{"id":7755,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-vida-humana-aspectos-biologicos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-vida-humana-aspectos-biologicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-vida-humana-aspectos-biologicos\/","title":{"rendered":"A vida humana. Aspectos biol\u00f3gicos"},"content":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de Laureano Santos nas Jornadas de Comunica\u00e7\u00e3o Social <!--more--> Jornadas da Comunica\u00e7\u00e3o Social da Comiss\u00e3o Episcopal das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais  F\u00e1tima, 23 de Setembro de 2004  A vida humana. Aspectos biol\u00f3gicos.  1 &#8211; Introdu\u00e7\u00e3o O homem tem um corpo semelhante ao de muitos outros seres vivos. As estruturas e as fun\u00e7\u00f5es dos seus \u00f3rg\u00e3os t\u00eam muitas analogias com as dos animais que ocupam os lugares do topo da escala zool\u00f3gica. De facto, todas as formas de vida t\u00eam estruturas b\u00e1sicas comuns. A c\u00e9lula constitui o suporte material da vida e os seres vivos unicelulares partilham muitas das fun\u00e7\u00f5es existentes nos organismos muito mais complexos. A organiza\u00e7\u00e3o do corpo dos mam\u00edferos, o seu ciclo vital e os comportamentos institivos de muitas esp\u00e9cies superiores re\u00fanem muitas caracter\u00edsticas que se podem reconhecer no homem.  O salto da esp\u00e9cie humana relativamente \u00e0s outras esp\u00e9cies dos mam\u00edferos est\u00e1 ligado \u00e0s possibilidades de racionalidade e de abstrac\u00e7\u00e3o. Estas faculdades mentais permitiram-lhe a cria\u00e7\u00e3o de uma cultura simb\u00f3lica, na qual se inclui uma forma de linguagem abstracta que lhe permite partilhar os sentimentos, as ideias e os mitos, uma representa\u00e7\u00e3o do meio onde vive e uma consci\u00eancia de si. Permitiram-lhe tamb\u00e9m interpretar alguns dos seus pr\u00f3prios comportamentos e reconhecer os limites extremos do seu ciclo vital, isto \u00e9, o nascimento e a morte. Possibilitaram-lhe, ainda, ter consci\u00eancia de n\u00e3o apenas ser mas de ser-se, isto \u00e9, de se situar em si, de ter consci\u00eancia do passado e de estar na condi\u00e7\u00e3o de prever um futuro poss\u00edvel e orient\u00e1vel.  \tProcurarei, nesta minha interven\u00e7\u00e3o, dar um contributo para um debate sobre a vida humana nas suas condi\u00e7\u00f5es limite \u2013 isto \u00e9, no seu in\u00edcio e no seu ocaso.  2 &#8211; A desordem da vida. A hominiza\u00e7\u00e3o.  \tNo estado actual do conhecimento aceita-se que a primeira organiza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria no sentido da vida come\u00e7ou logo que as condi\u00e7\u00f5es de temperatura e de radia\u00e7\u00e3o o permitiram ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o da Terra. Admite-se que o nosso planeta na forma actual tenha cerca de 4,6 mil milh\u00f5es de anos. Os sistemas vivos formaram-se a partir de estruturas inorg\u00e2nicas, admitindo-se que a forma\u00e7\u00e3o dos primeiros biopol\u00edmeros (prote\u00ednas e \u00e1cidos nucleicos) tenha ocorrido durante um per\u00edodo de cerca de mil milh\u00f5es de anos. O aparecimento dos primeiros microrganismos vivos teria ocorrido h\u00e1 aproximadamente 3,5 mil milh\u00f5es de anos.  Pode definir-se um conjunto de crit\u00e9rios de vida, tomando o ser vivo como um sistema aberto no meio envolvente com o qual estabelece equil\u00edbrios de fluxos activos que permitem uma certa estabilidade, perman\u00eancia, actividade aut\u00f3noma e possibilidade de replica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o caracter\u00edsticas dos seres vivos: a) a exist\u00eancia de uma actividade metab\u00f3lica orientada com permuta de mat\u00e9ria, energia e informa\u00e7\u00e3o com o ambiente do qual se diferenciam e do qual dependem; b) a capacidade de resposta a est\u00edmulos exteriores no sentido de manter o equil\u00edbrio do seu meio interno e alterar a sua forma e a sua estrutura atrav\u00e9s de mecanismos de \u201cfeedback\u201d; c) a capacidade de actividade aut\u00f3noma; d) a automultiplica\u00e7\u00e3o com o objectivo da cria\u00e7\u00e3o de outros sistemas vivos semelhantes a si pr\u00f3prio, sem a qual a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica se perderia. A automultiplica\u00e7\u00e3o \u00e9 sujeita a muta\u00e7\u00f5es sem as quais o mecanismo inicial da vida n\u00e3o teria sido poss\u00edvel e a informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica n\u00e3o sofreria altera\u00e7\u00f5es que permitiram a diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e a manuten\u00e7\u00e3o da vida.   \tEm 1944, Erwing Schr\u00f6dinger, um f\u00edsico austr\u00edaco considerado como um dos fundadores da mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, tentou um esfor\u00e7o de liga\u00e7\u00e3o entre a biologia e as leis fundamentais da termodin\u00e2mica. Considerou os seres vivos como estruturas altamente organizadas constitu\u00eddas segundo uma ordem f\u00edsica diferente da ordem do universo sem vida. As subst\u00e2ncias estruturantes dos organismos vivos e a energia de que necessitam s\u00e3o retiradas do ambiente e organizam-se segundo uma ordena\u00e7\u00e3o funcional regida por instru\u00e7\u00f5es contidas no pr\u00f3prio organismo vivo. O conjunto de processos activos continuamente em modifica\u00e7\u00e3o que \u00e9 o suporte da vida constitui aquilo que os bi\u00f3logos designam por metabolismo. Este tem duas fases: o metabolismo biossint\u00e9tico, anabolismo ou assimila\u00e7\u00e3o e o metabolismo bioenerg\u00e9tico, catabolismo ou dissimila\u00e7\u00e3o. O elemento mais comum nos seres vivos, se se exclu\u00edrem o oxig\u00e9nio e o hidrog\u00e9nio que comp\u00f5em a \u00e1gua, \u00e9 o carbono (cerca de 50 % da biomassa seca). Este carbono prov\u00e9m fundamentalmente do di\u00f3xido de carbono do ar nos seres vivos autotr\u00f3ficos (que sintetizam a sua mat\u00e9ria directamente a partir de mat\u00e9ria mineral, fundamentalmente as plantas); ou prov\u00e9m dos compostos org\u00e2nicos j\u00e1 sintetizados pelos organismos autotr\u00f3ficos de cuja vida dependem os seres vivos heterotr\u00f3ficos. Outro elemento fundamental na organiza\u00e7\u00e3o dos seres vivos \u00e9 o azoto, a subst\u00e2ncia mais abundante no ar, constituinte das prote\u00ednas. O azoto \u00e9 retirado da atmosfera por bact\u00e9rias sendo fixado por estas em compostos org\u00e2nicos que, transformados, ir\u00e3o ser utilizados por outros seres vivos.  A informa\u00e7\u00e3o contida na estrutura de algumas mol\u00e9culas muito complexas pr\u00f3prias dos seres vivos \u2013 o ADN, o t\u00e3o celebrado \u00e1cido desoxibonucleico \u2013 ordena a organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da vida. Esta organiza\u00e7\u00e3o seria de uma ordem diferente da que domina no mundo mineral e inorg\u00e2nico. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e a estrutura do ADN constituem a garantia da preserva\u00e7\u00e3o da ordem nos organismos vivos diferenciando-a da outra dominante no ambiente inorg\u00e2nico. Em termos termodin\u00e2micos puros esta \u201cnova\u201d ordem da vida seria altamente improv\u00e1vel de acordo com a segunda lei da termodin\u00e2mica. De facto, postulando esta lei que o universo caminha da ordem para a desordem e sendo a ordem mineral anterior \u00e0 ordem biol\u00f3gica, o reordenamento biol\u00f3gico constituiria uma excep\u00e7\u00e3o \u00e0 lei geral da degrada\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria da vida constituiria uma ordem de outra natureza dentro da tend\u00eancia para a desordem pr\u00f3pria da mat\u00e9ria.       Designa-se por hominiza\u00e7\u00e3o o processo din\u00e2mico ainda incompletamente conhecido que, por aperfei\u00e7oamentos sucessivos, conduziu ao aparecimento do Homem a partir dos Primatas. A hominiza\u00e7\u00e3o completa implica uma evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e uma evolu\u00e7\u00e3o cultural. A primeira teve como resultado um conjunto de capacidades que se traduziram na posi\u00e7\u00e3o ortost\u00e1tica, nas possibilidades dos movimentos das m\u00e3os e oposi\u00e7\u00e3o do polegar aos outros dedos, na exist\u00eancia de um aparelho fonador e sobretudo no desenvolvimento do sistema nervoso central. A evolu\u00e7\u00e3o cultural permitiu-lhe a abstrac\u00e7\u00e3o e a cria\u00e7\u00e3o de uma linguagem simb\u00f3lica. A ac\u00e7\u00e3o conjunta da evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e da evolu\u00e7\u00e3o cultural tornou poss\u00edveis a reflex\u00e3o, o autodom\u00ednio, a interven\u00e7\u00e3o ordenada no meio ambiente, uma linguagem estruturada e uma organiza\u00e7\u00e3o social. As primeiras manifesta\u00e7\u00f5es consideradas t\u00edpicas do homem que chegaram at\u00e9 hoje foram os utens\u00edlios. Todavia, estes s\u00f3 podem tomar-se como manifesta\u00e7\u00f5es indubitavelmente humanas quando neles existe um inequ\u00edvoco aperfei\u00e7oamento funcional e art\u00edstico. A manifesta\u00e7\u00e3o humana mais caracter\u00edstica \u00e9 a arte sob qualquer das suas formas, sobretudo quando essa arte \u00e9 simb\u00f3lica, visto que implica a capacidade de abstrac\u00e7\u00e3o e uma forma complexa de linguagem. A sepultura intencional dos mortos com os seus utens\u00edlios revela com a maior clareza manifesta\u00e7\u00f5es espirituais e religiosas. Por estas raz\u00f5es apenas podemos considerar como pertencentes inequivocamente \u00e0 esp\u00e9cie humana o Homo sapiens sapiens \u2013 o homem na sua forma actual &#8211; e o Homo sapiens neanderthalensis. Este \u00faltimo, o homem de Neanderthal, aceita-se como tendo tido o seu apogeu na \u00faltima \u00e9poca glaciar (h\u00e1 cerca de 75.000 anos) tendo-se extinguido sem continua\u00e7\u00e3o na evolu\u00e7\u00e3o posterior. Tinha uma constitui\u00e7\u00e3o muito robusta, uma altura m\u00e9dia de cerca de 160 cm, as pernas curtas, a nuca saliente e a zona frontal do cr\u00e2nio muito procidente. Fabricava utens\u00edlios de s\u00edlex e enterrava os mortos com arranjos florais.  O Homo sapiens sapiens apareceu talvez na \u00c1sia Menor ou no nordeste da \u00c1frica h\u00e1 cerca de 60.000 anos e difundiu-se por todo o mundo, com apuramento das suas capacidades f\u00edsicas e intelectuais at\u00e9 atingir as formas actuais. Pode afirmar-se que a evolu\u00e7\u00e3o do Homem resultou assim de mecanismos de interac\u00e7\u00e3o entre a esfera biol\u00f3gica e a esfera cultural, permitindo \u201ca esp\u00e9cie terrestre de maior sucesso\u201d. Um sucesso que desde a industrializa\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada amea\u00e7a todas as outras esp\u00e9cies vivas e os recursos do seu pr\u00f3prio meio envolvente. De qualquer modo, com os conhecimentos actualmente dispon\u00edveis, admite-se que apenas a partir da emerg\u00eancia da esp\u00e9cie Homo sapiens (nas suas duas subesp\u00e9cies Homo sapiens sapiens e Homo sapiens neanderthalensis) se encontraram manifesta\u00e7\u00f5es da vida de algu\u00e9m com preocupa\u00e7\u00f5es de ordem superior exclusivas do Homem. Se se admitir, como a maior parte dos especialistas, que s\u00f3 o Homo sapiens pode ser considerado biologicamente como Homem, teremos que aceitar que o Homem \u00e9 muito recente sobre a Terra (cerca de 100.000 anos ou provavelmente um pouco mais). O Homem conseguiu, portanto, evoluir muito rapidamente, criando uma cultura que o defendeu da ac\u00e7\u00e3o desagregadora cont\u00ednua do meio ambiente e o fez evoluir no sentido da cria\u00e7\u00e3o de civiliza\u00e7\u00f5es. O Homem de Neanderthal desapareceu por modifica\u00e7\u00f5es s\u00fabitas ocorridas no ambiente ou por n\u00e3o ter conseguido uma cultura suficientemente evolu\u00edda para poder resistir.  3 &#8211; A vida humana nascente \tTodas considera\u00e7\u00f5es sobre o in\u00edcio da vida humana, qualquer que seja a via da abordagem, antropol\u00f3gica, filos\u00f3fica, teol\u00f3gica, ou jur\u00eddica, n\u00e3o podem eximir-se a uma reflex\u00e3o biol\u00f3gica. O tema da vida humana nascente adquiriu um novo relevo ap\u00f3s os debates sobre a utiliza\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas primordiais (c\u00e9lulas do tronco comum ou c\u00e9lulas estaminais) na investiga\u00e7\u00e3o b\u00e1sica ou prosseguindo objectivos terap\u00eauticos. As quest\u00f5es ligadas \u00e0 legaliza\u00e7\u00e3o do aborto, transversalmente presentes nas sociedades contempor\u00e2neas, estando embora mais relacionadas com est\u00e1dios posteriores do desenvolvimento embrion\u00e1rio, referem-se ainda \u00e0s etapas iniciais da vida humana e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do seu acolhimento.  \tO primeiro facto biologicamente identific\u00e1vel na forma\u00e7\u00e3o de um ser humano \u00e9 a fus\u00e3o de duas c\u00e9lulas altamente especializadas provenientes de cada um dos progenitores contendo metade dos cromossomas de um indiv\u00edduo adulto. Estas c\u00e9lulas s\u00e3o designadas por g\u00e2metas: o \u00f3vulo e o espermatoz\u00f3ide. Fen\u00f3menos semelhantes est\u00e3o na origem de todos os mam\u00edferos e de outros seres vivos pertencentes a muitas outras esp\u00e9cies. Quando aquelas duas c\u00e9lulas se aproximam, envolvidas por um ambiente caracter\u00edstico de cada esp\u00e9cie, ap\u00f3s uma fase de reconhecimento segue-se a penetra\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico do espermatoz\u00f3ide no \u00f3vulo e a forma\u00e7\u00e3o imediata de uma barreira na membrana que o envolve, a qual impede a penetra\u00e7\u00e3o de novos espermatoz\u00f3ides. Neste momento inicia-se uma nova cadeia de actividades sucessivas a partir dos materiais provenientes dos dois g\u00e2metas que v\u00e3o actuar como se fossem dois sistemas absolutamente complementares, com actividades coordenadas e interdependentes, com o objectivo da constitui\u00e7\u00e3o de uma nova entidade que tem designa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de zigoto ou embri\u00e3o unicelular. O zigoto \u00e9, na realidade, uma c\u00e9lula semelhante a qualquer outra c\u00e9lula de um ser vivo adulto contendo um n\u00famero duplo de cromossomas relativamente a cada um dos g\u00e2metas. O zigoto designa-se, por isso mesmo, como uma c\u00e9lula dipl\u00f3ide. O que vai seguir-se \u00e9 um per\u00edodo de reduplica\u00e7\u00e3o sucessiva do n\u00famero de c\u00e9lulas com genoma id\u00eantico ao da c\u00e9lula inicial; estas ir\u00e3o distribuir-se radialmente e diferenciar-se no novo organismo pluricelular.  \tNas 15 a 20 horas posteriores \u00e0 fus\u00e3o dos g\u00e2metas o zigoto humano vai comportar-se como uma c\u00e9lula orientada pela informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de que est\u00e1 dotada no sentido de uma evolu\u00e7\u00e3o bem definida e precisa. Nos genes dos seus cromossomas est\u00e1 inscrito um plano-programa que distingue cada zigoto de todas as outras c\u00e9lulas (incluindo as c\u00e9lulas dos seus progenitores). Neles est\u00e1 inclu\u00edda a informa\u00e7\u00e3o constitutiva de um ser com uma identidade \u00fanica que ir\u00e1 desenvolver-se se as condi\u00e7\u00f5es ambientais forem adequadas \u2013 isto \u00e9, se se satisfizerem os pressupostos do metabolismo respirat\u00f3rio, das condi\u00e7\u00f5es de nutri\u00e7\u00e3o e de temperatura de que o ser vivo em absoluto necessita para que se exer\u00e7am as suas fun\u00e7\u00f5es vitais. Se assim acontecer o novo ser ir\u00e1 constituir-se num corpo com as caracter\u00edsticas som\u00e1ticas de uma determinada figura humana no qual todas as c\u00e9lulas ter\u00e3o um padr\u00e3o cromoss\u00f3mico igual ao da c\u00e9lula original.  Vai prosseguir o aumento exponencial do n\u00famero de c\u00e9lulas \u2013 designadas agora por blast\u00f3meros &#8211; atrav\u00e9s de uma sequ\u00eancia de divis\u00f5es com ciclos de 12 a 15 horas, constituindo um processo complexo que se realiza sob o controlo do genoma. O desenvolvimento vai condicionar um contacto rec\u00edproco entre as c\u00e9lulas atrav\u00e9s da exist\u00eancia de pontes citoplasm\u00e1ticas e de microvilosidades. Tal contacto \u00e9 estreit\u00edssimo no est\u00e1dio de 8-32 c\u00e9lulas &#8211; designado por m\u00f3rula &#8211; no qual, devido \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es intercelulares complexas, se tornam poss\u00edveis as comunica\u00e7\u00f5es entre as c\u00e9lulas cuja interrup\u00e7\u00e3o provoca altera\u00e7\u00f5es graves no desenvolvimento do embri\u00e3o. Nos mam\u00edferos superiores at\u00e9 ao estado de oito c\u00e9lulas cada uma delas \u00e9 funcionalmente equivalente e pode originar um ser adulto se for separada do conjunto original sob condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e colocada num ambiente adequado; por isso mesmo se designa por totipotente. \u00c9 o que ocorre na origem dos g\u00e9meos verdadeiros ou univitelinos que derivam de um mesmo zigoto e cont\u00eam, portanto, o mesmo genoma. Rapidamente ir\u00e1 seguir-se a organiza\u00e7\u00e3o e a diferencia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das quais as c\u00e9lulas indiferenciadas se transformar\u00e3o, por divis\u00f5es coordenadas e sucessivas, nas estruturas primordiais dos \u00f3rg\u00e3os e dos sistemas constitutivos de um corpo humano. Por volta da 5\u00aa semana da gesta\u00e7\u00e3o, quando as dimens\u00f5es de um embri\u00e3o humano s\u00e3o ainda inferiores a um cent\u00edmetro, j\u00e1 est\u00e3o presentes as primeiras estruturas cerebrais, os esbo\u00e7os bem definidos do cora\u00e7\u00e3o, do aparelho respirat\u00f3rio, do aparelho digestivo e da \u00e1rea gen\u00edto-urin\u00e1ria onde j\u00e1 se iniciou o processo de forma\u00e7\u00e3o do aparelho reprodutor; at\u00e9 \u00e0 6\u00aa semana s\u00e3o identific\u00e1veis as extremidades dos membros e est\u00e1 avan\u00e7ada a forma\u00e7\u00e3o do sistema nervoso central; at\u00e9 \u00e0 7\u00aa semana a forma do corpo est\u00e1 completa e \u00e9 inconfund\u00edvel; at\u00e9 \u00e0 8\u00aa semana o corpo est\u00e1 totalmente definido, com os seus \u00f3rg\u00e3os e sistemas j\u00e1 constitu\u00eddos. Os movimentos espont\u00e2neos (saltos, flex\u00f5es, movimentos do t\u00f3rax, da cabe\u00e7a, das m\u00e3os e dos dedos) podem ser avaliados entre a 7\u00aa e a 15\u00aa semanas. Os est\u00e1dios iniciais da vida dos mam\u00edferos superiores e da vida humana t\u00eam fascinado todos os investigadores nestes dom\u00ednios, tanto mais que existem actualmente muitas dezenas de milhares de embri\u00f5es humanos que se encontram conservados artificialmente no frio, excedent\u00e1rios das interven\u00e7\u00f5es de procria\u00e7\u00e3o assistida. O seu destino ser\u00e1 necessariamente a destrui\u00e7\u00e3o, visto que para eles n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel encontrar acolhimento no seu natural meio de desenvolvimento \u2013 um \u00fatero materno preparado para a maternidade. Nestes termos, muitos prop\u00f5em que estes embri\u00f5es sejam atribu\u00eddos \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o. Foi introduzido o termo de pr\u00e9-embri\u00e3o para indicar o per\u00edodo do desenvolvimento humano que vai desde o zigoto at\u00e9 ao d\u00e9cimo quinto dia de evolu\u00e7\u00e3o. Foram feitas tentativas de integra\u00e7\u00e3o deste termo no vocabul\u00e1rio di\u00e1rio e foi mesmo aceite por alguns organismos internacionais. A nova entidade &#8211; o pr\u00e9-embri\u00e3o \u2013 pretenderia designar um ser ainda n\u00e3o humano para justificar a manipula\u00e7\u00e3o dos embri\u00f5es excedent\u00e1rios da fertiliza\u00e7\u00e3o \u201cin vitro\u201d e abrir caminho para a licitude da sua utiliza\u00e7\u00e3o para fins investigacionais ou outros. N\u00e3o existe, deve afirmar-se, nenhum crit\u00e9rio objectivo que permita diferenciar um embri\u00e3o humano no per\u00edodo anterior e posterior aos quinze dias ap\u00f3s a forma\u00e7\u00e3o do zigoto. Ele tem todas as condi\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas para se desenvolver se lhe forem facultadas as condi\u00e7\u00f5es ambientais que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias.  Este \u00e9, na verdade, um ponto de extrema import\u00e2ncia, porque est\u00e1 em jogo o sentido integral da vida humana, a sua protec\u00e7\u00e3o, a sua dignidade e os seus direitos. A reflex\u00e3o sobre todos os dados at\u00e9 hoje demonstrados pelas ci\u00eancias experimentais n\u00e3o pode deixar de conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que a fus\u00e3o dos dois g\u00e2metas inicia o ciclo vital de um novo ser humano. O seu corpo ter\u00e1 um desenvolvimento aut\u00f3nomo, cont\u00ednuo e progressivo a partir das fases mais primordiais seguindo um programa que est\u00e1 inscrito nos seus genes. A realiza\u00e7\u00e3o desse programa est\u00e1 sujeita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que s\u00e3o caracter\u00edsticas de cada ser vivo &#8211; depend\u00eancia estrita das condi\u00e7\u00f5es do ambiente em que vive, da adequada nutri\u00e7\u00e3o, da sujei\u00e7\u00e3o aos factores de doen\u00e7a e da exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s agress\u00f5es. E est\u00e1 sujeito \u00e0 morte, muito comum nas fases iniciais em todos os seres vivos. O embri\u00e3o humano, logo desde a fus\u00e3o dos g\u00e2metas, n\u00e3o \u00e9 um ser humano potencial. \u00c9 um ser humano real que iniciou a sua exist\u00eancia pr\u00f3pria e definitiva.  4 &#8211; A clonagem humana O n\u00famero de 27\/02\/1997 da revista Nature teve uma repercuss\u00e3o not\u00e1vel nos meios de investiga\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Wilmut e Campbell, do Roslin Institute, de Edimburgo, publicaram a metodologia que permitiu o desenvolvimento de um ovo de ovelha transformado por clonagem. A ovocitos de ovelha, as c\u00e9lulas que s\u00e3o percursoras dos \u00f3vulos (c\u00e9lulas sexuais femininas), foram retirados os seus n\u00facleos naturais contendo apenas a metade materna dos cromossomas. Naquelas c\u00e9lulas foram introduzidos outros n\u00facleos provenientes de c\u00e9lulas de gl\u00e2ndula mam\u00e1ria de um animal adulto da mesma esp\u00e9cie. A ovelha dadora dos n\u00facleos tinha o conjunto de cromossomas (o genoma) modificado no sentido da produ\u00e7\u00e3o de um leite com uma prote\u00edna muito importante para tratar certas doen\u00e7as da coagula\u00e7\u00e3o na esp\u00e9cie humana. O objectivo \u00faltimo era o da obten\u00e7\u00e3o por clonagem de r\u00e9plicas de animais excretores no leite daquela prote\u00edna no sentido da sua produ\u00e7\u00e3o industrial, visto que a prepara\u00e7\u00e3o daquela subst\u00e2ncia pelos m\u00e9todos cl\u00e1ssicos \u00e9 cara e pouco rent\u00e1vel. Nessa ocasi\u00e3o foram feitas centenas de tentativas an\u00e1logas no sentido da cria\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es modificados com caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas id\u00eanticas \u00e0s da ovelha clonante, os quais, criados em \u00fateros preparados para os receber, poderiam originar animais produtores da valiosa prote\u00edna. Apenas a medi\u00e1tica Dolly atingiu a idade adulta; todos os outros embri\u00f5es conseguidos por clonagem n\u00e3o lograram animais vi\u00e1veis. A pr\u00f3pria Dolly precocemente envelheceu e j\u00e1 n\u00e3o existe. Creio que n\u00e3o deixou descend\u00eancia e n\u00e3o tenho a certeza se o poderia ter feito.  A finalidade da Dolly era, portanto, a produ\u00e7\u00e3o industrial de um certo tipo de leite a partir de animais geneticamente id\u00eanticos obtidos por clonagem. Muitas outras experi\u00eancias paralelas t\u00eam sido feitas em animais de esp\u00e9cies inferiores com sucesso, confirmando o facto, h\u00e1 longos anos demonstrado no mundo vegetal e nos organismos animais simples, da exist\u00eancia de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada. De facto, este tipo de reprodu\u00e7\u00e3o existe universalmente na natureza em muitos n\u00edveis: \u00e9 o \u00fanico mecanismo de reprodu\u00e7\u00e3o nas bact\u00e9rias; existe, frequentemente de um modo intermitente e descont\u00ednuo, nos animais inferiores uni e pluricelulares; existe natural e artificialmente induzida em m\u00faltiplos dom\u00ednios da bot\u00e2nica; e nos mam\u00edferos superiores ficou reduzida \u00e0 situa\u00e7\u00e3o excepcional dos g\u00e9meos verdadeiros. O objectivo perseguido obsessivamente pelos investigadores \u00e9 o da produ\u00e7\u00e3o eficaz e regular de um ou de m\u00faltiplos exemplares de um animal superior com a mesma informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica no n\u00facleo de todas as suas c\u00e9lulas.  A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos semelhantes nos mam\u00edferos exige uma tecnologia muito evolu\u00edda e uma cuidadosa reflex\u00e3o cient\u00edfica e filos\u00f3fica. Est\u00e3o a dar-se os primeiros passos na interfer\u00eancia intencional nos processos primordiais da transmiss\u00e3o da vida nos organismos vivos das esp\u00e9cies superiores, cujo aperfei\u00e7oamento durou muitas centenas de milh\u00f5es de anos, certamente atrav\u00e9s de mecanismos de adapta\u00e7\u00e3o por selec\u00e7\u00e3o natural semelhantes aos que designamos por \u201ctentativa e erro\u201d, gerando linhas de seres vivos invi\u00e1veis ou escassamente adaptados ao seu meio. O estudo da evolu\u00e7\u00e3o da vida na terra demonstra que a reprodu\u00e7\u00e3o assexuada (a clonagem) \u00e9 uma forma primitiva de multiplica\u00e7\u00e3o dos seres vivos que foi sistematicamente substitu\u00edda pela reprodu\u00e7\u00e3o sexuada a qual permitiu a diversifica\u00e7\u00e3o e diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies e a cria\u00e7\u00e3o da enorme variedade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es. Os mecanismos da reprodu\u00e7\u00e3o sexuada, extraordinariamente complexos, constituem a principal garantia da evolu\u00e7\u00e3o e da sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies. Foi-se aperfei\u00e7oando ao longo de centenas de milh\u00f5es de gera\u00e7\u00f5es at\u00e9 se atingirem os processos de transmiss\u00e3o da vida pr\u00f3prios dos mam\u00edferos actuais. O termo clonagem \u00e9 um neologismo adaptado da palavra grega \u201ckl\u00f4n\u201d, que designa \u201crebento\u201d, \u201cgomo\u201d, \u201calporque\u201d, significando o processo de cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de seres vivos geneticamente iguais. Estes seres vivos podem ter um organismo com uma \u00fanica c\u00e9lula; podem mesmo ser apenas material gen\u00e9tico que necessita de um suporte biol\u00f3gico permanente de outras c\u00e9lulas para se manter (v\u00edrus); e podem, em condi\u00e7\u00f5es excepcionais, ser organismos do topo superior da escala animal. \u00c9 do conhecimento geral o facto de, desde tempos imemoriais nos dom\u00ednios da bot\u00e2nica, se conseguirem facilmente plantas semelhantes \u00e0s de um modelo original dotado de certas caracter\u00edsticas particulares. Nestes casos, os mecanismos naturais da reprodu\u00e7\u00e3o sexuada n\u00e3o permitiriam a conserva\u00e7\u00e3o dos caracteres favor\u00e1veis. Estes apenas podem persistir atrav\u00e9s de artif\u00edcios nas gera\u00e7\u00f5es subsequentes. Os organismos dos animais superiores s\u00e3o constitu\u00eddos por bili\u00f5es ou trili\u00f5es de c\u00e9lulas que se desenvolveram a partir de uma \u00fanica c\u00e9lula original. O ovo e as c\u00e9lulas resultantes das primeiras divis\u00f5es celulares que ir\u00e3o gerar o embri\u00e3o, s\u00e3o c\u00e9lulas totipotentes, isto \u00e9, com capacidades de diferencia\u00e7\u00e3o em todas as centenas de linhas celulares constituintes dos \u00f3rg\u00e3os dos indiv\u00edduos adultos. \u00c0 medida que se processa o desenvolvimento, as c\u00e9lulas v\u00e3o-se diferenciando em cada tecido a seu modo para constitu\u00edrem os m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os do organismo. Diferenciando-se, v\u00e3o perdendo a capacidade de se transformar noutras linhas celulares, em parte por altera\u00e7\u00f5es cromoss\u00f3micas ainda incompletamente esclarecidas. Algumas linhas de evolu\u00e7\u00e3o celular durante a forma\u00e7\u00e3o dos organismos perdem mesmo precocemente a capacidade de se multiplicar, como a maior parte das c\u00e9lulas do sistema nervoso.  Nalguns animais, as c\u00e9lulas geradoras das c\u00e9lulas sexuais femininas \u2013 os ovocitos ou o\u00f3citos \u2013 portadoras apenas da metade materna dos cromossomas dos indiv\u00edduos adultos, s\u00e3o suscept\u00edveis de permitir a viabilidade de um ser vivo obtido por clonagem, substituindo-se o seu n\u00facleo (dito hapl\u00f3ide por apenas conter metade dos cromossomas do indiv\u00edduo adulto), por um n\u00facleo com a carga gen\u00e9tica completa (dito dipl\u00f3ide) obtido a partir de uma c\u00e9lula de um organismo constitu\u00eddo (embri\u00e3o ou adulto). Foi o que foi tentado com \u00eaxito no Roslin Institute, gerando a Dolly.  A clonagem exige a substitui\u00e7\u00e3o ou a inactiva\u00e7\u00e3o do n\u00facleo de uma c\u00e9lula totipotente (de um ovocito, de um ovo ou de outras c\u00e9lulas com estas caracter\u00edsticas) e a transnuclea\u00e7\u00e3o de uma c\u00e9lula de um ser da mesma esp\u00e9cie contendo material gen\u00e9tico completo que faculte a sua viabilidade. Cada ser vivo possui um patrim\u00f3nio gen\u00e9tico \u00fanico impresso no n\u00facleo de cada c\u00e9lula. Excepcionalmente, os g\u00e9meos homozig\u00f3ticos, derivados de um \u00fanico ovo e diferenciando-se em dois ou mais seres a partir de c\u00e9lulas criadas nas primeiras divis\u00f5es, possuem os mesmos genes. Os seres vivos derivados de reprodu\u00e7\u00e3o assexuada conservam quase \u00edntegros os seus caracteres gen\u00e9ticos em sucessivas gera\u00e7\u00f5es, mantendo, embora, certas formas de adapta\u00e7\u00e3o de outro tipo. Os animais obtidos por clonagem t\u00eam tamb\u00e9m, por artif\u00edcio, os mesmos genes dos seres que lhes serviram de modelo no n\u00facleo de cada c\u00e9lula. O desenvolvimento de um embri\u00e3o de mam\u00edfero deste modo originado exigir\u00e1 tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es ambientais caracter\u00edsticas de cada esp\u00e9cie. Nos mam\u00edferos superiores exigir\u00e1, pelo menos, um \u00fatero preparado e um meio interno pr\u00f3prios. As c\u00e9lulas das primeiras divis\u00f5es s\u00e3o, como se deixou dito, totipotenciais, tamb\u00e9m designadas por c\u00e9lulas do tronco comum. Isto \u00e9, t\u00eam a capacidade de se dividir originando outras que se podem diferenciar nos m\u00faltiplos tecidos dos \u00f3rg\u00e3os do indiv\u00edduo adulto. A designa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 a de c\u00e9lulas estaminais embrion\u00e1rias. O isolamento e a prepara\u00e7\u00e3o de culturas destas c\u00e9lulas na esp\u00e9cie humana implica necessariamente a produ\u00e7\u00e3o artificial de embri\u00f5es humanos ou a utiliza\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es crioconservados excedent\u00e1rios de tentativas de fertiliza\u00e7\u00e3o in vitro. Envolve tamb\u00e9m indu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento das primeiras fases dos embri\u00f5es at\u00e9 \u00e0s fases de blastocito, a separa\u00e7\u00e3o das massas celulares que cont\u00eam as c\u00e9lulas totipotenciais (o que significa necessariamente a destrui\u00e7\u00e3o dos embri\u00f5es), a cultura de tecidos dessas c\u00e9lulas em ambiente nutritivo adequado e o desenvolvimento das linhas celulares capazes de se multiplicarem indefinidamente conservando por longos per\u00edodos as caracter\u00edsticas de c\u00e9lulas com capacidades de diferencia\u00e7\u00e3o. Estas podem ser objecto de clonagem com material gen\u00e9tico obtido de c\u00e9lulas de organismos humanos adultos. A publica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es relativas a estes dom\u00ednios cient\u00edficos tem inflamado periodicamente o mundo tecnol\u00f3gico biom\u00e9dico, farmac\u00eautico e certa ind\u00fastria; e tem repercuss\u00e3o nos m\u00e9dia. Est\u00e3o criadas expectativas, sublinhe-se ainda n\u00e3o completamente demonstradas, para a utiliza\u00e7\u00e3o desta tecnologia na terap\u00eautica de muitas doen\u00e7as que implicam a substitui\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os doentes e na cura de doen\u00e7as gen\u00e9ticas atrav\u00e9s do desenvolvimento de linhas celulares e de tecidos diferenciados obtidos por clonagem ou por manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, partindo de c\u00e9lulas estaminais embrion\u00e1rias humanas, tornando-as, por v\u00e1rias t\u00e9cnicas, compat\u00edveis com organismos humanos plenamente desenvolvidos.  Noutras linhas de investiga\u00e7\u00e3o, ao longo dos \u00faltimos trinta anos, foram descritos em v\u00e1rios \u00f3rg\u00e3os de indiv\u00edduos adultos, c\u00e9lulas que mant\u00eam capacidades de diferencia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, c\u00e9lulas estaminais com capacidades de reproduzirem tecidos dos \u00f3rg\u00e3os maduros onde foram identificadas. Nos anos mais recentes foram isoladas c\u00e9lulas estaminais multivalentes capazes de se diferenciarem segundo linhas celulares diferentes das dos \u00f3rg\u00e3os originais. Foram descobertas c\u00e9lulas vi\u00e1veis com estas caracter\u00edsticas no sangue do cord\u00e3o umbilical e na placenta, na medula \u00f3ssea, no sistema nervoso e no tecido conjuntivo de certos \u00f3rg\u00e3os (mesent\u00e9rio). Estas c\u00e9lulas foram isoladas e foram desenvolvidas em culturas de tecidos; foram mesmo descritas e utilizadas algumas das subst\u00e2ncias reguladoras do seu crescimento e da sua diferencia\u00e7\u00e3o em certas linhas celulares. Atrav\u00e9s de t\u00e9cnicas semelhantes, j\u00e1 \u00e9 comum no nosso pa\u00eds a reconstru\u00e7\u00e3o de todas as c\u00e9lulas do sangue ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o da medula original em doentes atingidos por certas doen\u00e7as hematol\u00f3gicas. Noutros dom\u00ednios existem algumas indica\u00e7\u00f5es de que \u00e9 poss\u00edvel guiar o desenvolvimento de c\u00e9lulas estaminais obtidas a partir de organismos humanos adultos no sentido da sua diferencia\u00e7\u00e3o em c\u00e9lulas do sistema nervoso, bem assim como em c\u00e9lulas de outros tecidos constitutivos da pele, do m\u00fasculo perif\u00e9rico, do cora\u00e7\u00e3o, do p\u00e2ncreas e do rim. As informa\u00e7\u00f5es provenientes destes dom\u00ednios cient\u00edficos devem suscitar debates aprofundados porque abordam os mecanismos mais \u00edntimos da transmiss\u00e3o da vida. Aplicadas \u00e0 vida humana colocam quest\u00f5es que exigem uma reflex\u00e3o \u00e9tica suplementar.   Desde logo se identificam duas \u00e1reas onde a clonagem de c\u00e9lulas humanas \u00e9 suscept\u00edvel de utiliza\u00e7\u00e3o. Uma primeira \u00e1rea \u00e9 a da \u201cclonagem reprodutora\u201d, isto \u00e9, a clonagem de c\u00e9lulas humanas totipotenciais com material gen\u00e9tico clonante proveniente de outro ser humano com o objectivo de produzir um embri\u00e3o vi\u00e1vel atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de um \u00fatero de uma m\u00e3e hospedeira. Este tipo de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem interesse cient\u00edfico, visto que se conhece ser poss\u00edvel nos mam\u00edferos superiores e n\u00e3o tem nenhum suporte \u00e9tico. Foi explicitamente banido da legisla\u00e7\u00e3o da maior parte dos pa\u00edses com capacidade cient\u00edfica. No entanto, estrondosamente, algumas vozes declaram-se com capacidade para tal pr\u00e1tica e tem sido explicitamente afirmado que existem m\u00faltiplas gesta\u00e7\u00f5es secretas que ainda n\u00e3o conduziram, que se saiba, a seres humanos. N\u00e3o sabemos a que t\u00eam conduzido. No entanto, nalguns pa\u00edses, como a Inglaterra, existe actualmente abertura para uma legisla\u00e7\u00e3o permissiva. No nosso pa\u00eds, o Conselho Nacional de \u00c9tica para as Ci\u00eancias da Vida manifestou-se formalmente contra a clonagem reprodutora humana e a Assembleia da Rep\u00fablica acolheu o seu parecer. A clonagem reprodutora exigiria a destrui\u00e7\u00e3o deliberada de embri\u00f5es humanos (visto ser muito pouco prov\u00e1vel que os ovocitos humanos ou que c\u00e9lulas totipotentes de outra origem possam originar embri\u00f5es vi\u00e1veis) e representaria a m\u00e1xima instrumentaliza\u00e7\u00e3o de um ser humano. Na verdade, que maior limita\u00e7\u00e3o da dignidade de algu\u00e9m poder\u00e1 existir do que o condicionamento deliberado do seu material gen\u00e9tico &#8211; de todas as suas c\u00e9lulas, incluindo o das suas c\u00e9lulas sexuais, com o risco previs\u00edvel da gesta\u00e7\u00e3o de linhas geracionais estigmatizadas, com fortes possibilidades de altera\u00e7\u00f5es fortuitas do genoma e de inibi\u00e7\u00e3o de certos mecanismos protectores  do patrim\u00f3nio gen\u00e9tico?  S\u00e3o enormes as probabilidades de cria\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es invi\u00e1veis por clonagem. Como tamb\u00e9m as probabilidades de malforma\u00e7\u00f5es a manifestar-se durante a vida embrion\u00e1ria ou na vida extra-uterina. E haver\u00e1 qualquer esp\u00e9cie de legitimidade para limitar a vida e as gera\u00e7\u00f5es futuras desse ser humano portador de material gen\u00e9tico manipulado?   Muitos argumentos existem a favor da \u201cclonagem terap\u00eautica\u201d. H\u00e1 um enorme potencial na utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas pluripotenciais humanas adultas. Prev\u00ea-se a sua transforma\u00e7\u00e3o em m\u00faltiplos tecidos, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o dos factores de crescimento e de diferencia\u00e7\u00e3o espec\u00edficos de cada \u00f3rg\u00e3o. Existem actualmente muitas doen\u00e7as mortais nas quais a utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas pluripotenciais humanas pode permitir uma terap\u00eautica definitiva. Num futuro pr\u00f3ximo \u00e9 poss\u00edvel que interven\u00e7\u00f5es semelhantes possam salvar doentes com les\u00f5es hoje tidas como irrevers\u00edveis no sistema nervoso central, no cora\u00e7\u00e3o, no f\u00edgado e no rim.  Em muitas circunst\u00e2ncias n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel a utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas multipotenciais dos pr\u00f3prios doentes para reconstru\u00e7\u00e3o dos seus \u00f3rg\u00e3os. A clonagem de c\u00e9lulas multipotenciais humanas permitir\u00e1 o desenvolvimento de tecidos compat\u00edveis com o dador do material gen\u00e9tico. Aquelas c\u00e9lulas existentes no cord\u00e3o umbilical, no sangue placent\u00e1rio e eventualmente noutros territ\u00f3rios s\u00e3o suscept\u00edveis de desenvolvimento em cultura de tecidos; s\u00e3o ainda suscept\u00edveis de clonagem e de modifica\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas das suas membranas exteriores com o objectivo da cria\u00e7\u00e3o de tecidos imunologicamente compat\u00edveis com os organismos adultos.  As c\u00e9lulas embrion\u00e1rias s\u00e3o, neste momento do desenvolvimento cient\u00edfico, as que mant\u00eam a maior capacidade de diferencia\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 l\u00edcita, por\u00e9m, a utiliza\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas totipotenciais origin\u00e1rias de embri\u00f5es humanos dadores porque esta atitude implica necessariamente a sua destrui\u00e7\u00e3o. O embri\u00e3o humano \u00e9 titular de um destino espec\u00edfico que se ir\u00e1 expressando ao longo da sua evolu\u00e7\u00e3o segundo um processo cont\u00ednuo desde a sua concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte. Cada embri\u00e3o merece o mesmo respeito que uma pessoa: toda a investiga\u00e7\u00e3o a que for submetido deve ser feita em seu favor e n\u00e3o pode ser instrumentalizado segundo interesses alheios. E se em algu\u00e9m persistir a d\u00favida sobre a natureza \u00faltima do embri\u00e3o humano, ainda assim, tem que considerar o princ\u00edpio \u00e9tico da ilicitude de uma interven\u00e7\u00e3o destruidora numa entidade sobre cuja natureza e titularidade de direitos subsistem d\u00favidas. N\u00e3o pode aceitar-se passivamente o afrontamento com factos consumados.  5 \u2013 O ocaso da vida humana Cada ser com vida tem um termo do seu ciclo biol\u00f3gico. A partir de um certo momento existe sempre um desequil\u00edbrio entre os factores anab\u00f3licos e catab\u00f3licos que permitem manter o meio interno dentro das condi\u00e7\u00f5es e dos limites que permitem a vida. E, mesmo que todos os factores externos caracter\u00edsticos de cada esp\u00e9cie sejam os mais favor\u00e1veis para as fun\u00e7\u00f5es vitais, a tend\u00eancia para a desagrega\u00e7\u00e3o est\u00e1 inscrita no programa vital (no genoma) de cada ser vivo e \u00e9 inexor\u00e1vel. A manuten\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies depende da capacidade de multiplica\u00e7\u00e3o, da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e da aniquila\u00e7\u00e3o de cada um dos seus membros. Os seus constituintes materiais, transformados ap\u00f3s a morte, ir\u00e3o integrar a cadeia da vida ou ser\u00e3o devolvidos ao meio envolvente inorg\u00e2nico. A natureza da vida, qualquer que seja o ponto de vista sob o qual se considere, pressup\u00f5e, pois, um ciclo individual que termina com a morte. O exerc\u00edcio actual da medicina foi tribut\u00e1rio de um conjunto de tecnologias que foram desenvolvidas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A reanima\u00e7\u00e3o card\u00edaca e respirat\u00f3ria com as possibilidades de reposi\u00e7\u00e3o pronta e correcta dos fluidos org\u00e2nicos e da reconstitui\u00e7\u00e3o do meio interno, o dom\u00ednio ainda que prec\u00e1rio e inst\u00e1vel das infec\u00e7\u00f5es pelo conhecimento da biologia dos microrganismos e a utiliza\u00e7\u00e3o de f\u00e1rmacos eficazes, os avan\u00e7os decisivos nas \u00e1reas da imunologia em conjuga\u00e7\u00e3o com as possibilidades de controlo da dor facultaram interven\u00e7\u00f5es reparadoras na intimidade do corpo humano. O dom\u00ednio da fisiologia dos \u00f3rg\u00e3os, a utiliza\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses e a generaliza\u00e7\u00e3o dos transplantes permitiram expectativas de vida a um n\u00famero de pessoas v\u00edtimas de doen\u00e7as que outrora n\u00e3o tinham possibilidades de sobreviver aos epis\u00f3dios de agudiza\u00e7\u00e3o. O conhecimento das altera\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas que constituem os mecanismos prim\u00e1rios de muitos defeitos fisiopatol\u00f3gicos e o desenvolvimento da biologia molecular tornou poss\u00edvel curar ou atalhar a evolu\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o inexor\u00e1vel de doen\u00e7as que t\u00eam acompanhado o homem ao longo da sua hist\u00f3ria. Este conjunto de factores, provenientes praticamente de todos os \u00e1reas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, associado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o social das sociedades contempor\u00e2neas de economia evolu\u00edda facultaram reunir nos hospitais modernos as condi\u00e7\u00f5es para uma grande variedade de actua\u00e7\u00f5es que permitem prolongar a vida humana. No nosso pa\u00eds, a generaliza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade juntamente com a melhoria das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas dos portugueses permitiram que a esperan\u00e7a de vida na altura do nascimento subisse de menos de trinta anos na d\u00e9cada de 1920 para os actuais 75 anos. Na terceira d\u00e9cada do S\u00e9culo XX a causa maior de morte no nosso pa\u00eds era motivada pelas infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias (sobretudo a tuberculose) e existia, como todos conhecem, uma mortalidade infantil devastadora. Actualmente a mais frequente causa de morte em Portugal \u00e9 constitu\u00edda pelas doen\u00e7as vasculares do sistema nervoso central seguida pelas doen\u00e7as vasculares do cora\u00e7\u00e3o. Esta distribui\u00e7\u00e3o das causas da mortalidade verifica-se nos meios urbanos como nos meios rurais e tem-se mantido apenas com ligeiras oscila\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas d\u00e9cadas. No rol das doen\u00e7as que mais matam os portugueses segue-se o conjunto heterog\u00e9neo das doen\u00e7as neopl\u00e1sicas, as doen\u00e7as traum\u00e1ticas resultantes dos acidentes com ve\u00edculos motorizados e as doen\u00e7as cr\u00f3nicas do f\u00edgado.  A maior parte destas doen\u00e7as \u00e9 suscept\u00edvel de preven\u00e7\u00e3o visto que existem factores de risco ligados a h\u00e1bitos e a comportamentos que s\u00e3o modific\u00e1veis. Algumas manifestam-se por um acidente agudo e t\u00eam uma evolu\u00e7\u00e3o breve para a morte. A maior parte delas, por\u00e9m, manifesta-se por um epis\u00f3dio inaugural que, podendo n\u00e3o ser mortal, exigir\u00e1 frequentemente internamento hospitalar e dele poder\u00e1 resultar uma maior ou menor incapacidade. A este epis\u00f3dio seguir-se-\u00e1 uma fase de tratamento, de reabilita\u00e7\u00e3o e de preven\u00e7\u00e3o de outros epis\u00f3dios semelhantes aos quais os doentes, por via de regra, s\u00e3o particularmente suscept\u00edveis. A tecnologia m\u00e9dica permite manter a vida mesmo quando existem graves perturba\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas, sendo poss\u00edvel corrigir as disfun\u00e7\u00f5es dos sistemas claudicantes por um per\u00edodo bastante para permitir a eventual recupera\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o doente ou para a sua substitui\u00e7\u00e3o por uma pr\u00f3tese ou por um \u00f3rg\u00e3o transplantado. Como se compreende, a evolu\u00e7\u00e3o destas doen\u00e7as depender\u00e1 de muitos factores que t\u00eam comportamentos dif\u00edceis de prever. Muitos doentes t\u00eam uma expectativa de cura que nunca ter\u00e1 concretiza\u00e7\u00e3o. Outros, tendo embora sobrevivido a situa\u00e7\u00f5es muito graves, posteriormente apenas conseguem manter um grau restrito de autonomia. Permanecem com defici\u00eancias cr\u00f3nicas em um ou em v\u00e1rios sistemas funcionais, ficam mais vulner\u00e1veis a outras doen\u00e7as e permanecem sujeitos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o continuada de f\u00e1rmacos com ac\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias que imp\u00f5em vigil\u00e2ncia apertada em consultas de especialidades m\u00e9dicas. Mant\u00eam-se como doentes cr\u00f3nicos, dependentes de uma tecnologia escassa, complexa e cara, \u00e0 qual a organiza\u00e7\u00e3o das sociedades modernas prometeu, um tanto levianamente, um acesso cada vez mais f\u00e1cil e pronto.  Admite-se que em Portugal cerca de 60 % dos \u00f3bitos totais ocorram durante um internamento hospitalar. Assim, a morte acontece fora do envolvimento familiar e comunit\u00e1rio caracter\u00edstico das sociedades tradicionais, onde naturalmente melhor pode exprimir-se a partilha dos afectos.  Existem alguns aspectos inquietantes da organiza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade no se refere aos doentes em situa\u00e7\u00e3o terminal. Os benefici\u00e1rios do sistema de seguro de sa\u00fade americano Medicare t\u00eam uma mortalidade global de 5 a 6 % em cada ano; cerca de 50 % do dinheiro gasto com os cuidados individuais s\u00e3o utilizados nos \u00faltimos seis meses de vida; 40 % s\u00e3o utilizados nos \u00faltimos dois meses e 30 % no \u00faltimo m\u00eas. Os estudos econ\u00f3micos concluem que nenhuma sociedade poder\u00e1 suportar os custos previs\u00edveis da generaliza\u00e7\u00e3o da tecnologia actual a todos os doentes terminais segundo as regras expl\u00edcita ou implicitamente aceites na cultura moderna. As autoridades mundiais nos dom\u00ednios da economia da sa\u00fade antev\u00eaem que, sendo os recursos inevitavelmente limitados, um dos maiores desafios com que se debater\u00e3o os pol\u00edticos nas pr\u00f3ximas dezenas de anos ser\u00e1 o do balan\u00e7o entre os cuidados aos doentes nos \u00faltimos per\u00edodos da vida e os servi\u00e7os de sa\u00fade a prestar a toda a popula\u00e7\u00e3o.  Poder-se-\u00e1 sempre pensar que as tend\u00eancias dos n\u00fameros, apesar de preocupantes, s\u00e3o razo\u00e1veis. \u00c9 natural que uma grande fatia dos recursos da sociedade seja utilizada nas pessoas com doen\u00e7as mais incapacitantes, com maior sofrimento e com a vida mais gravemente amea\u00e7ada. Sublinhe-se que estas quest\u00f5es, n\u00e3o sendo originariamente econ\u00f3micas, n\u00e3o podem ser aceites apenas nos planos das an\u00e1lises de custos. Pelo contr\u00e1rio, o que minimamente se pode exigir \u00e9 que os doentes em situa\u00e7\u00f5es graves e terminais encontrem, juntamente com os cuidados espec\u00edficos da medicina curativa e da medicina paliativa, um enquadramento afectivo, familiar e social adequado \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o. Uma l\u00f3gica predominantemente econ\u00f3mica no planeamento e na atribui\u00e7\u00e3o dos recursos aos cuidados a prestar na fase \u00faltima da vida poder\u00e1 exercer intoler\u00e1veis press\u00f5es sobre os decisores, sobre as entidades prestadoras e sobre os profissionais que nelas interv\u00eam. N\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel pensar que os problemas actuais e os que se antev\u00eaem no futuro pr\u00f3ximo possam resolver-se apenas com os crit\u00e9rios actualmente predominantes na atribui\u00e7\u00e3o dos meios existentes e que uma atitude de passividade no planeamento dos servi\u00e7os e as ofertas propostas pelo livre mercado consigam encontrar as solu\u00e7\u00f5es apropriadas. Todos admitem que nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas existir\u00e1 um n\u00famero crescente de doentes nos quais a utiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias dispon\u00edveis ser\u00e1 imprescind\u00edvel e alongar\u00e1 a vida. Por todas as raz\u00f5es, aumentar\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade nestes dom\u00ednios. Trata-se de \u00e1reas que foram longamente negligenciadas ou mesmo ignoradas por todas as entidades intervenientes, havendo defici\u00eancias not\u00f3rias na atribui\u00e7\u00e3o dos recursos, na prepara\u00e7\u00e3o do pessoal e nas instala\u00e7\u00f5es actualmente utilizadas. S\u00e3o escassas as estruturas sociais e as institui\u00e7\u00f5es dedicadas nas comunidades locais que podem dar solu\u00e7\u00f5es com oportunidade, dignidade e efic\u00e1cia aos numerosos problemas pessoais, familiares e sociais que as pessoas com uma doen\u00e7a terminal podem levantar.  Alguns elementos dominantes nas culturas das sociedades contempor\u00e2neas (sobretudo nos meios urbanos) e as caracter\u00edsticas das institui\u00e7\u00f5es hospitalares criaram condi\u00e7\u00f5es para que os doentes atingidos por uma doen\u00e7a gravemente evolutiva ou incur\u00e1vel e os doentes moribundos possam ver limitadas as suas expectativas relativamente ao apoio pessoal que poderiam esperar das sociedades em que se inserem. Nalgumas circunst\u00e2ncias existem mesmo amea\u00e7as aos direitos que lhes s\u00e3o atribu\u00eddos pela dignidade essencial dos seres humanos e pelo enquadramento legal dominante nas sociedades contempor\u00e2neas. De que natureza s\u00e3o essas amea\u00e7as? Um primeiro conjunto de amea\u00e7as resulta da atenua\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os familiares e comunit\u00e1rios tradicionais e do facto de os doentes terem receio de perder a autonomia pelas consequ\u00eancias da sua doen\u00e7a quando se tornam um pesado \u00f3nus para os que lhes est\u00e3o pr\u00f3ximos. Estas circunst\u00e2ncias constituem o n\u00facleo dos temores dominantes em muitos portadores de doen\u00e7as progressivas e fatais. A este medo da depend\u00eancia sem apoios quando deles mais necessidade teriam, junta-se a degrada\u00e7\u00e3o progressiva das suas imagens, a desvaloriza\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o social, o sofrimento f\u00edsico e a solid\u00e3o.  Um segundo conjunto de amea\u00e7as resulta da deficiente organiza\u00e7\u00e3o dos cuidados de sa\u00fade relativamente \u00e0s doen\u00e7as do fim da vida. Os sistemas de cuidados de sa\u00fade est\u00e3o mais adaptados aos cuidados da medicina curativa e de reabilita\u00e7\u00e3o do que aos cuidados de medicina paliativa que se destinam aos doentes portadores de doen\u00e7as cr\u00f3nicas, progressivas, invalidantes e fatais. Os objectivos da terap\u00eautica est\u00e3o apontados predominantemente para os sofrimentos f\u00edsicos e minimizam o enquadramento psicol\u00f3gico, social, cultural e espiritual. Este facto traduz-se na incipiente prepara\u00e7\u00e3o no pessoal de sa\u00fade nos dom\u00ednios da medicina paliativa e na aus\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0quelas actividades em muitas comunidades. Um terceiro conjunto de amea\u00e7as resulta do receio da dor, do sofrimento intenso, do sofrimento desnecess\u00e1rio e prolongado, e da pr\u00f3pria proximidade da morte. Nalguns doentes dominam os receios de um inadequado do processo de morrer, pela sobrevaloriza\u00e7\u00e3o dos meios de interven\u00e7\u00e3o por parte da sociedade e da medicina, sendo utilizados m\u00e9todos desproporcionados \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o de doen\u00e7a e \u00e0 sua prov\u00e1vel evolu\u00e7\u00e3o. Noutros doentes (e sobretudo nalguns familiares) predominam os receios da n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de todos os meios que se poderiam mobilizar nas circunst\u00e2ncias pela insufici\u00eancia dos recursos atribu\u00eddos, pela ocupa\u00e7\u00e3o excessiva das equipas de interven\u00e7\u00e3o ou dos equipamentos e eventualmente por inc\u00faria ou por neglig\u00eancia. Sendo a vontade expressa do doente determinante para o in\u00edcio e o seguimento das medidas terap\u00eauticas, o m\u00e9dico e a equipa t\u00eam o papel decisivo no estabelecimento do diagn\u00f3stico, no progn\u00f3stico e nas propostas de interven\u00e7\u00e3o. T\u00eam igualmente um papel decisivo na manuten\u00e7\u00e3o de uma boa rela\u00e7\u00e3o entre o doente, a sua fam\u00edlia e a equipa, sobretudo no sentido de n\u00e3o haver distor\u00e7\u00f5es da informa\u00e7\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de um clima adequado. A prepara\u00e7\u00e3o e o treino da equipa nas situa\u00e7\u00f5es limite \u00e9 muito importante. Nem sempre os m\u00e9dicos aceitam bem a ideia de que para os doentes algumas vezes ser\u00e1 melhor \u201cfazer menos do que fazer mais\u201d. As decis\u00f5es de \u201cn\u00e3o tomar algumas medidas\u201d s\u00e3o, em regra, mais dif\u00edceis do que a alternativa de prosseguir com a utiliza\u00e7\u00e3o da complexa tecnologia m\u00e9dica que \u00e9 poss\u00edvel utilizar nas situa\u00e7\u00f5es limite.  A incerteza dos diagn\u00f3sticos, a variabilidade pr\u00f3pria dos fen\u00f3menos biol\u00f3gicos e a natureza prec\u00e1ria dos progn\u00f3sticos criam dificuldades suplementares no sentido da avalia\u00e7\u00e3o do tempo de vida e da qualidade de vida a que se sujeitam os portadores de uma doen\u00e7a grave quando s\u00e3o submetidos ou quando n\u00e3o s\u00e3o submetidos a um determinado protocolo terap\u00eautico. A insist\u00eancia em determinadas medidas extraordin\u00e1rias para al\u00e9m dos limites razo\u00e1veis constitui um erro que deve ser evitado. O facto de ter havido uma refer\u00eancia a um caso de um doente que sobreviveu a circunst\u00e2ncias semelhantes n\u00e3o constitui um motivo para se prosseguirem medidas para al\u00e9m das expectativas razo\u00e1veis.   6 &#8211; Algumas quest\u00f5es fundamentais Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos nos dom\u00ednios da biomedicina permitiram que o curso do termo da vida se modificasse. A natureza deixou de constituir o \u00fanico \u00e1rbitro entre o viver e o morrer. Este processo modificou-se com o desenvolvimento dos conhecimentos b\u00e1sicos e a evolu\u00e7\u00e3o das tecnologias, criando um conjunto de problemas \u00e9ticos que s\u00e3o historicamente muito recentes, n\u00e3o encontram respostas un\u00e2nimes e t\u00eam vastas repercuss\u00f5es na cultura contempor\u00e2nea. A vida humana tem uma dignidade intr\u00ednseca que n\u00e3o se altera nos seus limites temporais. Admiti-lo e verter no ordenamento jur\u00eddico tal princ\u00edpio, aceitar que a vida humana se desvaloriza porque \u00e9 fr\u00e1gil, dependente, dolorosa ou inconsciente \u00e9, antiteticamente, aceitar que a vida humana s\u00f3 vale quando \u00e9 bela, boa e \u00fatil, tal como os slogans da sociedade de consumo n\u00e3o se cansam de apregoar.  A eutan\u00e1sia \u00e9 a morte intencional de algu\u00e9m a seu pedido provocada por outra pessoa que aceitou o pedido e lhe deu o seguimento por entender que a vida seria insuport\u00e1vel ou n\u00e3o tinha dignidade. Trata-se nos casos t\u00edpicos de uma morte desejada pelo pr\u00f3prio, v\u00edtima de uma doen\u00e7a gravemente limitante, progressiva e mortal que pede a morte porque a vida com o sofrimento se tornou intoler\u00e1vel. O pedido \u00e9 acolhido e assumido por outra pessoa como \u00fanica e definitiva solu\u00e7\u00e3o para a situa\u00e7\u00e3o presente e \u00e9 consequentemente executado. Sob o ponto de vista \u00e9tico \u00e9 um caso caracter\u00edstico de conflito de valores: entre a vida humana, que constitui o suporte da consci\u00eancia reflexiva e de todos os outros valores, nomeadamente os que se referem \u00e0 autonomia e \u00e0 responsabilidade, e os valores da benefic\u00eancia e da n\u00e3o malefic\u00eancia, que constituem o suporte fundamental da actividade dos profissionais da medicina. Trata-se de uma esp\u00e9cie de dial\u00e9ctica presente na cultura contempor\u00e2nea entre o \u201cdever de viver e o direito a morrer\u201d.  Quando algu\u00e9m deseja a morte e exprime a sua vontade encontra-se dominado por um sofrimento intenso, quer pela dor quer pela perspectiva de evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a, que lhe degradam a autonomia, a imagem que tem da sua vida e do seu significado. Quando algu\u00e9m aceita o pedido expresso de uma morte desejada atribui ao princ\u00edpio da autonomia o valor supremo e desvaloriza o valor intr\u00ednseco da vida humana e as possibilidades de atenua\u00e7\u00e3o da dor e do sofrimento de que a medicina pode dispor. A eutan\u00e1sia n\u00e3o consiste apenas numa interven\u00e7\u00e3o directa no sentido de suprimir a vida. Envolve tamb\u00e9m inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o utilizar os meios que a poder\u00e3o manter e eventualmente permitir outro tipo de decis\u00f5es que facultem a continua\u00e7\u00e3o de uma rela\u00e7\u00e3o positiva com a consci\u00eancia reflexiva e com a comunidade envolvente. O direito \u00e0 vida constitui um direito fundamental. O respeito pela pr\u00f3pria vida apenas pode subordinar-se em certas circunst\u00e2ncias extremas ao respeito pela vida dos outros ou por outros valores que apenas o pr\u00f3prio titular da vida pode legitimar. Mas no caso da eutan\u00e1sia n\u00e3o podem invocar-se outros valores anteriores \u00e0 vida, visto que a dignidade da pessoa n\u00e3o fica ferida pelo sofrimento e pela dor, que no entanto, devem ser combatidos e eventualmente eliminados com todos os meios que a medicina e as sociedades actuais podem dispor no sentido do apoio integral ao doente em sofrimento. A introdu\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da eutan\u00e1sia significa em todas as circunst\u00e2ncias fazer depender a exist\u00eancia da vida humana das decis\u00f5es e da delibera\u00e7\u00e3o de outrem. Esta delibera\u00e7\u00e3o, ainda que dirigida no sentido de superar o sofrimento intoler\u00e1vel e suportada pelo consentimento, significa sempre uma decis\u00e3o irrevers\u00edvel da destrui\u00e7\u00e3o decidida de uma vida humana. Aceitar aquele princ\u00edpio significa que a manuten\u00e7\u00e3o e a continua\u00e7\u00e3o da vida possa depender de condi\u00e7\u00f5es permissivas. Nos pa\u00edses onde, como se sabe, a eutan\u00e1sia foi legalizada, existem numerosos casos n\u00e3o notificados e uma percentagem significativa de mortes provocadas sem consentimento expresso. Na avalia\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias do suic\u00eddio assistido est\u00e1 presente o mesmo conflito de valores entre a vida humana e a autodetermina\u00e7\u00e3o. O suicida, n\u00e3o suportando o sofrimento, pede que lhe sejam dados os meios de morrer. Nas circunst\u00e2ncias-limite muitos doentes fazem o pedido da morte estando dominados pela dor, pela insufici\u00eancia de meios de tratamento e pela falta de esperan\u00e7a. Deve admitir-se que o pedido corresponde a condi\u00e7\u00f5es extremas da experi\u00eancia humana e que devem ser mobilizados todos os meios poss\u00edveis para diminuir o sofrimento e a dor, seguindo a arte m\u00e9dica, mesmo que coloquem em risco a vida do doente. O princ\u00edpio da autonomia da pessoa tem limita\u00e7\u00f5es que todos reconhecem nas sociedades organizadas, nomeadamente no respeito pela vida pr\u00f3pria e nos limites que s\u00e3o impostos pelos direitos e liberdades dos outros.  O ju\u00edzo \u00e9tico sobre o suic\u00eddio assistido tem os mesmos pressupostos invocados na eutan\u00e1sia. A diferen\u00e7a nuclear \u00e9 a de que o agente interv\u00e9m facultando os meios para que o pr\u00f3prio realize a sua morte.  A absten\u00e7\u00e3o da terap\u00eautica activa, da qual poder\u00e1 resultar a morte n\u00e3o iniciando ou interrompendo uma interven\u00e7\u00e3o por vontade manifestada inequivocamente pelo doente, \u00e9 uma atitude correcta nas situa\u00e7\u00f5es do final da vida. O doente mant\u00e9m o direito expl\u00edcito de continuar ou de interromper a seu pedido os tratamentos e o internamento em todas as circunst\u00e2ncias. Por outro lado, o doente e os que o rodeiam, ainda que livremente devam exprimir os seus desejos e os seus interesses, n\u00e3o podem exigir uma determinada abordagem diagn\u00f3stica ou terap\u00eautica que n\u00e3o tenha o acordo expl\u00edcito da equipa de interven\u00e7\u00e3o.  A utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos de diagn\u00f3stico e de terap\u00eautica in\u00fateis, por n\u00e3o contribu\u00edrem para o esclarecimento das situa\u00e7\u00f5es e por n\u00e3o terem um efeito ben\u00e9fico, n\u00e3o tem lugar no tratamento das situa\u00e7\u00f5es terminais. N\u00e3o deve iniciar-se, assim, uma interven\u00e7\u00e3o cujos efeitos n\u00e3o estejam demonstrados. O m\u00e9dico deve transmitir com correc\u00e7\u00e3o e tranquilidade ao doente e eventualmente aos seus familiares, as decis\u00f5es que se referem aos m\u00e9todos in\u00fateis de interven\u00e7\u00e3o a partir dos dados objectivos e seguros de que disp\u00f5e.  A vida humana suporta todos os outros valores, nomeadamente a exist\u00eancia da consci\u00eancia reflexiva; \u00e9 a base de todos os direitos de cidadania. \u00c9 inviol\u00e1vel em sim mesma. A vida n\u00e3o adquire nem perde o seu valor por se situar em condi\u00e7\u00f5es limite, nomeadamente nas situa\u00e7\u00f5es de doen\u00e7a, por mais prec\u00e1rias que sejam. O valor da vida humana pode entrar em conflito com o valor de uma morte com dignidade, j\u00e1 que este valor se encontra ligado \u00e0 imagem integral da pessoa. Neste sentido o doente tem sempre o direito de manter um di\u00e1logo aberto e confiante com os m\u00e9dicos e com os que o rodeiam. Tem o direito de conhecer a verdade da sua situa\u00e7\u00e3o. Tem direito a receber os tratamentos adequados, segundo o estado da arte m\u00e9dica e as possibilidades da sociedade em que se insere. Tem, nomeadamente, direito aos cuidados paliativos que devem organizar-se nas comunidades locais. Tem sempre o direito de n\u00e3o receber tratamentos f\u00fateis, inadequados e desproporcionados \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o. O termo da vida \u00e9 um fen\u00f3meno natural. Tanto como o seu in\u00edcio. O homem \u00e9, no entanto, o \u00fanico ser vivo que tem consci\u00eancia da sua finitude. E deve ter consci\u00eancia dos limites das suas interven\u00e7\u00f5es. No exerc\u00edcio actual da medicina porventura as decis\u00f5es mais dif\u00edceis, mais controversas e mais carregadas de conte\u00fado emocional referir-se-\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es nas quais se opta por n\u00e3o utilizar todas as medidas terap\u00eauticas dispon\u00edveis. As tecnologias biom\u00e9dicas actualmente existentes aplicadas nas situa\u00e7\u00f5es limite exigem um suplemento de forma\u00e7\u00e3o humana, de coordena\u00e7\u00e3o da equipa terap\u00eautica e de capacidade de comunica\u00e7\u00e3o que constituem os elementos fundamentais na organiza\u00e7\u00e3o do apoio aos doentes e \u00e0s suas fam\u00edlias.    Bibliografia Jacob F. La logique du vivant. Odile Jacob. Paris. 1970. Madeira-Lopes A. O que \u00e9 a vida? O que vemos e o que pensamos dela. Brot\u00e9ria 2003; 157: 261-69. Murphy M P e O\u2019Neill L A J. What is life? The next fifty years, an introduction. In: What is life? The next fifty years \u2013 speculations on the future of biology. Cambridge University Press, 1994. Pp 1-4. Dennis C e Campbell P. The eternel molecule. Nature 2003; 421: 396. Ford N M. When did I begin? Conception of the human individual in history, philosophy and science. (University Press, Cambridge 1988). Jones D G e Tefler B. 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Consultor da Comiss\u00e3o Episcopal das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00e3o de Laureano Santos nas Jornadas de Comunica\u00e7\u00e3o Social<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[93,101,131,140,182,187,191,201,206,207,256,285,312],"class_list":["post-7755","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-aborto","tag-africa","tag-clonagem","tag-comunicacoes-sociais","tag-diocese-de-viana-do-castelo","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-etica","tag-familia","tag-fatima","tag-meio-ambiente","tag-patrimonio","tag-snec"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7755","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}