{"id":7649,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/obra-do-ardina-inicia-ano-lectivo-mergulhada-em-dificuldades-profundas\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"obra-do-ardina-inicia-ano-lectivo-mergulhada-em-dificuldades-profundas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/obra-do-ardina-inicia-ano-lectivo-mergulhada-em-dificuldades-profundas\/","title":{"rendered":"Obra do Ardina inicia ano lectivo mergulhada em dificuldades profundas"},"content":{"rendered":"<p>Falta de apoios compromete actividade da institui\u00e7\u00e3o, confrontada com os mesmos problemas de v\u00e1rias fam\u00edlias portuguesas quando os seus filhos voltam \u00e0 escola <!--more--> O in\u00edcio do ano lectivo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para a maioria das fam\u00edlias portuguesas, condenadas a gastar pequenas fortunas com os novos livros e demais material escolar. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 comum \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o \u201cObra do Ardina\u201d, embora neste momento todos os seus 52 residentes, que esperavam voltar ontem \u00e0 escola, continuem sem saber quando \u00e9 que as aulas ir\u00e3o, efectivamente, come\u00e7ar. A Obra do Ardina atravessa um per\u00edodo de s\u00e9rias dificuldades de sobreviv\u00eancia e \u00e9 quase um milagre que haja capacidade de oferecer livros, roupa e material escolar a todos estas crian\u00e7as e jovens, provenientes de fam\u00edlias disfuncionais, \u00f3rf\u00e3s e abandonadas. Alexandre Martins, respons\u00e1vel h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas pelos destinos desta institui\u00e7\u00e3o que apoia e acompanha crian\u00e7as e jovens em risco, revela \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA que apenas \u201ca f\u00e9 e a esperan\u00e7a num futuro melhor nos levam a n\u00e3o desistir\u201d. As dificuldades do in\u00edcio de ano escolar s\u00e3o as que conhecemos dos relatos de tantos pais de fam\u00edlia: \u201ctemos os livros para comprar, eles n\u00e3o param de crescer e \u00e9 precisa roupa nova \u2013 sobretudo porque os mais velhos, que n\u00e3o vivem escondidos e tamb\u00e9m s\u00e3o afectadas pela febre da roupa de marca\u201d, refere este respons\u00e1vel. As despesas exorbitantes para integrar os jovens e crian\u00e7as num sistema de ensino que \u00e9 considerado \u201cgratuito\u201d n\u00e3o deixam indiferente quem guia os destinos da Obra do Ardina. \u201cOs livros s\u00e3o car\u00edssimos e h\u00e1 alguns anos que at\u00e9 o papel higi\u00e9nico os nossos rapazes t\u00eam de levar para a escola\u201d, aponta. Neste momento, outro dos problemas \u00e9 o facto de os \u201cmeninos\u201d estarem sem aulas desde meados de Junho, sobrecarregando a institui\u00e7\u00e3o, que se v\u00ea obrigada a inventar actividades para os manter ocupados. Na nossa visita foi poss\u00edvel encontrar muitos deles diante da TV, no computador ou simplesmente a passear, porque a espera tamb\u00e9m os satura. \u201cPor muitas actividades que lhes ofere\u00e7amos, eles tamb\u00e9m est\u00e3o fartos desta espera\u201d, assegura Alexandre Martins.  <b>Um trabalho em equipa<\/b> A Obra do Ardina necessita de uma equipa alargada de t\u00e9cnicos especializados para fazer face \u00e0s necessidades espec\u00edficas dos jovens e crian\u00e7as que se lhe apresentam. Em casa h\u00e1 o ensino para os que apresentam dificuldades de inser\u00e7\u00e3o na escola. Jovens com mais de 15 anos que n\u00e3o foram escolarizados t\u00eam, assim, a oportunidade de acabar o 9\u00ba ano com uma forma\u00e7\u00e3o profissional e partirem para a aventura de procurar emprego. Al\u00e9m dos professores, a Obra conta ainda com as educadoras de inf\u00e2ncia para os mais novos. O Estado cobre as despesas com estes profissionais, mas nos \u00faltimos dois anos o seu n\u00famero passou de 20 para 5. T\u00e9cnicos de Servi\u00e7o Social, psic\u00f3logos, soci\u00f3logos, monitores e vigilantes asseguram um acompanhamento de 24 sobre 24 horas que emprega 97 pessoas. Uma aten\u00e7\u00e3o em perman\u00eancia que constitui ponto de honra e que existe na institui\u00e7\u00e3o muito antes do recente esc\u00e2ndalo da Casa Pia.  <b>Ebuli\u00e7\u00e3o constante<\/b> Os pr\u00e9dios da Rua Dr. Oliveira Ramos, em Lisboa, s\u00e3o antigos e enfermam dos mesmos males que tantos outros na capital portuguesas: falta de espa\u00e7o, escadas \u00edngremes e estreitas, paredes degradadas, uma manuten\u00e7\u00e3o car\u00edssima e sempre necess\u00e1ria. Escondida entre edif\u00edcios e ruas, a Obra do Ardina parece ficar longe do cora\u00e7\u00e3o de quem a poderia ajudar a crescer e renovar-se. \u201cEsta localiza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito negativa, complica em muito o nosso trabalho\u201d, refere Alexandre Martins, recordando com saudade os tempos em que a Obra funcionou na Bela Vista (1986-2000), num espa\u00e7o cedido pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Aproveitando o espa\u00e7o de todas as maneiras poss\u00edveis, os lares possuem salas de aula, biblioteca, sala de inform\u00e1tica, refeit\u00f3rio e duas empresas de inser\u00e7\u00e3o: a Adriferro e a Ardigr\u00e1fica. Esta \u00faltima est\u00e1 \u00e0 espera de novas encomendas para rentabilizar o investimento feito. Os trabalhos em ferro e outros elaborados por volunt\u00e1rios est\u00e3o agora expostos numa loja, no r\u00e9s-do-ch\u00e3o de um dos lares, que merece uma visita.  <b>Crise profunda<\/b> Al\u00e9m das 52 crian\u00e7as e jovens dos 6 aos 20 anos residentes nos seus lares, \u00e0s quais presta todas as val\u00eancias de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e forma\u00e7\u00e3o pessoal e profissional, alarga a sua ac\u00e7\u00e3o a cerca de 500 crian\u00e7as de bairros degradados e problem\u00e1ticos &#8211; como a antiga Curraleira, Picheleira, Musgueira, Intendentes-Anjos ou Chelas -, na linha da preven\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de actividades dos tempos livres, com acompanhamento s\u00f3cio, psico-pedag\u00f3gico. Face a tantos encargos, a actual situa\u00e7\u00e3o de crise financeira p\u00f5e em causa a execu\u00e7\u00e3o de algumas actividades e, talvez, a sobreviv\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o. A Obra imaginada em 1942 por Monsenhor Moreira das Neves, foi concretizada por Maria Lu\u00edsa Ressano Garcia e um grupo de outras mulheres no\u00eblistas de ent\u00e3o. Seis d\u00e9cadas mais tarde, o futuro destas crian\u00e7as em risco continua a ser uma inc\u00f3gnita. \u201cA manuten\u00e7\u00e3o da Obra tem custos muito elevados\u201d, diz Alexandre Martins, acrescentando que o seu financiamento resulta exclusivamente de \u201cprotocolos estabelecidos com a Miseric\u00f3rdia e com a Seguran\u00e7a Social, que n\u00e3o cobrem mais de um quarto das nossas despesas e das d\u00e1divas que nos chegam essencialmente atrav\u00e9s do nosso jornal\u201d. \u201cAs dificuldades s\u00e3o muitas e de toda a ordem, agravadas pela falta de apoio estatal\u201d, assegura. Pelo que pudemos ver, o elevador est\u00e1 avariado \u2013 h\u00e1 mais de um ano -, apenas uma das tr\u00eas carrinhas que faz o transporte dos residentes nos lares est\u00e1 a funcionar e os pr\u00e9dios precisam urgentemente de repara\u00e7\u00f5es e pinturas. Os m\u00f3veis n\u00e3o s\u00e3o substitu\u00eddos, n\u00e3o h\u00e1 um encarregado para a manuten\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e os seus utentes, como se sabe, s\u00e3o irrequietos e estragam muitas das coisas que lhes saem a caminho. Com custos permanentes superiores \u00e0s receitas que consegue obter, a situa\u00e7\u00e3o financeira tem vindo a degradar-se a ponto de Alexandre Martins temer mesmo pelo seu futuro: \u201cestamos numa situa\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia &#8211; s\u00f3 em juros e amortiza\u00e7\u00f5es em d\u00edvida temos mais de 150 mil Euros para pagar\u201d, esclarece. No final da conversa, fica um lamento: \u201cas pessoas que se deparam com a Obra s\u00e3o generosas. Assim o Estado o fosse\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de apoios compromete actividade da institui\u00e7\u00e3o, confrontada com os mesmos problemas de v\u00e1rias fam\u00edlias portuguesas quando os seus filhos voltam \u00e0 escola<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[154,206],"class_list":["post-7649","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-crianca","tag-familia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7649","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7649"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7649\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7649"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7649"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7649"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}