{"id":7868,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/peregrinar-com-as-maos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"peregrinar-com-as-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/peregrinar-com-as-maos\/","title":{"rendered":"Peregrinar com as m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>\u201cPeregrinar com as m\u00e3os\u201d. Assim se intitula a exposi\u00e7\u00e3o (no Centro Paulo VI, em F\u00e1tima), integrada nas comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento da escultora Maria Am\u00e9lia Carvalheira. O t\u00edtulo da exposi\u00e7\u00e3o exprime bem toda a vida e obra da artista.  \u201cMaria Am\u00e9lia Carvalheira da Silvan\u00e3o frequentou qualquer Escola de Belas Artes, dentro e fora do Pa\u00eds. Tudo o que \u00e9 a si se deve, bem como aos seus trabalhos que, pacientemente, foi realizando hora a hora, dia a dia, ano a ano. Em poucas palavras \u00e9, indiscutivelmente, uma autodidacta\u201d. Assim escreveu, em Julho de 1983, no Porto, o Mestre Salvador Barata Feyo, que em 1947, depois de ver os trabalhos da artista autodidacta e amadora, se prontifi-cara a aceit\u00e1-la como sua disc\u00edpula. At\u00e9 1953 aprendeu com ele tudo o que a esta arte dizia respeito. E fez obras nas quais vive; ela continua a viver. Ouvi coment\u00e1rios a seu respeito de v\u00e1rios mestres que tiveram certo ci\u00fame da sua popularidade. \u00c0 minha pergunta se achavam as obras de Am\u00e9lia Carvalheira boas e belas sempre me responderam que sim. Mas acrescentavam: \u201cn\u00f3s estud\u00e1mos v\u00e1rios anos e gast\u00e1mos o nosso dinheiro, para conseguir algum nome. Ela n\u00e3o gastou nem anos, nem dinheiro, e hoje tem grande nome como artista religiosa\u201d.  Sim, reconhe\u00e7o que ela n\u00e3o gastou anos na Escola de Belas Artes, aprendeu s\u00f3 o necess\u00e1rio com o Mestre Barata Feyo e superou as faltas com o seu talento que j\u00e1 se manifestou quando tinha 12 anos. No entanto, Maria Am\u00e9lia Carvalheira conseguiu tornar-se excelente escultora no mundo religioso porque viveu conscientemente a sua religiosidade e a quis transmitir em seu redor por meio do seu talento art\u00edstico.  Fui ordenado em 1953 e fizera mais um ano de estudos na Alemanha, quando os meus superiores da Ordem me mandaram para F\u00e1tima em 1954, altura em que estava em fase de acabamento a constru\u00e7\u00e3o do nosso Semin\u00e1rio. Recebi imediatamente do Superior Regional Pe. Alexandre Janssen como primeiro trabalho, a incumb\u00eancia de cuidar da Capela. Assim, dentro de pouco tempo, pude conhecer a Senhora Dona Maria Am\u00e9lia que j\u00e1 executara, em baixo-relevo, as 14 esta\u00e7\u00f5es da Via Sacra da nossa Capela e come\u00e7ara a esculpir as 12 imagens dos Padroeiros da Congrega\u00e7\u00e3o, em pedra, e para uma Capela interior fizera tamb\u00e9m um baixo-relevo de barro pintado representando a Sant\u00edssima Trindade, segundo a vis\u00e3o de Tuy com as palavras: DEUS CARITAS EST.  Os h\u00fangaros exilados ou refugiados no estrangeiro, especialmente aqueles que j\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo XX encontraram nova p\u00e1tria na Am\u00e9rica, para implorarem a liberta\u00e7\u00e3o da Hungria do comunismo ateu, receberam em 16 de Julho de 1956 a aprova\u00e7\u00e3o do primeiro bispo de F\u00e1tima para erguer uma Via Sacra, segundo o costume nas cidades h\u00fangaras. A Via Sacra fora primeiro projectada em meio redor atr\u00e1s da actual bas\u00edlica mas como surgira, nos anos seguintes, a Via Sacra de azulejos da Colunata, com o consentimento do Senhor D. Jo\u00e3o Pereira Ven\u00e2ncio, transferimos a realiza\u00e7\u00e3o do projecto para o Caminho dos Pastorinhos onde actualmente se encontra. Acrescentou-se um projecto do Golgotha no cimo do Cabe\u00e7o, para rematar as 14 esta\u00e7\u00f5es da Via Sacra H\u00fangara. Sendo o \u00fanico sacerdote h\u00fangaro em F\u00e1tima, os meus compatriotas elegeram-me para dar andamento \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e o Senhor Bispo aprovou ser eu o respons\u00e1vel da obra. Para a realiza\u00e7\u00e3o do projecto era necess\u00e1rio escolher uma artista para executar os 14 baixos relevos em pedra. Como j\u00e1 tinha contacto com a Senhora Maria Am\u00e9lia e conhecia a beleza da sua arte, n\u00e3o tive qualquer hesita\u00e7\u00e3o em confiar-lhe a obra. No entanto, para a ajudar \u00e0 sua concretiza\u00e7\u00e3o, dei-lhe o livro, da autoria de Brentano, intitulado: \u201cA Paix\u00e3o de Jesus Cristo segundo as vis\u00f5es de Ana Catarina Emmerich\u201d; ali\u00e1s o mesmo livro foi utilizado recentemente para o famoso filme de Mel Gibson sobre a Paix\u00e3o de Cristo. Assim \u00e9 evidente a liga\u00e7\u00e3o de Maria Am\u00e9lia \u00e0 Capela do Verbo Divino e \u00e0 Via Sacra H\u00fangara, em F\u00e1tima, a que n\u00f3s nesta sess\u00e3o solene queremos dar uma aten\u00e7\u00e3o de relevo. A sua estreia em F\u00e1tima foi, sem d\u00favida, com coloca\u00e7\u00e3o das 14 esta\u00e7\u00f5es na Via Sacra de granito em baixo-relevo, na Capela do Semin\u00e1rio do Verbo Divino e as 12 imagens de pedra representando os diversos Patronos da Congrega\u00e7\u00e3o. Encontram-se em F\u00e1tima, hoje tamb\u00e9m, outras obras da sua autoria, tais como as Imagens de Nossa Senhora de F\u00e1tima e de Jesus Crucificado, na Capela das Irm\u00e3s da Apresenta\u00e7\u00e3o, a de S. Domingo abra\u00e7ado aos p\u00e9s da Cruz com Cristo Crucificado na Capela das domini-canas e um baixo-relevo com 4 metros representando o Beato Nuno \u00c1lvares Pereira, na Casa de Beato Nuno. Os peregrinos de F\u00e1tima, que visitam os lugares ligados \u00e0s apari\u00e7\u00f5es, podem admirar na Loca do Cabe\u00e7o as imagens das tr\u00eas crian\u00e7as com o anjo, nos Valinhos Nossa Senhora de F\u00e1tima e nas Colunatas do Santu\u00e1rio as figuras de m\u00e1rmore com 2,5 metros de altura, de Santa Teresa de \u00c1vila, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, Santo In\u00e1cio de Loyola, S\u00e3o Sim\u00e3o Stock, Santo Afonso Maria de Lig\u00f3rio, S\u00e3o Francisco de Salles e dentro da Bas\u00edlica, S\u00e3o Domingos.  Foi tamb\u00e9m Maria Am\u00e9lia Carvalheira quem executou os baixos-relevos das 15 esta\u00e7\u00f5es de pedra da Via Sacra H\u00fangara, a \u00faltima das quais quando j\u00e1 tinha 88 anos de idade! \u00c9 tamb\u00e9m da sua autoria a imagem de m\u00e1rmore de Nossa Senhora, Padroeira da Hungria com a coroa de Santo Est\u00eav\u00e3o, no interior da Capela. Segundo a opini\u00e3o dos bispos h\u00fangaros, ela \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o mais bela at\u00e9 hoje feita, por isso a sua c\u00f3pia executada em madeira pintada, percorreu, durante o ano de 2001, todas as dioceses da Hungria, ao celebrar o mil\u00e9simo anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.  \u201cPeregrinar com as m\u00e3os\u201d &#8211; intitula-se a exposi\u00e7\u00e3o. Qualquer movimento, por mais simples que seja, e aqui o movimento dos dedos de Maria Am\u00e9lia Carvalheira, requer um sistema complexo de comunica\u00e7\u00f5es corporais no qual interv\u00eam o c\u00e9rebro, os nervos e os m\u00fasculos. Os receptores dos nervos transmitem o sinal para o c\u00e9rebro que pela medula percorre o caminho at\u00e9 \u00e0 placa motora que depois estimula o movimento muscular. Maria Am\u00e9lia, ao sentir talento e aptid\u00e3o para pintura e escultura, para ser uma escultora religiosa, aplicou tamb\u00e9m a sua religiosidade no grau mais elevado e foi justamente a sua religiosidade que deu \u00e0s suas obras o car\u00e1cter  e a coroa, como foi outrora a devo\u00e7\u00e3o crist\u00e3 que transformou mont\u00f5es de pedras em imagens e arquitectura de igrejas. As obras de Maria Am\u00e9lia s\u00e3o produtos da sua alma, profundamente mergulhada em Deus, e continuam a movimentar tamb\u00e9m os peregrinos de F\u00e1tima para a proximidade de Deus; as obras que representam a Sant\u00edssima Virgem, os Anjos, os Santos e os caminhos da salva\u00e7\u00e3o.  (&#8230;)Numa palavra: Maria Am\u00e9lia Carvalhei-ra transmitiu para o mundo os seus ideais, com for\u00e7a de devo\u00e7\u00e3o, de culto e de adora\u00e7\u00e3o diante do Majestoso, que ela vivia no seu interior, e foi movida para isso, para o transmitir. \u201cO p\u00e1ssaro n\u00e3o canta porque tem uma afirma\u00e7\u00e3o a fazer &#8211; dizia um dos grandes escritores do nosso tempo &#8211; mas porque quer expressar uma melodia\u201d. Maria Am\u00e9lia n\u00e3o fez obras de arte s\u00f3 para satisfazer encomendas, mas fez tudo para expressar o conte\u00fado da sua alma em louvor a Deus que \u00e9 o Criador de todas as belezas, que tudo fez \u00e0 Sua imagem, sendo Ele a Beleza Eterna.  Pe. Lu\u00eds Kondor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPeregrinar com as m\u00e3os\u201d. Assim se intitula a exposi\u00e7\u00e3o (no Centro Paulo VI, em F\u00e1tima), integrada nas comemora\u00e7\u00f5es do centen\u00e1rio do nascimento da escultora Maria Am\u00e9lia Carvalheira. 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