{"id":71256,"date":"2015-02-27T18:11:00","date_gmt":"2015-02-27T18:11:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2015\/02\/27\/e-impossivel-falarmos-em-familia-humana-com-filhos-de-primeira-e-de-segunda\/"},"modified":"2015-02-27T18:11:00","modified_gmt":"2015-02-27T18:11:00","slug":"e-impossivel-falarmos-em-familia-humana-com-filhos-de-primeira-e-de-segunda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/e-impossivel-falarmos-em-familia-humana-com-filhos-de-primeira-e-de-segunda\/","title":{"rendered":"\u00c9 imposs\u00edvel falarmos em fam\u00edlia humana com \u00abfilhos de primeira e de segunda\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>No contexto da Semana C\u00e1ritas, que vai come\u00e7ar este domingo, Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, explicou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os objetivos da iniciativa, partilhou preocupa\u00e7\u00f5es e analisou os principais projetos que est\u00e3o em curso <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &ndash; &ldquo;Num s&oacute; cora&ccedil;&atilde;o, uma s&oacute; fam&iacute;lia humana&rdquo;, o que &eacute; que o tema da Semana C&aacute;ritas pretende refor&ccedil;ar junto das pessoas?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>Eug&eacute;nio Fonseca (EF) &ndash;<\/em> Primeiro, refor&ccedil;ar a campanha que foi lan&ccedil;ada h&aacute; pouco mais de um ano pela <em>Caritas Internationalis<\/em>, com o apoio do Santo Padre, que tem mesmo esse mote, &ldquo;Uma s&oacute; fam&iacute;lia humana&rdquo;, que visa consciencializar a humanidade de que &eacute; poss&iacute;vel a erradica&ccedil;&atilde;o da fome no mundo. Mata-se a fome em fam&iacute;lia. Claro que n&atilde;o &eacute; s&oacute; a solidariedade que pode atingir este objetivo, ele passa por assumirmos atitudes de maior justi&ccedil;a social porque h&aacute; fome no mundo n&atilde;o porque haja menos recursos que possibilitem o acesso &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o de todos os habitantes do planeta.<\/p>\n<p> \tA quantidade de desperd&iacute;cio alimentar &eacute; muito superior &agrave;quela quantidade de alimentos que seria necess&aacute;ria para garantir a subsist&ecirc;ncia das pessoas que hoje passam fome. Depois, para que isto seja poss&iacute;vel, &eacute; preciso ter consci&ecirc;ncia de que somos mesmo uma fam&iacute;lia e lutar contra algo que se instalou no mundo, atrav&eacute;s de uma civiliza&ccedil;&atilde;o muito materialista e que gerou ou est&aacute; a gerar um individualismo atroz.<\/p>\n<p> \tPara n&oacute;s crist&atilde;os, h&aacute; uma responsabilidade acrescida, que deriva de sabermos que Deus &eacute; Pai, um Pai que n&atilde;o faz ace&ccedil;&atilde;o dos filhos, quer tratar todos por igual, n&atilde;o quer que uns se sentem &agrave; beira da mesa sempre ao longo da vida, &agrave; espera que caiam as migalhas, porque a mesa est&aacute; posta para todos.<\/p>\n<p> \tNesta perspetiva de f&eacute;, as fronteiras humanas ou territoriais, devem ser apenas entendidas como formas de organiza&ccedil;&atilde;o social ou territorial, mas n&atilde;o t&ecirc;m que ser for&ccedil;osamente muros a dividir os seres humanos.<\/p>\n<p> \tPor isso, o sofrimento que acontece numa latitude do mundo muito distante de mim tem que me causar a mesma compaix&atilde;o que aquela que me causa o sofrimento que est&aacute; mais perto. Aquilo que temos de fazer &eacute; construir na humanidade uma fam&iacute;lia, que n&atilde;o faz distin&ccedil;&otilde;es de ra&ccedil;as, pensamentos, posi&ccedil;&atilde;o social, de qualquer tipo de poderes. &Eacute; aqui que reside tamb&eacute;m a escolha deste tema.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; H&aacute; cada vez mais pessoas, crian&ccedil;as, jovens e adultos a passarem fome. Como colocar esta no&ccedil;&atilde;o mais presente na sociedade?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>EF &ndash;<\/em> Se o des&iacute;gnio &eacute; conseguirmos que a humanidade viva como uma fam&iacute;lia, isso nunca se alcan&ccedil;ar&aacute; se as na&ccedil;&otilde;es n&atilde;o o conseguirem ser por si s&oacute;. E n&oacute;s claro, temos que viver esta dimens&atilde;o da fraternidade de uma forma mais pr&oacute;xima, mais local, a come&ccedil;ar cada um na sua fam&iacute;lia, depois na sua par&oacute;quia, na sua empresa, no clube a que pertence, para depois irmos para a cidade, a regi&atilde;o e o pa&iacute;s e todos juntos conquistarmos essa fam&iacute;lia humana universal.<\/p>\n<p> \tAgora, n&oacute;s no nosso pa&iacute;s, nos &uacute;ltimos tempos, temos vindo a acentuar ainda mais esta evid&ecirc;ncia de que n&atilde;o somos uma fam&iacute;lia. Porqu&ecirc;? Porque alguns continuam sentados &agrave; mesa confortavelmente, pessoas que pouco t&ecirc;m sido molestadas pela crise econ&oacute;mica e financeira que o mundo atravessa, a Europa e de forma muito particular Portugal.<\/p>\n<p> \tEnquanto outros, que s&atilde;o tamb&eacute;m filhos desta na&ccedil;&atilde;o, t&ecirc;m sido altamente flagelados pelas medidas de combate &agrave; mesma crise. E havendo filhos de primeira e filhos de segunda, digo mais, havendo filhos e enteados n&atilde;o h&aacute; fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \tNesta semana, cada diocese far&aacute; de acordo com as suas possibilidades, um momento de reflex&atilde;o &agrave; volta deste tema. Chegaremos at&eacute; mais longe, falaremos a prop&oacute;sito deste tema, daquilo que est&aacute; a acontecer no mundo com este fen&oacute;meno transformador que veio atrav&eacute;s da comunidade isl&acirc;mica, que est&aacute; o vulc&atilde;o no M&eacute;dio Oriente.<\/p>\n<p> \tE depois n&atilde;o queremos ficar apenas pela reflex&atilde;o, queremos tamb&eacute;m confiar a Deus estas nossas preocupa&ccedil;&otilde;es, para que nos encoraje em fam&iacute;lia a defendermos os nossos irm&atilde;os, a vivermos como irm&atilde;os, e isto faz-se na partilha. Por isso iremos ter o pedit&oacute;rio p&uacute;blico, de quinta a domingo, em v&aacute;rios pontos do pa&iacute;s.<\/p>\n<p> \tEm todas as cidades ir&aacute; aparecer algu&eacute;m devidamente qualificado com o s&iacute;mbolo da C&aacute;ritas a solicitar esse apoio. E no terceiro domingo da Quaresma, Dia Nacional da C&aacute;ritas, 8 de mar&ccedil;o, a coleta que se recolher nesse dia em todas as igrejas ser&aacute; entregue depois &agrave; C&aacute;ritas dessa diocese.<\/p>\n<p> \tPara qu&ecirc;? Para acudir &agrave;s necessidades dos nossos irm&atilde;os que nos est&atilde;o mais pr&oacute;ximos. Nas par&oacute;quias, nas dioceses, e depois com uma pequenina percentagem de cada pedit&oacute;rio de rua, chegar &agrave;s dioceses que menos recursos t&ecirc;m, a partir do Fundo Social Solid&aacute;rio que a Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa criou e que, em dois anos, j&aacute; distribuiu mais de dois milh&otilde;es de euros.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>A caridade d&aacute; &laquo;dimens&atilde;o social ao compromisso crist&atilde;o&raquo;<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Tem defendido que mais do que uma l&oacute;gica de assistencialismo, &eacute; preciso consolidar na sociedade uma l&oacute;gica de maior justi&ccedil;a social. Como &eacute; que se isso se pode concretizar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>EF &#8211;<\/em> Antes de mais eu gostava de dizer, mais uma vez, que n&atilde;o devemos ter qualquer vergonha ou nos sentir menorizados por investir em pr&aacute;ticas de assist&ecirc;ncia. A C&aacute;ritas, nos &uacute;ltimos anos, a grande parte dos recursos que os portugueses lhe confiaram foram para satisfazer necessidades de primeira linha, que t&ecirc;m a ver com a subsist&ecirc;ncia: casa, eletricidade, &aacute;gua, medicamentos, acesso &agrave; escola, isto &eacute; assist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> \tH&aacute; gente que confunde assist&ecirc;ncia com assistencialismo, mesmo gente que deveria ter a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer esta distin&ccedil;&atilde;o. Quem defende a teoria de que &eacute; prefer&iacute;vel dar a cana a dar o peixe correr&aacute; o risco de deixar as pessoas morrerem sem alguma vez terem a possibilidade de alcan&ccedil;ar a cana, ou quando lhes for dada a cana n&atilde;o terem for&ccedil;as para pegar nela. Estas for&ccedil;as s&atilde;o muitas vezes as for&ccedil;as an&iacute;micas. Eu costumo dizer que quem contraria esta a&ccedil;&atilde;o, a assist&ecirc;ncia, tem a barriga cheia, n&atilde;o sente a fome.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s temos investido na assist&ecirc;ncia mas, e aqui &eacute; que se diferencia do assistencialismo, sempre com a preocupa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ficarmos s&oacute; satisfeitos com o dar coisas, mas saber as causas que levam as pessoas a precisarem dessas coisas para, com elas, arranjarmos formas delas deixarem de necessitar aquilo que n&oacute;s lhes estamos a dar.<\/p>\n<p> \tE do que &eacute; que as pessoas necessitam? De trabalho! &Eacute; trabalho que falta! As pessoas que ca&iacute;ram nesta situa&ccedil;&atilde;o est&atilde;o ansiosas de que lhes devolvam o posto de trabalho que perderam. Portanto, aqui h&aacute; um grande desafio que se lan&ccedil;a a todas as institui&ccedil;&otilde;es sociais, e neste caso &agrave; Igreja em particular, porque tem princ&iacute;pios orientadores que nos apontam para a&iacute; que depois s&atilde;o explicitados pela Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s devemos estar preparados para ajudar as pessoas a superarem as causas da sua pobreza e n&atilde;o ficarmos apenas na administra&ccedil;&atilde;o, na gest&atilde;o das car&ecirc;ncias das pessoas.<\/p>\n<p> \tIsto exige termos agentes de a&ccedil;&atilde;o social nas par&oacute;quias mais preparados, precisamos de ter gente at&eacute; mais nova, com capacidade de sonhar, de empreender realmente projetos novos que possam tornar-se aliciantes para que as pessoas encontrem modos de autonomia financeira.<\/p>\n<p> \tPorque h&aacute; gente que pode vir a n&atilde;o ter trabalho por conta de outrem e ter que criar a sua pr&oacute;pria forma de subsistir. E isto vai-nos trazer exig&ecirc;ncias &agrave; renova&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o social e caritativa da Igreja, isto &eacute; urgente!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>EF &#8211;<\/em> Em primeiro lugar, que as comunidades crist&atilde;s tenham esta dimens&atilde;o presente, que n&atilde;o vivam s&oacute; em torno da dimens&atilde;o catequ&eacute;tica e lit&uacute;rgica e que deixem para segundo plano esta dimens&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o da caridade. Porque, como dizia Bento XVI na enc&iacute;clica <em>Deus Caritas est<\/em>, a caridade tamb&eacute;m se organiza, e como se organiza a catequese e a liturgia, a comunidade crist&atilde; tamb&eacute;m tem que ter esta dimens&atilde;o evangelizadora ou ent&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; comunidade.<\/p>\n<p> \tNenhuma dimens&atilde;o &eacute; mais importante do que a outra, elas complementam-se, mas eu para dar credibilidade &agrave; Palavra em que acredito e celebro, tenho que a viver na vida. Esta &eacute; a dimens&atilde;o social do meu compromisso crist&atilde;o.<\/p>\n<p> \tA renova&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o social da Igreja &eacute; muito importante e por isso temos de apostar na forma&ccedil;&atilde;o das pessoas, temos de trazer mais gente, gente mais nova, sem dispensar a experi&ecirc;ncia dos mais velhos.<\/p>\n<p> \tMudou o perfil da pobreza em Portugal. N&oacute;s t&iacute;nhamos acentuadamente um tipo de pobreza mais geracional, agora aquilo que chamamos &#8211; que eu n&atilde;o gosto de chamar &#8211; novos pobres, gente que pertenceu &agrave; classe m&eacute;dia, n&atilde;o propriamente m&eacute;dia baixa, e que hoje caiu nas malhas da pobreza.<\/p>\n<p> \tS&atilde;o pessoas que t&ecirc;m consci&ecirc;ncia dos seus direitos sociais, laborais, c&iacute;vicos, e n&oacute;s temos que fazer com que essas pessoas n&atilde;o percam essa consci&ecirc;ncia, porque ao perderem essa consci&ecirc;ncia facilmente perdem autoestima, e perdendo autoestima correm maior risco de cair na fatalidade, de estar na teia da pobreza e dela n&atilde;o sair.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>&laquo;Alguns gostariam de nos ver mais na sacristia&raquo;<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A C&aacute;ritas tem atualmente a decorrer v&aacute;rios projetos que procuram ir ao encontro destas problem&aacute;ticas que referiu. Que balan&ccedil;o faz dessas a&ccedil;&otilde;es? <\/em><\/p>\n<p> \t<em>EF &#8211; <\/em>N&oacute;s atualmente temos referenciados quatro grandes projetos, embora todos girem &agrave; volta desse grande eixo que &eacute; o projeto &ldquo;+ Pr&oacute;ximo&rdquo;. Mais do que um projeto, &eacute; um programa de forma&ccedil;&atilde;o para os de dentro da C&aacute;ritas e para os de fora, que est&aacute; a ser muito bem acolhido.<\/p>\n<p> \tEle tem como objetivo formar aqueles que j&aacute; est&atilde;o nas par&oacute;quias dedicados &agrave; a&ccedil;&atilde;o social e caritativa, pretende sensibilizar os que, na comunidade crist&atilde;, n&oacute;s designamos como cat&oacute;licos praticantes mas cuja pr&aacute;tica &eacute; cumprir o preceito dominical, para que se envolvam na a&ccedil;&atilde;o pastoral que tem v&aacute;rias vias, uma delas &eacute; esta do testemunho caritativo. Atrav&eacute;s dos m&oacute;dulos formativos que este programa &ldquo;+ Pr&oacute;ximo&rdquo; tem, no &acirc;mbito da Doutrina Social da Igreja, do voluntariado, dos fundamentos da a&ccedil;&atilde;o social, permite explicar aos n&atilde;o cat&oacute;licos porque &eacute; que a Igreja est&aacute; envolvida nesta dimens&atilde;o da vida, das pessoas.<\/p>\n<p> \tPorque alguns gostariam de nos ver mais na sacristia, e acham que o nosso papel &eacute; mais da dimens&atilde;o espiritual e religiosa, como se estas tivessem algum sentido se n&atilde;o fosse tamb&eacute;m contemplada a dimens&atilde;o das pessoas.<\/p>\n<p> \tNingu&eacute;m pode estar bem espiritualmente se fisicamente n&atilde;o estiver, o espirito encarna no ser humano concreto.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>EF &#8211; <\/em>Este &eacute; o eixo, e depois &agrave; volta dele temos o programa &ldquo;Dar e Receber&rdquo;, como parceiros da organiza&ccedil;&atilde;o &ldquo;Entreajuda&rdquo;, e aqui o que se visa &eacute; fundamentalmente criar os tais grupos de a&ccedil;&atilde;o social onde eles ainda n&atilde;o existam nas comunidades crist&atilde;s. N&atilde;o quer dizer que cada par&oacute;quia tenha de ter um, agora at&eacute; h&aacute; unidades pastorais, h&aacute; p&aacute;rocos que t&ecirc;m mais do que uma par&oacute;quia. N&atilde;o vamos exigir que cada par&oacute;quia, nestas circunst&acirc;ncias, tenha um grupo, mas que pelo menos que haja um representante de cada par&oacute;quia num grupo.<\/p>\n<p> \tTemos tamb&eacute;m neste programa &ldquo;Dar e Receber&rdquo;, que durar&aacute; at&eacute; Julho deste ano, a preocupa&ccedil;&atilde;o de rejuvenescer alguns grupos que precisam efetivamente de gente mais nova. Depois temos o programa &ldquo;Cri(a)tividade&rdquo;, para a cria&ccedil;&atilde;o de postos de trabalho. J&aacute; temos felizmente cerca de 30 projetos que v&atilde;o ocupar 45 pessoas e poderemos chegar a mais de 100 se nos for viabilizado aquilo que &eacute; necess&aacute;rio, como acesso ao cr&eacute;dito ao n&iacute;vel da banca, porque isto faz-se atrav&eacute;s do microcr&eacute;dito, do chamado franchising social. Tamb&eacute;m estamos a trabalhar nesta dimens&atilde;o, que at&eacute; agora n&atilde;o era poss&iacute;vel.<\/p>\n<p> \tH&aacute; ainda o programa dos Grupos de Interajuda Social, que n&atilde;o tem sido t&atilde;o bem sucedido talvez por n&atilde;o termos conseguido agarr&aacute;-lo bem, e que pretende p&ocirc;r os desempregados a falarem uns com os outros.<\/p>\n<p> \tIsto &eacute; muito importante, porque h&aacute; pessoas que vivem na solid&atilde;o o drama de n&atilde;o terem trabalho, e n&atilde;o &eacute; s&oacute; o n&atilde;o ter ao fim do m&ecirc;s uma quantia monet&aacute;ria para sobreviver, &eacute; muitas vezes perder tamb&eacute;m o estatuto social.<\/p>\n<p> \tE portanto as pessoas precisam de se encontrar para desabafar, para dizerem das suas preocupa&ccedil;&otilde;es mas tamb&eacute;m dizerem aquilo que gostariam de fazer se tivessem apoios, como j&aacute; aconteceu em alguns grupos e da&iacute; terem resultado ideias de cria&ccedil;&atilde;o empreendedora, de certo tipo de atividades.<\/p>\n<p> \tDizer onde as pessoas se podem dirigir porque uns j&aacute; se dirigiram e foram bem-sucedidos e podem dizer aos outros.<\/p>\n<p> \tIsto evita problemas t&atilde;o graves como aqueles que est&atilde;o a atravessar a vida de muita gente, que s&atilde;o as depress&otilde;es ps&iacute;quicas, e no limite at&eacute; pode evitar que as pessoas optem, como algumas infelizmente j&aacute; optaram, por solu&ccedil;&otilde;es mais radicais.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<strong>Autarquias v&atilde;o dar &laquo;novo f&ocirc;lego&raquo; a projeto dedicado a desempregados com mais de 45 anos<\/strong><\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Ainda sobre o emprego, a C&aacute;ritas promoveu um projeto para pessoas com mais de 45 anos, o &ldquo;Inspira&rdquo;. Que n&atilde;o tem dado passos t&atilde;o consolidados como se pretendia.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>EF &ndash;<\/em> Penso que agora est&aacute; a ganhar um novo f&ocirc;lego. N&oacute;s sonh&aacute;mos mas c&aacute; est&aacute;, a conjuntura n&atilde;o era a mais favor&aacute;vel porque n&atilde;o havia as tais canas. A nossa preocupa&ccedil;&atilde;o, que mantemos, &eacute; sobre aquelas pessoas que t&ecirc;m mais de 45 anos, e pusemos aqui esta baliza porque pod&iacute;amos at&eacute; recuar um bocadinho mais, poderem n&atilde;o vir a ter trabalho por contra de outrem ou como tinham at&eacute; agora.<\/p>\n<p> \tE cri&aacute;mos uma plataforma em que empresas devidamente credenciadas se podiam inscrever e ao mesmo tempo pessoas desempregadas identificavam as suas tarefas, aquilo que eram capazes de fazer, as suas compet&ecirc;ncias, e as empresas iam l&aacute; busc&aacute;-las.<\/p>\n<p> \tConseguimos meia d&uacute;zia de casos, mas agora as c&acirc;maras municipais est&atilde;o a envolver-se tamb&eacute;m, apanharam a g&eacute;nese deste projeto e est&atilde;o a protocolar at&eacute; connosco e com a ajuda delas talvez este projeto possa ter um novo f&ocirc;lego.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Al&eacute;m da alimenta&ccedil;&atilde;o e do emprego, outra grande preocupa&ccedil;&atilde;o que tem transmitido est&aacute; relacionada com a habita&ccedil;&atilde;o, com o facto de muitas pessoas terem perdido a sua casa devido &agrave; crise.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>EF &ndash; <\/em>&Eacute; um problema muito s&eacute;rio, que ainda n&atilde;o se encarou de forma frontal, um problema crucial. Por um lado, respeitar um direito fundamental das pessoas, que &eacute; o direito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. Por outro, para se evitar aquilo que est&aacute; a acontecer, que &eacute; a desarmonia conjugal que leva ao aumento da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica, &agrave; desagrega&ccedil;&atilde;o familiar que leva &agrave; separa&ccedil;&atilde;o dos casais, que regressam &agrave; casa dos pais levando at&eacute; os filhos, separando os filhos.<\/p>\n<p> \tIsto &eacute; o desmontar de uma coes&atilde;o social que &eacute; imperiosa para vivermos em harmonia, e temos que arranjar alternativas porque aquilo que est&aacute; a acontecer &eacute; extremamente injusto.<\/p>\n<p> \tAs pessoas foram, muitas delas, assediadas com facilitismos que interessavam na altura &agrave;s entidades credoras, a que se juntava a necessidade de ter uma habita&ccedil;&atilde;o. Hoje as pessoas casam mais tarde, porque n&atilde;o t&ecirc;m possibilidade, n&atilde;o t&ecirc;m emprego, capacidade de ter casa.<\/p>\n<p> \tApanhando facilidades de cr&eacute;dito, foi isso que aconteceu, os bancos enganaram as pessoas, porque muitas vezes concederam cr&eacute;ditos mediante rendimentos declarados que se via perfeitamente que as pessoas podiam n&atilde;o ter a possibilidade de respeitar os compromissos. Mas n&atilde;o se adivinhava que, passado alguns anos das pessoas assinarem esse contrato, elas ficassem sem qualquer rendimento.<\/p>\n<p> \t&Eacute; disso que iremos dentro de dias falar com o secret&aacute;rio de Estado da Habita&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o adiantarei j&aacute; a proposta porque seria fazer j&aacute; aqui a reuni&atilde;o, mas ela j&aacute; est&aacute; marcada para dia 9 de mar&ccedil;o.<\/p>\n<p> \tEsperamos que possa sair dessa reuni&atilde;o pelo menos algum acolhimento por parte do Governo. Sabemos que os bancos n&atilde;o s&atilde;o entidades de solidariedade mas tamb&eacute;m t&ecirc;m de assumir o capital de risco.<\/p>\n<p> \t<em><span style=\"text-align: -webkit-right;\">Jos&eacute; Carlos Patr&iacute;cio<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto da Semana C\u00e1ritas, que vai come\u00e7ar este domingo, Eug\u00e9nio Fonseca, presidente da organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica, explicou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA os objetivos da iniciativa, partilhou preocupa\u00e7\u00f5es e analisou os principais projetos que est\u00e3o em curso<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,125,127,203,206,246,91,314,329],"class_list":["post-71256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-caritas","tag-catequese","tag-europa","tag-familia","tag-liturgia","tag-quaresma","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71256"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71256\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}