{"id":7490,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/valorizar-os-idosos-humanizar-as-sociedades\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"valorizar-os-idosos-humanizar-as-sociedades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/valorizar-os-idosos-humanizar-as-sociedades\/","title":{"rendered":"Valorizar os idosos, humanizar as sociedades"},"content":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Papa para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 Setembro <!--more--> Que os idosos sejam plenamente reconhecidos como uma riqueza para o crescimento espiritual e humano da sociedade.  1. Segundo dados da ONU, h\u00e1 actualmente 59 pa\u00edses, com 44% da popula\u00e7\u00e3o mundial, nos quais os nascimentos j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para impedir o decr\u00e9scimo da popula\u00e7\u00e3o. Por seu lado, o Congresso dos Estados Unidos estima que, em 2050, um quinto da popula\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds ter\u00e1 mais de 65 anos. Este envelhecimento atinge tamb\u00e9m os pa\u00edses menos desenvolvidos economicamente, tradicionalmente com taxas de natalidade elevadas. Assim, em 2050, pa\u00edses como a Turquia e o M\u00e9xico dever\u00e3o ter uma m\u00e9dia de idade mais elevada do que os 39,7 anos indicados para os Estados Unidos na mesma data. A Arg\u00e9lia, que em 2000 tinha uma m\u00e9dia de idades de 21,7 anos, ter\u00e1 uma m\u00e9dia de 40 anos em 2050. Nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, a m\u00e9dia dever\u00e1 ser, na mesma altura, de 39,8 anos. A China ter\u00e1, em 2040, 26% da popula\u00e7\u00e3o com 60 anos ou mais. Se os pa\u00edses ricos enfrentar\u00e3o dificuldades crescentes em custear as despesas resultantes deste envelhecimento, que dizer dos mais pobres, abruptamente confrontados com percentagens t\u00e3o elevadas de cidad\u00e3os idosos?  2. Diz-se, por vezes, que em tempos mais recuados, ou em sociedades ainda pouco marcadas pelo desenvolvimento econ\u00f3mico, os idosos eram respeitados e valorizados, ao contr\u00e1rio do que acontece nas sociedades actuais. Talvez, mas ent\u00e3o os idosos representavam uma percentagem muito menor da popula\u00e7\u00e3o \u2013 e, mesmo assim, a idade avan\u00e7ada era, para a maior parte, marcada por extrema pobreza ou abandono total. Deve, por isso, reconhecer-se que as sociedades actuais, nos pa\u00edses economicamente mais desenvolvidos, apesar de contarem com uma percentagem de idosos bem mais elevada, reduziram fortemente a pobreza associada ao envelhecimento, pelo menos na sua dimens\u00e3o econ\u00f3mica e assistencial. Valorizando o que foi conseguido, importa insistir na necessidade de avan\u00e7ar mais e pensar novas formas de aproveitar, mesmo economicamente, o envelhecimento das nossas sociedades.  3. Para que tal seja poss\u00edvel, s\u00e3o necess\u00e1rias mudan\u00e7as culturais e novas atitudes perante os mais velhos, a come\u00e7ar pela fam\u00edlia e a acabar no Estado \u2013 mudan\u00e7as que n\u00e3o limitem os idosos a uma quest\u00e3o de dinheiro para pagar reformas e de asilos onde recolher os mais pobres ou doentes. Se os jovens e as crian\u00e7as de hoje continuarem a ver as fam\u00edlias, por comodismo ou falta de condi\u00e7\u00f5es, a abandonar os seus membros mais idosos em asilos ou a deix\u00e1-los na tristeza da solid\u00e3o; se virem o Estado ignorar e deixar sem apoio as fam\u00edlias que desejam conservar os seus membros mais idosos junto de si \u2013 apesar de gastar muito mais em lares de terceira idade; se virem que o Estado e a sociedade em geral n\u00e3o t\u00eam lugar para os idosos, antes os remetem ao limbo de uma exist\u00eancia sem sentido, preocupados apenas em saber como continuar a pagar-lhes as pens\u00f5es; se continuarem a ser educados segundo modelos que privilegiam a efic\u00e1cia e a produtividade e endeusam a juventude; se assim for, tais comportamentos repetir-se-\u00e3o, no futuro pr\u00f3ximo, de modo ainda mais degradante, porque o n\u00famero de idosos ser\u00e1 muito maior \u2013 e a pobreza das sociedades tamb\u00e9m.  4. 2040 ou 2050 n\u00e3o \u00e9 um futuro long\u00ednquo \u2013 \u00e9 o espa\u00e7o de duas gera\u00e7\u00f5es. Neste curto espa\u00e7o de tempo, os idosos tornar-se-\u00e3o uma presen\u00e7a cada vez mais evidente nas sociedades. Se isso ser\u00e1 motivo para as fam\u00edlias, as sociedades e os Estados reconhecerem as possibilidades de enriquecimento espiritual e de humaniza\u00e7\u00e3o activas nessa presen\u00e7a, ou se, pelo contr\u00e1rio, levar\u00e1 a mais exclus\u00e3o e a novos conflitos sociais, depende sobretudo daqueles que, hoje, definem o \u00abar do tempo\u00bb \u2013 e, por esse lado, o futuro parece pouco promissor. Aos crist\u00e3os, por\u00e9m, pede-se que, alicer\u00e7ados na esperan\u00e7a, contrariem esta cultura de exclus\u00e3o dos idosos, contribuindo, deste modo, para que a sociedade, no seu todo, reconhe\u00e7a o que lhes deve e os acolha e valorize como deve.  Elias Couto <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inten\u00e7\u00e3o Geral do Papa para o Apostolado da Ora\u00e7\u00e3o \u2013 Setembro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[104,154,206,267],"class_list":["post-7490","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-vaticano","tag-america","tag-crianca","tag-familia","tag-natal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7490","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7490"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7490\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7490"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7490"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7490"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}