{"id":6956,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/jovens-portugueses-vao-inundar-taize\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"jovens-portugueses-vao-inundar-taize","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-portugueses-vao-inundar-taize\/","title":{"rendered":"Jovens portugueses v\u00e3o inundar Taiz\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>Todas as semanas, durante o Ver\u00e3o, milhares de Jovens provenientes de toda a Europa chegam a uma pequena aldeia do sul da Borgonha, chamada Taiz\u00e9. V\u00eam em autocarros, em grupos mais ou menos organizados, mas muitos de mochila \u00e0s costas, de boleia, comboio ou de carro. Em algumas semanas de Agosto chegam aos seis mil. Em Taiz\u00e9 n\u00e3o h\u00e1 nenhum festival Rock, nem nenhuma Discoteca, nada daquilo que, aparentemente, atrai os jovens de hoje. Ali\u00e1s ali n\u00e3o h\u00e1 praticamente nada: uma aldeia de cinquenta casas e uma cidade de tendas que cresce \u00e0 volta de um edif\u00edcio de configura\u00e7\u00e3o estranha, coroado por tr\u00eas c\u00fapulas de estilo Bizantino. A primeira coisa com que se depara um visitante \u00e9 um painel com a palavra &#8220;bem-vindo&#8221; em v\u00e1rias l\u00ednguas e jovens, de todos os tipos, tribos e ra\u00e7as , de seminaristas polacos de sotaina a punks ingleses de longa crista verde e abundantes piercings. Na maior parte do tempo formam grupos que se sentam um pouco por todo o recinto conversando animadamente. De repente os cinco sinos de uma imponente torre de madeira come\u00e7am a tocar e , como formigas, os jovens encaminham-se para o referido edif\u00edcio de configura\u00e7\u00e3o estranha e dimens\u00f5es assinal\u00e1veis. Nas entradas alguns jovens empunham pain\u00e9is de madeira onde se adivinha a palavra silencio, escrita em mais de 20 l\u00ednguas diferentes.  Entrando, vemos que estamos numa igreja: o altar enquadrado por longos panais de tom avermelhado, velas, \u00edcones da mais pura tradi\u00e7\u00e3o ortodoxa, uma cruz inspirada no \u00edcone franciscano mais conhecido pontua o lado direito da capela-mor. Bancos poucos, ao longo das paredes destinados a um ou outro adulto. Ao centro, separados por um delimitador de verdura cerca de 70 homens , de longo h\u00e1bito branco, ajoelham numa postura de inspira\u00e7\u00e3o oriental. Os jovens, aos milhares, sentam-se no ch\u00e3o da igreja de suave declive. Subitamente um c\u00e2ntico irrompe entoado a v\u00e1rias vozes, prontamente acompanhado em un\u00edssono pelos milhares de jovens: uma melodia simples e curta, longamente repetida. O ambiente convida \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o. Ouvem-se leituras, repetidas em v\u00e1rias l\u00ednguas: Ingl\u00eas, franc\u00eas, polaco, portugu\u00eas. Depois sil\u00eancio: longos minutos s\u00f3 interrompidos pela voz profunda e cansada, num franc\u00eas dif\u00edcil, do Prior , o Irm\u00e3o Roger Schutz.. \u201cNesta vida de comunh\u00e3o, Deus, que permanece invis\u00edvel, n\u00e3o nos fala for\u00e7osamente com palavras humanas. Fala-nos, sobretudo, por intui\u00e7\u00f5es que brotam no sil\u00eancio.\u201d Diz num dos seus livros mais conhecidos \u2013recentemente editado pela Gr\u00e1fica de Coimbra \u2013 intitulado &#8220;Deus s\u00f3 pode amar&#8221;, este su\u00ed\u00e7o octogen\u00e1rio que, com alguns outros colegas do semin\u00e1rio protestante de Genebra , se instalou em Taiz\u00e9 nos anos da segunda guerra mundial, instituindo uma comunidade ecum\u00e9nica pioneira, onde cat\u00f3licos e protestantes das mais diversas origens se comprometem juntos pela primeira vez desde a reforma na vida em comum, no celibato e na constru\u00e7\u00e3o de uma par\u00e1bola de comunh\u00e3o. &#8220;A comunidade que vive na pequena aldeia da Borgonha francesa representa, para o cristianismo, uma experi\u00eancia de futuro, uma antecipa\u00e7\u00e3o do que dever\u00e1 ser o modo de viver a f\u00e9 em Jesus, traduzido para o nosso tempo: um testemunho do essencial, uma rela\u00e7\u00e3o intensa com a palavra de Deus, uma par\u00e1bola de comunh\u00e3o e simplicidade, uma concretiza\u00e7\u00e3o da beleza nas nossas vidas. Nesse sentido, Taiz\u00e9 \u00e9 uma Primavera da Igreja. Tempo de desocultar cores e flores que estavam escondidas, momento de deixar brilhar o sol, ocasi\u00e3o de tratar frutos que h\u00e3o-de amadurecer.&#8221; Refere o jornalista Ant\u00f3nio Marujo, num texto escrito em 2003. Ele pr\u00f3prio frequentador ass\u00edduo da comunidade, como era a falecida Maria de Lourdes Pintasilgo e milhares de outros portugueses, jovens e menos jovens. Que mist\u00e9rio possui esta pequena comunidade, que descobriu como voca\u00e7\u00e3o o acolhimento e o semear da reconcilia\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia humana? Um mist\u00e9rio que vale a pena descobrir. A verdade \u00e9 que os jovens que passam pela colina \u2013 e que s\u00e3o desafiados a prosseguir o seu caminho na par\u00f3quia a que pertencem, j\u00e1 que Taiz\u00e9 nunca os quis organizar em movimento &#8211; assumem sempre a profunda marca na sua vida deixada pelas semanas ali passadas. Um descoberta progressiva, em ritmos diferentes, de uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus, tamb\u00e9m traduzida numa rela\u00e7\u00e3o com os outros.  Em Taiz\u00e9 o dia come\u00e7a cedo. No centro dos encontros, tr\u00eas vezes por dia a ora\u00e7\u00e3o em comum re\u00fane todos os que se encontram na colina numa celebra\u00e7\u00e3o simples atrav\u00e9s do canto e do sil\u00eancio. Todos os dias, alguns irm\u00e3os da comunidade re\u00fanem com os jovens sob uma tenda de circo para fazer o que em Taiz\u00e9 se designa por &#8221; introdu\u00e7\u00f5es b\u00edblicas&#8221;. Os temas diversificados ( este ano prop\u00f5e-se \u00abDa d\u00favida \u00e0 confian\u00e7a\u00bb \u2013 Como reconhecer a presen\u00e7a de Deus nas nossas vidas? ; \u00abAt\u00e9 \u00e0s fontes da alegria: reflex\u00e3o baseada na Carta para 2004\u00bb \u2013 O que me traz um sopro de vida? Como ir at\u00e9 \u00e0s fontes da bondade, da alegria e da confian\u00e7a? O que espera Deus de mim? Como posso viver e apoiar uma comunh\u00e3o com outros? ou \u00abCriados \u00e0 imagem de Deus\u00bb \u2013 Porque \u00e9 que a vida \u00e9 simultaneamente t\u00e3o dif\u00edcil e t\u00e3o bela? Qual o sentido e a voca\u00e7\u00e3o do ser humano?) e este momento de encontro \u00e9 seguido pela partilha em grupo, num grupo plural e multilingue formado na segunda-feira e que permanece durante toda a semana. Este grupo \u00e9 a base da teia de rela\u00e7\u00f5es e conhecimentos que se fazem ao longo da semana. Fala-se sobre o tema proposto, mas tamb\u00e9m sobre os respectivos pa\u00edses, e realidades culturais e sociais, e at\u00e9 sobre as experi\u00eancias e inquieta\u00e7\u00f5es pessoais. A ningu\u00e9m \u00e9 exigido que acredite em Deus, t\u00e3o s\u00f3 que assuma uma atitude de procura e de disponibilidade para ouvir e partilhar d\u00favidas e certezas. \u00c9 ainda poss\u00edvel, para os que o desejarem, passar a semana em sil\u00eancio para deixar o Evangelho iluminar profundamente a sua pr\u00f3pria vida. Depois do lanche, alguns workshops sobre temas mais espec\u00edficos, permitem perceber a rela\u00e7\u00e3o entre as fontes da f\u00e9 e a realidade pluralista do mundo contempor\u00e2neo: \u00ab \u00c9 poss\u00edvel o perd\u00e3o? \u00bb, \u00ab O desafio da mundializa\u00e7\u00e3o\u00bb, \u00ab Como responder ao chamamento de Deus?\u00bb, \u00abQue Europa queremos?\u00bb\u2026 H\u00e1 ainda temas sobre arte ou sobre m\u00fasica.  &#8220;Que flores e cores, que s\u00f3is e frutos Taiz\u00e9 nos ensina, ent\u00e3o, a descobrir? &#8221; questiona-se Ant\u00f3nio Marujo, numa comunica\u00e7\u00e3o enviada para um encontro que ocorreu em 2003 em S. Jos\u00e9 &#8220;Antes de mais, o apelo ao essencial. O cristianismo continua, hoje, carregado de acess\u00f3rios desnecess\u00e1rios, de pesos que a hist\u00f3ria nos legou. O essencial, dizia o principezinho, o essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos, pois s\u00f3 se v\u00ea bem com o cora\u00e7\u00e3o. E o essencial, no cristianismo, \u00e9 o mandamento do amor. Que fizemos dele, que temos feito desse apelo maior de Jesus \u00e0s nossas vidas? Amar o outro \u00e9 o mais dif\u00edcil, sabemo-lo todos. Exige conhec\u00ea-lo e respeit\u00e1-lo na sua forma de vida e nas suas opini\u00f5es. Passa tamb\u00e9m pela toler\u00e2ncia para com os seus erros e fracassos. Implica uma proximidade e uma compreens\u00e3o profunda do outro a partir do lugar em que ele se coloca. Traduz-se em ter paci\u00eancia, em n\u00e3o ridicularizar ningu\u00e9m, em n\u00e3o fazer condena\u00e7\u00f5es apressadas \u2013 seja no trabalho ou na fam\u00edlia, no tr\u00e2nsito ou com amigos. \u201cNeste per\u00edodo da hist\u00f3ria, o Evangelho convida-nos a amar e a diz\u00ea-lo atrav\u00e9s da nossa vida. Antes de tudo, \u00e9 a nossa vida que torna a f\u00e9 cred\u00edvel \u00e0 nossa volta.\u201d (I. Roger, \u201cDeus s\u00f3 pode amar\u201d)  <b>Informa\u00e7\u00f5es Pr\u00e1ticas<\/b> Viver uma semana em Taiz\u00e9 \u00e9 assim uma proposta, dirigida sobretudo aos Jovens com menos de 30 anos, de umas f\u00e9rias diferentes, longe do stress das filas e dos engarrafamentos, numa regi\u00e3o de grande beleza natural e onde \u00e9 poss\u00edvel viver uma riqu\u00edssima experi\u00eancia de descoberta do outro e de uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com Deus. Tem ainda a vantagem de , gra\u00e7as ao sistema de funcionamento em comunidade, ser bastante acess\u00edvel: 35 a 40 Euros por semana para os jovens, sensivelmente o dobro para os adultos. A isto acrescem as viagens, que no caso das peregrina\u00e7\u00f5es organizadas na regi\u00e3o centro custam 100 Euros, em autocarro, com um dia de visita ao F\u00f3rum Barcelona como possibilidade extra. Porque n\u00e3o experimentar? A Comunidade de Taiz\u00e9 vive do seu trabalho e n\u00e3o aceita qualquer donativo. A participa\u00e7\u00e3o nas despesas dos encontros visa fazer face exclusivamente aos custos de alimenta\u00e7\u00e3o e alojamento e \u00e9 calculada em fun\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de vida de cada Pa\u00eds. Para os jovens portugueses a comunidade sugere uma contribui\u00e7\u00e3o de 4 a 5,5\u20ac por dia, cerca do dobro para os adultos. Quem desejar ir a Taiz\u00e9 este ver\u00e3o, pode faz\u00ea-lo, a partir da Regi\u00e3o Centro, em dois grupos que est\u00e3o a ser organizados gra\u00e7as \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias comunidades da Regi\u00e3o Centro, com o apoio das respectivas estruturas da Pastoral Juvenil. A partida de Coimbra ser\u00e1 pelas 20 horas das sextas-feiras 13 e 20 de Agosto, e o regresso ser\u00e1 na manh\u00e3 das segundas-feiras 23 e 30 desse mesmo m\u00eas. Haver\u00e1 pessoas de diversas origens (Coimbra, Aveiro, Viseu, Guarda) e provenientes de v\u00e1rios movimentos. Para informa\u00e7\u00f5es funciona um espa\u00e7o de atendimento em Coimbra, na Igreja de S. Jos\u00e9, \u00e0s quartas, das 18h00 \u00e0s 20h00. Poder\u00e3o tamb\u00e9m contactar a organiza\u00e7\u00e3o para o email amigos.taize.coimbra@sapo.pt ou pelo telefone 968729619 (Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Monteiro).  A participa\u00e7\u00e3o nesta peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 aberta a todos os interessados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as semanas, durante o Ver\u00e3o, milhares de Jovens provenientes de toda a Europa chegam a uma pequena aldeia do sul da Borgonha, chamada Taiz\u00e9. V\u00eam em autocarros, em grupos mais ou menos organizados, mas muitos de mochila \u00e0s costas, de boleia, comboio ou de carro. Em algumas semanas de Agosto chegam aos seis mil. 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