{"id":73403,"date":"2015-08-22T14:18:00","date_gmt":"2015-08-22T14:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/08\/22\/muculmanos-judeus-budistas-a-vocacao-inter-religiosa-de-taize\/"},"modified":"2015-08-22T14:18:00","modified_gmt":"2015-08-22T14:18:00","slug":"muculmanos-judeus-budistas-a-vocacao-inter-religiosa-de-taize","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/muculmanos-judeus-budistas-a-vocacao-inter-religiosa-de-taize\/","title":{"rendered":"Mu\u00e7ulmanos, judeus, budistas: A voca\u00e7\u00e3o inter-religiosa de Taiz\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Comunidade j\u00e1 estabelece pontes concretas com crentes de muitas religi\u00f5es <!--more--> <\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\"><em>Ant&oacute;nio Marujo, jornalista do religionline.blogspot.pt, em servi&ccedil;o especial para a Ag&ecirc;ncia&nbsp;<\/em><\/span><em><span style=\"font-size: 13.5pt;\">ECCLESIA (o autor escreve segundo a anterior nota ortogr&aacute;fica)<\/span><\/em><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Taiz&eacute;, Fran&ccedil;a, 22 ago 2015 (Ecclesia) &#8211; Bacary Dieme, 38 anos, vem do Senegal, &eacute; mu&ccedil;ulmano, mas isso n&atilde;o o impede de rezar numa igreja crist&atilde;: &ldquo;&Eacute; uma ocasi&atilde;o de descobrir como os crist&atilde;os rezam. Voltamo-nos todos para o mesmo Deus, no interior de cada um, e isso &eacute; o mais importante.&rdquo;<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">O senegal&ecirc;s esteve em Taiz&eacute;, a comunidade da Borgonha (Fran&ccedil;a), que re&uacute;ne monges cat&oacute;licos e protestantes. Nos mesmos dias, cinco monges budistas, um hindu, outros oito mu&ccedil;ulmanos e dois judeus estiveram tamb&eacute;m na aldeia, para as celebra&ccedil;&otilde;es anivers&aacute;rias da comunidade. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">O rabino judeu Levi Weiman-Kelman, de Jerusal&eacute;m, foi mesmo convidado pela comunidade a fazer a ora&ccedil;&atilde;o inicial da refei&ccedil;&atilde;o de Taiz&eacute; com os seus convidados &#8211; que inclu&iacute;am uma centena de respons&aacute;veis religiosos, entre os quais um enviado do Papa e o cardeal-patriarca de Lisboa. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">A presen&ccedil;a destes l&iacute;deres de outras religi&otilde;es em Taiz&eacute; &eacute; um dos testemunhos de que, al&eacute;m da voca&ccedil;&atilde;o ecum&eacute;nica e de reconcilia&ccedil;&atilde;o entre os crist&atilde;os, Taiz&eacute; assume j&aacute; tamb&eacute;m um importante papel no di&aacute;logo inter-religioso. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Bacary conhece h&aacute; 15 anos a pequena comunidade de tr&ecirc;s irm&atilde;os de Taiz&eacute; que vive em Dacar (Senegal). Foram eles que o convidaram a vir a Fran&ccedil;a, para a semana que assinalou os anivers&aacute;rios da comunidade: o centen&aacute;rio do nascimento do irm&atilde;o Roger, os 10 anos da sua morte (16 de Agosto) e os 75 anos da sua chegada a Taiz&eacute; (20 de Agosto). <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">No ano 2000, quando Bacary regressou a casa depois de fazer o exame de acesso &agrave; universidade, percebeu que n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es para estudar.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Os monges de Taiz&eacute; propuseram-lhe que passasse a viver na sua casa, tal como acontecia com mais dois jovens crist&atilde;os, partilhando a vida comum; deram-lhe, ainda, ferramentas para que ele e alguns amigos se tornassem pequenos empres&aacute;rios: &ldquo;Compr&aacute;mos tecidos para fazer camisas e vender&rdquo;.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">&nbsp;Licenciado em economia e gest&atilde;o, doutorado em finan&ccedil;as, Bacary trabalha agora num instituto para aposentados; casado desde Janeiro de 2012, tem um filho com tr&ecirc;s meses. A sua experi&ecirc;ncia com os irm&atilde;os aprofundou o que j&aacute; vivera com a av&oacute;, mu&ccedil;ulmana numa aldeia de maioria crist&atilde;, com quem crescera: &ldquo;Cada um &eacute; uma pessoa, antes de ser budista, crist&atilde;o ou mu&ccedil;ulmano&rdquo;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Claudio Monge, 47 anos, padre dominicano italiano a viver em Istambul (Turquia) h&aacute; doze anos, diz o mesmo por outras palavras: &ldquo;N&atilde;o s&atilde;o as religi&otilde;es que coexistem, s&atilde;o pessoas concretas. N&atilde;o h&aacute; isl&atilde;o nem cristianismo, h&aacute; mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os que encarnam aspectos do cristianismo e do isl&atilde;o&rdquo;.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Em Taiz&eacute;, Bacary rezou v&aacute;rias vezes na Igreja da Reconcilia&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Ningu&eacute;m me for&ccedil;ou a ir. Rezar &eacute; uma atitude interior, voltamo-nos todos para o mesmo Deus, cada um com a sua forma de rezar. O que me interessa &eacute; o meu caminho interior&rdquo;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Claudio Monge, que animou v&aacute;rios debates em Taiz&eacute;, nos &uacute;ltimos dias, acrescenta: para dialogar, &eacute; necess&aacute;rio &ldquo;come&ccedil;ar com um desejo comum e n&atilde;o com o medo do outro&rdquo;; o &uacute;nico modo de superar o medo &eacute; o &ldquo;encontro pessoal&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Foi com essa convic&ccedil;&atilde;o que mu&ccedil;ulmanos e crist&atilde;os no Norte da Nig&eacute;ria organizaram encontros entre ambas as comunidades. Numa regi&atilde;o onde o grupo Boko Haram tem atacado comunidades crist&atilde;s, John Paul, 27 anos, membro da Juventude Estudantil Cat&oacute;lica nigeriana, contou que &eacute; poss&iacute;vel criar la&ccedil;os entre as pessoas.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">No actual momento hist&oacute;rico, tem de se &ldquo;ir para l&aacute; da vis&atilde;o prim&aacute;ria sobre o outro&rdquo;, diz Claudio Monge. Os estere&oacute;tipos, sejam &ldquo;culturais, raciais, sexuais ou religiosos, s&atilde;o perigosos&rdquo;. <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">O padre italiano admite que o di&aacute;logo teol&oacute;gico &eacute; fundamental: &ldquo;S&oacute; se conhe&ccedil;o a minha f&eacute; posso ter a respira&ccedil;&atilde;o universal para entender a f&eacute; do outro&quot;.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Mais que a teologia, deve ser a antropologia a fazer a ponte, diz, e acrescenta: &ldquo;Para mim, Jesus Cristo d&aacute; acesso a Deus. Por isso, um mu&ccedil;ulmano tamb&eacute;m me interessa como pessoa, pois conduz a Deus&quot;.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Keiji Utebi, pastor da Igreja Unida de Cristo, do Jap&atilde;o, professor e capel&atilde;o da Universidade Kwansei Gakuin, diz que &ldquo;a ess&ecirc;ncia do Evangelho &#8211; alegria, simplicidade e miseric&oacute;rdia &#8211; n&atilde;o est&aacute; longe das tradi&ccedil;&otilde;es espirituais japonesas&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\">Tamb&eacute;m a&iacute; o encontro &eacute; poss&iacute;vel, diz, recordando o ritual do ch&aacute;, ou a omotenashi, a hospitalidade japonesa: &ldquo;Tem uma grande similitude com a hospitalidade de Abra&atilde;o ou Jesus a acolher o outro.&rdquo; <o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p> \t<span style=\"font-size: 13.5pt;\"><em>AM\/OC<\/em><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comunidade j\u00e1 estabelece pontes concretas com crentes de muitas 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