{"id":7907,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/discurso-do-cardeal-patriarca-na-tomada-de-posse-dos-reitor-e-vice-reitores-da-ucp\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"discurso-do-cardeal-patriarca-na-tomada-de-posse-dos-reitor-e-vice-reitores-da-ucp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-do-cardeal-patriarca-na-tomada-de-posse-dos-reitor-e-vice-reitores-da-ucp\/","title":{"rendered":"Discurso do Cardeal-Patriarca na Tomada de Posse dos Reitor e Vice-Reitores da UCP"},"content":{"rendered":"<p>1. As minhas breves palavras dirigem-se, antes de mais, a si, Senhor Reitor, neste in\u00edcio do seu segundo mandato, para lhe agradecer a forma competente, l\u00facida e serena com que presidiu \u00e0 vida desta Universidade, num quadri\u00e9nio que n\u00e3o foi f\u00e1cil, em que aos desafios espec\u00edficos de uma Universidade, se acrescentaram problemas vindos das nossas fragilidades internas. Nada lhe fez perder a serenidade e a lucidez nem diminuir a ousadia criativa para imaginar caminhos novos. Ao agradecer-lhe reitero-lhe a minha confian\u00e7a pessoal, que exprime tamb\u00e9m a da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa. A confian\u00e7a da Santa S\u00e9 foi largamente expressa na sua nomea\u00e7\u00e3o para um segundo mandato. Estendo este agradecimento aos Senhores Vice-Reitores agora cessantes, que fizeram com Vossa Excel\u00eancia uma equipa not\u00e1vel, unida na compet\u00eancia e na ousadia, dinamizada na prossecu\u00e7\u00e3o de objectivos por todos aceites. Sa\u00fado igualmente os Senhores Vice-Reitores agora empossados, desejando-vos a mesma firmeza na unidade de objectivos, e a mesma compet\u00eancia na sua prossecu\u00e7\u00e3o.  2. Aproveito esta oportunidade para reafirmar a esperan\u00e7a que a Igreja p\u00f5e na miss\u00e3o desta Universidade, que consideramos uma das express\u00f5es da miss\u00e3o da pr\u00f3pria Igreja no mundo. A miss\u00e3o espec\u00edfica de uma Universidade Cat\u00f3lica situa-se a\u00ed, na fronteira onde a Igreja e a sociedade se cruzam e se encontram. Sendo afirma\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o crist\u00e3 do homem e da hist\u00f3ria, a Universidade Cat\u00f3lica \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, espa\u00e7o de di\u00e1logo e de colabora\u00e7\u00e3o, afirma\u00e7\u00e3o de conviv\u00eancia que, no respeito pela diferen\u00e7a, procura o progresso da sociedade. Inicia Vossa Excel\u00eancia, Senhor Reitor, o seu segundo mandato alguns dias depois de a Assembleia da Rep\u00fablica ter ratificado, por larga maioria, o novo texto concordat\u00e1rio. Tem a comunica\u00e7\u00e3o social sublinhado o facto de, na nova Concordata, se fazer uma refer\u00eancia expl\u00edcita \u00e0 Universidade Cat\u00f3lica. Mas mais importante do que essa alus\u00e3o, \u00e9 o princ\u00edpio da colabora\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado, em prol da constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade cada vez mais consent\u00e2nea com as profundas aspira\u00e7\u00f5es do povo portugu\u00eas, na valoriza\u00e7\u00e3o da sua identidade cultural e no aprofundamento de valores estruturantes como o s\u00e3o a liberdade, a justi\u00e7a e a paz. Este princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o, em prol do bem comum, atravessa o texto concordat\u00e1rio do princ\u00edpio ao fim e justifica muita da mat\u00e9ria substantiva do articulado. A aceita\u00e7\u00e3o clara e convicta pelas duas partes, a Santa S\u00e9 e o Estado Portugu\u00eas, deste princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o, exprime, em si mesmo, a evolu\u00e7\u00e3o verificada, por parte da Igreja, da sua maneira de estar no mundo, como parte activa da constru\u00e7\u00e3o da sociedade plural; por parte do Estado, de uma vis\u00e3o positiva da laicidade, a que n\u00e3o renuncia, mas concebe como respeito pela pluralidade, na diferen\u00e7a, canalizando o contributo espec\u00edfico de cada grupo para a unidade do projecto da sociedade. Esta \u00e9 uma nova atitude cultural, promissora para o futuro da nossa sociedade: nem a Igreja precisa de renunciar \u00e0 especificidade da sua vis\u00e3o do homem e da sociedade, para colaborar com o Estado e outras for\u00e7as sociais; nem o Estado precisa de renunciar \u00e0 sua laicidade, para apoiar positivamente os contributos da Igreja para a edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor. Todos sabemos que esta vis\u00e3o positiva do respeito m\u00fatuo, do di\u00e1logo e da coopera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se traduz na pr\u00e1tica por decreto. \u00c9 um longo caminho a percorrer, que \u00e9 o caminho da luta por um mundo novo e uma sociedade diferente. E se reconhecemos que em muitos cat\u00f3licos subsistem, ainda, vis\u00f5es dicot\u00f3micas em rela\u00e7\u00e3o a certos fen\u00f3menos sociais, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que uma vis\u00e3o da laicidade concebida como exclus\u00e3o da Igreja e da sua vis\u00e3o do mundo, se manifesta ainda, transformando a laicidade em laicismo. Mas nada disso nos far\u00e1 desistir nesta luta por um futuro novo. A lucidez, a persist\u00eancia e a determina\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a sabedoria paciente, s\u00e3o hoje atitudes fundamentais para quem lidera dinamismos e institui\u00e7\u00f5es, importantes e, porventura, decisivos, para o futuro da sociedade.  3. Uma Universidade Cat\u00f3lica \u00e9 o espa\u00e7o privilegiado para esta coopera\u00e7\u00e3o, para a edifica\u00e7\u00e3o de uma sociedade melhor. Compete-lhe formar aqueles e aquelas que ser\u00e3o interventores decisivos no futuro da sociedade. E deve form\u00e1-los, competentes na \u00e1rea pr\u00f3pria de interven\u00e7\u00e3o, e cultos, capazes de discernimento sobre o sentido profundo da sociedade que queremos construir, dos valores irrenunci\u00e1veis que ser\u00e3o o seu alicerce, abertos e perspicazes para identificarem esses valores em qualquer parte em que estejam a germinar. Para isso a Universidade Cat\u00f3lica, para al\u00e9m da compet\u00eancia acad\u00e9mica, deve ser espa\u00e7o de cultura, enraizada nos valores evang\u00e9licos. Ningu\u00e9m estar\u00e1 \u00e0 altura desse mundo novo, que todos desejamos, se n\u00e3o perceber que as solu\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas e imediatistas n\u00e3o bastam; que n\u00e3o haver\u00e1 sociedade justa se n\u00e3o se alicer\u00e7ar na compreens\u00e3o da dignidade do homem e na exig\u00eancia radical do seu futuro. A Universidade Cat\u00f3lica tem de dar a esta perspectiva cultural de uma mundivid\u00eancia crist\u00e3 pelo menos a mesma import\u00e2ncia que d\u00e1 ao cultivo da compet\u00eancia cient\u00edfica e t\u00e9cnica. A ci\u00eancia sem a cultura n\u00e3o \u00e9, necessariamente, um elemento decisivo na constru\u00e7\u00e3o da sociedade. Nesse sentido, n\u00e3o hesito em afirm\u00e1-lo, a Universidade Cat\u00f3lica \u00e9 um espa\u00e7o de evangeliza\u00e7\u00e3o, onde a todos seja comunicada a dimens\u00e3o espec\u00edfica de uma vis\u00e3o crist\u00e3 da sociedade e da generosidade e responsabilidade exigidas por aqueles que a constr\u00f3em. Os valores inspiradores do homem, pessoa em sociedade, devem ser conte\u00fado indiscut\u00edvel dessa dimens\u00e3o cultural. Sem excluir o an\u00fancio expl\u00edcito da f\u00e9, verdadeiro fundamento de toda a cultura crist\u00e3, deve ser comunicado a todos o pensamento social da Igreja, o seu vasto ensinamento sobre o homem e a sociedade; e todos deveriam ser iniciados, atrav\u00e9s da Filosofia, na arte de pensar, discernir e julgar. N\u00e3o vos escondo a minha preocupa\u00e7\u00e3o pela relativiza\u00e7\u00e3o do papel da atitude filos\u00f3fica como fundamento do discernimento cr\u00edtico, importante para todos os saberes.  Desejo-lhe, Senhor Reitor e \u00e0 sua equipa, um bom mandato. Vossa Excel\u00eancia j\u00e1 mostrou que \u00e9 capaz de reunir todos, docentes, estudantes e funcion\u00e1rios, \u00e0 volta de um mesmo projecto que os galvanizar\u00e1 na medida do seu entusiasmo em participarem activamente na constru\u00e7\u00e3o desse futuro novo para a nossa sociedade.  Lisboa, 6 de Outubro de 2004 \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca Magno Chanceler da UCP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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