{"id":70239,"date":"2014-12-15T15:00:00","date_gmt":"2014-12-15T15:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/12\/15\/vai-alguem-que-consagrou-a-sua-vida-a-deus-a-passar-na-cidade\/"},"modified":"2014-12-15T15:00:00","modified_gmt":"2014-12-15T15:00:00","slug":"vai-alguem-que-consagrou-a-sua-vida-a-deus-a-passar-na-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/vai-alguem-que-consagrou-a-sua-vida-a-deus-a-passar-na-cidade\/","title":{"rendered":"Vai algu\u00e9m que consagrou a sua vida a Deus a passar na cidade"},"content":{"rendered":"<p> \tUma pessoa vai a passar e v&ecirc; algu&eacute;m que dedica a sua vida a Deus. Olha mais de perto para ver se percebeu, se &eacute; mesmo assim. Afinal, estamos em 2014, no s&eacute;culo XXI e estamos com pressa. Parar para ver quem assim passa &eacute; um luxo, mas um dia n&atilde;o s&atilde;o dias e fica-se a olhar. Ali vai uma mulher ou um homem que optou pela Vida Consagrada. A palavra Consagra&ccedil;&atilde;o mete respeito ao observador, surpreende pela sua solenidade e proximidade ao mesmo tempo. D&aacute; ideia de um mundo pr&oacute;prio, que quem est&aacute; a olhar gosta de saber que existe, mas a que n&atilde;o seria capaz de pertencer. Se o posto de observa&ccedil;&atilde;o permitisse via-se um olhar tranquilo, uma atitude de uma desconhecida paz interior. Com mais aten&ccedil;&atilde;o percebia-se que essa n&atilde;o era uma atitude passiva, antes uma forma de estar em a&ccedil;&atilde;o na cidade, com plena concentra&ccedil;&atilde;o nesse agir.<\/p>\n<p> \tVai um consagrado a passar na cidade, est&aacute; uma consagrada a habitar a cidade &#8211; para o cidad&atilde;o comum, ou seja, todos, este n&atilde;o &eacute; um acontecimento &ldquo;normal&rdquo;. O normal &eacute; que as coisas estejam no seu s&iacute;tio, com as suas fun&ccedil;&otilde;es bem definidas, os seus espa&ccedil;os bem delimitados. Por exemplo, os padres est&atilde;o nas igrejas, nas par&oacute;quias a tratar no s&iacute;tio certo das coisas de Deus.<\/p>\n<p> \tMas a desordem come&ccedil;a quando as mulheres e os homens que estranhamente dedicaram a sua vida a Deus, a sua vida toda e numa quase impens&aacute;vel escala temporal de &ldquo;para sempre&rdquo; n&atilde;o ficam quietos e v&ecirc;m ter connosco. Aos s&iacute;tios mais dif&iacute;ceis em que estamos: nos hospitais, nas pris&otilde;es, nas fronteiras da vida, nos bairros mais pobres, nos cruzamentos mais perigosos. Ou aos s&iacute;tios mais habituais, mas que s&atilde;o decisivos para formatar o mundo como as escolas, aprofundando o sentido da Educa&ccedil;&atilde;o. Desordem ainda nos conventos quando se cria ali uma contra ordem de reclus&atilde;o, afinal abertura mais radical a um Deus desconhecido. Esses conventos dos filmes, m&iacute;ticos, que conseguem sobreviver a todas as configura&ccedil;&otilde;es societais.<\/p>\n<p> \tVai uma pessoa a passar na rua, a olhar pela janela do carro, a fazer compras para o Natal e v&ecirc; algu&eacute;m que dedica a sua vida a Deus. N&atilde;o seria pr&oacute;prio ir ter com esse algu&eacute;m, seria um gesto estranho. Mas apetecia ir l&aacute; mais ao p&eacute; dela, talvez mesmo tocar na sua roupa consagrada. Talvez fazer uma pergunta, trocar um olhar. Por ventura convidar para um breve &#8211; claro que breve, descomprometido &#8211; caf&eacute;. O mais prov&aacute;vel &eacute; que n&atilde;o aconte&ccedil;a nada disto. Ficar&aacute; para uma pr&oacute;xima vez. Afinal, eles de vez em quando passam na cidade, afinal sabe-se que habitam a cidade. N&atilde;o h&aacute; perigo de mudarem de personalidade, de deixarem de ter aquela atitude interior feita de uma estranha tranquilidade, que lhes permite fazer tanta coisa. Fica para a pr&oacute;xima. Ainda por cima vai haver um Ano inteiro (a Igreja at&eacute; acha que de novembro de 2014 a fevereiro de 2016 &eacute; s&oacute; um ano, pensa divertido o observador) dedicado a esta estranha forma de vida, por isso haver&aacute; mais oportunidades.<\/p>\n<p> \t&Agrave;s tantas este observador n&atilde;o resiste a perguntar-se por que &eacute; que h&aacute; quem dedique radicalmente a sua vida a Deus. Se houvesse coragem para abordar o consagrado que passa ele poderia responder no seu melhor latim: Vidimus Dominum, traduzindo logo a seguir com um olhar luminoso: Vimos o Senhor! &Eacute; uma boa raz&atilde;o, pensa o observador ao mesmo tempo que n&atilde;o deixar&aacute; de fazer uma segunda pergunta: como ser&aacute; que isso se faz?<\/p>\n<p> \t<em>Carlos Liz<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pessoa vai a passar e v&ecirc; algu&eacute;m que dedica a sua vida a Deus. 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