{"id":76339,"date":"2016-04-05T12:55:00","date_gmt":"2016-04-05T12:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2016\/04\/05\/discurso-de-abertura-da-189a-assembleia-plenaria-da-cep\/"},"modified":"2016-04-05T12:55:00","modified_gmt":"2016-04-05T12:55:00","slug":"discurso-de-abertura-da-189a-assembleia-plenaria-da-cep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-abertura-da-189a-assembleia-plenaria-da-cep\/","title":{"rendered":"Discurso de abertura da 189\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria da CEP"},"content":{"rendered":"<p>F\u00e1tima, 4 de abril de 2016 <!--more--> <\/p>\n<div>\n<p> \t\t1. Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, caros irm&atilde;os no Episcopado e demais participantes na 189&ordf; Assembleia Plen&aacute;ria da Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa: Sa&uacute;do cordialmente a todos, na alegria e na luz que a P&aacute;scoa de Jesus Cristo nos trouxe e nunca deixa de oferecer.<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\tSa&uacute;do muito especialmente o Senhor D. Ant&oacute;nio Braga, Bispo Em&eacute;rito de Angra, com o agradecimento por todo o trabalho feito na Diocese e na di&aacute;spora a&ccedil;oriana, com a grande caridade pastoral que &eacute; seu timbre. Sa&uacute;do o Senhor D. Jo&atilde;o Lavrador que lhe sucedeu e com as suas muitas qualidades d&aacute; seguimento episcopal &agrave; vida da mesma Diocese. E refiro com muita amizade e companhia os Senhores&nbsp;D. Nuno Almeida e D. Ant&oacute;nio Augusto Azevedo, respetivamente Bispos Auxiliares de Braga e do Porto, cuja presen&ccedil;a tanto enriquece a nossa Assembleia e a Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa.<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t2. A nossa agenda destes dias cont&eacute;m os pontos habituais e referentes ao trabalho do Conselho Permanente, das Comiss&otilde;es e outros &oacute;rg&atilde;os da CEP. Trabalho que se pode considerar mesmo o mais importante desta inst&acirc;ncia de m&uacute;tua e parit&aacute;ria colabora&ccedil;&atilde;o das dioceses portuguesas, concretizando no dia a dia aquela sinodalidade eclesial que o Papa Francisco tanto requer, na melhor rece&ccedil;&atilde;o do Conc&iacute;lio Vaticano II.<\/p>\n<p> \t\tAl&eacute;m dessa partilha de trabalhos setoriais e convergentes, dedicaremos algum tempo a pontos de maior oportunidade eclesial e social, que devemos aprofundar tamb&eacute;m aqui. &Eacute; o caso da aplica&ccedil;&atilde;o do Motu Proprio&nbsp;<em>Mitis Iudex Dominus Iesus<\/em>, sobre o papel do Bispos diocesanos nas causas matrimoniais; da reflex&atilde;o sobre a eutan&aacute;sia, tema que foi entretanto objeto duma Nota Pastoral do Conselho Permanente da CEP (<em>Eutan&aacute;sia: o que est&aacute; em jogo? Contributos para um di&aacute;logo sereno e humanizador<\/em>, 8 de mar&ccedil;o de 2016); ou do Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima, facto central e quase estruturante do catolicismo portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo, que o Papa Francisco certamente corroborar&aacute; com a sua presen&ccedil;a no pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t3. O primeiro destes pontos refere-se a um dos v&aacute;rios aspetos da ampla tem&aacute;tica familiar, que encontra na atual Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica um important&iacute;ssimo patamar teol&oacute;gico e pastoral. O Papa Francisco escreve-a na sequ&ecirc;ncia de duas assembleias do S&iacute;nodo dos Bispos que situaram no v&iacute;nculo conjugal e na fam&iacute;lia a base mais firme da conviv&ecirc;ncia comunit&aacute;ria e social. Temos aqui, seguramente, uma perspetiva&ccedil;&atilde;o e um crit&eacute;rio imprescind&iacute;veis para a a&ccedil;&atilde;o pastoral no seu conjunto, para que cada comunidade se torne &ldquo;fam&iacute;lia de fam&iacute;lias&rdquo; &ndash; e est&iacute;mulo para a sociedade no mesmo sentido. O que implica prepara&ccedil;&atilde;o remota e pr&oacute;xima e depois acompanhamento persistente de cada matrim&oacute;nio e fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \t\tO segundo ponto incide sobre o debate atual na sociedade portuguesa em torno da eutan&aacute;sia. Com a referida Nota Pastoral, quisemos dar um &laquo;contributo para esse debate, que desejamos seja um di&aacute;logo sereno e humanizador&raquo; e chamar a aten&ccedil;&atilde;o para &laquo;o que verdadeiramente est&aacute; em causa&raquo;. N&atilde;o nos alheamos do sofrimento de muitos e da falta de resposta que ainda encontra, por car&ecirc;ncias de v&aacute;rias ordem, que podem e devem ser colmatadas. Mas estamos convictos de que &laquo;n&atilde;o se elimina o sofrimento com a morte: com a morte elimina-se a vida da pessoa que sofre. O sofrimento pode ser eliminado ou debelado com os cuidados paliativos, n&atilde;o com a morte&raquo;. E alertamos para que, com uma hipot&eacute;tica legaliza&ccedil;&atilde;o da eutan&aacute;sia, que de todo rejeitamos, &laquo;h&aacute; o s&eacute;rio risco de que a morte passe a ser encarada como resposta a essas situa&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que a solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o passaria por um esfor&ccedil;o solid&aacute;rio de combate &agrave; doen&ccedil;a e ao sofrimento, mas pela supress&atilde;o da vida da pessoa doente e sofredora, pretensamente diminu&iacute;da na sua dignidade&raquo;.<\/p>\n<p> \t\tO Centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima j&aacute; &eacute; e ainda mais ser&aacute; um importante fator de reencontro e expans&atilde;o do que o sentimento &ldquo;cat&oacute;lico&rdquo; de grande parte do nosso povo pode oferecer &agrave; sociedade em geral. Na verdade, a Mensagem de F&aacute;tima traz-nos um &ldquo;C&eacute;u&rdquo; preocupado com a &ldquo;Terra&rdquo;, e assim mesmo expresso no que a M&atilde;e de Cristo diz aos pastorinhos e nos diz a n&oacute;s: construir a paz pela convers&atilde;o das vidas, adorando a Deus e fazendo o bem.<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t4. A alegria e a luz que a P&aacute;scoa de Jesus Cristo trouxe &agrave; humanidade inteira s&atilde;o hoje particularmente oportunas, face a tantos desafios da sociedade e da cultura.<\/p>\n<p> \t\tPor &ldquo;sociedade&rdquo;, refiro-me ao que somos no pa&iacute;s, na Europa e no espa&ccedil;o al&eacute;m desta, tudo direta ou indiretamente afetado por problemas de v&aacute;ria ordem. N&atilde;o est&aacute; superada a &ldquo;crise&rdquo; financeira do final da d&eacute;cada anterior, com as respetivas consequ&ecirc;ncias no setor do trabalho e da subsist&ecirc;ncia de quem n&atilde;o o tem; n&atilde;o se integraram devidamente na nossa sociedade e valores civilizacionais b&aacute;sicos muitas pessoas provenientes de outras partes do mundo, criando-se com um duvidoso &ldquo;multiculturalismo&rdquo; aut&ecirc;nticas bolsas de m&uacute;tua exclus&atilde;o, prop&iacute;cias a atitudes de grande viol&ecirc;ncia; n&atilde;o se encontrou ainda uma solu&ccedil;&atilde;o capaz para o surto incomum de migrantes e refugiados que procuram no nosso Continente as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de vida que a guerra e outras causas negativas destru&iacute;ram nas suas terras de origem; grav&iacute;ssimos problemas como os fundamentalismos, o terrorismo ou a inseguran&ccedil;a interligam-se num fundo comum de desconhecimento e at&eacute; rejei&ccedil;&atilde;o dos outros, quando ter&iacute;amos todas as possibilidades materiais e medi&aacute;ticas para estarmos realmente pr&oacute;ximos e ser muito mais solid&aacute;rios.<\/p>\n<p> \t\tO Papa Francisco tem-nos sucessivamente alertado para estes e outros problemas humanit&aacute;rios, como que recentrando a Igreja nas periferias em que ela pr&oacute;pria come&ccedil;ou (periferia do sistema sociocultural da altura), para reencontrarmos a&iacute; mesmo a oportunidade evangelizadora. E o que tem dito e escrito configura-se como &ldquo;cultura&rdquo; no sentido pr&oacute;prio, tanto em termos de solidariedade efetiva com quem sofre, como na perspetiva&ccedil;&atilde;o humana e humanizadora que adianta.<\/p>\n<p> \t\tEsta perspetiva apresenta-se de modo sistem&aacute;tico e global na enc&iacute;clica&nbsp;<em>Laudato si&rsquo;, sobre o cuidado da casa comum<\/em>, de 24 de maio &uacute;ltimo, que deve ter na Igreja e na sociedade uma &ldquo;rece&ccedil;&atilde;o&rdquo; persistente e profunda. Prop&otilde;e uma resposta integrada e harm&oacute;nica para a diversa problem&aacute;tica que nos afeta como humanidade, n&atilde;o deixando o mundo f&iacute;sico entregue &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, o mundo sociopol&iacute;tico ao jogo dos interesses mais ou menos confessados de grupos e pa&iacute;ses, ou os valores reduzidos ao desejo de cada um.<\/p>\n<p> \t\tA proposta cultural do Papa Francisco afirma-se como &ldquo;ecologia integral&rdquo; (cf.&nbsp;<em>Laudato si&rsquo;<\/em>, n&ordm; 137ss), ideia j&aacute; presente no magist&eacute;rio pontif&iacute;cio mas agora mais especificada. A generaliza&ccedil;&atilde;o dos problemas requer ainda mais a integralidade da resposta: &laquo;&Eacute; fundamental buscar solu&ccedil;&otilde;es integrais que considerem as intera&ccedil;&otilde;es dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. N&atilde;o h&aacute; duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma &uacute;nica e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solu&ccedil;&atilde;o requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos exclu&iacute;dos e, simultaneamente, cuidar da natureza&raquo; (<em>Laudato si&rsquo;<\/em>, n&ordm; 139).<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t5. Com estes pontos e refer&ecirc;ncias, al&eacute;m do mais, iniciamos a nossa Assembleia Plen&aacute;ria. Pedindo a Deus a luz inteira que nos esclare&ccedil;a na ideia e na decis&atilde;o. E &agrave; M&atilde;e da Igreja a sua intercess&atilde;o e companhia.<\/p>\n<p> \t\t&nbsp;<\/p>\n<p> \t\t+ Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da CEP<\/p>\n<p> \t\tF&aacute;tima, 4 de abril de 2016<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00e1tima, 4 de abril de 2016<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[169,172,187,203,207,274,291,314],"class_list":["post-76339","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-fatima","tag-papa-francisco","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76339","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76339"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76339\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76339"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76339"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76339"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}