{"id":70349,"date":"2014-12-25T11:59:00","date_gmt":"2014-12-25T11:59:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/12\/25\/olhar-avulso\/"},"modified":"2014-12-25T11:59:00","modified_gmt":"2014-12-25T11:59:00","slug":"olhar-avulso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/olhar-avulso\/","title":{"rendered":"Olhar avulso"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais <!--more--> <\/p>\n<p> \tN&atilde;o me apetece olhar para 2014; ou, melhor dito, n&atilde;o me apetece ficar a olhar para 2014. O que n&atilde;o me impede de considerar que quem, por estes dias, se dedica a retrospectivas at&eacute; presta um bom servi&ccedil;o, ajudando a retirar o p&oacute; a alguns acontecimentos ou circunst&acirc;ncias que muitos desejariam esquecer.<\/p>\n<p> \tPorque esta edi&ccedil;&atilde;o do Seman&aacute;rio Ecclesia me desafia, aceito uma visita&ccedil;&atilde;o muito r&aacute;pida ao ano quase defunto, em jeito de exame de consci&ecirc;ncia. Ou, pelo menos, com o mesmo m&eacute;todo e objectivo&hellip; Explico-me: os meus exames de consci&ecirc;ncia s&atilde;o serenos e motivadores. Pela serenidade, procuro a luz que me permita um ju&iacute;zo desejavelmente l&uacute;cido sobre comportamentos agora lidos a frio; depois, aprofundo ou altero decis&otilde;es. De facto, assumido um erro, recuso-me a ficar seu prisioneiro, aproveitando a exigente miseric&oacute;rdia de quem, mais do que libertar-me do passado, me oferece o futuro!&#8230;<\/p>\n<p> \tSe a 2014 fosse uma pessoa, dir-lhe-ia que nesta data lhe pe&ccedil;o perd&atilde;o pelas manh&atilde;s de sol que tingi de escuro; e que nesta mesma data j&aacute; lhe perdoei os dias mais escuros que me ofereceu ou as constata&ccedil;&otilde;es mais frias a que me obrigou.<\/p>\n<p> \t1. Em 2014, por exemplo, constatei que as epidemias s&atilde;o not&iacute;cia n&atilde;o pelo n&uacute;mero de pessoas que afectam, mas pelas pessoas que afectam. Ou seja, fui for&ccedil;ado a concluir que tamb&eacute;m os dramas t&ecirc;m nacionalidade: s&atilde;o enormes se forem norte-americanos, m&eacute;dios se forem da Europa e banais se cobrirem &Aacute;frica&hellip; N&atilde;o esque&ccedil;o, contudo, que s&atilde;o normalmente os grandes dramas que nos ajudam a descobrir pessoas excepcionais. Penso em mission&aacute;rios humildes e m&eacute;dicos e enfermeiros valentes. Ebola dixit.<\/p>\n<p> \t2. Se os dramas t&ecirc;m nacionalidade, 2014 voltou a lembrar-nos que a viol&ecirc;ncia mais infame pode travestir-se em &ldquo;religi&atilde;o&rdquo;&#8211; sendo Deus invocado para purificar a humanidade de quem n&atilde;o O reconhe&ccedil;a propriedade de um grupo. Mas eis uma infeliz circunst&acirc;ncia que tamb&eacute;m proclama que o mart&iacute;rio &eacute;, hoje como ontem, um grito de liberdade!&#8230;<\/p>\n<p> \t3. O ano a passar avivou outra mem&oacute;ria: os circos medi&aacute;ticos ou mediatizados continuam a adormecer est&ocirc;magos e c&eacute;rebros. Um Mundial qualquer, por exemplo, ajuda a esquecer a fome e as injusti&ccedil;as, vestindo uma t-shirt. Mas h&aacute; desportistas que vestem causas, carrinhas generosas que procuram os irm&atilde;os dispersos na noite e barcos an&oacute;nimos que tiram do mar milhares de refugiados e famintos.<\/p>\n<p> \t4. Sim; 2014 mostrou que o bem tamb&eacute;m contagia &#8212; mesmo sob a forma de um balde de &aacute;gua gelada. Sendo certo que alguns se honraram na publicidade do gesto, seria injusto esquecer que os gestos limpos e sinceros valem sempre a pena.<\/p>\n<p> \t5.&nbsp; O &oacute;dio mata num avi&atilde;o derrubado e nos tanques que n&atilde;o param nas fronteiras; mas a humanidade voa sobre os escombros e ergue-se na voz de uma quase adolescente construtora da paz, ou na proximidade e nas palavras sussurradas de Francisco. Porque a verdade &eacute; como o azeite!<\/p>\n<p> \t6. Ainda em 2014 pudemos constatar a vizinhan&ccedil;a entre o Capit&oacute;lio e a Rocha Tarpeia, vendo como tremem institui&ccedil;&otilde;es e caem pessoas, ficando os simples defraudados nos seus sacrif&iacute;cios e na confian&ccedil;a depositada. A dignidade dos humildes n&atilde;o tem pre&ccedil;o!&#8230;<br \/> \tSim, eu sei que tudo isto &ndash; este olhar avulso &#8212; diz muito pouco do ano que se vai. Mas, se me perdoam a imod&eacute;stia, podem dizer bastante para o ano que a&iacute; vem&hellip; E, na minha opini&atilde;o, isso &eacute; j&aacute; o mais importante!<\/p>\n<p> \tJo&atilde;o Aguiar Campos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Aguiar Campos, Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[140,203,291],"class_list":["post-70349","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-comunicacoes-sociais","tag-europa","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70349\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}