{"id":76837,"date":"2016-05-12T23:34:00","date_gmt":"2016-05-12T23:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2016\/05\/12\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-12-de-maio-na-peregrinacao-internacional-aniversaria\/"},"modified":"2016-05-12T23:34:00","modified_gmt":"2016-05-12T23:34:00","slug":"homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-12-de-maio-na-peregrinacao-internacional-aniversaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-cardeal-patriarca-de-lisboa-na-missa-de-12-de-maio-na-peregrinacao-internacional-aniversaria\/","title":{"rendered":"Hom\u00edlia do cardeal-patriarca de Lisboa na Missa de 12 de maio na Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional Anivers\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p> \t<strong>A Visita&ccedil;&atilde;o continua<\/strong><\/p>\n<p> \tComo acabamos de ouvir, irm&atilde;os car&iacute;ssimos, Maria, Nossa Senhora, logo que concebeu Jesus, acorreu a uma povoa&ccedil;&atilde;o das montanhas da Judeia, para visitar e ajudar Isabel, sua parente e gr&aacute;vida tamb&eacute;m. Trata-se da Visita&ccedil;&atilde;o da Virgem a Santa Isabel, como S&atilde;o Lucas a recorda no seu Evangelho e n&oacute;s meditamos no Ros&aacute;rio, ao segundo mist&eacute;rio gozoso. J&aacute; este facto nos deve levar a considerar a import&acirc;ncia do assunto, que, uma vez come&ccedil;ado como ouvimos, h&aacute; de prosseguir nos que aqui estamos.<\/p>\n<p> \tUma vez come&ccedil;ado como ouvimos&hellip; Como ouvimos, e de cada vez primeiramente. Trata-se dum momento fundante e fundamental, na religi&atilde;o de Cristo. Aludindo a Ele, levado no ventre materno, fala tamb&eacute;m de n&oacute;s, no seio da Santa Madre Igreja, que nos transporta ao encontro dos outros, carentes de visita, servi&ccedil;o e companhia.<\/p>\n<p> \tPorque a Visita&ccedil;&atilde;o de Maria, levando Jesus a Isabel, tem sido uma constante na vida da Igreja, tantas vezes manifesta. E, como tamb&eacute;m sucede, quem recebe Maria torna-se visitador por sua vez, continuando o movimento salvador.<\/p>\n<p> \tAssim o perceberam e cumpriram os Pastorinhos de F&aacute;tima. E o pouco tempo que lhes sobrou na terra, a Francisco e Jacinta, n&atilde;o foi outra coisa sen&atilde;o um exerc&iacute;cio de Visita&ccedil;&atilde;o, pelo testemunho que ningu&eacute;m calou; e mesmo no sofrimento, que os n&atilde;o calou a eles.<\/p>\n<p> \tCar&iacute;ssimos irm&atilde;os e muito especialmente v&oacute;s, que viestes a p&eacute;, de longe e mais longe, sob chuva ou sol, e desta vez quase s&oacute; sob chuva: Assim mesmo cumpristes a Visita&ccedil;&atilde;o de Nossa Senhora a Santa Isabel, na dupla condi&ccedil;&atilde;o de as imitardes a ambas.<\/p>\n<p> \tAt&eacute; aqui, peregrinastes como Maria, n&atilde;o para as montanhas da Judeia, mas para o lugar bendito desta serra em que estamos. E trouxestes convosco o mesmo Jesus, que vos deu for&ccedil;a e &acirc;nimo, para continuar estrada fora e para apoiar os outros, quando precisavam duma palavra de alento ou dum bra&ccedil;o de amparo. Mas, agora aqui, estais e estamos todos como Isabel ent&atilde;o, recebendo de Nossa Senhora o mesmo Jesus que ela nos oferece.<\/p>\n<p> \tDepois, voltareis com Ela e com Ele, para continuar a Visita&ccedil;&atilde;o junto dos vossos familiares, vizinhos e companheiros de terra, trabalho e conviv&ecirc;ncia: para que tenham vida, na sua fonte inesgot&aacute;vel, que &eacute; o pr&oacute;prio Deus. Em Deus, unicamente, que nos visita em Jesus, trazido por Maria. Deste lado estamos para receber e deste lado estamos para oferecer Jesus ao mundo, o nosso mundo.<\/p>\n<p> \tDeixai-me dizer-vos, car&iacute;ssimos peregrinos, o muito que vos estimo e admiro, pela coragem de sair de casa e fazer-se &agrave; estrada, persistindo, rezando e ansiando por chegar aqui, como finalmente estais. Como Maria a caminho da casa de Isabel, fostes transportados por sentimentos de solidariedade e compaix&atilde;o, nas inten&ccedil;&otilde;es que traz&iacute;eis e mantendes. Por algum familiar ou amigo, que espera sa&uacute;de, trabalho ou paz. Por motivos coincidentes, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; paz no mundo e a tudo o que a contraria ou demora.<\/p>\n<p> \tTamb&eacute;m foram sentimentos assim que trouxeram Maria aos Pastorinhos, evidenciando-lhes a presen&ccedil;a celestial que tem com Cristo em Deus; e a faz partilhar inteiramente da miseric&oacute;rdia do Criador de todos em rela&ccedil;&atilde;o a cada uma das suas criaturas. Da&iacute; as recomenda&ccedil;&otilde;es aos Pastorinhos: que se convertessem, por si e pelos outros; que rezassem pela paz e advertissem da guerra; que mostrassem em si mesmos o que devemos ser todos, como crian&ccedil;as e filhos diante de Deus, simples e fraternos diante dos homens.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tPor isso valeu F&aacute;tima, h&aacute; quase cem anos. Por isso vale agora, na mesma raz&atilde;o. Temos muitas raz&otilde;es para lhe dar cr&eacute;dito, como o fez a autoridade eclesi&aacute;stica em 1930 e os sucessivos Papas em pronunciamentos e visitas a este santu&aacute;rio &ndash; como o pr&oacute;prio Papa Francisco no ano que vem. A verdade garantida de F&aacute;tima est&aacute; na sua coincid&ecirc;ncia com a pr&oacute;pria verdade evang&eacute;lica. E a verdade essencial do Evangelho est&aacute; nas obras essenciais que ele produz, como Cristo n&atilde;o deixou de esclarecer: &laquo;as obras que o Pai me confiou para levar a cabo, essas mesmas obras que Eu fa&ccedil;o, d&atilde;o testemunho de que o Pai me enviou&raquo; (Jo 5, 36).<\/p>\n<p> \tCompreendamo-nos, irm&atilde;os, peregrinos de corpo e alma, na dimens&atilde;o perfeita que a Visita&ccedil;&atilde;o h&aacute; de ter, hoje e em toda a vida. Cristo visita-nos da parte de Deus, come&ccedil;ando logo no ventre de Maria, e assim levado at&eacute; Isabel. E prossegue agora, sempre o mesmo Cristo, na vida da Santa Madre Igreja, alargando a obra come&ccedil;ada: para ajudar, recriar, salvar a humanidade inteira, em cada um de todos. Onde depararmos com sinais desta Visita&ccedil;&atilde;o salvadora, temos a garantia da sua verdade. &Eacute; essa a maravilha e o milagre de sempre. Foi esse, muito principalmente, o milagre de F&aacute;tima. Como continua a ser.<\/p>\n<p> \tImpressiona-nos o modo como os Pastorinhos perceberam a Visita&ccedil;&atilde;o da Senhora e que, mais do que para contemplar por fora, era para comungar por dentro nos sentimentos de Cristo e sua M&atilde;e. No pouco tempo que Francisco e Jacinta permaneceram neste mundo, tudo foi vontade de salvar os outros pela entrega de si pr&oacute;prios, atingindo, ainda crian&ccedil;as, uma t&atilde;o grande maturidade de f&eacute; e de obras.<\/p>\n<p> \tCorresponderam heroicamente ao pedido de se oferecerem pela salva&ccedil;&atilde;o de todos, expressando-se quase como S&atilde;o Paulo, quando se inclu&iacute;a inteiramente na obra de Cristo, com palavras t&atilde;o fortes como estas: &laquo;Agora, alegro-me nos sofrimentos que suporto por v&oacute;s e completo na minha carne o que falta &agrave;s tribula&ccedil;&otilde;es de Cristo pelo seu Corpo, que &eacute; a Igreja&raquo; (Cl 1, 24). Por isso mesmo puderam ouvir estas palavras seguras: &laquo;Deus est&aacute; contente com os vossos sacrif&iacute;cios&raquo;.<\/p>\n<p> \tAssim dito e sem mais, pode parecer excessivo. Mas quando vemos os Pastorinhos, visitados por Maria e relembrados de Jesus, a rezarem e a sacrificarem-se pelos pecadores, a pedirem por todos, doentes, soldados e muitos outros, sem esquecer o Santo Padre e a Igreja&hellip; Quando reparamos verdadeiramente em tudo isto, a conclus&atilde;o s&oacute; pode ser uma: aconteceu aqui, vai para um s&eacute;culo, o que come&ccedil;ou h&aacute; dois mil&eacute;nios no Israel de ent&atilde;o &#8211; a Visita&ccedil;&atilde;o de Deus, na obra de Cristo, marianamente envolvida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tE, se &eacute; verdade que &laquo;contra factos n&atilde;o h&aacute; argumentos&raquo;, argumentemos agora com a nossa correspond&ecirc;ncia, partindo mais fortes e comprometidos, para que a obra continue, na Visita&ccedil;&atilde;o que faremos. N&atilde;o foi f&aacute;cil o caminho da jovem Maria, de Nazar&eacute; &agrave; montanha da Judeia. N&atilde;o foi f&aacute;cil o caminho dos Pastorinhos, que chegaram at&eacute; ao &acirc;mago sofredor do mundo. N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil para n&oacute;s, transformados em &ldquo;Visita&ccedil;&atilde;o&rdquo; tamb&eacute;m. Mas &eacute; este o caminho de Cristo, da sua P&aacute;scoa e da sua M&atilde;e. Assim o sabemos &#8211; e n&atilde;o queremos outro.<\/p>\n<p> \tOuvi um dia algu&eacute;m dizer que, quando sai de manh&atilde; para o trabalho, vai desfiando as contas do Ros&aacute;rio e especialmente atento ao mist&eacute;rio da Visita&ccedil;&atilde;o. Pede a Deus que assim seja consigo, como foi com Maria: que Cristo siga nele e atrav&eacute;s dele se ofere&ccedil;a em cada encontro com os outros, na rua, no trabalho e em casa, onde for mais preciso, onde for mais urgente.<\/p>\n<p> \tBela ora&ccedil;&atilde;o, na verdade, que podemos fazer nossa, nas circunst&acirc;ncias que vivermos ou criarmos. Ser&aacute; esta a melhor maneira de nos credibilizarmos como os Pastorinhos, com Maria em Cristo. Sem esquecer o realismo evang&eacute;lico das palavras de Jesus: &laquo;Por isto &eacute; que todos conhecer&atilde;o que sois meus disc&iacute;pulos: se vos amardes uns aos outros&raquo; (Jo 13, 35).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p> \tNa verdade, longe ou perto, a Visita&ccedil;&atilde;o continua!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tSantu&aacute;rio de F&aacute;tima, 12 de maio de 2016<\/p>\n<p> \t<em>D. Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Visita&ccedil;&atilde;o continua Como acabamos de ouvir, irm&atilde;os car&iacute;ssimos, Maria, Nossa Senhora, logo que concebeu Jesus, acorreu a uma povoa&ccedil;&atilde;o das montanhas da Judeia, para visitar e ajudar Isabel, sua parente e gr&aacute;vida tamb&eacute;m. 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