{"id":75728,"date":"2016-02-19T10:56:00","date_gmt":"2016-02-19T10:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2016\/02\/19\/o-arminho-no-retiro\/"},"modified":"2016-02-19T10:56:00","modified_gmt":"2016-02-19T10:56:00","slug":"o-arminho-no-retiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-arminho-no-retiro\/","title":{"rendered":"O arminho no retiro"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p> \tO pregador do retiro procurou entusiasmar-nos. Com dezenas de exemplos, incentivou-nos &agrave; santidade. Numa das medita&ccedil;&otilde;es falou do arminho.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o sei se o pregador sabia que a pelagem do pequeno carn&iacute;voro varia de acordo com a esta&ccedil;&atilde;o do ano. Mas, se sabia, na medita&ccedil;&atilde;o que ouvi situou-se apenas na cor dominante no outono e no inverno: o branco; branco com uma &uacute;nica reserva &ndash; a ponta da cauda, sempre negra, em qualquer ocasi&atilde;o.<\/p>\n<p> \tEntusiasmado, o pregador disse-nos que o arminho tinha tal estima pela alvura, que os ca&ccedil;adores adotavam uma estrat&eacute;gia: iam-no encurralando para um local pantanoso, em cuja margem o animal se detinha, preferindo ser morto a fugir atrav&eacute;s da lama. Deste modo era facilmente capturado.<\/p>\n<p> \tPercebi o intuito do pregador; mas confesso que nunca tentei (des)confirmar a veracidade do seu &ldquo;exemplo&rdquo;. Ainda hoje, isso pouco me incomoda &ndash; porque o que realmente me preocupa n&atilde;o &eacute; o comportamento do arminho, mas o de pessoas concretas, que pensam viver de m&atilde;os limpas, quando as guardam nos bolsos. Mais: ao menos, o bom do animal joga a sua pr&oacute;pria pele; ao passo que a gente das m&atilde;os nos bolsos implica e compromete, normalmente, a vida dos outros&#8230;Sei que o faz com muito equil&iacute;brio e proclamada sensatez, repetindo mil e uma vezes, que &ldquo;a virtude est&aacute; no meio&rdquo;; no eixo da via &ndash; diria eu. Mas o facto &eacute; que n&atilde;o me parece que esteja. Apetece-me mesmo dizer que a virtude est&aacute; nas margens e nas valetas, porque &eacute; l&aacute; que est&atilde;o os desprezados, nus, famintos ou sedentos: aqueles com quem Deus se identifica!..<\/p>\n<p> \tSim; acredito seriamente que santidade e a mudan&ccedil;a das situa&ccedil;&otilde;es de injusti&ccedil;a n&atilde;o se conquistam por fuga ou afastamento, mas por aproxima&ccedil;&atilde;o e proximidade! Di-lo, com meridiana clareza D. Jos&eacute; Traquina, na Mensagem para a Semana da C&aacute;ritas publicada algures neste seman&aacute;rio: &ldquo;Numa homilia, Martin Luther King, acerca da par&aacute;bola do Bom Samaritano (Lc. 10, 25-37), afirma que o sacerdote e o levita ter&atilde;o pensado: &lsquo;o que ser&aacute; de mim se me aproximar dele&rsquo;?; ao passo que o samaritano ter&aacute; pensado: &lsquo;O que ser&aacute; daquele homem se eu n&atilde;o me aproximar?&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p> \tOlhando para dentro de si mesmos, totalmente concentrados, o sacerdote e o levita preveniram-se da impureza legal &ndash; n&atilde;o percebendo que Deus tinha sa&iacute;do do templo para onde corriam e tinha vindo esper&aacute;-los na estrada.<\/p>\n<p> \tEste continua a ser, ainda hoje, o nosso pecado mais frequente: n&atilde;o perceber que &eacute; no outro e com o outro e as suas circunst&acirc;ncias que verdadeiramente amamos a Deus. Ele nos h&aacute;-de explicar isto mesmo quando Lhe perguntarmos: &ldquo;Senhor, quando &eacute; que Te vimos&hellip;.?&rdquo;<\/p>\n<p> \t<em>Jo&atilde;o Aguiar Campos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[140,168],"class_list":["post-75728","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-comunicacoes-sociais","tag-diocese-da-guarda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75728","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75728"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75728\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75728"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75728"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75728"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}