{"id":69122,"date":"2014-10-03T10:30:00","date_gmt":"2014-10-03T10:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2014\/10\/03\/familia-consentimento-matrimonial-tem-de-ser-entendido-na-complexidade-do-ser-humano\/"},"modified":"2014-10-03T10:30:00","modified_gmt":"2014-10-03T10:30:00","slug":"familia-consentimento-matrimonial-tem-de-ser-entendido-na-complexidade-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/familia-consentimento-matrimonial-tem-de-ser-entendido-na-complexidade-do-ser-humano\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia: Consentimento matrimonial tem de ser entendido na \u00abcomplexidade do ser humano\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>D. Manuel Clemente analisa o alcance do S\u00ednodo dos Bispos sobre a Fam\u00edlia e rejeita a possibilidade de um \u00abdiv\u00f3rcio cat\u00f3lico\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p> \t<em>Ag&ecirc;ncia Ecclesia (AE) &ndash; Que expectativas tem para esta primeira fase do S&iacute;nodo dos Bispos sobre a fam&iacute;lia, que decorre entre os dias 5 e 19 de outubro?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>D. Manuel Clemente (MC) &#8211;<\/em> Partilho das expetativas da Igreja e at&eacute; de muita gente al&eacute;m da Igreja. Esta assembleia sinodal extraordin&aacute;ria vem na peugada de uma reflex&atilde;o feita por muit&iacute;ssima gente, centenas de milhares de pessoas, no &acirc;mbito do inqu&eacute;rito preparat&oacute;rio, traduzido em muitas respostas de pessoas de Igreja, algumas que n&atilde;o se manifestam como cat&oacute;licas, mas interessadas. Com todas as respostas fez-se uma enorme quantidade de questionamentos, perguntas, observa&ccedil;&otilde;es e sugest&otilde;es que depois foram trabalhadas pela comiss&atilde;o do s&iacute;nodo e se traduziram no Documento de Trabalho, sobre o qual nos vamos debru&ccedil;ar. Durante 15 dias, os representantes de todas as Confer&ecirc;ncias Episcopais, Institutos Religiosos, laicado e casais, de Vida Religiosa vamos pronunciar-nos sobre esses temas, mas n&atilde;o de forma definitiva. Esta assembleia extraordin&aacute;ria &eacute; preparat&oacute;ria e introdut&oacute;ria de uma outra assembleia do s&iacute;nodo, daqui a um ano, que vai elaborar um documento para deixar nas m&atilde;os do Papa.<\/p>\n<p> \t&Eacute; um processo em curso, envolve expetativas e reflex&otilde;es de muita gente, sobretudo de Igreja, e sobre uma problem&aacute;tica que &eacute; completamente transversal: a quest&atilde;o familiar.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Acontece 30 anos ap&oacute;s o &uacute;ltimo pronunciamento da Igreja sobre a fam&iacute;lia, quando foi publicada a Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica Familiaris Consortio&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Que tamb&eacute;m foi fruto de uma assembleia sinodal e que ainda hoje continua a ser um documento muito interessante porque &eacute; muito abrangente: vai desde a considera&ccedil;&atilde;o do que &eacute; a realidade familiar, &agrave; luz da tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica que &eacute; a nossa e que &eacute; coincidente com uma tradi&ccedil;&atilde;o humana muito lata, mas que depois come&ccedil;a na forma&ccedil;&atilde;o para o matrim&oacute;nio, nas casas dos pais, escolas de filhos, nas igrejas, catequeses, adolesc&ecirc;ncia, namoro, casamento, acompanhamento do matrim&oacute;nio. A <em>Familiaris Consortio<\/em> em muitas das suas observa&ccedil;&otilde;es &eacute; um documento muito atual.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tSociedade em mudan&ccedil;a<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que &eacute; novo a exigir uma nova reflex&atilde;o sobre estas quest&otilde;es?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> Creio que &eacute; a dimens&atilde;o da problem&aacute;tica familiar, na atualidade. A fam&iacute;lia, nomeadamente na Europa, assentava numa base social, tradicional muito forte e at&eacute; muito assegurada pelas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. Em Portugal concretamente a tradi&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica tinha um peso muito forte na constru&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias. Mesmo que algumas n&atilde;o fossem cat&oacute;licas, havia um conjunto de princ&iacute;pios acerca da fam&iacute;lia &#8211; marido, mulher, pais, filhos, est&aacute;vel &#8211; que a sociedade prezava e o Estado tamb&eacute;m, como sociedade est&aacute;vel. E a pr&oacute;pria legisla&ccedil;&atilde;o acontecia em fun&ccedil;&atilde;o desses princ&iacute;pios.<\/p>\n<p> \tHoje o quadro mudou muito. Em Portugal e noutros pa&iacute;ses europeus, j&aacute; nem h&aacute; um consenso t&atilde;o absoluto sobre o que &eacute; a fam&iacute;lia (ao falar em fam&iacute;lia estamos a falar de qu&ecirc;?), a lei inclui a muitas situa&ccedil;&otilde;es que, na nossa opini&atilde;o, contradizem o que entendemos como fam&iacute;lia, as pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es estatais, o direito e os tribunais que, quando h&aacute; apelo a eles, n&atilde;o v&atilde;o sempre na linha da manuten&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo familiar (&agrave;s vezes at&eacute; parece bem pelo contr&aacute;rio), a pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o, nas escolas, nos ambientes, nos media&hellip;<\/p>\n<p> \tEstamos diante de um conjunto de quest&otilde;es que d&atilde;o uma grande acuidade e esta tem&aacute;tica e eu s&oacute; posso louvar o Papa por as ter encarado de frente e feito com que a Igreja, a este n&iacute;vel romano do S&iacute;nodo dos Bispos e envolvendo muitas pessoas com a consulta feita a tanta gente, leve o debate por diante!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Estaremos diante de tend&ecirc;ncias que acentuam dist&acirc;ncias entre os valores propostos pela Igreja para a fam&iacute;lia e as tend&ecirc;ncias sociais e culturais para esse ambiente?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash; <\/em>Temos de alargar o horizonte. Nas respostas ao inqu&eacute;rito, encontramos as da Europa que posso resumir no que estava a dizer, incluindo tamb&eacute;m parte da Am&eacute;rica do Norte, mas se vamos para a Am&eacute;rica Latina j&aacute; encontramos outras respostas e sensibilidades, como Em &Aacute;frica ou na &Aacute;sia. Por vezes com uma diferen&ccedil;a de 20 para 80%, num sentido ou noutro, na resposta &aacute; mesma quest&atilde;o. N&atilde;o suponhamos que agora na assembleia extraordin&aacute;ria do S&iacute;nodo dos Bispos ou na do pr&oacute;ximo ano v&aacute; preponderar a sensibilidade europeia, porque a Igreja &eacute; cat&oacute;lica!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; poss&iacute;vel uma reflex&atilde;o &uacute;nica para todos esses contextos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> &Eacute; poss&iacute;vel e necess&aacute;ria, sabendo que o sujeito do s&iacute;nodo &eacute; a Igreja Cat&oacute;lica, radicando nela a proposta que temos a fazer, no pensamento da Igreja, a tradi&ccedil;&atilde;o b&iacute;blica e concretamente a proposta de Jesus Cristo sobre o matrim&oacute;nio que mais clara n&atilde;o poderia ser.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O documento de trabalho do S&iacute;nodo dos Bispos inclui refer&ecirc;ncias ao positivismo jur&iacute;dico ou &agrave; &eacute;tica baseada no indiv&iacute;duo. O que &eacute; poss&iacute;vel propor tendo em conta estas tend&ecirc;ncias?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Temos de retomar aquilo que est&aacute; na <em>Familiares Consortio<\/em>, h&aacute; 30 anos: entender a problem&aacute;tica conjugal dentro da familiar; e a familiar dentro de uma problem&aacute;tica da sociedade a refazer, no seu primeiro n&uacute;cleo que &eacute; a fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A fazer ou a &ldquo;desfazer&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> A refazer porque ela &eacute; pouco sociedade. N&oacute;s j&aacute; tivemos uma sociedade que o era &ldquo;obrigatoriamente&rdquo;. No contexto em que eu nasci, na primeira metade do s&eacute;culo passado, a maior parte dos concidad&atilde;os deste pa&iacute;s vivia em inst&acirc;ncias sociais asseguradas, onde as pessoas estavam muito interdependente, nas aldeias e as pr&oacute;prias cidades. A sociabilidade era quase imposta e imposs&iacute;vel de contornar. Hoje em dia, sobretudo nos n&uacute;cleos urbanos, e em tempos de mais desafogo econ&oacute;mico, n&atilde;o os de hoje, mas o que parecia vivermos ontem e anteontem, houve muito mais possibilidade de viver se viver individualmente, sem uma vincula&ccedil;&atilde;o t&atilde;o &oacute;bvia e t&atilde;o estrita. Assim, nas sociedade ditas desenvolvidas, muita gente passou a viver como se s&oacute; o pr&oacute;prio indiv&iacute;duo existisse. E aquilo fosse o seu gosto ou desgosto, individualmente tomados e nas diversas fases da vida ou ocasi&otilde;es de exist&ecirc;ncia. Isto levantou um problema social tremendo que &eacute; aquilo que o Papa Francisco, com uma grande clareza na Exorta&ccedil;&atilde;o Apost&oacute;lica &ldquo;A Alegria do Evangelho&rdquo; apresenta como a crise da sociedade, da solidariedade. N&oacute;s somos mediaticamente pr&oacute;ximos, virtualmente pr&oacute;ximos, mas muito pouco irm&atilde;os, fraternos.<\/p>\n<p> \tH&aacute; uma problem&aacute;tica que se revela negativamente na fam&iacute;lia, mas que &eacute; social. Por isso, noutras &aacute;reas da humanidade onde esta quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; assim, onde a individualiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi t&atilde;o longe, as respostas s&atilde;o outras no sentido de manuten&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;o dos v&iacute;nculos familiares.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Que consequ&ecirc;ncias poder&aacute; ter as incurs&otilde;es na ideologia do g&eacute;nero e as transforma&ccedil;&otilde;es que se querem operar?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> Trata exatamente de uma ideologia.<\/p>\n<p> \tO que aconteceu foi que, h&aacute; meio seculo para c&aacute;, o que se chama de ideologia do g&eacute;nero e que a Confer&ecirc;ncia Episcopal dedicou um documento com clareza mediana, h&aacute; uns meses, e que interessa retomar, substituiu-se o que era tido como natural. Espontaneamente as pessoas nasciam, no masculino ou no feminino, e isso definia-as como homens ou mulheres. De h&aacute; uns 50 anos a esta parte, um outro tipo de reflex&atilde;o e proposta, a da ideologia do g&eacute;nero, diz que o masculino e feminino s&atilde;o sobretudo quest&otilde;es culturais: n&oacute;s nascemos de uma maneira mais ou menos &ldquo;alargada&rdquo; e que depois assumimos ou escolhemos ser mais masculino ou feminino como uma escolha cultural e n&atilde;o como um dado de natureza que se tenha de respeitar.<\/p>\n<p> \tA assun&ccedil;&atilde;o plena da masculinidade ou feminilidade, come&ccedil;ando por um dado espont&acirc;neo e natural &#8211; nascemos assim fisiologicamente &#8211; tamb&eacute;m envolve uma aprendizagem: viver a humanidade no masculino ou no feminino, o que depende tamb&eacute;m de fatores externos, culturais. Mas &eacute; o valor. E o valor &eacute; que sejamos a totalidade do que somos, masculino ou feminino, coincidindo afeto e fisiologia. O ideal &eacute; que tudo isto se conjugue numa humanidade no masculino e no feminino, que tem na complementaridade a raiz da sua fecundidade e criatividade. &Eacute; um bem!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Estaremos diante de algo epis&oacute;dico ou tend&ecirc;ncias sociais?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Em causa est&aacute; o que j&aacute; foi referido: a individualiza&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e dos percursos, onde as pessoas sentem que a vida &eacute; uma escolha global onde cada um julga que pode ser o que quiser e o contr&aacute;rio tamb&eacute;m e muita coisa ao mesmo tempo e depois logo se v&ecirc; conforme apetecer.<\/p>\n<p> \tIsto como ideal para a humanidade levanta muitas quest&otilde;es&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \t<strong>Igreja Cat&oacute;lica e fam&iacute;lia<\/strong><\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Fixemo-nos em quest&otilde;es mais pastorais, na rela&ccedil;&atilde;o da Igreja com a fam&iacute;lia. Que rela&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio estabelecer entre matrim&oacute;nio, reconcilia&ccedil;&atilde;o e eucaristia, tr&ecirc;s sacramentos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Trata-se do que S&atilde;o Paulo, um dos autores crist&atilde;os mais determinantes e a recuperar aqui, chama a vida em Cristo.<\/p>\n<p> \tPoder&iacute;amos pensar que os sacramentos s&atilde;o atos religiosos que fazemos porque os nossos pais quiseram, no caso do Batismo, crescemos e nos inserimos num grupo onde todos fazem o Crisma, vamos &agrave; missa e porque n&atilde;o comungar ou quando sentimos que a gra&ccedil;a tem de &ldquo;estar em dia&rdquo; reconciliamo-nos. Assim entendidos, os sacramentos s&atilde;o atos. E casar na Igreja &eacute; mais um ato sacramental!<\/p>\n<p> \tEstes atos valem dentro da realidade que S&atilde;o Paulo refere como &ldquo;vida em Cristo&rdquo;. Trata-se de uma vida que na sua globalidade tem de coincidir com o que Cristo nos prop&otilde;e. N&atilde;o s&atilde;o atos desgarrados. Eu comungar Cristo significa n&atilde;o apenas o ato da Eucaristia, mas o que Ele tamb&eacute;m me traz de relacionamento com os irm&atilde;os na comunidade crist&atilde; que toda junta &eacute; o Corpo de Cristo e com os compromissos que assumi e da maneira como os levo. Eu comungo se estiver em comunh&atilde;o para acrescentar a comunh&atilde;o. Se eu tenho na minha vida uma rutura grave, concretamente no campo do matrimonio com outra pessoa que deixei ou em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; qual n&atilde;o respeito um compromisso que assumi com ela, como posso comungar a Cristo se n&atilde;o comungo naquele outro sacramento do Matrim&oacute;nio que deixei?<\/p>\n<p> \tA Igreja pode verificar e cada vez verifica mais &#8211; ainda agora o Papa nomeou uma comiss&atilde;o para ver isso em mais detalhe &#8211; se efetivamente aquele ato sacramental aconteceu.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que espera do estudo da comiss&atilde;o nomeada pelo Papa para analisar o processo matrimonial can&oacute;nico?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Que v&aacute; nesse sentido&hellip; Temos considerar que a minha liberdade e responsabilidade t&ecirc;m vincula&ccedil;&otilde;es sociais e culturais muito fortes. Temos de preencher mais o facto de um homem e uma mulher, em estado ideal e naquele momento, terem dito determinadas palavras que os comprometeram para toda a vida, com aquilo que foi e &eacute; a sua circunst&acirc;ncia, a sua humanidade vivida, o seu percurso, as conting&ecirc;ncias socioculturais. Temos cada vez mais de ter em conta aquilo que &eacute; a complexidade do seu humano.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Tamb&eacute;m para a an&aacute;lise destes processos can&oacute;nicos do matrim&oacute;nio<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash; <\/em>Tamb&eacute;m. E est&aacute;-se a ir nesse sentido, tendo de se alargar.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o est&aacute; em causa o ideal que Cristo prop&otilde;e, concretamente na passagem evang&eacute;lica em alguns fariseus v&ecirc;m ter com Cristo e perguntam &ldquo;O homem pode abandonar a sua mulher?&rdquo;, acrescentando depois que Mois&eacute;s permitiu Mois&eacute;s que se se passasse um certificado de div&oacute;rcio. Cristo lembra-lhes que Mois&eacute;s permitiu isso &ldquo;por causa da dureza do vosso cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, mas &ldquo;ao princ&iacute;pio n&atilde;o era assim&rdquo; (Mateus, 19 3-9).<\/p>\n<p> \tO princ&iacute;pio n&atilde;o &eacute; tanto uma quest&atilde;o cronol&oacute;gica, mas a inten&ccedil;&atilde;o divina como Jesus a toma e a revela. No princ&iacute;pio o homem e a mulher passam a formar como se fossem um s&oacute;, na linguagem judaica &ldquo;uma s&oacute; carne&rdquo;. Este &eacute; que &eacute; o princ&iacute;pio e n&atilde;o pode estar em causa. Mas dureza de cora&ccedil;&atilde;o &eacute; que se calhar continua. N&oacute;s somos assim t&atilde;o f&aacute;ceis e male&aacute;veis para aderir sem mais a esse princ&iacute;pio. H&aacute;, por isso, um processo de crescimento para e no matrim&oacute;nio e temos de considerar todos estes fatores quando olhamos para o matrim&oacute;nio crist&atilde;o como base da fam&iacute;lia sacramental, que n&atilde;o pode estar desligada da &ldquo;vida em Cristo&rdquo;, uma globalidade em que cada ato sacramental tem de coincidir com os outros.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &#8211; Na &uacute;ltima semana, falando com um auditor do Tribunal da Rota Romana, dizia que esta comiss&atilde;o pode levar &agrave; remo&ccedil;&atilde;o de alguns &ldquo;escolhos normativos&rdquo;&hellip;<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> Eu acentuo antes o que estava a afirmar. Ou seja, considerar a complexidade do ser humano, que hoje temos mais em conta do que noutras &eacute;pocas, onde pela pr&oacute;pria ordem social das coisas &ndash; n&atilde;o digo ordem natural &#8211; tudo era mais claro e n&atilde;o podia haver alternativas.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que pode tornar mais &ldquo;f&aacute;cil&rdquo; a an&aacute;lise destes processos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Lembro um documento do Conc&iacute;lio Vaticano II, que foi dos mais importantes de h&aacute; 50 anos: a declara&ccedil;&atilde;o sobre a liberdade religiosa. Havia um problema para resolver e n&atilde;o se sabia como, desde o S&eacute;culo XI: a liberdade de consci&ecirc;ncia. Havia pronunciamentos muito claros do magist&eacute;rio e a problem&aacute;tica formulava-se assim: eu sou livre para aderir ou n&atilde;o &agrave; verdade, sendo a verdade uma coisa objetiva? Outros punham a quest&atilde;o nestes termos: Ser&aacute; que o erro tem direitos? Como posso ter liberdade de consci&ecirc;ncia diante da verdade, que &eacute; objetiva, n&atilde;o uma escolha minha, mas divinamente assegurada?<\/p>\n<p> \tO Conc&iacute;lio Vaticano II resolveu a quest&atilde;o afirmando que os direitos e as liberdades conjugam-se na pessoa. &Eacute; o pr&oacute;prio Deus o Criador de cada pessoa, com uma subjetividade, que a pouco e pouco vai assumindo a verdade que lhe &eacute; apresentada, num percurso que &agrave;s vezes inclui erros, mas que tem de ser respeitado. A liberdade de consci&ecirc;ncia n&atilde;o p&otilde;e em causa a objetividade da verdade, mas refere-se &agrave;quele percurso humano que todos n&oacute;s, a pouco e pouco, nos vamos abeirando dessa verdade porque o pr&oacute;prio Deus nos queria assim. Tamb&eacute;m faz parte da verdade cada um de n&oacute;s fazer um percurso para a verdade e n&atilde;o podemos ser for&ccedil;ados. Isto foi um enorme salto qualitativo do Conc&iacute;lio Vaticano II e permitiu desbloquear uma quest&atilde;o com 200 anos.<\/p>\n<p> \tCreio que estas reflex&otilde;es, que se conjugam naquilo que &eacute; o ser humano e na sua capacidade de aderir &agrave; verdade, no caso do matrim&oacute;nio, tamb&eacute;m devem ser retomadas.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Concretamente, qual a sua opini&atilde;o sobre o acolhimento dos casais recasados, com a possibilidade de acesso aos sacramentos nas condi&ccedil;&otilde;es em que o Cardeal Kasper formula?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> O acolhimento sempre porque fazem parte da vida da Igreja. Agora se podem ou n&atilde;o voltar &agrave; Eucaristia ap&oacute;s um processo penitencial, como diz o cardeal Kasper e lembra o documento preparat&oacute;rio do S&iacute;nodo lembrando algumas Igrejas cat&oacute;licas do Oriente, vamos considerar! O mais importante &eacute; considerar a complexidade humana que hoje em dia se v&ecirc; mais como itiner&aacute;rio, como percurso, do que como ato decisivo que se resume no momento.<\/p>\n<p> \tVamos ver, vamos ver, com calma!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; As comunidades crentes podem estar recetivas a essas mudan&ccedil;as?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash; <\/em>&Eacute; natural! Estas coisas n&atilde;o passam de um momento para o outro. O documento sobre a Liberdade Religiosa do Conc&iacute;lio Vaticano II foi dos mais dif&iacute;ceis de acertar, sempre empurrado para a &uacute;ltima sess&atilde;o para ver se convencia mais gente. Ainda assim teve muitos votos n&atilde;o.<\/p>\n<p> \tVamos ver. Com tempo e com calma!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Acha que, at&eacute; por compara&ccedil;&atilde;o &agrave;s expectativas que se tinham na altura para o Conc&iacute;lio Vaticano II, o S&iacute;nodo ser&aacute; normativo ou pastoral?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> Eu acho que &eacute; uma distin&ccedil;&atilde;o excessiva. O atual C&oacute;digo de Direito Can&oacute;nico, por exemplo, que verte muitas das orienta&ccedil;&otilde;es do Conc&iacute;lio Vaticano II, &eacute; pastoral e jur&iacute;dico porque o jur&iacute;dico &eacute; uma dimens&atilde;o do ser humano e das sociedades. Em nenhuma sociedade h&aacute; aus&ecirc;ncia de normatividade. Agora se &eacute; para o bem das pessoas j&aacute; &eacute; pastoral!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A realiza&ccedil;&atilde;o deste S&iacute;nodo pode significar uma transforma&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o sinodal: mais do a reuni&atilde;o da Assembleia Sinodal, considerar a Igreja em estado permanente de sinodalidade?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> &Eacute; interessante essa nota. Temos de assumir a condi&ccedil;&atilde;o sinodal da Igreja. Estou muito grato ao papa Francisco por ter levado isto em diante.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; O que pode acontecer entre meados de outubro de 2014 e outubro de 2015?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Eu creio que vai acontecendo.<\/p>\n<p> \tO S&iacute;nodo dos Bispos foi um pedido do Concilio aos papas, concretamente ao Paulo VI, que ele levou por diante. O S&iacute;nodo dos Bispos &eacute; uma realidade cont&iacute;nua. H&aacute;, em determinado ano, uma Assembleia Sinodal, mas o s&iacute;nodo &eacute; uma realidade permanente que tem sempre um secretariado permanente, que &eacute; eleito de sess&atilde;o em sess&atilde;o, como aconteceu na &uacute;ltima, e que, junto do Papa, tamb&eacute;m ativa esta colegialidade episcopal. O Papa resolveu alargar com uma consulta mais forte &agrave;s igrejas do mundo inteiro, sobre um tema para habilitar depois os padres sinodais na sua reflex&atilde;o. Mas n&atilde;o &eacute; completamente in&eacute;dito. J&aacute; nos s&iacute;nodos anteriores as igrejas s&atilde;o chamadas a mandar sugest&otilde;es sobre <em>lineamenta<\/em> a partir das quais se faz o documento que &eacute; a base dos trabalhos sinodais. Agora foi refor&ccedil;ado at&eacute; pela for&ccedil;a do tema, que &eacute; o tema familiar.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<h3> \tDiv&oacute;rcio cat&oacute;lico<\/h3>\n<p> \t<em>AE &ndash; Que coment&aacute;rio lhe merece a express&atilde;o &ldquo;div&oacute;rcio cat&oacute;lico&rdquo;?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> N&atilde;o faz sentido porque &eacute; isso que est&aacute; em quest&atilde;o.<\/p>\n<p> \tN&atilde;o est&aacute; em quest&atilde;o, julgo eu, &agrave; luz do princ&iacute;pio que Jesus Cristo lembra e que j&aacute; referi (no princ&iacute;pio n&atilde;o era assim: criou-os Deus homem e mulher e ser&atilde;o os dois como um s&oacute;), dividir esta afirma&ccedil;&atilde;o no seu &acirc;mago. O que pode estar em quest&atilde;o &#8211; e eu julgo que est&aacute; &ndash; &eacute;, com este aumento de compreens&atilde;o do que &eacute; mist&eacute;rio humano e a humanidade de cada um, ver at&eacute; que ponto esse sim pode ser dado, &eacute; dado, foi dado ou pode ser melhorado, retomado&hellip;<\/p>\n<p> \tN&atilde;o se trata de div&oacute;rcio. Antes de perceber a natureza do consentimento!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; A fam&iacute;lia s&oacute;lida tem ajudado a vencer as dificuldades provocadas pela situa&ccedil;&atilde;o de crise social e econ&oacute;mica?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash; <\/em>Tem-se visto e nem preciso responder! O que seria de uma sociedade como a portuguesa se n&atilde;o fossem a solidariedades familiar&hellip;! Por outro lado, para todos n&oacute;s, como sociedade e como pol&iacute;ticos e governantes, isto implica uma enorme responsabilidade. Se repararmos, at&eacute; por estes fatores negativos presentes, que a fam&iacute;lia ainda &eacute; o grande respaldo da vida social, ent&atilde;o temos de fazer da fam&iacute;lia o n&uacute;cleo das medidas que se toma, quer na sua prepara&ccedil;&atilde;o, na sua possibilita&ccedil;&atilde;o, no seu acompanhamento para que seja poss&iacute;vel. Isso requer uma recomposi&ccedil;&atilde;o social &agrave; base da valoriza&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E n&atilde;o est&aacute; a acontecer precisamente o contr&aacute;rio?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Vamos l&aacute; ver se ganhamos ju&iacute;zo. Gostei particularmente do trabalho coordenado pelo professor Joaquim Azevedo sobre a demografia portuguesa, onde se afirma a necessidade de apoiar a fam&iacute;lia em ordem a uma outra demografia para que n&atilde;o &ldquo;desapare&ccedil;amos&rdquo;&hellip;<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; &Eacute; um indicador numericamente muito reduzido, mas o que pode significar a op&ccedil;&atilde;o de jovens europeus, portugueses, por estados isl&acirc;micos radicais.<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Isso &eacute; muito minorit&aacute;rio. Pode significar um desespero juvenil, um aproveitamento muito enviesado da grande disponibilidade que se tem, quando se &eacute; novo, para mudar o mundo. Mas a&iacute; &eacute; da pior maneira! &Eacute; da pior maneira!<\/p>\n<p> \tTemos de dar raz&otilde;es de esperan&ccedil;a e canalizar no sentido do bem, esse idealismo juvenil, como felizmente tanta coisa acontece que n&atilde;o &eacute; igualmente valorizada e devia ser muito mais valorizada. Por exemplo os milhares de jovens que entram em voluntariado de todo o tipo, mas positivos, mission&aacute;rios, humanit&aacute;rios, e a&iacute; sim canalizam em boas causas e no sentido mais compensador para eles e para outros, esse idealismo juvenil.<\/p>\n<p> \tA corros&atilde;o do &oacute;timo d&aacute; o p&eacute;ssimo e a&iacute; &eacute; p&eacute;ssimo!<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Que consequ&ecirc;ncias pode ter na fam&iacute;lia o constante clima de suspeita e desconfian&ccedil;a sobre lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e at&eacute; no interior dos pr&oacute;prios partidos?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> H&aacute; uma nivela&ccedil;&atilde;o por baixo do que &eacute; a vida social. Numa certa apresenta&ccedil;&atilde;o, mas eu n&atilde;o ponho s&oacute; culpa dos media, porque os media fazem assim porque encontram audit&oacute;rio. H&aacute; uma quest&atilde;o de causa e consequ&ecirc;ncia negativa. &Eacute; muito melhor falar de coisas positivas. Como fui educado no escutismo aprendi que a melhor forma de corrigir algu&eacute;m era puxar-lhe pela parte positiva, descobrir o positivo porque dissolvia o negativo. Se estamos sempre a carregar no negativo n&atilde;o h&aacute; grande futuro social. Qualquer dia desconfiamos todos uns dos outros e at&eacute; de n&oacute;s pr&oacute;prios.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; Na sua interven&ccedil;&atilde;o no S&iacute;nodo o que deseja transmitir?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &#8211;<\/em> Tem de ser muita curta, porque s&oacute; temos 4 minutos para falar, duas p&aacute;ginas de texto. Temos de dar lugar a todos.<\/p>\n<p> \tVou pegar em duas ou tr&ecirc;s cita&ccedil;&otilde;es do documento preparat&oacute;rio e vou salientar a necessidade de termos em conta o que &eacute; a realidade humana do marido, da mulher, dos membros da fam&iacute;lia, com a complexidade que ela hoje apresenta e hoje sofre, no meio de tanta mediatiza&ccedil;&atilde;o das coisas, para depois compreender o que &eacute; o v&iacute;nculo familiar e a maneira de o apoiarmos, quer na celebra&ccedil;&atilde;o do matrim&oacute;nio quer na sua manuten&ccedil;&atilde;o. &Eacute; efetivamente uma realidade muito complexa e n&oacute;s temos de a encarar como tal. Uma sociologia f&aacute;cil, uma antropologia simples j&aacute; n&atilde;o &eacute; do nosso tempo. Isto hoje &eacute; muito complexo e n&oacute;s temos de entender o casal na sua forma&ccedil;&atilde;o, no seu compromisso matrimonial, na sua manuten&ccedil;&atilde;o, e at&eacute; na sua reconstitui&ccedil;&atilde;o quando poss&iacute;vel, &agrave; luz desta complexidade.<\/p>\n<p> \t&nbsp;<\/p>\n<p> \t<em>AE &ndash; E tem de radicar a&iacute; a possibilidade de um recome&ccedil;o?<\/em><\/p>\n<p> \t<em>MC &ndash;<\/em> Onde for poss&iacute;vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Manuel Clemente analisa o alcance do S\u00ednodo dos Bispos sobre a Fam\u00edlia e rejeita a possibilidade de um \u00abdiv\u00f3rcio cat\u00f3lico\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[127,203,206,274,294,311,314,329],"class_list":["post-69122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-catequese","tag-europa","tag-familia","tag-papa-francisco","tag-sacramentos","tag-sinodo-dos-bispos","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}