{"id":7141,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/igreja-catolica-em-portugal-lanca-reflexao-sobre-a-mobilidade-humana\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"igreja-catolica-em-portugal-lanca-reflexao-sobre-a-mobilidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-catolica-em-portugal-lanca-reflexao-sobre-a-mobilidade-humana\/","title":{"rendered":"Igreja Cat\u00f3lica em Portugal lan\u00e7a reflex\u00e3o sobre a Mobilidade Humana"},"content":{"rendered":"<p><i>Coment\u00e1rio da OCPM para os Secretariados Diocesanos de Migra\u00e7\u00f5es  sobre \u201cA caridade de Cristo para com os migrantes\u201d (Erga Migrantes Caritas Christi), a nova Instru\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 sobre a Mobilidade Humana<\/i>  Est\u00e1-se diante de uma Instru\u00e7\u00e3o muito esperada pelas Igrejas particulares devido \u00e1 necessidade muito sentida no terreno pelos operadores pastorais de actualizar a reflex\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o da Igreja e, por conseguinte, de apresentar respostas de \u201cnova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d face \u00e1s r\u00e1pidas mudan\u00e7as vis\u00edveis no mundo da mobilidade humana hodierna.   Este documento, elaborado pelo Conselho Pontif\u00edcio para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes (CPPMI), a partir dos contributos escritos de muitas Igrejas particulares, chegou a ser pedido pelos congressistas no \u00faltimo Congresso Mundial da Pastoral de Migra\u00e7\u00f5es de 2003, realizado em Roma, que fosse publicado sob a forma de Enc\u00edclica pelo Papa. A inten\u00e7\u00e3o era de ressaltar a sua urgente oportunidade e import\u00e2ncia pastoral, e de vincular mais as Conferencias Episcopais a esta realidade m\u00f3vel, intercultural e mission\u00e1ria da vida da Igreja.  As pessoas e estruturas da Pastoral das Migra\u00e7\u00f5es da Igreja em Portugal e junto das Comunidades Cat\u00f3licas de L\u00edngua Portuguesa acolhem com responsabilidade e satisfa\u00e7\u00e3o a \u201cvis\u00e3o\u201d e reflex\u00e3o subjacentes \u00e0 Instru\u00e7\u00e3o, assim como as Orienta\u00e7\u00f5es pastorais e o Ordenamento jur\u00eddico.   Desde a Nota Pastoral \u201cO Dever de Acolhimento\u201d (CEP, 2001) que nos encontramos, sob a guia atenta da Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo, numa fase de intensa sensibiliza\u00e7\u00e3o e maior forma\u00e7\u00e3o nas Dioceses, de reestrutura\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos Secretariados Diocesanos, da cria\u00e7\u00e3o de Capelanias e Comunidades de Imigrantes, da consolida\u00e7\u00e3o de parceiras com Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais crist\u00e3s (FORCIM) e outras da Sociedade Civil (Associa\u00e7\u00f5es de Imigrantes, Sindicatos, OIM, entre outras) e do Estado (ACIME). Contudo, quanto \u00e1s Miss\u00f5es e Comunidades Cat\u00f3licas de L\u00edngua Portuguesa da di\u00e1spora, suas estruturas interm\u00e9dias (mission\u00e1rios, agentes pastorais, delega\u00e7\u00f5es, capelanias) prosseguir-se-\u00e1 na reflex\u00e3o e revis\u00e3o dos actuais \u201cModelos de pastoral\u201d em comunh\u00e3o com as Igrejas de acolhimento e no pr\u00f3prio seio da CEP. Urge despertar as Dioceses portuguesas para um renovado esp\u00edrito mission\u00e1rio e uma nova corresponsabiliza\u00e7\u00e3o pastoral, na resposta aos novos desafios sociais e religiosos que as Comunidades apresentam e enfrentam.   Iluminar, com esta Instru\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9, as mudan\u00e7as e sugest\u00f5es que a Comiss\u00e3o Episcopal de Migra\u00e7\u00f5es e Turismo tem vindo a propor \u00e1s dioceses desde o Jubileu 2000, refor\u00e7a a atitude de \u201cintegra\u00e7\u00e3o\u201d desta pastoral espec\u00edfica dentro do planeamento e da pastoral ordin\u00e1ria da Igreja e de consolida\u00e7\u00e3o das estruturas \u201cmission\u00e1rias\u201d para a Imigra\u00e7\u00e3o e para a Emigra\u00e7\u00e3o, assim como auxilia na preven\u00e7\u00e3o de futuros problemas que possam vir a surgir a n\u00edvel social, eclesial, ecum\u00e9nico e inter-religioso.  Segue, portanto, um breve coment\u00e1rio, \u00e1 guisa de introdu\u00e7\u00e3o, para situar e guiar melhor os operadores da pastoral das migra\u00e7\u00f5es das dioceses na leitura, compreens\u00e3o, debate do texto e das suas implica\u00e7\u00f5es para uma pastoral renovada nas Dioceses em Portugal e nas Miss\u00f5es da Di\u00e1spora  O Documento divide-se em 4 partes. Ap\u00f3s uma Introdu\u00e7\u00e3o dedicada ao Fen\u00f3meno Migrat\u00f3rio hodierno, sem esquecer as Migra\u00e7\u00f5es internas (1-11), o documento na Parte I enfrenta teologicamente o tema das Migra\u00e7\u00f5es como \u201csinal dos tempos\u201d e apresenta as linhas orientadoras da solicitude hist\u00f3rica e doutrinal da Igreja (12-33). Na Parte II trata-se da diversidade cultural e religiosa que caracteriza a mobilidade e o di\u00e1logo que deve marcar a Pastoral do Acolhimento (34-69). Enquanto a Parte III se debru\u00e7a exaustivamente sobre os Agentes e Estruturas interm\u00e9dias de media\u00e7\u00e3o integrativa da Pastoral de Comunh\u00e3o (70-88), a Parte IV apresenta a Estrutura da Pastoral Mission\u00e1ria (89-95), terminando com uma Conclus\u00e3o dedicada \u00e1 Universalidade da Miss\u00e3o (96-104). No final da Instru\u00e7\u00e3o \u00e9 apresentado um Ordenamento Jur\u00eddico-Pastoral com 22 artigos para garantir os princ\u00edpios e orienta\u00e7\u00f5es que a Instru\u00e7\u00e3o pretende implementar nas Dioceses segundo o esp\u00edrito da Eclesiologia de Comunh\u00e3o.   <b>1. A Instru\u00e7\u00e3o actualiza a \u201cvis\u00e3o\u201d da Igreja sobre a Mobilidade<\/b> Estamos diante de uma actualiza\u00e7\u00e3o feita em continuidade com o Magist\u00e9rio da Igreja para a Mobilidade que tem na Constitui\u00e7\u00e3o \u201cExsul Fam\u00edlia\u201d (1952) de Pio XII, o seu primeiro e principal documento pastoral normativo, mas, no Concilio Vaticano II, no Direito Can\u00f3nico Ocidental e Oriental e no Magist\u00e9rio de Paulo VI e Jo\u00e3o Paulo II, a sua melhor explicita\u00e7\u00e3o doutrinal e jur\u00eddica.   Recorda como o \u201cacolhimento ao estrangeiro\u201d, com grande fundamenta\u00e7\u00e3o b\u00edblica, \u00e9 inerente \u00e0 pr\u00f3pria natureza da Igreja (n.22) e miss\u00e3o da Igreja (n.101).   Sublinha a dimens\u00e3o da Globaliza\u00e7\u00e3o e da Mundializa\u00e7\u00e3o da Mobilidade internacional, sem esquecer tamb\u00e9m o fen\u00f3meno das Migra\u00e7\u00f5es internas e o \u201cdrama\u201d dos refugiados. Critica abertamente a Globaliza\u00e7\u00e3o que abre os mercados, mas n\u00e3o as fronteiras; que deixa circular o capital, mas n\u00e3o as pessoas (n.4). Recorda ainda que a mobilidade est\u00e1 a tornar-se numa caracter\u00edstica \u201cpermanente e estrutural da vida social, econ\u00f3mica, cultural e religiosa\u201d (n.1) que favorece a passagem de uma sociedade monocultural e mono-religiosa a um mundo multicultural e plural religiosamente (n.9,100)  Tudo parte da dimens\u00e3o b\u00edblica e teol\u00f3gica do fen\u00f3meno da mobilidade e da \u00e9tica b\u00edblica do \u201cacolhimento ao estrangeiro\u201d, situando-o no processo da Hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o e apresentando-o por um lado, como \u201csinal eloquente dos desequil\u00edbrios sociais, econ\u00f3micos e demogr\u00e1ficos\u201d (n.1), por outro, numa \u201cleitura sapiencial\u201c, como \u201crealidade hist\u00f3rico-teol\u00f3gica\u201d que encerra magn\u00edficas potencialidades prof\u00e9ticas para a comunh\u00e3o, a paz e a fraternidade universal.   Valorizando particularmente a dimens\u00e3o ecum\u00e9nica dos cat\u00f3licos orientais de outro rito e dos n\u00e3o cat\u00f3licos, sublinha a import\u00e2ncia da dimens\u00e3o da pr\u00f3pria laicidade e do di\u00e1logo inter-religioso, sobretudo, com o Isl\u00e3o. Ao invocar a \u201cpurifica\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria\u201d (n. 65) e a lei da reciprocidade n\u00e3o deixa, no entanto, com firmeza, de afirmar que o di\u00e1logo \u00e9 para viver na verdade da f\u00e9 e no an\u00fancio crist\u00e3o que \u00e9 a alma da miss\u00e3o da Igreja.  <b>2. A Instru\u00e7\u00e3o denuncia a viola\u00e7\u00e3o de direitos e liberdades<\/b> P\u00f5e no centro a pessoa humana recordando a exig\u00eancia de acolher, reconhecer e valorizar o migrante como Pessoa (n.96). Critica a escravid\u00e3o (n.5) e tr\u00e1fico de pessoas (n.29), a xenofobia, a intoler\u00e2ncia, o racismo, o terrorismo, a viol\u00eancia sobre as minorias culturais e religiosas (n.1) e o nacionalismo exacerbado que entendem o imigrante principalmente como peso e amea\u00e7a (n.6).  Denuncia o esp\u00edrito das actuais leis restritivas que n\u00e3o t\u00eam em vista o bem comum universal e que favorecem as entradas ilegais e a multiplica\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es criminais (n.7) que \u201ctraficam carne humana\u201d (J.B. Scalabrini). Puxa ainda as orelhas aos Parlamentos e Governos que as aprovam e as aplicam, \u00e1s vezes com crit\u00e9rios politicamente d\u00fabios, considerando os trabalhadores estrangeiros apenas como mercadoria, como for\u00e7a de trabalho, como bra\u00e7os e n\u00e3o como pessoas, como fam\u00edlia e comunidade humana com dignidade (n.5).  Constatando uma crescente \u201cfeminiza\u00e7\u00e3o\u201d das migra\u00e7\u00f5es (n.5), emana uma palavra firme em favor da dignidade da mulher e outra contra a viola\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres, sobretudo, no Isl\u00e3o (n.61). A \u201cGlobaliza\u00e7\u00e3o sem regras\u201d continua a fazer dos imigrantes objecto de tr\u00e1fico (mulheres e menores), de escravid\u00e3o moderna desencadeando os tr\u00e1gicos fluxos de imigra\u00e7\u00e3o irregular (n.29).  Fiel ao Magist\u00e9rio social da Igreja para a Mobilidade, a Instru\u00e7\u00e3o defende, sem, no entanto, encorajar, o \u201cdireito a emigrar\u201d e o \u201cdireito a n\u00e3o emigrar\u201d (n.29) delegando nos Parlamentos e nos Governos o combate \u00e0s causas que \u201cfor\u00e7am\u201d a emigrar atrav\u00e9s da Coopera\u00e7\u00e3o e do Desenvolvimento, assim como a liberdade de gerirem os fluxos migrat\u00f3rios, mas numa abertura ao bem comum, n\u00e3o apenas nacional e regional, mas universal.  <b>3. \u00c9 um apelo \u00e0 ac\u00e7\u00e3o concertada dos crist\u00e3os na sociedade civil<\/b> Reafirma o pedido aos Parlamentos e Governos em favor da Ratifica\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o Internacional da ONU para a Protec\u00e7\u00e3o dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e Membros de suas Fam\u00edlias (n.6), sobretudo, \u201cpor parte dos Estados que mais beneficiam das migra\u00e7\u00f5es\u201d. Diante do vergonhoso drama humanit\u00e1rio que a Comunica\u00e7\u00e3o Social vai cada vez tirando do sil\u00eancio, exige a Protec\u00e7\u00e3o internacional dos requerentes de asilo e refugiados.   Manifesta o desejo de ver cada vez mais a Igreja e as Organiza\u00e7\u00f5es Crist\u00e3s comprometidas no trabalho de \u201cadvogacy\u201d (n.6), na defesa dos direitos e liberdades humanas, do patrim\u00f3nio cultural e vida familiar dos migrantes e refugiados. O fen\u00f3meno migrat\u00f3rio suscita uma aut\u00eantica quest\u00e3o \u00e9tica na busca de uma nova ordem econ\u00f3mica internacional (n.8).  No conhecimento do patrim\u00f3nio cultural dos migrantes e no di\u00e1logo e encontro de culturas, que a migra\u00e7\u00e3o aproxima e p\u00f5e em rela\u00e7\u00e3o, a \u201cIncultura\u00e7\u00e3o\u201d aparece como processo indispens\u00e1vel a actuar nas comunidades (n.36).  Em contexto de migra\u00e7\u00e3o, os crist\u00e3os n\u00e3o se devem ficar apenas pela ajuda de emerg\u00eancia e a ac\u00e7\u00e3o social ou jur\u00eddica. \u00c9 preciso praticar e promover na comunidade, entre as comunidades migrantes e com a comunidade local uma aut\u00eantica e rec\u00edproca \u201ccultura do acolhimento\u201d (n.39).  Alerta para que os lugares de culto cat\u00f3licos n\u00e3o sejam usados para reivindica\u00e7\u00f5es de direitos dirigidas \u00e1s Autoridades publicas (n.61). Leia-se, entre outras, as greves de fome pela regulariza\u00e7\u00e3o dos irregulares ou tamb\u00e9m designados comumente por \u201csem-pap\u00e9is\u201d.  <b>4. Distingue \u00e2mbitos de ac\u00e7\u00e3o e de rela\u00e7\u00e3o sem os contrapor<\/b> Distingue a ac\u00e7\u00e3o de primeiro acolhimento (emerg\u00eancia social) daquela do acolhimento propriamente dito e entendido como projecto de integra\u00e7\u00e3o, sublinhando que \u00e9 sobretudo, a este n\u00edvel, e n\u00e3o na ac\u00e7\u00e3o social imediata, que se situa a ac\u00e7\u00e3o de Evangeliza\u00e7\u00e3o da Igreja (n.42,43).  Distingue o \u201cdireito a emigrar\u201d do \u201cdireito a n\u00e3o emigrar\u201d, mas insiste na defesa de ambos como direitos humanos do migrante e refugiado (n.29).  Apela a uma grande aposta na Forma\u00e7\u00e3o e na Liturgia (50) e desafia os Movimentos eclesiais (60) e outras Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, al\u00e9m daquelas que j\u00e1 se interessam por carisma ou por decis\u00e3o capitular, a se ocuparem dos migrantes e refugiados.  Fala do fen\u00f3meno das \u201cmigra\u00e7\u00f5es internas\u201d, muitas for\u00e7adas, como aquelas que se encontram \u201cmais abandonadas a elas mesmas\u201d e que requerem tamb\u00e9m da Igreja uma aten\u00e7\u00e3o mais cuidada (n.10).  Insiste na necessidade da pr\u00e1tica do principio da lei da reciprocidade (64) e do Di\u00e1logo inter-religioso para \u201cabater preconceitos, superar o relativismo religioso e evitar medos injustificados\u201d (n.69) e aponta mais algumas cautelas, fruto de \u201cexperi\u00eancias amargas\u201d, de equ\u00edvocos e confus\u00f5es, quanto aos matrim\u00f3nios mistos entre cat\u00f3licos e n\u00e3o cat\u00f3licos (n. 67), especialmente com mu\u00e7ulmanos (62), quanto \u00e0 dignidade da mulher, \u00e0 Eucaristia, ao Baptismo (68) e ainda quanto \u00e1 ced\u00eancia de espa\u00e7os de culto a outras religi\u00f5es (61).  Pede-se aos crist\u00e3os um grande discernimento no di\u00e1logo ecum\u00e9nico e tamb\u00e9m inter-religioso (65)  <b>5. Exige comunh\u00e3o e di\u00e1logo entre pessoas e estruturas<\/b> Tem como objectivo a reestrutura\u00e7\u00e3o do ordenamento pastoral e jur\u00eddico para a Mobilidade, quanto a pessoas, media\u00e7\u00f5es e estruturas implicadas na pastoral espec\u00edfica migrat\u00f3ria. Refere-se \u00e1 comunh\u00e3o e ao \u201ctrabalho de conjunto\u201d entre os agentes pastorais das migra\u00e7\u00f5es e destes com a Igreja local, como condi\u00e7\u00e3o para uma integra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o assimila\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o e n\u00e3o \u201cghetto\u201d.  Deseja-se p\u00f4r as bases de um empenhamento renovado das Igrejas particulares \u2013 que acolhem e que enviam \u2013 com vista a \u201crever\u201d e a tentar novos \u201cmodelos operativos de pastoral migrat\u00f3ria\u201d que garantam a integra\u00e7\u00e3o gradual e rec\u00edproca na comunidade local.  Sublinha a import\u00e2ncia e deveres de algumas \u201cmedia\u00e7\u00f5es pessoais\u201d \u2013 Coordenador Nacional (n. 72, 73), Capel\u00e3o ou Mission\u00e1rio dos Migrantes (75,76), os Presb\u00edteros diocesanos ou religiosos, os p\u00e1rocos, as religiosas (80), os leigos (86) &#8211; que ter\u00e3o de trabalhar em conjunto para a credibilidade do testemunho da Igreja e para uma pastoral de comunh\u00e3o.  Elenca as estruturas de media\u00e7\u00e3o (modelos pastorais) que a Igreja tem praticado em contexto de migra\u00e7\u00e3o \u2013 particularmente, a \u201cMissio cum cura animarum\u201d (90) e a Par\u00f3quia pessoal \u00e9tnico-linguistica ou ritual (91) \u2013 e prev\u00ea uma nova interac\u00e7\u00e3o entre a Par\u00f3quia local e territorial e a Par\u00f3quia intercultural, inter\u00e9tnica ou inter-ritual (93), e a ponta para novos \u00e2mbitos e sectores de ac\u00e7\u00e3o pastoral (94) tais como as \u201cUnidades Pastorais\u201d (95), j\u00e1 em aplica\u00e7\u00e3o em muitas Igrejas.  Procura redefinir o perfil e \u00e2mbito pastoral e jur\u00eddico dos v\u00e1rios agentes pastorais e das estruturas implicadas na Pastoral da Mobilidade: bispo, mission\u00e1rio\/capel\u00e3o, delegado nacional, assistentes pastorais leigos, CPPMI, Comiss\u00e3o Episcopal, Direc\u00e7\u00e3o Nacional, Capelanias&#8230;  Quanto ao Capel\u00e3o ou Mission\u00e1rio de Migrantes figura muito importante e muito pr\u00f3xima da Comunidade Migrante refere-se a ele como \u201chomem-ponte\u201d (n.77) e \u201cdi\u00e1cono de comunh\u00e3o\u201d (n.98), que deve ter uma mentalidade aberta e viver uma perten\u00e7a que n\u00e3o se reduza \u00e0 nacionalidade.  Tudo o que a Igreja desenvolver na sociedade ter\u00e1 de acontecer atrav\u00e9s de uma pedagogia que assenta no respeito dos direitos dos migrantes e dos da sociedade que os acolhe.   S\u00e3o variadas as categorias de migrantes \u2013 trabalhadores, t\u00e9cnicos e estudantes estrangeiros \u2013 que a Igreja deve acompanhar (n.51) na sua solicitude pastoral.  <b>6. Recorda a \u201coportunidade providencial\u201d que s\u00e3o as migra\u00e7\u00f5es para a Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o<\/b> Os migrantes s\u00e3o considerados \u201cconstrutores, escondidos e providenciais, da fraternidade universal\u201d pois oferecem \u00e0 Igreja \u201ca oportunidade de realizar concretamente a sua identidade de comunh\u00e3o, a sua voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria\u201d e a nota da sua catolicidade (n. 103).  Toda a Igreja dever-se-\u00e1 responsabilizar na Miss\u00e3o, com o bispo \u00e1 cabe\u00e7a, de modo a que n\u00e3o se continue a delegar mais a Pastoral da mobilidade e do acolhimento a um grupo especializado e espec\u00edfico.   Conv\u00e9m n\u00e3o ignorar, nem menosprezar as riquezas que a Religiosidade popular encerra no caminho de crescimento espiritual das comunidades migrantes, com vista da nova evangeliza\u00e7\u00e3o na igreja local (46).  A Igreja, nas suas v\u00e1rias dimens\u00f5es, dever-se-\u00e1 preocupar e empenhar para que a n\u00edvel da Forma\u00e7\u00e3o haja um s\u00e9rio conhecimento interdisciplinar e surja um compromisso habitual com as Migra\u00e7\u00f5es: nas Universidades Cat\u00f3licas, Faculdades de Teologia, Semin\u00e1rios, Dioceses, Cap\u00edtulos, Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas, Movimentos e Centros de Forma\u00e7\u00e3o Permanente.   De maneira particular, os leigos crist\u00e3os s\u00e3o convidados a se implicarem responsavelmente nos Sindicatos, nas Associa\u00e7\u00f5es e nos Partidos pela causa da defesa dos direitos humanos dos migrantes e refugiados (n.87).   \u00c8 dever da Igreja agir sobre as causas da migra\u00e7\u00e3o e consequentes viola\u00e7\u00f5es do \u201cdireito a n\u00e3o imigrar\u201d, sobretudo, por parte dos Estados.  Tamb\u00e9m insiste no contributo in\u00e9dito e decisivo das migra\u00e7\u00f5es para a paz universal e na \u201coportunidade providencial\u201d da transforma\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia migrat\u00f3ria, em ocasi\u00e3o de nova evangeliza\u00e7\u00e3o.  <b>7. Breves cr\u00edticas e observa\u00e7\u00f5es para motivar o debate entre os operadores pastorais<\/b> 7.1 \u2013 Parece que se insiste muito nos deveres da Igreja que acolhe e pouco nos deveres da Igreja que envia. \u00c9 uma viragem compreens\u00edvel eclesiologicamente, mas que corre o risco de desresponsabilizar ainda mais a Igreja em Portugal nos seus deveres mission\u00e1rios e de solidariedade para com os 5 milh\u00f5es de portugueses a residir fora do Pa\u00eds. A Igreja que envia n\u00e3o pode faltar aos seus deveres de integra\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo com as outras Igrejas particulares que acolhem Comunidades Portuguesas.  7.2 \u2013 A Igreja que envia \u00e9 respons\u00e1vel pela prepara\u00e7\u00e3o, selec\u00e7\u00e3o e idoneidade os sacerdotes de l\u00edngua materna a servir as Comunidades. Mas, como Igreja que tamb\u00e9m acolhe, deve interessar-se pelas pessoas \u2013 imigrantes, regressados, tempor\u00e1rios, estudantes, refugiados \u2013 marcadas pela mobilidade interna ou internacional a viver nas dioceses ou \u201cem movimento\u201d. Para ambas as dimens\u00f5es \u00e9 preciso preparar pessoas aptas a desenvolver a evangeliza\u00e7\u00e3o em contexto de mobilidade. N\u00e3o se insiste suficientemente para que as Dioceses no seu planeamento de pessoal se preveja alguns agentes \u2013 sacerdotes e leigos \u2013 para as Comunidades na di\u00e1spora ou as Comunidades imigrantes.   7.3 \u2013 A Instru\u00e7\u00e3o cont\u00e9m um forte apelo a congregar, coordenar e dar estatuto eclesial \u201cest\u00e1vel\u201d \u00e1s estruturas pr\u00f3prias para a Pastoral dos migrantes e refugiados: constitui\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Episcopal, cria\u00e7\u00e3o de Delega\u00e7\u00f5es e Direc\u00e7\u00f5es Nacionais, institui\u00e7\u00e3o de Miss\u00f5es e Capelanias, formaliza\u00e7\u00e3o de ONG e de grupos espec\u00edficos em Congrega\u00e7\u00f5es Mission\u00e1rias, entre outras.   7.4 &#8211; Fala-se insuficientemente da consciencializa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o dos leigos migrantes atrav\u00e9s de pr\u00f3prios itiner\u00e1rios (catecumenatos) devidamente situados nas suas vidas m\u00f3veis. Os migrantes parecem ainda ser entendidos mais como objectos do que sujeitos de Evangeliza\u00e7\u00e3o.   7.5 \u2013 Insiste-se em colocar a Pastoral espec\u00edfica das migra\u00e7\u00f5es na pastoral ordin\u00e1ria\/comum da Igreja, mas existem no texto poucas refer\u00eancias \u00e1 necessidade de que as ac\u00e7\u00f5es de pastoral migrat\u00f3ria sejam devidamente integradas concreta e visivelmente nos Planeamentos e Calend\u00e1rios diocesanos. H\u00e1 Secretariados Diocesanos da Pastoral de Migra\u00e7\u00f5es que mesmo encontrando-se nomeado oficialmente o director e aceite a equipa diocesana pelo bispo, n\u00e3o possuem os meios e recursos necess\u00e1rios ao desenvolvimento da pr\u00f3pria miss\u00e3o.   7.6 \u2013 Consideramos justo o reconhecimento do papel insubstitu\u00edvel das Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas e Sociedades de Vida apost\u00f3lica na sua especial contribui\u00e7\u00e3o para a evangeliza\u00e7\u00e3o dos migrantes e refugiados (28). Religiosas e religiosas, sinal prof\u00e9tico da vida da Igreja, t\u00eam desenvolvido uma ac\u00e7\u00e3o de fronteira no mundo da mobilidade que surge finalmente reconhecida nesta Instru\u00e7\u00e3o.   7.7 \u2013 Mesmo prevendo alguns novos modelos pastorais que procuram libertar a vida da Igreja de uma territorialidade pouco mission\u00e1ria, apresenta a Par\u00f3quia como refer\u00eancia fundamental exigindo dele alguma evolu\u00e7\u00e3o para, onde se justificar, uma Par\u00f3quia pessoal \u00e9tico-linguistica ou ritual de modo a favorecer um acompanhamento pr\u00f3ximo e inculturado.  7.8 \u2013 Acolhemos com alegria a inten\u00e7\u00e3o de, em breve, se decidir uma data fixa e universal para que em todas as Igrejas se celebre o Dia Mundial do Migrante e Refugiado.  7.9 \u2013 O documento acolhe a iniciativa da \u201cFesta ou Dia dos Povos\u201d j\u00e1 em voga em v\u00e1rias Igrejas, como \u00e9 o caso de Portugal, como evento de comunh\u00e3o pela prepara\u00e7\u00e3o que exige, organiza\u00e7\u00e3o que requer e execu\u00e7\u00e3o facilita o di\u00e1logo entre as v\u00e1rias comunidades de migrantes e destas com a Igreja local.  <i>Texto de trabalho elaborado pela Obra Cat\u00f3lica Portuguesa de Migra\u00e7\u00f5es para a XXXII Semana Nacional de Migra\u00e7\u00f5es \u2013 9 a 15 de Agosto de 2004<\/i>  <B>O documento<\/B> <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/mov\/23\/noticia.asp?jornalid=23\u00aciciaid=10924\">\u2022 A Caridade de Cristo para com os migrantes<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coment\u00e1rio da OCPM para os Secretariados Diocesanos de Migra\u00e7\u00f5es sobre \u201cA caridade de Cristo para com os migrantes\u201d (Erga Migrantes Caritas Christi), a nova Instru\u00e7\u00e3o da Santa S\u00e9 sobre a Mobilidade Humana Est\u00e1-se diante de uma Instru\u00e7\u00e3o muito esperada pelas Igrejas particulares devido \u00e1 necessidade muito sentida no terreno pelos operadores pastorais de actualizar a 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