{"id":6910,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/sudao-o-grito-que-chega-do-deserto\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"sudao-o-grito-que-chega-do-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sudao-o-grito-que-chega-do-deserto\/","title":{"rendered":"Sud\u00e3o, o grito que chega do deserto"},"content":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra no Darfur j\u00e1 provocou 20 mil mortos, 1 milh\u00e3o de deslocados internos e a fuga de 160 mil pessoas para o vizinho Chad. Os n\u00fameros da trag\u00e9dia poder\u00e3o ainda ser mais elevados, como alertam v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es internacionais, se a grande opera\u00e7\u00e3o de ajuda humanit\u00e1ria de emerg\u00eancia que a ONU e outras ONG\u2019s est\u00e3o a organizar n\u00e3o chegar a tempo aos campos de refugiados sudaneses.  \u201cEsta \u00e9 uma das piores crises humanit\u00e1rias do mundo\u201d, avisava em Maio o director do Programa Contra a Fome das Na\u00e7\u00f5es Unidas, James Morris, ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o no terreno que a ONU fez da situa\u00e7\u00e3o dos refugiados no Sud\u00e3o Ocidental. A guerra flagela h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas o maior pa\u00eds do continente africano. Desde o princ\u00edpio dos anos 80 morreram no Sud\u00e3o mais de 2 milh\u00f5es de pessoas e 5 milh\u00f5es foram for\u00e7adas a abandonar as suas casas.  Primeiro foram os conflitos no Sul, onde a popula\u00e7\u00e3o civil, maioritariamente crist\u00e3 e animista, foi flagelada por bombardeamentos do ex\u00e9rcito sudan\u00eas e pelos ataques de mil\u00edcias \u00e1rabes pr\u00f3-governamentais. A ac\u00e7\u00e3o concertada entre o governo de Cartum e as mil\u00edcias \u201cjanjaweed\u201d nas cidades e aldeias do sul visava aterrorizar os alegados apoiantes do Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o. Milhares de jovens capturados nestes ataques foram depois vendidos nos mercados como escravos. A partir de 2003 a viol\u00eancia estendeu-se tamb\u00e9m \u00e0 regi\u00e3o ocidental do Darfur, onde est\u00e1 em curso uma limpeza \u00e9tnica. As mil\u00edcias \u00e1rabes, com o aval do governo sudan\u00eas, dizimam as etnias africanas. Esta \u00e9 uma luta pelo poder local, pela terra e pela \u00e1gua, um bem precioso naquela regi\u00e3o des\u00e9rtica. Estes conflitos, que colocaram o Sud\u00e3o \u00e0 beira de uma cat\u00e1strofe humanit\u00e1ria, s\u00e3o distintos nas suas origens e motiva\u00e7\u00f5es. D. Macram Max Gassis, Bispo de Obied, refere que no sul a religi\u00e3o \u00e9 um aspecto fundamental, uma vez que se procura \u201cimpor ao povo que aceite o fundamentalismo isl\u00e2mico\u201d, ao passo que no Darfur existe \u201cum processo de arabiza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cuma quest\u00e3o \u00e9tnica\u201d.   \u201cEsta guerra \u00e9 complexa e as armas utilizadas s\u00e3o muito diversas\u201d, salientou o Padre Mathew Hill, que publicou um livro intitulado \u201cViajando com Soldados e Bispos\u201d, onde retrata a sua experi\u00eancia mission\u00e1ria no Sud\u00e3o. Esta \u00e9 uma guerra que n\u00e3o se trava apenas com o armamento sofisticado comprado aos pa\u00edses ocidentais. A fome e a destrui\u00e7\u00e3o das escolas fazem parte de um \u201carsenal n\u00e3o-convencional\u201d utilizado na guerra. As mil\u00edcias atacam os comboios de ajuda humanit\u00e1ria, deixando milhares de refugiados morrer \u00e0 fome e o governo bombardeia ou deixa ao abandono as escolas no sul. As crian\u00e7as e os jovens que n\u00e3o podem ir \u00e0 escola ir\u00e3o depois engrossar as fileiras do ex\u00e9rcito ou dos guerrilheiros. S\u00e3o elas as maiores v\u00edtimas da guerra. \u201cN\u00e3o podem existir perspectivas de uma paz duradoura no Sud\u00e3o enquanto o governo de Cartum continuar a negar o direito de existir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o africana\u201d, afirma Christine du Coudray, respons\u00e1vel pelo Departamento de Projectos de \u00c1frica da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre. \u00c9 fulcral que os direitos humanos e a dignidade da pessoa passem a ser uma realidade no Sud\u00e3o. Para mudar o \u201cestado das coisas\u201d no Sud\u00e3o, os bispos sudaneses apostam na forma\u00e7\u00e3o de catequistas e na forma\u00e7\u00e3o dos \u201cprofessores do amanh\u00e3\u201d. Em 1986 o Arcebispo de Cartum, o Cardeal D. Gabriel Wako, criou o programa \u201cSalvem os Oprimidos\u201d para assegurar a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0s crian\u00e7as refugiadas. Por falta de apoios financeiros o n\u00famero de crian\u00e7as abrangidas pelo programa teve de ser reduzido para metade, passando das 70 mil iniciais para cerca de 45 mil crian\u00e7as. A Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre j\u00e1 contribuiu com 180 mil Euros para este projecto e apoia os sacerdotes, mission\u00e1rios e religiosas que trabalham com as crian\u00e7as e as fam\u00edlias sudanesas que fogem da guerra. Com  a publica\u00e7\u00e3o deste relat\u00f3rio \u201cSud\u00e3o, o grito que chega do deserto\u201d pretende-se alertar a opini\u00e3o p\u00fablica para o drama da comunidade crist\u00e3 do Sud\u00e3o e apelar para a import\u00e2ncia de ajudar a Igreja num pa\u00eds onde tudo falta. O Bispo de Wau, D. Rudolf Deg, que elegeu como prioridade o abastecimento de \u00e1gua \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, lembra: \u201cAs pessoas t\u00eam sede. Sede de ajuda, e v\u00eam \u00e0 Igreja porque n\u00f3s sofremos com elas\u201d. Disponibilizamos gratuitamente na p\u00e1gina Internet da Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (www.fundacao-ais.pt) o Relat\u00f3rio do Sud\u00e3o na integra, bem como todas as nossas not\u00edcias relativas ao Sud\u00e3o.   Funda\u00e7\u00e3o \u00e0 Ajuda que Sofre<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra no Darfur j\u00e1 provocou 20 mil mortos, 1 milh\u00e3o de deslocados internos e a fuga de 160 mil pessoas para o vizinho Chad. 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