{"id":69660,"date":"2014-11-06T17:06:00","date_gmt":"2014-11-06T17:06:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/11\/06\/cristaos-sao-essenciais-para-o-futuro-do-medio-oriente\/"},"modified":"2014-11-06T17:06:00","modified_gmt":"2014-11-06T17:06:00","slug":"cristaos-sao-essenciais-para-o-futuro-do-medio-oriente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cristaos-sao-essenciais-para-o-futuro-do-medio-oriente\/","title":{"rendered":"Crist\u00e3os s\u00e3o essenciais para o futuro do M\u00e9dio Oriente"},"content":{"rendered":"<p>O patriarca s\u00edrio Greg\u00f3rio III Laham, l\u00edder greco-melquita de Antioquia, passou por Portugal a convite da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) para deixar um apelo em defesa da paz e da liberdade religiosa <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia ECCLESIA (AE) &#8211; A sua visita a Portugal acontece num momento em que a viol&ecirc;ncia aumenta na S&iacute;ria. Como analisa esta &laquo;guerra sem rosto&raquo; que tem vindo a denunciar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>D. Greg&oacute;rio III Laham (GL)<\/em> &#8211; Falamos de um conflito que provoca v&iacute;timas de forma cont&iacute;nua. Tenho dito, de facto, que esta &eacute; uma guerra sem rosto, uma guerrilha sem rosto, n&atilde;o sabemos o motivo desta guerra. Temos democracia como no mundo &aacute;rabe e melhor do que no mundo &aacute;rabe; h&aacute; servi&ccedil;os secretos em todo o lado, por vezes h&aacute; tortura, corrup&ccedil;&atilde;o &#8211; n&atilde;o estamos no melhor dos mundos, mas tamb&eacute;m n&atilde;o estamos no pior e eu pergunto: o que &eacute; que esta guerra nos pode trazer? &Eacute; verdadeiramente, como se diz na Europa, uma primavera &aacute;rabe pela democracia, a liberdade de religi&atilde;o, de culto?<\/p>\n<p> \tN&atilde;o vejo o que este grupo, que se diz oposi&ccedil;&atilde;o, nos pode trazer. E se houvesse uma verdadeira oposi&ccedil;&atilde;o, que dir&iacute;amos moderada&hellip; Pelo contr&aacute;rio, h&aacute; oposi&ccedil;&otilde;es, completamente divididas. Segundo Kofi Annan e Lakhdar Brahimi (enviados da ONU para a S&iacute;ria), com quem me encontrei em 2013, h&aacute; dois mil grupos que combatem na S&iacute;ria.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o podemos esperar que dois mil grupos fa&ccedil;am Democracia: est&atilde;o divididos, querem dinheiro, repartem entre si o dinheiro, n&atilde;o t&ecirc;m programa. N&atilde;o s&atilde;o uma alternativa, n&atilde;o h&aacute; uma alternativa.<\/p>\n<p> \tEu n&atilde;o quero o regime, quero um Estado: h&aacute; um Governo, h&aacute; uma tradi&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria de conviv&ecirc;ncia, de liberdade religiosa e de culto, de prociss&otilde;es, de peregrina&ccedil;&otilde;es, de confrarias.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; De que forma v&ecirc; o crescimento do chamado Estado Isl&acirc;mico?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL <\/em>&#8211; O Estado Isl&acirc;mico n&atilde;o &eacute; nem Estado nem isl&acirc;mico, como me disse um mufti [pessoa a quem &eacute; reconhecida autoridade em assuntos relacionados com a da lei isl&acirc;mica, sua aplica&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o]. N&atilde;o &eacute; isl&acirc;mico porque n&atilde;o representa o Isl&atilde;o, essa &eacute; uma vontade, mas eu penso que tudo isto &eacute;, antes, uma instrumentaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tA desinforma&ccedil;&atilde;o, a manipula&ccedil;&atilde;o desempenharam e desempenham ainda um grande papel nisto. Os media apresentaram as coisas de forma completamente diferente da realidade e n&atilde;o sei se na Europa h&aacute; informa&ccedil;&atilde;o sobre a manipula&ccedil;&atilde;o, se isso se sabe.<\/p>\n<p> \tH&aacute; um objetivo que para mim n&atilde;o &eacute; claro. Nesta guerra na S&iacute;ria e agora em parte do L&iacute;bano e no Iraque &#8211; onde houve uma campanha militar mal fundamentada -, h&aacute; todo um mal, que eu denomino &lsquo;mysterium iniquitatis&rsquo;, o mist&eacute;rio do mal.<\/p>\n<p> \tTamb&eacute;m o vemos numa Europa cada vez menos crist&atilde;, que se diz de ra&iacute;zes crist&atilde;s mas onde h&aacute; uma tend&ecirc;ncia de n&atilde;o o afirmar. Isso &eacute; grave. H&aacute; uma Europa que j&aacute; n&atilde;o est&aacute; na sua forma crist&atilde;: um mundo sem Deus &eacute; um mundo onde n&atilde;o h&aacute; valores para o homem, como disse Bento XVI.<\/p>\n<p> \tMuitos destes mercen&aacute;rios, destes guerrilheiros que est&atilde;o agora na S&iacute;ria, com o Estados Isl&acirc;mico, esta gente que combate s&atilde;o pessoas que perderam o sentido da vida, do homem, da dignidade do homem. Se n&atilde;o s&atilde;o mu&ccedil;ulmanos, se s&atilde;o crist&atilde;os, pessoas que se converteram ao Isl&atilde;o com a internet, o que &eacute; que podemos esperar deles. Que forma&ccedil;&atilde;o mu&ccedil;ulmana &eacute; que t&ecirc;m? &Eacute; um alibi, portanto, um alibi, e para mim &eacute; um instrumento.<\/p>\n<p> \tO Daesh &#8211; Estado Isl&acirc;mico do Iraque e do Levante ou Estado Isl&acirc;mico do Iraque e da S&iacute;ria, como voc&ecirc;s lhe chamam &#8211; &eacute; um instrumento. N&atilde;o sei como &eacute; que de repente t&ecirc;m 15 milh&otilde;es de pessoas sob a sua jurisdi&ccedil;&atilde;o, na regi&atilde;o onde est&atilde;o presentes. T&ecirc;m um territ&oacute;rio de 40 mil quil&oacute;metros quadrados. &Eacute; algo que se tornou t&atilde;o grande que n&atilde;o &eacute; veross&iacute;mil e &eacute; por isso que digo que est&aacute; instrumentalizado.<\/p>\n<p> \tEles s&atilde;o um perigo mesmo para o Isl&atilde;o e por vezes ainda mais para o Isl&atilde;o do que para o Cristianismo. Isto n&atilde;o ser&aacute; um compl&ocirc; contra o Isl&atilde;o? Para mim, de uma forma ou de outra, &eacute; um compl&ocirc; para destruir o Isl&atilde;o desde o interior, despoj&aacute;-lo, dividi-lo e, mais ainda, &eacute; um movimento sem valor.<\/p>\n<p> \tPor isso, a atual coliga&ccedil;&atilde;o de alguns pa&iacute;ses contra este &lsquo;Estado Isl&acirc;mico&rsquo; &eacute; insuficiente. Dado que &eacute; limitada e dividida, vai gerar ainda mais divis&otilde;es, mais guerra. Se quisermos um verdadeiro rem&eacute;dio, &eacute; preciso que haja um consenso, um acordo geral de todas as partes e de todos os pa&iacute;ses do mundo e n&atilde;o apenas alguns, sejam pa&iacute;ses europeus ou &aacute;rabes.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; O que tem faltado para chegar a este acordo?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL <\/em>&#8211; Se estamos verdadeiramente a falar de um perigo para a humanidade, &eacute; preciso que todos os pa&iacute;ses, a R&uacute;ssia, a China, o Jap&atilde;o, os Estados &aacute;rabes &#8211; porque &eacute; que s&oacute; a Jord&acirc;nia, a Ar&aacute;bia Saudita e n&atilde;o os outros? Onde est&atilde;o Om&atilde;, Bar&eacute;m, Tun&iacute;sia? Se &eacute; um perigo, &eacute; preciso que todo o mundo esteja de acordo, porque se n&atilde;o houver um consenso geral, isso vai causar ainda mais guerra, mais v&iacute;timas e mais horror.<\/p>\n<p> \tEste consenso geral tem de dar resultados do ponto de vista militar, mas sobretudo ideol&oacute;gico, para que haja uma ideologia comum ao mundo e n&atilde;o apenas a uma parte.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Essa ideologia exige uma laicidade do Isl&atilde;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL <\/em>&#8211; Sim, &eacute; por isso que eu pe&ccedil;o uma frente comum, local. J&aacute; fizemos reuni&otilde;es dos patriarcas crist&atilde;os orientais, n&atilde;o apenas os cat&oacute;licos, desde junho, para formar uma vis&atilde;o comum e assumir posi&ccedil;&otilde;es comuns. Visitamos juntos o Iraque, Washington (EUA) e temos outras programadas, h&aacute; uma frente comum, crist&atilde;, que ajudar a compreender melhor a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> \tEu fiz um apelo ao mufti do Egito, o maior pa&iacute;s isl&acirc;mico e tamb&eacute;m o maior pa&iacute;s crist&atilde;o do M&eacute;dio Oriente, com 15 milh&otilde;es de coptas, para que convocasse uma reuni&atilde;o de muftis e patriarcas para criar uma frente comum. &Eacute; muito importante ter esta esp&eacute;cie de cimeira espiritual, inter-religiosa, crist&atilde;os e mu&ccedil;ulmanos juntos para mostrar onde nascemos e dar a verdadeira posi&ccedil;&atilde;o sobre o ser humano.<\/p>\n<p> \tH&aacute; um trabalho neste sentido, para que haja uma cimeira espiritual, o que poderia ajudar a criar um consenso universal, a come&ccedil;ar pelo Isl&atilde;o &#8211; porque h&aacute; o Paquist&atilde;o, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o mundo &aacute;rabe &#8211; e o mundo europeu, para compreender melhor o desafio e o perigo deste momento.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; O Papa Francisco tem dado uma aten&ccedil;&atilde;o muito particular ao M&eacute;dio Oriente.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL <\/em>&#8211; Sim, sim. J&aacute; quando o Papa S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II foi &agrave; S&iacute;ria em 2001, havia um novo presidente [Bashar al-Assad, que continua a ser chefe de Estado], filho de Assad, que o recebeu dizendo: &lsquo;Bem-vindo &agrave; S&iacute;ria, ber&ccedil;o do Cristianismo&rsquo;. Tiro-lhe o meu chap&eacute;u.<\/p>\n<p> \t&Eacute; uma verdade hist&oacute;rica, mas &eacute; bom ouvi-lo da boca do presidente de uma rep&uacute;blica &aacute;rabe. Gostamos de ouvir o Papa Bento XVI e o Papa Francisco que n&atilde;o se pode compreender o M&eacute;dio Oriente sem os crist&atilde;os e a necessidade de manter os crist&atilde;os nos seus locais de origem, tamb&eacute;m &eacute; bom citar um presidente que disse isso, &eacute; um testemunho muito importante para mim.<\/p>\n<p> \tPor outro lado, vemos uma certa abertura: a nova Constitui&ccedil;&atilde;o do Egito tem 25 pontos que favorecem os crist&atilde;os, as outras minorias, as mulheres, a fam&iacute;lia, os Direitos Humanos. Nessa Constitui&ccedil;&atilde;o &eacute; dito que a civiliza&ccedil;&atilde;o eg&iacute;pcia &eacute;, em primeiro lugar, fara&oacute;nica, depois crist&atilde; e em terceiro lugar mu&ccedil;ulmana. Tudo isso mostra como &eacute; importante a presen&ccedil;a crist&atilde;.<\/p>\n<p> \tO Papa Francisco repete muitas vezes a express&atilde;o &ldquo;a minha amada S&iacute;ria&rdquo;, &eacute; muito bonito. Tudo isso &eacute; muito importante, &eacute; preciso compreender a import&acirc;ncia da presen&ccedil;a crist&atilde; e do nosso papel. Para mim, defender a presen&ccedil;a crist&atilde; no M&eacute;dio Oriente &#8211; na Palestina, na S&iacute;ria, no Egito, no Iraque &#8211; &eacute; bom, mas essa presen&ccedil;a tem em vista uma miss&atilde;o.<\/p>\n<p> \tN&oacute;s queremos conservar a presen&ccedil;a crist&atilde;, ajudar os crist&atilde;os a ficar &#8211; agrade&ccedil;o &agrave; Ajuda &agrave; Igreja que Sofre, aos crist&atilde;os de Portugal, obrigado por tudo -, mas pe&ccedil;o sobretudo aos crist&atilde;os da Europa a n&atilde;o se defenderem apenas a presen&ccedil;a dos crist&atilde;os, mas a ligar a presen&ccedil;a &agrave; miss&atilde;o e a miss&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a. Digam: ajudamos os crist&atilde;os para que continuem a permanecer no mundo &aacute;rabe, como fermento na massa, como luz e sal.<\/p>\n<p> \tEste &eacute; o acento: se falarmos apenas em ajudar os crist&atilde;os, nos crist&atilde;os perseguidos, isso reflete-se numa mentalidade de gueto. Pe&ccedil;o sempre que n&atilde;o se fale demasiado nas persegui&ccedil;&otilde;es, para n&atilde;o criar uma mentalidade defensiva, de pessoas vencidas. &Eacute; preciso dar coragem aos crist&atilde;os para ficarem, com uma miss&atilde;o, sen&atilde;o vai dizer-se: os crist&atilde;os da Europa ajudam os crist&atilde;os do Oriente, &eacute; uma cruzada, ajudam-nos contra os outros.<\/p>\n<p> \tNo ber&ccedil;o do Cristianismo, h&aacute; uma Igreja que fala de Jesus, que d&aacute; o Evangelho, que o vive num contexto mu&ccedil;ulmano. S&atilde;o Jo&atilde;o Paulo II j&aacute; tinha dito que a ess&ecirc;ncia do homem &eacute; ser &ldquo;com e para&rdquo;. N&oacute;s somos crist&atilde;os no M&eacute;dio Oriente com os mu&ccedil;ulmanos, estamos num pa&iacute;s &aacute;rabe, de maioria mu&ccedil;ulmana. Somos uma Igreja com os outros e para os outros.<\/p>\n<p> \t&Eacute; uma Igreja que gosto de chamar &lsquo;Igreja dos &aacute;rabes&rsquo;. Ainda mais, for&ccedil;ando, chamo-lhe a &lsquo;Igreja do Isl&atilde;o&rsquo;. N&atilde;o &eacute; uma Igreja formada por mu&ccedil;ulmanos convertidos, n&atilde;o &eacute; s&oacute; isso, &eacute; uma Igreja que est&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o e deve levar Jesus ao Isl&atilde;o, de forma especial, n&atilde;o apenas pregando &#8211; como fazem alguns grupos protestantes, que fazem mal. &Eacute; preciso, como disse o Papa Francisco, que o Cristianismo seja atraente, atrativo: esta &eacute; a verdadeira miss&atilde;o.<\/p>\n<p> \tMesmo que os pa&iacute;ses europeus tivessem hoje leis que s&atilde;o contra o Cristianismo, o crist&atilde;o teriam de ter a coragem de viver como portugu&ecirc;s e como cat&oacute;lico. Esta coragem n&atilde;o &eacute; apenas para o crist&atilde;o que vive no mundo mu&ccedil;ulmano, mas tamb&eacute;m num mundo demasiado secularizado, ateu ou, digamos, contra a Igreja.<\/p>\n<p> \tNo Evangelho &eacute; dito que &lsquo;Deus amou tanto o mundo&rsquo;. Na liturgia de S&atilde;o Jo&atilde;o Cris&oacute;stomo, dizemos: &lsquo;Tu amaste o teu mundo&rsquo;. Para mim, crist&atilde;o, Portugal &eacute; o meu mundo, a Ar&aacute;bia, o L&iacute;bano, a S&iacute;ria s&atilde;o o meu mundo, que tenho de amar, levando os meus valores crist&atilde;os. &Eacute; a minha mensagem para os meus amigos em Portugal.<\/p>\n<p> \t&Eacute; preciso ajudar os crist&atilde;os a manter a sua identidade, como disse o Papa aos jovens no Brasil, com abertura. Este &eacute; o ad&aacute;gio: identidade e abertura.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Quais s&atilde;o as principais necessidades dos crist&atilde;os na S&iacute;ria?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL<\/em> &#8211; H&aacute; mais de seis milh&otilde;es de deslocados no interior do pa&iacute;s e dois ou tr&ecirc;s milh&otilde;es de refugiados, incluindo cerca de 450 mil crist&atilde;os, ou seja, 25% dos nossos crist&atilde;os est&atilde;o fora da S&iacute;ria. Eles s&atilde;o corajosos, resistiram durante tr&ecirc;s anos e meio, a trag&eacute;dia da S&iacute;ria tem uma dura&ccedil;&atilde;o mais longa e o choque da fuga dos crist&atilde;os &eacute; menos forte do que a do Iraque, num tempo limitado. Mas &eacute; mais grave, no nosso pa&iacute;s, at&eacute; porque j&aacute; recebemos um milh&atilde;o e meio de refugiados iraquianos que partiram, entretanto.<\/p>\n<p> \tOutra estat&iacute;stica importante para os nossos amigos na Europa: h&aacute; entre 91 a 100 igrejas destru&iacute;das ou danificadas, de todas as comunidades crist&atilde;s. H&aacute; mais de 25 aldeias que ficaram sem habitantes crist&atilde;os, tamb&eacute;m.<\/p>\n<p> \tA Igreja est&aacute; ao lado do povo, ningu&eacute;m fugiu: todos os bispos ficaram no seu lugar, todos os patriarcas est&atilde;o em Damasco. Cada igreja transformou-se num centro de ajuda, todas. Agradecemos a todas as comunidades que nos ajudaram, &agrave;s ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias de todo o mundo.<\/p>\n<p> \tAos poucos, vemos sinais positivos: Maalula ficou vazia em setembro de 2013 e um ano depois 200 fam&iacute;lias voltaram a entrar. Agora temos um jardim de inf&acirc;ncia, uma escola, e comecei a reconstruir as igrejas.<\/p>\n<p> \tEm Homs, o centro est&aacute; destru&iacute;do &#8211; foram seis meses para remover os destro&ccedil;os, seis meses. Ainda n&atilde;o come&ccedil;amos a reconstruir, mas a igreja est&aacute; l&aacute; e no pr&oacute;ximo dia 28 vou inaugurar a repara&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o pontos positivos.<\/p>\n<p> \t&Eacute; preciso reconstruir igrejas, centros de catequeses, apoiar as pessoas na reconstru&ccedil;&atilde;o. As prioridades s&atilde;o ajudar imediatamente, e depois participar, quando as pessoas regressarem, com o Estado, na reconstru&ccedil;&atilde;o das suas casas: diria que 2 ou 3 mil d&oacute;lares, por exemplo, para fam&iacute;lias pobres. &Eacute; preciso que a Igreja se prepare para isso, que a Igreja participe e que os crist&atilde;os sintam que a m&atilde;o da Igreja est&aacute; l&aacute;: &eacute; uma m&atilde;o bela, estendida, que ajuda, a m&atilde;o do bispo, a m&atilde;o do patriarca.<\/p>\n<p> \t&Eacute; preciso que as organiza&ccedil;&otilde;es crist&atilde;s ajudem a Igreja local: cada padre, cada monge, todos os que trazem o h&aacute;bito s&atilde;o um centro de ajuda.<\/p>\n<p> \tEu sinto que as pessoas est&atilde;o traumatizadas, sobretudo os jovens, as crian&ccedil;as, mesmo sem o sentirem. Ent&atilde;o, como ajudar a enfrentar este problema? Neste momento, estou &agrave; procura de saber como fundar pequenos centros, pequenos clubes, para ajudar de forma direta e indireta, a diminuir, digamos, estes traumas nas nossas aldeias, nos nossos fi&eacute;is, nas nossas gentes, nas nossas escolas.<\/p>\n<p> \tQuem sabe se em Portugal h&aacute; pessoas que nos leiam e que tenham um conceito interessante do que se pode fazer na reabilita&ccedil;&atilde;o, na diminui&ccedil;&atilde;o do trauma nas nossas crian&ccedil;as?<\/p>\n<p> \tS&atilde;o pequenos projetos que podem mostrar que a Igreja est&aacute; junto das popula&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o feridas.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Teve oportunidade de participar na assembleia extraordin&aacute;ria do S&iacute;nodo dos Bispos sobre a fam&iacute;lia. Que avalia&ccedil;&atilde;o faz dos trabalhos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>GL<\/em> &#8211; Esta assembleia serviu sobretudo para desbravar terreno. Os bispos da Europa, da &Aacute;sia, da &Aacute;frica, do M&eacute;dio Oriente, da Am&eacute;rica, vivem a fam&iacute;lia, sabem qual &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o nessas regi&otilde;es. Abordamos os problemas, os desafios, mas n&atilde;o quisemos dar rem&eacute;dios, solu&ccedil;&otilde;es, propostas, como &eacute; costume fazer: deixamos isso para um per&iacute;odo de reflex&atilde;o, nos v&aacute;rios pa&iacute;ses, e depois a partir desta reflex&atilde;o vamos apresentar ideias que possam ajudar a definir uma nova linha, entre a continuidade e a novidade. &Eacute; um pouco o dilema: como abrir-se &agrave;s fam&iacute;lias em sofrimento, em dificuldade, dando-lhes ao mesmo tempo o Evangelho; como estar aberto &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es e, sobretudo, ajudar as fam&iacute;lias a sair dessas situa&ccedil;&otilde;es, porque n&atilde;o se trata apenas de as compreender. &Eacute; preciso ajud&aacute;-las, onde elas est&atilde;o, a converterem-se, a mudar de vis&atilde;o.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o insistimos muito nisto, do meu ponto de vista &eacute; preciso compreender as situa&ccedil;&otilde;es, perceber porque &eacute; que as pessoas chegaram a esse ponto, mas n&atilde;o deix&aacute;-las no mesmo lugar. A Incarna&ccedil;&atilde;o fez isso: Deus fez-se homem, mas n&atilde;o deixou o homem em baixo, elevou-o.<\/p>\n<p> \tCompreendendo as situa&ccedil;&otilde;es dos divorciados, de conviv&ecirc;ncia sem casamento, n&atilde;o as posso deixar no seu pecado, h&aacute; outro valor crist&atilde;o: se tu &eacute;s crist&atilde;o, aqui est&aacute; o valor. &Eacute; preciso combinar a doutrina da Igreja, a situa&ccedil;&atilde;o das pessoas, a continuidade e a novidade, o di&aacute;logo, o contacto cont&iacute;nuo. Nunca podemos deixar ningu&eacute;m sozinho, a Igreja n&atilde;o pode deixar uma pessoa s&oacute;, mesmo no per&iacute;odo de sofrimento, mas tamb&eacute;m n&atilde;o a pode deixar ficar ali, &eacute; preciso mostrar-lhe outro caminho. Jesus disse: &lsquo;Eu sou o Caminho&rsquo;. &Eacute; preciso dizer a quem est&aacute; num sofrimento terr&iacute;vel que h&aacute; um caminho, que h&aacute; uma verdade. &Eacute; um desafio para a fam&iacute;lia e para a Igreja.<\/p>\n<p> \t<em>OC<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O patriarca s\u00edrio Greg\u00f3rio III Laham, l\u00edder greco-melquita de Antioquia, passou por Portugal a convite da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (AIS) para deixar um apelo em defesa da paz e da liberdade religiosa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[120,122,127,189,203,246,274,291],"class_list":["post-69660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-bento-xvi","tag-brasil","tag-catequese","tag-direitos-humanos","tag-europa","tag-liturgia","tag-papa-francisco","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}