{"id":7193,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/imigrantes-sem-ferias-mas-com-muita-burocracia\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"imigrantes-sem-ferias-mas-com-muita-burocracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/imigrantes-sem-ferias-mas-com-muita-burocracia\/","title":{"rendered":"Imigrantes sem f\u00e9rias, mas com muita burocracia"},"content":{"rendered":"<p>Na semana que a Igreja Cat\u00f3lica dedica \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, apresentamos uma entrevista com a directora do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados <!--more--> <i>Na semana que a Igreja Cat\u00f3lica dedica \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, apresentamos uma entrevista com a directora do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados, Maria do Ros\u00e1rio Farmhouse. Porque, se h\u00e1 bem poucos anos, eram os emigrantes quer marcavam esta semana, cada vez mais h\u00e1 necessidade de espa\u00e7os de an\u00e1lise e reflex\u00e3o sobre aqueles que chegaram ao nosso pa\u00eds \u00e0 procura de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/i>  O Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados (JRS) \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional da Igreja Cat\u00f3lica, sob a responsabilidade da Companhia de Jesus (Jesu\u00edtas). Foi fundado em 1980, pelo Padre Pedro Arrupe, ent\u00e3o Superior Geral da Companhia de Jesus, vendo nos refugiados os mais desprotegidos deste mundo.  O JRS tem como miss\u00e3o &#8220;acompanhar, servir e defender&#8221; os direitos das pessoas refugiadas e deslocadas \u00e0 for\u00e7a, em qualquer parte do mundo.  Hoje est\u00e1 em 70 pa\u00edses. Nos pa\u00edses lus\u00f3fonos, exerce a sua ac\u00e7\u00e3o em Portugal, Angola, Brasil e Timor Leste.   ECCLESIA \u2013 Esta Semana Nacional das Migra\u00e7\u00f5es acontece num m\u00eas que \u00e9 tradicionalmente dedicado \u00e0s f\u00e9rias, mas h\u00e1 muitos imigrantes para quem isso n\u00e3o ser\u00e1 uma realidade. Maria do Ros\u00e1rio Farmhouse \u2013 \u00c9 verdade, grande parte dos imigrantes em Portugal est\u00e1 a trabalhar nesta altura do ano, que \u00e9 precisamente quando h\u00e1 mais procura. Nem todos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es para ir ao seu pa\u00eds.  E \u2013 Essa \u00e9 uma realidade muito pr\u00f3xima da dos emigrantes portugueses das d\u00e9cadas de 50 e 60&#8230; MRF \u2013 H\u00e1 de facto muitas semelhan\u00e7as, porque os primeiros anos s\u00e3o os de resolver tudo, organizar a vida, e s\u00f3 depois come\u00e7ar a pensar num eventual retorno ao pa\u00eds de origem. Muitos ainda est\u00e3o s\u00f3s, n\u00e3o t\u00eam c\u00e1 a fam\u00edlia, e a prioridade \u00e9 juntar dinheiro.  E \u2013 Que problemas trazem para os imigrantes os vazios criados pelo per\u00edodo de f\u00e9rias? MRF \u2013 A maioria dos servi\u00e7os de apoio aos imigrantes est\u00e3o encerrados, para come\u00e7ar. Logo, um imigrante que esteja numa afli\u00e7\u00e3o tem menos s\u00edtios onde recorrer. Contudo, devemos ter em conta que a grande dor de cabe\u00e7a \u00e9 n\u00e3o ter onde deixar os filhos, porque n\u00e3o t\u00eam ningu\u00e9m de fam\u00edlia e est\u00e3o a trabalhar. Conhecemos muitos casos desses, com filhos a ficarem sozinhos em casa, que nos preocupam muito.  E \u2013 N\u00e3o se conhecem projectos a pensar especificamente nestes problemas de ver\u00e3o? MRF \u2013 N\u00e3o, ainda s\u00f3 estamos a tentar come\u00e7ar. O importante \u00e9 que come\u00e7am a aparecer algumas preocupa\u00e7\u00f5es e interac\u00e7\u00f5es, para acolher e ajudar imigrantes. O problema \u00e9 que aquilo que se conhece \u00e9, geralmente, dispendioso.  E \u2013 A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais f\u00e1cil para quem n\u00e3o tem c\u00e1 fam\u00edlia&#8230; MRF \u2013 N\u00e3o, o reagrupamento familiar ainda est\u00e1 muito atrasado e isso faz com que as pessoas passem quase um ano \u00e0 espera dos seus. Isto traz uma instabilidade emocional enorme, principalmente para os que n\u00e3o podem ir ao seu pa\u00eds de origem. Outra circunst\u00e2ncia que impede as sa\u00eddas \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o dos vistos, que neste momento n\u00e3o tem um processo de renova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica: os imigrantes recebem um papel para renovar os vistos apenas passados 4\/5 meses.  E \u2013 H\u00e1 casos de sucesso no \u00e2mbito do reagrupamento familiar? MRF \u2013 Sim, temos tido alguns casos de sucesso, at\u00e9 porque s\u00e3o processos muit\u00edssimo dolorosos: as crian\u00e7as ficam com a sensa\u00e7\u00e3o de abandono \u2013 a data vai-se prolongando, porque a burocracia \u00e9 muita \u2013 e espero que rapidamente eles andem mais depressa.  E \u2013 Em rela\u00e7\u00e3o aos problemas do reconhecimento de habilita\u00e7\u00f5es acad\u00e9micas, qual \u00e9 o ponto da situa\u00e7\u00e3o? MRF \u2013 O problema dos m\u00e9dicos est\u00e1 a seguir o seu curso e dos 120 m\u00e9dicos temos 74 que s\u00e3o reconhecidos como tal em Portugal. Estamos a iniciar um programa para enfermeiros, juntamente com a Funda\u00e7\u00e3o Gulbenkian, a Escola de Enfermagem Francisco Gentil e a Santa Casa da Miseric\u00f3rdia de Lisboa. Noutras \u00e1reas ainda h\u00e1 muito por fazer no reconhecimento das qualifica\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 uma pena!  E \u2013 At\u00e9 que ponto a popula\u00e7\u00e3o imigrante marca a celebra\u00e7\u00e3o da Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es? MRF \u2013 Marca muito, como j\u00e1 come\u00e7a a acontecer, por exemplo, nos festejos das aldeias. Portugal est\u00e1 a mudar, est\u00e1 melhor, e todos os pa\u00edses que se abriram \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o atingiram n\u00edveis de desenvolvimento not\u00e1veis. N\u00f3s n\u00e3o estamos a ser invadidos e eu acho que a presen\u00e7a significativa de imigrantes altera muito a nossa realidade.  E &#8211; At\u00e9 que ponto o tempo def\u00e9rias, que \u00e9 tempo de mobilidade, ajuda a aceitar a popula\u00e7\u00e3o imigrante? MRF &#8211; Penso que nas f\u00e9rias temos uma maior toler\u00e2ncia ao estrangeiro, logo acabamos por nos habituarmos \u00e0 sua presen\u00e7a e perceber melhor o que \u00e9 estar fora, n\u00e3o conhecer a l\u00edngua&#8230; Espero \u00e9 que esta atitude se prolongue ao longo do resto do ano.   <B>Dossier AE<\/B> <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/temas.asp?tipoid=204\">\u2022 Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana que a Igreja Cat\u00f3lica dedica \u00e0s migra\u00e7\u00f5es, apresentamos uma entrevista com a directora do Servi\u00e7o Jesu\u00edta aos Refugiados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[106,122,154,206,211,236,258,291,307,318],"class_list":["post-7193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-angola","tag-brasil","tag-crianca","tag-familia","tag-ferias","tag-jesuitas","tag-migracoes","tag-refugiados","tag-semana-nacional-de-migracoes","tag-timor-leste"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7193\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}