanos; Fraternidades; Zeladores; Voluntariado Mission&aacute;rio. S&atilde;o milhares de leigos que partilham a espiritualidade no nosso pa&iacute;s e dele partem para outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p> \tEnquanto Instituto Mission&aacute;rio <em>Ad Gentes<\/em>, presentemente n&atilde;o se limitam a enviar mission&aacute;rios para fora, mas acolhem nas suas comunidades mission&aacute;rios de outros pa&iacute;ses, mostrando a universalidade da Igreja e como a partilha e a diversidade s&atilde;o uma riqueza para as Igrejas locais.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Com os olhos no futuro<\/strong><\/p>\n<p> \t4. A vida dos Espiritanos em Portugal &eacute; uma hist&oacute;ria de miss&atilde;o e comunh&atilde;o, a alargar horizontes, a p&ocirc;r o cora&ccedil;&atilde;o a bater ao ritmo das preocupa&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias da Igreja. E constitui uma ocasi&atilde;o para responderem ao convite do Papa Francisco para o Ano da Vida Consagrada (2015-2016): fazer a mem&oacute;ria agradecida do passado, viver o presente com paix&atilde;o e construir o futuro com esperan&ccedil;a, um futuro enraizado no mart&iacute;rio, isto, &eacute;, no testemunho do Evangelho, que est&aacute; nas suas origens.<\/p>\n<p> \tFoi nesse sentido que escolheram para lema deste jubileu as palavras de S&atilde;o Paulo: &laquo;<em>Alegres na Esperan&ccedil;a&raquo; <\/em>(Rm 12,12). Continuamos, por isso, a contar com a sua entrega, o seu dinamismo, o seu estilo de vida simples e comprometido, o testemunho da vida comunit&aacute;ria e fraterna, a sua criatividade na evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tAgradecemos ao &laquo;Senhor da Messe&raquo; por tantos mission&aacute;rios que, por meio desta Congrega&ccedil;&atilde;o, tem enviado para a sua messe. Agradecemos a semente do Evangelho que, por seu interm&eacute;dio, tem lan&ccedil;ado ao longo da sua exist&ecirc;ncia, em tantos lugares do mundo. E desejamos que este Jubileu seja oportuna ocasi&atilde;o para retomarem de modo renovado a for&ccedil;a mission&aacute;ria e o entusiasmo do an&uacute;ncio, concretizando o sonho de chegar a todos. Contamos assim com o seu contributo para concretizar o que propusemos na Carta Pastoral &laquo;<em>Como Eu vos fiz, fazei-os v&oacute;s tamb&eacute;m<\/em>&raquo; de 2010: que a nossa Igreja em Portugal tenha um rosto mission&aacute;rio, em comunidades abertas, fraternas e sempre a caminho, em miss&atilde;o de cora&ccedil;&atilde;o a cora&ccedil;&atilde;o, seguindo os passos do Bom Pastor.<\/p>\n<p> \t<em>F&aacute;tima, 10 de novembro de 2016<\/em><\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nota Pastoral sobre os Mission\u00e1rios do Esp\u00edrito Santo nos 150 anos da sua presen\u00e7a em Portugal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[106,172,179,197,199,241,274,291,326,329],"class_list":["post-79254","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-angola","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-portalegre-castelo-branco","tag-espiritanos","tag-espiritualidade","tag-jsf","tag-papa-francisco","tag-refugiados","tag-vida-consagrada","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79254"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79254\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}