{"id":7057,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/carta-aos-bispos-da-igreja-catolica-sobre-a-colaboracao-do-homem-e-da-mulher-na-igreja-e-no-mundo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"carta-aos-bispos-da-igreja-catolica-sobre-a-colaboracao-do-homem-e-da-mulher-na-igreja-e-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-aos-bispos-da-igreja-catolica-sobre-a-colaboracao-do-homem-e-da-mulher-na-igreja-e-no-mundo\/","title":{"rendered":"Carta aos bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Carta aos bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo  <b>Introdu\u00e7\u00e3o<\/b> 1. Perita em humanidade, a Igreja est\u00e1 sempre interessada por tudo o que diz respeito ao homem e \u00e0 mulher. Nestes \u00faltimos tempos, tem-se reflectido muito sobre a dignidade da mulher, sobre os seus direitos e deveres nos diversos \u00e2mbitos da comunidade civil e eclesial. Havendo contribu\u00eddo para o aprofundamento desta tem\u00e1tica fundamental, sobretudo com o ensinamento de Jo\u00e3o Paulo II,1 a Igreja sente-se hoje interpelada por algumas correntes de pensamento, cujas teses muitas vezes n\u00e3o coincidem com as finalidades genu\u00ednas da promo\u00e7\u00e3o da mulher. O presente documento, depois de uma breve apresenta\u00e7\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de certas concep\u00e7\u00f5es antropol\u00f3gicas hodiernas, entende propor algumas reflex\u00f5es inspiradas pelos dados doutrinais da antropologia b\u00edblica \u2014 ali\u00e1s indispens\u00e1veis para a salvaguarda da identidade da pessoa humana \u2014 sobre alguns pressupostos em ordem a uma recta compreens\u00e3o da colabora\u00e7\u00e3o activa do homem e da mulher na Igreja e no mundo, a partir dessa sua mesma diferen\u00e7a. Pretendem estas reflex\u00f5es, ao mesmo tempo, propor-se como ponto de partida para um caminho de aprofundamento no seio da Igreja e para instaurar um di\u00e1logo com todos os homens e mulheres de boa vontade, na busca sincera da verdade e no esfor\u00e7o comum de promover rela\u00e7\u00f5es cada vez mais aut\u00eanticas.   <b>I O Problema<\/b> 2. Nestes \u00faltimos anos t\u00eam-se delineado novas tend\u00eancias na abordagem do tema da mulher. Uma primeira tend\u00eancia sublinha fortemente a condi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o da mulher, procurando criar uma atitude de contesta\u00e7\u00e3o. A mulher, para ser ela mesma, apresenta-se como antag\u00f3nica do homem. Aos abusos de poder, responde com uma estrat\u00e9gia de busca do poder. Um tal processo leva a uma rivalidade entre os sexos, onde a identidade e o papel de um s\u00e3o assumidos em preju\u00edzo do outro, com a consequ\u00eancia de introduzir na antropologia uma perniciosa confus\u00e3o, que tem o seu rev\u00e9s mais imediato e nefasto na estrutura da fam\u00edlia. Uma segunda tend\u00eancia emerge no sulco da primeira. Para evitar qualquer supremacia de um ou de outro sexo, tende-se a eliminar as suas diferen\u00e7as, considerando-as simples efeitos de um condicionamento hist\u00f3rico-cultural. Neste nivelamento, a diferen\u00e7a corp\u00f3rea, chamada sexo, \u00e9 minimizada, ao passo que a dimens\u00e3o estritamente cultural, chamada g\u00e9nero, \u00e9 sublinhada ao m\u00e1ximo e considerada prim\u00e1ria. O obscurecimento da diferen\u00e7a ou dualidade dos sexos \u00e9 gr\u00e1vido de enormes consequ\u00eancias a diversos n\u00edveis. Uma tal antropologia, que entendia favorecer perspectivas igualit\u00e1rias para a mulher, libertando-a de todo o determinismo biol\u00f3gico, acabou de facto por inspirar ideologias que promovem, por exemplo, o questionamento da fam\u00edlia, por sua \u00edndole natural bi-parental, ou seja, composta de pai e de m\u00e3e, a equipara\u00e7\u00e3o da homossexualidade \u00e0 heterossexualidade, um novo modelo de sexualidade polim\u00f3rfica.   3. A raiz imediata da sobredita tend\u00eancia coloca-se no contexto da quest\u00e3o da mulher, mas a sua motiva\u00e7\u00e3o mais profunda deve procurar-se na tentativa da pessoa humana de libertar-se dos pr\u00f3prios condicionamentos biol\u00f3gicos.2 De acordo com tal perspectiva antropol\u00f3gica, a natureza humana n\u00e3o teria em si mesma caracter\u00edsticas que se imporiam de forma absoluta: cada pessoa poderia e deveria modelar-se a seu gosto, uma vez que estaria livre de toda a predetermina\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 sua constitui\u00e7\u00e3o essencial. Muitas s\u00e3o as consequ\u00eancias de uma tal perspectiva. Antes de mais, consolida-se a ideia de que a liberta\u00e7\u00e3o da mulher comporta uma cr\u00edtica \u00e0 Sagrada Escritura, que transmitiria uma concep\u00e7\u00e3o patriarcal de Deus, alimentada por uma cultura essencialmente machista. Em segundo lugar, semelhante tend\u00eancia consideraria sem import\u00e2ncia e sem influ\u00eancia o facto de o Filho de Deus ter assumido a natureza humana na sua forma masculina.   4. Perante tais correntes de pensamento, a Igreja, iluminada pela f\u00e9 em Jesus Cristo, fala ao inv\u00e9s de colabora\u00e7\u00e3o activa, precisamente no reconhecimento da pr\u00f3pria diferen\u00e7a entre homem e mulher. Para melhor compreender o fundamento, o sentido e as consequ\u00eancias desta resposta, conv\u00e9m voltar, ainda que brevemente, \u00e0 Sagrada Escritura, que \u00e9 rica tamb\u00e9m de sabedoria humana, e onde esta resposta se manifestou progressivamente, gra\u00e7as \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Deus em favor da humanidade.3  <b>II Os dados fundamentais da antropologia b\u00edblica<\/b> 5. Uma primeira s\u00e9rie de textos b\u00edblicos a examinar s\u00e3o os primeiros tr\u00eas cap\u00edtulos do G\u00e9nesis. Colocam-nos eles \u00abno contexto do \u201cprinc\u00edpio\u201d b\u00edblico, no qual a verdade revelada sobre o homem como \u201cimagem e semelhan\u00e7a de Deus\u201d constitui a base imut\u00e1vel de toda a antropologia crist\u00e3\u00bb.4 No primeiro texto (Gen 1,1-2,4) descreve-se o poder criador da Palavra de Deus que estabelece distin\u00e7\u00f5es no caos primig\u00e9nio. Aparecem a luz e as trevas, o mar e a terra firme, o dia e a noite, as ervas e as \u00e1rvores, os peixes e as aves, todos \u00absegundo a pr\u00f3pria esp\u00e9cie\u00bb. Nasce um mundo ordenado a partir de diferen\u00e7as que, por sua vez, s\u00e3o outras tantas promessas de rela\u00e7\u00f5es. Eis, assim, esbo\u00e7ado o quadro geral em que se coloca a cria\u00e7\u00e3o da humanidade. \u00abDisse Deus: Fa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a&#8230; Deus criou o ser humano \u00e0 sua imagem; criou-o \u00e0 imagem de Deus; criou-o homem e mulher\u00bb (Gen 1, 26-27). A humanidade aqui \u00e9 descrita como articulada, desde a sua primeira origem, na rela\u00e7\u00e3o do masculino e do feminino. \u00c9 esta humanidade sexuada que \u00e9 explicitamente declarada \u00abimagem de Deus\u00bb.   6. O segundo relato da cria\u00e7\u00e3o (Gen 2,4-25) confirma inequivocavelmente a import\u00e2ncia da diferen\u00e7a sexual. Uma vez plasmado por Deus e colocado no jardim, de que recebe a gest\u00e3o, aquele que \u00e9 designado ainda com o termo gen\u00e9rico de Adam sente uma solid\u00e3o que a presen\u00e7a dos animais n\u00e3o consegue preencher. Precisa de uma ajuda que lhe seja correspondente. O termo indica, aqui, n\u00e3o um papel subalterno, mas uma ajuda vital.5 A finalidade \u00e9, efectivamente, a de permitir que a vida de Adam n\u00e3o se afunde num confronto est\u00e9ril, e por fim mortal, apenas consigo mesmo. \u00c9 necess\u00e1rio que entre em rela\u00e7\u00e3o com um outro ser que esteja ao seu n\u00edvel. S\u00f3 a mulher, criada da mesma \u00abcarne\u00bb e envolvida no mesmo mist\u00e9rio, d\u00e1 um futuro \u00e0 vida do homem. Isso d\u00e1-se a n\u00edvel ontol\u00f3gico, no sentido que a cria\u00e7\u00e3o da mulher da parte de Deus caracteriza a humanidade como realidade relacional. Neste encontro brota tamb\u00e9m a palavra que abre, pela primeira vez, a boca do homem numa express\u00e3o de maravilha: \u00abEsta \u00e9 realmente carne da minha carne e osso dos meus ossos\u00bb (Gen 2,23).  \u00abA mulher \u2014 escreveu o Santo Padre em refer\u00eancia a este texto do G\u00e9nesis \u2014 \u00e9 um outro \u201ceu\u201d na comum humanidade. Desde o in\u00edcio, [o homem e a mulher] aparecem como \u201cunidade dos dois\u201d, e isto significa a supera\u00e7\u00e3o da solid\u00e3o origin\u00e1ria, na qual o homem n\u00e3o encontra \u201cum auxiliar que lhe seja semelhante\u201d (Gen 2,20). Tratar-se-\u00e1 aqui do \u201cauxiliar\u201d s\u00f3 na ac\u00e7\u00e3o, no \u201cdominar a terra\u201d? (cfr Gen 1,28). Certamente se trata da companheira da vida, com a qual o homem pode unir-se como se une com a esposa, tornando-se com ela \u201cuma s\u00f3 carne\u201d e abandonando, por isso, o \u201cseu pai e a sua m\u00e3e\u201d (cfr Gen 2,24)\u00bb.6 A diferen\u00e7a vital \u00e9 orientada \u00e0 comunh\u00e3o e \u00e9 vivida de forma pac\u00edfica, expressa no tema da nudez: \u00abOra ambos andavam nus, o homem e a sua mulher, e n\u00e3o sentiam vergonha\u00bb (Gen 2,25). Assim, o corpo humano, marcado pelo selo da masculinidade ou da feminilidade, \u00abcomporta \u201cdesde o princ\u00edpio\u201d o atributo \u201cesponsal\u201d, ou seja a capacidade de exprimir o amor: aquele amor precisamente no qual o homem-pessoa se torna dom e \u2014 mediante esse dom \u2014 realiza o pr\u00f3prio sentido do seu ser e existir\u00bb.7 Ainda comentando estes vers\u00edculos do G\u00e9nesis, o Santo Padre continua: \u00abNesta sua particularidade, o corpo \u00e9 a express\u00e3o do esp\u00edrito, e \u00e9 chamado, no pr\u00f3prio mist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o, a existir na comunh\u00e3o das pessoas, \u201c\u00e0 imagem de Deus\u201d\u00bb.8  Na mesma perspectiva esponsal, compreende-se em que sentido o antigo relato do G\u00e9nesis d\u00ea a entender como a mulher, no seu ser mais profundo e origin\u00e1rio, exista \u00abpara o outro\u00bb (cfr 1Cor 11,9): \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que, bem longe de evocar aliena\u00e7\u00e3o, exprime um aspecto fundamental da semelhan\u00e7a com a Sant\u00edssima Trindade, cujas Pessoas, com a vinda deCristo, revelam estar em comunh\u00e3o de amor, umas para as outras. \u00abNa \u201cunidade dos dois\u201d, o homem e a mulher s\u00e3o chamados, desde o in\u00edcio, n\u00e3o s\u00f3 a existir \u201cum ao lado do outro\u201d ou \u201cjuntos\u201d, mas tamb\u00e9m a existir reciprocamente \u201cum para o outro\u201d&#8230; O texto de G\u00e9nesis 2,18-25 indica que o matrim\u00f3nio \u00e9 a primeira e, num certo sentido, a fundamental dimens\u00e3o desta chamada. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, a \u00fanica. Toda a hist\u00f3ria do homem sobre a terra realiza-se no \u00e2mbito desta chamada. Na base do princ\u00edpio do rec\u00edproco ser \u201cpara\u201d o outro, na \u201ccomunh\u00e3o\u201d interpessoal, desenvolve-se nesta hist\u00f3ria a integra\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria humanidade, querida por Deus, daquilo que \u00e9 \u201cmasculino\u201d e daquilo que \u00e9 \u201cfeminino\u201d\u00bb.9  A vis\u00e3o pac\u00edfica com que termina o segundo relato da cria\u00e7\u00e3o ecoa no \u00abmuito bom\u00bb que, no primeiro relato, encerrava a cria\u00e7\u00e3o do primeiro casal humano. \u00c9 aqui que se encontra o cora\u00e7\u00e3o do plano origin\u00e1rio de Deus e da verdade mais profunda do homem e da mulher, como Deus os quis e criou. Por mais perturbadas e obscurecidas que sejam pelo pecado, tais disposi\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias do Criador jamais poder\u00e3o ser anuladas.  7. O pecado original altera a maneira como o homem e a mulher acolhem e vivem a Palavra de Deus e a sua rela\u00e7\u00e3o com o Criador. Logo a seguir \u00e0 entrega do dom do jardim, Deus d\u00e1 um mandamento positivo (cfr Gen 2,16), seguido de outro negativo (cfr Gen 2,17), em que implicitamente se afirma a diferen\u00e7a essencial entre Deus e a humanidade. Sob a insinua\u00e7\u00e3o da Serpente, essa diferen\u00e7a \u00e9 contestada pelo homem e pela mulher. Em consequ\u00eancia, \u00e9 tamb\u00e9m alterada a maneira de viver a sua diferen\u00e7a sexual. O relato do G\u00e9nesis estabelece assim uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre as duas diferen\u00e7as: quando a humanidade considera Deus como seu inimigo, a pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u00e9 pervertida. Quando esta \u00faltima rela\u00e7\u00e3o se deteriora, o acesso ao rosto de Deus corre, por sua vez, o perigo de ficar comprometido.  Nas palavras que Deus dirige \u00e0 mulher a seguir ao pecado, \u00e9 expressa de forma lapidar, mas n\u00e3o menos impressionante, o tipo de rela\u00e7\u00f5es que passar\u00e3o a instaurar-se entre o homem e a mulher: \u00abSentir-te-\u00e1s atra\u00edda para o teu marido e ele te dominar\u00e1\u00bb (Gen 3,16). Ser\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o em que frequentemente se desnaturar\u00e1 o amor na mera busca de si mesmo, numa rela\u00e7\u00e3o que ignora e mata o amor, substituindo-o com o jogo do dom\u00ednio de um sexo sobre o outro. A hist\u00f3ria da humanidade reproduz de facto tais situa\u00e7\u00f5es, em que se exprime claramente a tr\u00edplice concupisc\u00eancia que S\u00e3o Jo\u00e3o recorda, ao falar da concupisc\u00eancia da carne, da concupisc\u00eancia dos olhos e da soberba da vida (cfr 1Jo 2,16). Nesta tr\u00e1gica situa\u00e7\u00e3o, perdem-se a igualdade, o respeito e o amor, que no plano origin\u00e1rio de Deus a rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher exige.  8. Repassar estes textos fundamentais permite reafirmar alguns dados capitais da antropologia b\u00edblica. Antes de mais, h\u00e1 que sublinhar o car\u00e1cter pessoal do ser humano. \u00abO homem \u00e9 uma pessoa, em igual medida o homem e a mulher: os dois, na verdade, foram criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Deus pessoal\u00bb.10 A igual dignidade das pessoas realiza-se como complementaridade f\u00edsica, psicol\u00f3gica e ontol\u00f3gica, dando lugar a uma harmoniosa \u00abunidualidade\u00bb relacional, que s\u00f3 o pecado e as \u201cestruturas do pecado\u201d inscritas na cultura tornaram potencialmente conflituosa. A antropologia b\u00edblica convida a enfrentar com uma atitude relacional, n\u00e3o concorrencial nem de desforra, os problemas que, a n\u00edvel p\u00fablico ou privado, envolvem a diferen\u00e7a de sexo. H\u00e1 que salientar, por outro lado, a import\u00e2ncia e o sentido da diferen\u00e7a dos sexos como realidade profundamente inscrita no homem e na mulher: \u00aba sexualidade caracteriza o homem e a mulher, n\u00e3o apenas no plano f\u00edsico, mas tamb\u00e9m no psicol\u00f3gico e espiritual, marcando todas as suas express\u00f5es\u00bb.11 N\u00e3o se pode reduzi-la a puro e insignificante dado biol\u00f3gico, mas \u00e9 \u00abuma componente fundamental da personalidade, uma sua maneira de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, exprimir e viver o amor humano\u00bb.12 Esta capacidade de amar, reflexo e imagem de Deus Amor, tem uma sua express\u00e3o no car\u00e1cter esponsal do corpo, em que se inscreve a masculinidade e a feminilidade da pessoa.  A dimens\u00e3o antropol\u00f3gica da sexualidade \u00e9 insepar\u00e1vel da teol\u00f3gica. A criatura humana, na sua unidade de alma e corpo, \u00e9 desde o princ\u00edpio qualificada pela rela\u00e7\u00e3o com o outro-de-si. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o que se apresenta sempre boa e, ao mesmo tempo, alterada. \u00c9 boa, de uma bondade origin\u00e1ria declarada por Deus desde o primeiro momento da cria\u00e7\u00e3o; mas \u00e9 tamb\u00e9m alterada pela desarmonia entre Deus e a humanidade provocada pelo pecado. Esta altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o corresponde, por\u00e9m, nem ao projecto inicial de Deus sobre o homem e sobre a mulher, nem \u00e0 verdade da rela\u00e7\u00e3o dos sexos. Da\u00ed que, portanto, esta rela\u00e7\u00e3o boa, mas ferida, precise de ser curada. Quais podem ser os caminhos dessa cura? Considerar e analisar os problemas inerentes \u00e0 rela\u00e7\u00e3o dos sexos, s\u00f3 a partir de uma situa\u00e7\u00e3o marcada pelo pecado, levaria necessariamente o pensamento a regredir aos erros acima acenados. H\u00e1 portanto que romper esta l\u00f3gica de pecado e procurar uma sa\u00edda que permita extirp\u00e1-la do cora\u00e7\u00e3o do homem pecador. Uma orienta\u00e7\u00e3o clara nesse sentido encontra-se na promessa divina de um Salvador, em que aparecem empenhadas a \u00abmulher\u00bb e a sua \u00abdescend\u00eancia\u00bb (cfr Gen 3,15). \u00c9 uma promessa que, antes de se cumprir, ter\u00e1 uma longa prepara\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria.   9. Uma primeira vit\u00f3ria sobre o mal est\u00e1 representada na hist\u00f3ria de No\u00e9, homem justo, que, guiado por Deus, escapa ao dil\u00favio com a sua fam\u00edlia e com as diversas esp\u00e9cies de animais (cfr Gen 6-9). Mas \u00e9 sobretudo na escolha divina de Abra\u00e3o e da sua descend\u00eancia (cfr Gen 12,1ss) que a esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o se confirma. Deus come\u00e7a assim a revelar o seu rosto, para que, atrav\u00e9s do povo escolhido, a humanidade aprenda a estrada da semelhan\u00e7a divina, ou seja, da santidade e, por conseguinte, da mudan\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o. Entre as muitas maneiras com que Deus se revela ao seu povo (cfr Heb 1,1), segundo uma longa e paciente pedagogia, encontra-se tamb\u00e9m a refer\u00eancia ao tema comum da alian\u00e7a do homem e da mulher. \u00c9 paradoxal, se se considera o drama evocado pelo G\u00e9nesis e a sua r\u00e9plica muito concreta no tempo dos profetas, bem como a mistura entre o sagrado e a sexualidade presente nas religi\u00f5es que circundam Israel. Mesmo assim, tal simbolismo afigura-se indispens\u00e1vel para se compreender o modo com que Deus ama o seu povo: Deus faz-se conhecer como Esposo que ama Israel, sua Esposa.  Se nesta rela\u00e7\u00e3o Deus \u00e9 descrito como \u00abDeus ciumento\u00bb (cfr Ex 20,5; Naum 1,2) e Israel denunciado como Esposa \u00abad\u00faltera\u00bb ou \u00abprostituta\u00bb (cfr Os 2,4-15; Ez 16,15-34), \u00e9 porque a esperan\u00e7a, refor\u00e7ada pela palavra dos profetas, est\u00e1 precisamente em ver a nova Jerusal\u00e9m tornar-se a esposa perfeita: \u00abtal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposar\u00e1; e como a esposa \u00e9 a alegria do marido, tu ser\u00e1s a alegria do teu Deus\u00bb (Is 62,5). Recriada \u00abna justi\u00e7a e no direito, na benevol\u00eancia e no amor\u00bb (Os 2,21), aquela que se afastara para procurar a vida e a felicidade entre os falsos deuses h\u00e1-de voltar, e \u00c0quele que lhe falar\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o \u00abcantar\u00e1 como nos dias da sua juventude\u00bb (Os 2,17); e ouvi-lo-\u00e1 declarar: \u00abo teu esposo \u00e9 o teu criador\u00bb (Is 54,5). Substancialmente, \u00e9 o mesmo dado que se afirma, quando, paralelamente ao mist\u00e9rio da obra que Deus realiza atrav\u00e9s da figura masculina do Servo sofredor, o livro de Isa\u00edas evoca a figura feminina de Si\u00e3o, ornada de uma transcend\u00eancia e de uma santidade que prefiguram o dom da salva\u00e7\u00e3o destinada a Israel. O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos representa, sem d\u00favida, um momento privilegiado no uso desta modalidade de revela\u00e7\u00e3o. Nas palavras de um amor muito humano que celebra a beleza dos corpos e a felicidade do procurar-se um ao outro, exprime-se tamb\u00e9m o amor de Deus para com o seu povo. A Igreja, portanto, n\u00e3o se enganou, quando, usando as mesmas express\u00f5es, descobriu na audaciosa uni\u00e3o do que h\u00e1 de mais humano com o que h\u00e1 de mais divino, o mist\u00e9rio da sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo.  Ao longo de todo o Antigo Testamento, configura-se uma hist\u00f3ria de salva\u00e7\u00e3o que joga simultaneamente com a participa\u00e7\u00e3o do masculino e do feminino. Os termos esposo e esposa, e tamb\u00e9m alian\u00e7a, com que se caracteriza a din\u00e2mica da salva\u00e7\u00e3o, embora possuindo uma evidente dimens\u00e3o metaf\u00f3rica, s\u00e3o muito mais que simples met\u00e1foras. Tal vocabul\u00e1rio nupcial atinge a pr\u00f3pria natureza da rela\u00e7\u00e3o que Deus estabelece com o seu povo, mesmo se essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 mais vasta do que se possa provar na experi\u00eancia nupcial humana. Igualmente, as mesmas condi\u00e7\u00f5es concretas da reden\u00e7\u00e3o est\u00e3o em jogo, na forma como or\u00e1culos, do tipo dos de Isa\u00edas, associam pap\u00e9is masculinos e femininos no an\u00fancio e na prefigura\u00e7\u00e3o da obra de salva\u00e7\u00e3o que Deus est\u00e1 para realizar. Tal salva\u00e7\u00e3o orienta o leitor, tanto para a figura masculina do Servo sofredor, como para a figura feminina de Si\u00e3o. Os or\u00e1culos de Isa\u00edas, de facto, alternam esta figura com a do Servo de Deus, antes de culminar, no fim do livro, com a vis\u00e3o misteriosa de Jerusal\u00e9m que d\u00e1 \u00e0 luz um povo num s\u00f3 dia (cfr Is 66,7-14), profecia da grande novidade que Deus est\u00e1 para realizar (cfr Is 48,6-8).  10. No Novo Testamento, todas estas prefigura\u00e7\u00f5es encontram a sua realiza\u00e7\u00e3o. Por um lado, Maria, como filha eleita de Si\u00e3o, na sua feminilidade, recapitula e transfigura a condi\u00e7\u00e3o de Israel\/Esposa \u00e0 espera do dia da sua salva\u00e7\u00e3o. Por outro, a masculinidade do Filho permite reconhecer como Jesus assume na sua pessoa tudo o que o simbolismo veterotestament\u00e1rio aplicou ao amor de Deus para com o seu povo, des- crito como o amor de um esposo para com a sua esposa. As figuras de Jesus e de Maria, sua M\u00e3e, n\u00e3o s\u00f3 asseguram a continuidade do Antigo Testamento com o Novo, mas superam-no, a partir do momento que, com Jesus Cristo, aparece \u2014 como diz Santo Ireneu \u2014 \u00aba novidade toda\u00bb.13 Tal aspecto \u00e9 posto em particular evid\u00eancia pelo Evangelho de Jo\u00e3o. Na cena das n\u00fapcias de Can\u00e1, por exemplo, Jesus \u00e9 solicitado pela m\u00e3e, chamada \u201cmulher\u201d, a dar como sinal o vinho novo das futuras n\u00fapcias com a humanidade (cfr Jo 2,1-12). Tais n\u00fapcias messi\u00e2nicas realizar-se-\u00e3o sobre a cruz, onde, ainda na presen\u00e7a da m\u00e3e, indicada como \u201cmulher\u201d, brotar\u00e1 do cora\u00e7\u00e3o aberto do Crucificado o sangue\/vinho da Nova Alian\u00e7a (cfr Jo 19,25-27.34).14 Nada surpreende, portanto, se Jo\u00e3o Baptista, interrogado sobre a sua identidade, se apresenta como \u00abo amigo do esposo\u00bb, que se alegra ao ouvir a voz do esposo e que deve eclipsar-se \u00e0 sua chegada: \u00abQuem tem a esposa \u00e9 o esposo; e o amigo do esposo, que o acompanha e escuta, sente muita alegria ao ouvir a sua voz. Essa \u00e9 a minha alegria, que agora \u00e9 completa: Ele deve crescer e eu diminuir\u00bb (Jo 3,29-30).15  Na sua actividade apost\u00f3lica, Paulo desenvolve todo o sentido nupcial da reden\u00e7\u00e3o, concebendo a vida crist\u00e3 como um mist\u00e9rio nupcial. Escreve \u00e0 Igreja de Corinto, por ele fundada: \u00abSinto por v\u00f3s um ci\u00fame semelhante ao ci\u00fame de Deus, porque vos desposei com um s\u00f3 esposo, que \u00e9 Cristo, a quem devo apresentar-vos como virgem pura\u00bb (2Cor 11,2). Na Carta aos Ef\u00e9sios, a rela\u00e7\u00e3o esponsal entre Cristo e a Igreja \u00e9 retomada e amplamente aprofundada. Na Nova Alian\u00e7a, a Esposa amada \u00e9 a Igreja, e \u2014 como ensina o Santo Padre na Carta \u00e0s fam\u00edlias \u2014 \u00abesta esposa, de que fala a Carta aos Ef\u00e9sios, faz-se presente em cada baptizado e \u00e9 como uma pessoa em quem o olhar do seu Esposo se compraz: \u201cAmou a Igreja e por ela Se entregou&#8230; para a apresentar a Si mesmo como Igreja gloriosa sem mancha nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e imaculada\u201d (Ef 5,25-27)\u00bb.16  Meditando, portanto, sobre a uni\u00e3o do homem e da mulher, como \u00e9 descrita no momento da cria\u00e7\u00e3o do mundo (cfr Gen 2,24), o Ap\u00f3stolo exclama: \u00ab\u00c9 grande este mist\u00e9rio, digo-o em rela\u00e7\u00e3o a Cristo e \u00e0 Igreja!\u00bb (Ef 5,32). O amor do homem e da mulher, vivido na for\u00e7a da vida baptismal, passa a ser sacramento do amor de Cristo e da Igreja, testemunho dado ao mist\u00e9rio de fidelidade e de unidade, donde nasce a \u00abnova Eva\u00bb, e de que esta vive na sua peregrina\u00e7\u00e3o sobre a terra \u00e0 espera da plenitude das n\u00fapcias eternas.  11. Inseridos no mist\u00e9rio pascal e tornados sinais vivos do amor de Cristo e da Igreja, os esposos crist\u00e3os s\u00e3o renovados no seu cora\u00e7\u00e3o, podendo evitar as rela\u00e7\u00f5es marcadas pela concupisc\u00eancia e pela tend\u00eancia a subjugar, que a ruptura com Deus por causa do pecado havia introduzido no casal primitivo. Para eles, a bondade do amor, de que o desejo humano ferido sentia saudade, revela-se com novas acentua\u00e7\u00f5es e possibilidades. \u00c9 nesta luz que Jesus, perante a pergunta sobre o div\u00f3rcio (cfr Mt 19,3-9), pode recordar as exig\u00eancias da alian\u00e7a entre o homem e a mulher, como Deus as quisera nas origens, ou seja, antes da apari\u00e7\u00e3o do pecado que justificaria as sucessivas acomoda\u00e7\u00f5es da lei de Mois\u00e9s. Longe de ser a imposi\u00e7\u00e3o de uma ordem dura e intransigente, essa palavra de Jesus \u00e9, na verdade, o an\u00fancio de uma \u00abboa nova\u00bb: a da fidelidade mais forte que o pecado. Na for\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o, torna-se poss\u00edvel a vit\u00f3ria da fidelidade sobre as fraquezas, sobre as feridas recebidas e sobre os pecados do casal. Na gra\u00e7a de Cristo que renova o seu cora\u00e7\u00e3o, o homem e a mulher tornam-se capazes de se libertar do pecado e de conhecer a alegria do dom rec\u00edproco.   12. \u00abV\u00f3s que fostes baptizados em Cristo fostes revestidos de Cristo&#8230; n\u00e3o h\u00e1 mais homem nem mulher\u00bb \u2014 escreve S\u00e3o Paulo aos G\u00e1latas (3,27-28). O Ap\u00f3stolo n\u00e3o declara aqui que deixou de existir a distin\u00e7\u00e3o homem-mulher, distin\u00e7\u00e3o que alhures diz pertencer ao projecto de Deus. O que, ao inv\u00e9s, quer dizer \u00e9 o seguinte: em Cristo, a rivalidade, a inimizade e a viol\u00eancia, que desfiguravam a rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, s\u00e3o super\u00e1veis e est\u00e3o superadas. Neste sentido, mais do que nunca \u00e9 reafirmada a distin\u00e7\u00e3o do homem e da mulher, que ali\u00e1s acompanha at\u00e9 ao fim a revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Na hora final da hist\u00f3ria presente, quando se vislumbram no Apocalipse de Jo\u00e3o \u00abum novo c\u00e9u\u00bb e \u00abuma nova terra\u00bb (Ap 21,1), \u00e9 apresentada em vis\u00e3o uma Jerusal\u00e9m feminina \u00abbela como noiva adornada para o seu esposo\u00bb (Ap 21,2). A pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o termina com a palavra da Esposa e do Esp\u00edrito que imploram a vinda do Esposo: \u00abVem, Senhor Jesus\u00bb (Ap 22,20).  O masculino e o feminino s\u00e3o, portanto, revelados como pertencentes ontologicamente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e, por conseguinte, destinados a perdurar al\u00e9m do tempo presente, evidentemente numa forma transfigurada. Desse modo caracterizam o amor que \u00abn\u00e3o ter\u00e1 fim\u00bb (1Cor 13,8), embora se torne caduca a express\u00e3o temporal e terrena da sexualidade, ordenada para um regime de vida marcado pela gera\u00e7\u00e3o e pela morte. Dessa forma de exist\u00eancia futura do masculino e feminino, o celibato pelo Reino quer ser profecia. Para os que o vivem, antecipa a realidade de uma vida que, embora permanecendo a de um homem e de uma mulher, deixar\u00e1 de estar sujeita \u00e0s limita\u00e7\u00f5es presentes da rela\u00e7\u00e3o conjugal (cfr Mt 22,30). Para os que vivem a vida conjugal, tamb\u00e9m o seu estado constitui refer\u00eancia e profecia da perfei\u00e7\u00e3o que a sua rela\u00e7\u00e3o encontrar\u00e1 no encontro face a face com Deus.  Distintos desde o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o e permanecendo tais no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o da eternidade, o homem e a mulher, inseridos no mist\u00e9rio pascal de Cristo, deixam de conceber a sua diferen\u00e7a como fonte de disc\u00f3rdia, a superar com a nega\u00e7\u00e3o ou com o nivelamento, mas como uma possibilidade de colabora\u00e7\u00e3o, que devem cultivar no rec\u00edproco respeito da distin\u00e7\u00e3o. Daqui se abrem novas perspectivas para uma compreens\u00e3o mais profunda da dignidade da mulher e do seu papel na sociedade humana e na Igreja.  <b>III A actualidade dos valores femininos na vida da sociedade<\/b> 13. Entre os valores fundamentais relacionados com a vida concreta da mulher, existe o que se chama a sua \u00abcapacidade para o outro\u00bb. N\u00e3o obstante o facto de um certo discurso feminista reivindicar as exig\u00eancias \u00abpara ela mesma\u00bb, a mulher conserva a intui\u00e7\u00e3o profunda de que o melhor da sua vida \u00e9 feito de actividades orientadas para o despertar do outro, para o seu crescimento, a sua protec\u00e7\u00e3o. Uma tal intui\u00e7\u00e3o \u00e9 ligada \u00e0 sua capacidade f\u00edsica de dar a vida. Vivida ou potencial, essa capacidade \u00e9 uma realidade que estrutura em profundidade a personalidade feminina. Permite-lhe alcan\u00e7ar muito cedo a maturidade, sentido da gravidade da vida e das responsabilidades que a mesma implica. Desenvolve em si o sentido e o respeito do concreto, que se op\u00f5e \u00e0s abstrac\u00e7\u00f5es, muitas vezes mortais para a exist\u00eancia dos indiv\u00edduos e da sociedade. \u00c9 ela, enfim, que, mesmo nas situa\u00e7\u00f5es mais desesperadas \u2014 a hist\u00f3ria passada e presente s\u00e3o testemunho disso \u2014, possui uma capacidade \u00fanica de resistir nas adversidades; de tornar a vida ainda poss\u00edvel, mesmo em situa\u00e7\u00f5es extremas; de conservar um sentido tenaz do futuro e, por \u00faltimo, recordar com as l\u00e1grimas o pre\u00e7o de cada vida humana. Embora a maternidade seja um elemento chave da identidade feminina, isso n\u00e3o autoriza absolutamente a considerar a mulher apenas sob o perfil da procria\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Pode haver nesse sentido graves exageros que exaltam uma fecundidade biol\u00f3gica em termos vitalistas e que frequentemente s\u00e3o acompanhados de um perigoso desprezo da mulher. A exist\u00eancia da voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e0 virgindade, audaciosa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o veterotestament\u00e1ria e \u00e0s exig\u00eancias de muitas sociedades humanas, \u00e9 neste campo de grand\u00edssima import\u00e2ncia.17 Nega ela de forma radical toda a pretens\u00e3o de fechar as mulheres num destino que seria simplesmente biol\u00f3gico. Como a virgindade recebe da maternidade f\u00edsica a advert\u00eancia de que n\u00e3o existe voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sen\u00e3o no dom concreto de si ao outro, do mesmo modo a maternidade f\u00edsica recebe da virgindade o apelo \u00e0 sua dimens\u00e3o fundamentalmente espiritual: n\u00e3o \u00e9 contentando-se em dar a vida f\u00edsica que se gera verdadeiramente o outro. Isto quer dizer que a maternidade pode encontrar formas de realiza\u00e7\u00e3o plena tamb\u00e9m onde n\u00e3o h\u00e1 gera\u00e7\u00e3o f\u00edsica.18  Numa tal perspectiva, compreende-se o papel insubstitu\u00edvel da mulher em todos os aspectos da vida familiar e social que envolvam rela\u00e7\u00f5es humanas e o cuidado do outro. Aqui se manifesta com clareza o que Jo\u00e3o Paulo II chamou g\u00e9nio da mulher.19 Implica isto, antes de mais, que as mulheres estejam presentes, activamente e at\u00e9 com firmeza, na fam\u00edlia, que \u00e9 \u00absociedade primordial e, em certo sentido, \u201csoberana\u201d\u00bb,20 porque \u00e9 nesta que, em primeiro lugar, se plasma o rosto de um povo; \u00e9 nesta onde os seus membros adquirem os ensinamentos fundamentais. Nela aprendem a amar, enquanto s\u00e3o amados gratuitamente; aprendem o respeito por toda a outra pessoa, enquanto s\u00e3o respeitados; aprendem a conhecer o rosto de Deus, enquanto recebem a sua primeira revela\u00e7\u00e3o de um pai e de uma m\u00e3e cheios de aten\u00e7\u00e3o. Todas as vezes que venham a faltar estas experi\u00eancias fundantes, \u00e9 a sociedade no seu conjunto que sofre viol\u00eancia e se torna, por sua vez, geradora de m\u00faltiplas viol\u00eancias. Isso implica tamb\u00e9m que as mulheres estejam presentes no mundo do trabalho e da organiza\u00e7\u00e3o social e que tenham acesso a lugares de responsabilidade, que lhes d\u00eaem a possibilidade de inspirar as pol\u00edticas das na\u00e7\u00f5es e promover solu\u00e7\u00f5es inovadoras para os problemas econ\u00f3micos e sociais.  A este respeito, n\u00e3o se pode, por\u00e9m, esquecer que a interliga\u00e7\u00e3o das duas actividades \u2014 fam\u00edlia e trabalho \u2014 assume, no caso da mulher, caracter\u00edsticas diferentes das do homem. P\u00f5e-se, portanto, o problema de harmonizar a legisla\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o do trabalho com as exig\u00eancias da miss\u00e3o da mulher no seio da fam\u00edlia. O problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 jur\u00eddico, econ\u00f3mico e organizativo; \u00e9 antes de mais um problema de mentalidade, de cultura e de respeito. Exige-se, de facto, uma justa valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho realizado pela mulher na fam\u00edlia. Assim, as mulheres que livremente o desejam poder\u00e3o dedicar a totalidade do seu tempo ao trabalho dom\u00e9stico, sem ser socialmente estigmatizadas e economicamente penalizadas. As que, por usa vez, desejarem realizar tamb\u00e9m outros trabalhos poder\u00e3o faz\u00ea-lo com hor\u00e1rios adequados, sem serem confrontadas com a alternativa de mortificar a sua vida familiar ou ent\u00e3o arcar com uma situa\u00e7\u00e3o habitual de stress que n\u00e3o favorece nem o equil\u00edbrio pessoal nem a harmonia familiar. Como escreve Jo\u00e3o Paulo II, \u00abreverter\u00e1 em honra para a sociedade o tornar poss\u00edvel \u00e0 m\u00e3e \u2014 sem p\u00f4r obst\u00e1culos \u00e0 sua liberdade, sem discrimina\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ou pr\u00e1tica e sem que ela fique numa situa\u00e7\u00e3o de desdouro em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras mulheres \u2014 cuidar dos seus filhos e dedicar-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o deles, segundo as diferentes necessidades da sua idade\u00bb.21   14. \u00c9, em todo o caso, oportuno lembrar que os valores femininos, a que se acenou, s\u00e3o antes de mais valores humanos: a condi\u00e7\u00e3o humana, do homem e da mulher, criados \u00e0 imagem de Deus, \u00e9 una e indivis\u00edvel. \u00c9 s\u00f3 por estarem em sintonia mais imediata com estes valores que as mulheres podem ajudar a lembr\u00e1-los ou ser o seu sinal privilegiado. Mas, em \u00faltima an\u00e1lise, todo o ser humano, homem e mulher, \u00e9 destinado a ser \u00abpara o outro\u00bb. Nessa perspectiva, o que se chama \u00abfeminilidade\u00bb \u00e9 mais do que um simples atributo do sexo feminino. A palavra designa, com efeito, a capacidade fundamentalmente humana de viver para o outro e gra\u00e7as ao outro. Portanto, a promo\u00e7\u00e3o da mulher no seio da sociedade deve ser compreendida e querida como uma humaniza\u00e7\u00e3o, realizada atrav\u00e9s daqueles valores que foram redescobertos gra\u00e7as \u00e0s mulheres. Qualquer perspectiva que pretenda propor-se como luta dos sexos n\u00e3o passa de uma ilus\u00e3o e perigo: desembocaria em situa\u00e7\u00f5es de segrega\u00e7\u00e3o e de competi\u00e7\u00e3o entre homens e mulheres e promoveria um solipsismo que se nutre de uma falsa concep\u00e7\u00e3o da liberdade.  Sem preju\u00edzo dos esfor\u00e7os que s\u00e3o feitos na promo\u00e7\u00e3o dos direitos que as mulheres podem aspirar na sociedade e na fam\u00edlia, estas observa\u00e7\u00f5es querem, ao inv\u00e9s, corrigir a perspectiva que considera os homens inimigos a vencer. A rela\u00e7\u00e3o homem-mulher n\u00e3o pode pretender encontrar a sua justa condi\u00e7\u00e3o numa esp\u00e9cie de contraposi\u00e7\u00e3o, desconfiada e defensiva. Tal rela\u00e7\u00e3o tem de ser vivida na paz e na felicidade do amor partilhado. A um n\u00edvel mais concreto, as pol\u00edticas sociais \u2014educativas, familiares, laborais, de acesso aos servi\u00e7os, de participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, \u2014 se, por um lado, devem combater toda a discrimina\u00e7\u00e3o sexual injusta, por outro, devem saber escutar as aspira\u00e7\u00f5es e assinalar as necessidades de cada um. A defesa e promo\u00e7\u00e3o da igual dignidade e dos comuns valores pessoais devem harmonizar-se com o atento reconhecimento da diferen\u00e7a e da reciprocidade, onde a realiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria humanidade masculina e feminina o exija.  <b>IV A actualidade dos valores femininos na vida da Igreja<\/b> 15. No que diz respeito \u00e0 Igreja, o sinal da mulher \u00e9 eminentemente central e fecundo. Depende da pr\u00f3pria centralidade da Igreja, que o recebe de Deus e acolhe na f\u00e9. \u00c9 esta identidade \u00abm\u00edstica\u00bb, profunda, essencial, que se deve ter presente na reflex\u00e3o sobre os pap\u00e9is pr\u00f3prios do homem e da mulher na Igreja. Desde as primeiras gera\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, a Igreja considerou-se uma comunidade, gerada por Cristo e a Ele ligada por uma rela\u00e7\u00e3o de amor, de que a experi\u00eancia nupcial \u00e9 a melhor express\u00e3o. Da\u00ed deriva que o primeiro dever da Igreja \u00e9 permanecer na presen\u00e7a desse mist\u00e9rio do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, contempl\u00e1-lo e celebr\u00e1-lo. Nesta mat\u00e9ria, a figura de Maria constitui na Igreja a refer\u00eancia fundamental. Poderia dizer-se, com uma met\u00e1fora, que Maria oferece \u00e0 Igreja o espelho em que esta \u00e9 convidada a descobrir a sua identidade, bem como as disposi\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o, as atitudes e os gestos que Deus dela espera. A exist\u00eancia de Maria \u00e9 um convite \u00e0 Igreja para basear o seu ser na escuta e no acolhimento da Palavra de Deus, porque a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 tanto a procura de Deus por parte do ser humano, mas \u00e9 sobretudo a aceita\u00e7\u00e3o por parte do homem de que Deus vem at\u00e9 ele, visita-o e fala-lhe. Esta f\u00e9, para a qual \u00abnada \u00e9 imposs\u00edvel a Deus\u00bb (cfr Jo 18,14; Lc 1,37), vive e aprofunda-se na obedi\u00eancia humilde e amorosa com que a Igreja sabe dizer ao Pai: \u00abFa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra\u00bb (Lc 1,38). A f\u00e9 leva constantemente a Jesus \u2014 \u00abFazei tudo o que Ele vos disser\u00bb (Jo 2,5) \u2014 e acompanha-O no seu caminho at\u00e9 aos p\u00e9s da cruz. Maria, na hora das trevas mais profundas, persiste corajosamente na fidelidade, com a \u00fanica certeza da confian\u00e7a na Palavra de Deus. Sempre em Maria, a Igreja aprende a conhecer a intimidade de Cristo. Maria, que trouxe nas suas m\u00e3os a pequena crian\u00e7a de Bel\u00e9m, ensina a descobrir a infinita humildade de Deus. Ela, que recebeu nos seus bra\u00e7os o corpo dilacerado de Jesus deposto da cruz, mostra \u00e0 Igreja como pegar em todas as vidas desfiguradas neste mundo pela viol\u00eancia e pelo pecado. De Maria, a Igreja aprende o sentido do poder do amor, como Deus o exerce e revela na pr\u00f3pria vida do Filho predilecto: \u00abdispersou os soberbos&#8230; exaltou os humildes\u00bb (Lc 1,51-52). Sempre de Maria, os disc\u00edpulos de Cristo recebem o sentido e o gosto do louvor perante a obra das m\u00e3os de Deus: \u00abo Todo-poderoso fez em mim maravilhas\u00bb (Lc 1,49). Aprendem que est\u00e3o no mundo para conservar a mem\u00f3ria dessas \u00abmaravilhas\u00bb e vigiar, enquanto aguardam o dia do Senhor.   16. Olhar para Maria e imit\u00e1-la n\u00e3o significa, todavia, votar a Igreja a uma passividade inspirada numa concep\u00e7\u00e3o superada da feminilidade, e conden\u00e1-la a uma vulnerabilidade perigosa, num mundo em que o que conta \u00e9 sobretudo o dom\u00ednio e o poder. Na verdade, o caminho de Cristo n\u00e3o \u00e9 nem o do dom\u00ednio (cfr Fil 2,6), nem o do poder como o entende o mundo (cfr Jo 18,36). Do Filho de Deus pode aprender-se que esta \u00abpassividade\u00bb \u00e9, na realidade, o caminho do amor; \u00e9 um poder r\u00e9gio que derrota toda a viol\u00eancia; \u00e9 \u00abpaix\u00e3o\u00bb que salva o mundo do pecado e da morte e recria a humanidade. Confiando ao ap\u00f3stolo Jo\u00e3o a sua M\u00e3e, o Crucificado convida a sua Igreja a aprender de Maria o segredo do amor que triunfa. Muito longe de conferir \u00e0 Igreja uma identidade fundada sobre um modelo contingente de feminilidade, a refer\u00eancia a Maria, com as suas disposi\u00e7\u00f5es de escuta e acolhimento, de humildade, de fidelidade, de louvor e espera, coloca a Igreja na continuidade da hist\u00f3ria espiritual de Israel. Estas atitudes tornam-se, em Jesus e por meio d&#8217;Ele, a voca\u00e7\u00e3o de todo o baptizado. Prescindindo das condi\u00e7\u00f5es, dos estados de vida, das diferentes voca\u00e7\u00f5es, com ou sem responsabilidades p\u00fablicas, s\u00e3o elas que determinam um aspecto essencial da identidade da vida crist\u00e3. Embora sejam atitudes que deveriam ser t\u00edpicas de todo o baptizado, na realidade \u00e9 t\u00edpico da mulher viv\u00ea-las com especial intensidade e naturalidade. Assim, as mulheres desempenham um papel de m\u00e1xima import\u00e2ncia na vida eclesial, lembrando essas disposi\u00e7\u00f5es a todos os baptizados e contribuindo de maneira \u00edmpar para manifestar o verdadeiro rosto da Igreja, esposa de Cristo e m\u00e3e dos crentes.  Numa tal perspectiva, tamb\u00e9m se compreende porque o facto de a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal ser exclusivamente reservada aos homens 22 n\u00e3o impede \u00e0s mulheres de terem acesso ao cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Elas s\u00e3o chamadas a ser modelos e testemunhas insubstitu\u00edveis para todos os crist\u00e3os de como a Esposa deve responder com amor ao amor do Esposo.  <b>Conclus\u00e3o<\/b> 17. Em Jesus Cristo todas as coisas se tornaram novas (cfr Ap 21,5). A renova\u00e7\u00e3o na gra\u00e7a por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem a convers\u00e3o dos cora\u00e7\u00f5es. Trata-se, olhando para Jesus e confessando-O como Senhor, de reconhecer o caminho do amor vitorioso sobre o pecado que Ele prop\u00f5e aos seus disc\u00edpulos. Assim sendo, a rela\u00e7\u00e3o do homem com a mulher transforma-se, e a tr\u00edplice concupisc\u00eancia, de que fala a primeira Carta de Jo\u00e3o (cfr 1 Jo 16), deixa de ter o predom\u00ednio. Deve acolher-se o testemunho da vida das mulheres como revela\u00e7\u00e3o de valores, sem os quais a humanidade se fecharia na auto-sufici\u00eancia, nos sonhos de poder e no drama da viol\u00eancia. Tamb\u00e9m a mulher, por seu lado, deve deixar-se converter e reconhecer os singulares valores, fortemente eficazes, do amor pelo outro, de que a sua feminilidade \u00e9 portadora. Em ambos os casos, trata-se da convers\u00e3o da humanidade a Deus, de modo que, tanto o homem como a mulher, vejam em Deus o seu \u00abaux\u00edlio\u00bb, o Criador cheio de ternura, o Redentor que \u00abamou tanto o mundo a ponto de entregar o seu Filho unig\u00e9nito\u00bb (Jo 3,16). Uma tal convers\u00e3o n\u00e3o pode realizar-se sem a ora\u00e7\u00e3o humilde para receber de Deus a transpar\u00eancia de olhar que reconhece o pr\u00f3prio pecado e, ao mesmo tempo, a gra\u00e7a que o cura. De modo especial deve implorar-se a Virgem Maria, mulher segundo o cora\u00e7\u00e3o de Deus, \u00abbendita entre as mulheres\u00bb (cfr Lc 1,42), escolhida para revelar \u00e0 humanidade, homens e mulheres, qual o caminho do amor. S\u00f3 assim poder\u00e1 sobressair em cada homem e em cada mulher, em cada um segundo a sua pr\u00f3pria gra\u00e7a, a \u00abimagem de Deus\u00bb, que \u00e9 a santa ef\u00edgie com que s\u00e3o assinalados (cfr Gen 1,27). S\u00f3 assim se poder\u00e1 reencontrar o caminho da paz e da maravilha, de que d\u00e1 testemunho a tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica atrav\u00e9s dos vers\u00edculos do C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, em que corpos e cora\u00e7\u00f5es celebram o mesmo j\u00fabilo. A Igreja certamente conhece a for\u00e7a do pecado que opera nos indiv\u00edduos e nas sociedades e que por vezes leva a perder a esperan\u00e7a na bondade do casal. Ela, por\u00e9m, pela sua f\u00e9 em Cristo crucificado e ressuscitado, conhece ainda mais a for\u00e7a do perd\u00e3o e do dom de si. Apesar de toda a ferida e toda a injusti\u00e7a, a paz e a maravilha que ela com confian\u00e7a aponta aos homens e mulheres de hoje s\u00e3o a paz e a maravilha do jardim da ressurrei\u00e7\u00e3o, que iluminou o nosso mundo e toda a sua hist\u00f3ria com a revela\u00e7\u00e3o de que \u00abDeus \u00e9 amor\u00bb (1Jo 4,8.16).  <i>O Sumo Pont\u00edfice Jo\u00e3o Paulo II, no decurso da Audi\u00eancia concedida ao abaixo-assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Carta, decidida na reuni\u00e3o ordin\u00e1ria desta Congrega\u00e7\u00e3o, e mandou que fosse publicada.<\/i>  Roma, Sede da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, 31 de Maio de 2004, Festa da Visita\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora.  + Joseph Card. Ratzinger Prefeito  + Angelo Amato, SDB Arcebispo titular de Sila Secret\u00e1rio  <i>1 Cfr Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. post-sinodal Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981): AAS 74 (1982), 81-191; Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988): AAS 80 (1988), 1653-1729; Carta \u00e0s fam\u00edlias (2 de Fevereiro de 1994): AAS 86 (1994), 868-925; Carta \u00e0s mulheres (29 de Junho de 1995): AAS 87 (1995), 803-812; Catequese sobre o amor humano (1979-1984): Insegnamenti II (1979) &#8211; VII (1984); Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, Orienta\u00e7\u00f5es educativas sobre o amor humano. Lineamentos de educa\u00e7\u00e3o sexual (1 de Novembro de 1983): Ench. Vat. 9, 420-456; Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia, Sexualidade humana: verdade e significado. Orienta\u00e7\u00f5es educativas em fam\u00edlia (8 de Dezembro de 1995): Ench. Vat. 14, 2008-2077.  2 Sobre a complexa quest\u00e3o do gender, cfr ainda Pontif\u00edcio Conselho para a Fam\u00edlia, Fam\u00edlia, matrim\u00f3nio e \u00abuni\u00e3o de facto\u00bb (26 de Julho de 2000), 8: Suplemento a L&#8217;Osservatore Romano (22 de Novembro de 2000), 4.   3 Cfr Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 21: AAS 91 (1999), 22: \u00abEsta abertura ao mist\u00e9rio, que provinha da Revela\u00e7\u00e3o, acabou por ser para ele [o homem b\u00edblico] a fonte de um verdadeiro conhecimento, que permitiu \u00e0 sua raz\u00e3o aventurar-se em espa\u00e7os infinitos, recebendo possibilidades de compreens\u00e3o, at\u00e9 ent\u00e3o impens\u00e1veis\u00bb.   4 Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 6: AAS 80 (1988), 1662; cfr S. Ireneu, Adversus haereses, 5, 6, 1; 5, 16, 2-3: SC 153, 72-81; 216-221; S. Greg\u00f3rio de Nissa, De hominis opificio, 16: PG 44, 180; In Canticum homilia, 2: PG 44, 805-808; S. Agostinho, Enarratio in Psalmum, 4, 8: CCL 38,17.   5 A palavra ebraica ezer, traduzida com ajuda, indica o socorro que s\u00f3 uma pessoa d\u00e1 a uma outra pessoa. O termo n\u00e3o comporta nenhuma conota\u00e7\u00e3o de inferioridade ou instrumentaliza\u00e7\u00e3o, se se tem presente que tamb\u00e9m Deus \u00e9 por vezes chamado ezer em rela\u00e7\u00e3o ao homem (cfr Ex 18,4; Sal 9-10, 35).  6 Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 6: AAS 80 (1988), 1664.  7 Jo\u00e3o Paulo II, Catequese O homem-pessoa torna-se dom na liberdade do amor (16 de Janeiro de 1980), 1: Insegnamenti III, 1 (1980), 148.  8 Jo\u00e3o Paulo II, Catequese a concupisc\u00eancia do corpo deforma as rela\u00e7\u00f5es homem-mulher (23 de Julho de 1980), 1: Insegnamenti III, 2 (1980), 288.   9 Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 7: AAS 80 (1988), 1666.  10 Ibid., 6: l.c., 1663.  11 Congrega\u00e7\u00e3o para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, Orienta\u00e7\u00f5es educativas sobre o amor humano. Lineamentos de educa\u00e7\u00e3o sexual (1 de Novembro de 1983), 4: Ench. Vat. 9, 423.  12 Ibid.  13 Adversus haereses, 4, 34, 1: SC 100, 846: \u00abOmnem novitatem attulit semetipsum afferens\u00bb.  14 A Tradi\u00e7\u00e3o exeg\u00e9tica antiga v\u00ea Maria em Can\u00e1 como a \u00abfigura Synagogae\u00bb e a \u00abinchoatio Ecclesiae\u00bb.  15 O quarto evangelho aprofunda aqui um dado j\u00e1 presente nos Sin\u00f3pticos (cfr Mt 9,15 e par.). Sobre o tema de Jesus Esposo, cfr Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias (2 de Fevereiro de 1994), 18: AAS 86 (1994), 906-910.   16 Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias (2 de Fevereiro de 1994), 19: AAS 86 (1994), 911; cfr Carta apost. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 23-25: AAS 80 (1988), 1708-1715.  17 Cfr Jo\u00e3o Paulo II, Exort. apost. post-sinodal Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 16: AAS 74 (1982), 98-99.  18 Ibid., 41: l.c., 132-133; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Instr. Donum vitae (22 de Fevereiro de 1987), II, 8: AAS 80 (1988), 96-97.  19 Cfr Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s mulheres (29 de Junho de 1995), 9-10: AAS 87 (1995), 809-810.  20 Jo\u00e3o Paulo II, Carta \u00e0s fam\u00edlias (2 de Fevereiro de 1994), 17: AAS 86 (1994), 906.  21 Carta enc. Laborem exercens (14 de Setembro de 1981), 19: AAS 73 (1981), 627.  22 Cfr Jo\u00e3o Paulo II, Carta apost. Ordinatio sacerdotalis (22 de Maio de 1994): AAS 86 (1994), 545-548; Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Resposta \u00e0 d\u00favida sobre a doutrina da Carta apost\u00f3lica Ordinatio sacerdotalis (28 de Outubro de 1995): AAS 87 (1995), 1114.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta aos bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo Introdu\u00e7\u00e3o 1. Perita em humanidade, a Igreja est\u00e1 sempre interessada por tudo o que diz respeito ao homem e \u00e0 mulher. Nestes \u00faltimos tempos, tem-se reflectido muito sobre a dignidade da mulher, sobre os seus direitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,127,154,168,193,206,237],"class_list":["post-7057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-catequese","tag-crianca","tag-diocese-da-guarda","tag-educacao","tag-familia","tag-joao-paulo-ii"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}