{"id":7214,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/africa-a-fome-regressa\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"africa-a-fome-regressa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/africa-a-fome-regressa\/","title":{"rendered":"\u00c1frica: a fome regressa"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2004 poder\u00e1 revelar-se um ano dram\u00e1tico para o continente africano. A fome est\u00e1 j\u00e1 a afectar milh\u00f5es de pessoas em pa\u00edses como Angola, o Sud\u00e3o e o Qu\u00e9nia que est\u00e3o dependentes da ajuda internacional. Na origem da escassez de alimentos nestes pa\u00edses conjugam-se v\u00e1rios factores como o clima, a guerra, a corrup\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria. O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Na\u00e7\u00f5es Unidas anunciou ontem que Angola est\u00e1 \u00e0 beira de uma cat\u00e1strofe alimentar. A ag\u00eancia recebeu dos pa\u00edses doadores apenas 45 milh\u00f5es de d\u00f3lares, uma quantia que est\u00e1 muito longe dos 235 milh\u00f5es de d\u00f3lares que o PAM diz necessitar para a ajuda a Angola. Se esta ajuda n\u00e3o chegar poder\u00e1 ficar em causa o processo de repatriamento de centenas de milhar de refugiados que sa\u00edram do pa\u00eds durante a guerra. Mike Huggins, um respons\u00e1vel do PAM declarou em entrevista \u00e0 TSF que \u201ch\u00e1 uma necessidade urgente  de novas doa\u00e7\u00f5es, caso contr\u00e1rio vamos ser obrigados a cortar por completo o fornecimento de cereais j\u00e1 em Setembro, o que \u00e9 muito mau, porque \u00e9 o come\u00e7o da esta\u00e7\u00e3o das chuvas\u201d. Mike Huggins considera a situa\u00e7\u00e3o em Angola como uma \u201cmis\u00e9ria imensur\u00e1vel\u201d, num pa\u00eds onde faltam escolas, \u00e1gua pot\u00e1vel, electricidade e, principalmente, comida. No \u00e2mbito da campanha \u201cFome em Angola &#8211; Urg\u00eancia de Solidariedade\u201d a Caritas Portuguesa enviou para Angola, por via mar\u00edtima, um contentor com alimentos e medicamentos, doados pelas Dioceses, organiza\u00e7\u00f5es de solidariedade social e por particulares. O espectro da fome amea\u00e7a tamb\u00e9m 1,2 milh\u00f5es de refugiados na regi\u00e3o do Darfur, no Sud\u00e3o, que abandonaram as suas casas por causa dos ataques, pilhagens e viola\u00e7\u00f5es executadas pelas mil\u00edcias \u00e1rabes Janjaweed.  Com o acordo hoje conseguido entre o PAM e os dois movimentos rebeldes sudaneses &#8211; Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o e Movimento para a Justi\u00e7a e Igualdade &#8211; surge a esperan\u00e7a de que seja poss\u00edvel fazer com que a ajuda alimentar chegue a tempo de evitar uma trag\u00e9dia nos campos de refugiados. Se os rebeldes cumprirem este acordo, os comboios de ajuda alimentar poder\u00e3o circular sem serem atacados nas zonas controladas por estes grupos. Resta saber se a situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 igual nas zonas controladas pelas mil\u00edcias Janjaweed. Os ataques aos comboios das Na\u00e7\u00f5es Unidas e as estradas intransit\u00e1veis por causa das chuvas fizeram com que o PAM tivesse que gastar ainda mais dinheiro para poder lan\u00e7ar os alimentos a partir de avi\u00f5es de carga. No in\u00edcio de Julho o PAM gastou 800 mil d\u00f3lares na aquisi\u00e7\u00e3o de milhares de toneladas de alimentos que foram distribu\u00eddas, por avi\u00e3o, a milh\u00f5es de pessoas no norte e no sul do Darfur.  O PAM tem actualmente em curso um segundo concurso para o fornecimento de 2 mil toneladas de alimentos nutritivos, atribu\u00eddo a v\u00e1rias empresas alimentares sedeadas na Eti\u00f3pia, pa\u00eds vizinho do Sud\u00e3o. Ramiro Lopes da Silva, respons\u00e1vel do PAM para o Sud\u00e3o, declarou \u00e0 ag\u00eancia All Africa que \u201cdistribuir alimentos por avi\u00e3o \u00e9 sempre um \u00faltimo recurso muito dispendioso, mas em muitas zonas do Darfur simplesmente n\u00e3o temos outra escolha\u201d. No Qu\u00e9nia as escassas chuvas em Abril e em Maio arruinaram as colheitas deste ano, consideradas as mais fracas desde 1999. O Padre Rafael Magiti disse \u00e0 Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre que nos \u00faltimos meses muitas pessoas t\u00eam procurado o centro pastoral de Karungu. \u201cAs pessoas est\u00e3o constantemente a bater \u00e0 nossa porta para pedir ajuda, mas a este ritmo n\u00e3o teremos nada para lhes dar\u201d, afirmou o sacerdote. As par\u00f3quias est\u00e3o a distribuir mantimentos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es famintas mas as reservas est\u00e3o a chegar ao fim. O Governo e a Igreja do Qu\u00e9nia, em conjunto com as Na\u00e7\u00f5es Unidas, lan\u00e7aram um apelo para uma ajuda de emerg\u00eancia de cerca de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares para fazer face \u00e0 crise. No entanto, os representantes de alguns dos pa\u00edses doadores deram a entender que n\u00e3o ir\u00e3o contribuir para este plano de emerg\u00eancia, acusando o governo queniano de nada fazer para erradicar a corrup\u00e7\u00e3o que emerge no executivo. O Alto-Comiss\u00e1rio brit\u00e2nico Edward Clay afirmou recentemente que durante os 18 meses da administra\u00e7\u00e3o do actual Presidente Kibaki desapareceram quase 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Os representantes dos Estados Unidos e da Noruega manifestaram id\u00eantica opini\u00e3o. No continente africano o \u201croteiro da fome\u201d estende-se ainda por outros pa\u00edses como o Chad, a Nam\u00edbia ou a Eti\u00f3pia. As condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a guerra, a corrup\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria est\u00e3o a deixar milh\u00f5es de pessoas em risco de subnutri\u00e7\u00e3o. No Qu\u00e9nia o respons\u00e1vel da UNICEF alerta para o crescimento da taxa de subnutri\u00e7\u00e3o que actualmente \u00e9 duas vezes mais alta que os n\u00edveis considerados como aceit\u00e1veis pela organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2004 poder\u00e1 revelar-se um ano dram\u00e1tico para o continente africano. 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