{"id":74679,"date":"2015-11-27T16:39:00","date_gmt":"2015-11-27T16:39:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/11\/27\/ilhas-sao-uma-diocese-de-pleno-direito-e-com-a-mesma-dignidade-na-igreja-em-portugal\/"},"modified":"2015-11-27T16:39:00","modified_gmt":"2015-11-27T16:39:00","slug":"ilhas-sao-uma-diocese-de-pleno-direito-e-com-a-mesma-dignidade-na-igreja-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ilhas-sao-uma-diocese-de-pleno-direito-e-com-a-mesma-dignidade-na-igreja-em-portugal\/","title":{"rendered":"Ilhas s\u00e3o uma diocese de \u00abpleno direito e com a mesma dignidade na Igreja em Portugal\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>D. Jo\u00e3o \u00e9 o 39\u00ba bispo da Diocese de Angra e reclama a relev\u00e2ncia para a Igreja no arquip\u00e9lago. Natural da Diocese de Coimbra, chega aos A\u00e7ores como um &#8220;pobre Lavrador&#8221; que quer &#8220;conhecer longamente&#8221;, &#8220;ser a\u00e7oriano com os a\u00e7orianos&#8221;, &#8220;gerar comunh\u00e3o&#8221;, &#8220;convocar para a participa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;valorizar a capacidades de cada um&#8221;, &#8220;a caminhar todos no mesmo sentido&#8221;.  <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia &ndash; Ap&oacute;s a nomea&ccedil;&atilde;o para bispo coadjutor de Angra, no dia 29 de setembro, que proximidade foi criando em rela&ccedil;&atilde;o aos A&ccedil;ores?<\/em><\/p>\n<p> \tD. Jo&atilde;o Lavrador &ndash; Perante o chamamento da Igreja, no momento, digo prontamente &lsquo;sim, eu vou&rsquo;. Depois fico a interiorizar o que o chamamento me quer dizer e ao que a resposta me obriga, o que aconteceu em v&aacute;rias fases.<\/p>\n<p> \tPrimeiro fiquei perplexo porque n&atilde;o me sinto profeticamente capaz, uma vez que a miss&atilde;o vai ser muito diferente da que tenho tido at&eacute; agora, tanto na vida presbiteral na Diocese de Coimbra como na equipa episcopal da Diocese do Porto, onde o bispo est&aacute; &agrave; frente e ampara o nosso trabalho. Agora vai ser diferente, embora tenha a gra&ccedil;a de contar com o senhor D. Ant&oacute;nio Braga, que estimo muito e desejo que esteja muito tempo!<\/p>\n<p> \tSurge depois o sentido da f&eacute;, o reconhecer que se Deus chama tamb&eacute;m d&aacute; a gra&ccedil;a para podermos executar essa miss&atilde;o.<\/p>\n<p> \tSurge uma segunda etapa, a n&iacute;vel interior: come&ccedil;ar a sonhar com os que ainda n&atilde;o conhecemos. Eu n&atilde;o conhecia praticamente nada dos A&ccedil;ores. Tinha ido l&aacute; h&aacute; anos, a S. Miguel, a convite de padre que foi meu colega no Semin&aacute;rio de Coimbra, e h&aacute; dois anos estive no Pico, numa maravilhosa manifesta&ccedil;&atilde;o de f&eacute; em Jesus Cristo, no Santu&aacute;rio do Senhor dos Milagres, e n&atilde;o tive mais contacto.<\/p>\n<p> \tComecei a reconhecer que as pessoas a quem eu sou destinado j&aacute; me pertencem. Na ora&ccedil;&atilde;o, na minha medita&ccedil;&atilde;o e no sentido da miss&atilde;o a que sou chamado, fa&ccedil;o esta transi&ccedil;&atilde;o: estar ainda ligado &agrave; Diocese do Porto, j&aacute; a sentir a saudade de deixar tanta gente que contactei, e, ao mesmo tempo, estar na ansiedade de encontro com os que est&atilde;o do outro lado e a quem eu me quero integralmente dedicar.<\/p>\n<p> \tPor &uacute;ltimo, a proximidade de encontro com diocese que me vai acolher e a quem me quero dedicar. Come&ccedil;a-se a sentir a alegria e o entusiasmo da mudan&ccedil;a de vida, uma vez que s&atilde;o formas de estar e de viver diferentes, e da aprendizagem com o povo a ser da sua cultura, uma vez que tem carater&iacute;sticas pr&oacute;prias &agrave; semelhan&ccedil;a de outras regi&otilde;es do pa&iacute;s, e da integra&ccedil;&atilde;o na Igreja que vou apreciando na sua profundidade e na sua religiosidade, nomeadamente a centralidade a Jesus Cristo e a devo&ccedil;&atilde;o profunda ao Esp&iacute;rito Santo. Come&ccedil;o a sentir-me entusiasmado por este trabalho, assim me queiram acolher nas minhas limita&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>Um bispo de fora<\/em><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; o 39&ordm; bispo da Diocese de Angra, onde s&oacute; dois foram a&ccedil;orianos. O facto de n&atilde;o ser a&ccedil;oriano &eacute; uma vantagem ou desvantagem?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; N&atilde;o sei se &eacute; vantagem ou desvantagem, &eacute; necess&aacute;rio perguntar aos crist&atilde;os e aos cidad&atilde;os dos A&ccedil;ores. &Agrave; partida, sendo a&ccedil;oriano, um bispo tem meio-caminho andado: conhece a cultura, est&aacute; entrosado com os costumes, h&aacute; uma parte da &ldquo;escolaridade&rdquo; que j&aacute; est&aacute; feita. Da minha parte estou a zero, com uma &ldquo;escolaridade&rdquo; toda a fazer. Espero ter alguma capacidade de aprendizagem e muita paci&ecirc;ncia dos que me v&atilde;o ensinar. Eu vou com muita vontade de aprender, quero inserir-me na cultura a&ccedil;oriana, ser a&ccedil;oriano com os a&ccedil;orianos e pertencer &agrave; Igreja dos A&ccedil;ores com todas as suas virtualidades e riquezas, assim me aceitem para integrar a Igreja nos A&ccedil;ores e a cultura a&ccedil;oriana. Vou numa disposi&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logo, para colaborar com as minhas capacidades e limita&ccedil;&otilde;es, na avidez de aprender e sobretudo com um grande desejo de servir! Vou para servir!<\/p>\n<p> \tQueria unir e convocar para, no respeito pelas institui&ccedil;&otilde;es e pela sua autonomia, podermos caminhar em conjunto para encontrarmos o melhor bem para as pessoas dos A&ccedil;ores.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A diocese est&aacute; dividida em nove ilhas. Uma carater&iacute;stica &uacute;nica, que constitui um problema, na sua opini&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Em primeiro lugar digo que a diocese est&aacute; unida por nove ilhas, n&atilde;o dividida&hellip; O mar tanto divide como une e para mim vai unir. Farei tudo para que o mar possa unir! A amizade &eacute; que une. Quero criar em cada a&ccedil;oriano um amigo e que eles me tenham como tal, se eu o merecer!<\/p>\n<p> \tOlhando para a realidade e sonhando, tenho uma perce&ccedil;&atilde;o que aquelas nove ilhas d&atilde;o para &ldquo;saltar&rdquo; de uma para as outras. Tal como faz&iacute;amos em crian&ccedil;as em determinados jogos, d&aacute;-me ideia que n&atilde;o h&aacute; obst&aacute;culos. Talvez demore meia hora, um dia, mas tamb&eacute;m me vai obrigar ao que n&atilde;o estou muito habituado: &ldquo;para, atende as pessoas, est&aacute; com elas e n&atilde;o estejas a pensar que vais j&aacute; para outro lado a correr&rdquo;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E a&iacute; condi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica acaba por ser uma ajuda?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Penso que sim. Foi Deus que fez a geografia. E, se a fez, &eacute; porque est&aacute; bem feita.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>Ilhas num arquip&eacute;lago<\/em><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Nos A&ccedil;ores h&aacute; muito a &lsquo;ideia de ilha&rsquo;, separadas uma das outras. O facto do bispo n&atilde;o ser de nenhuma delas pode ser um fator de uni&atilde;o do arquip&eacute;lago?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Procuro ir com a minha humanidade, despertando a humanidade dos que l&aacute; est&atilde;o. Os que estamos nas diversas ilhas &ndash; e eu estarei em todas porque sou bispo de todos por igual &ndash; somos humanos.<\/p>\n<p> \tParece-me que cada ilha ter&aacute; a sua configura&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, tanto geogr&aacute;fica como humana. Ter&aacute; a sua religiosidade, as suas tradi&ccedil;&otilde;es, a sua forma de viver e a sua cultura. O que se pode tornar numa riqueza! N&oacute;s n&atilde;o podemos olhar para o que &eacute; a realidade de um determinado povo como um obst&aacute;culo &agrave; sua comunh&atilde;o com os outros.<\/p>\n<p> \t&Agrave; medida que for aprendendo a realidade concreta dos A&ccedil;ores, quero ter sempre como valor a conjuga&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as e o enriquecimento das variedades. N&oacute;s n&atilde;o fazemos nada na Igreja se a conviv&ecirc;ncia n&atilde;o for s&atilde;, n&atilde;o for humana, n&atilde;o for amiga, estando todos a trabalhar para o bem comum, onde todos nos sintamos diferentes, a valorizar a capacidades de cada um, mas a caminhar todos no mesmo sentido.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Os indicadores da diocese informam que os servi&ccedil;os funcionam de determinada forma na ilha onde est&atilde;o sediados e de outra, para pior, nas restantes. Vai ser poss&iacute;vel inverter essa tend&ecirc;ncia e criar mais unidades?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Os servi&ccedil;os da Igreja?<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Sim, da Igreja.<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Eu ainda n&atilde;o conhe&ccedil;o verdadeiramente. Vou ter de conhecer. Tive um primeiro contacto com os servi&ccedil;os centrais em Angra, sei que tem alguns n&uacute;cleos de dinamiza&ccedil;&atilde;o em S. Miguel, particularmente a n&iacute;vel de instala&ccedil;&otilde;es e apoio a trabalhos pastorais, e tamb&eacute;m nas outras ilhas.<\/p>\n<p> \tPenso que as estruturas t&ecirc;m de estar ao servi&ccedil;o das pessoas e dos servi&ccedil;os, dos projetos pastorais que se procurem, atendendo &agrave; realidade concreta onde nos situamos.<\/p>\n<p> \tA minha primeira prioridade &eacute; conhecer e conhecer longamente! Eu n&atilde;o tenho pressa para tomar decis&otilde;es, porque v&atilde;o continuar a ser do senhor D. Ant&oacute;nio e muito bem! Quando for chamado a ser eu a tomar as decis&otilde;es, certamente j&aacute; estarei mais esclarecido e terei ocasi&atilde;o de, depois de conhecer bem e fazer um trabalho de comunh&atilde;o com todos, ver o que &eacute; necess&aacute;rio valorizar, permanecer ou alterar.<\/p>\n<p> \tAs estruturas est&atilde;o sempre em evolu&ccedil;&atilde;o consoante a realidade pastoral que formos projetando.<\/p>\n<p> \tEu vou para uma diocese que j&aacute; tem perto de 500 anos. E quando de l&aacute; sair, ela vai continuar!<\/p>\n<p> \tEu vou inserir-me na Igreja que j&aacute; tem esta bel&iacute;ssima hist&oacute;ria e espero que, ao deix&aacute;-la, possa vir com o sentimento de dever cumprido e de entrega do melhor de mim pr&oacute;prio &agrave; Igreja, como tem sido a sensa&ccedil;&atilde;o no Porto e noutros locais por onde tenho passado. Talvez cansado, mas dizendo que fiz tudo o que pude para gerar comunh&atilde;o, convocar para a participa&ccedil;&atilde;o e que as decis&otilde;es sejam de todos os diocesanos, n&atilde;o de uma s&oacute; cabe&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tO semin&aacute;rio &eacute; para manter<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Como carateriza a Diocese de Angra?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Ainda conhe&ccedil;o pouco. &Agrave; medida que fui conhecendo, verifico que tem uma pr&aacute;tica religiosa bastante forte, muito acima da m&eacute;dia de Portugal no seu todo. Tem um clero muito ativo, muito bem formado, a n&iacute;vel espiritual e acad&eacute;mico, numa dedica&ccedil;&atilde;o muito grande. Verifiquei, pelo contacto de muitas pessoas, que t&ecirc;m leigos muito bem preparados e entusiasmados na miss&atilde;o que lhe &eacute; pr&oacute;pria, nas &aacute;reas da sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo, onde devem estar. Isto d&aacute;-me um entusiasmo muito grande! Isto quer dizer que os bispos, seja o senhor D. Ant&oacute;nio Braga e os que o antecederam, na pessoa deles e com as estruturas diocesanas, fizeram um trabalho extraordin&aacute;rio.<\/p>\n<p> \tTer o semin&aacute;rio &eacute; um valor muito grande. Dizemos que &eacute; o &ldquo;cora&ccedil;&atilde;o da diocese&rdquo;, mas precisa de estar vivo. E na Diocese de Angra o semin&aacute;rio est&aacute; vivo, com os seus professores e os alunos, e os que integram a comunidade, como verifiquei&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Na desloca&ccedil;&atilde;o aos A&ccedil;ores ap&oacute;s a nomea&ccedil;&atilde;o foi l&aacute; que esteve&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Sim, estive com o Semin&aacute;rio na minha desloca&ccedil;&atilde;o aos A&ccedil;ores.<\/p>\n<p> \tTrata-se de um valor a n&iacute;vel vocacional, porque &eacute; um sinal para toda a diocese da necessidade da voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal, que implica todas as outras voca&ccedil;&otilde;es, tanto &agrave; vida consagrada como ao matrim&oacute;nio, e n&iacute;vel diocesano porque todos os padres que s&atilde;o chamados a uma forma&ccedil;&atilde;o superior para estar no semin&aacute;rio e dar aulas, est&atilde;o a valorizar a diocese.<\/p>\n<p> \tDo semin&aacute;rio, enquanto um centro de estudo e reflex&atilde;o da teologia, pode lan&ccedil;ar-se uma ponte, que est&aacute; lan&ccedil;ada e pode ser continuada, com o mundo da cultura, nomeadamente a universidade dos A&ccedil;ores.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Quer isso dizer que o Semin&aacute;rio &eacute; para manter&hellip;?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Farei tudo o que puder para o manter. Sou um apaixonado dos semin&aacute;rios e sei o valor que eles t&ecirc;m, at&eacute; ao limite. Reconhe&ccedil;o tamb&eacute;m que, se o n&uacute;mero de alunos n&atilde;o o justificar ou diante de outras circunst&acirc;ncias, temos de nos render &agrave;s nossas limita&ccedil;&otilde;es. Estou convencido de que o que Deus quer &eacute; que cada diocese tenha o seu semin&aacute;rio. E continuaremos a rezar para que tenhamos voca&ccedil;&otilde;es para que isso aconte&ccedil;a.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Garantindo que os estudos no Semin&aacute;rio de Angra tenham equipara&ccedil;&atilde;o a um curso superior?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Esse &eacute; um trabalho que eu quero dar continuidade: ter a acredita&ccedil;&atilde;o dos estudos, porque &eacute; uma quest&atilde;o de justi&ccedil;a para a institui&ccedil;&atilde;o. Julgo que a Universidade Cat&oacute;lica tamb&eacute;m ter&aacute; todo o gosto de ajudar dioceses que, tendo carater&iacute;sticas muito pr&oacute;prias, se valorizem estejam numa comunh&atilde;o cada vez maior com os centros de decis&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Isso implica apostar em recursos humanos para a especializa&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica, nomeadamente o doutoramento&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Queria agradecer muito (ao senhor D. Ant&oacute;nio Braga e anteriores bispos, assim como aos que com ele colaboraram nos semin&aacute;rios, ao vig&aacute;rio-geral, cabido, col&eacute;gio de consultores, etc, porque encontrei nesta diocese o bispo sempre em comunh&atilde;o com os &oacute;rg&atilde;os de aconselhamento diocesanos, o que &eacute; muito bom) a valoriza&ccedil;&atilde;o do clero e dos membros ativos na Igreja, dos leigos, para estarem &agrave; frente dos diversos trabalhos, institui&ccedil;&otilde;es, movimentos e grupos diocesanos. Foi um trabalho maravilhoso que augura um bom futuro e &ndash; se Deus me der essa gra&ccedil;a &ndash; me vai ajudar muito &agrave; frente da diocese.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O clero &eacute; maioritariamente jovem, em n&uacute;mero suficiente para as 165 par&oacute;quias da diocese. Em todo o caso, o n&uacute;mero de seminaristas diminui. O que &eacute; necess&aacute;rio fazer para inverter essa tend&ecirc;ncia?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; A quest&atilde;o das voca&ccedil;&otilde;es &eacute; de consci&ecirc;ncia diocesana, comunit&aacute;ria e familiar. Estamos habituados a ter um trabalho vocacional, dirigido sobretudo ao setor da juventude. Mas penso que s&oacute; se far&aacute; um trabalho de acordo com o que Deus pede &agrave; sua Igreja quando todos, todos mesmo, estiverem verdadeiramente interessados e sintonizados com esta quest&atilde;o: que todo o crist&atilde;o reconhe&ccedil;a que, ao ser crist&atilde;o, &eacute; chamado por Jesus Cristo a uma miss&atilde;o, ao sacerd&oacute;cio, &agrave; vida consagrada ou ao matrim&oacute;nio. E cada um &eacute; chamado a responder generosamente a este convite de Jesus Cristo. Isto tem de entrar nas din&acirc;micas das catequeses, da forma&ccedil;&atilde;o da juventude e da ora&ccedil;&atilde;o, onde a quest&atilde;o da voca&ccedil;&atilde;o &eacute; auge de todas as preocupa&ccedil;&otilde;es da Igreja.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Tem de haver cultura vocacional?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; A todos os n&iacute;veis! Penso que a partir da&iacute; Deus nos falar&aacute;, tanto na qualidade vocacional, com pessoas conscientes da sua voca&ccedil;&atilde;o, seja sacerd&oacute;cio e noutras voca&ccedil;&otilde;es, como no n&uacute;mero.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tCristo no centro da religiosidade popular<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; O alto &iacute;ndice de pr&aacute;tica dominical &eacute; um bom ponto de partida?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Sim, com as carater&iacute;sticas dos A&ccedil;ores, com as devo&ccedil;&otilde;es a&ccedil;orianas, que t&ecirc;m Jesus Cristo no centro e s&atilde;o por isso as melhores, e que colocam a a&ccedil;&atilde;o no Esp&iacute;rito Santo, que impera, aconselha, fortalece, d&aacute; &acirc;nimo, ensina, d&aacute; intelig&ecirc;ncia, provoca a sabedoria e, sendo amor de Deus presente nos ser humano, o faz reconhecer o outro como irm&atilde;o e o leva a partilhar. &Eacute; por isso que nos Imp&eacute;rios do Esp&iacute;rito Santo est&aacute; sempre o esp&iacute;rito da partilha, o sentido de que n&atilde;o haja ningu&eacute;m que n&atilde;o tenha a sua vida satisfeita nas necessidades b&aacute;sicas, nomeadamente a alimenta&ccedil;&atilde;o, e a alegria.<\/p>\n<p> \tTer uma pr&aacute;tica religiosa, ligada a esta circunst&acirc;ncia da devo&ccedil;&atilde;o e piedade popular cristoc&ecirc;ntrica, ajuda-nos imenso no nosso trabalho.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Para al&eacute;m dos Imp&eacute;rios do Esp&iacute;rito Santo e do Senhor Santo Cristo, os Romeiros na Quaresma s&atilde;o muito marcantes, na Quaresma. Tratam-se de realidades remetidas para a religiosidade do povo ou est&atilde;o assimiladas por toda a diocese, pela dinamiza&ccedil;&atilde;o do catolicismo na diocese?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; A centralidade de Jesus Cristo, nomeadamente no Senhor Santo Cristo dos Milagres, est&aacute; em toda a Diocese de Angra e na di&aacute;spora, nomeadamente nos EUA e no Canad&aacute; (e quero tamb&eacute;m estar atento &agrave; di&aacute;spora, porque tamb&eacute;m s&atilde;o a&ccedil;orianos e quero t&ecirc;-los como diocesanos e terei muito gosto em os visitar, logo que seja poss&iacute;vel). A rela&ccedil;&atilde;o e a devo&ccedil;&atilde;o ao Esp&iacute;rito Santo tamb&eacute;m est&aacute; presente em toda a Igreja a&ccedil;oriana, nas ilhas e na di&aacute;spora. Os Romeiros s&atilde;o mais de S&atilde;o Miguel.<\/p>\n<p> \tH&aacute; cerca de 25 anos, quando estive em S&atilde;o Miguel, presenciei em Ponta Delgada a chegada dos Romeiros e sua din&acirc;mica penitencial. Encantou-me!<\/p>\n<p> \tPara alguns esp&iacute;ritos mais ilustrados poder&aacute; chocar tanta penit&ecirc;ncia e tantos dias. Mas para n&oacute;s, que reconhecemos o que &eacute; o sentido penitencial em caminhada e o processo de itiner&aacute;rio quaresmal, vemos a&iacute; uma realidade muito rica. &Eacute; um valor extraordin&aacute;rio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Podemos falar da necessidade de evangelizar cada um desses setores da religiosidade popular a&ccedil;oriana?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Mais do que religiosidade, a piedade.<\/p>\n<p> \tA piedade &eacute; boa, faz parte da rela&ccedil;&atilde;o entre o religioso e a cultura de cada tempo, de cada povo, da sua sensibilidade e genuinidade da pr&oacute;pria f&eacute;.<\/p>\n<p> \tTodo o religioso n&atilde;o pode ser est&aacute;tico. A religiosidade, o sentido do divino que muitas vezes se deturpa, tem muitas purifica&ccedil;&otilde;es a fazer.<\/p>\n<p> \tA piedade, sendo uma interliga&ccedil;&atilde;o entre o crist&atilde;o e a cultura, tem a sua express&atilde;o cultural e tem de ter a evolu&ccedil;&atilde;o que a cultura lhe vai colocando. Tem de ter a ilumina&ccedil;&atilde;o que, a partir da Igreja, da renova&ccedil;&atilde;o conciliar e da fundamenta&ccedil;&atilde;o da Sagrada Escritura, vai ajudando a fermentar a cultura, que vai absorvendo os valores do Evangelho, vividos a partir da realidade concreta.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Para o bispo, os l&iacute;deres das comunidades, os p&aacute;rocos, a piedade &eacute; uma mais-valia para a dinamiza&ccedil;&atilde;o pastoral na diocese?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; &Eacute;! O que &eacute; permanente &eacute; o que marca a cultura. N&oacute;s n&atilde;o temos dado devido valor &agrave; cultura, porque ela vai entrar em din&acirc;mica com o Evangelho, sendo ve&iacute;culo para que ele chegue, pessoal e comunitariamente, e o pr&oacute;prio Evangelho vai fermentar e purificar a cultura.<\/p>\n<p> \tTemos hoje muitas realidades que s&atilde;o anti-humanas e n&atilde;o respeitam a dignidade da pessoa humana porque falta o Evangelho. O Evangelho dignifica! &Eacute; necess&aacute;rio que o Evangelho entre na cultura.<\/p>\n<p> \tNeste momento estamos a correr o perigo de ficar apenas com um sentido crist&atilde;o ritualista, separados da interfer&ecirc;ncia na cultura e na sociedade, sobretudo nos locais de decis&atilde;o. Isso compete essencialmente aos leigos e &eacute; fundamental porque &eacute; a&iacute; que se forja a cultura, a olhar para uma hist&oacute;ria que h&aacute; de manifestar uma civiliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; humana ou n&atilde;o &eacute; humana. E para ser humana o Evangelho tem de l&aacute; estar.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tCultura, o maior desafio<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Qual o maior desafio colocado &agrave; Igreja Cat&oacute;lica?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; O maior desafio vem da cultura.<\/p>\n<p> \tH&aacute; uma gl&oacute;ria que os A&ccedil;ores t&ecirc;m e que era bom que o mantivessem.<\/p>\n<p> \tA nossa cultura est&aacute; caraterizada pela modernidade e p&oacute;s-moderna, marcada pelo choque entre o racional e a f&eacute; que levou a uma lucidez maior na rela&ccedil;&atilde;o entre a f&eacute; e a raz&atilde;o, a uma indiferen&ccedil;a em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; f&eacute; que criou muitos dramas interiores em muita gente que fica na quest&atilde;o e n&atilde;o chega &agrave; luz que a f&eacute; traz.<\/p>\n<p> \tOs A&ccedil;ores, no que toca &agrave; cultura moderna em Portugal, foram pioneiros. Desde o s&eacute;culo XIX e passando pelo primeiro quartel do s&eacute;c. XX, encontramos a provoca&ccedil;&atilde;o do pensamento na arte po&eacute;tica, na literatura e no pensamento especulativo, que levou ao confronto com a f&eacute;, com a cultura caraterizada pelo sentido religioso. E vemos que, no contexto do desenvolvimento pol&iacute;tico-social do primeiro quartel do s&eacute;c. XX, isto transformou-se numa atua&ccedil;&atilde;o de carater p&uacute;blico e pol&iacute;tico. Basta dizer que na I Rep&uacute;blica h&aacute; uma interven&ccedil;&atilde;o de personalidades dos A&ccedil;ores.<\/p>\n<p> \tDigo que isto &eacute; gl&oacute;ria porque &eacute; uma realidade que a Igreja deve aceitar hoje, na serenidade do encontro e do desafio que vem do pensamento, da esfera p&uacute;blica, de uma cultura que capacite a Igreja para dialogar, oferecendo as raz&otilde;es da sua esperan&ccedil;a e as fundamenta&ccedil;&otilde;es pelas quais a sociedade e a cultura as possa adquirir.<\/p>\n<p> \tPor outro lado, estamos num tempo de muitas transforma&ccedil;&otilde;es. O que o Conc&iacute;lio Vaticano II disse h&aacute; 50 anos na Constitui&ccedil;&atilde;o <em>Gaudium et Spes<\/em>, ao afirmar que podemos chamar a esta &eacute;poca uma &eacute;poca nova, com uma nova cultura e civiliza&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; letra morta, &eacute; realidade. A Europa sentiu-a e sente-a progressivamente; Portugal no seu todo est&aacute; a sentir; e os A&ccedil;ores sentem e v&atilde;o continuar a sentir. Todos os intervenientes da Igreja, desde os leigos, que est&atilde;o na primeira linha do di&aacute;logo com o mundo, os sacerdotes, os que t&ecirc;m fun&ccedil;&otilde;es dentro da hierarquia, o bispo, devem atuar, conscientes de que temos algo a oferecer a esta realidade de rutura cultural e &agrave; nova civiliza&ccedil;&atilde;o que se est&aacute; a querer desenhar e que, no pensar de S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, deve ser uma &lsquo;civiliza&ccedil;&atilde;o do amor&rsquo;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Os A&ccedil;ores hoje t&ecirc;m a aprender com o que foram ativos maiores da religiosidade a&ccedil;oriana nos in&iacute;cios do s&eacute;c. XX, no di&aacute;logo com a cultura?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Sim, porque teve algum drama, excessos, mas foi uma grande escola de aprendizagem para a Igreja. O que o Conc&iacute;lio veio oferecer como metodologia para a a&ccedil;&atilde;o da Igreja no mundo j&aacute; l&aacute; estava presente. Os grandes movimentos que fermentam uma forma de estar e v&atilde;o culminar no Conc&iacute;lio, j&aacute; l&aacute; est&atilde;o desde o s&eacute;c. XIX e na primeira metade do s&eacute;c. XX: os grandes movimentos de leigos, a consci&ecirc;ncia laical, os grandes debates, confer&ecirc;ncias congressos que aparecem, o grande desafio ao apostolado organizado, a ilustra&ccedil;&atilde;o do clero, nomeadamente no Col&eacute;gio Portugu&ecirc;s em Roma no final do s&eacute;c. XIX e que teve reflexos na renova&ccedil;&atilde;o dos semin&aacute;rios em Portugal.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Quer isso dizer que o catolicismo nos A&ccedil;ores foi percursor do Conc&iacute;lio Vaticano II?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Estou convencido que sim. Tem marcas que ajudou a respostas harm&oacute;nicas e pedag&oacute;gicas por parte do Conc&iacute;lio.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tTeoricamente &eacute; necess&aacute;rio um t&iacute;tulo diocesano<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; No di&aacute;logo cultural e na interven&ccedil;&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o das sociedades, que papel deve ter a presen&ccedil;a da Igreja Cat&oacute;lica na comunica&ccedil;&atilde;o social?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; N&oacute;s estamos no mundo da comunica&ccedil;&atilde;o, seja na constru&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o, seja no estabelecer de rela&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> \tApercebo-me que a Diocese de Angra tem feito um esfor&ccedil;o muito grande n&atilde;o s&oacute; na imprensa, com jornais nas v&aacute;rias ilhas, tamb&eacute;m com nostalgia de um di&aacute;rio da Igreja, que j&aacute; teve, e que pode ser equacionado no futuro.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; necess&aacute;rio um t&iacute;tulo diocesano?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Teoricamente digo que sim. Depois depende das circunst&acirc;ncias. &Eacute; uma quest&atilde;o a equacionar. Tudo o que se puder fazer pela comunica&ccedil;&atilde;o social, at&eacute; por que estou h&aacute; longos anos com &lsquo;devo&ccedil;&atilde;o&rsquo; a esta causa, deve ser feito. Mas com os p&eacute;s assente na terra!<\/p>\n<p> \tA comunica&ccedil;&atilde;o deve ser feita em articula&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios meios, n&atilde;o s&oacute; por um. A comunica&ccedil;&atilde;o tem de ter em conta o visual, sobretudo a televis&atilde;o, conjugando-o com as novas tecnologias, a internet, as novas redes&hellip; Tudo tem de estar articulado. E tem de estar em comunh&atilde;o, o que exige um passo: a Diocese de Angra n&atilde;o pode ser uma ilha no contexto da Igreja no seu todo, e sobretudo a Igreja em Portugal. Tem de haver sinergias entre os &oacute;rg&atilde;os nacionais e os diocesanos.<\/p>\n<p> \tNos A&ccedil;ores, a diocese tem um site invej&aacute;vel, muito bem feito, feito por pessoas competentes. E tem feito um esfor&ccedil;o interessante de forma&ccedil;&atilde;o e de criar pontes com outros &oacute;rg&atilde;os e outras institui&ccedil;&otilde;es da cultura.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Disse h&aacute; pouco que a Diocese n&atilde;o pode ser uma ilha em rela&ccedil;&atilde;o ao todo nacional. N&atilde;o ter&aacute; primeiro de reunir as v&aacute;rias ilhas?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; A&iacute; a comunica&ccedil;&atilde;o tem um valor extraordin&aacute;rio porque o primeiro sentido de comunh&atilde;o entre as v&aacute;rias ilhas dos A&ccedil;ores &eacute; feito pela comunica&ccedil;&atilde;o social: &eacute; a mais r&aacute;pida, espalha-se imediatamente com capacidade de emitir opini&atilde;o, que n&atilde;o tem de ser un&acirc;nime, mas de comunh&atilde;o entre todos.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s nunca podemos descurar as duas vertentes, a interna e a externa. Mal de n&oacute;s se estivermos a pugnar por estabelecer comunh&atilde;o, unidade e uma comunica&ccedil;&atilde;o social para dentro da pr&oacute;pria Igreja e n&atilde;o atendermos &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com o todo da Igreja e o todo da sociedade. Sou apologista de uma comunica&ccedil;&atilde;o social de inspira&ccedil;&atilde;o crist&atilde; e que reflita os grandes acontecimentos e que ajude a sociedade a acertar crit&eacute;rios e a valorizarmo-nos mutuamente.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>A primeira palavra para os que n&atilde;o t&ecirc;m voz<\/em><\/h3>\n<p> \tAE &ndash; A Igreja nos A&ccedil;ores, como no todo nacional, &eacute; muito afetada pelas quest&otilde;es da pobreza. N&atilde;o cabendo &aacute; Igreja Cat&oacute;lica definir um programa pol&iacute;tico que fa&ccedil;a face aos problemas sociais, de que forma pode intervir?<\/p>\n<p> \tDJL &ndash; A Igreja deve ter a primeira palavra na defesa daqueles que n&atilde;o t&ecirc;m voz, dando-lhes voz! O Papa Francisco tem ajudado muito a Igreja a descomplexar-se em rela&ccedil;&atilde;o a esta realidade: o pobre tem de ter o primeiro lugar e tem de lhe ser dada voz; os pobres n&atilde;o podem esperar. O que traz consequ&ecirc;ncias! Primeiro, temos de verificar as v&aacute;rias facetas da pobreza, que s&atilde;o uma vergonha para a Igreja. Depois, h&aacute; uma realidade teol&oacute;gica da pobreza: o pobre &eacute; para n&oacute;s uma realidade muito sens&iacute;vel da presen&ccedil;a de Jesus Cristo. Tenho sempre presento o que afirma o Evangelho: como Jesus diz &lsquo;isto &eacute; o Meu Corpo&rsquo;, na &Uacute;ltima Ceia, tamb&eacute;m refere &lsquo;tudo o que fizerdes a este mais pequenino, a Mim o fizeste&rsquo;. Quer isto dizer que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o: todo o que celebra a Eucaristia tem de estar muito desperto para ver Jesus Cristo no pobre, n&atilde;o para o continuar a ser, miseravelmente, mas para dizer que o pobre tem for&ccedil;a, tem voz, pode ser protagonista, o que implica n&atilde;o ficar na assist&ecirc;ncia, mas ajudar a encontrar os meios para a sua dignidade.<\/p>\n<p> \tO pobre diz &agrave; sociedade que o ser &eacute; mais importante que o ter e que h&aacute; uma fraternidade, um sentido de rela&ccedil;&atilde;o de irm&atilde;os que n&atilde;o est&aacute; feita.<\/p>\n<p> \tS&oacute; no momento em que sentirmos que o outro nos est&aacute; a provocar pela sua situa&ccedil;&atilde;o concreta e nos chama &agrave; partilha dos dons que temos estamos a encontrar-nos com a fundamenta&ccedil;&atilde;o fraterna que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel acontecer em Deus Pai.<\/p>\n<p> \tO pobre de Deus &eacute; o maior de todos os pobres. E s&oacute; quando nos encontramos em Deus encontramos raz&otilde;es profundas para a fraternidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Em todo o caso, diante de focos pobreza &eacute; preciso uma interven&ccedil;&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; &Eacute; necess&aacute;rio uma interven&ccedil;&atilde;o imediata, n&atilde;o podemos esperar por programas ou projetos. &Eacute; necess&aacute;rio cultivar o sentido de vizinhan&ccedil;a: o que se puder ser resolver na fam&iacute;lia &eacute; a&iacute; que deve ser resolve, ou na par&oacute;quia, como dizia o padre Am&eacute;rico, &eacute; a&iacute; que deve ser resolvido. H&aacute; tamb&eacute;m realidades e sobretudo causas da pobreza que s&oacute; a n&iacute;vel da sociedade &eacute; poss&iacute;vel resolver, o que exige uni&atilde;o e apelos para que o poder pol&iacute;tico.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>Inverno a&ccedil;oriano na demografia<\/em><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Como em toda a sociedade europeia, os A&ccedil;ores t&ecirc;m algumas ilhas com a popula&ccedil;&atilde;o muito envelhecida. Como contrariar o inverno demogr&aacute;fico em curso?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; N&atilde;o conhe&ccedil;o toda a realidade dos A&ccedil;ores, que ser&atilde;o muito diferentes de ilha para ilha.<\/p>\n<p> \tEstamos com uma diminui&ccedil;&atilde;o de nascimentos, que tem repercuss&otilde;es na sociedade e no bem primeiro da sociedade, que &eacute; o ser humano.<\/p>\n<p> \tPenso, antes de mais, que esta &eacute; uma quest&atilde;o cultural. E para modificar esta mentalidade anti natalista, anti vida, h&aacute; um medo latente que tem de ser eliminado. S&oacute; atrav&eacute;s da esperan&ccedil;a algu&eacute;m provoca novas gera&ccedil;&otilde;es. A&iacute; a Igreja tem um papel muito importante a desempenhar, assim a deixem levar as raz&otilde;es de esperan&ccedil;a &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es. &Eacute; necess&aacute;rio criar uma nova cultura de promo&ccedil;&atilde;o da vida, de gosto pela vida que vale a pena ser vivida.<\/p>\n<p> \tDepois h&aacute; um conjunto de fatores circunstanciais que ajudam ou n&atilde;o, nomeadamente o trabalho, a assist&ecirc;ncia, o favorecimento ou n&atilde;o da natalidade pelos poderes p&uacute;blicos&hellip;<\/p>\n<p> \t&Eacute; necess&aacute;rio tamb&eacute;m olhar para a fam&iacute;lia e n&atilde;o para o indiv&iacute;duo isoladamente. A fam&iacute;lia &eacute; uma realidade e as institui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m de olhar para a fam&iacute;lia no seu todo: o pai, a m&atilde;e, os filhos, netos, tios&hellip;<\/p>\n<p> \tQuando se pensa no ser humano, homem e mulher, deve pensar-se no sentido da fam&iacute;lia. E todas as leis, laborais, de assist&ecirc;ncia social, do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o, que sejam feitas a partir da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tIgreja\/pol&iacute;tica<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Que relacionamento com as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e governamentais? At&eacute; porque h&aacute; um dado curioso: D. Ant&oacute;nio Sousa Braga chegou aos A&ccedil;ores, h&aacute; 19 anos, num tempo de mudan&ccedil;a de ciclo pol&iacute;tico&hellip; Em 2016 tamb&eacute;m h&aacute; elei&ccedil;&otilde;es nos A&ccedil;ores. Acha que pode acontecer alguma mudan&ccedil;a tamb&eacute;m?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Os cidad&atilde;os &eacute; que dir&atilde;o. A Igreja tem de ter a sua marcha, n&atilde;o est&aacute; desatenta &agrave; realidade pol&iacute;tica e tem de ter uma palavra iluminadora. Nesse sentido, n&atilde;o abdicarei do que deve significar a palavra iluminadora, mas nunca me pe&ccedil;am para ter qualquer tipo de particularidade de orienta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. Merecem todos igual respeito. E quero dizer isto com muita convic&ccedil;&atilde;o: todos os partidos merecem igual respeito e trabalharei com todos, na autonomia do poder pol&iacute;tico e das institui&ccedil;&otilde;es sociais. Pe&ccedil;o que me ajudem a ter autonomia e a trabalhar dentro do que &eacute; espec&iacute;fico da Igreja.<\/p>\n<p> \tDizer &lsquo;autonomia&rsquo; &eacute; proporcionar a possibilidade de atua&ccedil;&atilde;o e de cidadania. Assim como eu julgo que as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas t&ecirc;m para a Igreja, em sentido de colabora&ccedil;&atilde;o para o bem comum, uma tarefa a desempenhar, tamb&eacute;m a Igreja &eacute; chamada a estar no espa&ccedil;o p&uacute;blico para oferecer o que ela tem para o bem comum e para o bem das pessoas.<\/p>\n<p> \tAs mudan&ccedil;as que aparecerem dependem do que as pessoas quiserem fazer, s&atilde;o respeitadas integralmente e s&atilde;o amadas da mesma forma.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211;&nbsp; D. Ant&oacute;nio de Sousa Braga afirma que quem pode conjugar melhor a &lsquo;ideia de arquip&eacute;lago&rsquo; &eacute; o a Igreja Cat&oacute;lica. Concorda?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; S&oacute; por vir do D. Ant&oacute;nio j&aacute; concordo. Tenho por ele uma admira&ccedil;&atilde;o muito grande pela sua intelig&ecirc;ncia, pela sua santidade e experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \tEu penso que esse &eacute; o servi&ccedil;o! A igreja est&aacute; no meio do mundo para servir esse sentido de unidade. Por isso, n&atilde;o faz mais do que a sua obriga&ccedil;&atilde;o. E se alguma coisa a Igreja pode fazer com tanta a&ccedil;&atilde;o, com tantas formas de estar, &eacute; a unidade.<\/p>\n<p> \tA Igreja assenta os seus fundamentos na unidade da pluralidade, no Pai, no Filho e no Esp&iacute;rito Santo: unidade e comunh&atilde;o no amor e pluralidade nas tr&ecirc;s pessoas da Sant&iacute;ssima Trindade. A Igreja &eacute; reflexo disso mesmo. A partir do presbit&eacute;rio, da vida consagrada, da sua rela&ccedil;&atilde;o com os leigos, de tudo o que &eacute; a vida eclesial nas comunidades, espero que seja reflexo da unidade e da comunh&atilde;o e ao mesmo tempo da beleza que a variedade traz. Por isso todos t&ecirc;m lugar na comunidade crist&atilde;. E, no que diz respeito na sociedade do seu todo, que ela seja servidora dessa unidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>Ilhas s&atilde;o dioceses de pleno direito<\/em><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Objetivos a concretizar no Jubileu da Miseric&oacute;rdia?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; &Eacute; uma gra&ccedil;a muito grande iniciar nos A&ccedil;ores o Jubileu do Ano da Miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \tA Igreja est&aacute; numa aprendizagem cada vez maior de algo que j&aacute; tem mil&eacute;nios, atravessa a Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o. Conhecer Deus &eacute; v&ecirc;-Lo a partir da miseric&oacute;rdia. Ele olha para tudo o que criou e sobretudo para o ser humano com miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \tA Igreja tem de aprender que &eacute; chamada da viver a miseric&oacute;rdia e, atrav&eacute;s dela, incorpora o que o ser humano tem de maior, mais nobre, a intelig&ecirc;ncia, a verdade, a rela&ccedil;&atilde;o com os outros, o sentido da justi&ccedil;a, e sobretudo incorpora o amor. Tudo est&aacute; na miseric&oacute;rdia!<\/p>\n<p> \tA Igreja, ao exprimir a miseric&oacute;rdia na sua atua&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a fazer um servi&ccedil;o extraordin&aacute;rio para que a sociedade viva a unidade, a comunh&atilde;o e se sinta um todo.<\/p>\n<p> \tUm outro aspeto&hellip;<\/p>\n<p> \tPenso que tudo isto tem de extravasar do arquip&eacute;lago dos A&ccedil;ores. E trata-se de uma interpela&ccedil;&atilde;o &agrave; Igreja em Portugal (permitam-me os outros senhores bispos, na Confer&ecirc;ncia Episcopal): penso que n&atilde;o temos a consci&ecirc;ncia verdadeira de que a Igreja em Portugal &eacute; um todo e os A&ccedil;ores &ndash; e permitam-me que fale tamb&eacute;m na Madeira, porque &eacute; outra realidade de entrada &ndash; s&atilde;o de pleno direito e com a mesma dignidade na Igreja em Portugal.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; As dioceses das ilhas s&atilde;o esquecidas?<\/p>\n<p> \tDJL &ndash; Pela linguagem e pela forma como se reage, d&aacute;-me a entender que h&aacute; uma dupla realidade. Digo-o com muita humildade e com muita simpatia por todos, mas tenho de o dizer. Quero deixar esta t&oacute;nica porque vou trabalhar para que haja um sentido de unidade e comunh&atilde;o.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que est&aacute; em causa?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; &Eacute; uma quest&atilde;o de tratamento. Aqui tamb&eacute;m pode acontecer, entre o litoral e o interior, entre o Norte e o Sul, se calhar estamos na mesma situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tH&aacute; um trabalho a fazer para nos sentirmos todos mais solid&aacute;rios, mais irmanados uns com os outros e a sentir o que est&aacute; na g&eacute;nese do episcopado: somos respons&aacute;veis por todas as Igrejas. Claro que cada um tem a responsabilidade pr&oacute;pria pela igreja local que lhe est&aacute; confiada, mas ela &eacute; de todos. Eu irei, pelo menos atrav&eacute;s da voz, reclamar isto mesmo.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<em>Um pobre &lsquo;Lavrador&rsquo;<\/em><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Chega aos A&ccedil;ores quase ao mesmo tempo da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de F&aacute;tima. &Eacute; uma oportunidade para conhecer a diocese?<\/em><\/p>\n<p> \tDJL &ndash; &Eacute; uma &oacute;tima e uma grande gra&ccedil;a. N&atilde;o posso ter melhor companhia para ir, de ouvidoria em ouvidoria, conhecer a diocese. Ser&aacute; uma &oacute;tima ocasi&atilde;o para conhecer a realidade da diocese, mesmo sem ser em profundidade porque a passagem &eacute; relativamente r&aacute;pida. &Eacute; uma primeira aproxima&ccedil;&atilde;o muito interessante porque me vai ajudar imenso. E na companhia de Nossa Senhora. Se eu tenho de aprender alguma coisa &eacute; com quem est&aacute; mais pr&oacute;xima de Jesus, Nossa Senhora.<\/p>\n<p> \tEspero que Nossa Senhora se lembre deste pobre &lsquo;Lavrador&rsquo; que est&aacute; entusiasmado em cultivar a Messe do Senhor. Que ela se lembre e derrame as suas gra&ccedil;as sobre mim e sobre a diocese. &Eacute; isso que vou implorar: que ela me ensine os caminhos desse sim, generoso e grande, capaz de transformar o mundo e esta terra onde vivemos.<\/p>\n<p> \t<em>Entrevista por Carmo Rodeia (s&iacute;tio Igreja A&ccedil;ores) e Paulo Rocha (Ag&ecirc;ncia Ecclesia)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Jo\u00e3o \u00e9 o 39\u00ba bispo da Diocese de Angra e reclama a relev\u00e2ncia para a Igreja no arquip\u00e9lago. Natural da Diocese de Coimbra, chega aos A\u00e7ores como um &#8220;pobre Lavrador&#8221; que quer &#8220;conhecer longamente&#8221;, &#8220;ser a\u00e7oriano com os a\u00e7orianos&#8221;, &#8220;gerar comunh\u00e3o&#8221;, &#8220;convocar para a participa\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;valorizar a capacidades de cada um&#8221;, &#8220;a caminhar todos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[295,127,169,172,174,187,203,267,274,91,292,326],"class_list":["post-74679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-biblia","tag-catequese","tag-diocese-de-angra","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-europa","tag-natal","tag-papa-francisco","tag-quaresma","tag-religiosidade-popular","tag-vida-consagrada"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}