{"id":7118,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/entre-o-sonho-e-a-morte-imigrantes-africanos-sao-preocupacao-para-a-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"entre-o-sonho-e-a-morte-imigrantes-africanos-sao-preocupacao-para-a-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/entre-o-sonho-e-a-morte-imigrantes-africanos-sao-preocupacao-para-a-igreja\/","title":{"rendered":"Entre o sonho e a morte, imigrantes africanos s\u00e3o preocupa\u00e7\u00e3o para a Igreja"},"content":{"rendered":"<p>O \u201cDi\u00e1rio do Minho\u201d anuncia na sua edi\u00e7\u00e3o de hoje que Portugal vai ter, em breve, uma casa dos \u201cHermanos de la Cruz Blanca\u201d \u2013 um instituto religioso Franciscano, fundado por Isidoro Lezcano Guerra e reconhecido, em 1975, pelo ent\u00e3o bispo de T\u00e2nger, Carlos Amigo Vallejo.  A localiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 ainda definida, mas sabe-se que na casa habitar\u00e3o tr\u00eas Irm\u00e3os, sendo um deles o \u00fanico portugu\u00eas que pertence ao Instituto. A miss\u00e3o, essa est\u00e1 claramente demarcada: trabalhar com os sem-abrigo e os imigrantes que, por vezes em situa\u00e7\u00e3o ilegal, correm o risco de cair nas m\u00e3os de mafias perfeitamente organizadas. A not\u00edcia da vinda dos Franciscanos da Cruz Branca para Portugal foi adiantada por Isidoro Mac\u00edas Martin (\u201cPadre Patera\u201d), que estes dias esteve reunido em Montariol, Braga, com jovens das prov\u00edncias Franciscanas de Espanha e Portugal. \u00abN\u00f3s, os Irm\u00e3os Franciscanos da Cruz Branca, nascemos para ajudar a quem n\u00e3o tem nada. Fizemo-lo em Marrocos, junto dos espanh\u00f3is em risco por raz\u00f5es pol\u00edticas, que n\u00e3o deveriam existir mas existem; e fazemo-lo agora, respondendo \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o de imigrantes que chegam da \u00c1frica subsaariana, sobretudo da Nig\u00e9ria \u2013 donde v\u00eam, maioritariamente, mulheres gr\u00e1vidas. Chegam desfeitas ou j\u00e1 com crian\u00e7as nos bra\u00e7os\u201d, revela o religioso. O frade Franciscano n\u00e3o esconde que a sua actividade lhe pode causar alguns calafrios, pois h\u00e1 o risco de ser acusado de acolher clandestinos ou ilegais. Argumenta, por\u00e9m, que \u00abum bom frade ou um bom crist\u00e3o t\u00eam de testemunhar o seu amor aos outros, sem considera\u00e7\u00f5es de ordem pol\u00edtica ou credos religiosos\u00bb. A visibilidade do trabalho do Padre Patera tornou&#8211;se not\u00f3ria no ano 2000, quando \u00e0s costas do sul de Espanha come\u00e7aram a aportar jangadas e mais jangadas de africanos. Ao drama, o religioso responde com dois meios, que enuncia com grande serenidade: \u00abA f\u00e9 move montanhas e os meios de comunica\u00e7\u00e3o social movem cora\u00e7\u00f5es. A visibilidade deste drama, na TV e nos jornais, h\u00e1-de acabar por sensibilizar quem tem nas m\u00e3os a capacidade de decidir. H\u00e3o-de acabar por ver!\u2026\u00bb, refere ao DM. <i>Jo\u00e3o Aguiar, Di\u00e1rio do Minho<\/i>  <b>Dignifica\u00e7\u00e3o dos imigrantes<\/b> No \u00faltimo Encontro Nacional dos Secretariados Diocesanos da Pastoral das Migra\u00e7\u00f5es ficou claro que a Igreja Cat\u00f3lica em Portugal e na Espanha quer ver em pr\u00e1tica uma atitude de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o para com os estrangeiros que procuram estes pa\u00edses em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida, protegendo de modo especial os que se encontram sem documentos ou em situa\u00e7\u00e3o irregular. Todos os anos milhares de imigrantes africanos atravessam o Estreito de Gibraltar em embarca\u00e7\u00f5es fr\u00e1geis, e milhares morrem no caminho. Gabriel Delgado Alvarez, director do Secretariado diocesano das migra\u00e7\u00f5es de C\u00e1diz e Ceuta, lida de perto com o drama dos africanos que tentam cruzar o Estreito de Gibraltar, em busca do \u201cel Dorado\u201d espanhol. O trabalho da Igreja e de outras organiza\u00e7\u00f5es, nestas ocasi\u00f5es, \u00e9 segundo este respons\u00e1vel, o de \u201cmostrar o rosto de uma Europa solid\u00e1ria, humana, acolhedora\u201d. \u201cFazemos o que podemos fazer, que \u00e9 a primeira aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades mais urgentes. Se pudermos ajudar para a integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes, \u00e9 certo que o faremos\u201d, assegurou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA. Estima-se que cerca de 4.000 pessoas tenham morrido ou desaparecido desde 1997 no Estreito de Gibraltar e nas \u00e1guas do Atl\u00e2ntico entre a \u00c1frica e as Ilhas Can\u00e1rias, que pertencem \u00e0 Espanha. O Secretariado diocesano das migra\u00e7\u00f5es de C\u00e1diz e Ceuta vai agora lan\u00e7ar uma nova iniciativa para fazer face a estas situa\u00e7\u00f5es: trabalhar directamente no Norte de Marrocos, em colabora\u00e7\u00e3o com organiza\u00e7\u00f5es locais. O novo programa da Igreja espanhola pretende passar uma mensagem muito espec\u00edfica: \u201cn\u00e3o fa\u00e7am esta viagem clandestina, pelos perigos que ela representa\u201d. \u201cEm Espanha, a situa\u00e7\u00e3o de irregularidade tamb\u00e9m trar\u00e1 problemas de pobreza, desemprego, de falta de habita\u00e7\u00e3o: estar sem documentos \u00e9 estar sem direitos\u201d, referiu este respons\u00e1vel. \u201cO que mais nos choca \u00e9 estarmos t\u00e3o perto de Marrocos, a menos de 15 quil\u00f3metros, e que os imigrantes, ao n\u00e3o conseguirem passar de forma legal para Espanha, utilizem outros meios para chegar \u00e0 costa, em condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis que provocam, regularmente, grandes trag\u00e9dias\u201d, revelou. O facto de os imigrantes se apresentarem em situa\u00e7\u00e3o de irregularidade n\u00e3o ir\u00e1, contudo, fazer com que a Igreja se afaste deles. O nosso entrevistado assegurava que \u201co imigrante \u00e9 uma pessoa, acima de tudo, documentado ou n\u00e3o, regular ou irregular, legal ou ilegal, e n\u00f3s iremos lidar com a pessoa\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cDi\u00e1rio do Minho\u201d anuncia na sua edi\u00e7\u00e3o de hoje que Portugal vai ter, em breve, uma casa dos \u201cHermanos de la Cruz Blanca\u201d \u2013 um instituto religioso Franciscano, fundado por Isidoro Lezcano Guerra e reconhecido, em 1975, pelo ent\u00e3o bispo de T\u00e2nger, Carlos Amigo Vallejo. 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