{"id":7643,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/cristo-no-cinema-em-destaque-no-festival-de-veneza\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"cristo-no-cinema-em-destaque-no-festival-de-veneza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristo-no-cinema-em-destaque-no-festival-de-veneza\/","title":{"rendered":"\u00abCristo no Cinema\u00bb em destaque no Festival de Veneza"},"content":{"rendered":"<p>Um livro apresentado no Festival de cinema de Veneza apresenta todos os filmes significativos sobre a figura de Cristo. Dario Edoardo Vigan\u00f2, novo director da revista italiana \u201cIl Cinematografo\u201d apresentou a obra titulada \u201cCristo no cinema. Um c\u00e2none cinematogr\u00e1fico\u201d, editado pela Entidade do Espect\u00e1culo em colabora\u00e7\u00e3o com os Conselhos da Santa S\u00e9 para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais e a Cultura. O livro recolhe as actas do Congresso Internacional sobre cinema que, com o mesmo tema, teve lugar na Universidade Pontif\u00edcia Urbaniana, em Dezembro de 2003, coincidindo com o Festival Terceiro Mil\u00e9nio de Cinema Espiritual, promovido pelos Conselhos Pontif\u00edcios das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais e da Cultura.  O cinema sobre Jesus come\u00e7ou com \u201cA vida e a paix\u00e3o de Jesus Cristo\u201d, dos Irm\u00e3os Lumi\u00e8re, em 1897, e chegou at\u00e9 \u201cA Paix\u00e3o de Cristo\u201d, de Mel Gibson.  O cardeal Paul Poupard, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para a Cultura, revela no volume que tem uma \u201cconfian\u00e7a total\u201d nos operadores do mundo do cinema para que \u201csaibam responder \u00e0 demanda de um suplemento de esperan\u00e7a\u201d.  O arcebispo John P. Foley, presidente do Conselho Pontif\u00edcio para as Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, afirma que \u00ab\u201da express\u00e3o cinematogr\u00e1fica, ainda que n\u00e3o tenha como objectivo directo a busca espiritual, entrela\u00e7a-se constantemente com esta e pode suscitar uma experi\u00eancia profunda de encontro com Deus\u201d. Pode-se solicitar o volume por meio do email: eds@cinematografo.it  <b>Cristo visto pelo Cinema<\/b> Desde as suas origens que o Cinema se tem preocupado com a Vida de Cristo, dando particular relevo \u00e0 narrativa da Paix\u00e3o. Trabalho dif\u00edcil, uma vez que reduz a imagens de natureza puramente material, n\u00e3o s\u00f3 a figura hist\u00f3rica mas tamb\u00e9m a dimens\u00e3o divina. Apenas o espectador estar\u00e1 apto, e s\u00f3 se as imagens forem tratadas de forma adequada, a transpor o material para o sobrenatural, em fun\u00e7\u00e3o da sua f\u00e9. O Cinema nasceu, oficialmente, em 1895. E apenas dois anos mais tarde j\u00e1 a Sociedade Lumi\u00e8re produzia uma obra sobre a Vida de Cristo, com especial incid\u00eancia na Paix\u00e3o. Chamava-se \u00abVues Repr\u00e9sentant la Vie et Passion de J\u00e9sus Christ\u00bb e, na primeira parte, tinha a dura\u00e7\u00e3o de 15 minutos, 50% mais do que era ent\u00e3o habitual. A dimens\u00e3o da obra, que prendia cobrir o percurso desde os Reis Magos at\u00e9 \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o, levou a que fosse conclu\u00edda, bem mais tarde, pela produtora de Georges Halot. Ao longo de mais de um S\u00e9culo sucederam-se os trabalhos sobre a Vida de Cristo, de forma geral dando relevo \u00e0 Sua bondade e a todas as vertentes que real\u00e7am o amor. Mas, sendo forte a influ\u00eancia do romantismo americano, raramente se atingia um impacto que fizesse esquecer o tom excessivamente melodram\u00e1tico, em que muitas vezes se fugia ostensivamente ao texto dos Evangelhos para ganhar em emo\u00e7\u00e3o e, portanto, em ades\u00e3o do p\u00fablico. Tal n\u00e3o impede que, de permeio, alguns trabalhos se tenham revelado eficientes. Ultrapassados os m\u00e9todos de grande produ\u00e7\u00e3o das vers\u00f5es sob o t\u00edtulo \u00abO Rei dos Reis\u00bb, de Cecil B. De Mile (1927) e de Nicholas Ray (1961), veio a surpresa pela m\u00e3o de Manoel de Oliveira, que em 1962 realizou \u00abO Acto de Primavera\u00bb. Trata-se de um document\u00e1rio sobre a Paix\u00e3o, tal como \u00e9 representada pelo povo de uma aldeia do interior de Tr\u00e1s-os-Montes. O povo abandona, por algum tempo, a sua vida quotidiana para uma dedica\u00e7\u00e3o total \u00e0 representa\u00e7\u00e3o da Paix\u00e3o de Cristo. Um filme sincero, despido de qualquer artificialismo, que nos deixa um retrato de grande vivacidade sobre a popula\u00e7\u00e3o local e a sua entusi\u00e1stica ades\u00e3o ao Acto da Semana Santa, a que se segue o retorno \u00e0 vida modesta que caracteriza a generalidade dos meses do ano. Foi pouco mais tarde que se produziu uma obra de verdadeiro impacto internacional. N\u00e3o sobre a Paix\u00e3o em particular, mas sobre a vida de Cristo no seu todo. O realizador poderia parecer o menos indicado, mas coube a Pier Paolo Pasolini \u2013 ateu e marxista confesso \u2013 a responsabilidade de levar a bom termo \u00abO Evangelho Segundo S. Mateus\u00bb. Uma vez mais o principal valor da obra proveio da aus\u00eancia de grandes meios ou grandes artificialismos. Com uma fotografia a preto e branco, esbatida, sem fortes contrastes, e um conjunto de actores na sua maioria n\u00e3o profissionais, o filme assume-se como uma obra espartana em que Cristo nos aparece em toda a sua for\u00e7a, sem que se limem arestas dos modos de um homem de origem modesta. Poder-se-\u00e1 dizer que incide mais sobre o homem que sobre o Homem, o que levou a cr\u00edticas de que foi pouca a aten\u00e7\u00e3o dada \u00e0 componente espiritual, mas esta est\u00e1 presente e \u00e9 pass\u00edvel de ser apreendida por qualquer espectador atento. Muitas outras obras se produziram sobre Cristo, mas de forma geral ou ca\u00edam na j\u00e1 referida enfabula\u00e7\u00e3o do contexto ou traziam inten\u00e7\u00f5es provocat\u00f3rias, como foi o caso de \u00abA \u00daltima Tenta\u00e7\u00e3o de Cristo\u00bb, que Martin Scorsese realizou em 1988 seguindo um projecto dinamarqu\u00eas que foi frustrado por falta do desejado apoio estatal. Houve trabalhos de ineg\u00e1vel valor, mas que n\u00e3o encontraram a desejada divulga\u00e7\u00e3o, ficando o seu conhecimento limitado a uma gama de p\u00fablico muito espec\u00edfica. \u00c9 o caso de \u00abJesus\u00bb, de Peter Sykes e John Kirsh, obra com o rigor que lhe foi transmitido pela forte presen\u00e7a do brit\u00e2nico John Kirsh. Mas foram muitas as outras produ\u00e7\u00f5es sobre Cristo e sobre o cristianismo que povoaram a Hist\u00f3ria do Cinema e, mesmo que se lhes n\u00e3o possa assacar a mesma qualidade e exactid\u00e3o, partiram, em muitos casos, de boas inten\u00e7\u00f5es. Desde \u00abA T\u00fanica\u00bb a \u00abQuo Vadis?\u00bb, repetiram-se os filmes que povoaram o imagin\u00e1rio dos espectadores. Franco Zeffirelli, por exemplo, foi autor de uma narrativa de grande beleza, num longo filme, distribu\u00eddo em duas partes distintas, totalizando mais de tr\u00eas horas de projec\u00e7\u00e3o, aumentadas em It\u00e1lia para o dobro para apresenta\u00e7\u00e3o sob a forma de mini-s\u00e9rie. Em todos eles Jesus Cristo \u00e9 apresentado com grande dignidade, mas a maior parte das vezes ficando muito longe da Sua imagem real. \u00abA Paix\u00e3o de Cristo\u00bb, de Mel Gibson, pelo realismo e objectividade em que se suporta, veio acrescentar um ponto essencial ao percurso cinematogr\u00e1fico da Vida de Cristo. <i>Francisco Perestrello, Director do CINEDOC<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um livro apresentado no Festival de cinema de Veneza apresenta todos os filmes significativos sobre a figura de Cristo. Dario Edoardo Vigan\u00f2, novo director da revista italiana \u201cIl Cinematografo\u201d apresentou a obra titulada \u201cCristo no cinema. 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