{"id":74181,"date":"2015-10-23T10:58:00","date_gmt":"2015-10-23T10:58:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/10\/23\/colocar-a-igreja-em-carris-de-universalidade-para-construir-a-casa-comum\/"},"modified":"2015-10-23T10:58:00","modified_gmt":"2015-10-23T10:58:00","slug":"colocar-a-igreja-em-carris-de-universalidade-para-construir-a-casa-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/colocar-a-igreja-em-carris-de-universalidade-para-construir-a-casa-comum\/","title":{"rendered":"Colocar a Igreja em \u00abcarris de universalidade\u00bb para \u00abconstruir a casa comum\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o, os crist\u00e3os &#8220;com nome&#8221;, o tempo gasto a pensar nos &#8220;que est\u00e3o fora&#8221;, as parcerias sociais para chegar a todos, o acolhimento \u00e0s fam\u00edlias. Temas da entrevista de D. Jos\u00e9 Ornelas \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia, a poucos dias de ser ordenado bispo e iniciar o episcopado na Diocese de Set\u00fabal: uma diocese perif\u00e9rica, onde o Papa Francisco o enviou como mission\u00e1rio. <!--more--> <\/p>\n<p> \t<strong>Set&uacute;bal: A Terra de Miss&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p> \tAE &ndash; Recebeu um mandato do Papa Francisco: ser mission&aacute;rio na Diocese de Set&uacute;bal. Que miss&atilde;o lhe foi pedida para desenvolver?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; O Papa fala de um ponto de vista global da Igreja que est&aacute; a desenvolver-se no hemisf&eacute;rio sul &ndash; &Aacute;frica, &Aacute;sia; Am&eacute;rica do Sul &ndash; e que se est&aacute; a restringir, em termos num&eacute;ricos, na Europa. Isto significa que quando se fala em abrir as portas da miss&atilde;o hoje, &eacute; uma miss&atilde;o espec&iacute;fica tamb&eacute;m na Igreja e, particularmente, nos pa&iacute;ses chamados de tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, que j&aacute; n&atilde;o o s&atilde;o na maioria da popula&ccedil;&atilde;o. Reconverter os nossos esquemas mentais, estruturais e de atua&ccedil;&atilde;o &eacute; muito importante.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; &Eacute; um quadro que se aplica tamb&eacute;m &agrave; Diocese de Set&uacute;bal?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; A Diocese de Set&uacute;bal &eacute; em termos populacionais uma das dioceses que tem uma frequ&ecirc;ncia religiosa, cat&oacute;lica, mais baixa. No entanto, para cima dos 70 por cento das pessoas foram batizadas. Isto significa que h&aacute; um caminho a percorrer de revitaliza&ccedil;&atilde;o das sementes da f&eacute; que as pessoas t&ecirc;m e de encontrar express&otilde;es e modos de encontro e de comunh&atilde;o aberta a todas estas pessoas.<\/p>\n<p> \tA isso se referia o Papa dizendo que Set&uacute;bal, como a maioria das periferias das grandes cidades, e neste caso, particularmente, a parte da diocese voltada para o Rio Tejo, funciona muito como periferia de Lisboa. Em todo o mundo, e n&atilde;o apenas na Europa, &eacute; na periferia das grandes cidades que se situam, muitas vezes, as grandes possibilidades mas tamb&eacute;m os grandes desafios humanit&aacute;rios, econ&oacute;micos, sociais, de integra&ccedil;&atilde;o de pessoas que n&atilde;o veem para o centro mas ficam nas periferias.<\/p>\n<p> \tQuando o Papa se refere &agrave;s periferias, esta situa&ccedil;&atilde;o perif&eacute;rica que se encontra em todo o lado, &eacute; uma das situa&ccedil;&otilde;es a ter em conta.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Quer dizer que o Papa Francisco conhece a diocese para onde o enviou?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; O Papa Francisco conhecia o relat&oacute;rio da Diocese de Set&uacute;bal e v&ecirc;-se que o tinha lido porque fez refer&ecirc;ncia e estava dentro do assunto.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Igreja: Uma &ldquo;Casa Aberta a todos&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> \tAE &ndash; Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica dominical, h&aacute; um recenseamento que a diocese fez em 2014, tem dados sobre esse censo?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Em rela&ccedil;&atilde;o a detalhes da Diocese de Set&uacute;bal sou &ldquo;baby bishop&rdquo; e estou a dar os primeiros passos mas sei que os dados se situam por a&iacute;, muito baixos, sei que &eacute; das que tem a frequ&ecirc;ncia religiosa das mais baixas do pa&iacute;s.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; H&aacute; par&oacute;quias, pelo que se vai sabendo, que os dados revelam um decr&eacute;scimo de cerca de 50 por cento da pr&aacute;tica dominical?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; &Eacute; poss&iacute;vel. No entanto, e &eacute; algo muito simp&aacute;tico em Set&uacute;bal, h&aacute; uma vida eclesial muito ativa e as pessoas que participam das comunidades interessam-se por elas e isso d&aacute;-me uma grande coragem para que sirva de fermento para uma vida eclesial muito mais intensa.<\/p>\n<p> \t&Eacute; um caminho que se est&aacute; a fazer pela Europa inteira. Uma das coisas que &eacute; importante nos pa&iacute;ses de tradi&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, como o nosso, &eacute; dar-se conta que n&atilde;o vivemos mais num regime de cristandade onde se d&aacute; por descontado que toda a gente vai &agrave; missa.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o dando isso por descontado temos duas atitudes: A primeira &eacute; uma atitude de respeito, a segunda &eacute; de acolhimento a todas as pessoas.<\/p>\n<p> \tO Papa fala de uma casa para a humanidade, &eacute; um ponto de encontro de gente de boa vontade, marcada pela f&eacute; em Cristo. Os graus de ades&atilde;o podem ser v&aacute;rios e a Igreja deve estar aberta precisamente a esta diversidade de compreens&atilde;o, de compromisso. Depois uma atitude de miss&atilde;o, no sentido n&atilde;o de proselitismo, de conquistar pessoas, mas oferecer a todos aquilo que n&oacute;s pensamos que &eacute; importante para a vida de uma pessoa, para a comunidade e para a humanidade.<\/p>\n<p> \tEsta &eacute; a atitude que considero importante desenvolver-se na Europa, de partir realmente do contexto de uma experi&ecirc;ncia de comunidade, de solidariedade e de experi&ecirc;ncia de f&eacute; que se p&otilde;em em comum e prop&otilde;e como projeto de vida para outros.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; O seu predecessor, D. Gilberto Reis, atual administrador apost&oacute;lico da Diocese de Set&uacute;bal, numa entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, h&aacute; dois anos, dizia que &ldquo;sente a diocese muito fechada em si&rdquo;, &ldquo;a gastar muitas energias com o que est&aacute; dentro&rdquo;. N&atilde;o &eacute; um quadro que contradiz essas atitudes que acaba de dizer?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; &Eacute; um quadro que se pode aplicar a toda a Igreja. As nossas estruturas eclesiais e a nossa mentalidade est&atilde;o ainda programadas e plasmadas para uma Igreja que era de cristandade. A Igreja estava no centro de tudo, onde se esperava que as pessoas viessem, e n&atilde;o uma Igreja de sa&iacute;da, mas virada para aqueles que est&atilde;o dentro. Isto &eacute; a mentalidade que n&oacute;s temos. E tamb&eacute;m as estruturas que temos est&atilde;o pensadas para isso.<\/p>\n<p> \tPensar uma Igreja em sa&iacute;da como disse o Papa, em sa&iacute;da de si pr&oacute;pria, com menos autorreferencialismo e com a aten&ccedil;&atilde;o dada aos que est&atilde;o fora, aos que t&ecirc;m necessidade, &agrave;s reais condi&ccedil;&otilde;es das pessoas, esse &eacute; o desafio que se coloca a todos, aqui e em todo o lado. &Eacute; a partir da&iacute; que as situa&ccedil;&otilde;es podem mudar. Isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o se esteja a mudar e as pessoas n&atilde;o sejam ativas.<\/p>\n<p> \tAgora, a focaliza&ccedil;&atilde;o da nossa aten&ccedil;&atilde;o h&aacute; de ser para fora. Pergunto-me sempre, na vida dos padres, dos catequistas: Quando tempo dou aos que est&atilde;o dentro e quanto tempo dedico aos que est&atilde;o fora? E esta &eacute; a atitude nova que &eacute; preciso pensar. &Eacute; uma atitude que se prop&otilde;e &agrave; Igreja inteira. As Igrejas mais recentes, porque ainda veem desta atitude mission&aacute;ria, t&ecirc;m mais viva essa din&acirc;mica.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s pens&aacute;vamos que a miss&atilde;o era s&oacute; fora porque os de &ldquo;dentro&rdquo; j&aacute; estavam c&aacute;, mas n&atilde;o &eacute; esse mais o panorama de hoje e a nossa mentalidade e estruturas devem mudar nesse sentido.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Os de &ldquo;dentro&rdquo; podem sair muito rapidamente. Um dado concreto em Set&uacute;bal, por exemplo: Por ano podem existir 500 crismas mas no ano seguinte &ldquo;debandam&rdquo;, como dizia o Papa. &Eacute; um dado que o preocupa?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; &Eacute; evidente que me preocupa na medida que significa que est&aacute; algo a mudar na nossa capacidade de transmitir e motivar as pessoas, o que &eacute; outro aspeto da realidade. Hoje, com os modernos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, com a vis&atilde;o que cada um tem do mundo (e o melhor &eacute; o seu mundo), n&atilde;o h&aacute; uma autoridade que se imponha por si pr&oacute;pria. A autoridade deve apresentar-se como cred&iacute;vel a todos os n&iacute;veis e, antes de mais, para a situa&ccedil;&atilde;o de cada pessoa.<\/p>\n<p> \tEssa experi&ecirc;ncia personalizada da f&eacute; &eacute; importante que se encontre na Igreja. Se oferecemos s&oacute; servi&ccedil;os religiosos para quem quer vir mas onde as pessoas n&atilde;o tem nome e n&atilde;o t&ecirc;m voz, isso n&atilde;o vai funcionar.<\/p>\n<p> \tHoje tudo &eacute; interativo. N&atilde;o &eacute; a internet que est&aacute; a descobrir isso. Essa teia de rela&ccedil;&otilde;es est&aacute; na origem do Evangelho, que n&atilde;o foi comunicado pelos grandes meios mas pelo boca a boca, atitude em atitude. Assim se vive em muitos pa&iacute;ses onde a Igreja est&aacute; muito ativa. Recordo, por exemplo, a Indon&eacute;sia onde os cat&oacute;licos s&atilde;o 3 por cento da popula&ccedil;&atilde;o mas temos uma Igreja muito din&acirc;mica, viva, a todos os n&iacute;veis, mesmo no papel social.<\/p>\n<p> \tEu n&atilde;o sou miserabilista! A Igreja de Set&uacute;bal &eacute; uma das mais comprometidas por exemplo ao n&iacute;vel social, onde vamos encontrando muitas parcerias. N&atilde;o temos de concentrar tudo na Igreja.<\/p>\n<p> \tOs n&uacute;meros interessam &eacute; evidente, mas at&eacute; um certo ponto, porque a maioria das pessoas dizem que t&ecirc;m f&eacute;, que gostavam de ver outra Igreja, que n&atilde;o se comprometem assim. H&aacute; passos a dar mas acho que &eacute; um caminho a percorrer e temos de percorrer juntos, como toda a Igreja, particularmente neste continente europeu.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Essa falta de nome e de rela&ccedil;&otilde;es concretas pode estar na origem da debandada da juventude?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; &Eacute; evidente que est&aacute;, mas h&aacute; tamb&eacute;m muitos outros fatores. N&atilde;o &eacute; uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica que me interessa agora. O problema que de facto se p&otilde;e hoje &eacute; que os tempos est&atilde;o a mudar, o que fala aos nossos jovens hoje n&atilde;o &eacute; aquele do passado, um discurso &lsquo;ex-cathedra&rsquo;, que n&atilde;o funciona (acho que nunca funcionou&hellip;) Tem a sua fun&ccedil;&atilde;o, a informa&ccedil;&atilde;o, a proposta, a solenidade mas o que n&atilde;o for vivido e interiorizado n&atilde;o funciona. Nunca funcionou.<\/p>\n<p> \tEncontrar linguagens adequadas e sobretudo uma abertura ao di&aacute;logo de hoje, que se passa ao n&iacute;vel da f&eacute; mas tamb&eacute;m da pr&oacute;pria comunica&ccedil;&atilde;o dentro da fam&iacute;lia, nas escolas, na pol&iacute;tica. Porque &eacute; que os nossos jovens se est&atilde;o a alear da pol&iacute;tica? Temos de redescobrir a linguagem para reinteress&aacute;-los na polis, na constru&ccedil;&atilde;o da sociedade. E a Igreja est&aacute; muito ligada a este processo de reconstru&ccedil;&atilde;o da sociedade, onde dentro esteja a mensagem do Evangelho e a presen&ccedil;a de Deus neste mundo.<\/p>\n<p> \t&Eacute; fundamental que se encontrem novos caminhos para isso.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; No que foi afirmando sobre a Igreja na Pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal disse que os padres t&ecirc;m de ser empreendedores. O que quer dizer com essa afirma&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Empreendedores quer dizer o que me disse o Papa. &Eacute; um desafio que temos em conjunto na Igreja. &Eacute; evidente que os padres na Igreja e os outros servidores na comunidade temos de ter a coragem e ser fi&eacute;is, o que n&atilde;o significa fazer do passado um museu de receitas, mas com essa energia criar o novo. O esp&iacute;rito do Evangelho, de Deus, cria coisas novas, temos de ter essa coragem e ousadia.<\/p>\n<p> \tO Papa n&atilde;o est&aacute; a inventar uma Igreja nova, nem um Evangelho novo. Ele est&aacute; a dizer e a testemunhar, com gestos, palavras, atitudes, as transforma&ccedil;&otilde;es, o que o Evangelho tem suscitado ao longo da hist&oacute;ria. E hoje &eacute; a nossa vez de reinvent&aacute;-lo, no bom sentido porque n&atilde;o inventamos nada, mas tornamo-lo de novo criativo na nossa vida.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Leigos: Sentir que &ldquo;A Igreja &eacute; sua&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> \tAE &ndash; Que protagonismo t&ecirc;m e ter&atilde;o os leigos na diocese?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Acho que j&aacute; t&ecirc;m e &eacute; importante que continuem a ter. Esta comunh&atilde;o n&atilde;o se faz sem ningu&eacute;m. A miss&atilde;o dos padres, do bispo, n&atilde;o se compreende sen&atilde;o ao servi&ccedil;o da comunidade, que deve ser a protagonista da vida. A vida &eacute; na comunidade e os outros s&atilde;o servos importantes, determinantes em muitos aspetos da vida. Mas &eacute; a Igreja que se deve mover.<\/p>\n<p> \tEste movimento est&aacute; ligado ao que j&aacute; falamos de participa&ccedil;&atilde;o, de sentir que a Igreja &ldquo;&eacute; minha&rdquo;. Mas, para isso, &eacute; preciso que se d&ecirc; oportunidade aos leigos de sentirem que a Igreja &eacute; sua e que t&ecirc;m n&atilde;o simplesmente deveres a cumprir, mas a alegria de participarem numa comunidade viva que lhes diz algo e se inclui num projeto de transforma&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Em diferentes contextos e diocese h&aacute; movimentos que t&ecirc;m mais relev&acirc;ncia do que outros. Em Set&uacute;bal sente que h&aacute; alguma experi&ecirc;ncia de comunidade crente que tenha mais relev&acirc;ncia, mais hegemonia?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Existem v&aacute;rios movimentos do que conhe&ccedil;o da realidade da diocese. Fala-se muito dos movimentos e esquece-se do movimento n&atilde;o mencionado que se vai fazendo em cada par&oacute;quia: a catequese, os jovens, as fam&iacute;lias, os servi&ccedil;os eclesiais, de solidariedade, que s&atilde;o imensos. &Eacute; talvez a maior concentra&ccedil;&atilde;o em termos solid&aacute;rios, s&atilde;o mais de seis mil pessoas volunt&aacute;rias que trabalham nos servi&ccedil;os sociais da Igreja ao servi&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tEm termos de dimens&atilde;o os escuteiros t&ecirc;m um desenvolvimento muito grande e &eacute; muito importante porque se dirigem-se a uma camada jovem na adolesc&ecirc;ncia e p&oacute;s-adolesc&ecirc;ncia onde se pode semear e ajud&aacute;-los a crescer num ambiente de respeito pela natureza, de solidariedade, de participa&ccedil;&atilde;o ativa na vida da comunidade. Existem outros movimentos que est&atilde;o presentes na comunidade, como o Shalom, a Comunh&atilde;o e Liberta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tOs movimentos ajudam as pessoas a participarem ativamente na Igreja e a serem acolhidas de um modo diferente personalizando a pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de f&eacute;, como os casais de Nossa Senhora, os Encontros Matrimoniais. Desde que n&atilde;o venham dividir a comunidade&hellip; Isto n&atilde;o &eacute; uma Igreja &ldquo;para&rdquo;, mas onde os diversos movimentos s&atilde;o todos bem-vindos na medida em que contribuem para a consolida&ccedil;&atilde;o e personaliza&ccedil;&atilde;o da f&eacute;.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Existe esse perigo de divis&atilde;o da comunidade, na Diocese de Set&uacute;bal?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; N&atilde;o tenho essa experi&ecirc;ncia, mas &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o que todos os movimentos devem ter. Por outro lado, &eacute; importante que estes movimentos que s&atilde;o para al&eacute;m da diocese, tragam uma riqueza na medida em que sejam eles pr&oacute;prios.<\/p>\n<p> \tO querer que participem na vida da comunidade n&atilde;o &eacute; em detrimento da afirma&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio carisma, da sua pr&oacute;pria realidade, porque isso ajuda. Se eles n&atilde;o tiverem esta liga&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m para fora perde-se muito do contributo que podem dar de comunh&atilde;o com outras Igrejas, realidades, experi&ecirc;ncias.<\/p>\n<p> \tOs movimentos t&ecirc;m um papel importante, mas n&atilde;o podem esquecer que s&atilde;o parte da Igreja. E digo o mesmo para as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas. Fui superior de uma congrega&ccedil;&atilde;o como os Dehonianos, que est&atilde;o presentes em mais de 40 pa&iacute;ses. Dizia sempre: &ldquo;pensar sempre com a cabe&ccedil;a de uma Igreja universal, de uma congrega&ccedil;&atilde;o universal, mas com os p&eacute;s bem assentes na comunidade onde se est&aacute;&rdquo;. Se n&atilde;o se est&aacute; na comunidade, faz-se uma Igreja et&eacute;rea. Se nos afogarmos simplesmente na realidade local ficamos reduzidos aquilo que n&oacute;s somos.<\/p>\n<p> \tEsta intera&ccedil;&atilde;o e conjuga&ccedil;&atilde;o pode n&atilde;o ser sempre f&aacute;cil, mas h&aacute; problema se aceitarmos esta diferen&ccedil;a e a usarmos com criatividade e fraternidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Adiantou j&aacute; os desafios para as congrega&ccedil;&otilde;es religiosas. Tamb&eacute;m se situam a esse n&iacute;vel na Diocese de Set&uacute;bal?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Claro! E felizmente, das not&iacute;cias que tenho e dos primeiros contactos, acho que s&atilde;o uma realidade muito importante na diocese.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Em algum setor espec&iacute;fico?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Acontece que com a escassez de padres, os religiosos foram tamb&eacute;m limitando-se &agrave; vida paroquial. &Eacute; muito bom pelo carisma que trazem ao povo de Deus mas, por outro lado, &eacute; importante que estejam noutro setor de atividade espec&iacute;ficos. Est&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o, nos servi&ccedil;os sociais, na sensibilidade a partir da pr&oacute;pria espiritualidade, na promo&ccedil;&atilde;o de cursos de forma&ccedil;&atilde;o e retiros que constituem setores importantes de consolida&ccedil;&atilde;o e de vida da comunidade crist&atilde;.<\/p>\n<p> \tEu espero muito do contributo dos religiosos para a diocese. Felizmente em Portugal temos um ambiente muito interessante de colabora&ccedil;&atilde;o onde v&atilde;o ficando para tr&aacute;s a maior parte dos preconceitos e divis&otilde;es. Estamos em Igreja!<\/p>\n<p> \t&Eacute; muito importante a colabora&ccedil;&atilde;o dos diversos carismas para construir uma Igreja unida, fraterna, mas tamb&eacute;m rica e criativa.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Solidariedade: servir a multiculturalidade <\/strong><\/p>\n<p> \tAE &ndash; Que relev&acirc;ncia tem na diocese sadina as respostas sociais que servem a popula&ccedil;&atilde;o. J&aacute; referiu as parcerias. Quais &eacute; que podem acontecer?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Por exemplo, a Plataforma de Acolhimento aos Refugiados (PAR). Este &eacute; certamente um dos setores onde me d&aacute; muito gosto em estar nesta diocese. &Eacute; uma diocese com sensibilidade porque contacta com problemas n&atilde;o indiferentes: Falta de trabalho, particularmente juvenil; falta de meios que a crise veio acentuar dramaticamente.<\/p>\n<p> \tPor exemplo, a integra&ccedil;&atilde;o de pessoas que veem de todas as partes do pa&iacute;s e de todo o mundo, que se sente particularmente na Pen&iacute;nsula de Set&uacute;bal &eacute; um desafio, que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil de solucionar, mas que tamb&eacute;m traz em si sementes importantes que &eacute; preciso p&ocirc;r a render.<\/p>\n<p> \tEm rela&ccedil;&atilde;o aos migrantes, em concreto os portugueses, s&atilde;o sempre pessoas que t&ecirc;m algo mais do que os outros. Podem ser levados pela necessidade mas n&atilde;o se fecharam no fatalismo, na resigna&ccedil;&atilde;o mas partiram &agrave; procura de novas praias e novas possibilidades. S&atilde;o pessoas com iniciativa. E &eacute; essa iniciativa, por exemplo, que tiveram os retornados que voltaram das col&oacute;nias e foram um problema n&atilde;o de f&aacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, alguns n&atilde;o se adaptaram, mas deram tamb&eacute;m um contributo enorme na cria&ccedil;&atilde;o de novas possibilidades para o pa&iacute;s. Penso que &eacute; isto que devemos fazer.<\/p>\n<p> \tEsta crise que &eacute; europeia e mundial, porque vemos as autoestradas de comunica&ccedil;&atilde;o, de pensamento e de mobilidade de pessoas e n&atilde;o se pode esperar que ficassem vazias. Se as as usam &eacute; principalmente porque t&ecirc;m necessidade. &Eacute; um sinal positivo do nosso tempo. Mas, depois, n&atilde;o podemos fechar as fronteiras. N&atilde;o funciona!. Abrirmo-nos com o pr&oacute;prio esfor&ccedil;o, porque n&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es simples, de criarmos solu&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias que n&atilde;o sejam simplesmente de ganho imediato com as pessoas que chegam. Um filho que nasce &eacute; s&oacute; despesa, mas &eacute; um grande investimento que se faz para o futuro, a todos os n&iacute;veis, tamb&eacute;m em termos econ&oacute;micos. No futuro traduz-se em capacidade nova para o pa&iacute;s. &Eacute; por isso que os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Norte e Sul s&atilde;o pa&iacute;ses de acolhimento e n&atilde;o est&atilde;o pior do que n&oacute;s.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Esta a&ccedil;&atilde;o sociai faz parte da identidade da diocese, seja pela a&ccedil;&atilde;o do primeiro bispo, D. Manuel Martins, depois o D. Gilberto Canavarro que deu continuidade, os padres oper&aacute;rios e a C&aacute;ritas Diocesana. A Igreja de Set&uacute;bal &eacute; reconhecida no seu meio tamb&eacute;m pelas respostas sociais?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Eu acho que sim, mal seria para qualquer diocese se n&atilde;o o fosse, particularmente na situa&ccedil;&atilde;o de crise que vivemos. Tenho acompanhado de fora mas n&atilde;o me passa desapercebido o esfor&ccedil;o que toda a Igreja tem feito nesse sentido e vamos ao mais n&iacute;vel mais elementar das pessoas. Ai encontramos uma comunh&atilde;o de interesses por tantas pessoas! Talvez n&atilde;o sejam t&atilde;o ass&iacute;duos &agrave; Eucaristia mas s&atilde;o muito ass&iacute;duos na ajuda aos mais necessitados, o que &eacute; o princ&iacute;pio do verdadeiro Evangelho.<\/p>\n<p> \tUma das coisas mais simp&aacute;ticas que vejo na diocese &eacute; essa sensibilidade que depois cria parcerias, sem ambiguidade, tamb&eacute;m com os poderes p&uacute;blicos, independentemente dos partidos, porque quando temos por interesse as pessoas que precisam o resto passa para segundo plano.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o tenho de ser agente nem pretendo dar leis aos poderes p&uacute;blicos nem estar ao seu servi&ccedil;o e ao interesse de algu&eacute;m. O interesse comum que todos temos &eacute; encontrar solu&ccedil;&otilde;es para os problemas das pessoas que sofrem e est&atilde;o em dificuldade.<\/p>\n<p> \tSe o interesse n&atilde;o &eacute; pessoal, nem o meu grupo, partido ou Igreja mas a realidade aut&ecirc;ntica da pessoa que sofre, vamos encontrar solu&ccedil;&otilde;es e juntos. Na altura que come&ccedil;armos a decidir quem &eacute; que manda, quem &eacute; mais importante o &ldquo;caldo fica entornado&rdquo; e quem sofre s&atilde;o as pessoas que dev&iacute;amos servir.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Essa vai ser a atitude do bispo de Set&uacute;bal com as autoridades pol&iacute;ticas, empresariais, com organiza&ccedil;&otilde;es?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Acho que sempre foi e tenho esperan&ccedil;a que continue a ser. N&atilde;o vejo a minha compreens&atilde;o de Igreja de outro modo. A Igreja n&atilde;o &eacute; uma organiza&ccedil;&atilde;o fechada em si mesma, ela foi colocada em carris de universalidade. Quando Jesus diz que se deve levar o Evangelho at&eacute; aos confins do mundo n&atilde;o &eacute; para o conquistar. Podem-se conquistar pessoas afetivamente, mas num processo de oferta de uma proposta de vida, e que se deve manifestar com gestos aut&ecirc;nticos de miseric&oacute;rdia, de solidariedade, de ajuda.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>S&iacute;nodo na Diocese: Um estado permanente<\/strong><\/p>\n<p> \tAE &ndash; Um dos desejos que D. Gilberto Reis n&atilde;o conseguiu realizar no tempo que tinha foi envolver a diocese em s&iacute;nodo diocesano. Considera esta realiza&ccedil;&atilde;o uma prioridade?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Se o s&iacute;nodo for visto como uma por&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica, durante um tempo determinado, n&atilde;o vale a pena. Uma igreja tipo sinodal sim, ou seja, que reflete sobre si pr&oacute;pria em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; miss&atilde;o, que envolve n&atilde;o apenas o bispo, nas suas faculdade de orienta&ccedil;&atilde;o, e o col&eacute;gio presbiteral, mas a diocese inteira e a p&otilde;e a caminho, &eacute; importante. &Eacute; evidente que um tempo sinodal pode ser importante para dar esses passos.<\/p>\n<p> \tPenso que devia ser importante para todas as Igrejas, n&atilde;o simplesmente algo que algu&eacute;m inventa de vez em quando. Mas essa cad&ecirc;ncia, esse percurso, devia ser uma caracter&iacute;stica da Igreja toda. A forma de o realizar, vamos analisar em conjunto, o que j&aacute; &eacute; caminho sinodal!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; A sua dinamiza&ccedil;&atilde;o da diocese vai ser num contexto geogr&aacute;fico delimitado ou sempre nesse esp&iacute;rito de abertura universal que viveu na congrega&ccedil;&atilde;o e defende para a Igreja?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Uma das coisas que se pede a um bispo na ordena&ccedil;&atilde;o, nos decretos e compromissos, &eacute; que seja pela sua pr&oacute;pria fun&ccedil;&atilde;o promotor da universalidade. &Eacute; o primeiro respons&aacute;vel por isso, primeiro na confer&ecirc;ncia episcopal, depois com a Igreja universal, com a miss&atilde;o porque corremos o risco de nos afundar porque bailamos sempre nos mesmos lugares.<\/p>\n<p> \tA dan&ccedil;a por sua natureza n&atilde;o &eacute; de uma pessoa s&oacute; e toda a din&acirc;mica do Evangelho &eacute; sair de mim pr&oacute;prio &agrave; procura do outro e de cada grupo para construir a casa comum da humanidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Fam&iacute;lia: &ldquo;orienta&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias e manifesta&ccedil;&otilde;es diferentes&rdquo;<\/strong><\/p>\n<p> \tAg&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash; Em Roma est&aacute; a ser feito um caminho em conjunto a prop&oacute;sito da fam&iacute;lia no S&iacute;nodo dos Bispos, que termina este domingo aquando a sua ordena&ccedil;&atilde;o. O que espera que esteja a ser comunicado em Roma, no fim de um s&iacute;nodo, no dia 25 de outubro?<\/p>\n<p> \tD. Jos&eacute; Ornelas (JO) &ndash; A primeira coisa que espero &eacute; que o s&iacute;nodo represente em si mesmo a experi&ecirc;ncia mais s&eacute;ria de sinodalidade.<\/p>\n<p> \tO facto do Papa ter convocado uma primeira assembleia sinodal, que continuou depois de uma ausculta&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o da realidade eclesial, nesta segunda parte &#8211; e j&aacute; se fala numa terceira &#8211; significa que se tomam a s&eacute;rio as coisas. Os problemas deste g&eacute;nero n&atilde;o se resolvem com discursos e depois o Papa escreve uma carta&hellip;<\/p>\n<p> \tPensar tudo com realismo, aceitar as diferen&ccedil;as dentro da Igreja e procurar solu&ccedil;&otilde;es acho que &eacute; o verdadeiro caminho de sinodalidade. Problemas destes n&atilde;o se devem reduzir a receitas imediatas mas h&aacute; uma aten&ccedil;&atilde;o nova de acolhimento da realidade familiar num mundo que est&aacute; a mudar completamente.<\/p>\n<p> \tH&aacute; perspetivas e problemas novos, mas tamb&eacute;m desafios e possibilidades novas que n&atilde;o se tinham em considera&ccedil;&atilde;o h&aacute; 10 anos. E inserir esta novidade, esta transforma&ccedil;&atilde;o que est&aacute; em curso na realidade da Igreja &eacute; determinante.<\/p>\n<p> \tConsidero tamb&eacute;m que &eacute; importante aceitar alguns desafios e n&atilde;o ficar em discursos pelo ar, n&atilde;o cair nas medidas imediatas mas ter orienta&ccedil;&otilde;es que mexam com a realidade. O Papa come&ccedil;ou a dar o exemplo, com a simplifica&ccedil;&atilde;o dos processos de nulidade do matrim&oacute;nio. Existem quest&otilde;es muito s&eacute;rias que devem ser postas sobre a mesa, discutidas com liberdade&nbsp; para solu&ccedil;&otilde;es de unidade, n&atilde;o apenas para a mentalidade europeia, mas tendo em conta a diversidades culturais.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; H&aacute; passos concretos a dar no caso dos divorciados recasados, que &eacute; uma das reflex&otilde;es em causa?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Penso que sim. O Papa tem vindo a dizer para n&atilde;o nos esquecermos que eles s&atilde;o parte da Igreja. Ent&atilde;o que g&eacute;nero de integra&ccedil;&atilde;o vamos ter?<\/p>\n<p> \tO princ&iacute;pio do matrim&oacute;nio, como o Papa diz, &eacute; &uacute;nico e vai continuar. Ningu&eacute;m considera o div&oacute;rcio um bem, mas acontece. A comunh&atilde;o sacramental &eacute; apenas um aspeto e o Papa repete isso constantemente. N&atilde;o sendo o &uacute;nico grande problema &eacute; parte e n&atilde;o se deve escamote&aacute;-lo. Se essas pessoas n&atilde;o s&atilde;o excomungadas ent&atilde;o porque &eacute; que est&atilde;o longe? Tem de haver um caminho a fazer na comunidade onde a comunh&atilde;o tamb&eacute;m pode e deve ser inserida neste contexto.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; O D. Jos&eacute; Ornelas defende uma das perspetivas em debate no s&iacute;nodo que deve haver um processo de convers&atilde;o e depois o acesso &agrave; comunh&atilde;o e &agrave; reconcilia&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Acho que &eacute; uma realidade muito poss&iacute;vel e desej&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; para dizer: &ldquo;deixem-nos comungar e est&aacute; resolvido o problema&rdquo;, porque n&atilde;o est&aacute;. O problema &eacute; realmente um acompanhamento destas pessoas e a inser&ccedil;&atilde;o na comunh&atilde;o e na vida da comunidade eclesial e, para isso, tamb&eacute;m a participa&ccedil;&atilde;o na Eucaristia, que faz parte desse caminho. &Eacute; preciso ver os termos para que seja express&atilde;o do movimento de vida e n&atilde;o apenas um rito.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Existe tamb&eacute;m a reflex&atilde;o sobre outras tipologias de fam&iacute;lia. Exigem a mesma aten&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Sim, aten&ccedil;&atilde;o de acolhimento. Isso n&atilde;o quer dizer que &eacute; tudo igual. Chamar igual ao que &eacute; diferente n&atilde;o &eacute; vantagem nenhuma. P&ocirc;r os nomes &agrave;s coisas! N&oacute;s temos medo da diferen&ccedil;a e no casamento, a partir do homem e mulher, &eacute; bom! As diferen&ccedil;as e a complementaridade dessas diferen&ccedil;as fazem a riqueza.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \tAE &ndash; Defende a possibilidade do s&iacute;nodo continuar numa terceira assembleia. Por exemplo, n&atilde;o nos moldes universais mas por regi&otilde;es, com orienta&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, como j&aacute; tem sido avan&ccedil;ado em Roma?<\/p>\n<p> \tJO &ndash; Temos de descobrir caminhos novos para a Igreja em tempos novos. N&atilde;o sei se vai ser esse o caminho, n&atilde;o me compete decidir, mas gostaria muito de ver um processo de Igreja sinodal, que discutisse verdadeiramente os problemas com coragem de assumir posi&ccedil;&otilde;es que tenham um caracter de orienta&ccedil;&otilde;es unit&aacute;rias e manifesta&ccedil;&otilde;es diferentes.<\/p>\n<p> \tNa Igreja Cat&oacute;lica Oriental, por exemplo, temos um regime onde os padres s&atilde;o casados e s&atilde;o nossos irm&atilde;os dentro da comunh&atilde;o eclesial cat&oacute;lica. Portanto, criar diferen&ccedil;as daquilo que n&atilde;o &eacute; o essencial, aceitar essas diferen&ccedil;as e conduzir-se por essas diferen&ccedil;as penso que &eacute; inteligente, evang&eacute;lico e humano.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A miss\u00e3o, os crist\u00e3os &#8220;com nome&#8221;, o tempo gasto a pensar nos &#8220;que est\u00e3o fora&#8221;, as parcerias sociais para chegar a todos, o acolhimento \u00e0s fam\u00edlias. Temas da entrevista de D. Jos\u00e9 Ornelas \u00e0 Ag\u00eancia Ecclesia, a poucos dias de ser ordenado bispo e iniciar o episcopado na Diocese de Set\u00fabal: uma diocese perif\u00e9rica, onde [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,162,181,199,203,206,274,291,314],"class_list":["post-74181","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-dehonianos","tag-diocese-de-setubal","tag-espiritualidade","tag-europa","tag-familia","tag-papa-francisco","tag-refugiados","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74181","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}