{"id":7001,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-eucaristia-coracao-da-igreja\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-eucaristia-coracao-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-eucaristia-coracao-da-igreja\/","title":{"rendered":"A Eucaristia, cora\u00e7\u00e3o da Igreja"},"content":{"rendered":"<p>Carta Pastoral de D. Ant\u00f3nio Marto \u00e0 diocese de Viseu <!--more--> <i>Dou-te gra\u00e7as, Senhor Jesus Ressuscitado, porque, pouco antes de seres entregue \u00e0 morte na Cruz, nos quiseste deixar em testamento o sinal definitivo do Teu amor, a Eucaristia. Fizeste-o com os gestos e as palavras mais originais, mais santas e comoventes que algu\u00e9m jamais proferiu na hist\u00f3ria da humanidade: \u201cTomai, todos, e comei: isto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s\u201d; \u201ctomai, todos, e bebei: isto \u00e9 o meu sangue da nova e eterna Alian\u00e7a \u2026\u201d; \u201cFazei isto em mem\u00f3ria de Mim\u201d. Com que como\u00e7\u00e3o e perturba\u00e7\u00e3o as ter\u00e1s proferido! E com que como\u00e7\u00e3o e perturba\u00e7\u00e3o as ter\u00e3o ouvido os Teus ap\u00f3stolos, no cen\u00e1culo, talvez sem terem percebido, num primeiro momento, todo o alcance e toda a profundidade do mist\u00e9rio que elas encerram! E n\u00f3s, crist\u00e3os do terceiro mil\u00e9nio, somos convidados a redescobrir todo o enlevo e encanto deste t\u00e3o grande e sublime mist\u00e9rio. Concede-me, Senhor, a luz e o calor do Teu Esp\u00edrito para poder comunicar algo da beleza do Teu rosto na Eucaristia.<\/i>  Car\u00edssimos sacerdotes e fi\u00e9is, irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor: Esta ora\u00e7\u00e3o brotou-me espont\u00e2nea quando, diante do Sacr\u00e1rio, meditava no tema desta carta pastoral. Espero que tamb\u00e9m vos ajude a l\u00ea-la no mesmo esp\u00edrito. Escrevo-vos esta carta um m\u00eas ap\u00f3s a minha tomada de posse como vosso Bispo. E fa\u00e7o-o depois de ter ouvido o Conselho de Arciprestes, os Secretariados Diocesanos, o Col\u00e9gio dos Consultores e o Cabido da Catedral, em ordem a perspectivar o novo ano pastoral. A todos agrade\u00e7o a cordial colabora\u00e7\u00e3o e as sugest\u00f5es que procurei recolher. N\u00e3o se trata, propriamente, de um plano ou programa pastoral, por raz\u00f5es evidentes da minha recente chegada. Pretendo apenas oferecer algumas reflex\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es aos sacerdotes e \u00e0s comunidades, para programarem o Ano Pastoral de 2004\/05 a n\u00edvel paroquial e a n\u00edvel arciprestal.  <b>1. O Ano da Eucaristia: uma urg\u00eancia eucar\u00edstica<\/b> Antes de mais, quero justificar-vos a raz\u00e3o e a actualidade do tema escolhido. Chama a nossa aten\u00e7\u00e3o o facto de que o Santo Padre, num breve espa\u00e7o de tempo, fez publicar uma vers\u00e3o renovada da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, escreveu uma enc\u00edclica sobre a Eucaristia (\u201cA Igreja vive da Eucaristia\u201d), seguida de uma instru\u00e7\u00e3o complementar da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino (\u201cO Sacramento da Reden\u00e7\u00e3o\u201d), confiou o mesmo assunto \u00e0 reflex\u00e3o do pr\u00f3ximo S\u00ednodo dos Bispos (\u201cA Eucaristia, fonte e v\u00e9rtice da vida e da miss\u00e3o da Igreja\u201d) e, no passado dia 10 de Junho, acaba de anunciar \u201cum especial Ano da Eucaristia\u201d, a come\u00e7ar no pr\u00f3ximo dia 10 de Outubro e a terminar em Outubro de 2005.  N\u00e3o pode deixar de nos impressionar a proximidade cronol\u00f3gica e a identidade tem\u00e1tica destas interven\u00e7\u00f5es. Quais os motivos? &#8211; podemos e devemos perguntar-nos. No documento preparat\u00f3rio do S\u00ednodo dos Bispos esclarece-se: \u201cExistem motivos abundantes para reunir os pastores a fim de que sobre um tema t\u00e3o decisivo para a vida e miss\u00e3o da Igreja, manifestem as exig\u00eancias e as implica\u00e7\u00f5es pastorais da Eucaristia na celebra\u00e7\u00e3o, no culto, na prega\u00e7\u00e3o, na caridade e nas diversas obras em geral\u201d. Existe, sobretudo, refere o texto citado, uma \u201curg\u00eancia eucar\u00edstica\u201d, resultante n\u00e3o de heresias doutrinais como no passado, \u201cmas da praxis eucar\u00edstica necessitada de uma nova express\u00e3o amorosa, feita de gestos de fidelidade \u00c0quele que se faz presente a quantos hoje continuam a procur\u00e1-lo: Mestre, onde moras?\u201d. De facto, constatamos a perda do enlevo, do encanto, do amor, da devo\u00e7\u00e3o a este sacramento, por parte de muitos crist\u00e3os cat\u00f3licos que se afastaram da eucaristia dominical. O censo de 2001 \u00e9 extremamente elucidativo: s\u00f3 28,8% dos cat\u00f3licos da nossa Diocese frequentam a eucaristia no Dia do Senhor, o Domingo. Para al\u00e9m de outros factores de ordem social e cultural, isto deve-se, sobretudo, ao enfraquecimento da f\u00e9. O pr\u00f3prio Papa coloca este Ano da Eucaristia dentro do projecto pastoral indicado na Carta Apost\u00f3lica sobre o Novo Mil\u00e9nio, onde convida os fi\u00e9is a \u201ccome\u00e7ar de novo a partir de Cristo\u201d:  \u201cContemplando mais assiduamente o rosto do Verbo Incarnado, realmente presente no sacramento, eles poder\u00e3o exercitar-se na arte da ora\u00e7\u00e3o (cf. n\u00ba32) e empenhar-se naquela medida alta da vida crist\u00e3 (cf. n\u00ba31) \u2013 a santidade de vida \u2013 que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para desenvolver de modo eficaz a nova evangeliza\u00e7\u00e3o\u201d(Alocu\u00e7\u00e3o de 13.06.04). Assim, coloca este ano consagrado \u00e0 Eucaristia numa perspectiva    evangelizadora a fim de que cada comunidade cres\u00e7a na f\u00e9 em Cristo vivo, no amor para com o mist\u00e9rio do Corpo e Sangue do Senhor e na alegria da Sua presen\u00e7a. Celebrar o Ano da Eucaristia \u00e9, pois, situar, com novo impulso, o cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3 e da Igreja no \u00fanico Senhor, Jesus Cristo, que d\u00e1 sentido e beleza \u00e0 nossa vida e \u00e0 vida do mundo.  <b>2. A Eucaristia, mist\u00e9rio admir\u00e1vel da nossa f\u00e9<\/b> Por vezes, como justifica\u00e7\u00e3o para n\u00e3o participar na eucaristia dominical, ou\u00e7o dizer a alguns que se declaram cat\u00f3licos n\u00e3o praticantes: \u201cEu, para rezar, n\u00e3o preciso de ir \u00e0 igreja. Rezo melhor em casa ou at\u00e9 em contacto com a natureza\u201d. Mas a Eucaristia n\u00e3o se pode reduzir a uma ora\u00e7\u00e3o ou devo\u00e7\u00e3o qualquer que se pode fazer privadamente. N\u00e3o \u00e9 uma coisa. \u00c9 Algu\u00e9m, uma pessoa viva, o Senhor Ressuscitado, que quer celebrar com o seu povo o mist\u00e9rio da sua presen\u00e7a real, do seu amor oferecido.  S. Tom\u00e1s de Aquino, te\u00f3logo e cantor apaixonado da Eucaristia, numa medita\u00e7\u00e3o sobre a festa do Corpo de Deus, recorre a um vers\u00edculo do livro do Deuteron\u00f3mio em que se exprime a alegria de Israel pelo mist\u00e9rio da Alian\u00e7a de Deus com o seu povo: \u201cDe facto, qual \u00e9 a grande na\u00e7\u00e3o que tem a divindade t\u00e3o pr\u00f3xima, como o Senhor nosso Deus \u00e9 pr\u00f3ximo de n\u00f3s quando o invocamos? \u201c (4,7). E afirma que n\u00f3s, os crist\u00e3os, podemos pronunciar estas palavras com maior raz\u00e3o e maior alegria do que o povo de Israel, porque elas encontram a sua realiza\u00e7\u00e3o plena na Eucaristia. Na verdade, na \u00faltima ceia, Jesus, a modo de testamento, n\u00e3o nos deixou uma coisa ou lembran\u00e7a como n\u00f3s homens costumamos fazer. Deixa-se a si mesmo. Tal \u00e9 o sentido das Suas palavras: \u201cIsto \u00e9 o meu corpo entregue por v\u00f3s; isto \u00e9 o meu sangue derramado por v\u00f3s\u2026\u201d.  Na linguagem b\u00edblica, o corpo \u00e9 express\u00e3o da pessoa inteira e o sangue \u00e9 express\u00e3o da vida. Trata-se, pois, da presen\u00e7a real da pessoa viva, singular e total de Jesus, agora na sua santa humanidade glorificada, nos sinais humildes do p\u00e3o e do vinho. Ao mesmo tempo, \u00e9 uma presen\u00e7a carregada de todo aquele \u201cexcesso de amor\u201d com que se entregou ao Pai por n\u00f3s, at\u00e9 \u00e0 Cruz; \u201camor at\u00e9 ao extremo\u201d, eternizado para sempre na ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, a Eucaristia \u00e9 a presen\u00e7a de Jesus, no dom total de si mesmo por n\u00f3s e a n\u00f3s, isto \u00e9, a actualiza\u00e7\u00e3o do seu sacrif\u00edcio redentor para dele nos tornar participantes, para o comungarmos. Deus veio verdadeiramente habitar connosco. Tornou-se carne para poder tornar-se p\u00e3o vivo. Eis o mist\u00e9rio admir\u00e1vel da nossa f\u00e9, a maravilha das maravilhas do Deus connosco em que o cora\u00e7\u00e3o de Cristo se une ao nosso e o nosso ao Seu para viver em comunh\u00e3o! \u201cDe facto, qual \u00e9 a grande na\u00e7\u00e3o que tem a divindade t\u00e3o pr\u00f3xima, como o Senhor nosso Deus \u00e9 pr\u00f3ximo de n\u00f3s?\u201d O encontro e a comunh\u00e3o dominical com o Senhor n\u00e3o \u00e9 um peso, um fardo, mas uma gra\u00e7a que ilumina toda a semana. Pe\u00e7amos ao Senhor que desperte em n\u00f3s a alegria pela sua proximidade, feita de presen\u00e7a e comunh\u00e3o. Esta alegria enche-nos de maravilha!   <b>3. A Eucaristia, cora\u00e7\u00e3o da Igreja e da vida crist\u00e3<\/b> A Igreja \u00e9 um Corpo vivo, de pessoas vivas, em comunh\u00e3o com Cristo. N\u00e3o se d\u00e1 a vida a si mesma. N\u00e3o se constr\u00f3i a si mesma. Vive de Jesus: do seu Esp\u00edrito Santo, da sua Palavra, dos seus dons sacramentais, do seu amor. E, de modo particular, vive da Eucaristia, isto \u00e9, de Jesus na Eucaristia. Por Ele \u00e9 alimentada e iluminada: \u201cQuem come a minha carne e bebe o meu sangue mora em mim e eu nele; aquele que me come, viver\u00e1 por mim\u201d (Jo 6, 56-57). Como um corpo vivo, a Igreja tem um cora\u00e7\u00e3o que \u00e9 a Eucaristia. Como o sangue flui do cora\u00e7\u00e3o para todo o corpo, assim do cora\u00e7\u00e3o de Cristo na Eucaristia flui a vida divina para todos os membros do corpo para que possam viver  d&#8217; Ele e servir bem.  Porque comungamos o mesmo Senhor Jesus Cristo, em Viseu ou em Roma, somos, para al\u00e9m de todas as fronteiras, um s\u00f3 povo em comunh\u00e3o, por meio da \u00fanica mesa que o Senhor prepara para todos. Somos um s\u00f3 corpo unido pela comunh\u00e3o com Cristo, unido no louvor de Deus que \u00e9 a nossa alegria, a nossa liberta\u00e7\u00e3o, a nossa esperan\u00e7a. \u201cPorque h\u00e1 um s\u00f3 p\u00e3o, n\u00f3s, embora sendo muitos formamos um s\u00f3 corpo, pois participamos dum \u00fanico p\u00e3o\u201d (1Cor 10,17). Neste sentido, a Eucaristia faz a Igreja, como mist\u00e9rio e casa de comunh\u00e3o. Al\u00e9m disso, ela \u00e9 tamb\u00e9m a fonte da miss\u00e3o da Igreja, como diz de modo simples e belo, Santa Teresa de Lisieux: \u201cSe o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o bate, os ap\u00f3stolos j\u00e1 n\u00e3o podem anunciar; as irm\u00e3s j\u00e1 n\u00e3o podem mais consolar e curar; os leigos j\u00e1 n\u00e3o podem orientar o mundo para o Reino de Deus\u201d. A comunh\u00e3o com Cristo conduz os homens ao encontro uns dos outros.  O Senhor que, na celebra\u00e7\u00e3o, diz \u201cTomai e comei\u201d, \u00e9 o mesmo que diz \u201co que fizerdes ao mais pequenino, \u00e9 a mim que o fazeis\u201d. Por isso, a Eucaristia \u00e9 tamb\u00e9m uma escola de amor activo ao pr\u00f3ximo. Disto nos d\u00e1 testemunho vivo e eloquente Madre Teresa de Calcut\u00e1 e as suas irm\u00e3s, Filhas da Caridade, cuja espiritualidade consiste em beber o amor da Eucaristia mediante a missa matinal e uma hora di\u00e1ria de adora\u00e7\u00e3o vespertina, para levar com alegria o amor recebido aos irm\u00e3os necessitados, durante o dia.  <b>4. A Eucaristia, mist\u00e9rio de adora\u00e7\u00e3o<\/b> A Eucaristia, tal como \u00e9 acolhida na f\u00e9 da Igreja, apresenta um aspecto surpreendente que desconcerta a intelig\u00eancia e comove o cora\u00e7\u00e3o. Estamos perante um daqueles gestos abismais do amor de Deus, diante do qual a \u00fanica atitude poss\u00edvel ao homem \u00e9 a adora\u00e7\u00e3o, feita de imensa gratid\u00e3o, de contempla\u00e7\u00e3o, de louvor e ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as. A atitude de adora\u00e7\u00e3o \u00e9 a alma profunda da pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Nasce dentro da celebra\u00e7\u00e3o e tende a exprimir-se noutras formas e espa\u00e7os, para al\u00e9m dela, em ordem a interiorizar t\u00e3o grande mist\u00e9rio e a viver dele na vida quotidiana.  <b>5. A Eucaristia e a civiliza\u00e7\u00e3o da beleza e do amor<\/b> A celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia n\u00e3o diz respeito somente \u00e0 vida da Igreja, mas tamb\u00e9m \u00e0 cultura contempor\u00e2nea. Tem reflexos no tecido cultural e social. Por si mesma, a Eucaristia \u00e9 geradora de uma nova convivialidade. Os crist\u00e3os e as comunidades que, na celebra\u00e7\u00e3o, vivem uma experi\u00eancia singular de comunh\u00e3o com Deus e com os irm\u00e3os, sentem-se comprometidos a irradi\u00e1-la nos v\u00e1rios \u00e2mbitos da conviv\u00eancia humana: a experi\u00eancia de fraternidade, o esp\u00edrito da paz e reconcilia\u00e7\u00e3o, as atitudes de acolhimento e hospitalidade, o sentido da partilha e solidariedade, o repouso interior, o encontro familiar, a for\u00e7a da esperan\u00e7a, a dimens\u00e3o festiva da vida. S\u00e3o atitudes humanas profundas que caracterizam uma espiritualidade eucar\u00edstica e ajudam a construir a civiliza\u00e7\u00e3o da beleza e do amor.  <b>6. Orienta\u00e7\u00f5es pastorais<\/b> Como conclus\u00e3o, indico alguns pontos que me s\u00e3o particularmente caros e que podem sugerir que caminho pastoral cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a empreender e quais os frutos que espero desta tomada de consci\u00eancia sobre a Eucaristia como centro e cora\u00e7\u00e3o da vida crist\u00e3. Para isso, estes pontos dever\u00e3o ser reflectidos e concretizados nos conselhos pastorais de cada par\u00f3quia e nos encontros do clero de \u00e2mbito arciprestal.  1. Empenhemo-nos numa renova\u00e7\u00e3o da missa dominical, no esp\u00edrito e na forma,  para que seja celebrada com toda a dignidade e beleza pr\u00f3prias do mist\u00e9rio e  leve a melhor participa\u00e7\u00e3o, consciente e activa, de toda a assembleia reunida:  1.1. &#8211; Preparando a missa comunit\u00e1ria, n\u00e3o a deixando ao improviso do momento;  1.2. &#8211; Valorizando as diversas fun\u00e7\u00f5es ou minist\u00e9rios em que se exprime a comunidade crist\u00e3 (presidente, leitores, ac\u00f3litos, cantores) de modo que cada um fa\u00e7a bem e s\u00f3 o que lhe compete;  1.3 &#8211; Desenvolvendo uma oportuna catequese sobre a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, suas partes, ritmos e sinais;   1.4 &#8211; Procurando que cada um leve da missa algum pensamento ou atitude capaz de iluminar toda a semana.  2. Seja constitu\u00edda em cada par\u00f3quia uma \u201cEquipa de Anima\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica\u201d de modo que todas as liturgias dominicais sejam bem preparadas e animadas, seja qual for o hor\u00e1rio a que se celebrem.  3. Eduquemos para a missa quotidiana as pessoas mais sensibilizadas. Proponhamo-la, diariamente, sobretudo nos tempos fortes do Ano Lit\u00fargico; e, pelo menos, uma vez dentro da semana nos outros tempos, para uma viv\u00eancia eucar\u00edstica mais intensa. Recomendamos que, na celebra\u00e7\u00e3o quotidiana, o sacerdote ofere\u00e7a um pensamento de medita\u00e7\u00e3o sobre a Palavra proclamada.  4. A redescoberta  da riqueza do mist\u00e9rio pascal de Jesus, sobretudo atrav\u00e9s de uma intensa prepara\u00e7\u00e3o doutrinal, espiritual e lit\u00fargica e de uma cuidada celebra\u00e7\u00e3o do Tr\u00edduo Pascal e da Festa do Corpo e Sangue do Senhor, como festa da unidade da par\u00f3quia e da Igreja.  5. Real\u00e7ar a dimens\u00e3o contemplativa e \u00edntima da celebra\u00e7\u00e3o, valorizando as v\u00e1rias formas de adora\u00e7\u00e3o: redescobrindo a prepara\u00e7\u00e3o e a ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as na comunh\u00e3o; e propondo a visita ao Sant\u00edssimo Sacramento como um \u201cpermanecer\u201d em Cristo e com Cristo para entrar juntamente com Ele no amor infinito e misericordioso do Pai.  6. Uma forma particularmente importante de adora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 o Lausperene. Comprometamo-nos, durante este ano, a retom\u00e1-lo e a renov\u00e1-lo com criatividade, de tal modo que da\u00ed possam surgir exemplos renovados e emblem\u00e1ticos para os pr\u00f3ximos anos.  Para isso, muito poder\u00e3o contribuir os movimentos e associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is que se caracterizam pela devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tais como o Apostolado de Ora\u00e7\u00e3o, a Cruzada Eucar\u00edstica, a Liga Eucar\u00edstica, a Uni\u00e3o Eucar\u00edstica Reparadora e outros.  7. Confiamos aos Secretariados Diocesanos da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 e da Liturgia a tarefa de elaborar algumas catequeses eucar\u00edsticas de tipo mistag\u00f3gico, quanto poss\u00edvel a partir das diversas partes da pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o e salientando as v\u00e1rias dimens\u00f5es que estas revelam: ritos iniciais, proclama\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, ofert\u00f3rio, consagra\u00e7\u00e3o etc. Estas catequeses poder\u00e3o ser feitas quer nas par\u00f3quias quer a n\u00edvel de arciprestado envolvendo sobretudo, mas n\u00e3o s\u00f3, ac\u00f3litos, leitores, ministros extraordin\u00e1rios da comunh\u00e3o, grupos corais e confrarias do Sant\u00edssimo.  8. Solicitamos ao Secretariado da Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 que tenha em aten\u00e7\u00e3o o mist\u00e9rio da Eucaristia na forma\u00e7\u00e3o de catequistas, pais e demais agentes. Que se d\u00ea aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0s catequeses sobre a Eucaristia, bem como \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o para a Primeira Comunh\u00e3o. Com criatividade procurem-se formas de fazer ponte entre a catequese e a Missa Dominical e vice-versa. Sem esquecer que a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 das crian\u00e7as e adolescentes \u00e0 Eucaristia deve ser acompanhada pelo testemunho dos pais.  9. As \u201cescolas de ora\u00e7\u00e3o\u201d que j\u00e1 existem continuem no pr\u00f3ximo ano pastoral como escolas de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e, se feitas com os jovens, tamb\u00e9m \u00e0 op\u00e7\u00e3o vocacional. A atrac\u00e7\u00e3o que Jesus exerce na Eucaristia encontra um significado pleno na op\u00e7\u00e3o vocacional. Partindo da Eucaristia e de todas as formas de culto eucar\u00edstico fa\u00e7a-se uma proposta vocacional clara e s\u00e9ria.   10. Dado que o fruto da Eucaristia \u00e9 a caridade, cada par\u00f3quia renove e revigore o servi\u00e7o da caridade. Cada fam\u00edlia, grupo e comunidade escolha uma ac\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria de caridade ou gesto de solidariedade que pode resultar numa obra comum.  11. As jornadas de forma\u00e7\u00e3o permanente do clero, neste Ano da Eucaristia, ter\u00e3o como tema: \u201c A renova\u00e7\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica a partir da nova vers\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano de 2002\u201d.  12. A abertura do Ano da Eucaristia realizar- se- \u00e0 em cada par\u00f3quia da nossa diocese no mesmo dia, em 10 de Outubro pr\u00f3ximo. O encerramento ser\u00e1 a n\u00edvel da Diocese, no \u201cDia Eucar\u00edstico Diocesano\u201d, em 18 de Setembro de 2005, a cargo do Gabinete de Coordena\u00e7\u00e3o Pastoral. A seu tempo ser\u00e3o enviadas orienta\u00e7\u00f5es oportunas. Irm\u00e3os e irm\u00e3s no Senhor, o simples elenco fragment\u00e1rio e sugestivo das tarefas que derivam do \u201cAno Eucar\u00edstico\u201d prop\u00f5e-nos um caminho s\u00e9rio e empenhativo. Exige convers\u00e3o interior das pessoas e das comunidades para que se deixem atrair por Jesus. Mas requer tamb\u00e9m express\u00e3o exterior na santidade de vida no mundo, em obras de justi\u00e7a e de caridade. A M\u00e3e de Jesus, mulher eucar\u00edstica, nos guie neste caminho a contemplar com o seu olhar e o seu cora\u00e7\u00e3o o rosto eucar\u00edstico de Jesus e a realizar a convers\u00e3o pessoal e pastoral que Ele nos pede. A Ele dirigimos a nossa prece:  <i>\u00d3 Senhor, ajuda-nos a superar a indiferen\u00e7a, a pregui\u00e7a espiritual, a frieza ou pobreza de sentimentos e, porventura, a dureza de cora\u00e7\u00e3o perante o mist\u00e9rio inef\u00e1vel do Teu amor. Faz crescer em n\u00f3s sentimentos de encanto, de alegria e reconhecimento pelo grande dom da Eucaristia; sentimentos de f\u00e9 e de adora\u00e7\u00e3o na Tua presen\u00e7a permanente no meio de n\u00f3s; sentimentos de implora\u00e7\u00e3o para que a nossa vida se deixe renovar profundamente pelo memorial da Tua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, se deixe plasmar pelo Teu sacrif\u00edcio redentor como vida oferecida no dom total de si a Deus e aos homens.<\/i>  Sa\u00fada-vos afectuosamente,  23 de Julho de 2004, Dia da Dedica\u00e7\u00e3o da Catedral de Viseu + Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Viseu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Pastoral de D. 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