{"id":70199,"date":"2014-12-12T13:09:00","date_gmt":"2014-12-12T13:09:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/12\/12\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xlviii-dia-mundial-da-paz\/"},"modified":"2014-12-12T13:09:00","modified_gmt":"2014-12-12T13:09:00","slug":"mensagem-do-papa-francisco-para-o-xlviii-dia-mundial-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-papa-francisco-para-o-xlviii-dia-mundial-da-paz\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa Francisco para o XLVIII Dia Mundial da Paz"},"content":{"rendered":"<p>1\u00ba de janeiro de 2015 <!--more--> <\/p>\n<p> \t<strong>J&aacute; n&atilde;o escravos, mas irm&atilde;os<\/strong><\/p>\n<p> \t1. No in&iacute;cio dum novo ano, que acolhemos como uma gra&ccedil;a e um dom de Deus para a humanidade, desejo dirigir, a cada homem e mulher, bem como a todos os povos e na&ccedil;&otilde;es do mundo, aos chefes de Estado e de Governo e aos respons&aacute;veis das v&aacute;rias religi&otilde;es, os meus ardentes votos de paz, que acompanho com a minha ora&ccedil;&atilde;o a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os in&uacute;meros sofrimentos provocados quer pela m&atilde;o do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais. Rezo de modo particular para que, respondendo &agrave; nossa voca&ccedil;&atilde;o comum de colaborar com Deus e com todas as pessoas de boa vontade para a promo&ccedil;&atilde;o da conc&oacute;rdia e da paz no mundo, saibamos resistir &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de nos comportarmos de forma n&atilde;o digna da nossa humanidade.<\/p>\n<p> \tJ&aacute;, na&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20131208_messaggio-xlvii-giornata-mondiale-pace-2014.html\">minha mensagem para o 1&ordm; de Janeiro passado<\/a>, fazia notar que &laquo;o anseio duma vida plena (&hellip;) cont&eacute;m uma aspira&ccedil;&atilde;o irreprim&iacute;vel de fraternidade, impelindo &agrave; comunh&atilde;o com os outros, em quem n&atilde;o encontramos inimigos ou concorrentes, mas irm&atilde;os que devemos acolher e abra&ccedil;ar&raquo;.[1]&nbsp;Sendo o homem um ser relacional, destinado a realizar-se no contexto de rela&ccedil;&otilde;es interpessoais inspiradas pela justi&ccedil;a e a caridade, &eacute; fundamental para o seu desenvolvimento que sejam reconhecidas e respeitadas a sua dignidade, liberdade e autonomia. Infelizmente, o flagelo generalizado da explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunh&atilde;o e a voca&ccedil;&atilde;o a tecer rela&ccedil;&otilde;es interpessoais marcadas pelo respeito, a justi&ccedil;a e a caridade. Tal fen&oacute;meno abomin&aacute;vel, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume m&uacute;ltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, &agrave; luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, &laquo;<em>j&aacute; n&atilde;o escravos, mas irm&atilde;os<\/em>&raquo;.<\/p>\n<p> \t<strong><em>&Agrave; escuta do projecto de Deus para a humanidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t2. O tema, que escolhi para esta mensagem, inspira-se na Carta de S&atilde;o Paulo a Fil&eacute;mon; nela, o Ap&oacute;stolo pede ao seu colaborador para acolher On&eacute;simo, que antes era escravo do pr&oacute;prio Fil&eacute;mon mas agora tornou-se crist&atilde;o, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado&nbsp;<em>um irm&atilde;o<\/em>. Escreve o Ap&oacute;stolo dos gentios: &laquo;Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, n&atilde;o j&aacute; como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irm&atilde;o querido&raquo; (<em>Flm<\/em>&nbsp;15-16). Tornando-se crist&atilde;o, On&eacute;simo passou a ser irm&atilde;o de Fil&eacute;mon. Deste modo, a convers&atilde;o a Cristo, o in&iacute;cio duma vida de&nbsp;<em>discipulado em Cristo<\/em>&nbsp;constitui um&nbsp;<em>novo nascimento<\/em>&nbsp;(cf.&nbsp;<em>2 Cor<\/em>&nbsp;5, 17;&nbsp;<em>1 Ped<\/em>&nbsp;1, 3), que regenera a&nbsp;<em>fraternidade<\/em>&nbsp;como v&iacute;nculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social.<\/p>\n<p> \tLemos, no livro do G&eacute;nesis (cf. 1, 27-28), que Deus criou o ser humano como<em>&nbsp;homem e mulher<\/em>&nbsp;e aben&ccedil;oou-os para que crescessem e se multiplicassem: a Ad&atilde;o e Eva, f&ecirc;-los pais, que, no cumprimento da b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o de Deus para ser fecundos e multiplicar-se, geraram a primeira&nbsp;<em>fraternidade<\/em>: a de Caim e Abel. Sa&iacute;dos do mesmo ventre, Caim e Abel s&atilde;o irm&atilde;os e, por isso, t&ecirc;m a mesma origem, natureza e dignidade de seus pais, criados &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus.<\/p>\n<p> \tMas, apesar de os irm&atilde;os estarem ligados por nascimento e possu&iacute;rem a mesma natureza e a mesma dignidade, a&nbsp;<em>fraternidade<\/em>exprime tamb&eacute;m a multiplicidade e a diferen&ccedil;a que existe entre eles. Por conseguinte, como&nbsp;<em>irm&atilde;os e irm&atilde;s<\/em>, todas as pessoas est&atilde;o, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a pr&oacute;pria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a&nbsp;<em>fraternidade<\/em>&nbsp;constitui a rede de rela&ccedil;&otilde;es fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia humana criada por Deus.<\/p>\n<p> \tInfelizmente, entre a primeira cria&ccedil;&atilde;o narrada no livro do G&eacute;nesis e o&nbsp;<em>novo nascimento<\/em>&nbsp;em Cristo &ndash; que torna, os crentes, irm&atilde;os e irm&atilde;s do &laquo;primog&eacute;nito de muitos irm&atilde;os&raquo; (<em>Rom<\/em>&nbsp;8, 29) &ndash;, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de&nbsp;<em>sermos irm&atilde;os e irm&atilde;s<\/em>&nbsp;da mesma fam&iacute;lia humana. Caim n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o suporta o seu irm&atilde;o Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratric&iacute;dio. &laquo;O assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejei&ccedil;&atilde;o radical da voca&ccedil;&atilde;o a ser irm&atilde;os. A sua hist&oacute;ria (cf.&nbsp;<em>Gen<\/em>&nbsp;4, 1-16) p&otilde;e em evid&ecirc;ncia o dif&iacute;cil dever, a que todos os homens s&atilde;o chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros&raquo;.[2]<\/p>\n<p> \tTamb&eacute;m na hist&oacute;ria da fam&iacute;lia de No&eacute; e seus filhos (cf.&nbsp;<em>Gen<\/em>&nbsp;9, 18-27), &eacute; a falta de piedade de Cam para com seu pai, No&eacute;, que impele este a amaldi&ccedil;oar o filho irreverente e a aben&ccedil;oar os outros que o tinham honrado, dando assim lugar a uma desigualdade entre irm&atilde;os nascidos do mesmo ventre.<\/p>\n<p> \tNa narra&ccedil;&atilde;o das origens da fam&iacute;lia humana, o pecado de afastamento de Deus, da figura do pai e do irm&atilde;o torna-se uma express&atilde;o da recusa da comunh&atilde;o e traduz-se na cultura da servid&atilde;o (cf.&nbsp;<em>Gen<\/em>&nbsp;9, 25-27), com as consequ&ecirc;ncias da&iacute; resultantes que se prolongam de gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o: rejei&ccedil;&atilde;o do outro, maus-tratos &agrave;s pessoas, viola&ccedil;&atilde;o da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionaliza&ccedil;&atilde;o de desigualdades. Daqui se v&ecirc; a necessidade duma convers&atilde;o cont&iacute;nua &agrave; Alian&ccedil;a levada &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o pela obla&ccedil;&atilde;o de Cristo na cruz, confiantes de que, &laquo;onde abundou o pecado, superabundou a gra&ccedil;a (&hellip;) por Jesus Cristo&raquo; (<em>Rom<\/em>&nbsp;5, 20.21). Ele, o&nbsp;<em>Filho amado<\/em>&nbsp;(cf.&nbsp;<em>Mt<\/em>&nbsp;3, 17), veio para revelar o amor do Pai pela humanidade. Todo aquele que escuta o Evangelho e acolhe o seu apelo &agrave; convers&atilde;o, torna-se, para Jesus, &laquo;<em>irm&atilde;o, irm&atilde; e m&atilde;e<\/em>&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;12, 50) e, consequentemente,&nbsp;<em>filho adoptivo<\/em>&nbsp;de seu Pai (cf.&nbsp;<em>Ef<\/em>&nbsp;1, 5).<\/p>\n<p> \tNo entanto, os seres humanos n&atilde;o se tornam crist&atilde;os, filhos do Pai e irm&atilde;os em Cristo por imposi&ccedil;&atilde;o divina, isto &eacute;, sem o exerc&iacute;cio da liberdade pessoal, sem se converterem&nbsp;<em>livremente<\/em>&nbsp;a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da convers&atilde;o: &laquo;Convertei-vos &ndash; dizia Pedro no dia de Pentecostes &ndash; e pe&ccedil;a cada um o baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remiss&atilde;o dos seus pecados; recebereis, ent&atilde;o, o dom do Esp&iacute;rito Santo&raquo; (<em>Act<\/em>&nbsp;2, 38). Todos aqueles que responderam com a f&eacute; e a vida &agrave;quela prega&ccedil;&atilde;o de Pedro, entraram na&nbsp;<em>fraternidade<\/em>&nbsp;da primeira comunidade crist&atilde; (cf.&nbsp;<em>1 Ped<\/em>&nbsp;2, 17;<em>&nbsp;Act<\/em>&nbsp;1, 15.16; 6, 3; 15, 23): judeus e gregos, escravos e homens livres (cf.&nbsp;<em>1 Cor<\/em>&nbsp;12, 13;&nbsp;<em>Gal<\/em>&nbsp;3, 28), cuja diversidade de origem e estado social n&atilde;o diminui a dignidade de cada um, nem exclui ningu&eacute;m do povo de Deus. Por isso, a comunidade crist&atilde; &eacute; o lugar da comunh&atilde;o vivida no amor entre os irm&atilde;os (cf.&nbsp;<em>Rom<\/em>&nbsp;12, 10;&nbsp;<em>1 Tes<\/em>&nbsp;4, 9;&nbsp;<em>Heb<\/em>&nbsp;13, 1;&nbsp;<em>1 Ped<\/em>&nbsp;1, 22;&nbsp;<em>2 Ped<\/em>&nbsp;1, 7).<\/p>\n<p> \tTudo isto prova como a Boa Nova de Jesus Cristo &ndash; por meio de Quem Deus &laquo;renova todas as coisas&raquo; (<em>Ap<\/em>&nbsp;21, 5)[3]&nbsp;&ndash; &eacute; capaz de redimir tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es entre os homens, incluindo a rela&ccedil;&atilde;o entre um escravo e o seu senhor, pondo em evid&ecirc;ncia aquilo que ambos t&ecirc;m em comum: a filia&ccedil;&atilde;o adoptiva e o v&iacute;nculo de fraternidade em Cristo. O pr&oacute;prio Jesus disse aos seus disc&iacute;pulos: &laquo;J&aacute; n&atilde;o vos chamo servos, visto que um servo n&atilde;o est&aacute; ao corrente do que faz o seu senhor; mas a v&oacute;s chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai&raquo; (<em>Jo<\/em>&nbsp;15, 15).<\/p>\n<p> \t<strong><em>As m&uacute;ltiplas faces da escravatura, ontem e hoje<\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t3. Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fen&oacute;meno da sujei&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem. Houve per&iacute;odos na hist&oacute;ria da humanidade em que a institui&ccedil;&atilde;o da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contr&aacute;rio, nascia escravo, bem como as condi&ccedil;&otilde;es em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuper&aacute;-la. Por outras palavras, o pr&oacute;prio direito admitia que algumas pessoas podiam ou deviam ser consideradas propriedade de outra pessoa, a qual podia dispor livremente delas; o escravo podia ser vendido e comprado, cedido e adquirido como se fosse uma mercadoria qualquer.<\/p>\n<p> \tHoje, na sequ&ecirc;ncia duma evolu&ccedil;&atilde;o positiva da consci&ecirc;ncia da humanidade, a escravatura &ndash; delito de lesa humanidade[4]&nbsp;&ndash; foi formalmente abolida no mundo. O direito de cada pessoa n&atilde;o ser mantida em estado de escravid&atilde;o ou servid&atilde;o foi reconhecido, no direito internacional, como norma inderrog&aacute;vel.<\/p>\n<p> \tMas, apesar de a comunidade internacional ter adoptado numerosos acordos para p&ocirc;r termo &agrave; escravatura em todas as suas formas e ter lan&ccedil;ado diversas estrat&eacute;gias para combater este fen&oacute;meno, ainda hoje milh&otilde;es de pessoas &ndash; crian&ccedil;as, homens e mulheres de todas as idades &ndash; s&atilde;o privadas da liberdade e constrangidas a viver em condi&ccedil;&otilde;es semelhantes &agrave;s da escravatura.<\/p>\n<p> \tPenso em tantos&nbsp;<em>trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores<\/em>, escravizados nos mais diversos sectores, a n&iacute;vel formal e informal, desde o trabalho dom&eacute;stico ao trabalho agr&iacute;cola, da ind&uacute;stria manufactureira &agrave; minera&ccedil;&atilde;o, tanto nos pa&iacute;ses onde a legisla&ccedil;&atilde;o do trabalho n&atilde;o est&aacute; conforme &agrave;s normas e padr&otilde;es m&iacute;nimos internacionais, como &ndash; ainda que ilegalmente &ndash; naqueles cuja legisla&ccedil;&atilde;o protege o trabalhador.<\/p>\n<p> \tPenso tamb&eacute;m nas condi&ccedil;&otilde;es de vida de&nbsp;<em>muitos migrantes<\/em>&nbsp;que, ao longo do seu trajecto dram&aacute;tico, padecem a fome, s&atilde;o privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados f&iacute;sica e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois duma viagem dur&iacute;ssima e dominada pelo medo e a inseguran&ccedil;a, ficam detidos em condi&ccedil;&otilde;es &agrave;s vezes desumanas. Penso em tantos deles que diversas circunst&acirc;ncias sociais, pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas impelem a passar &agrave; clandestinidade, e naqueles que, para permanecer na legalidade, aceitam viver e trabalhar em condi&ccedil;&otilde;es indignas, especialmente quando as legisla&ccedil;&otilde;es nacionais criam ou permitem uma depend&ecirc;ncia estrutural do trabalhador migrante em rela&ccedil;&atilde;o ao dador de trabalho como, por exemplo, condicionando a legalidade da estadia ao contrato de trabalho&#8230; Sim! Penso no &laquo;trabalho escravo&raquo;.<\/p>\n<p> \tPenso nas&nbsp;<em>pessoas obrigadas a prostitu&iacute;rem-se<\/em>, entre as quais se contam muitos menores, e nas&nbsp;<em>escravas e escravos sexuais<\/em>; nas mulheres for&ccedil;adas a casar-se, quer as que s&atilde;o vendidas para casamento quer as que s&atilde;o deixadas em sucess&atilde;o a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou n&atilde;o o pr&oacute;prio consentimento.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o posso deixar de pensar a quantos,&nbsp;<em>menores e adultos<\/em>, s&atilde;o objecto de&nbsp;<em>tr&aacute;fico e comercializa&ccedil;&atilde;o para remo&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os<\/em>, para ser&nbsp;<em>recrutados como soldados<\/em>, para&nbsp;<em>servir de pedintes<\/em>, para actividades ilegais como a&nbsp;<em>produ&ccedil;&atilde;o ou venda de drogas<\/em>, ou para<em>formas disfar&ccedil;adas de adop&ccedil;&atilde;o internacional<\/em>.<\/p>\n<p> \tPenso, enfim, em todos aqueles que s&atilde;o raptados e mantidos em cativeiro por&nbsp;<em>grupos terroristas<\/em>, servindo os seus objectivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito &agrave;s meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns s&atilde;o vendidos v&aacute;rias vezes, torturados, mutilados ou mortos.<\/p>\n<p> \t<strong><em>Algumas causas profundas da escravatura<\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t4. Hoje como ontem, na raiz da escravatura, est&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objecto. Quando o pecado corrompe o cora&ccedil;&atilde;o do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irm&atilde;os e irm&atilde;s em humanidade, passando a ser vistos como objectos. Com a for&ccedil;a, o engano, a coac&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica ou psicol&oacute;gica, a pessoa humana &ndash; criada &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus &ndash; &eacute; privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de algu&eacute;m; &eacute; tratada como meio, e n&atilde;o como fim.<\/p>\n<p> \tJuntamente com esta causa ontol&oacute;gica &ndash; a rejei&ccedil;&atilde;o da humanidade no outro &ndash;, h&aacute; outras causas que concorrem para se explicar as formas actuais de escravatura. Entre elas, penso em primeiro lugar na&nbsp;<em>pobreza<\/em>, no subdesenvolvimento e na exclus&atilde;o, especialmente quando os tr&ecirc;s se aliam com a&nbsp;<em>falta de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o<\/em>&nbsp;ou com uma realidade caracterizada por&nbsp;<em>escassas, se n&atilde;o mesmo inexistentes, oportunidades de emprego<\/em>. N&atilde;o raro, as v&iacute;timas de tr&aacute;fico e servid&atilde;o s&atilde;o pessoas que procuravam uma forma de sair da condi&ccedil;&atilde;o de pobreza extrema e, dando cr&eacute;dito a falsas promessas de trabalho, ca&iacute;ram nas m&atilde;os das redes criminosas que gerem o tr&aacute;fico de seres humanos. Estas redes utilizam habilmente as tecnologias inform&aacute;ticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo.<\/p>\n<p> \tEntre as causas da escravatura, deve ser inclu&iacute;da tamb&eacute;m a&nbsp;<em>corrup&ccedil;&atilde;o<\/em>&nbsp;daqueles que, para enriquecer, est&atilde;o dispostos a tudo. Na realidade, a servid&atilde;o e o tr&aacute;fico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa atrav&eacute;s da corrup&ccedil;&atilde;o dos intermedi&aacute;rios, de alguns membros das for&ccedil;as da pol&iacute;cia, de outros actores do Estado ou de variadas institui&ccedil;&otilde;es, civis e militares. &laquo;Isto acontece quando, no centro de um sistema econ&oacute;mico, est&aacute; o deus dinheiro, e n&atilde;o o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econ&oacute;mico, deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa &eacute; deslocada e chega o deus dinheiro, d&aacute;-se esta invers&atilde;o de valores&raquo;.[5]<\/p>\n<p> \tOutras causas da escravid&atilde;o s&atilde;o os&nbsp;<em>conflitos armados<\/em>, as&nbsp;<em>viol&ecirc;ncias<\/em>, a&nbsp;<em>criminalidade<\/em>&nbsp;e o&nbsp;<em>terrorismo<\/em>. H&aacute; in&uacute;meras pessoas raptadas para ser vendidas, recrutadas como combatentes ou exploradas sexualmente, enquanto outras se v&ecirc;em obrigadas a emigrar, deixando tudo o que possuem: terra, casa, propriedades e mesmo os familiares. Estas &uacute;ltimas, impelidas a procurar uma alternativa a t&atilde;o terr&iacute;veis condi&ccedil;&otilde;es, mesmo &agrave; custa da pr&oacute;pria dignidade e sobreviv&ecirc;ncia, arriscam-se assim a entrar naquele c&iacute;rculo vicioso que as torna presa da mis&eacute;ria, da corrup&ccedil;&atilde;o e das suas consequ&ecirc;ncias perniciosas.<\/p>\n<p> \t<strong><em>Um compromisso comum para vencer a escravatura<\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t5. Quando se observa o fen&oacute;meno do com&eacute;rcio de pessoas, do tr&aacute;fico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravid&atilde;o, fica-se frequentemente com a impress&atilde;o de que o mesmo tem lugar no meio da indiferen&ccedil;a geral.<\/p>\n<p> \tSem negar que isto seja, infelizmente, verdade em grande parte, apraz-me mencionar o enorme trabalho que muitas&nbsp;<em>congrega&ccedil;&otilde;es religiosas<\/em>, especialmente femininas, realizam silenciosamente, h&aacute; tantos anos, a favor das v&iacute;timas. Tais institutos actuam em contextos dif&iacute;ceis, por vezes dominados pela viol&ecirc;ncia, procurando quebrar as cadeias invis&iacute;veis que mant&ecirc;m as v&iacute;timas presas aos seus traficantes e exploradores; cadeias, cujos elos s&atilde;o feitos n&atilde;o s&oacute; de subtis mecanismos psicol&oacute;gicos que tornam as v&iacute;timas dependentes dos seus algozes, atrav&eacute;s de chantagem e amea&ccedil;a a eles e aos seus entes queridos, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s de meios materiais, como a apreens&atilde;o dos documentos de identidade e a viol&ecirc;ncia f&iacute;sica. A actividade das congrega&ccedil;&otilde;es religiosas est&aacute; articulada a tr&ecirc;s n&iacute;veis principais: o socorro &agrave;s v&iacute;timas, a sua reabilita&ccedil;&atilde;o sob o perfil psicol&oacute;gico e formativo e a sua reintegra&ccedil;&atilde;o na sociedade de destino ou de origem.<\/p>\n<p> \tEste trabalho imenso, que requer coragem, paci&ecirc;ncia e perseveran&ccedil;a, merece o aplauso da Igreja inteira e da sociedade. Naturalmente o aplauso, por si s&oacute;, n&atilde;o basta para se p&ocirc;r termo ao flagelo da explora&ccedil;&atilde;o da pessoa humana. Faz falta tamb&eacute;m um tr&iacute;plice empenho&nbsp;<em>a n&iacute;vel institucional<\/em>: preven&ccedil;&atilde;o, protec&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas e ac&ccedil;&atilde;o judicial contra os respons&aacute;veis. Al&eacute;m disso, assim como as organiza&ccedil;&otilde;es criminosas usam redes globais para alcan&ccedil;ar os seus objectivos, assim tamb&eacute;m a ac&ccedil;&atilde;o para vencer este fen&oacute;meno requer um esfor&ccedil;o comum e igualmente global por parte dos diferentes actores que comp&otilde;em a sociedade.<\/p>\n<p> \tOs&nbsp;<em>Estados<\/em>&nbsp;deveriam vigiar por que as respectivas legisla&ccedil;&otilde;es nacionais sobre as migra&ccedil;&otilde;es, o trabalho, as adop&ccedil;&otilde;es, a transfer&ecirc;ncia das empresas e a comercializa&ccedil;&atilde;o de produtos feitos por meio da explora&ccedil;&atilde;o do trabalho sejam efectivamente respeitadoras da dignidade da pessoa. S&atilde;o necess&aacute;rias leis justas, centradas na pessoa humana, que defendam os seus direitos fundamentais e, se violados, os recuperem reabilitando quem &eacute; v&iacute;tima e assegurando a sua incolumidade, como s&atilde;o necess&aacute;rios tamb&eacute;m mecanismos eficazes de controle da correcta aplica&ccedil;&atilde;o de tais normas, que n&atilde;o deixem espa&ccedil;o &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o e &agrave; impunidade. &Eacute; preciso ainda que seja reconhecido o papel da mulher na sociedade, intervindo tamb&eacute;m no plano cultural e da comunica&ccedil;&atilde;o para se obter os resultados esperados.<\/p>\n<p> \tAs&nbsp;<em>organiza&ccedil;&otilde;es intergovernamentais<\/em>&nbsp;s&atilde;o chamadas, no respeito pelo princ&iacute;pio da subsidiariedade, a implementar iniciativas coordenadas para combater as redes transnacionais do crime organizado que gerem o mercado de pessoas humanas e o tr&aacute;fico ilegal dos migrantes. Torna-se necess&aacute;ria uma coopera&ccedil;&atilde;o a v&aacute;rios n&iacute;veis, que englobe as institui&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais, bem como as organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil e do mundo empresarial.<\/p>\n<p> \tCom efeito, as&nbsp;<em>empresas<\/em>[6]&nbsp;t&ecirc;m o dever n&atilde;o s&oacute; de garantir aos seus empregados condi&ccedil;&otilde;es de trabalho dignas e sal&aacute;rios adequados, mas tamb&eacute;m de vigiar por que n&atilde;o tenham lugar, nas cadeias de distribui&ccedil;&atilde;o, formas de servid&atilde;o ou tr&aacute;fico de pessoas humanas. A par da responsabilidade social da empresa, aparece depois a&nbsp;<em>responsabilidade social do consumidor<\/em>. Na realidade, cada pessoa deveria ter consci&ecirc;ncia de que &laquo;comprar &eacute; sempre um acto moral, para al&eacute;m de econ&oacute;mico&raquo;.[7]<\/p>\n<p> \tAs&nbsp;<em>organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil<\/em>, por sua vez, t&ecirc;m o dever de sensibilizar e estimular as consci&ecirc;ncias sobre os passos necess&aacute;rios para combater e erradicar a cultura da servid&atilde;o.<\/p>\n<p> \tNos &uacute;ltimos anos, a Santa S&eacute;, acolhendo o grito de sofrimento das v&iacute;timas do tr&aacute;fico e a voz das congrega&ccedil;&otilde;es religiosas que as acompanham rumo &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o, multiplicou os apelos &agrave; comunidade internacional pedindo que os diversos actores unam os seus esfor&ccedil;os e cooperem para acabar com este flagelo.[8]&nbsp;Al&eacute;m disso, foram organizados alguns encontros com a finalidade de dar visibilidade ao fen&oacute;meno do tr&aacute;fico de pessoas e facilitar a colabora&ccedil;&atilde;o entre os diferentes actores, incluindo peritos do mundo acad&eacute;mico e das organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, for&ccedil;as da pol&iacute;cia dos diferentes pa&iacute;ses de origem, tr&acirc;nsito e destino dos migrantes, e representantes dos grupos eclesiais comprometidos em favor das v&iacute;timas. Espero que este empenho continue e se reforce nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p> \t<strong><em>Globalizar a fraternidade, n&atilde;o a escravid&atilde;o nem a indiferen&ccedil;a<\/em><\/strong><\/p>\n<p> \t6. Na sua actividade de &laquo;proclama&ccedil;&atilde;o da verdade do amor de Cristo na sociedade&raquo;,[9]&nbsp;a Igreja n&atilde;o cessa de se empenhar em ac&ccedil;&otilde;es de car&aacute;cter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da convers&atilde;o, que induz a voltar os olhos para o pr&oacute;ximo, a ver no outro &ndash; seja ele quem for &ndash; um irm&atilde;o e uma irm&atilde; em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intr&iacute;nseca na verdade e na liberdade, como nos ensina a hist&oacute;ria de Josefina Bakhita, a Santa origin&aacute;ria da regi&atilde;o do Darfur, no Sud&atilde;o. Raptada por traficantes de escravos e vendida a patr&otilde;es desalmados desde a idade de nove anos, haveria de tornar-se, depois de dolorosas vicissitudes, &laquo;uma livre filha de Deus&raquo; mediante a f&eacute; vivida na consagra&ccedil;&atilde;o religiosa e no servi&ccedil;o aos outros, especialmente aos pequenos e fracos. Esta Santa, que viveu a cavalo entre os s&eacute;culos XIX e XX, &eacute; tamb&eacute;m hoje testemunha exemplar de esperan&ccedil;a[10]&nbsp;para as numerosas v&iacute;timas da escravatura e pode apoiar os esfor&ccedil;os de quantos se dedicam &agrave; luta contra esta &laquo;ferida no corpo da humanidade contempor&acirc;nea, uma chaga na carne de Cristo&raquo;.[11]<\/p>\n<p> \tNesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva miss&atilde;o e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos s&atilde;o mantidos em estado de servid&atilde;o. Perguntemo-nos, enquanto comunidade e indiv&iacute;duo, como nos sentimos interpelados quando, na vida quotidiana, nos encontramos ou lidamos com pessoas que poderiam ser v&iacute;timas do tr&aacute;fico de seres humanos ou, quando temos de comprar, se escolhemos produtos que poderiam razoavelmente resultar da explora&ccedil;&atilde;o de outras pessoas. H&aacute; alguns de n&oacute;s que, por indiferen&ccedil;a, porque distra&iacute;dos com as preocupa&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, ou por raz&otilde;es econ&oacute;micas, fecham os olhos. Outros, pelo contr&aacute;rio, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associa&ccedil;&otilde;es da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer &laquo;bom dia&raquo; ou oferecer um sorriso; estes gestos, que t&ecirc;m imenso valor e n&atilde;o nos custam nada, podem dar esperan&ccedil;a, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tacteia na invisibilidade e mudar tamb&eacute;m a nossa vida face a esta realidade.<\/p>\n<p> \tTemos de reconhecer que estamos perante um fen&oacute;meno mundial que excede as compet&ecirc;ncias de uma &uacute;nica comunidade ou na&ccedil;&atilde;o. Para venc&ecirc;-lo, &eacute; preciso uma mobiliza&ccedil;&atilde;o de dimens&otilde;es compar&aacute;veis &agrave;s do pr&oacute;prio fen&oacute;meno. Por esta raz&atilde;o, lan&ccedil;o um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos n&iacute;veis das institui&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravid&atilde;o contempor&acirc;nea, para que n&atilde;o se tornem c&uacute;mplices deste mal, n&atilde;o afastem o olhar &agrave; vista dos sofrimentos de seus irm&atilde;os e irm&atilde;s em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo,[12]&nbsp;o Qual Se torna vis&iacute;vel atrav&eacute;s dos rostos inumer&aacute;veis daqueles a quem Ele mesmo chama os &laquo;meus irm&atilde;os mais pequeninos&raquo; (<em>Mt<\/em>&nbsp;25, 40.45).<\/p>\n<p> \tSabemos que Deus perguntar&aacute; a cada um de n&oacute;s: Que fizeste do teu irm&atilde;o? (cf.&nbsp;<em>Gen<\/em>&nbsp;4, 9-10). A globaliza&ccedil;&atilde;o da indiferen&ccedil;a, que hoje pesa sobre a vida de tantas irm&atilde;s e de tantos irm&atilde;os, requer de todos n&oacute;s que nos fa&ccedil;amos art&iacute;fices duma globaliza&ccedil;&atilde;o da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperan&ccedil;a e lev&aacute;-los a retomar, com coragem, o caminho atrav&eacute;s dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas m&atilde;os.<\/p>\n<p> \t<em>Vaticano, 8 de Dezembro de 2014.<\/em><\/p>\n<p align=\"center\"> \t<strong>FRANCISCUS<\/strong><\/p>\n<div>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/> \t&nbsp; \t<\/p>\n<div id=\"ftn1\"> \t\t[1]&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20131208_messaggio-xlvii-giornata-mondiale-pace-2014.html\">N. 1<\/a>.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn2\"> \t\t[2]&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/peace\/documents\/papa-francesco_20131208_messaggio-xlvii-giornata-mondiale-pace-2014.html\">Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014<\/a><\/em>, 2.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn3\"> \t\t[3]&nbsp;Cf. Exort. ap.&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#Uma_eterna_novidade\"><em>Evangelii gaudium<\/em>, 11<\/a>.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn4\"> \t\t[4]&nbsp;Cf.&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141023_associazione-internazionale-diritto-penale.html\">Discurso &agrave; Delega&ccedil;&atilde;o internacional da Associa&ccedil;&atilde;o de Direito Penal<\/a><\/em>&nbsp;(23 de Outubro de 2014):&nbsp;<em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 30\/X\/2014), 9.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn5\"> \t\t[5]&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/october\/documents\/papa-francesco_20141023_associazione-internazionale-diritto-penale.html\">Discurso aos participantes no Encontro mundial dos Movimentos Populares<\/a>&nbsp;<\/em>(28 de Outubro de 2014):&nbsp;<em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em>(ed. portuguesa de 06\/XI\/2014), 9.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn6\"> \t\t[6]&nbsp;Cf. Pontif&iacute;cio Conselho &laquo;Justi&ccedil;a e Paz&raquo;,&nbsp;<em>La vocazione del leader d&rsquo;impresa. Una riflessione&nbsp;<\/em>(Mil&atilde;o e Roma, 2013).&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn7\"> \t\t[7]&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/index_po.htm\">Bento XVI<\/a>, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 66.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn8\"> \t\t[8]&nbsp;Cf.&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/pont-messages\/2014\/documents\/papa-francesco_20140522_messaggio-ilo.html\"><em>Mensagem<\/em>&nbsp;ao Senhor Guy Rydes, Director-Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, por ocasi&atilde;o da 103&ordf; sess&atilde;o da Confer&ecirc;ncia da O.I.T<\/a>. (22 de Maio de 2014):&nbsp;<em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 05\/VI\/2014), 7.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn9\"> \t\t[9]&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/index_po.htm\">Bento XVI<\/a>, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20090629_caritas-in-veritate_po.html\">Caritas in veritate<\/a><\/em>, 5.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn10\"> \t\t[10]&nbsp;&laquo;Mediante o conhecimento desta esperan&ccedil;a, ela estava &ldquo;redimida&rdquo;, j&aacute; n&atilde;o se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Ef&eacute;sios que, antes, estavam sem esperan&ccedil;a e sem Deus no mundo: sem esperan&ccedil;a porque sem Deus&raquo; (&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/index_po.htm\">Bento XVI<\/a>, Carta enc.&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/holy_father\/benedict_xvi\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi_po.html\">Spe salvi<\/a><\/em>, 3).&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn11\"> \t\t[11]&nbsp;<em><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/april\/documents\/papa-francesco_20140410_tratta-persone-umane.html\">Discurso aos participantes na II Confer&ecirc;ncia Internacional &laquo;<\/a><\/em>&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2014\/april\/documents\/papa-francesco_20140410_tratta-persone-umane.html\">Combating Human Trafficking: Church and Law Enforcement in partnership<em>&raquo;&nbsp;<\/em><\/a>(10 de Abril de 2014):&nbsp;<em>L&rsquo;Osservatore Romano<\/em>&nbsp;(ed. portuguesa de 17\/IV\/2014), 8; cf. Exort. ap.&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_prazer_espiritual_de_ser_povo\"><em>Evangelii gaudium<\/em>, 270<\/a>.&nbsp;<br \/> \t\t&nbsp;<\/div>\n<div id=\"ftn12\"> \t\t[12]&nbsp;Cf. Exort. ap.&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#\u00abPrimeirear\u00bb,_envolver-se,_acompanhar,_frutificar_e_festejar\"><em>Evangelii gaudium<\/em>, 24<\/a>;&nbsp;<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_prazer_espiritual_de_ser_povo\">270<\/a>.&nbsp;<\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1\u00ba de janeiro de 2015<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[120,165,274,314],"class_list":["post-70199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-bento-xvi","tag-dia-mundial-da-paz","tag-papa-francisco","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}