{"id":7105,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/o-povo-portugues-e-o-seu-dom-de-acolher\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"o-povo-portugues-e-o-seu-dom-de-acolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/o-povo-portugues-e-o-seu-dom-de-acolher\/","title":{"rendered":"O povo portugu\u00eas e o seu dom de acolher"},"content":{"rendered":"<p>Encontro Europeu de Jovens mobiliza Lisboa <!--more--> Vasco da Gama, Oriente: estes nomes v\u00e3o tornar-se familiares para os participantes no Encontro Europeu em Lisboa. Para alguns, eles evocam apenas um navegador do s\u00e9culo XV e uma direc\u00e7\u00e3o, a do nascer do sol. Quando se conhece um pouco da cultura portuguesa, compreende-se melhor a import\u00e2ncia destas palavras. Vasco da Gama descobriu o caminho mar\u00edtimo da Europa at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia, depois de uma viagem de dez meses. Ele tem um papel t\u00e3o importante na hist\u00f3ria portuguesa que foi dado o seu nome \u00e0 maior ponte da Europa, com dezassete quil\u00f3metros, que liga a margem sul do Tejo a Lisboa. Esta ponte conduz \u00e0 zona onde se encontram os pavilh\u00f5es em que ter\u00e3o lugar as ora\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias durante o Encontro Europeu. \u00c9 um pouco como uma imagem do que vai significar o Encontro: ir mais longe na direc\u00e7\u00e3o dos outros, deixar a terra firme e confort\u00e1vel para criar possibilidades de partilha.  Oriente n\u00e3o \u00e9 apenas uma direc\u00e7\u00e3o ou o nome da esta\u00e7\u00e3o de metro que serve o Parque das Na\u00e7\u00f5es; foi tamb\u00e9m o objectivo de tantas viagens que conduziram os Portugueses at\u00e9 \u00e0 China ou ao Jap\u00e3o. Que aud\u00e1cia e que sentido do universal animavam estes exploradores! Em frente dos pavilh\u00f5es ultramodernos, h\u00e1 um s\u00edmbolo que testemunha isso mesmo: a reconstitui\u00e7\u00e3o da fachada de uma igreja constru\u00edda na China naquela \u00e9poca. Antes mesmo dos contactos comerciais houve mission\u00e1rios, como S. Francisco Xavier, que abriram novos caminhos.   <b>Criar la\u00e7os novos<\/b> Desde h\u00e1 v\u00e1rios meses, as par\u00f3quias come\u00e7aram j\u00e1 a preparar-se para o Encontro. Os primeiros encontros j\u00e1 reuniram mais de quinhentos jovens vindos de uma centena de par\u00f3quias da regi\u00e3o. V\u00e3o formar-se grupos em cerca de duzentas par\u00f3quias. Eles come\u00e7ar\u00e3o a informar outros ao seu redor, antes da fase mais activa da prepara\u00e7\u00e3o, no Outono, quando se ter\u00e3o que encontrar as fam\u00edlias de acolhimento. O padre V\u00edtor Gon\u00e7alves, p\u00e1roco de Vila Franca de Xira, escreve todas as semanas uma medita\u00e7\u00e3o semanal para o jornal da diocese, Voz da Verdade. A reflex\u00e3o em torno de Evangelho do 6\u00ba Domingo da P\u00e1scoa \u2013 \u00abViremos a ele e faremos nele morada\u00bb, Jo\u00e3o 14,23 \u2013 tinha por t\u00edtulo \u00abEm Maio a sonhar Dezembro\u00bb. Ele escrevia:  \u00abNeste Maio fomos visitados por alguns irm\u00e3os de Taiz\u00e9. E come\u00e7amos a sonhar a imensa aventura de acolher em nossas casas 40 a 50 mil jovens de toda a Europa e de outros pontos do mundo!  Sinto que \u00e9 um desafio que Jesus nos lan\u00e7a: mobilizar as nossas comunidades, os jovens que s\u00e3o generosos por natureza, as fam\u00edlias e as pessoas que puderem acolher dois ou mais jovens, esta imensa cidade da \u2018grande Lisboa\u2019 a ultrapassar as fronteiras habituais e a criar novos la\u00e7os a partir da alegria de acolher\u2026 simplesmente para acolher, dialogar, partilhar, rezar, e juntos renovarmos a esperan\u00e7a. Porque quem se fecha, morre!  \u2018Pelo sonho \u00e9 que vamos\u2019, dizia Sebasti\u00e3o da Gama, e este germina agora. \u00c9 em Dezembro e j\u00e1 come\u00e7ou. Rompamos as rotinas habituais e as \u2018fronteiras\u2019 dos \u2018praticantes\u2019. H\u00e1 tantas pessoas que j\u00e1 praticam a alegria de acolher, e muitas outras que ficar\u00e3o mais pobres se n\u00e3o contarmos com elas. \u00c9 precisa a generosidade de todos e o melhor que podemos dar n\u00e3o se adia! Vamos sonhar juntos este milagre!\u00bb  <b>A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a respira\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o<\/b> Acolher \u00e9 tamb\u00e9m uma aventura que estimula uma procura interior. Ao longo da prepara\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 tempos regulares de ora\u00e7\u00e3o nas par\u00f3quias e no centro da cidade haver\u00e1 mesmo ora\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Os c\u00e2nticos que animar\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o foram gravados pela primeira vez na sua vers\u00e3o portuguesa, para fazer um CD. Alguns jovens, como a Marta, de Alcanh\u00f5es, falam tamb\u00e9m acerca do modo como encaram o pr\u00f3ximo Encontro na sua caminhada pessoal:  \u00abN\u00e3o sabemos o dia nem a hora em que Jesus nos bate \u00e0 porta. Eu tamb\u00e9m n\u00e3o o sei e, surpreendentemente, ele chamou-me de v\u00e1rios modos e em diversas alturas. Nem sempre disse \u2018sim\u2019. Durante alguns anos da minha vida disse-lhe explicitamente \u2018n\u00e3o\u2019. Sa\u00ed da Igreja. Ao mesmo tempo que experimentava momentos de alegria, sempre vividos com ansiedade pelo meu medo de poderem acabar, tamb\u00e9m conhecia as lacunas duma sociedade sem Deus e a fragilidade do ser humano. A ang\u00fastia e a desilus\u00e3o foram-se instalando.  Alguns anos depois recomecei a frequentar as reuni\u00f5es do grupo de jovens da minha par\u00f3quia e integrei-me o mais que pude na Igreja&#8230; Hoje sou professora de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica.  Depois de ter participado nos encontros de Taiz\u00e9 quis viver, como l\u00e1 se vive t\u00e3o explicitamente, esta aceita\u00e7\u00e3o do outro e de n\u00f3s pr\u00f3prios. Gradualmente fui percebendo que \u00e9 poss\u00edvel viver na nossa comunidade esta realidade se rezarmos. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a respira\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o.  A not\u00edcia do pr\u00f3ximo Encontro Europeu ser em Lisboa trouxe-nos muita alegria. Alegria que eu n\u00e3o posso deixar passar. Alegria que eu desejo viver com os outros. Alegria que se antecipa e que revela a exist\u00eancia do nosso Deus que sempre ama.  Estes Encontros s\u00e3o a possibilidade de se conhecer as ra\u00edzes da comunidade eclesial local e de poder descobrir as potencialidades das par\u00f3quias. O povo portugu\u00eas \u00e9 caracterizado muitas vezes pela sua capacidade de acolhimento, mas o comodismo que gradualmente se vai instalando pela evolu\u00e7\u00e3o da nossa sociedade \u00e9 uma amea\u00e7a a essa nossa marca. Este Encontro vai despertar em n\u00f3s este t\u00e3o grande dom.  A minha par\u00f3quia \u00e9 Alcanh\u00f5es, tem cerca de 1600 habitantes e situa-se a menos de uma hora de Lisboa. Queremos participar neste Encontro com o melhor que temos. A par\u00f3quia est\u00e1 a unir-se para juntos vivermos esta caminhada de confian\u00e7a.\u00bb   <b>N\u00e3o vivemos sozinhos<\/b> A descoberta da vida dos crist\u00e3os de Lisboa significa tamb\u00e9m dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s m\u00faltiplas iniciativas de solidariedade e de entre-ajuda. Por exemplo, muitos est\u00e3o prontos a dar alguns meses ou at\u00e9 alguns anos da sua vida para viverem experi\u00eancias de ajuda humanit\u00e1ria em pa\u00edses como Angola, Mo\u00e7ambique ou Timor Leste. Outros apoiam iniciativas locais em favor dos mais pobres, como os sem-abrigo. Rodrigo, um jovem professor, d\u00e1 testemunho do seu compromisso:  \u00abN\u00e3o vivemos sozinhos. Nunca tive tanto esta certeza como quando olhei para os outros e cruzei o meu olhar com pessoas que precisavam de mim. Estava-se no m\u00eas de Dezembro. Tinha come\u00e7ado a fazer voluntariado num lar para idosos, numa casa das irm\u00e3s da Madre Teresa. Era duro, muito duro, estar com pessoas que se tinham afastado deste mundo, que tinham sido abandonadas na rua. Era tamb\u00e9m a primeira vez que contactava com este tipo de pessoas, sobretudo com homens, que j\u00e1 nem sequer se lembravam de nada nem de ningu\u00e9m.  Quando decidi l\u00e1 ir, era, julgo eu, mais por mim mesmo do que pelos outros; era mais para ser melhor para com os outros, para tentar ser solid\u00e1rio, para ganhar eu pr\u00f3prio alguma coisa. Confesso, n\u00e3o era essencialmente para dar, mas para receber, mesmo se eu pr\u00f3prio n\u00e3o sabia dizer exactamente o qu\u00ea. E, como pensava sobretudo em receber, digo de novo, achava que estar l\u00e1 era mesmo muito, muito duro.  Um dia, percebi que um dos homens que se encontrava no lar, mesmo se j\u00e1 n\u00e3o sabia quem ele pr\u00f3prio era, se recordava de mim, reconhecia-me. Ele sabia que eu estava ali, uma vez por semana, para visit\u00e1-lo, para falar com ele, para lhe dar um pouco de aten\u00e7\u00e3o. Sabia quem eu era e olhava-me nos olhos com um sorriso que, de algum modo, me desconcertava\u2026 mesmo sem o saber, ele tinha aprendido a amar-me\u2026 E sem o saber, ele modificou tamb\u00e9m, por completo, a minha maneira de pensar e de agir.  Na capela muito limpa das irm\u00e3s, havia um crucifixo, com algumas palavras escritas na parede: \u2018Tenho sede\u2019. Acho que foi a\u00ed que percebi. No mais profundo daqueles idosos, no interior de cada homem, Cristo estava presente, vivia neles, e pedia-me, tal como h\u00e1 dois mil anos, para lhe dar de beber\u2026 e assegurava-me tamb\u00e9m que, mesmo depois de todo esse tempo, continuava n\u00e3o s\u00f3 a pedir a minha ajuda, mas tamb\u00e9m a dizer-me que tinha sede de mim, da minha presen\u00e7a, do meu tempo, da minha vida. Tinha sido eu que n\u00e3o tinha de facto percebido o que estava ali a fazer. Mais do que procurar receber, compreendi que seguir a Cristo \u00e9 dar: n\u00e3o apenas dar alguma coisa, mas darmo-nos a n\u00f3s mesmos. N\u00f3s n\u00e3o vivemos sozinhos, e nos outros, sobretudo nos mais pobres, encontramos sempre o pr\u00f3prio Cristo.\u00bb   Carta de Taiz\u00e9, Agosto-Setembro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontro Europeu de Jovens mobiliza Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[106,193,203,206,248,262,275,314,315,318,329],"class_list":["post-7105","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-angola","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-madre-teresa","tag-mocambique","tag-pascoa","tag-solidariedade","tag-taize","tag-timor-leste","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7105","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7105"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7105\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}