{"id":7212,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-em-defesa-dos-emigrantes\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-em-defesa-dos-emigrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-em-defesa-dos-emigrantes\/","title":{"rendered":"Igreja em defesa dos emigrantes"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira na Peregrina\u00e7\u00e3o Internacional do Migrante e Refugiado <!--more--> \u201cN\u00e3o far\u00e1s mal ao estrangeiro\u201d (ex. 22-23); \u201cn\u00e3o h\u00e1 judeu nem grego&#8230; todos v\u00f3s sois um s\u00f3 em cristo\u201d (Gal. 3, 26-29); \u201cquando foi que te vimos (&#8230;) peregrino ou nu e n\u00e3o te socorremos?\u201d; \u201csempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos foi a mim que o deixastes de fazer\u201d (Mt. 25, 31-46) N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil de entender esta palavra. Incompreens\u00edvel \u00e9 que este peregrino, homem ou mulher, sem rosto, sem nome, sem carta de recomenda\u00e7\u00e3o, t\u00e3o \u00e0 nossa moda, entre pela fronteira adentro e nos diga: \u201csou um trabalhador vindo de qualquer s\u00edtio (poder\u00e1 ser Angola, Mo\u00e7ambique, Mold\u00e1via, Ucr\u00e2nia ou Brasil&#8230;) s\u00f3 venho em busca da dignidade n\u00e3o reconhecida no meu pa\u00eds. D\u00e1-me trabalho. Tantas vezes dissestes coisas t\u00e3o bonitas sobre esta tarefa dura, caminho at\u00e9 de testemunho santo para os crist\u00e3os&#8230;! Permite que minha mulher e os meus filhos entrem em Portugal, \u00e0 semelhan\u00e7a do que fizeram milh\u00f5es de portugueses, em outras p\u00e1trias. O que eu pe\u00e7o, enquanto trabalhador, \u00e9 a oportunidade de ganhar o p\u00e3o, com o meu suor e as vossas leis, oxal\u00e1 justas!\u201d. O dif\u00edcil \u00e9 entender que pessoas, nestas circunst\u00e2ncias, n\u00e3o tenham obtido \u201cbilhete de entrada\u201d. Os mais respons\u00e1veis prosseguiram o seu discurso, proclamando o humanismo de maneiras e o sentido da responsabilidade, impedindo o avan\u00e7o dos pobres. N\u00e3o podemos esconder o drama deste \u201chumanismo ateu\u201d, de que falava Lubac, e algumas barbaridades, que ainda mancham a democracia.  O dif\u00edcil \u00e9 acolher uma pessoa desrespeitada como o \u201cCristo da Paix\u00e3o e da morte\u201d. como no-lo recordava o Papa Jo\u00e3o Paulo II, na mensagem, de h\u00e1 dois anos, para esta mesma semana: \u201cn\u00e3o podemos fechar a porta a Cristo que bate \u00e0 porta do teu pa\u00eds na pessoa do imigrante\u201d. E, na mensagem deste ano: \u201cque ningu\u00e9m permane\u00e7a insens\u00edvel \u00e0s condi\u00e7\u00f5es em que se encontram tantos imigrantes\u201d.  2. Unidos ao Papa, neste momento de visita ao santu\u00e1rio mariano de Lurdes, e em comunh\u00e3o com a solidariedade das na\u00e7\u00f5es e dos povos expressa nos Jogos Ol\u00edmpicos e Paraol\u00edmpicos, em Atenas, chamamos a aten\u00e7\u00e3o para os compromissos da cidadania, expressos no respeito pelos direitos de cada um, arredio dos equ\u00edvocos, das injusti\u00e7as e das \u201ctrapalhadas\u201d. Se h\u00e1 um apelo de fraternidade perante quem emigra, h\u00e1 um clamor em vista de uma nova ordem nacional e internacional, onde o cumprimento da justi\u00e7a seja de tal monta que n\u00e3o haja necessidade de buscar noutro pa\u00eds o que n\u00e3o h\u00e1 no pr\u00f3prio. conforme o expressa o Papa: \u201cconsolidar a paz (pela justi\u00e7a) para que n\u00e3o ter que emigrar\u201d. Para al\u00e9m de cerca de cinco milh\u00f5es  de emigrantes de portugal e dos que continuam a \u201cemigrar\u201d, li, h\u00e1 2 meses, no Luxemburgo no jornal portugu\u00eas (e cito-o pelo nome) \u201cCorreio\u201d: \u201ctodas as semanas chegam aqui novos portugueses \u00e0 procura de trabalho\u201d. o que dizer sobre esta verdade, tida como tal? Porque n\u00e3o publicitar que, desde 1990, em confronto com os cerca de quinhentos mil estrangeiros que entraram no nosso pa\u00eds, cerca de trezentos mil portugueses sa\u00edram, em novos fluxos migrat\u00f3rios?  3. Os emigrantes portugueses encontraram nos v\u00e1rios pa\u00edses do mundo, por parte de sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas, idos do seu pa\u00eds natal, um acolhimento de ternura e de respeito que a f\u00e9 inspirou.  Conforme escreveu um dos mais brilhantes soci\u00f3logos portugueses: \u201c esta nossa experi\u00eancia dever-nos-ia ensinar a compreender o desenraizamento em que se encontram os estrangeiros em Portugal\u201d&#8230; Pedimos por interm\u00e9dio de Nossa Senhora, m\u00e3e de todos os caminhos, Senhora de F\u00e1tima, \u201ca mudan\u00e7a da nossa mentalidade nestas andan\u00e7as da hospitalidade, e a quem o pode e deve, o realizar por obras o que sempre foi afirmado em prop\u00f3sitos. Por que raz\u00e3o Portugal n\u00e3o assinou at\u00e9 hoje, por exemplo, a \u201dconven\u00e7\u00e3o internacional sobre a protec\u00e7\u00e3o dos  direitos dos trabalhadores migrantes e membros de suas fam\u00edlias\u201d, adoptada pela ONU em 1991 e que entrou em vigor no ano passado. Porqu\u00ea? \u00c9 bem preciso que a prociss\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento, entre em Portugal, como noutros pa\u00edses, \u201csem p\u00e1lio, nem ornamentos&#8230;\u201d. Os desafortunados ocupam o primeiro lugar no banquete do Evangelho, bem \u00e0 frente dos \u201cimportantes\u201d que recusaram o convite! A imigra\u00e7\u00e3o s\u00f3 se controla dando todos os direitos aos trabalhadores estrangeiros e suas fam\u00edlias. A f\u00e9 crist\u00e3 convida-nos a ir sempre mais longe.  4. No \u00faltimo natal, pensando nas crian\u00e7as que n\u00e3o puderam entrar em Portugal, nas dificuldades burocr\u00e1ticas que ainda se notam no reagrupamento familiar e em terr\u00edveis casos de maltrato, entre n\u00f3s, enviei a muitas pessoas este retrato do \u201cmenino Jesus\u201d:  \u201cAcolhe este rosto este rosto de crian\u00e7a expulsa de fronteiras, sem lugar em nome do bom senso. acolhe esta crian\u00e7a perseguida molestada, ao pre\u00e7o dos sil\u00eancios \u00e9 noite de natal!\u201d  Hoje tamb\u00e9m o menino dever\u00e1 nasce por Maria, neste Santu\u00e1rio de F\u00e1tima, atrav\u00e9s de novas atitudes. Estamos a viver a Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es.  \u201cN\u00e3o oprimir\u00e1s o estrangeiro\u201d! \u201cVem bendito de meu pai porque eu era peregrino\/ migrante e tu me socorrestes\u201d  + D. Janu\u00e1rio Torgal Mendes Ferreira, Presidente da comiss\u00e3o episcopal de migra\u00e7\u00f5es e turismo  F\u00e1tima, 12 de Agosto de 2004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de D. 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