{"id":717,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-nova-vaga-da-informacao\/"},"modified":"2018-03-06T14:02:06","modified_gmt":"2018-03-06T14:02:06","slug":"a-nova-vaga-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-nova-vaga-da-informacao\/","title":{"rendered":"A nova vaga da informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Para simplificar, voltemos apenas dez anos atr\u00e1s. Era imposs\u00edvel ver o que hoje vemos na primeira p\u00e1gina de qualquer jornal generalista. E mesmo as televis\u00f5es, j\u00e1 em tempo de concorr\u00eancia, n\u00e3o se atreviam a uma informa\u00e7\u00e3o t\u00e3o crua sobre quest\u00f5es como o crime, a viol\u00eancia, o sexo ou mesmo os casos de sa\u00fade ou justi\u00e7a. Por essas alturas \u2013 lembre-se que a televis\u00e3o em Portugal nasceu duas vezes, uma estatal, outra privada \u2013 o aparecimento de novos canais veio abrir uma rotura quase semelhante ao 25 de Abril, num completo desafio aos modelos convencionais de informa\u00e7\u00e3o e divertimento, mesmo em liberdade. O conceito de sensacionalismo, explora\u00e7\u00e3o informativa do interdito, secreto e mesmo privado, tinha outras dimens\u00f5es. Dir-se-ia que era outra \u00e9tica, outro o contexto de fontes, outra a utiliza\u00e7\u00e3o do segredo, mesmo de justi\u00e7a. Grande parte dos jornalistas rejeitar\u00e1 as objec\u00e7\u00f5es \u00e0s novas regras de informa\u00e7\u00e3o que hoje, tacitamente, inspiram o mercado da not\u00edcia. Na situa\u00e7\u00e3o em que estamos, quem cala consente e o jornalismo que n\u00e3o anunciar e denunciar pessoas e casos que infrinjam direitos a indefesos, parece trair a verdade e o servi\u00e7o do povo, sobretudo daquele que n\u00e3o tem acesso \u00e0 justi\u00e7a eficaz e c\u00e9lere. Por isso os roubos, assaltos, viola\u00e7\u00f5es e desaven\u00e7as s\u00e3o contados ao pormenor de intriga de aldeia, como se todos fal\u00e1ssemos \u00e1 boca pequena do que acontece aos nossos vizinhos e das in\u00fameras desgra\u00e7as que alastram pelo nosso pequeno bairro. Acresce a todo este emaranhado que a moralidade p\u00fablica vive de mar\u00e9s. As modas condicionam as exalta\u00e7\u00f5es e a rejei\u00e7\u00e3o de atitudes que se transformam em virtudes ou pecados da \u00e9poca. H\u00e1 claros benef\u00edcios p\u00fablicos com a supress\u00e3o de privilegiados intoc\u00e1veis ou imunes. Mas h\u00e1 novas oportunidades e pretextos para a pr\u00e1tica de injusti\u00e7as e crueldades irrepar\u00e1veis. E se a pena de morte \u00e9 conden\u00e1vel por que nunca restitui a vida a ningu\u00e9m que foi injustamente condenado, tamb\u00e9m aqui resulta irremediavelmente perdido quem cai nas garras de um testemunho falso ampliado pelos media em todas as pra\u00e7as da terra. Talvez, por isso, seja um tempo prop\u00edcio para lan\u00e7ar novos desafios \u00e9ticos \u00e0 nova vaga de informa\u00e7\u00e3o. A Pacem in Terris, h\u00e1 quarenta anos, apelava \u00e0 consci\u00eancia da humanidade para qualquer situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a geradora de guerra entre pessoas, grupos e na\u00e7\u00f5es. Os jornalistas do terceiro mil\u00e9nio t\u00eam de perguntar-se que contributo oferecem para justi\u00e7a e para paz no pa\u00eds real que vivemos. Ant\u00f3nio Rego <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para simplificar, voltemos apenas dez anos atr\u00e1s. 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