{"id":74449,"date":"2015-11-12T09:56:00","date_gmt":"2015-11-12T09:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/11\/12\/discurso-de-abertura-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-188a-assembleia-plenaria\/"},"modified":"2015-11-12T09:56:00","modified_gmt":"2015-11-12T09:56:00","slug":"discurso-de-abertura-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-188a-assembleia-plenaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-abertura-do-presidente-da-conferencia-episcopal-portuguesa-na-188a-assembleia-plenaria\/","title":{"rendered":"Discurso de abertura do presidente da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa na 188\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p> \tSenhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, car&iacute;ssimos Irm&atilde;os no Episcopado e demais participantes nesta Assembleia Plen&aacute;ria:<\/p>\n<p> \tSa&uacute;do cordialmente a todos e a cada um, na alegria com que sempre nos reencontramos, em aut&ecirc;ntica e fecunda experi&ecirc;ncia eclesial e colegial. Refiro especialmente o Senhor D. Gilberto Canavarro dos Reis, com o justo agradecimento pelo excelente trabalho episcopal que realizou na Diocese de Set&uacute;bal e a certeza da sua preciosa colabora&ccedil;&atilde;o, com que n&atilde;o nos faltar&aacute; decerto. Refiro igualmente o seu sucessor, Senhor D. Jos&eacute; Ornelas de Carvalho, que com tanta generosidade aceitou a indica&ccedil;&atilde;o do Santo Padre, para continuar em Set&uacute;bal o trabalho mission&aacute;rio em que j&aacute; tanto avultou &agrave; escala universal. Ao Senhor D. Jo&atilde;o Lavrador, desejo as maiores felicidades pascais como Bispo Coadjutor de Angra, certo de que a&iacute; por&aacute; a render as muitas qualidades do seu grande cora&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p> \t<u>Reunimo-nos na sequ&ecirc;ncia da visita <em>ad limina<\/em> de setembro &uacute;ltimo<\/u>, ainda marcados por aqueles dias de comunh&atilde;o mais pr&oacute;xima com o Sucessor de Pedro e os seus diversos colaboradores, nos servi&ccedil;os centrais da Igreja. Como sempre acontece, tamb&eacute;m para n&oacute;s foi ocasi&atilde;o por excel&ecirc;ncia de colegialidade e partilha, bem como de perspetiva&ccedil;&atilde;o conjunta dos caminhos a prosseguir nas nossas Igreja locais.<\/p>\n<p> \tSe em 2007 ouvimos o Papa Bento XVI a insistir nos percursos formativos que devemos proporcionar aos cat&oacute;licos de todas as idades, com particular refer&ecirc;ncia &agrave; inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, escut&aacute;mos agora o Papa Francisco, dando-nos indica&ccedil;&otilde;es preciosas sobre o modo mais acompanhado e vivo com que devemos manifestar aos adolescentes e jovens a presen&ccedil;a de Cristo &#8211; que nunca os abandona e sempre os interpela, transformando &ldquo;debandadas&rdquo; em reencontros, mais adiante e mais a fundo.<\/p>\n<p> \t<u>A presente Assembleia contar&aacute; como sempre com as comunica&ccedil;&otilde;es dos respons&aacute;veis pelas diversas Comiss&otilde;es Episcopais<\/u>, inst&acirc;ncias permanentes do nosso trabalho conjunto de apoio &agrave;s Dioceses portuguesas. Trabalho que tem aqui um momento importante de partilha e sugest&otilde;es.<\/p>\n<p> \tAl&eacute;m deste ponto e de outros necess&aacute;rios para a vida eclesial corrente ou a programar, <u>a nossa Assembleia ouvir&aacute; os seus representantes na &uacute;ltima reuni&atilde;o do S&iacute;nodo dos Bispos<\/u>, que refletiu sobre &ldquo;a voca&ccedil;&atilde;o e a miss&atilde;o da fam&iacute;lia na Igreja e no mundo contempor&acirc;neo&rdquo;. Como &eacute; sabido, do amplo percurso sinodal dos &uacute;ltimos dois anos, sobressai a import&acirc;ncia, porventura ainda maior, da fam&iacute;lia dentro da comunidade crist&atilde; e para al&eacute;m dela, qual &ldquo;crit&eacute;rio&rdquo; de toda a a&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p> \tComo o Papa Francisco n&atilde;o se cansa de alertar, uma grande desagrega&ccedil;&atilde;o sociocultural atinge atualmente sociedades inteiras, &ldquo;descartando&rdquo; indiv&iacute;duos e grupos, que ficam tragicamente esquecidos por uma globaliza&ccedil;&atilde;o que os n&atilde;o considera nem inclui. Tudo isto reclama uma resposta integradora que s&oacute; a fam&iacute;lia pode dar na raiz, como base indispens&aacute;vel da sociabilidade geral.<\/p>\n<p> \tDa nossa parte, tudo faremos para tornar as comunidades crist&atilde;s em aut&ecirc;nticas &ldquo;fam&iacute;lias de fam&iacute;lias&rdquo;. Como diz o documento final do S&iacute;nodo, toda a comunidade h&aacute; de ser lugar de nascimento sacramental das fam&iacute;lias, onde elas se preparem e depois apoiem mutuamente, nas diversas fases dos respetivos percursos (cf. n&ordm; 89-90).<\/p>\n<p> \t<u>Com a tem&aacute;tica familiar se prende tamb&eacute;m o recente Motu Proprio <em>Mitis Iudex<\/em><\/u>, no tocante &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o oportuna da validade dos v&iacute;nculos matrimoniais, sempre que for caso disso. Refor&ccedil;ada que fica a compet&ecirc;ncia e a responsabilidade dos Bispos diocesanos, dedicaremos algum tempo ao aprofundamento duma mat&eacute;ria que exige grande unidade de atua&ccedil;&otilde;es e crit&eacute;rios.<\/p>\n<p> \t<u>O Ano Santo da Miseric&oacute;rdia<\/u>, a come&ccedil;ar no pr&oacute;ximo m&ecirc;s de dezembro, feliz iniciativa do Papa Francisco, tamb&eacute;m ser&aacute; objeto de reflex&atilde;o e partilha do que faremos nas Dioceses, partindo das indica&ccedil;&otilde;es romanas. &Eacute; um tema maior e de grande oportunidade, a que n&atilde;o deixaremos de prestar toda a aten&ccedil;&atilde;o e correspond&ecirc;ncia. Assim mesmo o apresenta o Santo Padre: &laquo;No nosso tempo, em que a Igreja est&aacute; comprometida na nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, o tema da miseric&oacute;rdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma a&ccedil;&atilde;o pastoral renovada. &Eacute; determinante para a Igreja, e para a credibilidade do seu an&uacute;ncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a miseric&oacute;rdia. [&hellip;] Nas nossas par&oacute;quias, nas comunidades, nas associa&ccedil;&otilde;es e nos movimentos &ndash; em suma, onde houver crist&atilde;os -, qualquer pessoa deve poder encontrar um o&aacute;sis de miseric&oacute;rdia&raquo; (Papa Francisco, Bula <em>Misericordiae Vultus<\/em>, de proclama&ccedil;&atilde;o do Jubileu Extraordin&aacute;rio da Miseric&oacute;rdia, n&ordm; 12). Trata-se duma indica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o fundamental como pr&aacute;tica do objetivo do Ano da Miseric&oacute;rdia, a que prestaremos o mais ativo dos acatamentos.<\/p>\n<p> \t<u>Outros assuntos merecer&atilde;o a nossa reflex&atilde;o<\/u>, de que destaco a prepara&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima do centen&aacute;rio das Apari&ccedil;&otilde;es de F&aacute;tima, acontecimento de primeira grandeza por tudo o que significa na alma e na pr&aacute;tica de tantos cat&oacute;licos de perto ou de longe, como apelo e est&iacute;mulo &agrave; convers&atilde;o evang&eacute;lica, pela media&ccedil;&atilde;o da M&atilde;e de Cristo. E um tempo de informa&ccedil;&atilde;o e partilha sobre o acolhimento aos Refugiados, com toda a aten&ccedil;&atilde;o que requer.<\/p>\n<p> \t<u>Temos tamb&eacute;m em agenda um documento que d&aacute; especial seguimento &agrave;s indica&ccedil;&otilde;es acima referidas, das &uacute;ltimas visitas <em>ad limina<\/em>. Intitula-se <em>Catequese: A alegria do encontro com Cristo<\/em><\/u>, visando a &laquo;renova&ccedil;&atilde;o permanente da catequese&raquo;. Bem de acordo com o ensinamento do Papa Francisco, delineia-se um perfil de crente que urge formar: o &ldquo;disc&iacute;pulo mission&aacute;rio&rdquo;. Daqui o objetivo da catequese: &laquo;levar cada catequizando a encontrar Cristo como um amigo que vem ao seu encontro e o chama a caminhar com Ele e a colaborar na miss&atilde;o, esperando dele uma responsabilidade concreta ao servi&ccedil;o da humanidade que Ele ama&raquo;.<\/p>\n<p> \tObjetivo que s&oacute; se atingir&aacute; &ndash; diz tamb&eacute;m o documento em estudo &#8211; com a integra&ccedil;&atilde;o do catequizando em &laquo;comunidades vivas e mission&aacute;rias&raquo;, como as nossas par&oacute;quias e grupos h&atilde;o de ser. Bem assim, com a participa&ccedil;&atilde;o indispens&aacute;vel das fam&iacute;lias, uma vez que &laquo;aos pais e familiares pertence o direito e o dever da educa&ccedil;&atilde;o, pois, ao gerar a vida, assumem tamb&eacute;m a miss&atilde;o de lhe dar orienta&ccedil;&atilde;o e pleno desenvolvimento&raquo;. Tudo exigindo catequistas convictos, que testemunhem o que j&aacute; vivem, com Cristo e a partir de Cristo: &laquo;O catequista deve considerar-se um guia que acompanha no encontro e no caminho de Jesus. N&atilde;o poder&aacute; ser bom catequista se n&atilde;o tiver uma experi&ecirc;ncia pessoal de encontro e de amizade com Jesus, cultivada pela escuta orante da Palavra viva, pela ora&ccedil;&atilde;o intensa, pela participa&ccedil;&atilde;o frutuosa na Eucaristia. N&atilde;o poder&aacute; formar disc&iacute;pulos se ele mesmo n&atilde;o for disc&iacute;pulo mission&aacute;rio com entusiasmo e esclarecimento&raquo;.<\/p>\n<p> \t<u>Outros pontos figuram ainda na nossa agenda destes dias. Sem esquecermos o momento que vivemos como sociedade portuguesa<\/u>. N&atilde;o ser&aacute; demais lembrar o que j&aacute; referimos no comunicado final da nossa &uacute;ltima Assembleia Plen&aacute;ria: Todos ganharemos se forem tidos em conta os princ&iacute;pios do pensamento social crist&atilde;o, t&atilde;o acentuados na exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica <em>A alegria do Evangelho<\/em>, do Papa Francisco &ndash; e agora acrescentados na enc&iacute;clica <em>Laudato si&rsquo;<\/em>.<\/p>\n<p> \tCorrespondem a causas essenciais &agrave; dignidade humana, como a promo&ccedil;&atilde;o do bem comum, a ativa&ccedil;&atilde;o dos princ&iacute;pios da subsidiariedade e da solidariedade, respeitando e estimulando a iniciativa dos corpos interm&eacute;dios da sociedade, para o bem de todos; da supera&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es gritantes de desigualdade e pobreza; do apoio aos mais fr&aacute;geis, em particular aos nascituros, &agrave;s m&atilde;es gestantes e &agrave;s fam&iacute;lias.<\/p>\n<p> \tTrata-se, em suma, de salvaguardar a vida humana em todas as suas fases, da conce&ccedil;&atilde;o &agrave; morte natural; da valoriza&ccedil;&atilde;o da vida familiar e da educa&ccedil;&atilde;o dos filhos, com refer&ecirc;ncia masculina e feminina de gera&ccedil;&atilde;o ou ado&ccedil;&atilde;o; de satisfazer as necessidades prim&aacute;rias de educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, seguran&ccedil;a social, trabalho e emprego; de promover uma vida empresarial criativa e solid&aacute;ria; de acolher imigrantes ou refugiados&hellip;<\/p>\n<p> \tAssim iniciamos o trabalho destes dias. Pedindo a Deus a sabedoria que os leve a bom termo, para bem da Igreja e da sociedade inteira.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tF&aacute;tima, 9 de novembro de 2015<\/p>\n<p> \t+ Manuel Clemente, cardeal-patriarca de Lisboa e presidente da CEP&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Senhor N&uacute;ncio Apost&oacute;lico, car&iacute;ssimos Irm&atilde;os no Episcopado e demais participantes nesta Assembleia Plen&aacute;ria: Sa&uacute;do cordialmente a todos e a cada um, na alegria com que sempre nos reencontramos, em aut&ecirc;ntica e fecunda experi&ecirc;ncia eclesial e colegial. Refiro especialmente o Senhor D. 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