{"id":7209,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/emigrar-nao-e-crime\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"emigrar-nao-e-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/emigrar-nao-e-crime\/","title":{"rendered":"Emigrar n\u00e3o \u00e9 crime!"},"content":{"rendered":"<p>Na Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira, presidente da comiss\u00e3o episcopal de migra\u00e7\u00f5es e turismo, avalia para a ECCLESIA a ac\u00e7\u00e3o da Igreja na defesa dos emigrantes e imigrantes <!--more--> D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira, presidente da comiss\u00e3o episcopal de migra\u00e7\u00f5es e turismo, avalia para a ECCLESIA a ac\u00e7\u00e3o da Igreja na defesa dos emigrantes e imigrantes.  <i>Programa ECCLESIA \u2013 O tema adoptado em Portugal para a Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es \u00e9 \u201cConsolidar a paz para n\u00e3o ter de emigrar\u201d, sugerido pelo Papa. Para que problemas se quer alertar com esta escolha? D. Janu\u00e1rio Torgal Ferreira &#8211; <\/i> Eu acho que o Papa coloca mais uma vez o dedo na ferida, como o fizera quando disse ao presidente Bush que n\u00e3o era l\u00edcito invadir o Iraque. Ent\u00e3o, como agora, falava na necessidade de construir uma nova ordem internacional. Relativamente \u00e0s estruturas migrat\u00f3rias, diz o que todos n\u00f3s sentimos e que precis\u00e1vamos que fosse verbalizado com autoridade moral: se os pa\u00edses tivessem condi\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a, relativamente a qualquer nacional, um franc\u00eas n\u00e3o teria de ir viver para a It\u00e1lia ou um portugu\u00eas n\u00e3o teria de viver para o sul da Alemanha ser carpinteiro, conduzir um t\u00e1xi&#8230; Se tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es materiais e se cumprissem os direitos, os emigrantes seriam menos. Conto-lhe este caso: recentemente estive no Luxemburgo e perguntei a uma jovem por que raz\u00e3o emigrara e n\u00e3o ficou em Portugal. Ela respondeu-me: \u201cquem me dera a mim ficar na nossa terra, mas eu vim para o Luxenburgo porque em Portugal n\u00e3o h\u00e1 emprego\u201d. Portanto, se os pa\u00edses oferecerem estabilidade humana, econ\u00f3mica e social, com forte solidez pol\u00edtica, s\u00f3 por esp\u00edrito de aventura ou de loucura se emigraria. Tenho pena de que os portugueses olhem para os imigrantes como gente que veio fazer turismo!  <i>E \u2013 Esta paz de que fala o tema \u00e9, ent\u00e3o constru\u00e7\u00e3o de novas estruturas sociais&#8230; JTF &#8211; <\/i> Se os direitos de cada pessoa forem restabelecidos e solidificados em cada pa\u00eds, \u00e9 evidente que as pessoas n\u00e3o precisar\u00e3o de sair dele. Eu n\u00e3o venho aqui advogar nenhuma revolu\u00e7\u00e3o, mas num pa\u00eds como o nosso, que tem pelo mundo fora quase 5 milh\u00f5es de portugueses, temos tido a sorte de que essas pessoas n\u00e3o tenham querido regressar a Portugal para exigir melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3mico-sociais. Muitas acusam a Igreja de ser a favor da emigra\u00e7\u00e3o, mas n\u00f3s somos \u00e9 a favor de que os pa\u00edses resolvam os seus problemas. Muita gente tem medo da emigra\u00e7\u00e3o, porque este fen\u00f3meno migrat\u00f3rio volta-se contra os respons\u00e1veis: se 5 milh\u00f5es de pessoas sa\u00edram de Portugal n\u00e3o foi para passar f\u00e9rias, mas trabalhar no duro. A quem diz que eles podiam ficar em Portugal, \u00e9 preciso responder: arranjem empregos, assegurem justi\u00e7a nos sal\u00e1rios.  <i>E \u2013 H\u00e1 quem advogue a vinda de emigrantes com interesses pouco honestos&#8230; JTF &#8211; <\/i> Esse \u00e9 um dos problemas, do ponto de vista sociol\u00f3gico: os emigrantes s\u00e3o uma fonte de desenvolvimento, mas percebemos que s\u00e3o m\u00e3o-de-obra barata. No m\u00eas de Julho estivemos reunidos em \u00c9vora (os secretariados diocesanos das migra\u00e7\u00f5es, ndr) e ouvimos uma li\u00e7\u00e3o magn\u00edfica da professora de geografia da faculdade de letras de Coimbra sobre o desenvolvimento do Alentejo com o concurso dos emigrantes, que evitam a desertifica\u00e7\u00e3o de certas zonas. H\u00e1, por outro lado, portugueses e portuguesas que acham \u00f3ptimo ter uma ucraniana ou uma moldava ao seu servi\u00e7o e pagar-lhes muit\u00edssimo menos do que pagariam a um nacional. \u00c9 contra esta indignidade que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o se pode calar.  <i>E \u2013 H\u00e1 ainda o problema do desemprego&#8230; JTF &#8211; <\/i> Essa \u00e9 outra quest\u00e3o sobre a qual os dirigentes deveriam ter humanismo e n\u00e3o dar facilidades: constru\u00edram-se os est\u00e1dios do Euro-2004 com m\u00e3o-de-obra barata, sobretudo dos pa\u00edses lus\u00f3fonos, e agora n\u00e3o se sabe para onde v\u00e3o estes homens e as suas fam\u00edlias. Para a ilegalidade? Para a escravatura? Para a marginalidade? Por outro lado, temos o caso dos portugueses que n\u00e3o encontram c\u00e1 condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis e t\u00eam de rumar ao estrangeiro. No Luxemburgo vi que havia portugueses em busca de trabalho, a chegar todas as semanas! \u00c9 a aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es ajustadas que leva homens e mulheres com fam\u00edlia constitu\u00edda a buscar melhores condi\u00e7\u00f5es de vida no estrangeiro.  Devo dizer ainda que a vaga recente de emigra\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser engrossada com gente licenciada, quadros superiores. Mais ainda, dizem que temos 500 mil imigrantes em Portugal: sabem quantas pessoas fugiram do nosso pa\u00eds para locais de emigra\u00e7\u00e3o? Nunca foi dito: 300 mil portugueses foram para o estrangeiro nestes \u00faltimos tempos.  <i>E \u2013 H\u00e1 32 anos que a Igreja tem uma semana dedicada a estas quest\u00f5es. O que \u00e9 que se pretende com esta iniciativa? JTF &#8211; <\/i> Pretende-se dizer aos emigrantes que no estrangeiro podem contar com a presen\u00e7a da Igreja portuguesa \u2013 porque desde a Am\u00e9rica \u00e0 Austr\u00e1lia encontramos padres e leigos portugueses junto dos nossos \u2013 e dar-lhes as boas vindas neste per\u00edodo de f\u00e9rias em que regressam ao pa\u00eds para estar com eles, n\u00e3o contra ningu\u00e9m, e alertar Portugal para a necessidade de que a emigra\u00e7\u00e3o pare e se ofere\u00e7am condi\u00e7\u00f5es de vida condignas. Queremos tamb\u00e9m dizer \u00e0s pessoas que s\u00e3o os crit\u00e9rios de Jesus Cristo e n\u00e3o os pol\u00edticos que guiam a nossa ac\u00e7\u00e3o.   <i>E \u2013 Est\u00e1 satisfeito com a mobiliza\u00e7\u00e3o da Igreja no apoio \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o? JTF &#8211; <\/i> Eu terei de dizer, francamente, sem equilibrismos, que estou satisfeito, de forma gen\u00e9rica, mas que permane\u00e7o insatisfeito no que diz respeito \u00e0 primeira imigra\u00e7\u00e3o \u2013 a africana \u2013 onde n\u00e3o houve o cuidado que houve com a imigra\u00e7\u00e3o de gente de ra\u00e7a branca, com prepara\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica mais apurada. Um irm\u00e3o africano \u00e9 t\u00e3o irm\u00e3o como os outros estrangeiros. Por outro lado, do ponto de vista diocesanos h\u00e1 coisas magn\u00edficas, mas n\u00e3o me escuso de dizer que neste sector ter\u00edamos obriga\u00e7\u00e3o de ir muito mais longe. Temos travado alguns combates \u2013 muito importantes para n\u00f3s \u2013 que alguma opini\u00e3o p\u00fablica acha menos agrad\u00e1veis: assumimos a diferen\u00e7a, discordamos de algumas coisas porque entendemos que a legisla\u00e7\u00e3o restritiva quanto \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o tem sido um pecado mortal dos \u00faltimos governos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, D. 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