{"id":7614,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-profecia-dos-dominicanos-para-um-mundo-em-conflito\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-profecia-dos-dominicanos-para-um-mundo-em-conflito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-profecia-dos-dominicanos-para-um-mundo-em-conflito\/","title":{"rendered":"A profecia dos Dominicanos para um mundo em conflito"},"content":{"rendered":"<p>Pe. Carlos Azpiroz, mestre-geral da Ordem <!--more--> Segundo o mestre-geral da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), a Igreja lan\u00e7a nestes momentos gritos prof\u00e9ticos que respondem a uma concep\u00e7\u00e3o da realidade iluminada pela Palavra de Deus e a uma leitura desta Palavra tomando-lhe o pulso ao tempo atual.  \u00abGritos pedindo paz, fidelidade, verdade, profundidade\u00bb, afirma o padre Carlos Azpiroz, argentino, nestas passagens da entrevista concedida \u00e0 ag\u00eancia Veritas.   Ag\u00eancia Veritas &#8211; Em que situa\u00e7\u00e3o se encontra a Ordem dos Pregadores? Como est\u00e1 se adaptando aos novos tempos uma ordem t\u00e3o antiga?  Carlos Azpiroz &#8211; \u00c0s vezes, as \u00e1rvores que t\u00eam ra\u00edzes profundas s\u00e3o mais flex\u00edveis; h\u00e1 \u00e1rvores que t\u00eam ra\u00edzes superficiais e um vento as tira. N\u00e3o \u00e9 um ato de presun\u00e7\u00e3o: o Senhor nos deu o que temos. \u00c9 verdade, somos uma ordem antiga, com oito s\u00e9culos de hist\u00f3ria.  O panorama vocacional \u00e9 muito grande: aproximadamente somos cerca de 6.500 freis no mundo, que temos que cuidar e fazer crescer at\u00e9 a morte, porque nossos votos duram at\u00e9 a morte.  Quanto aos jovens que entram na ordem, o mapa \u00e9 muito polivalente. Agora h\u00e1 voca\u00e7\u00f5es em lugares onde antes n\u00e3o havia, como \u00e9 o caso de Fran\u00e7a, Peru e Austr\u00e1lia, onde temos quatro ao ano. Em outros pa\u00edses como Filipinas, Vietname, Col\u00f4mbia ou Pol\u00f3nia, temos noviciados bastante numerosos.  \u00c9 uma realidade muito variada, um mist\u00e9rio, mas a estat\u00edstica n\u00e3o expressa mais fidelidade ou realidades profundas e Deus se fixa no profundo e n\u00e3o nas apar\u00eancias.  No Evangelho aparecem tr\u00eas ressurrei\u00e7\u00f5es de pessoas que voltam a sua vida anterior. Mas a ressurrei\u00e7\u00e3o na qual cremos \u00e9 a de Jesus. No panorama vocacional, na Espanha, uma ressurrei\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa voltar a ter os conventos cheios de frades que t\u00ednhamos nos anos 40. Talvez o que se vai querer \u00e9 algo novo.  Talvez esperamos uma verdadeira ressurrei\u00e7\u00e3o: uma vida mais simples, mais fiel, mais prof\u00e9tica e n\u00e3o necessariamente encher os conventos. Os conventos est\u00e3o meio vazios, mas a realidade eclesi\u00e1stica \u00e9 mais rica hoje, como mostra, por exemplo, a vitalidade dos movimentos.  Quanto aos Dominicanos, hoje somos mais vigentes que nunca, mas tamb\u00e9m h\u00e1 muitas outras realidades. Vivemos em meio da Igreja e em meio de realidades muito ricas e belas.  N\u00f3s temos presen\u00e7a em lugares como no Cairo, com uma biblioteca especializada em teologia mu\u00e7ulmana ou do isl\u00e3. Talvez nunca tenhamos ali uma voca\u00e7\u00e3o. Os freis os ajudam a fazer suas teses. Mas n\u00e3o por isso vamos dizer que n\u00e3o somos fecundos. A fecundidade do esp\u00edrito \u00e9 diferente. Uma empresa renuncia a um pa\u00eds se n\u00e3o vende o suficiente, n\u00f3s n\u00e3o estamos nisso.  Com a adapta\u00e7\u00e3o aos tempos atuais tem muito que ver nosso sistema de governo: o sistema capitular, a rota\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es, etc, fazem que a ordem tenha certa versatilidade.  Acabamos de encerrar um cap\u00edtulo-geral na Pol\u00f4nia. Representantes das prov\u00edncias de todo o mundo se reuniram para ver o que est\u00e1 passando, para tomar o pulso da hist\u00f3ria, e isso rejuvenesce muito. Deus fala atrav\u00e9s dos sinais dos tempos.  A Ordem dos Pregadores \u00e9 uma ordem florescente, com voca\u00e7\u00f5es e entusiasmo. Estamos presentes ali onde h\u00e1 dor, como no Iraque, atrav\u00e9s de freis e irm\u00e3s, que est\u00e3o sofrendo muito, mas tamb\u00e9m h\u00e1 que pregar ali com a palavra e com a dor.  \u00c0s vezes, o sinal de estar em meio da guerra j\u00e1 \u00e9 pregar, como fez nosso fundador, S\u00e3o Domingo de Guzm\u00e3o, ou Francisco de Victoria no s\u00e9culo XVI, ao perguntar sobre a dignidade dos \u00edndios.  Interessa a realidade do povo e pensar teologicamente esta realidade que vivemos: o laborat\u00f3rio \u00e9 o mundo. Uma palavra prof\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 a que advinha o futuro. O profeta n\u00e3o advinha o futuro com nenhuma bola de cristal, mas olha a realidade iluminada pela palavra de Deus e tamb\u00e9m l\u00ea a palavra de Deus tomando-lhe o pulso \u00e0 realidade.  Se a algu\u00e9m chegam os sinais dos tempos sem a luz da palavra de Deus, cair\u00edamos em um relativismo tremendo. Mas se se l\u00ea a palavra de Deus sem tom\u00e1-la o pulso \u00e0 realidade, poder\u00edamos cair em um fundamentalismo muito forte.   AV &#8211; E actualmente, na Igreja, existe essa vis\u00e3o complementar da realidade e da Palavra?  CA &#8211; Sim, isto se d\u00e1 na Igreja universal, mais do que imaginamos e menos do que deveria. \u00c9 certo que a Igreja necessita de renova\u00e7\u00e3o e ser cada vez ainda mais prof\u00e9tica, mas essa vis\u00e3o se d\u00e1.  A vantagem de meu posto \u00e9 poder ver realidades t\u00e3o distintas em pouco tempo. Em tr\u00eas anos, visitei freis em mais de cinquenta pa\u00edses e se v\u00ea que a realidade \u00e9 sinf\u00f3nica. Cada instrumento toca a mesma partitura, mas o conjunto oferece uma beleza que nenhum solista poderia oferecer, o policrom\u00e1tico expressa uma beleza que um s\u00f3 n\u00e3o pode representar.  E essa \u00e9 a vantagem dos freis e das irm\u00e3s de cada pa\u00eds: v\u00ea-se que as realidades s\u00e3o complexas, possuem a complexidade da beleza, com a simplicidade do Evangelho.  E o conjunto da Igreja est\u00e1 oferecendo a vis\u00e3o prof\u00e9tica. Cada vez mais, a realidade arranca \u00e0 Igreja palavras prof\u00e9ticas, como o grito de paz do Papa Jo\u00e3o Paulo II, \u00e0s vezes lan\u00e7ado em uma solid\u00e3o muito grande. Toda a teologia da guerra justa se nos est\u00e1 fazendo migalhas; e n\u00e3o \u00e9 que Francisco de Victoria se equivocara, mas n\u00e3o imaginava o dramatismo das guerras do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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