{"id":71797,"date":"2015-04-10T10:56:00","date_gmt":"2015-04-10T10:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/04\/10\/misericordia-o-braco-da-igreja-para-chegar-aos-que-estao-longe\/"},"modified":"2015-04-10T10:56:00","modified_gmt":"2015-04-10T10:56:00","slug":"misericordia-o-braco-da-igreja-para-chegar-aos-que-estao-longe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/misericordia-o-braco-da-igreja-para-chegar-aos-que-estao-longe\/","title":{"rendered":"Miseric\u00f3rdia, o bra\u00e7o da Igreja para chegar aos que est\u00e3o longe"},"content":{"rendered":"<p>O cardeal D. Oscar Rodr\u00edguez Maradiaga, arcebispo de Tegucigalpa, Honduras, e presidente da C\u00e1ritas Internacional, esteve em Portugal e antecipou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA o que pode significar para a Igreja e para a sociedade, no seu todo, o jubileu que o Papa Francisco convocou, centrando as aten\u00e7\u00f5es na miseric\u00f3rdia e na aten\u00e7\u00e3o aos que mais sofrem <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; O Papa decidiu convocar um Jubileu da Miseric&oacute;rdia, um Ano Santo com aten&ccedil;&atilde;o especial para os que mais sofrem. Como podemos compreender este gesto?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>D. Oscar Rodr&iacute;guez Maradiaga (ORM)<\/em> &#8211; O Santo Padre viveu na sua pr&oacute;pria pele esta necessidade de sublinhar a miseric&oacute;rdia. Ao celebrar os dois anos de pontificado do Papa Francisco, no meu pa&iacute;s, dizia que se tivesse de o resumir em poucas palavras, a primeira seria miseric&oacute;rdia, a primeira. Ele vive profundamente no cora&ccedil;&atilde;o de Cristo e apercebe-se de que as pessoas n&atilde;o precisam de mais Teologia &#8211; e depois de um Papa te&oacute;logo como Bento XVI, &eacute; muito dif&iacute;cil que algu&eacute;m tenha a pretens&atilde;o de o completar.<\/p>\n<p> \tA doutrina est&aacute; feita, o que &eacute; preciso &eacute; que as pessoas se aproximem da Igreja, inclusive os cat&oacute;licos que se mantiveram a uma certa dist&acirc;ncia. Para trazer as pessoas para perto da Igreja, eram necess&aacute;rios sinais como os que o Papa Francisco est&aacute; a cumprir, uma Igreja em sa&iacute;da, que d&ecirc; &ldquo;sarilhos&rdquo;, como ele diz, que seja uma esp&eacute;cie de hospital de campanha para curar tantas feridas.<\/p>\n<p> \tA mim sensibilizou-me muito esta express&atilde;o, porque h&aacute; muitos cat&oacute;licos que precisam de cura e n&atilde;o v&atilde;o &agrave; cl&iacute;nica especializada, mas ao hospital de campanha, ao p&aacute;roco que est&aacute; perto deles, que vive no bairro, e que tem a sua confian&ccedil;a, porque os conhece todos.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Esta &eacute; uma mensagem que vale tanto para a Europa como para a Am&eacute;rica Latina&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>ORM &#8211;<\/em> Tamb&eacute;m na Europa, com o S&iacute;nodo da Fam&iacute;lia, vimos tantas feridas, tantos sofrimentos, tantas fam&iacute;lias que fracassaram e querem come&ccedil;ar uma nova alian&ccedil;a, mas deparam com uma quantidade de limites muito fortes, que os impedem de viver intensamente a sua f&eacute;. Alguns interpretaram mal o desejo que o Santo Padre de ir ao encontro de quem est&aacute; longe: pensam que &eacute; hipotecar a doutrina.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o, e ele j&aacute; o disse muitas vezes. Na doutrina da Igreja h&aacute; coisas que podem mudar e outras que n&atilde;o v&atilde;o mudar nunca, porque v&ecirc;m diretamente do Senhor Jesus Cristo. O facto de a doutrina existir n&atilde;o quer dizer, no entanto, que &eacute; melhor que aqueles que &#8211; por qualquer raz&atilde;o &#8211; n&atilde;o conseguem chegar a essa meta v&atilde;o para o inferno ou para outro lugar. A pastoral &eacute; precisamente o cuidado das ovelhas e n&atilde;o s&oacute; das que est&atilde;o saud&aacute;veis, mas sobretudo das fracas, das doentes, das que est&atilde;o em crise.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Faz sentido contrapor doutrina &agrave; miseric&oacute;rdia?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>ORM &#8211;<\/em> O Papa tem dito que ningu&eacute;m est&aacute; fora da miseric&oacute;rdia e isso para mim abriu caminho para muit&iacute;ssimas pessoas que estavam afastadas. J&aacute; S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II, na sua segunda enc&iacute;clica, &lsquo;Dives in misericordia&rsquo;, exp&otilde;e claramente todo o que &eacute; a doutrina (sobre a miseric&oacute;rdia), mas caiu no esquecimento.<\/p>\n<p> \tJulgo que o atual Papa est&aacute; a querer chamar a aten&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a pedir que voltemos &agrave; miseric&oacute;rdia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; O Jubileu vai servir para recordar esta mensagem?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>ORM &#8211;<\/em> Certamente. Em primeiro lugar, temos de perceber o que &eacute; um jubileu na B&iacute;blia: era uma esp&eacute;cie de perd&atilde;o geral. Perdoavam-se at&eacute; as d&iacute;vidas, da&iacute; surgiu essa grande iniciativa de S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II de pedir o perd&atilde;o da d&iacute;vida externa de muitos pa&iacute;ses, em que eu trabalhei muito, muito a fundo. Acredito que este foi um grande sinal.<\/p>\n<p> \tO jubileu na B&iacute;blia n&atilde;o se referia s&oacute; &agrave;s d&iacute;vidas mas tamb&eacute;m &agrave; liberdade, &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o dos escravos, por exemplo, dos que estavam submetidos, por diversas raz&otilde;es, a outras pessoas. O jubileu era quase como encontrar &#8211; como a palavra diz &#8211; j&uacute;bilo, alegria, um ano de gra&ccedil;a do Senhor.<\/p>\n<p> \tDo meu ponto de vista, o que o Papa pensa &eacute; isto: &lsquo;Olhem, h&aacute; dois anos que estou a falar disto e ainda n&atilde;o o entendem&rdquo;. Por isso, vem deixar bem clara a sua mensagem.<\/p>\n<p> \tUm ano santo tem uma repercuss&atilde;o muito grande para os fi&eacute;is, dado que h&aacute; uma s&eacute;rie de benef&iacute;cios espirituais que muitas pessoas ignoram. Neste ano, por certo, teremos de esfor&ccedil;ar-nos mais nesta &ldquo;pastoral dos afastados&rdquo;, para aproxim&aacute;-los, para ir at&eacute; eles. N&atilde;o por proselitismo, e isso &eacute; um outro ponto interessante: h&aacute; dias lia um inqu&eacute;rito no qual se dizia que a Igreja Cat&oacute;lica estava a perder fi&eacute;is. Depende da forma como olhamos: se vou ao Anu&aacute;rio Pontif&iacute;cio, a Igreja cresce todos os anos, tamb&eacute;m na Am&eacute;rica Latina, por causa dos novos batizados.<\/p>\n<p> \tOs que v&atilde;o embora &#8211; e digo-o com todo o respeito &#8211; &eacute; porque nunca estiveram. Foram batizados por tradi&ccedil;&atilde;o, mas nunca cresceram na Igreja porque n&atilde;o tiveram educa&ccedil;&atilde;o na f&eacute;, diziam-se cat&oacute;licos mas encontraram estas novas comunidades que s&atilde;o muito pr&oacute;ximas, fisicamente: no bairro onde ainda n&atilde;o h&aacute; uma par&oacute;quia, aparecem quatro ou cinco outras igrejas numa garagem.<\/p>\n<p> \tO Papa pede que cheguemos tamb&eacute;m a estas pessoas, n&atilde;o por proselitismo, repito, mas para partilhar o que temos. N&atilde;o vamos conquistar ningu&eacute;m, mas queremos partilhar, para que eles aprendam o que &eacute; a sua Igreja, que n&atilde;o conheciam e que deixaram.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Em Braga falou do &lsquo;crist&atilde;o na a&ccedil;&atilde;o social&rsquo;. A a&ccedil;&atilde;o do crist&atilde;o n&atilde;o deveria ser sempre social?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>ORM &#8211;<\/em> Efetivamente &eacute; assim, mas nalguns momentos pensava-se apenas em enfatizar a dimens&atilde;o vertical: &ldquo;Eu entendo-me com o meu Deus, os outros que se entendam com o seu&rdquo;. Como vivemos numa sociedade individualista, especialmente nalgumas culturas, a dimens&atilde;o comunit&aacute;ria &eacute; desvalorizada.<\/p>\n<p> \tPor esse motivo, &eacute; t&atilde;o necess&aacute;rio que a dimens&atilde;o social entre na evangeliza&ccedil;&atilde;o. J&aacute; o Papa Paulo VI na &lsquo;Evangelii Nuntiandi&rsquo; dizia que a evangeliza&ccedil;&atilde;o era incompleta sem a promo&ccedil;&atilde;o humana. Este &eacute; o grande compromisso, sobretudo depois do Conc&iacute;lio Vaticano II. Em dezembro, vamos celebrar os 50 anos da &lsquo;Gaudium et Spes&rsquo;, documento prof&eacute;tico que sacudiu a Igreja e que motivou uma maior organiza&ccedil;&atilde;o da pastoral social.<\/p>\n<p> \tA Igreja sempre se preocupou com a a&ccedil;&atilde;o social, sublinhando sobretudo as obras de miseric&oacute;rdia, com base no Evangelho de S&atilde;o Mateus &#8211; &lsquo;tive fome e deste-me se comer&hellip;&rsquo;. Gra&ccedil;as a Deus, hoje trabalha-se nas dimens&otilde;es pol&iacute;ticas, sociais, culturais e econ&oacute;micas. O Comp&ecirc;ndio da Doutrina Social da Igrejas tem vastos cap&iacute;tulos a este respeito.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; J&aacute; em Fafe falou sobre a Justi&ccedil;a, que &eacute; um tema muito teol&oacute;gico&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>ORM &#8211;<\/em> Sim, &eacute; algo que tem muito a ver com a pr&aacute;tica do Cristianismo, porque muitos reduzem a justi&ccedil;a &agrave; justi&ccedil;a distributiva, &agrave; justi&ccedil;a comutativa ou &agrave; justi&ccedil;a legal, esquecendo a dimens&atilde;o social, que &eacute; precisamente um dos temas mais fortes na sociedade de hoje e em todos os pa&iacute;ses, tamb&eacute;m aqui em Portugal. Penso que vale a pena que a Igreja sublinhe, de modo especial com o laicado, a necessidade de um compromisso social mais exigente.<\/p>\n<p> \t<em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cardeal D. 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